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OS CABELOS DA MEDUSA: TRICOTILOMANIA E FETICHISMO

Enviada por stelagodoy em Thursday, May 13 @ 23:38:06 BRT

Trabalhos
    OS CABELOS DA MEDUSA:
TRICOTILOMANIA E FETICHISMO
 
 
Maria Stela de Godoy Moreira[1]
 
                            “Le silence éternel de ces espaces infinis m´effraie
Pascal,B.:Pensées,III,206;
citado por Bion in Transformations
 
 
Julia Kristeva (1993)[2] no livro Les nouvelles maladies de l'âme nos apresenta a inibição da vida fantasmática de um paciente pintor, incapaz de colocar em palavras as imagens que povoavam seus quadros, pois, afirma ela,  os afetos estão clivados do discurso que ele relata em suas fantasias perversas. Desejo salientar a distinção entre o fetichista que desloca sua agressividade para a dinâmica de pensamento, da perversão onde há uma catástrofe psicótica.
Neste trabalho, Tricotilomania e Fetichismo, tentarei focalizar a relação “perversa” (entre aspas) de uma menina com seu pré-objeto-cabelo salientando  a necessidade do analista  acolher o surgimento da imagem e das representações do ato perverso como possíveis na transferência.Tal atualização do cenário na sala de análise mobiliza a intensidade das representações pré-verbais do afeto e constitui uma pré-condição à palavra interpretativa.


    OS CABELOS DA MEDUSA:
TRICOTILOMANIA E FETICHISMO
 
 
Maria Stela de Godoy Moreira[1]
 
                            “Le silence éternel de ces espaces infinis m´effraie
Pascal,B.:Pensées,III,206;
citado por Bion in Transformations
 
 
Julia Kristeva (1993)[2] no livro Les nouvelles maladies de l'âme nos apresenta a inibição da vida fantasmática de um paciente pintor, incapaz de colocar em palavras as imagens que povoavam seus quadros, pois, afirma ela,  os afetos estão clivados do discurso que ele relata em suas fantasias perversas. Desejo salientar a distinção entre o fetichista que desloca sua agressividade para a dinâmica de pensamento, da perversão onde há uma catástrofe psicótica.
Neste trabalho, Tricotilomania e Fetichismo, tentarei focalizar a relação “perversa” (entre aspas) de uma menina com seu pré-objeto-cabelo salientando  a necessidade do analista  acolher o surgimento da imagem e das representações do ato perverso como possíveis na transferência.Tal atualização do cenário na sala de análise mobiliza a intensidade das representações pré-verbais do afeto e constitui uma pré-condição à palavra interpretativa.
 
 
A EROTIZAÇÃO DOS CABELOS
Os cabelos longos, despenteados são sexual e moralmente contestadores.  Naturais porque informais, mas perversos porque auto-divinizante e auto-eróticos  pois têm uma sobrenatural iridescência sexual: uma coroa solar.
Entre as mulheres, o cabelo aparece como uma das armas principais da sedução. Maria Magdalena, na iconografia cristã, aparece sempre representada com cabelos longos e desmanchados, sinal de abandono a Deus, mais ainda, uma lembrança de sua antiga condição de pecadora. A noção de provocação sensual, ligada à cabeleira feminina, na tradição cristã aparece como o antigo costume de utilizar um véu sobre os cabelos ao se entrar na igreja.
Os cabelos esvoaçantes da Vênus de Botticelli foram e continuam sendo a linguagem de Eros feminino. Pertencem ao cânone feminino da beleza conservando uma relação íntima com  seus portadores, mesmo depois de seu corte. Conservados em relíquias, não são apenas objetos de veneração, mas também expressam um  desejo de participação em suas virtudes. Representam muito freqüentemente certos poderes do homem: a força e a virilidade como no mito de Sansão. Esta associação manifesta claramente um elo estabelecido entre o cabelo e a força vital.
Os religiosos de conventos católicos tosam o cabelo das freiras quando elas fazem os votos e fazem a tonsura nos padres, simbolizando não apenas um sacrifício, uma penitência, o caminho das virtudes, mas indicando também capitulação: uma renúncia—voluntária ou imposta—, às prerrogativas da carne e  à sua própria personalidade.  Uma renúncia aos prazeres profanos e um voto de obediência.
 
