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O primeiro livro Virtual Aeternus
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As Invasões Bárbaras
| Examine os títulos para ir direto para uma mensagem abaixo: B. Miodownik:
As Invasões Bárbaras Marcos Florião:
ainda entre os bárbaros Virgínia:
Day After : novos comentários. Jansy & Gallego:
Cavalgar o Dragão Marcos Florião:
Um adendo para Virgínia luiz fernando gallego:
sujeito: as invasões bárbaras Sueli Alfaya,Marcos, Virgina e Gallego:
o paciente terminal Gallego,Jansy, Marcos:
Conversinhas bárbaras Ligia Leite:
Viver em Québec e as Francofonias helena:
invasões bárbaras jansy:
hi, Helena helena:
hi Jansy Marcos:
conformismo, orgulho e propósitos marcos:
conformismo e propósitos, agora com texto Helena:
Barbarismos e barbaridades Marcos:
perfilados ! Marcos:
poeira ! poeira ! Marcos:
ajuste conceitual helena:
bom humor Marcos:
folgo em saber Marcos:
samba do geógrafo doido Conde Drácula:
Um filme bárbaro Marcos:
RE:Um filme bárbaro - que venha sangue para o Conde ! jansy mello:
RE:Um filme bárbaro 2 jansy mello:
pensei primeiro no senso de humor do Davy... jansy:
RE:pensei primeiro no senso de humor do Davy... jansy:
piadinhas católicas Visitante:
RE:piadinhas católicas jansy mello:
leilão de gado, futebol e a copa LFGallego:
RE:leilão de gado, futebol e a copa jansy mello:
Arquibaldos e Geraldinos LFGallego:
RE:Arquibaldos e Geraldinos Marcos:
RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos jansy mello:
RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos Visitante:
cartum de cartola nova jansy mello:
RE:cartum de cartola nova LFGallego:
RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos jansy mello:
RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos Parreira dos Pobres:
RE:RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos Uva do Planalto:
RE:RE:RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos Marcos:
RE: lei do impedimento para não chegados Pedro Bó:
RE:RE: A simplíssima lei do impedimento para não chegados jansy mello:
RE:RE:RE: A simplíssima lei do impedimento para não chegados Marcos:
RE: o carrossel e mais impedimento jansy mello:
carossel holandes e os samurais Visitante:
... Visitante:
Santo GRaal Visitante:
Agatha Christie Visitante:
Apocalypse: now or when? Jansy Berndt de Souza Mello:
RE:Apocalypse: now or when? Visitante:
Visitante:
RE: sonegar, nem a Deus Marcos Florião:
RE:RE: sonegar, nem a Deus
[Aeternus:257] Mensagem do Grupo19 -B. Miodownik(2003-11-19) - As Invasões Bárbaras

Bernard Miodownik
(editado por L.F.Gallego)
O filme mostra de forma crua e "natural" uma daquelas verdades sem fronteiras e atemporais: o dinheiro compra sim, seja em Montreal, seja no SUS-Brasil, os melhores lugares na fila, quartos mais confortáveis, o Ministério da Saúde, o Sindicato e até o reino dos céus (representado no filme pela freira).
Os que lidam de forma prática e, talvez, amoral com o assunto são capazes de ter uma vida melhor, ou então, de morrer melhor. O filme mostra, no entanto, outra verdade universal: o dinheiro não é tudo. Existem outras moedas de troca como demonstraremos.
Os mais jovens parecem saber o que querem, são eficientes e precisam o mínimo suficiente dos outros. É o filho, a namorada deste ("nada de dizer eu te amo, meu pai falava isso e nos abandonou"), a irmã al mare ("ela é boa no que faz", diz o filho para o pai).
Quem não está nessa fica com e no lixo. É o caso da jovem viciada que faz o trabalho sujo. Curiosamente, no momento em que precisam dela, mostra-se capaz de interagir dentro dos mesmos valores. Não dramatiza nem se vitimiza (ela avisa: "você não deve confiar em drogados"), não mostra necessidade dos outros como no diálogo com a mãe, age com conhecimento de causa e eficiência nas frases curtas e cortantes - quando alivia a dor do moribundo, até na sua hora final.
Em oposição, os pais não sabem o que querem entre tantos "-ismos", alguns vivendo na dependência dos outros (o casal gay que vive às custas do Ministério ou a mãe da viciada e o caubói).
As atitudes do filho representam uma forma dele utilizar a sua moeda de troca típica de sua geração e do seu tempo. O filme mostra muito bem a contraposição das moedas de troca intergeneracionais. A dos pais era a busca do prazer pela sexualidade sem limites (o que era um das demonstrações do filme anterior do Arcand, o Declínio do império americano) à medida que se perdiam todas as certezas intelectuais (era a chegada do pós-modernismo).
O filme mostra vários impérios e suas moedas de troca.
Igreja, religião e conforto espiritual junto com santos que agora não valem mais nada.
Ciência e desenvolvimento tecnológico.
Globalização e riqueza especulativa.
Socialismo e igualitarismo (este só no corredor do hospital).
Impérios marítimos, suas conquistas e aventuras.
Cultura do narcisismo e individualismo e sucesso a qualquer preço (só não se vê o culto obsessivo ao corpo, que aparecia no filme anterior).
Todos os impérios às voltas com cada particular invasão bárbara, alguns no apogeu, outros no declínio, mas todos presentes no imaginário pessoal e coletivo.
Neste encontro de uma geração perdida com outra mais nova que se dá por achada, as emoções começam a tocar a todos. Talvez um pouco glamourizado, mas essa é uma moeda de troca que o cinema e a arte permite. Até nos jovens, a emoção leva a "princípios" de transformação. A irmã chora, mas depois vira as costas à câmera para não ser vista fragilizada. A namorada do filho diz eu te amo. Nathalie inicia um tratamento e sente necessidade do outro, embora após o beijo não se permita ser vista pela janela. O filho também tem as suas certezas abaladas ao se ver atraído pelo que antes estava no lixo (reconhecimento dos aspectos bons dela e diminuição das projeções do seu próprio lixo nos outros).Ele se volta esperando vê-la na janela, mas não sobe novamente. Se fossem ao encontro um do outro aí dramatizaria, ou melodramatizaria, e eles não estavam preparados.
Talvez o filme esteja refletindo a procura de uma nova moeda de troca, a amizade fraterna.
Que seja, estamos precisando. |
Voltar ao topo [Aeternus:258] Mensagem do Grupo19 -Marcos Florião(2003-11-19) - ainda entre os bárbaros

Les Invasions Barbares
Marcos Florião
(editado e interferido por Luiz Gallego)
04/11/2003
O filme começa termina com o personagem do 'filho', Sébastien.
Confortavelmente instalado em seu luxuoso escritório londrino, tem o mundo inteiro ao alcance das mãos e ao alcance eficiente de seus celulares e laptops.
Recebe o desconfortável telefonema da mãe, aflita com os rumos da saúde de Rémy, o 'pai' ( o ator homônimo do personagem, Rémy Girard ). Atirado num hospital - quase que da mesma estirpe dos nossos, apinhado de doentes-de-corredor - sugerindo um modismo que se tornou mundial - e numa enfermaria dividida, compartilhando o sofrimento dos outros doentes e a eventual inconveniência de sons e horários.
Isso tudo gerou o pedido de socorro da mãe ao filho, que se mostra, a princípio, reticente: "Ele nunca quis mesmo falar muito comigo"; "Não nos entendemos".
Mas se põe a caminho com armas e bagagens , incluindo-se aí a elegante e bem sucedida noiva.
Após uma áspera discussão com o pai, revivendo as divergências que ambos já conhecem, a mãe evoca o carinho paterno na troca de fraldas, nas noites mal dormidas velando doenças e curas do filho. É o bastante para nosso businessman entrar em ação: contacta a administradora do hospital e a suborna, conseguindo ativar um andar abandonado; coloca a seu dispor sindicalistas marrentos para obras de adaptação; faz com que os amigos de Rémy saiam da toca e visitem-no.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Menos o estado de saúde do pai, que se torna o centro de tudo. O diagnóstico surge como espada de Dâmocles, remetendo Rémy ao suporte de heroína, conseguida pelo filho pródigo com seus dólares que tudo compram. O insucesso do arrogante pedido de indicação de venda de drogas junto à polícia mostrara-se relativo : uma sugestão indireta, visando usá-lo como isca para rastreamento de traficantes, o leva a um dealer, transação apoiada financeiramente através de uma laranja-viciada, a bela Nathalie, contratada de imediato para a enfermagem especialíssima ao pai : administrará a droga ao seu assistido.
Cada vez mais animado com o sucesso de seu desempenho, Sébastien contrata para uma encenação teatral indolentes, indiferentes e boçais antigos alunos de Rémy, para dizer-lhe da "saudade...da falta que ele faz na faculdade". Uma das contratadas para a farsa, no entanto, recusa a propina. (O diretor pinça o 'lado bom' e 'mau' dos personagens, resultando em inusitados matizes, mesmo que díspares )
O patético passa a desfilar, então, solenemente pela trama :
- um encontro/desencontro da mãe de Nathalie com esta, nos fatídicos corredores do hospital, revela o tom desesperado da genitora em franco contraste com a resignada amargura - serena mesmo - da jovem desencatada;
- as ex-amantes de Rémy, em total e generoso conluio com 'a mãe' e amiga, passam um relatório de seu desempenho sexual atual ( uma em amorfo marasmo, a outra - a mãe de Nathalie - insistindo no falo ereto, preferível à fala carinhosa;
- a filha de Rémy, tendo aderido tenazmente à vida marítima, remete mensagens emocionadas de bordo, via satélite, transferidas ao pai pelo potente laptop de Sébastien
- que havia sido roubado e é devolvido pelo próprio diretor do filme numa aprição à moda de Hitchcock; mostrando que, aliado ao patético, há bom humor.
As manifestações de desejos e angústias passa a ter um tempero esmerado : a narrativa é costurada através de delicadíssimos fades fechando as seqüências, entregando os personagens a seus devaneios, alegrias e dilemas. A música de Haendel, predominante entre temas de Mozart e Phillip Glass, compassa lentamente o ritmo dos desmaios freqüentes nos planos, rondó que leva a retomadas sucessivas de outros ângulos/outros personagens, em magnífica tessitura.
E o inexorável se impõe, já que a lógica muitas vezes custa, mas termina surgindo : as doses de heroína aumentam ; Nathalie sucumbe a um dia ruim e entra em pródromos de overdose, deixando seu assistido em abstinência. Mas ambos salvam-se a tempo.
Em pacto coletivo, é eleita a 'casa do lago', o palco predileto de Rémy para seu último ato. É a mesma casa das surubas verbais de "O Declínio do Império Americano". O grupo segue unido e em séquito para o ritual final. Pouco antes dos suspiros finais, assistimos à retomada das práticas confessionais gregárias, da perscrutação intelectual, dos rumos de cada um - tudo regado e forrado com a nobre culinária do casal gay, tentando dar seu melhor no estilo festa de Babette.
Rémy já manifestara sua inquietação por "não ter transformado em escrita muita coisa que deveria" e ainda "não ter buscado com mais perseverança um sentido para a vida" - se bem que num diálogo anterior, quando dos primeiros contatos com Nathalie, tenha confrontado a apatia existencial desta ao perguntar "de que você tanto gosta na vida, afinal ?"; respondendo, pelo seu lado, com "música, vinho, mulheres...seu cheiro, suas formas, seus corpos...". Conceitua a droga como "outra das invasões bárbaras" ao núcleo do Império, como já havia sido caracterizado o ataque terrorista de 11 de setembro numa matéria exibida pela TV.
Et voilà, acontece um Encontro Final, à moda última ceia - aqui sem comida - onde todos reunidos em volta do agonizante Rémy assistem comovidos a chegada da última mensagem por satélite da filha - Amyr(a) Klink. Em bela confissão, mistura seu discurso ao choro para afirmar a paixão pela Vida que - constatava agradecida - o pai lhe passara. "Não sei como, mas você conseguiu..." – algo análogo ao que Rémy murmurara a Sébastien ao manifestar seu desejo que o filho tivesse "um filho como ele".
Fim de linha. Tendo mais uma vez como testemunha o impávido colosso da Natureza e os acordes longos de Haendel, Rémy viajará para junto de suas divas masturbatórias, recordará mais uma vez das coxas de Ines Orsini, atriz que admirava num pudico e inocente filme, coxas que surgiam apenas para evitar que um vestido se molhasse no mar, mas que fizeram-no "verter rios de esperma". Junto a seu lago predileto, junto a suas musas prediletas. ( Arcand não se furta a incursões ao obsceno, integrando-o de forma doce, bem humorada e inteligente ao seu discurso ! Neste sentido, há ainda diálogos pândegos sobre Polônia e o Cristianismo e sobre uma morte especialmente feliz : a de conhecida figura da sociedade que falecera de parada cardíaca enquanto era felado. A tradução perde-se para o Português, pois a pompe referida à eficientíssima 'bomba sugadora' ( pompe suceuse ) termina no apelido da distinta após a trágica ocorrência : Mme. Pompes Funèbres... )
Nós que nos amávamos tanto, nós que amávamos tanto a revolução...nos deparamos com o fim das utopias, especialmente aquelas igualitárias. Há uma ironia do filme? Rémy é socialista e fiel aos seus ideais durante toda a vida. Nem reclamaria do sistema de saúde que ele apoiara políticamene, mesmo que esteja enfrentando consequências práticas de quando os melhores projetos não se cumprem. Mas como rejeitar as dádivas do filho capitalista que segura todas as ondas - e a mão! na hora de morrer com uma dignidade - mesmo que comprada?
Depois da morte, a casa de encontros com as amantes do pai é cedida a temps perdu por Sébastien à Nathalie. Grata, ela perpassa os olhos pela biblioteca. Não é à toa que Arcand focaliza "Histoire et Utopie", de Emile Cioran. Vertente subliminar mas fortíssima e sempre presente ao filme, a discussão de rumos no nosso tempo ( ou em todos ?) - e em Cioran encontramos, exatamente neste livro, esta afirmação: "as liberdades só florescem nos tecidos sociais frouxos. Tolerância e impotência são sinônimos."
Hora da despedida. Sébastien encara Nathalie em seu novo ninho. Já fora questionado a respeito de sua "sólida e perfeita carreira, seus perfeitos swaps no mercado futuro, sua perfeita noiva, seu perfeito conjunto celular/laptop. Tudo resolvido, o que estaria aguardando ali, como um lacaio atento mas algo hesitante ? Nathalie rompe a hesitação e a aura de mistério : num dos beijos mais fugazes – e lindos – das telas ou fora delas, ameaçando inserir o amor na existência de ambos. Foi soluçando, desarmado, embargado, que consegui vê-la chegar à janela, logo que o bondoso senhorio parte, furtando-se à possibilidade de ser vista ( tal como a cena final com a garçonete e o segurança de "O Gosto dos Outros" ), o que poderia 'intervir' no noivado-perfeito de Sébastien com Gael.
Sedutor, o filme envolve tudo com a delicadeza de Françoise Hardy cantando a amizade. A fratria é o que nos resta. Mas resta?
Outra canção vem à memória:
Bonheur fanné / Cheveux au vent / Baisers volés / Rêves mouvents.../ Que reste-t-il de tout celà ? / Dites-le-moi !
Felicidade esmaecida / Cabelos ao vento / Beijos roubados / Sonhos em movimento...
O que resta disso tudo?
Que reste-t-il...?
Il reste um filme com maestria na utilização de uma aparente linearidade narrativa que escorrega provocadoramente ao deslizar para outros temas.
Uma harmonia suave a contemplar tamanho desespero, contando com a cumplicidade das lentes ao fotografarem os horizontes que morrem ao final do dia e os arbustos altíssimos a abanar lentamente, com toda a calma do mundo, os últimos olhares e agonias do que parte, sua – talvez – subida; talvez aos céus.
Il reste uma obra cinematográfica que acende a esperança de que as Nathalies e Sébastiens que nos cercam em nosso exausto pós-moderno saiam de seus respectivos imobilismos.
