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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  

A hora azul


Examine os títulos para ir direto para uma mensagem abaixo:
  • Luiz Fernando Gallego:
    A estratégia da aranha, Bertolucci e a Hora Azul

  • Marúcia:
    melodia sentimental

  • Marcos Florião :
    na luz e sombra das passagens

  • Marcos:
    dialogando com a Jansy

  • jansy mello:
    dialogando, onde "dia" vem como "travessia"

  • LFGallego:
    Magritte e O Império das Luzes

  • jansy mello:
    Magritte

  • Marcos Florião:
    Digressionar é preciso...

  • LFGallego:
    Esclarecimentos talvez supérfluos

  • Marcos:
    Magritte, réplicas e tréplicas

  • Marcos Florião:
    continuando o diálogo

  • guto:
    "Blue" Blue Dusk - A Hora Triste

  • guto:
    dusk

  • Marcos:
    aposições

  • Marcos:
    calado pela Internet, continuo apondo...

  • jansy mello:
    tudo posto e aposto, aposto que

  • Marcos:
    o verde é o culpado ?

  • jansy mello:
    gosto pelo amarelo

  • guto:
    luzes

  • Marcos:
    brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

  • guto:
    fog(o)

  • Marcos:
    O frio também queima

  • jansy mello:
    escrevo para ver se o gatinho aparece

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    para ter a barra de ferramentas

  • Cyro:
    Seu gatinho!

  • guto:
    filé de gato

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    filando dos filetes dos filés

  • Eugênia:
    perspectiva

  • Marcos Florião:
    equilíbrio e levitação

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    filetes de realidade

  • Marcos Florião:
    filés levitantes e perdas relevantes

  • Eugênia:
    perspectiva e profundidade

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    urtiga dá coceira nos dedos

  • Conde Drácula:
    A HORA AZUL na hora azul: “filando dos filetes o filé” (Jansy) e “equilíbrio e levitação” (Marcos)

  • Visitante:
    RE:A HORA AZUL na hora azul: “filando dos filetes o filé” (Jansy) e “equilíbrio e levitação” (Marcos)

  • Conde Drácula:
    "A vida é uma queda na horizontal"

  • BENEDICTO:
    A HORA AZUL

  • jansy mello:
    RE:A HORA AZUL

  • jansy mello :
    RE:RE:A HORA AZUL, PS

  • jansy mello:
    Virus...não abram mensagem que tenha meu nome e...

  • Conde Drácula:
    Boletim FOTOSITE 12/01/2006

  • jansy mello:
    as estrelas da minha geração...

  • Cássio:
    Picasso e seu filho ( Robert Capa)

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Picasso e seu filho ( Robert Capa)

  • Cássio:
    RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

  • Omar:
    RE:RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

  • Omar:
    Women

  • Cássio:
    Women II: estrelas sobrepostas

  • Omar:
    Paulo Autran

  • Omar:
    Kinaci

  • Omar:
    Adriana Lestido

  • Omar:
    WP 2008

  • Omar:
    Fiat lux

  • Omar:
    "In Memory of Sigmund Freud" (novembro de 1939)

  • Visitante:
    Chronos e outras crônicas

  • Visitante:
    Quarentinha / para Visitante

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Chronos e outras crônicas

  • Visitante:
    RE:RE:Chronos e outras crônicas

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    É isso aí

  • Visitante:
    Quarentinha

  • Omar:
    RE:RE:RE:Chronos e outras crônicas

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:Chronos e outras crônicas

  • Visitante:
    Auditor

  • Visitante:

  • Visitante:
    Health Alert Headlines

  • Visitante:
    COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

  • Visitante:
    RE:COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

  • Visitante:
    RE:COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Health Alert Headlines:SPAM no aeternus...

  • Visitante:
    Viagra pill

  • Visitante:
    RE:Viagra pill

  • Visitante:
    oi

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:oi

    [Aeternus:343] Mensagem do Grupo22
    -Luiz Fernando Gallego(2004-03-26)


    - A estratégia da aranha, Bertolucci e a Hora Azul

    A "Hora Azul" é uma expressão consagrada entre fotógrafos.
    Quando Bernardo Bertolucci filmou "A Estratégia da Aranha" em 1970 (extraído de um conto de Borges sobre "O Traidor e o Herói" (não lembro o título direito, mas tem traidor e herói), ele só queria filmar na "hora azul", deixando o fotógrafo e a equipe loucos porque ficava tudo pronto para só filmarem por pouco tempo ao entardecer, antes do anoitecer. De repente, não havia mais luminosidade suficiente e tinha que se suspender tudo até o dia seguinte.

    Ou melhor, tarde seguinte. Que não pode ser chuvosa nem nublada. Não é um crepúsculo vermelho nem um lusco fusco cinza. É um azul-claro denso, mais escuro, bem vivo. O modelo seria o azul do quadro de Magritte "O Imperio das Luzes".

    É também considerada uma hora magica, mística e misteriosa, de luz & cores.

    As películas em 1970 não tinham a sensibilidade dos filmes e lentes que Kubrick usaria em 1975 para filmar interiores de castelos apenas com as luzes de vela (centenas, é verdade) sem luz elétrica nem refletores no "Barry Lyndon". Bertolucci em 70 era apenas um cinemanovista italiano de baixo orçamento, muitos anos antes da grana que teve para filmar Novecentto e o Último Imperador. Ele tb usou a hora azul em O Cèu que nos Protege e em O Conformista. Ele adora.

    Mas na suíte sinfônica deVilla Lobos "A Floresta Amazônica", um trecho perto do final se chama "A Hora Azul" (embora no cd em inglês conste "Blue Dusk"), mostrando que eu não inventei o termo nem é restrito às artes plasticas e fotográficas.
    Villa compusera tal música para um filme chamado "Green Mansions". O livro é um romance de aventuras de um americano que viajou pela Amperica do Sul e escreveu uma fantasia misturando um refugiado político com uma misteriosa entidade da floresta, uma espécie de mulher-pássaro (sem asas, por favor) chamada "Rima", adorada pelos animais mas nem sempre pelos indígenas que a perseguem. Ela se refugia na copa de uma grande árvore e os índios incendeiam a árvore. (Ela some como Ifigênia em Aulide: queimou-se ou voou?) Talvez renasça como uma flor branca exótica da Amazônia. Daí o filme ter se intitulado no Brasil "A Flor que não Morreu". Foi o único grande fracasso da primeira fase áurea da carreira de Audrey Hepburn, dirigida pelo então marido Mel Frrer. A música de Vila foi usada parca e porcamente, misturada a outros temas de outro compositor. Ele ficou puto e rearranjou em forma de suite sinfônica e fez sua derradeira gravação antes de morrer, com a Bidu Sayão em 3 ou 4 partes de soprano. Uma delas, se segue à "Hora Azul" e se chama "Melodia Sentimental", gravada por Elizeth Cardoso lindamente (é uma modinha seresteira) mas que não saiu em cd. Zizi Possi tb gravou muito bem. E Ney Matogorosso. Kathleen Battle, gravou mal...

    Acorda, vem ver a lua
    Que dorme na noite escura
    Que fulge, tão bela e branca
    derramnando doçura
    Clara chama silente
    Ardendo o meu sonhar...

    As asas da noite já surgem
    e correm no espaço profundo...
    Ó doce amada desperta!
    Vem dar teu calor ao luar.

    Quisera saber-te minha
    na hora serena e calma.
    A sombra confia ao vento
    o limite da espera
    quando dentro da noite
    reclamo o teu amor

    Acorda!
    Vem olhar a lua
    Que brilha na noite escura...
    Querida, és linda e meiga
    Sentir teu amor é sonhar

    Lárárarararara
    Lararararara
    Larara
    larararalarara
    Laaaaaah

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    [Aeternus:344] Mensagem do Grupo22
    -Marúcia(2004-03-28)


    - melodia sentimental

    Há também uma gravação da Melodia Sentimental com a Olívia Byington e o João Carlos Assis Brasil, em CD. Vem na última faixa do disco, terminando um pot-pourri de Villa Lobos.

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    [Aeternus:345] Mensagem do Grupo22
    -Marcos Florião (2004-03-28)


    - na luz e sombra das passagens

    Marcos Florião:

    A fotografia é nuclear no cinema : afinal, ela é no mínimo a porta de entrada aos mil prazeres, seja em movimento como no cinema e enquanto a fotografia em si.

    No filme "O Sétimo Sêlo" Bergman passou por sua 'hora azul'. No caso foi sua 'hora cinza'...