CABELOS E O MITO DA MEDUSA  
Beth Seelig (2002)[3] no trabalho “The rape of Medusa in the temple of Athena” aponta para a sensualidade dos cabelos, no mito do perigoso monstro feminino Medusa – a representação da mulher assertiva, fálica e perigosa ou a alternativa, passiva, castrada e receptiva — a virgem intelectual Atena. O mito também alude às defesas   contra o medo da sexualidade feminina e a necessidade de encarar uma mulher poderosa como masculina ou  fálica.
A história do relacionamento de Atena e Medusa ilustram o problema do desenvolvimento da maturidade sexual feminina combinada com poder e autoridade.
Medusa [4]era uma jovem lindíssima. De toda a beleza que ela possuía, nada era mais belo que seu cabelo. A tragédia começou quando perdeu a virgindade no templo de Atena. Alguns autores dizem que o assédio sexual foi perpetrado por Zeus, seu pai, outros autores atribuem a Posídon, deus do mar, que a tendo raptado, violentou-a dentro de um templo da própria Atena. Na história, Atena, a deusa –virgem era muito ligada ao pai Zeus, foi tomada por inveja competitiva,  aparentemente perdoando a ação dele (ou do tio Posídon), e culpando a vítima Medusa.
A cabeça da Medusa,com o cabelo e as víboras foi representada no escudo de Atena, adquirindo o poder mágico de transformar em pedra qualquer inimigo que para ele olhasse. Uma só mecha da outrora lindíssima cabeleira da Górgona[5] apresentada ao exército invasor era bastante para pô-lo em fuga. Ainda o mito retrata, mais tarde, Perseu  partindo para o Ocidente para matar a Górgona e o estratagema que utilizou ao refletir a imagem do monstro no escudo de bronze polido de Atena sem precisar olhar diretamente para ela, decapitando-a.
Atena pode ser vista como a altruísta deusa-mãe e a “mensagem” do  mito poderia ser: uma vez que a filha permaneça virgem e ‘obediente’, ela está segura, mas quando a maturidade sexual da donzela torna-se uma  ameaça à mãe, ela destrói seu maior trunfo de feminilidade, transformando seu cabelo em cobras venenosas e petrificantes.
O mito é uma boa metáfora sobre a integração da feminilidade e do desenvolvimento do “complexo de Édipo” nas mulheres. Medusa simboliza a mãe-maligna e a competitividade hostil, e Atena, assexuada e intelectual é equivalente à mãe benigna e ao pensamento criativo.
 
-A CLÍNICA
Soube pela mãe que Medusa arranca os próprios cabelos na região da nuca.  Os cabelos? ou os pensamentos e fantasias que se escondem por baixo deles? Neste relato gostaria de chamar atenção para quatro momentos:
 
-O fato histórico
-Sedução organizante: ternura
-Suposição teórica: fetichismo e tricotilomania
-Espaço triangular e o terceiro espectador
 
1- FATO HISTÓRICO
A primeira vez que encontrei Medusa ela se postava sentadinha na poltrona de meu consultório, tendo aos seus pés ajoelhado, o motorista bem moço também, que lhe amarra os cordões do sapato. Chama atenção uma cascata de cabelos aloirados, arrumados em um rabo de cavalo, puxado para um dos lados do belíssimo rosto. Ela não fala nada e não sorri. A mãe, que só conheci pessoalmente dois meses após a primeira entrevista, aludiu, quando falamos pelo telefone, ao fato de Medusa ter uma “espécie de apatia”, não reagindo a castigos ou prêmios. Como poderia sorrir uma menina de dez anos que é "enviada" sozinha, sem acompanhante responsável para uma psicanalista estranha, uma entrevista cuja finalidade é iniciar análise?
 
No primeiro contato, sorri ao me ver. Entra na sala. Permanece quieta. Na mesa havia lápis e papel. Ela imediatamente começa a desenhar.
 
A CASCA DE BANANA- SOCORRO
Medusa desenha inúmeros detalhes minúsculos preenchendo o branco assustador da página, numa tentativa de entulhar o vazio (infinito) que se lhe apresenta. Seria o vazio dos cabelos faltantes na área perto do pescoço, área intermediária entre o corporal e o intelectual que ela tenta esconder com o penteado assimétrico? Escreve “SOCORRO” e esta foi a mensagem “subliminar”
A TEORIA DA SEDUÇÃO foi elaborada por Freud 1895-1897, e ulteriormente abandonada, que atribui à recordações de cenas reais de sedução o papel determinante para explicar na sua origem o mecanismo do recalcamento e a etiologia das psiconeuroses.
Foi sucintamente descrita por Laplanche e Pontalis [6], como “Cena real ou fantasmática, em que o indivíduo, geralmente uma criança, sofre passivamente propostas ou manobras sexuais por parte do outro”.
Antes de ser uma teoria que Freud, no período da fundação da psicanálise, pensou poder explicar o recalcamento da sexualidade, a sedução é uma descoberta clínica; os pacientes no decorrer do tratamento acabam por se lembrar de experiências de sedução sexual: trata-se de cenas vividas  em que a iniciativa cabe ao outro (geralmente um adulto) e que pode ir de uma simples proposta por palavras ou gestos até ao atentado sexual, mais ou menos caracterizado, que o indivíduo suporta passivamente e com pavor. Atualmente, ousamos pensar que o “pavor” é porque foi prazeroso.
        