Que gritem seu Lamento, que liberem seu urro contido. E sobretudo que dêem seus beijos e desejos roubados.
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Voltar ao topo [Aeternus:259] Mensagem do Grupo19 -Virgínia(2003-11-19) - Day After : novos comentários.

Amigo Gallego,
Primeiro, queria te agradecer a oportunidade de estar junto contigo nessas experiências fantásticas. Depois, pelo teu carinho, pois tua mensagem e as que você mandou do Marcos, me deixaram contente. Apesar de ter anotado o filme inteiro, comentar um filme vendo-o na hora – ainda mais um filme que apela para todas as emoções e afetos disponíveis, mobilizando-nos abertamente – só foi possível para mim porque pude contar contigo. De fato, Marcos encontrou as palavras – a Marci consegue tecer as emoções, enquanto eu procurava me resguardar delas, talvez até pelo excesso!
Agora, à distância, gosto menos do filme do que na hora, quando o turbilhão que ele suscitou ainda estava provocando marolas. É sempre muito difícil analisar obras complexas como essa e minha tendência é sempre buscar a rede que as constitui. Ora, esse filme propõe explicitamente um turbilhão de sentimentos contraditórios, numa quantidade e velocidade espantosas. Para eles, Marci tem a chave, não eu.
Eu senti falta de desmembrar o filme em algumas partes:
a) A “tela de fundo”.
- a inexistência da sociedade num mundo completamente socializado. Esse é o traço mais espantoso. Tudo é idêntico no mundo inteiro: a paisagem da janela do hospital, a bela natureza (exceto as cores do Canadá, o que o identifica), a tecnologia o tempo todo como norte da vida (laptops, celulares, TVs); a corrupção (o exemplo da administradora e do sindicato).
- a suspensão do tempo ou sua distorção, como lembrou bem uma pessoa na público (um portugués que, depois, fez excelentes comentários), teatralizado à outrance. Aqui, a inexistência de sociedade é mais flagrante – nenhum personagem central trabalha ou o trabalho é um detalhe (o que é falso no mundo inteiro, onde as jornadas apesar de legalmente reduzidas, vêm se alongando para bem mais do que o “tempo contratual pago”). O local de trabalho é o hospital e é um hospício. Mas não conta como “existência” para os personagens, que apenas o atravessam. Sébastien trabalha o tempo inteiro no seu celular, mas o seu não é trabalho, é especulação. Gaelle trabalha, mas é uma espécie de distração. A despedida de Rémy na Universidade e sua substituição pela nova professora não é uma aposentadoria, é o caminho da morte mas, de novo, a atividade de Rémy não conta, apenas sua verve. Sobretudo, nenhum personagem tem problemas de dinheiro – sequer Rémy, com sua bela casa bem arrumada. Apenas não pode pagar o luxo de um hospital de luxo. Em suma, as vidas parecem resolvidas, apenas a doença e a morte introduziriam um certo mal-estar num mundo perfeito.
Essa tela de fundo, cujo teor parece crítico e mesmo ácido, é no entanto completamente naturalizada no filme. Isso, o que mais me incomodou. Algo do gênero – não tem jeito, é assim mesmo, e isso é a natureza humana... A vida social, apresentada em flashes e facetas, naturaliza-se na impotência. Contraface sarcástica de um pensamento conservador? A pós-modernidade sugerida e adotada como “nova natureza” humana?
b) o descompromisso. Nenhum personagem tem compromisso com absolutamente nada, exceto talvez a freira que visita Remy. Professores que aderiram a todas as modas que circularam o planeta... não questionam hora nenhuma os encaminhamentos reais. A resistência de Rémy (lutou pela nacionalização) é mais um fraseado do que uma atitude. Os filhos não tem sequer horizonte de compromisso, como se isso não fizesse parte de sua própria formação. O único compromisso é com a reprodução imediata, sem futuro, sem transformação. Sem história. Gaelle quer filhos sem stress e sem sofrimento; Sébastien quer solidez, Nathalie procura o “escape” impossível, a outra filha vive o “mar” do isolamento, imagem perfeita. O horizonte físico substitui o horizonte social. A perspectiva se reduz à ponta do nariz (ou do sexo, o que pouca diferença faz). A única saída apontada - a “démesure” relembrada por Rémy – a rigor não é uma saída, é apenas mais uma frase. Démesures não existem “singularmente”, precisam de sua conexão efetiva com o mundo – e os libertinos do XVIII o fizeram de maneira muito mais consequente. Lembrar o famoso marquis, Sade.
c) afetos, afeições e sofrimento. Meu irmão, no carro ao voltarmos para casa, fez o seguinte comentário: Rémy não sofre!!! De repente, algo de muito estranho ficou claro – não há, de fato, sofrimento no filme. A dor foi diluída nos “tratamentos” e nas compras caras e eficientes de Sébastien. Não apenas a dor física, mas a dor real, aquela de viver o mundo, de contrastar a pulsão com o real. Na inexistência de pulsões, não é necessário um real. E vice-versa. Basta a droga. Que ela seja o dinheiro ou a heroína, a verve pela verve, a “pompe funèbre”, a diferença é pequena. Anestesiam. Nós, na platéia, choramos e sofremos por sentimentos que encontramos em nós, mas que não estão lá!
Tua questão sobre a “utopia da psicanálise” é perfeitamente pertinente. No filme, onde se naturalizou uma vida associal e onde o sofrimento pode ser recomprado, não há espaço nem para a história (transformação coletiva) nem para a psicanálise, considerada como engajamento consigo mesmo em vistas de uma transformação substantiva. Onde a naturalização mostra seu reverso foi no “ato social da morte” – a morte, natural por excelência, transforma-se em doce passar coletivo. O momento final da transformação – objetiva e subjetiva – a morte, torna-se o único momento onde há uma efetiva transformação.
Tua mulher tem razão – a armadilha do filme são nossas próprias lágrimas, vertidas por sentimentos que não estão lá! O filme produz uma espécie de efeito apassivador impressionante!
Se eu tivesse um pouquinho mais de tempo, enveredaria agora pelos personagens, por essa humanidade algo suspensa e bárbara que, talvez, constitua o eixo mais interessante do filme. Marcos está certo – o filme termina como as historinhas do Maurício de Souza, onde o monstro fictício, devidamente exorcizado, prova sua existência real...
Mas já chega de bate-papo! Isso são horas?
Um enorme beijo,
Virgínia
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Voltar ao topo [Aeternus:260] Mensagem do Grupo19 -Jansy & Gallego(2003-11-19) - Cavalgar o Dragão
De Jansy para Gallego:
Duas cenas com Nathalie chamaram-me a atenção. Quando Sébastien começa a separar as notas de dolares para a compra de heroína, ela fica tomada de enorme avidez que a atriz expressa magníficamente na inquietação dos dedos e no rosto esticado em antecipação da droga ainda por ser obtida.
Ao acompanhar Rèmy ao mnistrar-lhe sua primeira aula de drogadição, ela também faz uma viagem, desta vez mais que imaginária enquanto ele começa a preparar-se para "cavalgar o dragão".
Ela o olha solidária, com um sorriso radiante e nostálgico, quase religioso. Ela explicara antes que "cavalgar o dragão" , ou seja, inalar heroína pela primeira vez, é a experiência a qual o drogado quer sempre retornar, reviver, encontrar - embora sempre em vão.
Como, segundo Freud, ocorre com os bebês. Eles querem sempre de novo o primeiro encontro com o seio materno para recuperar o objeto perdido.
Para o Freud de 1903, de modo muito enfático no capítulo " O Encontro do Objeto" dos Tres Ensaios, a relação amorosa vivida neste contato do bebê ao seio materno torna-se um protótipo deste êxtase apaixonado.
No entanto, Freud também afirma que o objeto original é irrecuperável - mas que cada encontro futuro será na verdade, apenas um re-encontro...
Acho que "ser humano" é... "ser drogado". Sem querer, inevitávelmente, todos um dia cavalgaram o dragão ( se não, morreriam! ) ...
De Gallego para Jansy
Já na primeira vez que vi o filme esta fala da Nathalie me chamou a atenção por me recordar esta coisa que Freud falou, da primeira vez, irreproduzível, no bebê, e - eu não sei, pois não uso - na droga. Mas sempre esquecia depois. E já vi o filme 3 vexes!
Por que sérá? Quero rever como se estivesse vendo pela primeira vez?
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Voltar ao topo [Aeternus:261] Mensagem do Grupo19 -Marcos Florião(2003-11-19) - Um adendo para Virgínia
Cara Virgínia,
Concordo com alguns aspectos estruturais do que você diz, mas...gosto do filme exatamente pelo que ele revela, aí incluídas suas auto-mazelas ! Como disse ao Gallego, aquela coisa do Arcand provocar o tempo todo ( e igualmente provocar-se, como quando brincando de fazer o sindicalista ) desnudar-se. Se ele discutiu nossa época ou apenas encenou um show da Broadway, sem alcance histórico-afetivo, fica para nós debulharmos...Seu discurso enquanto artista ali está. O possível. Seu esplendor enquanto artista.
Arcand não é Deus, nem arvora-se a tal, graças a Deus...
Comove-nos, sim. Se foi para casa comer souflé e abrir um bom vinho, merece. é um grande artista. Corajoso, combativo, expõe as próprias feridas, as preciosas queimaduras que sua sociedade lhe impingiu. Até o obsceno foi confessado sem disfarces...
Seja : o que restou a ele para expressar-se como artista ele usa, e usa muitíssimo bem. Não há como 'sair de si mesmo'...há como 'tentar ver o outro', e isso é tentado. Com a mestria que sua genetica e sua cultura lhe deram. Brilhantemente, eu assim vejo.
Pode-se condenar ainda o derrisório. Agnés Jaoui preferiu evitá-lo, fugindo do bom humor em "Le Goûte des Autres". Mas...a ciascuno il suo...prefiro o Arcand solto no mundo, embora tenha adorado o da Agnès. Camus alinhavou "Calígula" durante quatro anos até encená-la, policiando-se exaustivamente...Sou suspeitíssimo para 'depor' pois enquanto hedonista desesperado de carteirinha como Camus - e Arcand...- sempre os defenderei.
Mas preciso frisar antes de terminar algumas coisas. Adoro saber que meu filho, de 9 anos, vive num mundo em que existem pessoas como você, carinho que já declarei ao Gallego e à Jansy. Como o Gallego disse, se eu precisasse que todos concordassem comigo ficaria em casa conversando com o espelho. Somos diferentes, e minha relação com o filme é oposta à tua. Adoro ser seduzido, deixar que as emoções me levem. Riscos ?...eventuais. Um ou outro estupro, mas a violência maior aqui é contra a Arte. Até onde posso afirmar algo a meu respeito, saí ileso, ou com a ilusão de ter saído ileso, mais importante ainda...
Chorei muito no filme, fui seduzido e enlevado pelo Arcand e seus devassos bárbaros. Amo-os... - que Arcand retorne com seus doces bárbaros...
(...) do amigo apreciador de tua luta e verve,
Marcos |
Voltar ao topo [Aeternus:262] Mensagem do Grupo19 -luiz fernando gallego(2003-11-20) - sujeito: as invasões bárbaras

Minha leitura sobre alguns aspectos do filme:
Minhas principais angústias incidem sobre os personagens-agentes (que agem) no filme: o filho de um e a filha da outra.
O primeiro é bondosamente sórdido. Sua ação é pragmática, prática, eficiente, eficaz e amoral, mais do que imoral. Se nos identificamos com Rémy & amigos, tudo OK !!! Viva o filho. (O fim - piedade filial - justifica os meios).
Mas se fôssemos (e mais fàcilmente seríamos ou seremos os demais "Rémys" espalhados pelos corredores dos Hospitais públicos do SUS (trabalho em um deles), o privilégio financeiro dado a apenas um nos soaria revoltante, humilhante, imoral - mesmo que nada nos fosse tirado em prol daquele um. E nada é exatamente retirado de ninguém. Pelo menos diretamente. Mas será asim mesmo? De onde vem aquele $$$$ todo? Indiretamente dos outros. Não do simpático casal gay que vive "a Roma" com $$$ do Ministério do Exterior. Dinheiro que também vêm de orçamento geral para outros ministérios (como o da Saúde).
Nunca daquela turma de esquerdistas & outros -istas tão "décadaence avec élegance", simpáticos e festivos, do estilo "nós que nos amávamos tanto", "nós que amávamos tanto a revolução"... prima da revolluzione, ça va sans dire.
Os outros, a outra, a outra filha. Drogadita, não sabemos muito do seu passado e ficaria simplista "explicar" a questão pela vida sexual da mãe. Claro que não deve ter funcionado como uma mãe "suficientemente boa", mas quantas outras mães falharam mais ou menos e os filhos e filhas seguiram outros tantos caminhos...? Drogaditos são assim: brotam do chão. Faz parte das possibilidades (impossibilidades) humanas. A princípio a moça fica apenas a serviço do, explorada pelo, semi-escravizada passiva em relação ao filho pródigo, o "príncipe bárbaro" invadindo com seu capitalismo selvagem de resultados o socialismo sensual dos "coroas" da geração paterna. E bota pródigo nisso! Desde que suas mãozinhas (dele) fiquem imaculadas. Nem quando ela falha com a heroína, nem com o querido papai tendo convulsões de abstinência, ele compra a droga com as próprias mãos. Usa as dela. Que também são usadas para a eutanásia, já que o assunto é polêmico. Todos participam da "cerimônia do adeus", mas a dose letal, quem aplica é a moça.
Sórdido, sim. Para o bem de um de nós ele seria maravilhoso, grande amigo, exemplo de amor filial. O egoísmo nosso de cada dia nos dai hoje -e na hra de nossa morte, amén.
Pobres pai dos outros (pobres).
O fim das utopias: socialista, igualitária de direitos comuns a todos. (mesmo que alguns tivessem um pouco mais de direitos do que os outros).
Ironia: ser socialsta assim seria fácil: fiel aos ideais durante toda a vida. Quando as coisas ficam pretas... um filho capitalista segura a onda e a nossa mão trêmula na hora de morrermos com dignidade (comprada). Qualquer semelhança com nossos PSDBs e PTs não seria mera semelhança: é a cultura do narcisismo em ação.
Sedutor, o filme envolve tudo com a delicadeza de Françoise Hardy cantando a amizade. A fratria é o que nos resta. Mas resta?
LFGallego |
Voltar ao topo [Aeternus:263] Mensagem do Grupo19 -Sueli Alfaya,Marcos, Virgina e Gallego(2003-11-20) - o paciente terminal
Marcos havia escrito:
( a tempo )
David Nasser trabalhava na "O Cruzeiro", e depois preparava matérias para TV na linha do atual "Globo Repórter". Transformava a notícia em suspense, dramatizando-a. Tocava uma musiquinha tensa, ao fundo, para arrepiar nossos poros.
Mas ainda era a época em que os acontecimentos aconteciam. Agora os acontecimentos são fabricados para acontecerem, vide Iraque, o Sébastien do Arcand, e os da coluna.
Virginia chamou a atenção para a atemporalidade com que o filme se desenvolve. Não em sua linearidade, claríssima, que desliza naturalmente nos fades do fotógrafo que trabalha com o Arcand (Dufaux), mas antes no limbo todo em que o Sébastien suspende tudo : o andar de cima do hospital, a Nathalie, os amigos, os universitários...todos guindados a um supra-real.
E falando em tempo, serzindo em homenagem à Marci, Sébastien tenta comprar o passado - a falida relação com o pai -, o presente - nem se fala...- e, tal como em seu trabalho ( dei-me conta na madrugada da genialidade da escolha do roteiro, ainda que possa ter sido acaso ) onde esmera-se em 'preservar o futuro' nas manobras de swap - , tenta engessar o futuro, transformando-o num paraíso à acheter, e de preferência o mais previsível.