    Gunnar Fischer, espetacular fotógrafo que dividiu sua obra com Sven Nykvist, queria uma luz específica para filmar aquela famosa cena da dança com a Morte, que - obra do acaso - não havia meio de surgir. No terceiro ou quarto dia de tentativa, não lembro ao certo, mais uma vez a equipe iniciara o desmonte e os atores haviam partido. De repente uma enorme nuvem cobriu o sol. O Fischer entrou em êxtase, e disse que era aquela a luz... Bergman mandou alguns auxiliares vestirem-se com a roupa dos atores, e decidiu filmar premido pelas circunstâncias e, diferente do previsto, à distância.
    Conseguiu um belo efeito, fazendo o contraste dos personagens e da linha da colina com o céu ao fundo.

    Jansy Mello:

    Você está sugerindo uma imagem interessante para a "escrita com a luz" porque destaca algo que está por trás das "horas azul ou cinza", que é um tipo de véu encobrindo a claridade, sem obstruí-la, lhe dando destaque em clarões ou contrastes súbitos. Como se fosse um instante de pausa ou, quem sabe, o silêncio da luminosidade que serve para transmitir os mistérios que requerem esta serenidade...
    Christopher Reeves, depois do terrível acidente que quase o incapacitou para a vida, filmou " The Gloaming". Apesar do título fazer referência aos momentos de "passagem" e de "angelus", não o achei muito inspirado. Não sei como traduziram este título para o português. O assunto abre variantes diversas.

    Marcos Florião:

    Das já pendentes, o Webster fala apenas em 'twilight' a respeito do 'gloaming'.
    A fascinante questão da luz para cada artista funciona como uma carteira de identidade. O dueto diretor/fotógrafo tenta estabelecer um corpo pulsante único, que os represente naquele momento de criação, como citei em Bergman/Fischer.
    Ontem assisti "Ararat", do Atom Egoyan, que acho que o Gallego apreciou na Mostra do ano passado. O Paul Sarossy, fotógrafo, precisou travestir-se ao longo, como o Ney Matogrosso trocando de roupa em seu camarim-espaço aberto, divertindo-se com as reações da platéia. Há uma narrativa em tempo atual, com foto em cores fortes, baixa e precisa iluminação, contrastes muitíssimo definidos : reina a precisão. Há flashbacks sobre a vida de Ashille Gorky, um pintor descendente de armênios, cujo quadro principal restou como testemunho indireto do genocídio dos seus ancestrais pelos turcos, em 1915. Essas cenas são em fortes tons de sépia, mesmo tempo em que Sarossy usa filtros para obter um efeito geral flou, granulado : reina o etéreo. E há um filme-dentro-do-filme, uma produção sendo filmada a nível dramatizado, com os técnicos aparecendo por detrás e em volta dos atores-atores...: reina a luz mágica.
    Egoyan costura tudo isso com exemplar e difícil contenção - é descendente de armênios - discutindo resgate histórico, memória, necessidade de ter razão ou não, rumos...Um dos atores-atores, contratado para ser 'o vilão' - o comandante da tropa turca de massacre ( Elias Koteas ) está entusiasmado com a chance, diz ter 'estudado o papel a fundo', e vibra com o que faz. Tem ascendência turca, e lá pelas tantas discute com um rapazinho ( David Alpay ), e filho da consultora de História da Arte Arsinée Khanjian, esposa de Egoyan ), que está colaborando na pesquisa dos fundamentos para o roteiro. Surge um belo momento entre ambos, a discutir a pertinência e economia de toda essa energia do passado em suas vidas atuais, quase um século após...

    Jansy Mello:

    Conferi no dicionário Michaelis como entendiam "the gloaming" e, embora falassem também em "twilight" (entardecer, poente ) adicionaram uma expressão que deu o tom que eu buscava: " lusco-fusco", um tati-bitati da cintilação...
    Daí a lembrança feliz do Gallego com o quadro do Magritte com uma casa em silhueta, as janelas iluminadas e um lampião de rua contrastando com o céu claro.

    Marcos Florião:

    As luzes de vela, acho que eram do David Watkin, também do "Out of Africa", permitem um desbunde em fotografia.
    "O Céu que Nos Protege" filmado pelo Vittorio Storaro, faixa inseparável do Bertolucci, traz dunas infinitas e alaranjadas no seu viés típico, e mais o céu-escudo. Inesquecíveis! Li o livro do Bowles recentemente ( adorei ) e o clima é aquele mesmo...personagens acachapados à Natureza opressiva, incapazes de optarem, dando voltas sobre si mesmos...

    Jansy Mello:

    ... neste caso, não aconteceria o oposto daquilo que " a hora azul" sugere?

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    [Aeternus:346] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-03-29)


    - dialogando com a Jansy

    Sim e não...parte-se da idéia básica da escolha da luz, e também do 'manto sereno', digamos. Mas cada filme vai precisar fazer sua escolha, dependendo do que quer ( ou não quer, por falta de estilo, talento...) contar. No Storaro/Bertolucci essa idéia é dúbia. Os personagens estão protegidos pelo escudo celeste, mas encontraram-no num lugar onde serão instados a questionarem-se à exaustão, a testar seus limites.

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    [Aeternus:347] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2004-03-29)


    - dialogando, onde "dia" vem como "travessia"

    Caro Marcos Florião,

    Lembrando a todos que dialogar não é conversar em duplas, como está acontecendo no momento... Mais uma vez estou sem dicionário por perto e se bem (ou mal) me recordo das aulas sobre prefixos e sufixos no ginásio, "dia" é uma espécie de transparência que permite passagem da luz, como em "diáfano", ou no "diapositivo" para os "slides fotográficos", ou do papo no "diálogo", ou das idéias...

    Ainda estou seguindo a deixa do Gallego, no sentido de entender a metáfora para algo que é indizível e misterioso na "hora mágica" . Por isso, concordo com você quando aponta que nem todos diretores terão qualquer compromisso com tal dimensão narrativa.

    Os textos de Lacan oferecem este espaço de encantamento, não como luz e sombra nas imagens, mas pela incidência de uma palavra no silêncio. É o que nele acho apaixonante. Se entendi a teorização sobre o tema, é o campo da "diferença" que ele retoma de Freud com o termo alemão " Das Ding", a "coisa". Freud fala desta estranheza, a qual era particularmente sensível, descrevendo as primeiras experiências do bebê na descoberta do mundo. Ele vai reconhecendo a mãe pelo que nela encontra de parecido consigo mesmo, ao movimentar os dedinhos ou estendendo-lhe a mão do jeitinho que ela faz com ele. Esta imagem construida da mãe abre-lhe o caminho para compreender o que virá a ser "seu semelhante", aquele "próximo" ao qual devemos amar como a nós mesmos. No entanto, a mãe não é só isso nem o mundo nem a realidade, uma dimensão misteriosa de "Real" atravessa ou obstaculiza cada instante. É quando surge como " a pura diferença", a "coisa", " Das Ding".

    Recentemente revi o filme "Solaris" como refeito no ano passado ( que me pareceu ainda mais arrastado do que da primeira vez)e uma das idéias ali presentes sugere algo como esta descoberta do mundo a partir da imagem da mãe. Ou da "coisa". A busca do homem pelo que lhe é familiar nos espelhos e na memória, a busca do conforto de achar um semelhante e a fuga do pavor ante o que desconhece.
    O site do Forum para "Solaris" ficou para trás...E ali nem debatemos o que Freud desenvolveu ao final da vida como substituição ao termo " interpretação".
    Freud falou de "construções em análise", hipóteses do analista sobre o passado do seu paciente e que não seguem uma verdade histórica ( como a que se visava ao investigar os traumas ou as reminiscências das histéricas ). O efeito do planeta (?) "Solaris" era como o de uma "construção" e o drama do personagem era o de conseguir aceitar como verdade aquilo que não seguia a verdade dos fatos, mas da sua maneira de recordá-los...
    E em "Solaris", apesar dos mistérios, não há hora azul nem hora cinza. O filme é todo cinza...

    Desculpem-me todos pela digressão!

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    [Aeternus:348] Mensagem do Grupo22
    -LFGallego(2004-03-29)


    - Magritte e O Império das Luzes

    Obrigado, mas não é de minha autoria a comparação da "Hora Azul" com o quadro de Magritte: a anlogia está no livro "Bertolucci by Bertolucci", feito de entrevistas com o cineasta e fotos maravilhosas de seus filmes, às vezes com pinturas refernciais, como é o caso desta de Magritte. Vcs sabem que ele pintou várias vezes o mesmo quadro (o mesmo tema, o mesmo título, quase a mesma imagem)? Este "Império das Luzes" tem várias versões. Quando algum comprador dizia ter gostado de tal quadro, já vendido, ou que ele não queria vender, ele pintava de novo, parecido com o anterior. Não acreditava nessa originalidade irreprodutível da obra de arte. Outro tema a ser debatido, se quiserem, é lógico. Ando meio sem tempo estes dias, participem mais, pois...

