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Revisitando Hans

Enviada por Robinson em Sunday, November 07 @ 12:00:00 BRST

Trabalhos

Revisitando Hans

Robinson Grangeiro Monteiro
I)        INTRODUÇÃO:
O contexto semântico em que deve ser lido o caso “O Pequeno Hans” exige clarificação introdutória de conceitos fundamentais do vocabulário psicanalítico. É preciso situar o estudo do caso no contexto do que a psicanálise freudiana estrutura.
 
Dentre os conceitos cruciais da psicanálise[1], a fobia e o medo de castração parecem ser fundamentais na análise do caso. É óbvio, não apenas cronologica, mas também logicamente, que os casos provocaram a conceituação e não vice-versa, contudo para o propósito deste trabalho, deve-se partir da ordem inversa.


II)      ACERCA DA FOBIA E DO COMPLEXO DE CASTRAÇÃO:
 
As fobias são enumeradas entre as neuroses de angústia, na teoria clássica das neuroses. O sufixo fobia se origina do latim cientifico, phobia que , por sua vez, se origina do grego, significando medo intenso, ou irracional, aversão instintiva, hostilidade ou uma reação mórbida diante de qualquer coisa, Etimologicamente, também é nome de uma divindade grega, significando "pânico, terror", que incutia medo aos inimigos; daí os guerreiros dispunham de sua efígie nas armas, pois, segundo a lenda, sua face era terrivelmente feia. 
 
A fobia evidencia um estado de angústia incontrolável e indomável, que se expressa em violenta reação de evitamento relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações apresentam-se, imaginados ou mencionados. Portanto, uma fobia é uma espécie particular de medo.
 
A fobia, como foi o exemplo do caso do pequeno Hans[2], que possibilitou a Freud desenvolver a teoria do complexo de castração, surge como uma defesa possível contra a angústia de castração.  Destarte, fobia não é causa, é efeito de um conflito visto como insuportável para o sujeito; é libido transformada em ansiedade e projetada para um objeto externo. É na teorização da fobia, que Freud encontra elementos para reverter o conceito de sujeito e realidade para a psicanálise, ampliando consideravelmente a forma como interagimos com o mundo e como temos as impressões "externas" absorvidas pelo aparelho psíquico.
 
Conforme resumo do vocabulário de Laplanche e Pontalis, “algo recalcado que insiste em emergir de “dentro” encontra como mecanismo de defesa a esta descarga pulsional insuportável um objeto que representa fantasmaticamente um dos elementos fundamentais e internos desse conflito”. O "dentro" e "fora" para o sujeito da psicanálise é mera idealização de um Eu capturado pelo imaginário.
 
Por conseguinte, o conceito de "castração" não corresponde à acepção habitual do senso comum de mutilação dos órgãos sexuais masculinos, mas nomeia uma experiência psíquica completa, inconscientemente vivida pela criança por volta dos cinco anos de idade, e decisiva para o estabelecimento de sua futura identidade sexual. (...) o complexo de castração[3], que apresentaremos como uma etapa na evolução da sexualidade infantil, não se reduz a um simples momento cronológico.
 
Ao contrário, a experiência inconsciente da castração é incessantemente renovada ao longo de toda a existência e particularmente recolocada em jogo na cura analítica do paciente adulto. Um dos objetivos da experiência analítica é, com efeito, possibilitar e reativar na vida adulta a experiência que atravessamos na infância: admitir com dor que os limites do corpo são mais estreitos do que os limites do desejo
 
O Complexo de Castração esta experiência psíquica que Nasio[4] tão bem define, compõe com o Complexo de Édipo a base onde a estrutura dos desejos que funda e institui o sujeito em sua relação com o mundo, vem operar sua subjetividade.
Portanto, admitir que a limitação corpórea está aquém dos seus próprios desejos é reconhecer a ruptura de uma onipotência insistentemente sustentada pelo Eu em relação ao outro. É a queda do ser ideal no cosmos.
 