Marcos
Virginia, saindo de viagem, ainda teve tempo de comentar:
Brilhante a precisão do Marcos. Vale lembrar que a morte próxima sempre tende a “suspender” o tempo: vivenciamos alguns dias de luto, de tempo perdido e estranho, estranhado. Mas porque vivemos o próprio sofrimento, mergulhamos na vida que a morte ressalta. Não há isso no filme. O tempo é coagulado em moeda.
Infelizmente, meu “tempo esgotou” por enquanto!
Beijo,
Virgínia
Luiz Gallego encaminhou este "diálogo" Marcos-Virginia para sua esposa, Sueli Alfaya:
Hoje pela manhã vc comentou comigo que o paciente terminal fica mesmo fora do tempo e eu disse que sim, mas que o que a Virginia disserra havia sido diferente, em termos da suspensão do tempo de todos para cuidarem do Rémy, uma coisa pouco possível de acontecer na realidade.
Mas agora, comentando um e-mail do Marcos ela disse o que vc disse.
E Sueli escreveu:
Subject: Re: o tempo suspenso
Todos sabemos que vamos morrer mas na verdade montamos nosso dia a dia com o prognóstico da não-morte (não é eternidade, é um afastamento da ocorrência do fato em si); os que ficam sabendo da finitude próxima mergulham realmente num outro plano do tempo, já que existe o prognóstico, uma "data marcada" realmente, e todo o planejamento muda. A ocorrência do dia comum cursa paralelo ao dia dos demais , mais os demais não estão naquela temporalidade - obviamente interna- por mais que tentem "acompanhar" (até instalando precocemente o luto).
Talvez exatamente isto enriqueça e acelere tanto o pensar e o discurso daqueles e nos comova tanto pela condensação de tanta coisa em silêncios, como numa prega temporal ou a borda de um buraco negro - onde também imaginamos e teorizamos tanto, exatamente pela falta de precisão e conhecimeto do próximo momento.
Aquele que sabe que se vai adere à vida real com a intensidade só possível por curtos períodos, como a paixão. Quem acompanha tenta acompanhar o que? o outro na paixão pela vida ? ou só amenizar a despedida com a intensificação do contato afetivo ?
No luto nos encolhemos e nos reorganizamos, nos condensamos, depois do luto tocamos a vida - e no final da vida , não queremos dor, nem restrições queremos apenas a dignidade ....de mais vida!
A vida, como um oceano, permite a ocorrência dos diferentes tempos, das diferentes vidas, paralelas / solidárias por vezes , mas inatingíveis na peculiaridade de cada significado do momento - na solidão genética de cada um...
-um olhar fixo no caminho (meu ou do outro?) ou um salto no escuro? |
Voltar ao topo [Aeternus:264] Mensagem do Grupo19 -Gallego,Jansy, Marcos(2003-11-20) - Conversinhas bárbaras

Trocas de mensagens por e-mail, com algumas fora da ordem em que aconteceram, transformada numa conversa contínua entre LFGallego, Marcos Florião e Jansy Mello.
LFG: Há um filme do Arcand chamado "Amor e RESTOS humanos". Acho que na verdade ele sempre filma isso: amor e restos. Este filme, "As Invasões Bárbaras" me fez chorar lágrimas de esguicho, mas reconheço que há problemas (ou provocações). Talvez haja algo meio safado mo terreno sentimental, na idealização do grupo de amigos. Mas que é gostoso imaginar tantos e tão solidários amigos, isso é.
J: Vi um filme canadense há uns dez anos e que nunca me saiu da lembrança. Será que seria este filme "Amor e restos humanos" ? Eram quatro casais que cozinhavam juntos durante um fim de semana e misturavam isto às várias traições conjugais. Tudo começava com pessoas correndo numa pista de jogging ou numa academia.
Gallego: Acho que este filme de que vc fala pode ser "O Declínio do Império Americano", onde os personagens das "Invasões Bárbaras" apareceram, em 1986.
"Amor e restos humanos" tinha cenas de discotecas, gente caindo do telhado, homossexualismo, perversões, mas não me lembro exatamente do enredo. Pergunte ao marcos. E "O Declínio" deve ser o filme que vc descreve com homens cozinhando e mulheres malhando. Depois se encontram: são o Rémy, o gay bigodudo, o que aparecerá casado com a moça de peitos grandes e um jovem que não reaparece nas "Invasões Bárbaras". E elas são a mulher do Rémy, as duas amantes (a nariguda e a mãe da drogadita) e uma jovem que também não reaparecerá nas "Invasões"; em 1986 esta moça (muito bonita) estava amante do futuro marido da peituda. Esta moça bonita e inteligente (ao contrário da peituda) era estudante do primeiro período de História (será aluna deles todos sooner or later) e faz massagens numa sauna masculina. Masturba-o enquanto fala da idade Média, ano 1000; ele pede que ela pare de falar "só um instantinho" porque vai gozar. E se apaixona. É bizarro!
O Sébastien (o filho pródigo) é mencionado pela mãe num telefonema (quebrou vidraça jogando bola ou algo assim ) mas não aparece. A futura drogadita, Nathalie, aparece aos 11, 12 anos, de camisola, entrando no quarto da mãe à noite e flagrando-a com Rémy em pleno ato. A menina grita "quem é ele? Quero que ele vá embora!" E ele vai, tal o escândalo que ela faz. A Diane ( mãe da Nathalie) já é pelo sexo selvagem, sado-masoquista com homens grosseiros: o que importa é o pau duro. "Quando quero uma barriguinha quente de manhã encostada na minha, abraço minha filha". Diante disto, a nariguda ( ou a mulher do Rémy) pergunta qual a idade da menina. Diane responde "12 anos" e a outra pergunta, "mas não é ruim?" , e acrescenta - "psicológicamente"?
Daí a conversa das mulheres evolui para fantasias e desejos lésbicos , reprimidos pela mulher do Rémy que "depois da depressão" ficou com medo de se descobrir lésbica. Tais aventuras homossexuais já foram realizadas pelas outras, como variação, por curiosidade, sem maior interesse.
Mas este filme, "O Declínio do Império A mericano" ficou esmaecido perto das "Invasões Bárbaras". Que, eu concordo, tem lá seus truques sentimentalóides que num aprés-coup se denunciam. Mas se a gente vê de novo (e vale a pena rever), volta tudo como da primeira vez: chora-se, ri-se, morre-se e vive-se. Adoramos as idealizações de uma fratria.
Jansy M: Mas eu também acho que o filme das Invasões envelheceu mal no meu sonhar. Eu o assisti encantada num dia e, no outro, acordei de mal ....
Na hora, foi adorável. Mas, ao contrário do Hable con Ella, os after-effects não foram positivos.
Mesmo assim, se o filme de que me lembro com um calor na alma tiver sido o Declínio do Império Americano, vou dormir mais outra noite antes de reclamar do efeito Arcand.
Quem me surgiu mais à memória hoje cedo foi o cara que se casou com uma loura zen e teve duas filhas . O filme é machista, um tanto como numa das frases do Nabokov: " meus antigos amores ou são cadáveres ou esposas"...
Tem uma parte no filme que aqueles que não acompanham no francês com atenção podem perder ,que é hilária. Vem quando a moça que fala dos boquetes conjuga "boquetar" usando o "mais que perfeito" que é quase algo arcaico, ou requintado ( ela diz "nous pompâmes" com um brilho no olhar de quem gostou daquela fala como gente/atriz e não enquanto apenas personagem ) A tradução que fizeram ao "ele queria ser César e acabou um "pompée" e as referências à Mme. Pompadour foi tão boa que nem me recordo dela, fluiu bem...
Durante o filme, chorei e ri e chorei e ri mais de trinta vezes. É dirigido para pessoas da minha geração com as besteiras, farras, dores, alegrias, cegueiras e acertos de todos nós. Bem, não é assim. Não seria de todos nós e nem em todos os países a liberdade bem humorada e zangada seria semelhante à retratada pelo filme...
Se bem que havia uma grande artificialidade, como a da insistencia na riqueza do filho capitalista. Muita coisa ficou caricata, mas é bem como a gente sente, mesmo quando no mundo externo não acontece tão demarcado e acentuado. Penso nas cenas com o sindicato com aquele pessoal turrão, e ainda por cima depois indo devolver o laptop...
LFG: Marcos me contou que, como Hitchcock, Dennys Arcand também brincou com o espectador permitindo-se fazer uma breve aparição. Neste filme, o cara que devolve o laptop é o próprio Arcand!
E se o diretor do filme (realidade) não devolvesse o laptop para o personagem (ficção), o personagem ficaria precocemente "castrado"e o pai não poderia rever a filha "virtual" mais uma vez, a última, antes de morrer.
JM: Jogos e caricaturas. Os drogados não tem um happy end como o do traficante Olivier que foi apenas vigiado e tolerado, ou da mocinha que se reconcilia com a mãe... Acho estranho ver tanta gente podendo largar tudo para celebrar a morte de alguém ... ainda por cima, todos são capazes de belas citações e de bons mots, todos tem suas gracinhas na ponta da língua. Também caricata, mas muito expressiva foi a cena de Gaël avaliando o que a igreja católica guardou nos porões depois de 1966 ( o que houve no Canadá em 1966?) e dizendo que nada daquilo tinha valor, exceto histórico e isso, só para os católicos do lugar ... Será que tanta coisa bonita não valeria nada, ou a mocinha era boboca de todo? Se poderia vender com sucesso no terceiro mundo, né?
LFG: Consegui um cd com a canção "L'amitié" interpretada pela Françoise Hardy que encerra As Invasões Bárbaras. Mas é difícil entender a letra sem as legendas en portugais.
Virginia acha que, históricamente, social e políticamente o modernismo e o pós-modernismo cresceram sob a égide do capitalismo e portanto as mudanças não seriam tão grandes do pto. de vista da História: o pós era a serpente no ovo da serpente. Ela acha que o que caracteriza o pós é o não se querer saber o que faz do ser humano um ser humano. Acha que a psicanálise também deve ampliar suas respostas a essa questão já que hoje tudo está reduzido a um "mínimo eu" ( segundo Christophe Lasch, o mesmo da "Cultura do Narcissismo" tem um livro com este título ao qual estou recorrendo agora, pois não me lembro exatamente o que ela falou) .
MF: No debate que houve no espaço Leblon de Cinema que a Sociedade Brasileira de Psicanálise promoveu, admirei muito a capacidade com que a Marci foi costurando as emoções ligadas ao Saber, interligando e serzindo o discurso, deixando fluir vertentes que surgem à sua mente. A Virginia tem muita 'pegada' e paixão. É muito forte. Ela conseguiu colocar bem a nuance da não-compra da Nathalie pelo Sébastien. Não no sentido imediato - os serviços de drogar o pai, de assisti-lo, e por fim de imolá-lo - mas antes da não-compra da pessoa ! Sendo assim, a Nathalie é o 'fator de erro' no sistema do Sébastien. O negócio que não entrou, o swap sem sucesso, a mosca na sopa do Raul Seixas, a previsão que extrapolou. O afeto que contrariou as previsões, que surgiu para mudar o roteiro de sua 'peça'.
Quando a Virginia diz "o Sébastien vai voltar para sua vida e ela para a dela' tem toda razão. Só que essa volta terá na bagagem o que citei ontem (ou ante-) : o sabor do outro lado. As mãos dele saem 'limpas', como Gallego frisou, mas o sabor dos desgraçados, dos que 'estão à venda' foi inscrito em seus lábios. E...balançou-o. Quanto a ela, só a metadona é pouco para desvincular toda a carga ruim e reenergizá-la. Como infelizmente também 'são pouco' os livros na estante !
Em relação a um dos comentários da Virgínia, resta a dúvida do agente, que o marxista imediatamente aponta como o capitalismo..Talvez o capitalismo seja componente, mas daí a dizer que estaria sozinho como 'formador' desse ser humano que não quer exercer-se, acho o pulo um pouco grande. Há uma expressão no inglês - jump to the conclusion - que dá bem essa conotação que desejo, e no caso o jump executado seria olímpicamente discutível.
Sobraria então 'o outro lado da moeda', toda a economia psíquica, remetendo aquelas coisas básicas de vocês - id/ego/super/angústia de castração/desamparo - e sua integração ao 'social', esta, talvez, a maior das utopias.
JM : Nossa, quanta coisa reaparece depois...E quem é o ator que faz o gay, Mr. Fifi? Que comidinha gostosa. Céus! E no entanto, vemos com que naturalidade os ideólogos convivem com uma sacanagem parecida com a nossa ...morar em Roma graças a uma atividade cultural insignificante às custas dos cofres públicos.
Em retrospecto me pergunto por quê gostei tanto do filme se tudo em mim se choca com as coisas que, repensando, ali aparecem. Vai ver que é uma espécie de desculpabilização do meu passado ? Não pode ser tão simples, eu adorei o filme, pra valer! Acho que é mais porque ele é eminentemente algo discursivo. Sexo ou não, há outra coisa rolando mais importante. Pode ser a conversa ou... quem sabe, Gallego está certo e o gostoso é a sensação da fratria????
No entanto, me sinto meio inconsistente como esta turminha gozadora de canadenses "socialistas voluptuosos" ( na frase do filme que Florião destacou )
MF: Fui mais irreverente em seguida: chamei de 'suruba verbal'.
JM: Pois não sei se gosto da idéia de usar "suruba verbal" para destacar a volúpia na tentativa de permanecer ligado a uma ideologia romantica dos adolescentes daquela época. Penso que a conversinha que substitui a suruba é diferente da conversinha que por si só é uma suruba e ainda distinta da conversinha voluptuosa que nada tem de suruba. A do filme, inclusive, era um tipo de conversinha que tem saudade da suruba e a reativa em retrospecto...
MF: No "Declínio..." o Gabriel Arcand, que deve ser filho do distinto, surge ao final como namorado-caubói da mãe da Nathalie, de óculos escuros, roupas de couro bem dark, sabe gente jeito lânguido e fala macia, e fuzila "estou ouvindo todo mundo falar de sexo e não vejo ninguém trepando por aqui"
JM : Era pra ele ver?
MF: Também me fiz esta pergunta, mas foi como o Arcand escreveu as linhas para o filho alternativo-super dark recitar no "Declínio...". Mas ele tinha razão : o grupo ia para o lago mais para um inventário do que andava rolando do que para as vias de fato. Até que a Louise Portal ( a que confessa-se broxona neste "Invasions", com cabelos Chanel-longo grisalhos ) cria um mal estar confessando inesperado caso com o Rémy...
Enquanto isto, o gay de bigode, que o acolhera no lago, urina sangue e o Arcand focaliza sua expressão fixa demais...Essa modulação e capacidade de entremear e discutir diversas vertentes é fantástica !
É obrigatório ressaltar os espetaculares ensaios com que a Sociologia tem nos brindado. A pulverização é devidamente analisada...e pulverizada por Baudrillard, que tenta dela sair só tossindo e batendo na roupa...Diz que "se todos os discursos são válidos, também tenho o direito de delirar".
Anthony Giddens surpreende-se "com o pequeno número de loucos em rompante" ( ou palavras a isto similares ) diante de Tchernóbyl, bombas de napalm, onzes de setembro e BushSad(e)dams. Mas tem esperanças de que Godot surja. Zsygmunt Bauman chama nossa (pós)modernidade de "líquida", e está coçando a cabeça sobre rumos.
JM : Godot nunca foi embora! Se lembrarmos que, com tanta gente destrutiva no mundo desde o início dos tempos, ainda assim o mundo está aí, é porque Godot desde o início também está aqui, seja o que for representado por Godot passado, presente e futuro. Se bem que para Beckett Godot nunca vá chegar, esperar por ele pode manter um minimo de decência no mundo. Em particular, apreciei mais do que a liberalidade sexual, o clima de franqueza quando , mesmo entre os subentendidos ( como forma de ocultamento ou dribles), cada um assume seus gostos com gosto e graça.
MF: O derrisório neles não é escapista, é a possibilidade da retomada, o respiro ! Ninguém é de ferro. Completamente diferente de assistir novelas da Globo e ir ao teatro ver o Falabella-e-seus-congêneres-globais, os Malaquias tropicais comprando nosso cérebros.