Esquematicamente essa teoria supõe que o traumatismo se produz em dois tempos, separados um do outro pela puberdade. O primeiro tempo, o da sedução propriamente dita, é por Freud caracterizado como acontecimento sexual Pré-sexual. O acontecimento sexual é aduzido do exterior a um indivíduo que, pelo seu lado, é ainda incapaz de emoções sexuais (ausência de condições somáticas da excitação, impossibilidade de integrar a experiência). A cena, no momento em que se produz, não é objeto de recalcamento. Só no segundo tempo um novo acontecimento, que não implica necessariamente um significado sexual em si mesmo, vem evocar por alguns traços associativos a recordação do primeiro: “Aqui, nota Freud, oferece-se a única possibilidade de ver uma recordação produzir um efeito muito mais considerável do que o próprio incidente”.  É em virtude de excitação desencadeada pela recordação que esta é recalcada.
Freud atribui tal importância à sedução na gênese do recalcamento,que procura descobrir sistematicamente cenas de sedução passiva tanto na neurose obsessiva como na histeria, onde primeiramente as descobriu. “Em todos os meus casos de neurose obsessiva encontrei, numa idade muito precoce, anos antes da experiência de prazer, uma experiência puramente passiva, o que não pode ser um acaso”.
Mais tarde, em carta à Flies [7]afirma:” já não acredito na minha neurótica”, e apresenta  motivos para pôr em dúvida a veracidade das cenas de sedução e a abandonar a teoria correspondente.: “Este foi o ponto decisivo no aparecimento da teoria psicanalítica das noções de fantasia inconsciente , de realidade psíquica e de sexualidade infantil espontânea.
Na mesma linha de pensamento, Ferenczi (1932),[8] adotando a teoria da sedução, descreveu como a sexualidade adulta(a linguagem da paixão)  operava verdadeiramente um desvio e evasão do mundo infantil (a linguagem de ternura).
O perigo dessa renovação da teoria da sedução estaria em voltar à noção pré-analítica de uma inocência sexual da criança, que a sexualidade adulta viria perverter. O que Freud recusa é que se possa falar de um mundo da criança com sua existência própria antes de se produzir essa evasão, ou essa perversão. Parece ser por essa razão que ele classifica em última análise a sedução entre as protofantasmas, cuja origem refere à pré-história da humanidade. A sedução não seria na sua essência um fato real, situável na história do indivíduo, mas um dado estrutural que só sob forma de um mito poderia ser transposto historicamente.
 
Para Freud o complexo de Édipo era nuclear desde sua descoberta em 1897 até o fim de sua vida. Melanie Klein (1928) adotou o termo “Situação Edípica” e a incluiu no que Freud refere como cena primária, isto é, as relações sexuais dos pais como percebida e imaginada pela criança. Desde o início de seu trabalho com crianças, influenciada por Fereczi, Melanie Klein, impressionada com a onipresença da situação edípica e sua importância única, postulou o início dela muito antes do que Freud determinara. A situação edípica inicia-se  com a relação de objetos parciais antes de evolver para o complexo edípico que nos é familiar, quando a relação dos pais é percebida como objetos totais, ou seja, como duas pessoas interagindo. Em idade muito tenra a criança toma conhecimento da realidade através das deprivações que esta lhe impõe. O grau da capacidade de tolerância da privação resultante da situação edípica será o que mais tarde vai determinar sua capacidade para adaptar-se à realidade[9].
Isto foi escrito uma década antes de Melanie Klein descrever o que denominou de posição depressiva – esse período de integração e reconhecimento que ocasiona a tomada de consciência da natureza do mundo exterior ao self e a natureza dos sentimentos ambivalentes. Em outras palavras o início do sentimento de realidade externa e interna. A capacidade de compreender e relacionar-se com a realidade é possível com a metabolização da posição depressiva. Britton (1985) sugeriu que a metabolização de uma patrocina o desenvolvimento da outra.
O reconhecimento inicial do relacionamento sexual parental envolve o abandono da idéia da possessão permanente da mãe e leva a um profundo sentimento de perda, que, se não é tolerado pode tornar-se um sentimento persecutório. Mais tarde o encontro edípico também envolve o reconhecimento da diferença entre o relacionamento entre os pais, distinto do relacionamento entre os pais e filhos.O relacionamento dos pais é genital e procriativo e o dos pais e a criança não são. Este reconhecimento produz um sentimento de perda e inveja, quando não é tolerado, podendo gerar dor, tristeza e aflição ou auto denegrimento.
 
