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PLANTÃO PSICOLÓGICO: ATENDIMENTO CRIATIVO À DEMANDA DE EMERGÊNCIA
Notícia publicada em Monday, December 06 @ 22:28:18 BRST
Tópico: Trabalhos
Trabalhos
S. BARTZ
INTRODUÇÃO


Em situação de emergência, quando uma pessoa precisa de ajuda, surge a questão: que tipo de atendimento seria adequado? Sabemos que as psicoterapias clássicas costumam não ser ágeis nem práticas, nas quais a eficácia da ajuda não é prometida, mas sugerida, como a possibilidade de alguns anos de trabalho. Agora, ou já, ou hoje, são possibilidades incomuns no atendimento psicológico. Procurando atender a este tipo de demanda, o plantão psicológico afirma-se e aperfeiçoa-se como uma nova tendência dentro da Psicologia Clínica.


A palavra plantão segundo o dicionário , significa: horário de serviço escalado para determinado profissional exercer suas atividades em delegacias, hospitais, etc.; serviço noturno ou em dia ou em horas normalmente sem expediente em redações de jornais, hospitais, fábricas, etc.; plantonista é a pessoa encarregada de tal serviço. A palavra emergência significa : ação de emergir; nascimento; situação crítica, acontecimento perigoso ou fortuito, incidente; caso de urgência; excrescência de uma parte. Os profissionais que atendem em plantão, reconhecem que quase sempre, todos estes significados surgem nos atendimentos.
O plantão, como é carinhosamente conhecido pelos alunos de Psicologia da USP e da Universidade S. Marcos, é um poderoso instrumento terapêutico para colocar uma pessoa em pleno funcionamento. Baseia-se no seguinte princípio: há nos seres humanos uma força interior, um poder pessoal que ocasiona uma tendência para o desenvolvimento, dentro de condições facilitadoras. É surpreendente como alguém pode obter uma carga de energia vital e realmente melhorar depois de um plantão. Os plantonistas recebem seus clientes com bastante expectativa e apreensão. Quem virá? Com que tipo de problemas? Será um psicótico? Será agressivo? Vou conseguir? Vou lembrar toda a teoria que estudei neste instante de atendimento? O que é notável no plantão é que ao confiar plenamente no cliente tornar-se inevitável confiar também no plantonista. Ambos respondem de maneira extremamente satisfatória. O cliente encontra força e energia psicológica que se manifestam em esperança e criatividade. O plantonista surpreende-se com sua capacidade em elaborar uma compreensão da pessoa que está sendo atendida e com seu desempenho, onde, com muita criatividade responde adequada e oportunamente à demanda da situação.
Clarice Lispector (1992), nos sugere como sabedoria diante da vida: "Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em 'entender'. Viver ultrapassa todo entendimento". Esta declaração parece familiar aos que já atenderam em plantão psicológico. O encontro com o cliente desconhecido, sem restrições de idade, sexo ou tipo de problemática, sob o título de ajuda psicológica, coloca o profissional em extrema exigência, produzindo no cliente movimento e progresso, por outro lado, no plantonista, desenvolvimento e amadurecimento.
O plantão psicológico é um atendimento que pode acontecer em um único encontro ou com mais algumas sessões de retorno. Originariamente começou no Serviço de Aconselhamento Psicológico do Instituto de Psicologia da USP (SAP-IPUSP), por volta de 1969, descrito por ROSENBERG (1987, p.5):
As providências tomadas então reafirmavam nossa confiança no aluno e deram forma ao Serviço. Para melhor atender à demanda dos clientes, os alunos foram preparados para assumir um "plantão" de atendimento. Nestes horários de plantão, eles recebiam, ouviam, inscreviam ou encaminhavam o cliente, ao mesmo tempo buscando aliviar a sua angústia ou ansiedade imediata e provendo um acolhimento respeitoso e empático.