JM : Mas o especial pra mim não tinha nada a ver com as referências às sacanagens enquanto sacanagens, era o desprezo à hipocrisia moralista dos (filmes) americanos e a coragem de apontar para os americanos nativos trucidados pelos conquistadores e para os quais não se fez um museu ...
LFG: Você falou da coragem de desafiar uma "exclusividade" do holocausto judaico, mostrando que para os milhares de índios mortos não se fez um museu de holocausto e que há outros mortos no mundo além dos reconhecidos que nos falta chorar. No debate, a historiadora perguntou: Quem são os bárbaros?
MF: Aqui entra o veio 'professor de História' do Arcand - que ele é ! - e a discussão por ele colocada ao longo de seus filmes como quem salpica pimenta calabresa numa boa massa...
J: Concordo. A turma de artistas e intelectuais retratados, apesar das conversas inteligentes, não é uma turma muito "séria", é gente comum com dilemas comuns e com vaguezas morais comuns O engodo do filho comprar os ex-alunos do pai para o consolarem é patético para o pai, mais muito mais revelador quanto ao filme: as grandes idéias ficaram para ser escritas, pensadas, agidas... todos, de algum modo, são socialmente marginais e espertinhos fracassados. Mas... sabem curtir as coisas! Mas precisa do Cioran para defender-se a vida?
MF: O Arcand é intelectual de carteirinhae , graças a Deus, de bom humor. Pinça Cioran para homenagear o que este tem de melhor. Também faço este movimento. Posso bater de montão num autor e elogiar freneticamente algo...nele mesmo ! Aprendemos com a countercurrent /counterculture...
Nosso ilustre niilista que tudo renega diz, por exemplo, essa pérola sobre comunicação humana: "modelos de estilo - o juramento, o telegrama e o epitáfio."
Como rejeitar tal preciosidade
LFG: Lembro do que disse Virginia: o filme sai do hospital para ouro (valeu o erro de digitação de outro) espaço e fica "fora do tempo", eles vivem uma bôlha, numa bôlha.
MF: O referencial é altamente polêmico ! A Virginia ontem tentou demonstrar em forma de teorema o corolário "eles são os bárbaros"/"gente ! os bárbaros-podem-ser-afetuosos-!!!". Mangas para pano...
JM : Teremos que começar sabendo o que é ser bárbaro, o primeiro emprego no Les Invasions foi falando dos povos ibéricos e sua conquista da América. Os bárbaros seriam, nestas mangas para o pano, os civilizados europeus diante dos civilizados nativos da américa, deliciosa ironia do Arcand. Bárbaros seriam os que não sabem respeitar as diferenças e valorizar a vida humana. Depois, ele enfatiza como a nossa civilização européia - e bárbara - foi se autodestruindo e sendo garantida pelo povo árabe ( agora nada bárbaro) e de como este, de repente, acabou também barbarizando-se ao partir para o terrorismo internacional ( contagiou-se com os males da civilização européia? Acho que não, mas cabe deixar a dúvida em aberto...).
E o que tem ser ou não ser afetuoso a ver com barbárie? Eu,hem.
MF: "Ser afetuoso ou não... e ser bárbaro au même temps... Well well well...a Virginia fincou pé nessa vertente ! Estarrecida com nossa capacidade de ser bárbaros também, de patrocinarmos e até 'produzirmos' os bárbaros...
JM : O engodo do filho comprar os ex-alunos do pai para o consolarem é patético para o pai e revelador quanto ao filme: as grandes idéias ficaram para ser escritas, pensadas, agidas... todos, de algum modo, são socialmente marginais e espertinhos fracassados.
MF: Bem...é preciso balizar. Se você usar como referencial o 'mundo universitário' do Rémy, eu diria que ele 'tem plena razão' quanto a seus receios ! Nota-se em seu olhar, numa cena fugaz, o temor quanto à sua verde substituta, que inicia uma aula excessivamente formal...Se tomarmos o referencial 'mais aberto', aí sim : as grandes idéias ficaram para ser escritas, fato que o Rémy constata amargamente !
JM: Não é preciso ser PhD de Harvard para ser feliz /infeliz.
MF: Parabéns ! Frase antológica. Sai do ranço habitual do rame rame socialista e abre novos rumos ao pensamento. Mas insisto no vínculo cultural, mesmo suspeitíssimo que sou com minha carteirinha de intelectual. O Lula já está usando cabelo esverdeado, corte de cabelo tipo William Bonner/Fátima Bernardes, tirante o Romanée Conti de R$ 7500, com que saudou à classe operária após chegar num Mercedes Benz. O mundo cansou mesmo do Fidel e do Guevara fantasiados de combatentes mesmo quando não estavam combatendo.
JM : Será que o Denis Arcand pensou em transmitir alguma lição moral ou uma aula política? Acho que não.
MF: Vejo todo o filme como uma grande e inspiradíssima provocação, além de um libelo de Vida. Todo o desespero que dele se filtre reverte em Vida, atesta a Vida, massacra Cioran, focalizado na estante. Bem assim : Arcand focaliza Cioran/reverencia o que precisa ser reverenciado em Cioran/ e move sua peça no tabuleiro. Joga o jogo da Vida, da paixão. Cioran joga o jogo da Morte, no pior senso : o da Nulidade. Como a mãe de Nathalie é Cioran, falocrática/fascista, nada mais natural que o Bernard, amigo do Gallego, fantasiar uma continuação da personagem em outro filme colocando-a como doente terminal...Mas não precisa citar ou não citar o Cioran para fazer provocação de Vida, é uma jogadinha esperta do mundo acadêmico e mais nada. Defender a vida como se fosse preciso? Acho que o filme foi um estudo sociológico sem sociologia, mas com arte, assim como se pode considerar que as descrições de Balzac tem valor sociológico e caracterizam a França numa dada época e estratos sociais... Foi arte, excelente arte...
Juizes dando entrevistas, clamando por seu direito de saquear impunemente o país. Afinal, prestaram grandes serviços à nação durante anos, e nada mais fizeram do que receber sua remuneração.
JM: O que faz do humano um ser humano? Existe este ser humano ( destaco a palavra "ser" junto de humano) se cada dia mais encontramos os homens capazes de qualquer atrocidade ou, de seu oposto, grande heroismo casual ? O que é que temos de humano e que perdemos com a civilização, inclusive se há crianças muito cruéis e às vezes estas, posteriormente, deixam de ser por elas mesmas ? ( inverti a questão aqui, pois pergunto sobre o que perdemos e não o que ganhamos com a civilização).
LFG: Será que isto não é também parte inerente do "humano", o "demasiadamente humano"?
MF: Bem...creio que esta pergunta será respondida por cada um de forma diversa. Remete demasiadamente à experiência pessoal. O que nos leva à honra ? Pelo menos o Oscar Wilde me absolveu com seu "ninguém é rico o suficiente para comprar seu passado". E espero que vocês, amigos, continuem me absolvendo... Falou e disse...
J: Lembrei agora de um filme italiano muito antigo e feito com camponeses: A Arvore dos Tamancos.
MF: Nunca consegui vê-lo. É do Ermano Olmi, ganhou a Palm D'Or 1978. O Olmi é muito católico e ligado a uma tentativa de manter a linha neo-realista.
JM : Havia uma cena em que cortam a cabeça de um ganso e filmam o rosto inquieto de uma menininha, e o rosto deleitado de outra...
MF: Et vive l'ambigüité, sempre enquanto instigadora. |
Voltar ao topo [Aeternus:265] Mensagem do Grupo19 -Ligia Leite(2003-11-22) - Viver em Québec e as Francofonias

Ligia Leite, antiga residente em Québec, observou:
"Será que vcs sabiam que o filme era sobre a luta do Québec para se manter
inteiro e utilizar seu francês arcaico, dos cortezãos? É por este motivo que, se comparado com o que se fala pela burguesia francesa, o linguajar de Québec parece ruim".
Ela não sabe se o que ela tem a dizer sobre a intelectualidade e os costumes daquela cidade canadense irá interessar aos apreciadores do filme de Arcand pois, como escreveu:
- " talvez vocês não queiram saber disso...Afinal o filme é uma simples critica ao atual presidente do Québec e à extrema direita. Entre seus planos está a privatização da saúde, mudar os sindicatos corporativos e atingir os intelectuais de esquerda, estes da década de sessenta, que sustentavam a idéia de "Vive le Québec Libre". Será que o público ia interessar-se em ouvir sobre o distanciamento entre pais e filhos e das táticas para pacientes terminais?"
Jansy questionou a idéia da Lígia de ser " o filme uma simples critica ao atual presidente " uma vez que, como arte, e pela quantidade de alegria, dor e prazer que propicia, ele seria muito mais do que um simples libelo político.
Ligia assim respondeu:
Oi, Jansy,
claro que eu simplifiquei bastante um tema muito complexo, foi um desabafo rapido. Foram muito fortes os dois anos que passei vivendo lá. Conheci pessoas que chegavam a hipotetizar sobre uma relação bem estreita entre os quebecoises e o Brasil quando visto pelo lado da resistência. No caso dos canadenses, sua luta diante do mundo anglofonico. Em nosso caso, nosso confronto ao mundo espanhol. Não vejo como eles, porque os espanhóis não tem para nós o mesmo peso do que os ingleses que os dominam.
Ontem – em outro email ao Gallego – falei da dificuldade dps francofonicos para expressarem o afeto mais elementar. Os anglofonicos ainda são senhores do pedaço e se julgam superiores, limpos ao grupo francês porque, assim o afirmam, os franceses não tomam banho e nem limpam a casa...( o que não é necessariamente verdade)
Os francofonicos hesitam diante do casamento e temem assumir uma relação amorosa estável. A turma dos cinqüentões se revolta contra a igreja católica que impediu que seus pais pudessem progredir no mundo dos negócios ou abrir espaço na intelectualidade. Eles atualmente conseguiram romper com isto. Uma vez eu vi uma manifestação de ex-maridos pedindo esmolas portando faixas com os dizeres: "o governo me tira 50% do salario, minha ex-mulher mais 25". Isto é verdade! a Justiça do Quebec protege a mulher financeiramente e com isto apenas 25% do salário sobra para eles. Se quiserem casar de novo correm novo risco de ficarem sem nada, sendo que mesmo quando ganham bem, o imposto de renda que pagam é enorme.
A geração dos filhos quebecoises não consegue vive seus sentimentos porque para eles a expressão do afeto é um sinônimo de fragilidade: sua perdição.Você vê no filme como a mãe, mesmo traída pelo marido, permanece presente até o final da vida do marido junto às amantes. Conheci professores nas universidades de Montréal que se casaram, descasaram, tiveram amantes mas tudo isto para viver intensamente em rebeldia contra a igreja católica que pregava a indissolubilidade do casamento. Para os católicos canadenses, quase tudo era pecado: evitar filhos, trair, ir para a cidade grande, ficar rico e ganhar a vida fora do campo. A grande briga ideológica deles na década de sessenta, convidava-os a “expulsar” os anglofonicos de Montreal porque estes praticavam a ética protestante do capitalismo sem culpa. (detalhe: este ultimos foram para Toronto que hoje é a maior cidade do Canada – a São Paulo deles)
Atualmente, a igreja católica de Québec e Montreal se desvaneceu e seus templos estão sendo vendidos para serem transformados em Shopping centers, casas de idosos, condominios de luxo. , mas mantendo sua bela fachada intacta. As obras de arte – aliás isto aparece nos filmes - desapareceram (morava eu lá quando a Igreja da Imaculada Conceição foi posta à venda. Ficava na esquina da minha rua. O bairro era de italianos, um dos poucos que mantém a tradição catolica e que se casam e enterram seus mortos com pompas e circustância. Houve mobilizaçao comunitáriao para impedir a desativaçãoao da igreja e salvar os objetos transferidos para outra igreja. Mesmo assim, agora que voltei lá depois de dois anos, encontrei a fachada da igreja enfeitando um enorme prédio de condominios.
Os jovens do Québec não se casam e não se juntam. Eles não tem mais filhos! Namoram, mas não se fixam.
Invasões bárbaras é o nome do que estão fazendo em Québec – invasão da forma americana e capitalista de ser, de atuar na saúde – invasão dos afetos de uma geração sobre a outra...
O jovem Sebastian diz logo no começo para o pai – eu sou diferente de vc, vou ser fiel à minha copine. Só que ele resvala quando beija a drogadita e, já no avião de volta mantém seu pensamento nela, e bem distante da "copine" com quem irá viver para sempre. Será isto um sinal de fraqueza que a invasão emocional da drogadita lhe causou? Pode ser.
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Voltar ao topo [Aeternus:266] Mensagem do Grupo19 -helena(2004-03-02) - invasões bárbaras
Andei dando uma rápida olhada no que foi dito. Infelizmente não deu tempo de ler tudo. Isso ainda farei. Mas, desde já, não me contenho em falar alguma coisa sobre o filme. Eu adorei o filme, em primeiro lugar. Ele mexe mesmo com um monte de coisas e me parece que é um filme que precisava ser feito. Senti que mexe com os princípios decadentes dos amigos socialistas, bem como com seus sonhos, que eram bonitos mas inúteis. O filho capitalista, amoral, é verdade, trabalha com qualquer realidade - e elas existem mesmo - para proporcionar um fim de vida digno para o pai. Também mexe com a sordidez do capitalismo, a falência do sistema público de saúde e arrasa, pesado, com os "sindicalistas", mais sórdidos a meu ver do que todos os sórdidos reunidos do filme. É uma dura realidade atrás da outra, no meio de fortes emoções, afetos, trocas de experiências de gerações completamente diferentes - eu me senti no meio das duas gerações do pai socialista sonhador e do filho capitalista pragmático - e ainda com uma aproximação "amorosa" do filho "perfeito" com a moça drogada. Mundos que se cruzam e deixam marcas para todos, inclusive em nós que assistimos ao filme. É bárbaro. |
Voltar ao topo [Aeternus:267] Mensagem do Grupo19 -jansy(2004-03-02) - hi, Helena
Que bom que a premiação de "melhor filme estrangeiro" no OSCAR ao filme do Arcand prolongou a estada em cartaz das Invasões Bárbaras e, indiretamente, reativou a conversa no Aetern.us.
O filho capitalista, amoral, trabalha com qualquer realidade, você escreveu. Lembro que ele não deixou de lado uma versão destas mutantes realidades: a idéia da família que faz dele um filho. Quase iletrado, mas completamente "numerado" neste novo bravo mundo no qual digitos não são mais os dedos da mão.
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Voltar ao topo [Aeternus:268] Mensagem do Grupo19 -helena(2004-03-02) - hi Jansy
Pois é. Que bom estarmos novamente falando aqui e de um filme tão tão, nem sei como chamar. Eu realmente adorei o filme. Lembrei-me também que havia adorado, naquela época, o "Nós que nos amávamos tanto". Será que se eu visse hoje adoraria tanto ele? Acho que cada época é uma época diferente e hoje, realmente, os números são muito importantes. Você vê, aquele rapaz, super bem-sucedido, parece-me que não lia livros. O negócio dele era trabalhar com swaps, ações, hedges etc. Tudo o que vemos hoje na nossa economia mundial e que fazem de nossa vida uma roda sem fim. E ai de quem não acompanhar esses tempos. Tenho conversado com muita gente que perdeu o bonde (ou trem) da história e de uma história que estava logo ali, um pouquinho atrás. Gente que ainda acredita em fadas e Lulas, duendes e socialismo, papai noel e PT. E aí perguntam? Mas o que faremos sem isso tudo, se nada disso existe como pensávamos? Uma boa pergunta. Não sabemos. Mas acho tão bom essas realidades virem à tona. Acho que aí vai um pouco de sadismo de minha parte, de ficar curtindo os que se desencantaram com a vida pelo fato de descobrirem que papai noel não existe. Acho muito bom, pois essas pessoas eram donas de tantas verdades.... Conheço uma médica do serviço público que ficou indignada com o fato de o filme mostrar aquela realidade do hospital e num país como o Canadá, tão desenvolvido. Senti que mexeu com os brios dela. Ora que danem-se os brios. É tudo meio bárbaro mesmo neste mundo. |
Voltar ao topo [Aeternus:414] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2004-04-16) - conformismo, orgulho e propósitos
Voltar ao topo [Aeternus:415] Mensagem do Grupo19 -marcos(2004-04-16) - conformismo e propósitos, agora com texto
 "É que tudo nesse mundo é meio bárbaro mesmo."