            3.2-SEDUÇÃO ORGANISANTE :TERNURA
 
A descrição do laço pré-edípico com a mãe, nomeadamente no caso de criança do sexo feminino, permite falar de uma verdadeira sedução sexual pela mãe, sob a forma de cuidados corporais dispensadas ao lactente, sedução real, que seria o protótipo das fantasias posteriores.
Uma vez ultrapassada a "sedução originária", narcísica em seu curso natural e "organizante" por parte dos pais, fica excluída a passagem ao ato sexual. Os pais que desfrutam da sexualidade adulta entre si, inibem quanto à finalidade, suas pulsões relativas aos filhos, evitando produzir neles  "muita excitação", a fim de permitir aflorar somente o pulsional necessário ao desenvolvimento da libido. Esse investimento é elaborado e  transformado sob a forma de "ternura" na presença e com a participação psíquica de ambos os pais.
A "sedução" dos pais deveria então se limitar ao registro da ternura num empenho em modelar esse self em desenvolvimento, para que mais tarde essa interação  recíproca, entre a criança e o ambiente, forneça traços de caráter de cunho afetuoso. Dependendo do desembaraço ou da inibição ao modificar ou simplesmente investir o mundo externo, a criança estará capacitada ou interditada a exercer esse domínio do afeto.
Assim que o investimento nas figuras paternas se desvela no registro sexual, a criança é levada a reforçar seu investimento de mestria e "domínio" sobre os elementos do mundo exterior e sobre suas próprias capacidades corporais e processos de pensamento.
 
3.3 SUPOSIÇÃO TEÓRICA:
CABELO OBJETO TRANSICIONAL? PRECURSOR?  FETICHE?
 
OBJETO TRANSICIONAL
 
Winnicott (1967) cunhou o termo “fenômeno transicional” que implica na existência de um estado temporário próprio da primeira infância em que ao bebê é permitido pretender um controle mágico sobre a realidade externa.  A primeira mamada *teórica) é representada na vida real pela soma das experiências   reais de muitas mamadas. Após a primeira mamada teórica, o bebê começa a ter material com o qual pode criar, alucinar o mamilo , no momento que a mãe está pronta para oferecê-lo. A memórias são construídas a partir de inúmeras impressões sensoriais, associadas à atividade de amamentação e ao encontro do objeto (mãe). No decorrer do tempo surge um estado no qual o bebê sente confiança em que o objeto  do desejo pode ser encontrado, e isto significa que o bebê passa a tolerar a ausência do objeto. Desta forma inicia-se no bebê a concepção da realidade externa, um lugar onde os objetos aparecem e desaparecem. O “objeto transicional” ou primeira possessão é um objeto que o bebê criou, ainda que, ao mesmo tempo em que nós , observando “de fora”, sabemos que se trata da ponta de um cobertor ou da franja de um chalé, ou de um brinquedo—um ursinho peludo-- que todos nós experimentamos.
Alguns dos objetos transicionais servem como poderosa defesa contra a ansiedade provenientes da ameaça de separação e abandono, que acontece geralmente quando a criança vai adormecer.
Com o consentimento de Winicott (1967)  Renata Gaddini denominou precursores do objeto transicional[10] aqueles objetos, que têm a capacidade de consolar a criança mas não foram descobertos ou inventados pela criança.
 
 
OBJETOS PRECURSORES
É muitas vezes difícil diferenciar o objeto precursor do objeto transicional em termos puramente descritivos. Devemos entender o que cada um deles significa para a criança.
Renata Gaddini diferencia duas categorias de objetos precursores:
1- O contacto com a pele da mãe ou da criança.
2- A sensação táctil do objeto inanimado precursor. Esta modalidade mais tardia é experienciada pela criança no âmbito das funções do holding materno. Certamente o cobertor que envolve a criança acariciando seu rosto levemente faz parte dessa situação. Nessa idade imatura a criança não pode distinguir se essa sensação é produzida por uma parte do corpo da mãe ou por algum objeto inanimado. É um PRÉ-objeto transicional pois surgiu em época que ainda não se estabeleceu a separação e individuação -- ainda não houve separação resultando em um espaço potencial para a criatividade.
Tanto o precursor do objeto transicional como o objeto-fetiche, ambos são distorções da formação da representação do objeto e pertencem ao estágio de pré-objeto, diferindo quanto à ocasião do seu aparecimento: Tenra infância no caso do objeto precursor e por época dos dois anos e meio no caso de fetiche infantil, quando a criança está adquirindo uma percepção cognitiva dos seus genitais (Greenacre, 1969)[11]
Os objetos precursores provêm da mãe ou fazem partes do corpo da criança ou da mãe. Além da língua e dedos o precursor do objeto transicional inclui:
·                    a chupeta
·                    mamadeira usada como tranqüilizante
·                    o pulso da criança ou da mãe
·                    o dorso da mão da criança ou da mãe
·                    o cabelo, lobo da orelha ou umbigo que é tocado ou acariciado para produzir uma sensação táctil, associado com o mamar ou outras combinações tácteis.
 