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    [Aeternus:349] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2004-03-29)


    - Magritte

    Vou colocar a reprodução da tela do Magritte no site assim que tiver chance.

    A mensagem do Gallego ( " ando meio sem tempo estes dias, participem mais, pois..." ) me fez lembrar daquela anedota sobre a diferença entre analistas kleinianos e lacanianos.

    Um analisando telefona para seu analista e avisa:
    - Dra. Klein, devo me atrasar. Favor começar a sessão sem mim.
    Um psicanalista lacaniano liga para seu analisando e avisa:
    - Sr. Fulano, devo me atrasar. Favor começar a sessão sem mim.

    No entanto, tudo posto e não vejo mais a semelhança que me ocorreu no início. Vale pela piada pros participantes que não a conhecerem.


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    [Aeternus:350] Mensagem do Grupo22
    -Marcos Florião(2004-03-29)


    - Digressionar é preciso...

    Bem colocada a questão do 'diálogo' - são importantes as visões de outro(s), mediando e reciclando o(s) tema(s).
    Bela a colocação da 'voz no silêncio', que estendo ao 'som no silêncio' falando de linguagem cinematográfica em especial. Esses contrapontos, junto ao uso da luz e da seqüência natural dos planos, vai conferindo a assinatura - per bene o per male...- do artista, conferindo-lhe ( ou não...) estilo.
    O citado "Solaris", do qual só conheço a versão de Andrei Tarkovskij - falecido de câncer aos 54 anos - parece reverenciar esse antigo, feito em 1972. Tarkovskij era o rei dos tempos mortos, só que seus tempos mortos pareciam desejar a letargia. Consegui apreciar seu "Solaris" pela riqueza de algumas proposições, mas senti que ele adoecia já em "Nostalgia" ( 1982 ), comprazendo-se em exercícios de mortificação e realizando - talvez, assim assim de memória...- o filme mais chato que já assisti na vida. Isto confirmou-se em 1986, quando filmou nova motificação (nesta a duras penas, pois já sofria do câncer que o levou ) com "O Sacrifício", que não sei por que cargas d'água assisti quando viajava em NY ( querendo sofrer um pouquinho, assim saindo do estado de graça de turista ? ).

    Quanto à 'arte por atacado' citada pelo Gallego - os quadros repetindo uma 'luz que caiu no agrado' - tem um lado de comicidade e, claro, de inevitável mercantilismo. Com um lado perdoável : ninguém é de ferro...Só que teríamos que bater palmas, se aprovarmos essa idéia, para Elmir de Hory, o maior falsário de quadros de todos os tempos. Consolo ? Há ! Os filmes de Hollywood, cada vez mais, tendem a ser pastiches mal resolvidos de obras antigas. Única desculpa : dar emprego aos jovens que entram no meio artístico. Mas a abordagem é básica e eminentemente mercantilista.
    Abraço,
    Marcos

    PS:
    Marcos, vou me meter na sua mensagem... Sabem qual era o apelido dado ao Salvador Dali porque se repetia sob encomenda, para ganhar mais dinheiro?
    Avida Dolars, num excelente anagrama... Jansy

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    [Aeternus:351] Mensagem do Grupo22
    -LFGallego(2004-03-29)


    - Esclarecimentos talvez supérfluos

    Prezado Marcos: Talvez eu tenha sido injusto em resumir as reproduções de Magritte (auto-plágios) à demanda de um eventual comprador. Ele repetia obsessivamente vários temas ("Isto não é um cahimbo", por exemplo), mesmo que não houvesse comprador. o importante é que não achava imprescindível a existência única de uma obra de sua autoria. Se ele mesmo podeia pintar de novo, por que não? Se gravuras são aceitas como arte, por que não re-pinturas?
    Quanto à minha falta de tempo foi falta de tempo de explicar melhor problemas com meu PC. dependo do PC da filha estar livre para entrar na Webmail. Não sou klriniano nem lacaniano: quando o paciente falta, eu telefono prá saber se está vivo, ou zangado comigo, ou se esqueceu o horário. Sem os dois não há jogo. Quanto ao bem lembrado apelido angramático de Dali, um detalhe: foi inventado por aquele que amava odiá-lo, Don Luis Buñuel.

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    [Aeternus:352] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-03-30)


    - Magritte, réplicas e tréplicas

    Assunto: réplicas, mercantilismo e exibicionismo

    Se o Magritte pode rir dele mesmo ao replicar-se, tant mieux...
    Mas essa réplica soa estranha, quand même, e prefiro ficar com Beudrillard quando ele diz "o outro é o que me dá a possibilidade de eu não me replicar ao infinito"...
    Agora, se o 'outro pagante' é outro gênero de outro ( sem aliterações ), aí é (licença!) outro busílis !

    Quanto ao nosso querido São Luís Buñuel, detestava talvez e sobretudo o clownismo muito exibicionista e meio-que-completamente desmunhecado do Avida Dolars.
    Abraço,
    Marcos

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    [Aeternus:353] Mensagem do Grupo22
    -Marcos Florião(2004-03-30)


    - continuando o diálogo

    Marcos Florião:
    Há também toda a questão da Beleza no processo artístico. O que dizer do 'navegar' do artista, de todo o trâmite de paixões que o envolveu ? Das hesitações, ímpetos assumidos e refugados ? O Rivette aborda tudo isto genialmente em "La Belle Noiseuse", culminando com a fantástica decisão de roteiro do artista enterrar seu quadro na parede, num canto falso, e fazer um 'fake' deste ( 'um fake' dele próprio ...) para seu marchand vender para a posteridade ! O rosto do Michel Piccoli, a segurança e resignada tranqüilidade com que ele enterra sua obra está perfeito...
    O que acho mais belo de tudo é a paixão que ele guarda só para si. Todo o sangue, suor e lágrimas são recuerdo dele, de mais ninguém...

    Jansy:
    Não assisti este filme. Estou me recordando de um outro, com a Catherine Deneuve e Fernando Rey, no qual ele é um riquíssimo colecionador de quadros, mas os compra para destrui-los. Há um estranho jogo, como se fosse xadrês em tres níveis, num tabuleiro de cristal e Deneuve se exibe em momentos rapidíssimos, abrindo e fechando seu casaco e promovendo, no espectador, a sensação de irrealidade.


    Marcos
    Acho que você está falando do Fernando Rey em "Tristana". Ele era vaidosíssimo, mas excelente ator. Adoro o rosto safado dele revistando pessoalmente uma moreninha de boina, suspeita de terrorismo, que visita sua residência-embaixada de 'Miranda' ( este nome de país é esplendidamente obsceno...) em "O Charme Discreto da Burguesia".
    E também, entre outras tantas atuações e expressões excelentes, sua perplexidade ao apalpar a maciez da Carole Bouquet debaixo dos lençóis antes de descobrir que há um empecilho aos trabalhos, um super-espartilho,praticamente uma couraça. É curioso que seu cavanhaque me deixa mais lembranças que o bigode.

    Jansy:
    Confesso minha ignorância completa a respeito de Rivette e da Belle Noiseuse. Como traduzi-lo?

    Marcos Florião:
    'Noiseuse' quer dizer "troublante", perturbadora. Traduziram pelo razoável "A Bela Intrigante". Creio que vem de 'noise' - 'dispute, querele', s.i. Larousse.

    Jansy:
    E como seria a intriga?