Avaliando a experiência que esteve sob sua responsabilidade, relata-nos ROSENTHAL (1986), que durante quatro semestres (agosto/1980 a junho/1982), por iniciativa do Centro de Desenvolvimento da Pessoa, integrante do Instituto Sedes Sapientiae, foi oferecido a comunidade um plantão de psicólogos. Eram suas premissas principais: atender no máximo em três sessões, não pretender substituir a psicoterapia e caracterizar cada sessão como universo único, ou seja, como um encontro na experiência da ACP . A autora conclui que o plantão de psicólogos desempenhou algumas funções básicas, a saber: terapêutica - enquanto propiciador de "insights"; preventiva - na medida que possa evitar a cronicidade de uma dificuldade circunstancial e preparatória. - enquanto sensibilização no caso de tratamentos posteriores. Explicando mais especificamente, nos diz que os plantões ofereceram:
- ajuda no reconhecimento de problemas ou conflitos ainda não identificados;
- apoio em situação de isolamento na cidade grande;
- orientação e esclarecimento de natureza quase didática;
- oportunidade de dismistificação do papel do psicólogo, como ocasião de esclarecimento de fantasias ou preconceitos em relação à sua atuação;
(ROSENTHAL, 1986, p. 8).

Desde 1995, a Clínica Psicológica da Universidade S. Marcos também realiza plantões, com algumas diferenças. Tem-se notícia que algumas clínicas particulares realizam plantões nos mesmos moldes. Inspirados na Abordagem Centrada na Pessoa de C. ROGERS, ancoram-se na perspectiva da existência de uma tendência nos seres humanos para crescer e resolver suas dificuldades dentro de condições facilitadoras. Como diz ROGERS (1983):
“Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreensão e para modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. Estes recursos podem ser ativados "se houver um clima, passível de definição, de atitudes facilitadoras” (ROGERS, 1983, p.38).

MAHFOUD descreve este tipo de trabalho como uma forma de atender uma gama bastante ampla de demandas, pois o foco é definido à partir do referencial do cliente, pelo acolhimento da sua experiência, ao invés do problema. O profissional responde à pessoa no momento presente da situação do encontro e seu trabalho consiste em facilitar ao cliente uma visão mais clara de si mesmo e de suas possibilidades, estabelecendo a sua forma de enfrentar a problemática. (MAHFOUD, 1987)
Os motivos ou assuntos pelos quais os clientes procuram este serviço são variados. Desde mulheres frágeis e oprimidas à maridos angustiados e frustrados por problemas de ordem profissional ou financeiros. Surpreendentemente os velhos, homens ou mulheres, procuram-no com a esperança de encontrar soluções. Geralmente estão deprimidos, sem encontrar sentido para as suas existências. Os adolescentes procuram o plantão geralmente trazidos pelos pais, ambos dizendo: quem está "errado" é o outro. Todos precisam de alguém que lhes confirme que são importantes, valiosos e úteis.
Os clientes com comprometimento psiquiátrico são encaminhados aos Serviços de Psiquiatria dos Hospital das Clínicas ou do Hospital S. Paulo. Posteriormente o plantonista entrará em contato com este setor recebendo informações e orientação para podermos trabalhar adequadamente integrados.
Embora seja um excelente instrumento para provocar transformações saudáveis nas pessoas que o procuram, levando-as a conseguir melhora e soluções para suas dificuldades, há limites para as possibilidades de ajuda no plantão, pois, existem muitas situações onde não se aplica. Por exemplo, nos casos de pessoas em surto psicótico, de neuróticos graves, em crise aguda, com profundo comprometimento de personalidade; de deficientes mentais; de deficientes da fala ou auditivos (surdos-mudos); de pessoas com seqüelas de doenças graves, como A.V.C. ou outras, cujas lesões ou perturbações não permitem o fluxo das capacidades básicas que o plantão necessita - a fala, o raciocínio, a criatividade, etc. Ainda assim, mesmo não atendendo diretamente, o plantão pode aplicar-se no sentido de orientar os acompanhantes ou responsáveis, em direção aos tratamentos adequados e viáveis para os casos em questão.
Na Clínica Psicológica da Universidade S. Marcos os clientes são atendidos por estagiários de psicologia, em poucas sessões, a do plantão e outras de retorno. Os encaminhamentos para eventuais atendimentos deverão ser acompanhados pelo estagiário até a sua consecução ou patente desistência. Os retornos podem se estender, cabendo ao estagiário a disponibilidade para tais acompanhamentos. Durante os plantões o supervisor estará presente para atender as dificuldades que poderão ocorrer.
Logo após ao atendimento o estagiário recebe a primeira supervisão, onde se discute o caso e seus encaminhamentos. As supervisões, imediatas e posteriores terão como tarefa proporcionar ao plantonista a possibilidade de compartilhar seu atendimento, a partir de si mesmos, percebendo suas emoções e sentimentos e as dos clientes, além de suas significações. Por outro lado o supervisor estará revendo de modo crítico, porém facilitador, as atitudes e procedimentos dos estagiários, incentivando a autocrítica, o desenvolvimento pessoal e o estudo teórico.
Na medida que poderão existir eventuais entrevistas posteriores, o supervisor se compromete a supervisioná-las e o estagiário a efetuá-las, cabendo a instituição que hospeda o plantão, providenciar infra estrutura para os próximos atendimentos.
Como compreender o serviço de plantão? Embora use recursos terapêuticos comuns à psicoterapia, por sua maior abrangência, poderíamos classificar estas práticas como psicologia clínica, na medida em que utilizam outros procedimentos, como encaminhamentos, orientações diretivas, aconselhamento familiar, acompanhamento concreto, diferentemente da especificidade psicoterapêutica?
Defrontamo-nos com a questão do trabalho terapêutico em psicologia clínica e suas diferenças e semelhanças com a psicoterapia. Diz BLEGER (1977, p.38) : "...a entrevista psicológica é sempre e ao mesmo tempo, em alguma medida, terapêutica." Em trabalho anterior, refiro-me a esta questão declarando:
...a pessoa que é terapêutica tem a sensibilidade de perceber os momentos significativos que são os próprios acontecimentos transformadores e facilitar a sua ocorrência. Implica em facilitar a pessoa a existir, pois o existir é doloroso e difícil. Há muitas situações existenciais para serem ultrapassadas. Implica em facilitar alguém a resolver o que o está incomodando, seja uma dor, um problema a ser resolvido, ou mesmo angústia.(BARTZ, 1996, p. 67)