OBJETO FETICHE  INFANTIL
 
Os “objetos introduzidos na boca”, como Renata Gaddini denominou um grupo de objetos precursores pertence a uma organização do estágio oral no qual a boca e a incorporação são investidos libinalmente introduzindo um self-sensação que mais tarde conduzirá à integridade somática. A retirada súbita desses precursores pode desencadear a ansiedade de desintegração, produzindo uma reação somática e sintomas. O fetichismo infantil pode surgir desse medo primitivo de desintegração ou mutilação.
O fetiche infantil, da mesma forma que o pé ou partes da roupa da mãe, seria o mamilo do seio, representando um objeto parcial e não sua função. Não representaria portanto o objeto transicional que serve como símbolo. Enquanto o fetiche necessário para completar o ato sexual do adulto fetichista, satisfaz mais as necessidades narcísicas do que as necessidades de ternura.
DOIS MESES DEPOIS : duas sessões consecutivas
         Logo ao entrar Medusa desenha, anunciando como manchete de jornal: "Jornal Nacional" ... Papa quase sofre outro atentado”. (São questões atuais. E ela é filha de jornalistas). A seguir : Transas e caretas”. (nome de uma novela em exibição) Com Cid Moreira"-  (É o locutor de televisão do Jornal Nacional  e tem o meu sobrenome: Moreira).
Percebo a conexão com meu nome, mas não sei nada sobre a novela. Transas
pode significar relacionamento sexual, uns “amassos e beijos”seria este
um pensamento repudiado?Um pensamento que evoca “caretas?...”.
Ou “careta” significa antiquado? Uma pessoa “transada, moderna e uma careta, antiquada”.E “Papa?” poderia ser “o pai”?.
Porque “atentado”? atacado? Ou “tentado”...de tentação?
 
O desejo da menina foi despertado pelo pai, que anda nu pela casa e toma banho de chuveiro com a filha, ensaboando-a no vapor perfumado da água quente, mas Medusa, minha paciente, não foi efetivamente seduzida. A sedução traumática, afirma Ferenczi (1932)[12] começa quando o desejo do pai - ou do adulto - está positivamente em jogo, iniciando com a "confusão de linguas" com o exercício de um domínio sexual sobre a criança, onde a ternura deveria ter-se instalado.
 
A dominação da mãe sobre o corpo da criança em seus cuidados de higiene constrói um código pré-lingüístico que por um lado sustenta o sistema percepção-consciência e por outro as vínculos entre afeto e representação.
A carência de representação psíquica da mãe como um todo, entrava a vida sensorial, intelectual, sexual da criança. Ante a imagem da mãe virtual, psiquicamente ausente,  face à ameaça de desorganização, o sujeito se organiza investindo o que ele pode perceber nele próprio, uma parte de seu corpo, e erige esse detalhe como objeto, que poderá mais tarde  tornar-se um objeto fetichista.  Estados afetivos e segmentos corporais podem assim ser investidos  como sucedâneos do objeto externo. Temos então uma espécie de construção teratológica (cabelos - unhas - pele) que chega a constituir um fetiche interno: estranha composição de retalhos, de tristeza, de triunfo e de farrapos.
Então a pergunta:
 
CABELO é um SÍMBOLO da mãe OU É a mãe”, constituindo uma EQUAÇÃO SIMBÓLICA?.
H.Segal [13] nega valor de símbolo ao objeto transicional,   usando para este o termo equação simbólica. Na equação simbólica o símbolo substituto é percebido como sendo o objeto original. A equação simbólica é utilizada para negar a ausência do objeto ideal ou controlar um objeto perseguidor. Pertence aos estágios mais primitivos do desenvolvimento. 
Gaddini dá  o sentido de equação simbólica aos objetos precursores.
 
A HIPÓTESE que gostaria de lançar nesta apresentação é que a apreensão visual do objeto mãe foi “desmontada"[14] um mecanismo observado em crianças autistas (Meltzer, 1975), o que é diferente da cisão precoce normal  de Klein) e o objeto é degradado para a situação de objeto parcial, cabelo. 
Podemos pensar na criança autista, que tem um objeto materno com um sabor determinado, outro com um odor específico, outro com determinado aspecto ou som, da mesma maneira que tem um self que sente gosto, um self que vê e um self que olha. A criança encapsulada isola e separa cada modalidade sensorial uma da outra. Tais bloqueios da integração e coordenação de experiências sensoriais podem ser tão prejudiciais ao funcionamento mental quanto um acidente cerebral numa cirurgia.
O objeto desmantelado de Meltzer[15] é um objeto que  foi reduzido a pequenas porções simplificadas, geralmente em relação  com segmentos  de experiência sensorial. Este mecanismo prejudica a dissociação precoce normal (split:objeto bom–objeto mau) que favorece uma experiência emocional, potencialmente mental.
Esse mecanismo pré-simbólico é bem explorado por Ogden (1989) quando descreve a “posição autística –contígua,  como modo de organizar a experiência vivida, que oscila com as clássicas posições (esquizoparanóide e depressiva) de Melanie Klein”.  
A catástrofe associada à situação edípica é evitada através do "splitting" do deslocamento e da "recusa" que evita esta ocorrência. A proibição do incesto determina esta "recusa" onde há uma cisão entre o registro da dominação e o das representações. O resultado é uma divisão interna onde a mente se organiza em torno de objetos parentais separados, cuja união ela acredita ter evitado.
 