    Marcos:
    Queria antes explicitar um pouquinho o 'sangue, suor e lágrimas' a que me referi ontem sobre o "La Belle Noiseuse".
    O Piccoli abandona ( Oh! vida, oh! azar! ) sua faina diária de caminhante na paisagem deslumbrante, além de eventual caçador de coelhos para sua caçarola plat-du-jour, aceitando retomar, por insistência de seu antigo marchand e estimulado pela beleza de uma jovem que acompanha o grupo (Émmanuelle Béart ), seu projeto abandonado durante uma crise conjugal. Ele continua residindo - agora pacatamente...- com a mulher ( Jane Birkin ), sua antiga musa e noiseuse.
    Rivette acompanha tudo desde a incandescência - a poeirada no estúdio, os pincéis ressequidos, as velhas aquarelas, a madeira carcomida das bases - passando pelo 'processo' das angulações, posturas, enquadre de horários, humores...
    A saga ( os filmes de Rivette são sagas, este tem 4hs.10' ) aqui funciona à perfeição (nem sempre ele acerta, mas insiste nessas metragens a temps perdu ), trazendo esboços do passado que surgem como pinceladas rápidas das rusgas conjugais, em paralelo com o presente e eventuais rusgas com a modelo. Ele brinca com seu fakezinho : à medida que o filme anda, ele vai angulando a câmera de modo tal que vamos deixando de ver o que o Piccoli está esboçando na tela...
    Essa brincadeirinha fez com que um espectador na sessão em que eu estava se levantasse próximo ao fim do filme, urrando "eu quero ver o quadro ! eu paguei o ingresso e quero ver o quadro !" num aparente acesso de loucura.
    As lágrimas são bem francesas, enxugadas, contidas, naquela auto-comiseração típica. O pintor sabe bem a extensão da sua vitória e da sua derrota, e o enterro do quadro na parede falsa, por ele mesmo construída no estúdio, remete o 'quadro real' à sua memória à son cercueil...Sozinho, de madrugada, pinta de cabeça ( sua modelo já havia sido dispensada ) o quadro para a posteridade, cumprindo a promessa feita ao marchand.
    Superbe, non ?

    Jansy:
    Há um toque surrealista no Rivette, será? Como acontecia com o Buñuel?
    Muitos fakes são verdadeiras obras de arte, realizados por artistas pouco famosos que pegam carona na fama dos outros, às vezes até menos talentosos. Porque, atualmente, na maioria das vezes são os marchands que decretam o valor artístico, mais do que mercadológico, do artista. Sumiram os critérios que, inicialmente, nos permitiam entender arte.

    Marcos:
    Lembro agora que Buñuel e Dali trabalharam juntos em "L'Âge d'Or", e igualmente em "Un Chien Andalou", com magnífico resultado..."
    Este tema dos "fakes" me interessa muitíssimo.

    Jansy
    Estive hoje numa feirinha de antiguidades e vi um fake, em bronze, de uma deusa indiana com rosto sereno enquanto calcava um dragão com os pés. O vendedor, ansioso com a possível venda, me explicou que a deusa estava rezando um rosário para ter forças naquela luta. Dito e feito: mostrou-me uma elegante cordinha balouçante que a figura segurava com a mão direita entre véus esvoaçantes.
    Por mais analogia que se faça com aquelas representações clássicas da Nossa Senhora pisando sobre a serpente do pecado, nunca vi a Virgem Maria rezando um rosário! Lembrei do Pasolini, no Evangelho Segundo Mateus. Já pensou se, na hora da tentação do demonio, Jesus pegasse na mão um crucifixo para bradar Vade Retro Satanás...?
    Poderia dar um toque surrealista pela antecipação do futuro valor sagrado que o crucifixo viria a adquirir como símbolo da salvação cristã, uma figuração pela técnica involutiva, da referência dentro da referência.
    No entanto, a multimilenar deusa a pedir proteção com um rosário... essa virou comédia , como no filme do Polanski quando um vampiro judeu não é afetado pelo poder da cruz...

    Marcos:
    O surrealismo de Rivette é...lui même, não sua obra em si. Faz filmes de 4hs. para lá, nem sempre inspirados, embora quando acerte a mão ( "L'Amour par Terre" / "La Belle Noiseuse" / "Secret Défense" ) acerte firme.
    Sobre os símbolos cristãos, crucifixos e afins, São Luís Buñuel filmou Jesus Cristo em pessoa passeando por Santiago de Compostela com apóstolos, próximo ao final de "La Voie Lactée". Um cego pede ajuda, é ungido, e torna a enxergar. Em seguida, Jesus ou um apóstolo, não lembro ao certo, lê um trecho da Bíblia falando algo como "vim à Terra trazer a espada, não a paz", e o cego torna a perder a visão...

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    [Aeternus:354] Mensagem do Grupo22
    -guto(2004-03-31)


    - "Blue" Blue Dusk - A Hora Triste

    Engraçado, quando o Gallego verteu a expressão "Hora Azul" para "Blue Dusk", o primeiro pensamento que me ocorreu foi o da melancolia que essa hora produz em muitas pessoas, e cheguei a pensar que o "blue" pudesse significar aquilo que os negros americanos do sul sentem e exprimem por essa palavra e pela música homônima que compõem.

    Tentei prestar atenção no céu nessa "hora azul" e, sugestionado ou não, constatei que essa é a hora em que simplesmente a "cor do céu" sobressai; não a luminosidade forte e amarelada do sol, não a escuridão do pós-crepúsculo, muito menos a candeia rubra pincelada pelo poente.

    Aliás, penso que essa hora é um pouco anterior ao mergulho do sol no horizonte. Tinha achado estranho, pois quando era criança, eu achava que azul era uma espécie de antônimo do vermelho. Vi que todas as cores podem conviver numa boa.
    Guto

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    [Aeternus:355] Mensagem do Grupo22
    -guto(2004-03-31)


    - dusk

    Para eventuais amantes do bom e velho rock progressivo, alguém já ouviu a música "Dusk" do Genesis (acho que de 1975)? Na voz inimitável de Peter Gabriel. É dusk pacas.
    Guto

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    [Aeternus:356] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-04-01)


    - aposições

    Oi, Guto,
    Foi boa a tua colocação da Música em aposição ao Cinema ! 'Hora' por 'hora', azul, cinza ou vermelha, o que vejo como instrumento do artista é encontrar 'temperatura' para exprimir-se.
    Na Rede Globo, por exemplo, a luz é a mesma em qualquer lugar do mundo, dia ou noite, chova ou faça sol. Quando se pretende algo como Arte, aí é outro departamento. Nada melhor do q

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    [Aeternus:357] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-04-01)


    - calado pela Internet, continuo apondo...

    ...ue a Música para expressar uma época, no Cinema. E você a ela remete-se para invocar um momento da Natureza...
    A luz dos trópicos é mais impiedosa, crua, queimada ( claro !...)Os verdes nórdicos, deslumbrantes, oferecem cenas antológicas. O artista precisa encontrar, então, sua 'vestimenta'. Até na incandescência a coisa é particularizada : Chaplin não gostava de filmar em exteriores, dizia que o vento levava sua inspiração...

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    [Aeternus:358] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2004-04-01)


    - tudo posto e aposto, aposto que

    ...aposto que Marcos está brigado com todos os desgovernos do tempo e do espaço, da política e do futebol, mas com o calor do Rio em particular.
    Digo isso porque ele escreveu: " os verdes nórdicos, deslumbrantes, oferecem cenas antológicas", contrapondo-o e não apondo-o aos verdes nada tristes dos trópicos, nossos trópicos deslumbrantes para cenas antológicas também.
    Brasília é a cidade da hora azul, que ainda vem com arco-íris em quase todos os dias na época da chuva, recortando o céu para o alto em plúmbeo, e azul translucido como vidro de leite de magnésia Philips ( lembra disso?)na curvatura inferior. Cidade onde não se buzina e escutamos, nestes poentes em que se eleva o arcoíris, passarinhos e periquitos em bandos enormes se recolhendo na maior festa...

    Mas o mesmo amigo escreveu também: " 'Hora' por 'hora', azul, cinza ou vermelha, o que vejo como instrumento do artista é encontrar 'temperatura' para exprimir-se." ilustrando sintéticamente como a música tem cor e tem temperatura e que se pode pintar com palavras e sons.

    Também sinto o mesmo que Marcos quando observa:
    "Na Rede Globo, por exemplo, a luz é a mesma em qualquer lugar do mundo" e foi assim que me incomodou o filme da Felisberta ( como era mesmo o nome deste filme? No todo, ou melhor, nas partes... bem engraçado e bem bolado, apesar do colorido sem graça de tão intenso e marcado como anúncio de coca-cola...).

    E é aqui que reclamo do excesso dos "nórdicos" quando, como no filme " As Horas" há um excesso de beleza produzida pelos contrastes da luz branquíssiima de tão filtrada recortando auréolas nos cabelos, iluminando contrastes de flores, ou mesmo nos tons quentes nos interiores. A beleza pode ser excessiva...


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    [Aeternus:359] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-04-01)


    - o verde é o culpado ?