INSTÂNCIAS DO PLANTÃO

Geralmente desde a primeira entrevista no plantão, o cliente apega-se ao plantonista, estabelecendo um vínculo de confiança, beneficiando-se da sua facilitação ao tratar dos seus problemas.
Podemos perceber no atendimento de plantão, realizado em uma única ou em várias sessões, instâncias ou momentos característicos, tanto para o cliente quanto para o psicólogo/plantonista, tais como: Poder Pessoal, Compreensão Diagnóstica, Encaminhamento, Acompanhamento Terapêutico e Desfecho. Estas instâncias podem ocorrer distribuídas de forma variada, por exemplo, todas em uma só sessão, uma ou duas em cada sessão, etc.

1. Poder Pessoal

Entre as pessoas que são atendidas nos plantões, mesmo nos mais desesperados, fracos e doentes, há um centro de vitalidade e criatividade, uma força que podemos denominar de poder pessoal. A força do poder pessoal, no cliente, está na emergência da tendência atualizante. A palavra atualizante tem o sentido de realizar(se), de tornar(se) atual ou presente, de modernizar(se); de que está em ato ou ação (opõe-se a virtual e potencial). É descrita por Rogers (195l), como sendo a "tendência para conservar a si mesmo", assimilando alimentos, defendendo-se de ameaças; "tendência do organismo para se deslocar em direção a maturidade", movendo-se "na direção de uma maior independência e auto-responsabilidade"; em direção a um crescente autogoverno, auto-regulação e autonomia" afastando-se de ser controlado por forças exteriores, caminhando na direção da socialização. (ROGERS, 1974, p. 471). Rogers declara à partir da sua experiência profissional que "o terapeuta torna-se muito mais consciente de que a tendência do organismo humano para se mover para diante é a base em que confia mais profunda e fundamentalmente." (ídem, p.473) E ainda "…o organismo se move através da luta e do sofrimento para um avanço e um crescimento" (ídem, p.474). Alguns anos mais tarde, Rogers sintetiza: é a "tendência para crescer, para desenvolver, para realizar seu completo potencial… (ROGERS, 1994, p.137).
O papel do plantonista seria, então, facilitar a emergência deste poder pessoal, facilitar o fluir de desenvolvimentos mais complexos e completos. Como fazê-lo? Fundamentalmente o encontro existencial com o cliente, dentro de uma escuta visceral, onde a pessoa é recebida com dignidade, vista e percebida por inteiro, dentro de um clima caloroso de aceitação incondicional, pode facilitar esta emergência. Na medida em que, uma pessoa pode falar de si e de seus problemas, em um fórum profissionalmente criado, através de um espaço protegido com contrato de sigilo, torna-se consciente de suas dificuldades e pode vir a enfrentar a sua problemática. ANCONA-LOPEZ (1994) nos diz que este é um momento psicológico significativo que defraga um acontecimento transformador, abrindo possibilidade para novos acontecimentos.
O plantonista também possui este poder pessoal. No momento do atendimento, o terapeuta/plantonista geralmente experimenta na relação, um leve estado alterado de consciência, onde sua percepção, intuição e criatividade parecem estar aumentadas, agindo competentemente, guiado por sabedoria incomum. As vezes, simplesmente sua presença produz alivio e ajuda. Rogers aponta: "Nestes momentos parece que o meu espírito interior alcança e toca o espírito interior do outro. Nosso relacionamento transcende-se e torna-se parte de algo maior. Profundo crescimento, cura e energia estão presentes". (Kirschenbaum, 1994, 137).