Esta é minha tese: No FETICHISMO e na TRICOTILOMANIA podemos conjeturar que o pré-objeto capilar –o cabelo—(Gaddini,1985)[16], foi equacionado com a figura materna, que na situação triangular é o objeto -testemunha da relação erótica com o pai.
O objeto engloba esse tipo de elementos afetivos tornando-se um compósito perceptivo e afetivo carregando ao mesmo tempo traços do objeto, representações parciais e os afetos concomitantes à percepção da sua ausência.
 
Vinheta clínica
Medusa entra e inicia um desenho que denominei : “Três Bonecas”. Saliento a maneira delas se posicionarem: uma no colo da outra e com chupeta na boca. Somente esta sessão daria um novo trabalho sobre encapsulamento narcísico, mas não vou me deter pois estou mais focalizada no relacionamento edípico, que muitas vezes é concomitante ao enclausuramento narcísico, oscilando entre as três posições (autística –contígua, esquizo paranóide e depressiva), como descreve Ogden(1989 ).
Analista: “Parece aquelas bonecas russas, semelhantes à ovos, uma encaixada dentro da outra: a “matrioska”... A mãe e as filhinhas... Uma menina segurando uma boneca com chupeta na boca que segura uma boneca também com chupeta na boca”. (Observo ausência de mão... A mão foi “censurada”?) Assinalo apenas:  “Todas com chupetas”... Enclausuramento narcísico?
 
SESSÃO  NO DIA SEGUINTE
Entra. Noto  que Medusa está com um gorro na cabeça. Faz um desenhos que bem nitidamente “é um pênis”, mas está com uma corda e um homem pindurado nela.
Analista: Bem... Este desenho parece...parece... um galho de árvore. Medusa erra no título: escreve: Imitação de  Tarzon.  Um lapso: trocou a letra “a” por “o”; corrige e depois devagarzinho tira o gorro e mostra o cabelo rapado a zero. Conversamos  sobre o cabelo como diferenciador de  feminino-masculino em crianças pequenas.
Medusa sussurra entre lágrimas : “Minha mãe cortou”...Ela não tinha mencionado o fato. Somente através dos desenhos pode se expressar e então chorar. Descongelou a emoção reprimida.
 
Certamente, sabemos que a mãe pode ter agido na melhor das intenções “para fortificar o cabelo”, mas estamos no reino do mito e das fantasias inconscientes e não consigo evitar o pensamento que a mãe usa todos seus poderes contra a perigosa radiação da filha, impedindo-a de utilizar as “armas tradicionalmente femininas”.
O corte do cabelo é universalmente visto como uma castração simbólica. As mulheres na Segunda Grande Guerra que namoravam soldados das tropas inimigas tinham seus cabelos tosados como uma “punição” devido ao mau uso da sexualidade.
 
Mas a estória continua:
Os pais conseguiram se encontrar para conversarmos em uma “primeira entrevista”, dois meses depois de iniciada a análise. Ambos viajam muito. Contam que a irmã de 12 anos também estava arrancando os cabelos. Ela vai a uma outra psicóloga.Mas Medusa. já tinha abandonado o hábito, antes mesmo de raspar o cabelo”, afirma a mãe. Queixam-se da “exacerbada sexualidade” da menina e o pai conta, muito naturalmente, que de manhã costuma acordar as filhas puxando os lençóis suavemente (como no desenho) e beijando-as “dos pés à cabeça”. Refere também ao banho de chuveiro com a filha onde “um ensaboa o corpo do outro”. Quando aventei a possibilidade de erotização desses banhos, a mãe falou: “Lutei para que  meu marido evoluísse e ficasse mais aberto e agora a senhora vem com essa ?...” Semanas depois tiram Medusa da análise.
 