    Assunto: o verde é o culpado ?
    Data: 01/04/04 13:43:59 Hora padrão leste da Am. Sul
    De: Afloriao
    Para: Afloriao



    Talvez tenhamos chegado ao nível do gosto pessoal...( so far so good ? )
    Seja por gosto do artista ou por limitações financeiras, a fotografia dos filmes nacionais em geral é estourada/estouradíssima. Há uma diferença entre o que nossos olhos vêem, no cotidiano, no que a Jansy descreve de seu habitat, por exemplo, e o que nos é mostrado nos kodak/fuji/agfas da vida.
    Por um tempo achei que seria mero problema tropical : sol demais, calor demais...
    Mas surgiram filmes em que a África mostrou-se bela ( "Out of Africa" / "The Sheltering Sky" / "Oltre la Porta" ) ou mesmo regiões calorentas do sul da Europa, como a das vizinhanças de Melfi, Italia ( "Io Non Ho Paura" ), com deslumbrantes milharais e trigais em vaivém.
    Mas, noves fora, embora não tenha maiores simpatias pelos nórdicos - tirante alguns relevantes nomes de artistas - acho mais bonita a 'Estética dos Verdes', chamemos assim, deles.
    Quanto aos interiores, a discussão fica ainda mais complexa. Cada filme precisa escolher sua cara, sua luz. E essa harmonia de escolha tema/imagem é personalíssima, sujeita a chuvas e trovoadas de toda ordem...O que alguém pode chamar de 'sombrio demais' pode, aos meus olhos, parecer 'perfeitamente dramatizado'. O que outrem pode chamar 'lindo, alegre, de cores luminosas' eu posso chamar de 'apelativo, cartão postal'. E por aí vamos.
    Há um fotógrafo que adoro, William Lubtchansky, de quem costumo dizer, quando a chuva escoa nas janelas, que "as gotas falam..."

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    [Aeternus:360] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2004-04-01)


    - gosto pelo amarelo

    Marcos,
    estamos montando um site novo para o Aeternus e poderei apagar do "listão" as repetições do começo da sua fala ( que você nomeou de "gagueira"...). Tenho ficado apreensiva com o processo porque as inovações são fantásticas com chances de algo parecido com "blogs", mais foruns particulares protegidos por senha, conversas on line...Por ora, confesso-me quase fóbica, temendo estatísticas ( Cyro, o webmaster desta mudança, propõe até lista dos Dez Mais entre textos, comentários, artigos ... Pedi para ele retirar correndinho...)

    Gosto se discute, porque é o que estamos fazendo com todo respeito.
    O poeta alemão Schiller tentou encontrar medidas objetivas para classificarmos o belo. Os críticos e comentaristas impõem as deles, nada objetivas quase sempre. E aqui, nas conversas, podemos dar testemunhos dos nossos prazeres e gostos, partilhá-los com outros, reconhecer contornos de estilos pessoais...
    Recentemente comprei um livro intitulado " Eccentric Style" com gigantescas de obras de arte muito peculiares porque consomem a vida inteira de uma pessoa que não se apresenta como "artista" nem pertence a uma comunidade das artes, nem diversifica além daquilo que é a diversidade intrínseca do que faz. Casas inteiras feitas com conchas, jardins montados com sucata, obras com jeitão de Gaudí ou Miró...
    O livro me estimulou e enervou tanto que fiquei dias para me recuperar.





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    [Aeternus:361] Mensagem do Grupo22
    -guto(2004-04-07)


    - luzes

    Caro Marcos,

    Quanto à iluminação global/televisiva, que realmente é muito linear e nada expressiva, faço uma exceção a um grande trabalho de Walter Avancini (antes de lamentável decadência) em 1.985, "Grande Sertão: Veredas", particularmente a um momento da minissérie, quando os jagunços vão ao encalço de Hermógenes, para vingar a morte de seu líder Joca Ramiro. É quando eles atravessam o "Liso do Suçuarão": uma região árida (claramente mítica), e o diretor abre o diafragma e faz uma luz absurda, claríssima, enervante, como o tempo psicológico da cena e o próprio ambiente. Dava agonia de assistir. Passou exatamente a idéia de uma etapa alquímica a ser vencida (alô, Jungianos?, ou será viagem minha?) antes da Grande Batalha. Achei genial na época. Claro que fui refletindo aos poucos, por anos depois (tinha 16 na época), mas aquilo me marcou, como todo o trabalho.
    Grande abraço
    Guto

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    [Aeternus:362] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-04-08)


    - brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

    Assunto: brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
    Data: 08/04/04 11:27:54 Hora padrão leste da Am. Sul
    De: Afloriao
    Para: Afloriao



    Oi, Guto !
    Bela citação. Há imagens que marcam mesmo, e deixam o que Camus chama "preciosas queimaduras" em nós.
    Há até mesmo filmes dos quais não gostamos tanto, mas onde esta ou aquela cena fixa-se de forma...hum...'jungiana', como você especula. Um destes é "Paisagem na Neblina", do Theo Angelopoulos, campeão de tempos mortos. Lá pelas tantas, dois irmãos - um menino e uma menina, saltam de um trem numa estação erma, dão-se as mãos, e caminham em direção à neblina. O filme é em Cinemascope, e o Theo deixa a câmera fixa tomando-os por detrás, caminhando lentamente em direção ao terrível fog. Eles vão ficando miudinhos, miudinhos, miudinhos...enquanto evaporam-se até desaparecerem.
    Lembro agora da Jansy falando, certa vez, em 'morte gelada', quando discutimos o genial "Women in Love" ( 1969 ), do Ken Russell...o Oliver Reed sai andando na neve, que torna-se macia e espessa. Vai afundando, afundando, afundando...

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    [Aeternus:364] Mensagem do Grupo22
    -guto(2004-04-08)


    - fog(o)

    Marcos,

    Num filme do Zé do Caixão (por que não ?!?!)dizem (não assisti) que ele faz uma representação do inferno como sendo uma geleira. Nada de calor, caldeirões, vozes tonitroantes, modelitos vermelhos e chifres. Simplesmente um sujeito tentando caminhar numa tempestade de neve. Faz sentido. Quanto à menção a Jung, fi-la (ai!)por provocação e brincadeira (não sou psicólogo) e motivado pela lembrança de uma tese de mestrado de uma professora da UnB (que não encontrei na biblioteca e depois desisti de procurar) sobre uma análise Jungiana do Grande Sertão, ou algo parecido.
    Grande abraço e boa Páscoa a todos, seja essa renascimento, fertilidade, chocolate, Paixão de Cristo, Lojas Americanas, solstício, reflexão, etc etc

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    [Aeternus:365] Mensagem do Grupo22
    -Marcos(2004-04-09)


    - O frio também queima

    Bem adequada a figura do nosso Zé a esta altura do campeonato.

    Quanto a Jung, embora tenha formação em Psiquiatria, meu conhecimento dele é periférico, insuficiente. Uma amigona psicóloga com formação psicanalítica usa suas linhas, e homenageei-a num romance que escrevi brincando com fadas, bruxas, putas e arquétipos femininos, aqui e ali nas reflexões e vivências do 'herói'...


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    [Aeternus:513] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2004-05-14)


    - escrevo para ver se o gatinho aparece

    É o novo logotipo que incluí, inspirada no sapo Zen. Aceito críticas e sugestões. O dezenho é meu, mas não se acanhem para criticá-lo.

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    [Aeternus:514] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2004-05-14)


    - para ter a barra de ferramentas

    Para ter acesso a barra de ferramentas, assim como para escrever colorido, com es pa ços  e com expressão será preciso cadastrar-se novamente, com nome/senha/ e então copiar numeros do quadradinho.Só isso. 

    Quem tiver dúvida, consulte na barra esquerda o item "ajuda" com o FAQ ( Frequently Asked Questions, mas não precisa falar inglês ).

    Eu estou enchendo lingüiça para ver se está tudo funcionando, e também curiosa porque o gatinho do logotipo ainda não apareceu na hora de enviar a mensagem. Vamos ver se agora vai.


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    [Aeternus:515] Mensagem do Grupo22
    -Cyro(2004-05-14)


    - Seu gatinho!

    Pronto, podem criticar!!!

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    [Aeternus:516] Mensagem do Grupo22
    -guto(2004-05-14)


    - filé de gato

    Jansy, Gostei do gatinho. Traços simples e expressivos, como entendo a boa arte. Lembrei-me de um artigo sobre o Henfil e seu minimalismo, em contraposição com os traços cheios, carregados, autoexplicativos, tipo bula de remédio, dos cartoons americanos e japoneses, sua riqueza de detalhes chata, cansativa e sem imaginação (ativa e passiva), com super-heróis óbvios em seus modelitos de Lycra, ao gosto de adolescentes plantados na frente da TV com coca-cola e salgados fedorentos (tipo cheetos). Mas discordo veementemente do filé. Há pratos que só podem ser feitos com ele. Não posso conceber um filé ao "poivre vert" sem filé. Ou ao Gorgonzola. De fato, a costela, o rabo, o mocotó e outras carnes têm o sabor mais acentuado, dizem que pela proximidade do osso. Mesmo carnes nobres com mais gordura são bem saborosas. Mas um filezinho... e o que tem a ver a dificuldade do prato ? :-) Beijos culinários.