2. Compreensão Diagnóstica

Segundo Mahfoud (1987), uma das tarefas do plantonista é possibilitar ao cliente, uma visão mais clara de si mesmo e de sua perspectiva ante a problemática que vive, gerando um pedido de ajuda para enfrentar suas dificuldades. Na medida em que isto acontece, o psicólogo passa a ter uma visão clínica e à partir de sua experiência e informação, poderá perceber as necessidades práticas daquela pessoa, informando-a, orientando-a e encaminhando-a.
Esta compreensão é um tipo de psicodiagnóstico intervencionista, na medida em que, de acordo com ANCONA-LOPEZ (1992), durante o processo, o profissional vai devolvendo as questões, as idéias e as observações para os clientes. A devolutiva é dada durante o processo. Este é um processo co-construído, no qual o cliente modifica a forma de encarar a si mesmo e responsabiliza-se, buscando soluções para seus problemas. Este atendimento psicológico é um procedimento que já é terapêutico, na medida que como produto do encontro entre o profissional e o cliente acontecem modificações e aprendizagens que abrem novas possibilidades e transformações para as queixas trazidas inicialmente. Na medida que o psicólogo explicita a compreensão de alguns mecanismos psicológicos, acontecem momentos de abertura para novas significações e aprendizagens à partir destes contatos. Nesta medida se constrói um diagnóstico fenomenológico, que é na verdade, um processo co-constituído.

3. Encaminhamento

Muito embora os termos encaminhamento e triagem sejam usados juntos, quase como sinônimos, há diferenças entre encaminhar e triar. Triagem significa seleção, escolha ou separação e a palavra encaminhamento guiar, dirigir, mostrar um caminho, conduzir pelos meios competentes. Difere da conotação que obteve nos meios públicos institucionais, onde significava ser sucessivamente "mandado embora", com uma guia impressa na mão, para outro profissional que provavelmente não poderia atender, onde muitas vezes a pessoa encaminhada não conseguia chegar ao destino pelas mais variadas razões, ou seja, por não ter encontrado o endereço, por não haverem vagas e até por não gostar e confiar no profissional recomendado. Para que o encaminhamento aconteça satisfatoriamente é preciso que muitas questões sejam detalhadamente observadas. O sentido do termo encaminhar nos plantões é o de colocar o cliente em atendimentos ou atividades adequadas, que possam promover desenvolvimento, solucionar ou amenizar seus problemas ou dificuldades.
O plantonista, baseado em seu conhecimento profissional, sabe que tipo de tratamento o cliente necessita, sugerindo a atividade adequada, que poderá ser psicoterapia, orientação vocacional e profissional, cursos, ou mesmo a utilização de serviços de outros profissionais ou públicos. Em geral, as pessoas são encaminhadas de acordo com suas necessidades, na medida em que, o plantão possui nos seus arquivos conhecimento de diversos serviços oferecidos à comunidade, como por exemplo: proteção policial da Delegacia da Mulher; atendimento social do Sesc em vários bairros, oferecendo cursos e vivências para idades específicas, como terceira idade, adolescentes; ajuda institucional de associações para tratamento de Drogadição, como Alcoólatras Anônimos; SOS Criança; Defensoria Pública; Juizado de Pequenas Causas, etc. Enquanto isto não acontece, o plantonista continua acompanhando a pessoa, coordenando o inicio das providências e tratamentos planejados.