3.4-ESPAÇO TRIANGULAR  E O TERCEIRO EXPECTADOR
 
O reconhecimento da relação entre os pais, no qual existe um tipo de relação genital distinto da relação pais-criança, integra  e delimita o psíquico da criança, onde a relação com o objeto de ternura deveria substituir o objeto sexual.
Ronald Britton (1989) examina o "triângulo familiar" propondo um modelo que provê dois elos conectando a criança separadamente a cada um dos pais e os
laços existentes na dupla parental da qual ela é excluída. Se o laço entre os pais, percebido em termos de amor e ódio pode ser tolerado na mente da criança, ele proporciona um "terceiro tipo" de relações de objeto onde a criança é espectador não participante. Este "espaço triangular" provido pelo reconhecimento dos laços de união entre os pais, estabelece as fronteiras do mundo interno infantil.  A "terceira posição" que Britton ( 1989)[17] descreve nos leva a imaginar que a menina arranque seu "cabelo equacionado à mãe"  para não ser por esta "observada".
Esta terceira posição nos faz considerar, por outro lado, a possibilidade de "sermos observados".
Exibicionismo e voyeurismo estão em guerra. A menina começa a arrancar o cabelo, que emoldura seu rosto belo vendo-se agora como uma não-mulher, careca, sofrendo em silêncio o ostracismo imposto às jovens que na guerra  confraternizavam com o inimigo.
Nestes casos de tricotilomania Sperling (1963)[18] descreve a conduta de pais que se comportam de maneira ambivalente, exibicionista e sedutora, com relação a suas filhas adolescentes, acabando por  induzir nelas emoções semelhantes: uma mistura de amor e ódio. A imagem internalizada da mãe é a de uma figura  sem qualidades que não propicia os processos de amadurecimento e de diferenciação, criando um clima de ressentimento e hostilidade.
 
Ronald Britton [19] (1989) sugere que a percepção do relacionamento dos pais se inicia em uma época em que o indivíduo ainda não estabeleceu um objeto maternal de forma segura. A situação edípica surge na análise somente de forma primitiva (relação de objetos parciais) e que não é reconhecida imediatamente como o complexo edípico clássico. A configuração edípica forma-se como uma organização defensiva negando a realidade psíquica do relacionamento parental. Essas fantasias defensivas têm por finalidade evitar a emergência de fatos já conhecidos e fantasias já existentes. A relação parental já foi registrada, mas agora é negada e a defesa contra a mesma é chamada ilusão edípica. Esse sistema ilusional provê o que Freud (1924)[20], chamou de ilusão edípica, recorrendo à metáfora da “reserva florestal”.  Este é um domínio separado do mundo externo real no tempo da introdução do princípio de realidade, livre das exigências da vida como um tipo de reserva ecológica. Nesta mesma passagem, Freud descreve uma pessoa que cria esse fato em sua mente dando importância especial e sentido secreto a esse fragmento da realidade que é diferente da realidade da qual se defende.
         Contrastando com a fixidez da ilusão edípica, a rivalidade edípica  tanto na forma positiva (heterossexual) como na negativa (homossexual) provê meios de metabolização da posição depressiva. Em cada versão um pai é objeto de desejo e o outro é o rival odiado. Essa configuração é guardada, mas o sentimento  muda com relação a cada um dos pais. Assim o bom torna-se mau e vice versa, o positivo torna-se negativo. Minha tese é que o uso dúbio dessa oscilação termina com o reconhecimento pleno do relacionamento sexual dos pais, sua anatomia diferente e a natureza própria da criança. Isso envolve na compreensão de que o mesmo pai que é o objeto do desejo edípico em uma versão é o rival odiado em outra.
         A delimitação do triangulo edípico pelo reconhecimento dos laços unindo os pais provê uma fronteira que delimita o interno do externo (barreira de contacto de Bion). Isso cria o que Britton denomina um espaço triangular ou seja um espaço delimitado pelas três pessoas da situação edípica e todos seus potenciais relacionamentos. Isto inclui portanto a possibilidade de SER UM PARCEIRO na relação e observado por uma terceira pessoa assim como SER UM OBSERVADOR de uma relação entre duas pessoas. Devemos deixar claro esse ponto, lembrando que os eventos observados e imaginados ocorrem no mundo concebido como contínuo no espaço e no tempo constituindo uma estrutura de configuração edípica.
         Este TRIÂNGULO FAMILIAR PRIMORDIAL provê a criança com dois elos conectando-a separadamente com cada pai e confronta-a com um elo entre eles que a exclui. Inicialmente esse elo parental é concebido em termos de objeto parcial nos moldes próprios de seus desejos e em termos do seu ódio expressos em termos oral, genital e anal. Se o laço entre os pais  percebido com amor e ódio pode ser tolerado na mente da criança propicia-lhe o protótipo de um relacionamento de um objeto do terceiro tipo no qual é testemunha e não participante.    
         Surge esta terceira posição na qual a relação de objeto pode ser observada. Desta forma podemos também considerar sermos observado. Isto nos fornece a capacidade para nos vermos em interação com outros e acolhermos o ponto de vista dos outros enquanto guardamos nosso próprio.(pg. 87)
 
4-SUMÁRIO 
Tricotilomania é correlacionada com o fetichismo e a recusa foi apontada como possível  mecanismo utilizado, onde o cabelo é equacionado com a figura materna. Na situação triangular este pré-objeto capilar (Gaddini ,1985) é testemunha  da relação erótica com o pai.  A hipótese lançada é que a apreensão visual do objeto mãe foi “desmontada" através de um mecanismo de defesa autística e degradado para a situação de objeto parcial, cabelo. Essa defesa, em pacientes não-autistas é concomitante ao da "recusa", mecanismo por excelência dos fetichistas, onde a catástrofe associada à situação edípica é evitada através do "splitting" e do deslocamento que impedem esta ocorrência.
 