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    [Aeternus:517] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2004-05-15)


    - filando dos filetes dos filés

    Guto, obrigada pelo enfático encorajamento ao desenho do gato.  Acabei propondo um outro, a partir do mesmo, com mais cores e hesito entre ele e o equilibrista que o Davy enviou,  belíssimo e de profissional. 

    Quanto ao se tomar gato por lebre, é o que mais acontece nos restaurantes de Brasília, principalmente os que oferecem comida italiana. A carne é frita com antecedência para reservar e então, às vezes muito depois, será re-aquecida no micro-ondas quando sobre ela jogam os molhos maravihosos. Estes não ocultam o passado no seu rosado fosco com cara de ao ponto.  Quando é bem feito, como na maioria das churrascarias, ele não se compara à fina fatia de maminha ou aos momentos gordurosos da picanha, da fraldinha e do contra ( quando escrevi este último termo, pensei em mim... por quê será?) . O bom filé é uma carne bem macia e sem nervuras que não compromete o gosto do molho, só isso.  Nos restaurantes chineses nem a usam mais, porque o molho de soja abranda e dá sabor ao coxão-mole cortado de viés: no cardápio nem consta como filé acebolado ( alguém deve te-los processado!) 

    Mas estamos na hora azul, longe do erotismo e da mídia, se isto ainda é possível.  Então vou introduzir um pedacinho das trocas com o Davy com seu desenho do equilibrista, para ver se podemos seguir nesta corda-bamba.

     Escreveu Davy ( passo do privado ao público, espero que ele não se zangue);

     " A corda (no desenho) ficou  pouco visível. Mas é assim mesmo - além de bamba, invisível, e principalmente inefável...
    Foi você que citou Woody Allen? Concordo plenamente. Nunca li os epicuristas, mas acho que a proposta geral deles é válida - nem a busca do prazer (hedonismo) nem a busca do desprazer (estoicismo), mas algo pelo meio - o equilibrista na corda bamba. Um sábio judeu ficou fascinado quando viu (na Europa Central do séc. XVIII) um acrobata equilibrando-se lá em cima. Disse: "É assim que se deve vive" .

    Respondi: " Todo o excesso é hybris, não é? Mas ainda assim, acho muito misterioso o equilíbrio, como o de Chaplin que sempre parece estar caindo. Acho que vou pegar sua dica para discutir isto no site, sobre quedas e equilibrio. Ontem estava comentando algo nesta linha ( bamba) por causa da frase do Cocteau: " A vida é uma queda na horizontal".


    Retornou Davy: " Quando o corpo pende para um lado, a gente se inclina para o outro, e assim sucessivamente.." Camus teria dito melhor? E "cair na horizontal" é uma idéia ao mesmo tempo estranhíssima mas estanhamente familiar. Algo como o esforço por sobreviver de pessoas imaturas, não preparadas para a vida "real" (no filme "As Horas", por exemplo.) É, um belo tema. Tomara que o pessoal o absorva e explore. Beijos. By the way, lembranças ao Peter (que foi tão gentil e eficiente quando precisei dele)

    Agora, suspirando fundo, continuo por aqui.  Quando Cocteau escreveu esta frase surpreendente, sobre  a vida ser uma queda ao longo da horizontalidade da nossa história, no "Ópio", ele se referia talvez também ao estado inebriado dos fumadores estendidos nos divãs orientais precipitando-se do nirvana do fumo a morte do corpo.  Vladimir Nabokov escreveu algo quase parecido em sua conferência sobre " The Art of Literature and Commonsense".

    Falando sobre sua crença irracional na bondade intrínseca do ser humano, Nabokov observou que " posso bem imaginar que meus colegas sonhadores, milhares dos quais andam pela terra, mantém estes mesmos padrões irracionais e divinos nas horas mais escuras e surpreendentes ante o perigo físico, a dor, pó e morte.  E o que, exatamente, significam tais padrões irracionais?  Eles representam a supremacia do detalhe sobre o genérico, da parte que está mais viva do que o todo, da pequena coisa que um homem observa e saúda com um aceno amigável do espírito quando a multidão que o cerca está sendo impelida pelo mesmo impulso comum em direção a um objetivo igualmente comum.  Eu tiro o meu chapéu para o herói que se precipita no interior de uma casa em fogo para salvar o filho do vizinho; mas eu lhe dou um aperto de mão se ele arriscou desperdiçar preciosos segundos para salvar, junto à criança, seu brinquedo preferido.  Lembro-me de um cartum ilustrando a queda de um limpador de chaminés do teto de um edifício bem alto e que nota, no caminho ao solo, que no aviso luminoso preso ao prédio havia uma palavra soletrada errado, e que se pergunta em meio à queda, por que motivo ninguém até ali havia pensado em corrigir o erro.  Num certo sentidoo, todos estamos nos precipitando para a morte do andar mais alto do nosso nascimento às pedras planas do cemitério e nos perguntando, como a imortal Alice no País das Maravilhas, a respeito dos padrões desenhados na parede do tunel.  Esta capacidade de se surpreender com trivialidades - não importando o perido iminente -  estas colaterais do espírito, estas notas de rodapé nos compêndios da vida são as formas mais elevadas de consciência, e é neste estado infantilmente especulativo, tão diferente do senso comum com sua lógica, que descobrimos que o mundo é bom" ...

    Duas quedas. Dois modos de se precipitar rumo ao fim. Fora o belíssimo texto da Laurie Andersen, esta perfomática mística, sobre como ao caminharmos estamos sempre " andando e caindo e nos recuperando para o próximo passo e caindo e andando"...

    O equilíbrio que lhes proponho, e que ganhou uma imagem no homem andando  na corda bamba do desenho oferecido pelo Davy,  é semelhante ao da Laurie Andersen e do Nabokov. Um equilíbrio precário, mas sustentado, longe do senso-comum e do utilitarismo que abafa os gestos inúteis que, ao fim e ao cabo, são as unicas particularidades que nos distinguem, embora anonimamente, do resto da multidão de quem nos aproximam ao mesmo tempo.  O brilho de cada grão de pó... não era esta a lição do Sísifo, introduzido pelo Camus, e o Florião? Empurrando sua pedra Sísifo não se ocupa da utilidade do seu esforço, do peso da rocha que outra vez e mais outra irá  rolar morro a baixo, mas sente prazer com o esforço dos braços e a sensação das pernas, e se deleita com os efeitos do sol na granulação da pedra. " Chaque grain de cette pierre... ça suffit a remplir un coeur d´homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux" ( mal citando, porque não memorizei a frase direito e não tenho o livro agora para copiar...)

    O equilíbrio no desequilíbrio... ver a framboesa no galho ao lado em que estamos pendurados sobre um precipício... não é Zen também?  

    E já vou pedindo desculpas por mais este tombo, que ficou tão compriiiido....


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    [Aeternus:518] Mensagem do Grupo22
    -Eugênia(2004-05-15)


    - perspectiva

    Adorei os desenhos dos monges. Será que a Jansy poderia deixar o equilibrista na Galery também? Talvez um outro aspecto interessante da corda seja sua propriedade de ser bamba, de virar uma mola, impulsionar nessa dinâmica cair/levantar. O Zé Miguel Wisnick tem um poema que termina assim "se meu mundo caiu, eu que aprenda a levitar". O Birman tem um capítulo inteiro partindo da levitação, defendendo que esse exercício é possível, lembrando que há tradições orientais que praticam essa busca. Pode ser que também nas voltas da linha se encontre uma perspectiva, uma possibilidade de encontro - assintótico, paralelo, ideal - com outras linhas, ou com as dobras feitas no bamboleio. Quem sabe, o equilíbrio possível esteja ligado à harmonia entre as linhas em perspectiva...? Gostei do gatinho mas me pareceu um pouco plano demais..., não? Eugênia

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    [Aeternus:519] Mensagem do Grupo22
    -Marcos Florião(2004-05-15)


    - equilíbrio e levitação

    Jansy pede desculpas por transcender...onde já se viu ?
    Cheguei a levitar, a parar a respiração. Caramba...o dueto com as vinhetas do Davy...
    Alice no país das maravilhas, caindo no seu poço na horizontal, comme dit, apreciando sua estrutura como recomenda Carroll ( "o poço devia ser muito profundo ou a queda foi muito lenta, que Alice pôde ver, perfeitamente, o que se passava à sua volta" ).