Retomo essa fórum pois há dois meses e pouco tentava costurar um escrito sobre o que a Helena trouxe por último.
Tenho um amigo que prezo muito, alegre, produtivo, com numerosa família, muito culto. Divirjo dele em vários pontos de vista, mas mantemos uma conversação fluente. ( há, pois, um canal possível para tal, diferente daqueles contatos em que nenhum assunto caminha...). Ele valoriza por demais ( teria razão ? ) o Orgulho, diz que "Gandhi foi um criminoso ao destruir o orgulho hindu, ajoelhando-se aos ingleses". Acha as guerras necessárias e inexoráveis. E que a índole humana "é essa mesma".
Conformista ? talvez...mas o que quero estabelecer aqui é um paralelo entre o discurso de Arcand, o da Helena e o dele. Onde Arcand é conformista em "As Invasões..." ? Creio que as respostas a essa questão variariam de montão. Uns dirão - como disseram - que o filme em última análise é reverente ao sistema, corrobora os doces bárbaros burgueses da classe média canadense. Os apaixonados pelos fortíssimos no Cinema, que Arcand é sutil e intelectualizado em demasia, não propõe, coloquemos assim.
Curiosamente, ao longo de toda a zorra desde o lançamento do filme, a crítica que faço a Arcand dá-se por conta de uma entrevista dele ao jornal "O Globo", onde ao propor que todos pensemos numa nova alternativa ideológica desdenha, de certa forma - como Rémy e o amigo que lhe cede a casa do lago para a eutanásia - os ismos que adotaram ao longo de décadas. ( não se joga fora Saber: esqueceram de Giordano Bruno !)
Usando estes rumos, navegaremos no terreno eminentemente pessoal, que adoto aqui, então. Já declarei minha total admiração ao filme ao longo dos debates, e restaria um detalhe a ancorar. É que o filme me fala, acima de todas as vertentes que se possa abordar, de uma paixão imensa pelo Existir. Se podia haver dúvida do(s) propósito(s) da verborragia de "O Declínio do Império Americano" ou sobre o esplêndido estilismo narrativo de "Stardom", ousadíssimo e inovador, as 'invasões' me trazem o Arcand apaixonado, desesperadamente hedonista.
É de forças como esta que precisamos para continuar enfrentando as invasões bárbaras em nosso dia a dia. Aqui no Rio, em especial, a do narcotráfico - citada textualmente por Arcand - e a de seus mandantes principais, o casal patético-patetinha.
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Voltar ao topo [Aeternus:2680] Mensagem do Grupo19 -Helena(2005-02-02) - Barbarismos e barbaridades
Marcos, que bom retormarmos as discussões sobre "Invasões Bárbaras", ainda mais sob o prisma que você abordou. Concordo com você quando diz que é de forças como um Arcand apaixonado que precisamos para continuar enfrentando as invasões bárbaras no nosso dia a dia, citando, especificamente o Brasil e, mais particularmente, o caso do Rio de Janeiro, que considero um caso de calamidade pública, de guerra civil declarada e que parece-me que ninguém faz nada para resolver absolutamente nada, uma coisa desesperadora, no meu ponto de vista. Só para fazer um parágrafo, estive no Rio no final de ano e fiquei impressionada com a decadência da cidade (que sempre amei demais e que sempre fez parte de minha vida, de minha infância), com a sujeira das ruas, com a violência escancarada e latente em todos os lugares, com as pessoas bem mais tensas do que antes (eram mais felizes - cadê aquele espírito alegre do carioca?, virou folclore?). E não adianta dizer que em todo lugar é assim, porque não é. Há violência em outros lugares, mas o Rio, ao que me parece, é uma cidade dominada pelo crime organizado, se o crime manda fechar as portas do comércio, as portas se fecham, se o crime manda fechar a rua, todos obedecem, porque ninguém quer morrer. E não há autoridade para combater isso. Isso me revolta muito. E isso não é inerente ao ser humano. Isso é perversão total, é anormalidade, é quase estado de sítio. Parece que ninguém se importa de verdade com essa coisa que incomoda a tanta gente. Li ontem que em São Paulo empresários já estão implantando chips no corpo para serem logo identificados e localizados em casos de sequestro. Confesso que esse não é meu mundo e que não tenho estrutura para viver assim. Não tenho estrutura, essa é a questão. Porque isso não é inexorável como talvez dissesse seu amigo, não acho que é da índole do ser humano não. Isso é fruto de um país de desigualdades gritantes, de um crime altamente organizado e do narcotráfico e da falta de um Estado, de autoridade para controlar a situação. Até acho que o homem tem seu lado violento e que precisa dominar sua besta-fera, digamos assim, mas chegarmos a esse ponto... Quando falei que é tudo bárbaro mesmo, quis falar sobre esse mundo de sofrimentos e de barbaridades e que, principalmente, isso precisa ser mostrado, não pode ser ignorado (as pessoas fingirem que as coisas não acontecem e não existem, como a médica da qual falei que ficou indignada porque o filme mostrava as mazelas dos hospitais públicos no Canadá). Converso com muita gente no Rio e sinto que isso também ocorre com elas. Elas fingem que o que acontece no Rio acontece em todos os lugares, que "é assim mesmo". Eu fico chocada com esse conformismo. |
Voltar ao topo [Aeternus:2682] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-02-02) - perfilados !
 Pois : concordo plenamente com teu diagnóstico. Arcand acha que precisamos de nova ideologia, mesmo que esta torne a mostrar-se utópica. O Bauman que estou lendo e citei há pouco, considerado 'O' leitor do pós-moderno em Sociologia, diz que o sinergismo do stablishment direciona-se à formação do consumidor falho, habilitando-o a reconhecer sempre e sempre sua própria*obsolescência e em seus equipamentos : no mesmo momento em que 'atualizou-se' já está devidamente desatualizado. * a nível psicanalítico isto seria até útil, não ? um desamparo meio que auto-identificado/induzido, algo na coluna...
Quanto à Doença Rio, segue o recente boletim médico, das 16:30hs. QP falência do estado de direito no RJ HDA altíssima mortandade de adolescentes;agressões e mortandade ininterruptas aos cidadãos e turistas;caos na saúde pública e na limpeza urbana; Educação comatosa, respirando pelo Bird em UTI; classe política em putrefação a céu aberto HPP descaso progressivo da autoridade no estado; denodada corrupção na classe e nos poderes em geral; pensamento mágico em metástases diagnosticadas anteriormente, imunes a vários tipos de terapia. Diagnóstico(s) escapismo populacional agudo, tanto qualitativo quanto qualitativo; formação metastática de cidadãos furibundos e/ou apopléticos Tratamento : a bancada fascista recomenda extirpação das favelas, com mortandade inespecífica de 'bons' e 'maus' ; a bancada liberal-globalizante-progressita sugere seleção natural pelo mercado, com formação de 'novos excluídos' e 'párias'; a bancada socialista sugere que cantemos a Internacional Socialista, da mesma forma que a Comunista que leiamos Marx e Mao ; e a liberal-humanista uma ampla revisão em todos os níveis do 'social', de preferência repensando a Ética de olho no próprio umbigo. Prognóstico : reservado. Lado favorável : Bauman e Giddens continuam acreditando na Humanidade. Eu também, mon bon Dieu.
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Voltar ao topo [Aeternus:2684] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-02-02) - poeira ! poeira !
 Desculpem : a poeira e a barafunda aqui em casa me fizeram trocar o óbvio 'quantitativo' por um errôneo 'qualitativo', na segunda adjetivação a respeito no meu texto. Brinquei com as obras na casa do Gallego, mas passamos pelo mesmo inferno doméstico. Parece que vai dar para continuar morando aqui.
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Voltar ao topo [Aeternus:2686] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-02-03) - ajuste conceitual
A partir de uma errônea associação minha em terminologia, cometi um deslize com o conceito de Bauman. Consumidores falhos são aqueles pouco moldáveis ao sistemão, os que insistem em não adaptar-se ao ofertão mirabolante do mercado. O consumidor não falho, o que é seduzível e portanto 'desejado' pelo stablishment, é o que sente-se constantemente em falta com o mercado, 'obsoleto' e como tal dócil à sedução. |
Voltar ao topo [Aeternus:2687] Mensagem do Grupo19 -helena(2005-02-03) - bom humor
Primeiro elogio seu bom humor. Que bom que você consegue mantê-lo, apesar de tudo, de toda essa violência e essa insegurança. Seu diagnóstico e boletim médico estão ótimos, bem humorados, mas ao mesmo tempo tem uma seriedade cruel e tão real, bem apropriadas para a situação. O que pode se concluir dele é o que não tive coragem de dizer antes: não vejo uma solução para a doença Rio. Mas alguém tem que ver. Há pessoas capacitadas neste país, eu acredito nisto. Alguém, ou algum grupo, em alguma hora e algum tempo fará alguma coisa, preciso acreditar nisso. Lembro da Europa nos tempos mais terríveis do terrorismo (antes desse terrorismo do Al Qaeda), quando era uma paranóia ficar alguns minutos em qualquer aeroporto. Bem, a Alemanha acabou com seus terroristas bem ao estilo alemão: todos em suas prisões "se suicidaram". Lembro também da máfia italiana. Foram anos e anos de luta do governo para acabar com aquilo, e conseguiram debelar aqueles crimes terríveis. Essa é minha esperança. Não pode haver porcaria que dure para sempre. E não se iluda não. Sei de sequestradores em São Paulo que também já passaram para o lado de lá depois terem recebido direitinho seu dinheiro e terem entregue a vítima à família. Acho que tem gente se mexendo em alguns lugares para fazer alguma coisa. E a esquerda, a chamada esquerda, nessas horas, meu Deus, é um zero à esquerda. Só sabe mesmo discutir em boteco e fazer besteira quando assume o governo. Esse negócio também de cercar favelas de muros, minha nossa, prima pela falta de inteligência, não pode ser sério, deve ter havido algum equívoco, pois não acredito que alguém faça uma proposta dessa com seriedade. Tem que ter gente que pense com pragmatismo, com os pés na realidade, que tenha visão deste país como está hoje e que veja o mundo como ele é. E também não adianta aquela máxima de ficar esperando que o país primeiro fique uma maravilha, com uma bela distribuição de renda, um nível social maravilhoso etc etc, acreditando que só assim tudo terá jeito. Tem que fazer alguma coisa sim e agora. |
Voltar ao topo [Aeternus:2688] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-02-03) - folgo em saber
 ...que meu filho vive num mundo onde alguém ainda tem esperanças. Pessoalmente acho impossíveis e inviáveis as grandes metrópoles, no gênero '2 milhões de pessoas pra lá'. Provavelmente amanhã vou discutir o OLM ( Outro Lado da Moeda ) : chego agora de "Desde que Otar Partiu", produção franco-russa passada em tempo atual e mostly na Geórgia. Esta capital da outrora poderosíssima U.R.S.S. parece remeter-nos a 1960, naquela onda de Guerra Fria, Kennedy X Kruschev... Falta água, luz, alimento...O bom humor russo, corrosivo, permeia um desgraçol severo. O filme é belíssimo em termos humanitários, chorei muito. Publicarei a crítica na lista "Meu Mundo Caiu", a qual inaugurei solito com o (?)drama da Carré Otis.
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Voltar ao topo [Aeternus:2689] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-02-03) - samba do geógrafo doido
Mais uma cprreção de rumo : a Geórgia é um país, dentre os desmembrados da antiga U.R.S.S., e sua capital, onde o filme que citei se passa, Tblisi. |
Voltar ao topo [Aeternus:4343] Mensagem do Grupo19 -Conde Drácula(2005-09-05) - Um filme bárbaro
 Contrariando o que se poderia esperar de um filme cuja sinopse começa com "homem em estado terminal", Invasões Bárbaras é um filme tão cheio de vida, mas tão cheio de vida, que até transborda! Não é um filme mórbido, é transformador. Não é um lamento, é uma revitalização. O cotidiano, o histórico e as questões eternas se entrecruzam em cada fotograma. E NÃO se chocam! Isso é coisa que só um diretor sábio consegue. Não sem a exasperação que ameaça toda essa sabedoria – a que é provocada pela tal iminência da morte. É um filme que sofre de ansiedade. Demolições e reparos em fast forward. E saimos do cinema sem respirar. Não por falta de ar, mas por excesso de oxigênio. Alguns o vêem como um "réquiem para a geração 68". Não se trata de um réquiem. Trata-se de uma reavaliação de princípios. O que deu certo? O que não deu? Que herança aquela geração deixou para este mundo de hoje, tão predatório e inóspito? Onde foi que ela errou a ponto das coisas ficarem assim? Não é um filme feito para a geração de 68 ficar chorando na beira do caixão, mas para apresentar a HISTÓRIA ao FUTURO (já que a "História morreu" ou está morrendo). Não é o desencanto, mas um estertor de esperança. Não é a assunção do fracasso e nem a defesa do resgate ingênuo de ideais "anacrônicos". O segredo está na inoculação de certos valores (não necessariamente e nem exatamente aqueles de 1968) nas NOVAS GERAÇÕES. A esperança não está no resgate do antigo (e as coisas de agora não são nem novas nem antigas: não são nada, ou melhor, SÃO O NADA, sem sua contraposição existencialista), mas na reassunção do poder humano de gerar a transformação. Num mundo de progressivo isolamento narcisista disfarçado de valorização das liberdades individuais, a coisa não é assim tão simples como "depositar esperança na amizade" (como já se disse ser a mensagem do filme). O recado é relativizador, imbuído da esperança de que o futuro consiga enxergar que o caos social não é tão inevitável e revelador de uma "natureza humana abjeta" como nosso presente faz parecer, mas que ainda falta descobrir a chave do problema, o x da questão. E se há algo que a "anacrônica" geração de 68 tem a dizer ao presente é isto: se deixarmos que o sistema imploda por si sem vermos a quem compete intervir, implodiremos junto. O individualismo tampa a visão a algo crucial em nossa função estrutural: a consciência de que "o sistema" somos nós. Quem faz a História? Todo mundo, em cada mínimo ato e pensamento. O fim de Remy, o protagonista, não é uma morte-libertação do indivíduo oprimido, não é uma morte-fim, não é o encontro com o Nada: é um transbordamento para fora do individualismo, é uma morte-transformação. E a transformação só pode ser vista quando olhamos para toda aquela gente se despedindo de Remy e vemos um pouquinho dele em cada um. Na platéia, homens e mulheres maduros ensopavam lenços de tanto chorar, mas não de tristeza. Imagino eu que choravam de AGRADECIMENTO. A Arcand, à vida, quiçá aos deuses. É a sensação de sair do individualismo e se reengajar, não politicamente, mas pela religação ao funcionamento da teia estrutural para operar uma OUTRA revolução – agora através de um LEGADO que "não está nos livros", como já nos avisou um dia Carlos Drummond de Andrade. O atual estado de coisas não foi conseguido pela manipulação da teia estrutural a confundir a função coletiva e identitária das pessoas? Tida como um molde imutável a falsear as transformações da História, a estrutura é o domínio da pós-modernidade (daí alguns acreditarem no boato da morte da História). Pois a revolução possível é a da INOCULAÇÃO do antídoto. No fim, o que interessa é mesmo o amor e a amizade, mas ela não se tornará um valor caso não for feita uma desprogramação, e essa desprogramação só dará certo usando da mesma faixa de atuação. No filme, o personagem não dá à filha de sua amiga/ex-amante só amor de pai-postiço: ele dá a ela REFERENCIAIS. O amor "é lindo", mas é insuficiente. Referenciais também são lindos, mas são insuficientes. Só quando os referenciais SIGNIFICAM o próprio amor é que dá certo. Arcand transmite à platéia o mesmo legado que Remy deixa aos amigos: a vida por baixo das idéias, se abrindo a novas representações, novos entendimentos, novas discussões, novos ideais, para que as novas gerações PENSEM melhor, e possam NÃO cometer os erros e as negligências daquela, talvez trocando a manipulação interesseira pela co-atuação amorosa. Mas alguma ATUAÇÃO. Mesmo que o efeito não seja imediato. Afinal, a vida se renova. Aprendamos a renovar com ela e através dela, e assim talvez abandonar a mera repetição disfarçada por novidades que não inovam. Abraços, D. |
Voltar ao topo [Aeternus:4345] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2005-09-05) - RE:Um filme bárbaro - que venha sangue para o Conde !