Situando o caso do pequeno Hans:
O estudo clássico sobre este assunto é o texto "O pequeno Hans", escrito em 1909 por Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Hans, que sofria de fobia de cavalos, foi levado ao consultório de Freud quando contava apenas 5 anos. Era uma fobia com implicações muito graves para a época, visto que os eqüinos constituíam-se no único meio de transporte de pessoas e objetos. Para Hans, sair em Viena era uma experiência frustrante de restrição da sua mobilidade.
 
Segundo o relato do pai de Hans, este elaborara uma teoria segundo a qual “todos os seres animados possuem um faz-pipi”. Essa e outras “teorias” relatadas pelo menino de cinco anos envolviam uma fantasia relacionada ao que era, simultaneamente, desejado e ao que era temido.
 
Aquela criança entrava em pânico e medo, quando via uma carruagem, pois imaginava que os cavalos que puxavam-na, iriam escorregar, cair e quebrar as pernas. A análise dessa fobia revelou que Hans deslocava para os cavalos a sua destrutividade e temores sentidos em relação a seu pai. No seu mundo interno e inconsciente, os cavalos seriam o substituto simbólico de seu pai que, sadicamente, Hans um dia desejou ver cair e quebrar as pernas, quando o via subir as escadas para ficar com “sua mamãe”.
 
Por meio de técnicas psicanalíticas que ainda estavam em seus primórdios, Freud descobriu que a fobia de cavalos de Hans se relacionava ao receio inconsciente de ser castrado pelo pai por causa do amor que sentia pela mãe. Uma manifestação do complexo de Édipo, enfim.
 
Freud conseguiu curar seu pequeno paciente e, ao teorizar sobre essa sua experiência prática, firmou uma convicção entre os psicanalistas: a de que toda e qualquer fobia é manifestação de uma angústia mais profunda, muitas vezes sem relação aparente com o objeto do medo.
 
III)          UMA LEITURA POSSÍVEL: A ANÁLISE DE HANS COMO EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA.
 
Seria impossível e vão tentar abranger todas as possíveis leituras do caso do pequeno Hans, que estende-se por mais de cem páginas na edição brasileiras. Escolher uma delas parece ser a trilha mais natural para um leitor iniciante como eu.
 
A obra freudiana alterna seu forco entre privilegiar o conceito de infantil, ou da infância cronológica, designando neste mesmo caso clínico duas possibilidades: ao mesmo tempo confere à criança estatuto similar ao do adulto ("não aprendi nada de novo que não tivesse visto em análises de pacientes de idade mais avançada"), assim como a diferencia deste, ao denominar a análise de Hans de “experiência pedagógica”.
 
A ambigüidade do texto freudiano mostra o impasse de Freud que em alguns momentos enfatiza a atividade fantasmática da criança, enquanto em outros ressalta o conceito de infância à luz da ideologia vigente, onde a criança aparece como objeto do discurso vigente na educação. É uma alternância riquíssima de desdobramentos.
 
Não é pretensão do meu comentário sugerir que Freud concordasse com a educação repressora da época ou com os padrões morais vigentes, já que a psicanálise surge justamente como um questionamento de tais controles. Pelo contrário, ao propor uma criança dotada de uma sexualidade perversa e multiforme, Freud postula um sujeito que escapa ao controle da educação.
 
Porém, ao denominar a análise de Hans de "experiência pedagógica", Freud não só segue a tradição histórica de associar a criança a uma preocupação educacional, como assinala a dificuldade em diferenciar a infância concretamente vivida pela criança, do fator "infantil" que se presentifica na situação analítica através do retorno do recalcado e da compulsão à repetição.
 
O dito freudiano de que "toda neurose tem como ponto de partida uma angústia infantil" (1909) refere-se justamente à descoberta da sexualidade infantil e de sua articulação edípica como origem dos sintomas neuróticos. Assim, para Freud, toda criança sofre sintomas que surgem geralmente no final da primeira infância, antes da entrada na latência, e que desaparecem espontaneamente sem deixar marcas, ou podem servir de base para uma neurose adulta.
 
