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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  
Contos: Nicolau
Tuesday, November 17 @ 14:10:25 BRST por Administrador (347 visualizações)
Literatura
Mércia Pinto.

Nicolau era o papagaio de minha avó. Naquele tempo, além dos agregados familiares que moravam e trabalhavam na casa, só saindo quando se casavam, ainda se criavam muitos bichos; soins, gatos, cachorros, e não faltava um papagaio que comia os restos de miolos de pão com café que sobravam na mesa.  Assim era na casa da minha avó. Viviam com muita simplicidade, mas a população de agregados e bichos parecia não pesar no orçamento familiar.


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Contos: PANOS DE PRATOS
Thursday, June 05 @ 00:18:26 BRT por Administrador (5669 visualizações)
Literatura

PANOS DE PRATOS

Mércia Pinto

Na minha terra, as histórias de amor cumpriam várias etapas. O flerte, indefinida prática que só era entendida e identificada pelos dois envolvidos, era a primeira delas. Mas até a superação do medo do rapaz de se aproximar da garota e propor namoro levava algum tempo. Depois do ritual inicial de aceitarem diferenciar o olhar e o sorrir um para o outro, do olhar e do sorrir para os demais, apareciam novas emoções, e com elas, tarefas a serem cumpridas. - Com que cara falar para os amigos? Dizer que estavam namorando? Impossível falar sério quando tudo se espalhava em forma de fofoca. As amigas mais tagarelas recebiam da eleita todos os detalhes de como tinha sido a “declaração” do rapaz. Risadinhas à parte, no fundo se sentiam um pouco órfãs, pois o namoro da amiga certamente tomaria parte do tempo para as conversas diárias entre elas. Escondendo a inveja e o ciúme, o grupo se refazia, atualizando “fuxicos”, mapeando as ex-namoradas do rapaz, as brigas entre o casal, bem como eventuais maldades entre os dois: festas e cinemas escondidos um do outro e pequenas infidelidades recíprocas. Se o frágil laço entre os dois resistisse a tantos repuxos, depois de um mês já estavam voltando do colégio de mãos dadas. E haja inveja das amigas! Ah, como elas desejavam um namorado que se mostrasse assim para todas, na saída das aulas?



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Contos: ... DE LABIRINTOS E VÉUS
Wednesday, June 04 @ 23:53:21 BRT por Administrador (1320 visualizações)
Literatura

... DE LABIRINTOS E VÉUS

(romancinho)

Mércia Pinto

Capítulo I

A representação do grandioso e do desconhecido espalhada naquela imensa folha de papel pendurada na parede deslumbrava as duas meninas. Pa-quis-tão, Ca-sa-quis-tão, A-fe-ga-nis-tão, I-rão, Us-be-quis-tão, Tur-qui-me-nis-tão. – E por que não Brasão? Assim tudo rimava, perguntava uma à outra.



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Contos: Consolations
Sunday, September 23 @ 18:32:49 BRT por Administrador (949 visualizações)
Literatura

Consolations

Mércia Pinto.

O ranger do portão enferrujado despertou-a de seu esforço para ler o jornal. A branquidão de suas vestes esparramadas na cadeira, contrastando com a fartura do seu corpo escuro, lembra um berço. Desarrumadas, as folhas do papel esperneiam em seus braços como uma criança que se nega a deitar. Depois de domá-las, levanta a vista, me fixa desinteressada e devolve o olhar para bem perto do texto. O gesto de quase fechar os olhos para enxergar coisas miúdas é o mesmo de quando a vejo escolhendo arroz, retirando pedrinhas do feijão na cozinha.