( me dispo de Van Helsing para servo do ilustre Conde )
Conde Drácula escreveu o que eu mesmo, ao apreciar meu filme predileto de todos os tempos, não consegui ! Deu corpo e Vida, em letrinhas a Sentimentos, à pujança do Existir, ao que faz de cada um de nós especial. Nosso admirável Denys Arcand parte de seu Hedonismo galopante e também desesperado, como em Camus, para esse irrecusável convite à reciclagem. Reciclagem integrada, como clama o Conde, dizer que 'o amor é lindo' mas a isto atrelar signific(antes/ados), bojo. Não o amor que é lindo nas Casas Bahia, mas o que faz a gente despedaçar-se com o beijo roubado da viciada, com a bravura erótica-cultural-existencial com que Rémy parte. Falar em 'mensagem' diante do desbunde de vertentes e Saber que o filme deslancha é folhear o livro de um grande autor e deste ler um parágrafo da orelha, deixando-o de lado...A densidade do filme é tamanha que, cada plano per si, implicaria em seminários diversos. Arcand dá a cara a tapa, desfila suas manias e trejeitos, expõe-se ! Numa cadência apaixonada/apaixonante, instiga, cutuca, convida, provoca, urra, chora, implora, debocha. No segundo seguinte a Lucidez adentra o plano, em desconcertante e espetacular incongruência. Também como ressalta o Conde, alguns rostos carregam disparidades e emblemas tensos/densos. Nathalie ( Marie-Josè Croze ) purga dor ao longo de todo o filme, e a mim, pessoalmente, comove a força com que busca tanto morrer quanto viver... Jansy diz que Cioran não tem nadusca de nadita de louco em sua corda bamba na fronteira do 'Ser' com o 'não-Ser'. Nossa Nathalie não quer morrer mas não quer viver, muito pelo contrário... Atirar um celular de última geração na fogueira de São João de uma noite-sem-fim pode ser 'infantilóide', mas que nosso Sébastien, ao embarcar de volta para Londres para prever o futuro em suas manobras de hedge para os milionários do mercado de commodities, sabe enfim que há coisas imprevisíveis nesta vida. E que terá que mentir sempre para Gaëlle, sua previsível parceira, sempre pronta a engessar a paixão e quantificar as belezas da vida em papel moeda. |
Voltar ao topo [Aeternus:4347] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2005-09-05) - RE:Um filme bárbaro 2
Gostei muito das considerações do Conde D. a respeito do filme "As Invasões Bárbaras/' e pelas questões que levantou sobre o narcisismo exacerbado travestido de "liberdades individuais' , fora a esperança de que ainda haja tempo para revitalizar nossa preocupação com o social. Esta não depende de um corte às liberdades tão duramente conquistadas, talvez de uma avaliação dos nossos erros enquanto geração que deixou um legado confuso aos mais jovens ( mas duvido que isto adiante). O problema, como o vejo, está ligado ainda ao excesso de sentimentalismo que vem junto com os abusos do narcisismo. Hoje estava ouvindo um CD com Chico cantando nostalgicamente sobre as casinhas de subúrbio e " daquela gente que vai em frente sem ter nem com quem contar". Ele exclama que queria ser capaz de "viver sem me olhar" ( ou seja, de ser sem ter que se conferir no espelho do eu...), mas a contrapartida que ele traz é a da alienação. O canto pungente traz lágrimas ao nossos olhos, nos faz até quase nos sentirmos virtuosos como o Chico naquele momento e ai que vontade de chorar com ele... Mas narciso entra no meio. Temerosamente,suspeito que pra ajudar aquela gente que vai em frente teremos que antes de tudo despertá-las - e quando conseguimos, nos perdemos. Não adianta convocar qualquer bondade advinda das elites, embora faça diferença ter Celine Dion, John Grisham e outros dando fortunas para ajudar os desamparados do Mississipi ( até o Qatar entrou, até Cuba ofereceu seu "ouro branco" e disponibilizou médicos...). Então... sei lá.
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Voltar ao topo [Aeternus:4348] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2005-09-05) - pensei primeiro no senso de humor do Davy...
Voltar ao topo [Aeternus:4349] Mensagem do Grupo19 -jansy(2005-09-05) - RE:pensei primeiro no senso de humor do Davy...
Ei, Davy, a página em branco não é alusão à qualquer falta de humor... Digamos que meu lapso tenha criado uma "carta branca"... Aqui vai o texto com as piadinhas americanas. |
Voltar ao topo [Aeternus:4350] Mensagem do Grupo19 -jansy(2005-09-05) - piadinhas católicas
 dá pra ver que uso computador emprestado e não saco nada do teclado? CATHOLIC ELEMENTARY SCHOOL TEST
Some of these are priceless . . .
CATHOLIC ELEMENTARY SCHOOL TEST
IT COMES FROM A CATHOLIC ELEMENTARY SCHOOL TEST KIDS WERE ASKED QUESTIONS ABOUT THE OLD AND NEW TESTAMENTS. THE FOLLOWING STATEMENTS ABOUT THE BIBLE WERE WRITTEN BY CHILDREN. THEY HAVE NOT BEEN RETOUCHED OR CORRECTED. INCORRECT SPELLING HAS BEEN LEFT IN.
3. LOTS WIFE WAS A PILLAR OF SALT DURING THE DAY, BUT A BALL OF FIRE DURING THE NIGHT.
4. THE JEWS WERE A PROUD PEOPLE AND THROUGHOUT HISTORY THEY HAD TROUBLE WITH UNSYMPATHETIC GENITALS.
7. MOSES LED THE JEWS TO THE RED SEA WHERE THEY MADE UNLEAVENED BREAD WHICH IS BREAD WITHOUT ANY INGREDIENTS.
8, THE EGYPTIANS WERE ALL DROWNED IN THE DESSERT. AFTERWARDS, MOSES WENT UP TO MOUNT CYANIDE TO GET THE TEN COMMANDMENTS.
9. THE FIRST COMMANDMENTS WAS WHEN EVE TOLD ADAM TO EAT THE APPLE.
10. THE SEVENTH COMMANDMENT IS THOU SHALT NOT ADMIT ADULTERY.
11. MOSES DIED BEFORE HE EVER REACHED CANADA. THEN JOSHUA LED THE HEBREWS IN THE BATTLE OF GERITOL.
12. THE GREATEST MIRICLE IN THE BIBLE IS WHEN JOSHUA TOLD HIS SON TO STAND STILL AND HE OBEYED HIM.
13. DAVID WAS A HEBREW KING WHO WAS SKILLED AT PLAYING THE LIAR. HE FOUGHT THE FINKELSTEINS, A RACE OF PEOPLE WHO LIVED IN BIBLICAL TIMES.
14. SOLOMON, ONE OF DAVIDS SONS, HAD 300 WIVES AND 700 PORCUPINES.
15. WHEN MARY HEARD SHE WAS THE MOTHER OF JESUS, SHE SANG THE MAGNA CARTA.
16. WHEN THE THREE WISE GUYS FROM THE EAST SIDE ARRIVED THEY FOUND JESUS IN THE MANAGER.
17. JESUS WAS BORN BECAUSE MARY HAD AN IMMACULATE CONTRAPTION.
18. ST. JOHN THE BLACKSMITH DUMPED WATER ON HIS HEAD.
19. JESUS ENUNCIATED THE GOLDEN RULE, WHICH SAYS TO DO UNTO OTHERS BEFORE THEY DO ONE TO YOU. HE ALSO EXPLAINED A MAN DOTH NOT LIVE BY SWEAT ALONE.
20. IT WAS A MIRICLE WHEN JESUS ROSE FROM THE DEAD AND MANAGED TO GET THE TOMBSTONE OFF THE ENTRANCE.
21. THE PEOPLE WHO FOLLOWED THE LORD WERE CALLED THE 12 DECIBELS.
22. THE EPISTELS WERE THE WIVES OF THE APOSTLES.
23. ONE OF THE OPPOSSUMS WAS ST. MATTHEW WHO WAS ALSO A TAXIMAN.
24. ST. PAUL CAVORTED TO CHRISTIANITY, HE PREACHED HOLY ACRIMONY WHICH IS ANOTHER NAME FOR MARRAIGE.
25. CHRISTIANS HAVE ONLY ONE SPOUSE. THIS IS CALLED MONOTONY !
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Voltar ao topo [Aeternus:4351] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2005-09-05) - RE:piadinhas católicas
Os judeus foram um povo orgulhoso que ao longo da história tem problemas com os genitais ( em vez de "gentios"). THE JEWS WERE A PROUD PEOPLE AND THROUGHOUT HISTORY THEY HAD TROUBLE WITH UNSYMPATHETIC GENITALS.
O primeiro mandamento foi aquele em que Eva mandou Adão comer a maçã. THE FIRST COMMANDMENTS WAS WHEN EVE TOLD ADAM TO EAT THE APPLE.
O maior miligre da Biblia foi quando Josué ordenou que seu filho ficasse parado e o filho obedeceu. THE GREATEST MIRICLE IN THE BIBLE IS WHEN JOSHUA TOLD HIS SON TO STAND STILL AND HE OBEYED HIM. Salomão, um dos filhos de Davi, teve 300 esposas e 700 porcos-espinhos (porcupine em vez de concubine) SOLOMON, ONE OF DAVIDS SONS, HAD 300 WIVES AND 700 PORCUPINES.
Quando Maria ouviu que ela era a mãe de Jesus ela cantou a Magna Carta ( Magna Carta em vez de "Magnificat"). WHEN MARY HEARD SHE WAS THE MOTHER OF JESUS, SHE SANG THE MAGNA CARTA.
Jesus nasceu porque Maria tinha uma contrafação, ou macete (contraption em vez de conception) imaculado. JESUS WAS BORN BECAUSE MARY HAD AN IMMACULATE CONTRAPTION.
Jesus enunciou a regra áurea que diz que pra gente lascar o outro antes que eles lasquem a gente. Também explicou que o homem não vive apenas do suor ( "sweat" em vez de "bread") JESUS ENUNCIATED THE GOLDEN RULE, WHICH SAYS TO DO UNTO OTHERS BEFORE THEY DO ONE TO YOU. HE ALSO EXPLAINED A MAN DOTH NOT LIVE BY SWEAT ALONE.
Aconteceu um milagre quando Jesus ressuscitou dos mortos e conseguiu tirar a pedra tumular da entrada do túmulo.IT WAS A MIRICLE WHEN JESUS ROSE FROM THE DEAD AND MANAGED TO GET THE TOMBSTONE OFF THE ENTRANCE.
As pessoas que seguiam o senhor eram chamadas de 12 decibéis ( decibels em vez de disciples )THE PEOPLE WHO FOLLOWED THE LORD WERE CALLED THE 12 DECIBELS.
As epístolas são as esposas dos apostolos THE EPISTELS WERE THE WIVES OF THE APOSTLES.
Um dos gambás ( opossum em vez de apostle) foi São Mateus, que também era um taxista ( taximan em vez de taxman). ONE OF THE OPPOSSUMS WAS ST. MATTHEW WHO WAS ALSO A TAXIMAN.
São Paulo saltitou na fé cristã e pregava a sagrada acrimônia, que é outro nome para o casamento ST. PAUL CAVORTED TO CHRISTIANITY, HE PREACHED HOLY ACRIMONY WHICH IS ANOTHER NAME FOR MARRAIGE.
Os cristãos tem apenas uma esposa, que se chama monotonia ( monotony em vez de monogamy) CHRISTIANS HAVE ONLY ONE SPOUSE. THIS IS CALLED MONOTONY !
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Voltar ao topo [Aeternus:7551] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - leilão de gado, futebol e a copa
 Enquanto a gente fica torcendo pelo Brasil e saindo com bandeirinhas e enchendo a cara de chope está, não apenas em clima de festa, mas fazendo o jogo maior do mercado. Lendo o noticiário hoje me senti feita de boba porque vou na onda do pessoal, visto roupa verde e amarelo, assisto TV...
Recortei um trecho da notícia, falando da valorização do artilheiro alemão Klose.
"Cada gol valoriza Klose em 5 milhões de euros (R$ 14 milhões)", diz o jornal, garantindo que o clube espanhol quer o jogador do Werder Bremen para ocupar o lugar do brasileiro Ronaldo. O Bild lembra que Klose tem contrato até 2008 com o Werder Bremen e cita uma declaração do diretor-geral do clube, Klaus Allofs. O dirigente afirma que não vai ficar sem seu artilheiro "nem que faça 20 gols no Mundial". O jornal faz as contas e diz que Klose está avaliado em 15 milhões de euros (R$ 42 milhões). Cada gol na Copa eleva sua cotação no mercado em 5 milhões mais."
Ontem, no começo do jogo, vi que havia uma espécie de paralisação dos jogarodes do Brasil porque parecia que tinham sido instruídos a colaborar para que Ronaldo fizesse gols. Depois que ele retomou o animo e marcou, a partida ficou mais "natural". Ainda assim, tem sempre o cuidado do Parreiras para fazer rodízio das reservas, mais para que novos rostos entrem no mercado do que para, simplesmente, poupar os melhores atletas. Negócios, negócios... amigos à parte.
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Voltar ao topo [Aeternus:7552] Mensagem do Grupo19 -LFGallego(2006-06-23) - RE:leilão de gado, futebol e a copa
Brilhante reflexão mercadológica de Jansy sobre o esporte mercantilizado a extremos que sempre surpreendem: os desportistas ocupam o lugar no imaginário que eram dos heróis, super-heróis, míticos ou pops: são os novos "Hércules" ou "Supermen" na idealização (e alienação) das massas enquanto os "heróis" enchem os bolsos de forma que me parece desmesurada. Mas se há público... (e público há). Sobre a "pureza" e "grandeza" nos esportes me lembrei do que disse a esquizofrênica Estamira no filme que leva seu nome e que estreará em breve: "Não tem mais inocente: tem é esperto ao contrário". Mas há inocentes: os das platéias e arquibancadas: arquibaldos e geraldinos.
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Voltar ao topo [Aeternus:7553] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - Arquibaldos e Geraldinos
 Não sei quem são os originais deste termo que o Gallego trouxe, genial a ligação com aquibancadas e gerais... Tem algum personagem do Chico Anysio com nome assim?
Fui meio ingenua (ou esperta ao contrário) reclamando da comercialização do jogo. Afinal, sabemos disso. Ganham as grandes marcas, os tênis e lojas esportivas, os fabricantes de tecido e couro, as cervejarias e bares,as emissoras de televisão, etc e etc. Só que ontem é que, pela primeira vez, senti que havia interferência disso no modo de selecionar o time e determinar as partidas. Este foi meu desencanto principal. Achava que ainda havia uma promoção interesseira que levasse a algo "puro". A estas alturas do campeonato, sou mesmo contraingenua da inocência torta...