A análise do pequeno Hans não só confirma as teses de Freud sobre a sexualidade infantil, como constata o aparecimento de sintomas transitórios em quase todas as crianças numa determinada fase, sugerindo que, em vez de se constituírem uma patologia, apontam para um momento de organização psíquica.
 
Sem nenhuma pretensão de originalidade, mas por absoluta ignorância de algo nesta direção, atrevo-me a dizer que nesta perspectiva, a neurose infantil pode ser definida de duas maneiras que não são opostas, mas duas faces da mesma moeda: como ponto culminante da organização psíquica do sujeito ao indicar, no caso Hans, a articulação do sintoma fóbico às vicissitudes do Édipo e à angústia de castração; e como uma reconstrução na cena analítica, por meio do retorno do material recalcado, ou seja, do infantil enquanto uma formação do inconsciente, como pode-se observar no caso clínico do "Homem dos lobos" (1918/14).
 
A teoria sexual de Freud, ultrapassa a questão de que sexualidade infantil é um momento da evolução de uma possível maturidade do ser humano em seus primeiros anos de vida, para abranger todo o âmbito da sexualidade humana. É através da fantasia inconsciente de castração que o complexo encontra a sua principal via para estruturar o sujeito. Medos, fobias e sintomas diversos são apenas mecanismos de defesa contra a emergência desta angústia que nos funda e torna-se insuportável para cada pessoa.
 
IV)              CONCLUSÃO:
A leitura do caso, bem como da análise de Hans feita por Freud, paralelamente ao estudo de leituras possíveis por parte de comentaristas psicanalistas acerca do caso clínico revelou-se soberbo em possibilidades de apreensão dos conceitos fundamentais da psicanálise. Demonstra-se assim a pertinência do estudo de casos como ferramenta indispensável e basilar no estudo analítico.
 
V)                BIBLIOGRAFIA:
FREUD, Sigmund. (1909) - Análise de uma Fobia em um Menino de Cinco anos (1909). [ Analyse der Phobie eines fünfjährigen Knaben (G.S.,8,264-5;e G.W.,13, 431-2) Trad. Inglês:'Analysis of a Phobia in a Five-Year-Old Boy' (C.P.3,149-287; Standard Ed. 10, 3):Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud Vol.X. Rio de Janeiro. IMAGO 1977
FREUD, Sigmund. (1905) - Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade                (. [Drei Abhandlungen Zur Sexualtheorie (Viena, G,S., 5,3;G.W., 5,29)Trad. Inglês: Three Essays on the Theory of Sexuality (Londres, 1962; Standard Ed. 7, 125). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. VII. Imago Editora, 2ª edição.
LAPLANCHE & PONTALIS, (1982) - Vocabulário de Psicanálise (Vocabulaire de la Psychanalyse, Presses Universitaires de France, Paris, 1987) Livraria Martins Fontes Editora Ltda, São Paulo, 1982 (1995).
NASIO, J.D. (1990)  - A Histeria - Teoria e Clínica Psicanalítica. ( L'Histerie ou l'enfant magnifique de la psychanalyse. Editions Rivages, Paris France, 1990). Ed Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1990 (1995)Coleção Transmissão da Psicanálise no. 24





[1] NASIO, Juan David.(1988) Lições sobre os 7 Conceitos Cruciais da Psicanálise. [Enseignement de 7 concepts cruciaux de la psichanalyse; Éditions Rivages, Paris. 1988]. Coleção Transmissão da Psicanálise No 11. Rio de Janeiro, Ed. Jorge Zahar Editor. 1989

[2] Freud afirma na página 106, que a fobia não agorafóbica, porque não implica em incapacitação de locomoção. Ele sugere o termo histeria de angústia.

[3] O Complexo de Castração e o Percurso da Análise : anotações esparsas.Texto apresentado na II Jornada do Traço Freudiano Veredas Lacaniana. Recife 22/23 de maio de 1998

[4] J.D. Nasio - Lições sobre os 7 Conceitos Cruciais da Psicanálise – p.13

 
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