    Eu quis deixar que a madrugada assentasse para responder essas ternas vinhetas que você, Jansy, tem escrito sobre você mesma e sobre atores/atrizes.
    Acho fascinante acompanhar, nos que admiro e/ou amo, a maneira com que cuidam de si mesmos e de suas carcaças.
    Desde meus 35 anos, por ali, eu já começava a contabilizar as perdas inexoráveis de aparência/desempenho do corpo, tentando contentar-me com elas, contornando o possível sem recorrer a essa crucificação pós-moderna de cirurgias exageradas, produtos no limite do risco ou estourando-o, até a negação do óbvio - que nossos hormônios, que todo nosso ritmo biológico vai mudando ao longo dos anos. Usava e uso "já estou muito velho para isto" desde ali !...
    O que acho mais curioso é que ao mesmo tempo em que poderia fazer até um relatório de minhas mazelas, posso ter igualmente falshes absurdamente joviais.

    Uma obra de Arte instigante me remete à um entusiasmo juvenil, uma mulher provocante me faz esquecer do que se passa. Lembro agora -artimanhas da mente...- de um dançarino sessentão e famosíssimo para os do ramo, que apresentou-se no Municipal há alguns anos. Ele chegou ao Rio contundido, e foi praticamente obrigado pelos fãs a apresentar-se do jeito que desse. Entrou no palco de joelheira só numa perna, com uma malha preta colante, descalço, deixando os ombros de fora, sob uma ovação incrível. Fazia gestos minimalistas com os braços e mais palmas. Um amigo meu, convencido pela mulher a ir ao espetáculo, saiu revoltado. Pô ! qualquer coisa que o carinha fazia o pessoal delirava...não dá !...- e cada vez eu ria mais dele esbravejando. ( em corridas de cavalos diz-se que um jóquei ou animal velho 'correu na classe' ).


    Quando me sinto muito feliz gosto de ouvir uma música de uma peça que fez sucesso na Broadway, chamada "On the Twentieth Century". Um realizador (roteirista teatral ) que vem fracassando tenta contratar uma atriz famosa, que viaja num trem indo para NY. Após convencê-la, é informado de que uma milionária ligada às Artes também viaja no trem, e facilmente consegue o financiamento. Logo a seguir, surge a bomba : she's a nut ! she's a nut ! she escaped from a mental institution ! - que, claro, ele recusa-se a crer.

    A música que escuto e canto, geralmente me exercitando, é "I Rise Again". Tem uma letra jocosa, usa sling-shot, musketeering men. Ao final diz :

    From the false reports of my demise
    Like the Phoenix right before their eyes
    With my back up against the wall...
    I rise again ! I rise again !


    Lembrei do Robert de Niro em "Era uma Vez na America", baforando ópio na horizontal - claro - nos planos finais do filme, até o still em que sorri para nós...

    ( embora saiba que a Jansy não é chegada ) E para voltar à realidade, que tal um contra-filé suculento, macio, ou um filé à Parmegiana, com tempero milanesa de primeira, muzzarella salpicada em farelos sobre, e abundante molho de tomate encorpado e aromatizado desde a véspera em calabresa ?


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    [Aeternus:520] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2004-05-15)


    - filetes de realidade

    Florião me deixou na dúvida sobre ao que ele se referia escrevendo " embora saiba que a Jansy não é chegada" entre parentesis, antes de falar da realidade e dos filés. 

    Sem discordar da proposta do Nabokov quando opina que " a realidade é uma coisa muito subjetiva"  ( tudo que pertence ao campo do imaginário é assim mesmo... ), me permitirei brincar ante cada "chegadinha" de nova "pegadinha", como espero que todos igualmente se sintam livres para faze-lo.

    Eugênia, o gato chato é produto não apenas da minha inabilidade desenhística, como também pela minha preferência ao que se representa sem perspectiva das profundezas, como as obras de Matisse, Miró e Paul Klee. Há toda uma teoria psicanalítica iniciada por Donald Meltzer sobre os níveis de apreensão do mundo, na escala que evolui do menor ao maior grau de amadurecimento sobre a bi- e a tri-dimensionalidade. Prefiro supor, tão pouco afeita que sou à realidade, que o planíssimo desenho de Marcel Duchamp sobre dois vidros ( que se quebraram na mudança do seu atelier paara um museu) revele algo sobre a quarta dimensão dos casamentos solitários...  

    É uma boa idéia colocar na " Gallery" as ilustrações do que estamos comentando: o equilibrista do Davy, o momento da Hora Azul no Magritte, os vidros do desconstruido Duchamp...  Talvez consiga tudo isto no domingo à noite, está bem?

    Levitação... e ontem eu estava quase preferindo comer sopa de urtigas ao filé que me serviram, como a empregada do filme " Teorema"  que flutua acima da igrejinha, recém mencionado pelo Florião quando tratou do retorno ao primitivo do Maximo Girotti correndo nú pelas cinzas da industrialização.

    As imagens que não vemos, mas que estão na memória, serão menos infiéis do que as palavras que não ouvimos?

     


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    [Aeternus:521] Mensagem do Grupo22
    -Marcos Florião(2004-05-15)


    - filés levitantes e perdas relevantes

    Disse que você não 'era chegada' pois lembro que os 'à milanesa', que considero uma das maravilhas do mundo, não entram no teu rol preferido. A que levitava em "Teorema" era a Laura Betti, uma baixinha bem feiosa, quadrada de crânio e corpo. Em Hollywood ela só trabalharia em comédias pastelão. Talvez com Eddie Murphy, Steve Martin ( sem desdém : eles tem alguns bons momentos em sua obra ). A rejeição do Girotti em "Teorema" é ampla, total e irrestrita. Volta ao pó para o recomeço, assim o leio, e por isso chamei-o de nuovo-Brucutu-transcendentalis. Em associação livre penso agora em Truffaut, que detestava esse avanço galopante-agora-supersônico da Mídia/Progresso. Dizia ter ojeriza do telefone, da TV...Personificou o amor como talvez ninguém o tenha feito no Cinema - considerando-se o todo de uma obra - e deixou-nos aos 52 anos de vida vítima de um câncer no cérebro. Incrível.

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    [Aeternus:522] Mensagem do Grupo22
    -Eugênia(2004-05-15)


    - perspectiva e profundidade

    Sim, vendo o gato na perspectiva de Klee e Miró ele fica bem pertinente. Mas justamente, plano não quer dizer chato de jeito nenhum! Nem profundidade é sinônimo de perspectiva... Lembrei de uma versão para o cinema de "Ulisses", em um jogo em que ele deveria demonstrar ser ele mesmo, quando retorna a Ítaca após a tal viagem. O jogo consiste em uma série de argolas - umas doze, acho - que deviam ser atravessadas de uma flechada só. E só ele conseguia ter esse golpe de vista. Michel Carrouge, em "Les machines celibataires" constrói uma relação entre Duchamp e Kafka a partir das imagens que as obras de Kafka suscitam e que ele acha que coincidem com as construções de Duchamp. Será que a perspectiva corresponde às repetições e a profundidade se forma quando a gente consegue dar a volta de volta? O giro da pulsão? Vou procurar o Meltzer. Eugênia Eugênia

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    [Aeternus:523] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2004-05-15)


    - urtiga dá coceira nos dedos

    ...não é coceira em dedos digitantes, redundamente enganados ao rolar do concreto à metáfora digital, mas tem gozo nisso e bem material.

    Florião, especialista em bufês requintados ( não esqueço do seu suflê Marcel ), nunca fiz bife à milanesa com filé. Uso carne de segunda que dá pra bater bem e cortar fininha ao driblar nervinhos. Os da minha infancia pareciam um bife arrepiado, como eu ficava eriçada e nervosa ao experimentá-los.  Hoje faço melhorzinho, mas ainda sem filé. Passando na farinha de rosca fresca, depois no ovo e finalmente mais uma vez na farinha antes de fritar.

    Sinto falta do Gallego agora para reclamar que estamos "variando" na salada verbal.   É que uma coisa puxa a outra... e lá vai pedra.