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Voltar ao topo [Aeternus:7554] Mensagem do Grupo19 -LFGallego(2006-06-23) - RE:Arquibaldos e Geraldinos
Acho que "arquibaldos" e "geraldinos" já foram termos que designavam os frequentadores das arquibancadas e gerais do maracanã, mas talvez tivessem uma conotação de "superioridade" em termos de consciência política por quem assim os designava e talvez tenham ficado pejorativos e caído em desuso. Eu, como não sou amante de futebol e só fui ao Maracanã para fazer vestibular e ver shows da Madonna e dos Rolling Stones ( e mesmo asim não sei o que fui fazer indo ver Madonna e Rolling Stones), conheci os termos como título de uma música do falecido Luiz Gonzaga Junior, acho que do terceiro LP de carreira do compositor-cantor, na época em que ele era chamado de "cantor-rancor" por fazer músicas com letras em que ironizava a alienação dos pobres e da classe média em plena ditadura militar. Lembram?
"Você deve notar que não tem mais tutu /e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira / e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria /e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão/ e esquecer que está desempregado
Você merece, você merece / Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé / Se acabarem teu Carnaval?
Você deve aprender a baixar a cabeça / E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer / Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação / Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final / E diploma de bem comportado
Você merece, você merece /Tudo vai bem, tudo legal
Outra dele que fez menos sucesso era ainda igualmente "agressiva" com o público criticado:
Ultimamente anda matando até
cachorro a grito
E a platéia aplaudindo e pedindo
bis
Nas refeições uma cachaça, às
vezes, um palito
E a platéia aplaudindo e pedindo
bis
Ando tão mal que ando dando nó em
pingo d'água
Só mato a sede quando choro um
pouco a minha mágoa
Mas a platéia ainda aplaude e pede
bis
A platéia só deseja ser feliz
Te vira, te vira, Bota um sorriso nos lábios
De tanto andar na corda bamba, sou
equilibrista
E a platéia aplaudindo e pedindo
bis
Equilibrando a vida e a morte sou
malabarista
E a platéia aplaudindo e pedindo
bis
Mas não me queixo dessa sorte, sou
um comodista
E já me chamaram por aí de
verdadeiro artista
Pois a platéia ainda aplaude e
ainda pede bis
A platéia só deseja ser feliz
O resultado é que só apreciava e curtia quem já era "conscientizado", mas aos pouco ele foi fazendo sucesso com ajuda de Bethania, por exemplo, quando ela gravou a bonita e romântica "Não dá mais prá segurar, Explode, Coração". Depois foi exagerando no romantismo aos limites do brega (teve uma música que falava do marido trancado no banheiro com revista de mulher pelada em vez de ir com a mulher) e gravou e fez shows com o pai, Luiz Gonzaga. Por curiosidade, segue-se a letra da canção que se chamou "Geraldinos e Arquibaldos" que foiquando eu conheci as denominações (a gravação era muito boa, à capella, com várias vozes do mesmo cantor se sobrepondo, fazendo ritmos e com sons onomatopáicos):
Mamãe não quer . . . não faça Papai diz não . . . não fale
Vovó ralhou . . . se cale
Vovô gritou . . . não ande
Placas de rua . . . não corra Placas no verde . . . não pise
No luminoso : . . não fume Olha o hospital . . . silêncio Sinal vermelho . . não siga Setas de mão . . . não vire
Vá sempre em frente, nem pense É Contra-mão!
Olha a cama de gato
Olha a garra dele
É cama de gato Melhor se cuidar
No campo do adversário
É bom jogar com muita calma
Procurando pela brecha Pra poder ganhar Acalma a bola, rola a bola, trata a bola Limpa a bola que é preciso faturar
E esse jogo tá um osso
É um angu que tem caroço
É preciso desembolar
E se por baixo não tá dando
É melhor tentar por cima Oi, com a cabeça dá!
Você me diz que esse goleiro é titular da seleção Só vou saber quando eu chutar
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Voltar ao topo [Aeternus:7557] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2006-06-23) - RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
 Quase posso garantir que os termos 'archibaldos' e geraldinos' vem do Washington Rodrigues, o 'Apollinho', um repórter futebolístico 'detrás do gol' que tornou-se comentarista. Ele era fã do Chacrinha, foi engordando denodadamente como este ano após ano. Tinha a voz ligeiramente anasalada, e gostava de apelos populares nas transmissões. Sobre as panelinhas no futebol, sempre existiram. O São Paulo F.C.deteve por décadas uma certa eminência parda na antiga C.B.D., hoje C.B.F., e sempre tinha atletas entre os selecionados, merecidamente ou não. A cúpula de 1958, época do 1° título nosso, era nessa linha. Sampaulófila, paulistanófila... Imaginem que Garrincha e Didi eram reservas, e o próprio Pelé, por ser jovem e do Santos ( o 'glorioso alvinegro praiano' )amargavam o banco de reservas. Até uma rebelião geral, aproveitando uma das intermináveis cochiladas do gordaço Vicente Feola, excelente técnico que ao prestar homenagem a Morfeu não atrapalhava as ações dos jogadores em cancha. O resultado disto foram as espetaculares exibições do time no campeonato. Ontem não houve afunilamento do jogo para El Gordo, e sim uma dinâmica quase perfeita de um time movimentando-se, tanto que apesar do peso do dito cujo até ele encontrava facilidade em jogar. Se Kaká estivesse num dia razoável para bom, teríamos feito 7 gols nos japas. Só há um time melhor do que o de ontem, que aliás deve ter sido sugerido ao Parreira por algum mantra ou feitiçaria, tal a ousadia totalmente fora de seu habitual cagarola : se R.Gaúcho jogasse mais à frente e aberto na esquerda, à vontade e sem compromisso defensivo, como faz no Barcelona. Sairia Robinho e voltaria Zé Roberto, cobrindo assim o lugar atual da linda gauchinha dentucinha. Robin dos Bosques ficaria como alternativa de lux no caso de contusões ou de um jogo desgastante, para entrar na hora devida. |
Voltar ao topo [Aeternus:7558] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
 Pra quem nunca foi ao Maracanã, ou chutou bola, nem viu mais que umas horinhas de futebol, quem sou eu pra discordar do Professor Florião ( Ronaldinho Gaúcho tem um blog no qual escreve mensagens e chama o técnico religiosamente de "Professor Parreiras", que disse isto ou aquilo...)? Deixando eu de lado ( já que eu tô-com-nada), continuo achando que o começo do jogo esteve amarrado para darem vez ao Ronaldo ( e não acho ruim, não...mas foi perigoso), havia vários chutes que poderiam ter sido tentados sem passar por ele primeiro. A turma reunida elogiou o craque depois que fez os gols, falando da beleza dos chutes e da perfeição da armação. Achei estereotipado, só isso. Os japas eram bastante ágeis e rápidos, mas não fizeram marcação e havia espaço pra todo mundo girar e chutar... Gallego mandou um ótimo cartum do Ronaldinho El Gordo-Magro e do Ronaldinho Gaúcho, os dois com cartolas. Não é este o termo pra quem explora as panelinhas do futebol? |
Voltar ao topo [Aeternus:7559] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2006-06-23) - cartum de cartola nova
Voltar ao topo [Aeternus:7560] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - RE:cartum de cartola nova
 Bem... mirando direito, vejo que não são cartolas de verdade. São "bowler hats", ou trilbies ou sei lá como se chamam. Uma vez fui numa grande loja britanica comprar chapéus para o maridinho. Escolhia um, dizia que era de "apostentado". Passava pra outro, era de caça à raposa. Mais um, e era para a neve e o outro, "para Sweepstake". Uma especialidade, essa, a dos chapéus. |
Voltar ao topo [Aeternus:7561] Mensagem do Grupo19 -LFGallego(2006-06-23) - RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
Já sabia mas sempre me surpreendo com o Marcos amante e conhecedor de futebol tanto quanto de cinema, literatura, ensaios, enfim, se alé de tudo jogasse futebol iria de goleiro a ponta-esquerda, jogaria nas onze! Dizem que o Brasil é composto de tantos técnicos de futebol quantos braileiros existem. Incluam-me fora, eu não entendo nada, até hoje não compreendi o tal do "impedimento". No menor círculo de cinéfilos, entretanto, a democracia não é maior: todos são os maiores conhecedores, as idiosincrasias são justificadas do modo mais tranquilo possível, indo de sociologês à fantástica teoria paradoxal do "quanto pior, melhor". Passa por psicanalês, semiologês, Delleuze, Lacan, Pauline Kael, Cahiers du Cinéma, Umberto Eco, André Bazin, Christian Metz, Sigmund Kracauer, Freud, The New Yorker, Susan Sontag e acaba sendo o que resume uma "arte de massas": GOSTEI ou NÃO GOSTEI! A teoria justificatória vem depois: todo cinéfilo é um crítico de cinema frustrado, mais do que um cineasta frustrado.
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Voltar ao topo [Aeternus:7562] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
 Fui conferir o tal chapéu "trilby" e descobri que é o nome da moça hipnotizada pelo Svengali. Também há um outro livro com a Srta. Trilby de pés delicados e sugeriram que o fino amassão que este chapéu exibe no topo é a marca do pé da mocinha... Depois deste tem os "homburg", parentes da grande amada ( de doze anos) do escritor Von Kleist. Acho que em vez do Google eu devia consultar um divertido livro de "cultura inútil" que me deram de presente um dia ( por que será???) Gallego foi preciso na avaliação do colega Florião, só não sei o que quer dizer "jogar nas onze". Inclua-me (in) entre as Arquibaldas e Geraldinas. Ontem, pelo que deduzi, descobri que a visão aérea do jogo é accessível aos próprios jogadores porque tem um telão ao qual ficam olhando ( vai ver que foi por isso que o Ronaldinho Gaúcho às vezes parecia meio distraído. Ele estava a assistir ao jogo da Copa!) |
Voltar ao topo [Aeternus:7564] Mensagem do Grupo19 -Parreira dos Pobres(2006-06-23) - RE:RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
"Jogar nas Onze", como já foi dito, seria jogar em todas as posições, de goleiro (1) a ponta esquerda (11). Cadê o espírito de Miss Marple?
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Voltar ao topo [Aeternus:7565] Mensagem do Grupo19 -Uva do Planalto(2006-06-23) - RE:RE:RE:RE:RE:RE:Arquibaldos e Geraldinos
Aié? Pensei que fosse sentar na Praça. Do ponto de vista, se é que posso dizer deste modo, dizia eu, recomeçando... do ponto de vista das transas, este tal de jogar nas onze me parece promissor... |
Voltar ao topo [Aeternus:7566] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2006-06-23) - RE: lei do impedimento para não chegados
 A lei do impedimento é simples : no momento em que parte o passe para o atleta que receberá a bola, este precisa ter no mínimo dois defensores adversários numa linha adiante da sua. Daí a câmera que esclarece o lance dar o stop na imagem, congelando-a, quando a bola está sendo tocada pelo passador. O que é terrivelmente difícil para os bandeirinhas, pois ? O fato de que se o passe é relativamente longo, de uns 15 metros para mais, quando o olhar do bandeirinha averigüa a posição do(s) que recebe(m)(rão) a bola participando do lance, já está perdido o instante do passe, o que leva a erros sucessivos. Isto poderia ser eliminado nos estádios que tivessem monitores de video, mas ainda assim seria trabalhoso e tomaria tempo de jogo, afora ferventar as torcidas... Outra dificuldade quanto aos impedimentos é a questão da participação do atleta na jogada. Radicalizando, para facilitar o entendimento, se um jogador estiver trocando a chuteira na lateral do campo, e seu time atacar, mesmo que ele esteja 'em posição de impedimento' esta não deve gerar marcação alguma do bandeira, pois ele não está participando da jogada. Outras difíceis de marcar são quando um atleta, mesmo parado, está na linha de visão ou movimentação do goleiro. Não se pode dizer que ele não participou da jogada, já que mesmo parado está influindo no desenrolar do lance; e a situação mais terrível de todas, que é a do lance picotado, sucessão de bate-rebates próximos da área, no qual um jogador que estaria impedido mas não participando no 1º movimento deixa de estar impedido num 2º movimento pois a zaga adversária mudou de posição, o que remete a avaliação, outra vez, para o novo momento do novo passe que acontece. Simples, não ?... Agora é só começar a xingar os bandeirinhas. A FIFA fez um levantamento segundo o qual 40% destes profissionais abandonam a carreira por stress com as ofensas, pressões e agressões diretas das torcidas e staff técnico das equipes. |
Voltar ao topo [Aeternus:7567] Mensagem do Grupo19 -Pedro Bó(2006-06-23) - RE:RE: A simplíssima lei do impedimento para não chegados
Como todos os desentendidos puderam captar com a aula de nosso Porfesor Parreira do Aeternus, a lei do impedimento em futebol é mesmo muito simples. O conceito em si é tão simples que - pelo pouco que eu já não entendia antes - um famoso time de 1974 que foi denominado de "Carrossel Holandês", recuava e deixava o pobre atacnte empolgado em impedimento. Legal! No meus parcos tempos de jogar pelada quando gurizinho, era tudo mais simples: "gol de banheira não vale!" era um brado escutado a todo momento. Devia ser o tal do "impedimento" No mais, para mim, impedimento bom foi o do Collor, o do Nixon... embora tantos outros merecessem destino idêntico. Na antigüidade era o exílio logo de uma vez!
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Voltar ao topo [Aeternus:7568] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - RE:RE:RE: A simplíssima lei do impedimento para não chegados
 É, Pedro Bó, nem isso me adianta. Nem de carouseel holandes, nem de gritaria na banheira. Continuo enrascada com tantas simplicidades. Mas que soa bonito, ah, isso soa. Regras claras, marcações, táticas. Montes de juízes, juízes dos juízes, bandeirinhas...O mais elegante é quando deixo de ver o jogo em andamento para olhar ao painel que a Globo mostra, desenhando cada jogador num local e contorno do quadrado mágico. Quase entendo.
Feito Balzac, ó céus. Estertorou das entranhas de Paris aos píncaros da sofisticação até produzir um cenário barroco pra briga de barraco. O livrinho que li, " A Menina dos Olhos de Ouro", continúa admirável, mas não consegui assentar o pé ( será mesmo o pé?) em uma perspectiva determinada que me garantisse uma visão própria. Ironia, hipérbole, ressentimento, sátira, pastiche. Faltou só haver um...impedimento?
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Voltar ao topo [Aeternus:7569] Mensagem do Grupo19 -Marcos(2006-06-23) - RE: o carrossel e mais impedimento
 O carrossel holandês gostava de praticar a chamada 'linha de impedimento'. Consiste em treinar os homens de trás a jogar em linha, e comandados por um deles, que em determinados lances - quase óbvios - e ao pressentir que o passe sairá, comanda o avanço simultâneo de todo o grupo um átimo antes deste passe, deixando impedidos um ou vários adversários, danificando assim vários ataques. Em cobranças de faltas da intermediária, por exemplo, usa-se muito isso : o batedor corre resoluto, e junto com este todo o bloco defensivo adversário avança, deixando assim todos os atacantes impedidos, uma vez que na hora que o pé do cobrador da falta chuta a bola todos os atacantes já estão tendo à frente apenas o goleiro, caracterizando a infração. Isto é bom ? Eu diria que sim como recurso para apressar o jogo, a retomada de bola. Irrita muito os atacantes. E diria que não quando estes percebem que devem recuar ligeiramente junto com os zagueiros, para descaracterizar o impedimento, ocasião em que penetram livres, tendo à frente apenas o goleiro. Há ainda uma outra alternativa inteligente : fazer com que um homem vindo de trás - um jogador de meio de campo, por exemplo - se infiltre em velocidade para receber o passe, enquanto os atacantes em posição de impedimento permanecem estáticos, sem participar do lance. Se isto for bem feito, é mortal para a defesa, pois o homem-surpresa não estava impedido, já que veio lá de trás no momento do passe. Ele recebe a bola absolutamente livre, tendo à frente apenas o goleiro ! |
Voltar ao topo [Aeternus:7570] Mensagem do Grupo19 -jansy mello(2006-06-23) - carossel holandes e os samurais
Viva, Professor Florião, você desta vez conseguiu me fazer entender o lance. Vai ver que fiz um treinamento antes, assistindo um filme do Jim Jarmouch que ganhei de presente do Gallego. E só sentei pra assistir porque era indicado pelo próprio, evito filme de bangue-bangue, rap, mafia e samurai. "Ghost Dog", com um final parecido com o outro filme com cachorro, "Dogville". Só que neste do Jarmouch havia um cachorro de verdade, uma cadela aliás, de orelha espalmada e feia como seria um fantasma do Forrest Whittaker. Um filme sobre finais definitivos, códigos imaginários e transmissão de uma geração à outra. Bom. Muito bom. E que fotografia incrívelmente precisa, quente, magnífica. O principal tabu pra mim é o de matar, dar fim a uma vida. Neste filme, pela primeira vez ( sempre somos virgens numa coisa ou noutra), matar e morrer não era tão importante quanto o resto da história, era quase coisa de cartum. Filminho muito esperto. Whittaker dá um show. Encerrado o DVD, me achei um pouco mais esperta que antes. Daí, concluindo, aproveitei a aula do mestre Caco. |
Voltar ao topo [Aeternus:13445] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-05-13) - ...