PALAVRAS CHAVE : Fetichismo; Tricotilomania; Cabelos; Sexualidade paterna ; Pré-objeto; Recusa; Desmantelamento;Triangulação; Medusa;
 
SUMMARY
Tricotilomania is correlated with fetishism.  Refusal was considered as a possible mechanism where the capillary pre-object (Gaddini, 1985) was interpreted as a maternal figure acting in the triangular situation. The hair is an “object” which is the testimony of the mother’s erotic relation with father. This hypothesis considers that the visual awareness of the maternal object was “dismantled” as an autistic defense mechanism and subsequently transformed  in to a partial-object, hair. In non-autistic personalities, this defense coexists with the “refusal” mechanism often used by the fetishists, where the catastrophe associated to the oedipal situation is aborted through a splitting mechanism which will avoid this confrontation.
 
KEY WORDS
Fetishism; Tricotilomania; Hair; Paternal sexuality; Pre-object; Refusal; dismantling; triangulation; Medusa.
 
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                                               Maria Stela de Godoy Moreira (PhD)
                                               Rua San Salvador, 99
São Paulo 01437-060 S.P.
stelagodoy@uol.com.br
 


[1] GODOY MOREIRA, M.S. (PhD) Doutora em Psicologia Clínica (USP)
 Membro Efetivo e Analista Didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
[2] Kristeva, Julia (1993) Les nouvelles maladies de l'âme. Paris :Fayard.p.68.
[3] SEELIG,Beth J. (2003) The rape of Medusa in the temple of Athena. Aspects of triangulation in the girl. Int,J.Psychoanal (2003) 83, 895-911.
[4] BRANDÃO, Junito de Souza (1986) Mitologia Grega.Vol.1, Petrópolis : Vozes. p.238.
[5]  A Górgona, apesar de significar em grego “impetuoso, terrível, apavorante”, é uma das divindades primordiais, pertencente à geração pré-olímpica. Das três górgonas, Medusa, Ésteno, Euríale, somente Medusa era mortal. Nos três monstros, a cabeça é aureolada de serpentes venenosas, possuem presas de javalis, mãos de bronze e asas de ouro.
 
[6] LAPLANCHE,J.; PONTALIS, J.-B.(1975) Sedução In Vocabulário de Psicanálise. Santos: Martins Fontes.p. 610
 
[7] carta à Flies de 21/ 1 9/97
[8] Ferenczi, S. (1933)Thalassa: a theory of genitality. The Psychoanalytic Quarterly, V.2.
[9] Klein (1926)The psychologial principles of early analysis.
 
[10] GADDINI,R. (1985) The precursors of thansitional objects and phenomena. In Winnicott Studies. The Journal of the Squiggle Foundation. London: The Squiggle Foundation
[11] Greenacre, P. (1969). The fetish and the  transitional objetct. Psychoanal. Study Child 24
[12] FERENCZI, S.  (1932)   Confusion de langue entre le adultes  et l'enfant. In S.Ferenczi Psychanalyse IV. Paris, Payot, l982.
 
[13] Segal, H.
[14] MELTZER,D.(1975)The psychology of autistic states and post-autistic mentality. In Explorations in Autism A Psychoanalytical Study. Scotland: Clunie Press.p.12.
[15] HOXTER,Shirley (1972) La enfermedad autista residual y su efecto sobre el aprendizaje—Piffie. In MELTZER,Donald (1975) Exploracion del Autismo.Buenos Aires:Paidos. 1979.p.151. Na dissociação precoce normal,(cisão;split) o objeto materno é dividido em uma parte idealizada que se converte em fonte de tudo que gratifica, que está totalmente separada de outra parte que é vivida como persecutória.
 
[16] GADDINI, R. (1985) The precursors of transitional objects and phenomena. In Winnicott Studies. The Journal of the Squiggle Foundation. No.1.1985.p.54.
[17] BRITTON, R. (1989) The missing link :parental sexuality in Oedipus complex. In –and all. The Oedipus Complex Today Clinical Implications. Ed. John Steiner. London, Karnac.
[18] SPERLING,M. (1963) Fetishism in children. Psychoanal. Q. 32, 374-92. faz um breve relato de uma senhora de quarenta anos que tinha uma prática ritualística de arrancar pelos púbicos e queimá-los, prática esta que iniciou quando um irmão, três anos e meio mais jovem que ela incidentalmente morreu queimado. Na época do nascimento deste irmão ela arrancou "quase completamente" seu próprio cabelo.
[19]Britton, Ronald (1989) The missing link : parental  sexuality in the Oedipus complex. In: Britton, R. et all. The Oedipus Complex Today. London: Karnak Books 1989.
 
[20] Freud,S. (1924) A perda da realidade na neurose e psicose.S.E.B. XIX,p. 229

 
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