4. Acompanhamento Terapêutico

Acompanhar significa ir junto, aliar-se ou associar-se e para o plantonista é estar ligado ao cliente por algumas entrevistas semanais, acompanhando seu percurso, como se estivesse segurando sua mão, soltando-o ou desligando-se somente quando este estiver no caminho sugerido ou em pleno exercício da atividade indicada.
Durante o processo de plantão aparecem dúvidas e ansiedades à respeito de tratamentos médicos ou psicológicos que podem ser melhor elaboradas com a ajuda do psicólogo no acompanhamento. Um exemplo significativo desta questão é o das angústias que acometem uma pessoa diante da possibilidade de submeter-se à psicoterapia. As pessoas quando muito ansiosas necessitam de acolhimento especial, que pode ser proporcionado por sessões de retorno, para que possam descarregar sua ansiedade e com tranqüilidade buscar o atendimento adequado para os seus problemas. Podem fazê-lo, compartilhando suas experiências com o plantonista, discutindo suas expectativas, para que não peregrinem de profissional em profissional à busca de soluções idealizadas.

5. Desfecho

É o encerramento que ocorre quando o cliente se encontra satisfeito com o que se propôs para o plantão, e acomodado com a sugestões propostas no decorrer dos seus retornos. É a única ou ultima sessão de uma série, onde fica acordado que o cliente poderá retornar ao serviço sempre que desejar, sendo recebido pelo profissional disponível no momento, sendo improvável que seja atendido pelo mesmo que o atendeu nesta serie
A IDENTIDADE DO PLANTÃO PSICOLÓGICO


Ao examinar a questão da brevidade, E. GILLIERON tece interessantes reflexões a respeito dos processos psicanalíticos e os psicoterápicos. Segundo ele, embora a palavra "psicoterapia" seja usada na literatura cristã dos padres ortodoxos, antes de FREUD, quase todos os métodos psicoterápicos modernos derivam da Psicanálise, porém, alguns se afastaram tanto que parecem um retorno aos métodos pré-freudianos. Segundo ele, existem inúmeras formas de psicoterapia breve e a maioria se opõe, por suas teorias subjacentes e seus aspectos técnicos, às concepções fundamentais da psicanálise. A noção de brevidade não define as bases teóricas de uma psicoterapia, para compreendê-la seria necessário um estudo de todo o campo psicoterápico. Por exemplo, os behavioristas gabam-se da brevidade e eficácia de seus métodos, os rogerianos também descrevem terapias de curta duração ou de duração limitada, as escolas de terapia familiar descrevem técnicas terapêuticas breves. (GILLIERON, 1993).
Ainda segundo GILLIERON (1993), nos meios psicanalíticos há desconfiança e resistência quanto a questão de encurtar o tratamento, o que se explica pelo fato de que alguns dos dissidentes como W.Stekel, Rank e Ferenczi, justificavam seus novos métodos por sua eficiência e brevidade Por outro lado os "ortodoxos" tendem a confundir brevidade com desvio.
De acordo com YOSHIDA as terapias breves são encontradas em sua grande maioria em instituições, na orientação psicanalítica e representam a forma como cada um respondeu as contingências de sua realidade, formulando estratégias terapêuticas. No panorama atual das Psicoterapias Breves nos países desenvolvidos, destacam-se as idéias dos autores cujas técnicas se destinam às populações-alvo específicas e com estratégias definidas. Nesta medida, tornam-se necessários critérios psicodiagnósticos como requisitos mínimos para obter o maior índice de sucesso no emprego de cada técnica. Nestes países há grande incentivo a pesquisa através da canalização de recursos econômicos, podendo um atendimento ser acompanhado por mais de uma década, com grande aumento dos conhecimentos, além da diminuição dos custos com saúde mental.
No Brasil não há apoio econômico para dar suporte a pesquisa, nem agências especializadas para atendimento à populações específicas. Nos países pobres a tendência é do profissional ser menos especializado e mais eclético, atendendo um espectro muito amplo de pacientes. (YOSHIDA, 1990)
Neste momento, tornam-se oportunas as considerações de GUEDES et al. (199l, p.60) sobre as relações entre a psicoterapia e psicologia clínica: "resgatamos o nosso papel de psicólogo, o profissional habilitado no trato e compreensão do ser humano, do qual o psicoterapeuta se origina e se especifica". Bastante similar ao plantão, registra-se uma outra forma de atendimento psicológico breve, em psicologia clínica, como a da Consulta Avulsa, que é um procedimento realizado através do grupo Kairós Assessoria Psicológica, que criou um serviço de atendimento, procurando assessorar pessoas quando desejassem ou necessitassem, voltando-se para o momento atual da vida de cada um, diferenciando-se da psicoterapia, tendo como alvo o indivíduo com problemas e não o problemático, à pessoa em crise, em conflito ou de tomada de decisão. O principal objetivo é o trabalho focado no problema do momento vivido pela pessoa, buscando que o cliente saia da consulta com uma nova compreensão do problema, novas opções e/ou possibilidades de lidar com ele. (GUEDES et al., 1991)
Nestas características de demanda parece amoldar-se o serviço de plantão psicológico, por tratar-se de um atendimento terapêutico mais amplo, recebendo pessoas de todo tipo, pois não se sabe quem é e que situações problemáticas está vivendo o cliente que o procura. Oferece ajuda conforme a demanda, ou seja, tanto a pessoa que chega pode ser trabalhada terapeuticamente quanto a solução de suas dificuldades psicológicas, como pode receber orientações, informações e encaminhamentos à serviços e instituições que podem resolver seus problemas concretos, dependo da prioridade da situação. Neste caso, portanto, dada a grande variedade de possibilidades, este tipo de atendimento acaba exigindo muito mais do profissional, como amplo conhecimento teórico e prático, experiência e criatividade.
Na medida em que, o nome plantão é palavra emprestada da medicina ou das crônicas policiais, qual denominação mais adequada para os atendimentos até aqui descritos? Como nomear um atendimento tão amplo que tanto pode resumir-se num único encontro como engajar um cliente em uma psicoterapia e até promover orientação jurídica ou assistência social? Que nome seria adequado dar a um atendimento que acredita no ser humano, acolhe, elabora um diagnóstico, conduz a tratamentos e atividades, acompanha por uma parte do percurso e despede-se?
O termo que melhor encontro é: atendimento criativo à demanda de emergência. Em outras palavras procura-se criativamente fazer o melhor possível à partir da presença e da solicitação de ajuda de um cliente ou de seus familiares, a qual muitas vezes precisa ser traduzida pelo profissional. Em 1993, John K. Wood questionado quanto qual seria a melhor ação do terapeuta centrado na pessoa, respondeu: "Aquela que é boa para o cliente! Como saber? O terapeuta sabe, é a sua arte!"
Em todos portos do mundo existe o "prático", um especialista que conhece muito bem os perigos locais das águas do mar, guiando e até puxando com seus rebocadores, os navios para entrarem no porto. Conhecendo o caminho entre os nevoeiros, recifes e rochas, baixios e bancos de areia, evita que o navio bata ou encalhe. Conduz o navio, ao zarpar, para mar aberto, que segue, então, a sua rota.
Para o cliente, seria o plantonista um "prático", facilitando uma pausa estratégica para a troca, reabastecimento, reparos e em seguida nova viagem?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANCONA-LOPEZ, S. - Grupos de Espera e Psicodiagnóstico: Um Modelo que Deu Certo. Revista Marco, junho/1992, nº6, p.96-107.