Sonhos dessa noite... Guerreiros negros encortinados, cortinas que se encaixam e desencaixam no topo desvendando estes guerreiros negros brilhantes que eu pego e entrego ao meu filho ainda criança. |
Voltar ao topo [Aeternus:13446] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-05-13) - Santo GRaal
No berço acortinado Herzeleide escondeu a guerra do medo. Véu, velório e revelação o esperavam, ingenuo Parsifal. Seguiu em branco e negro o sonho que não era dele. |
Voltar ao topo [Aeternus:13447] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-05-13) - Agatha Christie
 O mesmo poema foi citado duas vezes por Agatha Christie: The Postern of Fate e nos contos sob o título "Parker Pyne Investigates". O título é The Gates of Damascus, de James Elroy Flecker. A dama britanica entende do oriente, mas a citação dela fica no ar...é quase um capricho. Mas as linhas são belíssimas: The Persian Dawn with new desires may net the flushing mountain spires: But my gaunt buttress still rejects the suppliance of those mellow fires. Pass not beneath, O Caravan, or pass not singing. Have you heard That silence where the birds are dead yet something pipeth like a bird? Pass not beneath! Men say there blows in stony deserts still a rose But with no scarlet to her leaf - and from whose heart no perfume flows. Wilt thou bloom red where she buds pale, thy sister rose? Wilt thou not fail When noonday flashes like a flail? Leave, nightingale, the caravan! A frase que ela cita ( extraí uns versos a mais do total) pergunta: "Você escutou esse silencio onde os pássaros estão mortos e algo ainda pipila como uma ave?" |
Voltar ao topo [Aeternus:13979] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-09-01) - Apocalypse: now or when?
Luís Buñuel morreu em 1983. Em seus últimos filmes mostrava-se preocupado com o terrorismo crescente na época dos Baader-Meinhoff et alli.
A dança erótica nunca terminada de "Obscuro Objeto de Desejo" (1977) era interrompida por uma "bomba ex machina" terrorista.
Mas ele chegou a escrever um derradeiro roteiro que não teve ânimo para filmar, com seu parceiro de tantos filmes como "Belle de Jour", "Charme Discreto da Burguesia", "Via Láctea" dentre outros, Jean-Claude Carrière. O filme ia se chamar "Agón" e a a sinopse eu conheci em um livro chamado "Los Mundos de Buñuel", de Victor Fuenetes, que adquiri em Buenos Aires no fantástico MALBA.
O filme ia se passar em uma Paris transformada em cidade-refém dos terroristas (décadas antes de um filme americano com o mesmo tema em Nova Iorque e que foi considerado antecipatório do 11/9). Nos muros de Paris, a inversão do lema de 1968: em vez de "Faça amor, nao faça a guerra", "Faça a guerra, não faça amor".
A cena inicial mostraria uma tela de cinema transformando-se em tela de TV (premonição é isso ái!).
A TV seria um dos 4 novos cavaleiros do Apocalipse, por ser o emblema do excesso de informação (porque na época não havia internet, né?). Os 3 outros cavaleiros seriam a superpopulação mundial, a ciência e a tecnologia, um novo mundo nada admirável em que os burgueses, inteiramente cooptados pelo capitalismo selvagem que considerariam "a salvação", enfrentavam, com a polícia, inutilmente, os terroristas que por sua vez estão certos de estarem certos.
Em um diálogo com um terrorista um personagem dizia: "Há uma frase que gosto muito, nem sei quem a disse primeiro: é preciso seguir os homens que procuram a verdade e fugir dos que a encontraram". E o terrorista replicava: "Então, vaza, se manda daqui!"
Um conselho de 15 premiados com o Nobel aconselharia o uso de 72 bombas de Hidrogênio para acabar com as reservas petrolíferas mundiais, levando um minsitro a fazer o elogio dos grandes avanços científicos e econômicos do nosso mundo, sendo seu discurso acompanhado de imagens do ecocídio cometido em nome dos tais "avanços": uma estrada asfaltada atravessando um deserto e penetrando em uma floresta tropical que está em extinção, convertendo-se em um monturo enorme de jornais e revistas; campos transformados em cidades superpovoadas e engarrafadas; laboratórios de pesquisa médica com animais sacrificados na base de cachorros vivos com o crânio aberto e eletrodos no cérebro, etc etc
O enredo do filme se confundiria com telejornais e reportagens de cenas reais conhecidas e mais outras, feitas para o filme como coisas por acontecer: um Concorde abatido por lança-chamas caindo sobre os Champs-Elysées; uma terrorista subitamente atirando em policiais que apenas lhe pedriam seus documentos; terroristas em seus apartamentos levando uma vida "normal" sem o menos remorso por vítimas inocentes mortas em suas atuações destrutivas, até que, de forma inesperada, a polícia ivadiria o local, matando a todos (como ocorreria anos depois na embaixada do Japão em Lima, lk embra-nos o autor do livro); contrabando de plutônio para fabricar a bomba atômica, etc
Em 13 de setembro de 1999 (que na época era "futuro" de uns vinte anos adiante de quando o roteiro foi escrito) uma bomba destruiu de fato um prédio de 8 andares em Moscou e o presidente Boris Yeltsen anuciou na TV que o terrorismo havia decretado guerra à nação, uma imagem que para o autor do livro, Victor Fuentes, poderia ser do filme de Buñuel jamais realizado (o livro é de 2000, portanto antes do 11/9/2001, certamente uma cena buñueliana a julgar pelo que seria "Agón" em cujo roteiro haveria presidentes e ministros discutindo o uso da bomba atômica para deter os terroristas). No filme, em dias sem nenhuma catástrofe, os apresentadores de telejornais se deseperam com a audiência baixa por falta de notícias desse tipo, mas não perdem por esperar: os terroristas fabricam uma bomba atômica caseira que pretendem lançar sobre o museu do Louvre. Quando vão fazê-lo chega a notícia de que uma bomba de hidrogênio destruiu Jerusalém e tudo o mais ao seu redor. Sobre um céu com o lúgubre cogumelo atômico, uma silhueta iria se aproximando da câmera com a mão direita levantada e imóvel, entre nuvens escuras. Acabaríamos reconhecendo Cristo com os olhos vazados, órbitas vazias, a imagem terrorífica do fim do mundo, paródia do anunciado "advento glorioso de Jesus no final dos tempos" anunciado na Bíblia.
Buñuel, autor da frase "ateu, graças a Deus" também já foi chamado por seus amigos padres dominicanos de "o ateu mais cristão que já houve", se despedia da produção artística como um visionário de um Cristo sem visão - e com uma questão explicitada no roteiro: "De onde surgirão os tesouros de bondade e inteligência que poderão nos alvar um dia?" Gallego
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Voltar ao topo [Aeternus:13984] Mensagem do Grupo19 -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01) - RE:Apocalypse: now or when?
 Beleza de comentários e recortes a partir da presciência do Bunuel e roteirista. O Cristo de olhos vazados aparecendo no final, após a intervenção dos quatro cavalheiros do apocalipse (incrível a sacação). Pensei primeiro no Anjo do Futuro, do Klee (estudado pelo Walter Benjamin, se não me engano) porque, estarrecido com as ruinas, o anjo está tão cego quanto Jesus na proposta de Buñuel. No final lemos: " "De onde surgirão os tesouros de bondade e inteligência que poderão nos alvar um dia?" Gallego Estava hoje, chorosa, contemplando o dia radiante pela janela. Pensando na união entre beleza e pavor. Matutando, acima de tudo, sobre a dor. Para mim, é a dor o que me espanta mais como elemento que faz parte da vida: animais que se entredevoram, seres doentes, fome e sede, dor e dor e dor. Mais as perdas e a dor mental. Dor e dor. Já não é mais sofrimento ligado a um sentido de sobrevivencia (se lhe doi, fuja do que causa dor), como no darwinismo elementar. A dor extrapola qualquer sinal de emergencia ou vantagem oferecida por uma forma de comunicação entre indivíduo e mundo. Se me detenho nas respostas que conheço, dadas pela religião, acabo presa na certeza de que a dor não é um caminho de ascenção espiritual. De tudo, de tudo... a dor é para mim o maior mistério da vida sensível no planeta. O sadismo seria, talvez, uma manobra para adquirir controle desse algo algon agonico, tornar-se agente ativo para não ter que reconhecer-se a mercê das dores do universo (ou do planeta, acho que é só aqui que a vida existe e doi). Fiquei vendo dois filmes bobinhos ontem, com deleite. O primeiro, Bob Esponja (risadinhas e paz celestial enquanto assistia sem memória, sem desejo e sem inteligencia). O segundo, Audrey Hepburn (numa época em que não se falava em anorexia nem toda magra sofria deste mal) em "Paris when it sizzles", mais cansativo que o Bob Esponja mas com entradas e saídas de cena pela circularidade das auto-referencias que davam uma coceirinha satírica boa (Audrey está melhor neste filme do que a vi no Guerra e Paz, toda arregalada e falando fino, falsa de doer) e ainda o gostinho da referencia ao My Fair Lady ( Pigmalião, comparado com o Frankenstein). Esta introdução longa é para situar o exercício que fiz de ficar como, suponho, seriam as pessoas submetidas a lavagem cerebral da mídia, dos sistemas totalitários e, mesmo assim, ainda podendo ser alienadamente felizinhas. Queria imaginar como seria no futuro, talvez o futuro que será o momento dos meus netos ou bisnetos, o estado de abobamento geral. Não achei ruim. "Dãaa." Contudo, percebi que aos meus olhos a vida assim não valhe a pena, com ou sem dor. Temos que ir atrás de alguma verdade (encontrando ou não, não acho que encontrar seja sinonimo de transformá-la em verdade universal), buscar alguma excelencia, glória, transcendência... Não sei se conseguirei explicar melhor. Um dia me ocorreu (no meio da risada de crianças soltando pum no banco traseiro do meu carro) que não é desrespeito se rezar no meio das traquinagens, dos meteorismos, dos gases naturais... O universo todinho é meteórico, sempre se explodindo. As funções corpóreas e até o sexo inspirado não seriam chocantes aos olhos de qualquer "divindade". É uma expressão de vida planetária. Contudo, existe uma proibição superegóica ao gozo, um estado de culpa pela felicidade, que acomete sociedades inteiras (como a dos puritanos e calvinistas). E, acho que foi Lenin, a "felicidade é para os porcos." Deve ser porque porcos soltam mais pum, será? E ameaçam a camada de ozonio? (brincadeirinha). Estou tentando, embora não pareça, lidar com a perguntinha que Gallego postou no final do Apocalipse Now do Bunuel. Eu devia ler um filósofo como Whitehead para saber do que falo mas, mesmo sem ele, ouso minha intuição. Deus se cria enquanto vivemos, nós o criamos e ele nos recria, esta é minha tese. E, se conseguirmos criar um "outro" bom e generoso, estaremos vivificando a bondade, sustentando o lugar em que ela existe. Uma injtuiçãozinha que cresce, agora bem dentro do cristianismo, com a idéia de gratidão e louvor ao senhor (hoje soa tão cafona falar disso...). Cantar loas a beleza, ao gesto altruista, a vida... gera isso na vida. |
Voltar ao topo [Aeternus:14057] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-09-03) -
e la nave va à deriva. É um convite à sonegação essa quase "normalidade" saindo da boca da otoridade economica. Só anulando ou votando em branco diante de tanta baixaria. |
Voltar ao topo [Aeternus:14061] Mensagem do Grupo19 -Visitante(2010-09-04) - RE: sonegar, nem a Deus
Sr(a). Visitante: Achou que o que o Minsitro disse sobre a banalidade das quebras de sigilo no órgão que ele dirige (a receita Federal) era mesmo um convite à sonegação? Não é não. Falei como provocação nonsense: vá sonegar, que eles descobrem através de um tal sistema "harpia" ou coisa assim.
O "GRande Irmão" do 1984 está à solta: agora tem até devolução de impostos ocultos (ICMS, eu acho) nas notas fiscais. Compre em espécie, com dinheirinho cuja origem o sr(a) não declara e peça o retorno do imposto: seu CPF está lá. Como teve grana para comprar aquilo tudo? Eles sabem, eles vêem. TUDO
O convite de fato é para eles mesmos que estão no poder usarem deste poder de forma ilegal e ilegítima, espionando as declarações de renda, uns dos outros (e a nossa, pobres mortais da classe méRdia): lembra de "spy versus spy" na antioga erbista "MAD"? É entre elestentando derrubarem uns aos outros.
Quanto a nós, pobres mortais, não sonegue não que aí vem o leão (e a mitológica harpia junto)
Se eu puder depois coloco informações sobre este tal sistema de apreensão de nossos menores gastos e ganhos (doações inclusive: já cruzam informações da receita federal com a secretaria de fazenda estadual: doe uma graninha para ajudar um filho a comprar um carro sem financiar com juros extorsivos, ou dar de entrada em um imóvelzinho sem pegar empréstimo nos famigerados bancos; ele vai ter que declarar à receita federal como conseguiu 10 mil ou 20 mil reais, por exemplo. Vai ter que dizer que foi doação do papai. Se ele não pagar 4% do imposto estadual sobre doações, ele e quem doou vão ser multados em dobro, cada um em 4% - além de multa, juros e correção. Melhor pagar os 4%, mas o que eu quero dizer é que daqui a pouco a gente vai trocar de cueca e eles vão saber...para espoliar nossos parcos ganhos e roubarem mais e mais e mais, porque se fosse imposto de fato reverrtido para a população miserável ou para todos em geral, até valia quem recebe mais, pagar mais imposto (sobre a renda mesmo e não sobre salário, por exemplo) e ver o país melhorar.
Mas eu não vejo essas melhoras todas (nem para os miseráveis) nem para a totaidade da população. A naõ ser, como já disse anteriormente outro dia que comprar TV de cristal líquido e 42 polegadas e ter canais de TV a cabo em favela seja critério de melhora de situação do pobre. Ou apenas comer frango. Enquanto isso o sistema de transportes urbanos, estradas, hospitais, escolaridade e o saneamento e tudo mais que de fato cosntrói uma nação vão de mal a pior... Gallego
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Voltar ao topo [Aeternus:14063] Mensagem do Grupo19 -Marcos Florião(2010-09-04) - RE:RE: sonegar, nem a Deus
É isso aí, Grand Gallego ! Comme dit, se não estamos numa ditadura...
A 'democracia' ( conta outra que essa foi boa ! ) e farsa eleitoreira seguem sua sina de capitanias hereditárias, enfim.Estamos em 1540, por ali.A conta da farra fisiologista está alta, esses impostos todos aí seguirão indo para os bolsos 'deles'.Restam para nos salvar o Souza Aguiar, com suas baratas de plantão passeando nos leitos, falta de médicos com alguma condição de trabalho, falta de estrutura, falta de saneamento, falta de estradas, falta de educação.
Déficit público em alta, mais impostos para poder aumentar mensalmente os salários de executivo e judiciário, incluídos os asseclas&parentes que os servem ; aero-molusco trocado por aero-mãe-do-Chucky ( um marionete velho por outro avariado/maquiado, nada demais )...e assim nós vamos (?)vivendo de (des)amor.
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