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Contos: MORUS MORES
Monday, July 30 @ 15:05:13 BRT por Administrador (643 visualizações)
Literatura

MORUS MORES

Abdellah Bouazza

O rego musgoso, tão lento e preguiçoso quanto o próprio dia, separava o menino da amoreira. Para sua surpresa, sob a folhagem luxuriante e a sombra poeirenta ele entreviu um cãozinho que observava seus movimentos com uma curiosidade de olho de boneca. A cena ( menos sombria, talvez ) recordava a fábula do cordeiro e do lobo. Em vez de tomar a cômica presença do cachorrinho como uma advertência, o garoto a considerou um convite. Retrocedeu alguns passos para dar uma corridinha e saltar sobre a vala refletida em verde-negro. Assim que suas mãos tocaram a terra estival e ele olhou para cima, percebeu que o cãozinho havia sumido e em seu lugar encontravam-se as folhas largas da ramada de uma figueira. Isto o desapontou um pouco, mas a amoreira prometia-lhe uma frondosa e verde bem-aventurança. Apressadamente colheu, provou e guardou amoras nos bolsos; o gosto das frutinhas e o prazer proibido cegaram-no e enfraqueceram-lhe os sentidos a tal ponto que o pomar ( damasco, limão e ainda framboesa), que dificilmente se podia avistar de fora, ficou registrado no seu agora estreitado campo visual como um mero fundo vegetal variado.



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Contos: MORUS MORES
Monday, July 30 @ 13:03:01 BRT por Administrador (833 visualizações)
Literatura

MORUS MORES

Abdellah Bouazza

The mossy ditch, which was as slow and sluggish as the day itself, separated the boy from the mulberry tree. To his surprise, under its lush foliage and dusty shade appeared a small dog, which watched his movements with doll-like curiosity. The scene (less shady perhaps) recalled the fable of the wolf and the lamb. Instead of a warning, the boy considered the little dog’s droll presence an invitation. He backed a couple of steps and made a running jump over the black-green reflecting ditch. The moment his hands touched the summer earth and he looked up the dog had already disappeared and there lay a broad-leaved fig branch. That disappointed him a little, but the rich mulberry tree provided an overwhelming green bliss. Hurriedly he plucked, tasted and put mulberries in his pockets; the taste of the berries and the forbidden delight blinded him, weakened his senses to such an extent that the orchard (apricot, lemon and also raspberry), which was hardly to be descried from without, was registered by his narrowed field of vision merely as a variegated vegetal backdrop.


Nota: Versão em Português: http://www.aetern.us/article116.html

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Contos: BORDADOS DE UMA ODISSÉIA
Wednesday, April 05 @ 21:29:17 BRT por Administrador (857 visualizações)
Literatura

BORDADOS DE UMA ODISSÉIA

Jansy Berndt de Souza Mello

Primeiro:
Foi preciso dar mais um puxão para desembaraçar a corda da persiana que de pronto lançou grades cinzentas contra a parede. Uma mosca posta em foco executou uma pequena dança nos intervalos. Passos apressados na rua molhada pela garoa preveniram das batidas na porta (por que sempre três?). Sussurros de vozes e roupas caindo. Genoveva! Genoveva!



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Contos: Uma escala
Thursday, March 31 @ 21:24:43 BRT por Administrador (1256 visualizações)
Literaturamarucia.lima enviou "
Uma escala
Marúcia Lima
"

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Contos: DE QUE VALE UM TÍTULO?
Thursday, August 05 @ 22:00:00 BRT por administrador (2632 visualizações)
LiteraturaJorio enviou "
DE QUE VALE UM TÍTULO?
Jorio Dauster
“... fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice.”
"

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Contos: A4
Friday, April 02 @ 20:22:46 BRT por administrador (950 visualizações)
Literaturaolegario enviou "
A4
S. Olegário de Carvalho Neto
Nasceu A4 e era exatamente igual às outras. ...ou quase: intimamente talvez tivesse lá umas diferenças.
Desde que chegaram ali, todas ...
"

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Contos: O RAIO DO DECOTE
Tuesday, April 13 @ 16:00:00 BRT por administrador (1233 visualizações)
Literaturaechk enviou "
O RAIO DO DECOTE
Eugênia Correia Krutzen
Quem quer que você seja, caro leitor ou leitora, vou ter que supor que já passou pela experiência de fazer parte de um fenômeno meteorológico. Não, não me refiro a terremotos, secas, essas coisas já catalogadas. Falo de um tipo de experiência limite, que aproximo à sensação de tocar, com a pele mesmo, um pedaço de luz em movimento.
Sim, a luz tem a famosa velocidade que torna poeira qualquer tentativa de narrar um fato bem humano ...
"

(Leia mais... | 15141 bytes adicionais | Pontos 5)

  

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