ANCONA-LOPEZ, S. (1994) - A Porta de Entrada. Projeto de Pesquisa para o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica, Nível Doutorado - Núcleo da Subjetividade - PUCSP

BARTZ, S. S. (1996) - Ser Terapêutico: Uma Tentativa de Compreensão. São Paulo, 145 p. Dissertação (Mestrado). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

BLEGER, J. (1977) - Temas de Psicologia (Entrevista y Grupos). Buenos Aires, Nueva Visión.

GILLIERON, E. (1993) - Introdução as Psicoterapias Breves. São Paulo, Martins Fontes.

GUEDES, A. (1991) - A Consulta Avulsa. in Revista de Gestalt, Ano l no.l.

LISPECTOR, C. (1992) - A Descoberta do Mundo. Rio de Janeiro, Francisco Alves.

MAHFOUD, M. (1987) - A Vivência de um Desafio: Plantão Psicológico. In: Rosenberg, R. L. (org) - Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa. São Paulo, EPU.

ROSENBERG R. L. (1987) - Biografia de um Serviço. In: Rosenberg, R. L. (org) - Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa. São Paulo, EPU.

ROSENTHAL, R. W. (1986) - Plantão Psicológico: Uma Nova Proposta para o Atendimento à Comunidade. Texto apresentado no IV Encontro Latino da ACP em Sapucaí-Mirim.

ROGERS, C. R. et al. (1983) - Em busca de Vida. São Paulo, Summus Editorial.

YOSHIDA, E.M.P. (1990) - Psicoterapias Psicodinâmicas Breves e Critérios Psicodiagnósticos. São Paulo, E.P.U.

 
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