    Explico.  Florião falava da ojeriza do Truffaut que chegava às raias de evitar o telefone e ando sentindo algo semelhante com tanta digitação. Tudo é no dedo e em tudo vai botão para acionar centros que não são nervosos.   O mundo dos velhos ( senador, senescente, senil tem a mesma origem na raiz dos sessenta anos, sábios ou perdidos ) não é digital.

    Havia um tipo de computador cujo funcionamento não partia do que mora entre o zero e o um,  no  barrado sem código do preto no branco.  Chamava-se, se não me falha a memó...ria,  computador rede-neural e que aprendia  sozinho e imprecisamente porque construído segundo o modelo do nosso sistema nervoso.  Um objeto não era abstraído, mas o fruto do conjunto de todas as suas apresentações de frente ou perfil.  Velho não tem a mesma forma de atenção do jovem, puntiformes que eles são até no gozo sexual. Eles viajam na imprecisão que Freud, magistralmente ainda assim, elaborou ao discutir seu lapso sobre o pintor "Signorelli" porque a ele acorriam "Boticelli" e "Herr" ( Senhor, Signor ) em vez do nome desejado.

    Menos sofisticada, fui auxiliada quando quis dar o nome a quem meu marido considerou como " um nordestino americano, um cearense estrangeiro que não era o Bill Murray". Eu deslizei do "Seven" e da "Beleza Americana" até  o "Esqueceram de Mim" antes de exclamar, impaciente: " eu sei que a Sissy Spacek é mulher", antes  que um jovem resolvesse a charada: " ah, você quer dizer  Kevin Spacey? " . Isso mesmo, sim signorelli.  A atenção do velho é difusa e abraça a fuga de idéias não tão fugitiva assim.

    Será que meu horror às senhas e aos botõezinhos que só criança sabe apertar, é um mal senil ou apenas senhorial?

    Será que enxotarei do site os prestimosos jovens, como o Guto e outros mais, com estas divagações?


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    [Aeternus:4483] Mensagem do Grupo22
    -Conde Drácula(2005-09-14)


    - A HORA AZUL na hora azul: “filando dos filetes o filé” (Jansy) e “equilíbrio e levitação” (Marcos)

    É de matar de lindo!!!!!!!!!!! 

    Como diz um amigo meu, "pegou no nervo"...

    Auch!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Tô procurando meu queixo, ele caiu e rolou pra algum lugar debaixo da escrivaninha...

    Rendição, espanto, reconhecimento, re-conhecimento, orgasmo, desentendimento... tudo isso...

    Que maravilha!

    Sintonia e encantamento...

    Tô de joelhos...

    Quando a esperança desaparece as pessoas até que gozam, mas desconhecem o prazer, transformando-se em gozadores... e o ressentimento requentado pelos amores malpassados torna os amantes, predadores...

    "I rise again! I rise again"

    D. 

    D. 

    “filando dos filetes o filé” - Jansy

    Guto, obrigada pelo enfático encorajamento ao desenho do gato. Acabei propondo um outro, a partir do mesmo, com mais cores e hesito entre ele e o equilibrista que o Davy enviou, belíssimo e de profissional.

    Quanto ao se tomar gato por lebre, é o que mais acontece nos restaurantes de Brasília, principalmente os que oferecem comida italiana. A carne é frita com antecedência para reservar e então, às vezes muito depois, será re-aquecida no micro-ondas quando sobre ela jogam os molhos maravihosos. Estes não ocultam o passado no seu rosado fosco com cara de ao ponto. Quando é bem feito, como na maioria das churrascarias, ele não se compara à fina fatia de maminha ou aos momentos gordurosos da picanha, da fraldinha e do contra ( quando escrevi este último termo, pensei em mim... por quê será?) . O bom filé é uma carne bem macia e sem nervuras que não compromete o gosto do molho, só isso. Nos restaurantes chineses nem a usam mais, porque o molho de soja abranda e dá sabor ao coxão-mole cortado de viés: no cardápio nem consta como filé acebolado ( alguém deve te-los processado!)

    Mas estamos na hora azul, longe do erotismo e da mídia, se isto ainda é possível. Então vou introduzir um pedacinho das trocas com o Davy com seu desenho do equilibrista, para ver se podemos seguir nesta corda-bamba.

    Escreveu Davy ( passo do privado ao público, espero que ele não se zangue);

    " A corda (no desenho) ficou pouco visível. Mas é assim mesmo - além de bamba, invisível, e principalmente inefável...
    Foi você que citou Woody Allen? Concordo plenamente. Nunca li os epicuristas, mas acho que a proposta geral deles é válida - nem a busca do prazer (hedonismo) nem a busca do desprazer (estoicismo), mas algo pelo meio - o equilibrista na corda bamba. Um sábio judeu ficou fascinado quando viu (na Europa Central do séc. XVIII) um acrobata equilibrando-se lá em cima. Disse: "É assim que se deve vive" .

    Respondi: " Todo o excesso é hybris, não é? Mas ainda assim, acho muito misterioso o equilíbrio, como o de Chaplin que sempre parece estar caindo. Acho que vou pegar sua dica para discutir isto no site, sobre quedas e equilibrio. Ontem estava comentando algo nesta linha ( bamba) por causa da frase do Cocteau: " A vida é uma queda na horizontal".


    Retornou Davy: " Quando o corpo pende para um lado, a gente se inclina para o outro, e assim sucessivamente.." Camus teria dito melhor? E "cair na horizontal" é uma idéia ao mesmo tempo estranhíssima mas estanhamente familiar. Algo como o esforço por sobreviver de pessoas imaturas, não preparadas para a vida "real" (no filme "As Horas", por exemplo.) É, um belo tema. Tomara que o pessoal o absorva e explore. Beijos. By the way, lembranças ao Peter (que foi tão gentil e eficiente quando precisei dele)

    " Quando o corpo pende para um lado, a gente se inclina para o outro, e assim sucessivamente.." Camus teria dito melhor? E "cair na horizontal" é uma idéia ao mesmo tempo estranhíssima mas estanhamente familiar. Algo como o esforço por sobreviver de pessoas imaturas, não preparadas para a vida "real" (no filme "As Horas", por exemplo.) É, um belo tema. Tomara que o pessoal o absorva e explore. Beijos. By the way, lembranças ao Peter (que foi tão gentil e eficiente quando precisei dele)

    Agora, suspirando fundo, continuo por aqui. Quando Cocteau escreveu esta frase surpreendente, sobre a vida ser uma queda ao longo da horizontalidade da nossa história, no "Ópio", ele se referia talvez também ao estado inebriado dos fumadores estendidos nos divãs orientais precipitando-se do nirvana do fumo a morte do corpo. Vladimir Nabokov escreveu algo quase parecido em sua conferência sobre " The Art of Literature and Commonsense".

    Falando sobre sua crença irracional na bondade intrínseca do ser humano, Nabokov observou que " posso bem imaginar que meus colegas sonhadores, milhares dos quais andam pela terra, mantém estes mesmos padrões irracionais e divinos nas horas mais escuras e surpreendentes ante o perigo físico, a dor, pó e morte. E o que, exatamente, significam tais padrões irracionais? Eles representam a supremacia do detalhe sobre o genérico, da parte que está mais viva do que o todo, da pequena coisa que um homem observa e saúda com um aceno amigável do espírito quando a multidão que o cerca está sendo impelida pelo mesmo impulso comum em direção a um objetivo igualmente comum. Eu tiro o meu chapéu para o herói que se precipita no interior de uma casa em fogo para salvar o filho do vizinho; mas eu lhe dou um aperto de mão se ele arriscou desperdiçar preciosos segundos para salvar, junto à criança, seu brinquedo preferido. Lembro-me de um cartum ilustrando a queda de um limpador de chaminés do teto de um edifício bem alto e que nota, no caminho ao solo, que no aviso luminoso preso ao prédio havia uma palavra soletrada errado, e que se pergunta em meio à queda, por que motivo ninguém até ali havia pensado em corrigir o erro. Num certo sentidoo, todos estamos nos precipitando para a morte do andar mais alto do nosso nascimento às pedras planas do cemitério e nos perguntando, como a imortal Alice no País das Maravilhas, a respeito dos padrões desenhados na parede do tunel. Esta capacidade de se surpreender com trivialidades - não importando o perido iminente - estas colaterais do espírito, estas notas de rodapé nos compêndios da vida são as formas mais elevadas de consciência, e é neste estado infantilmente especulativo, tão diferente do senso comum com sua lógica, que descobrimos que o mundo é bom" ...

    posso bem imaginar que meus colegas sonhadores, milhares dos quais andam pela terra, mantém estes mesmos padrões irracionais e divinos nas horas mais escuras e surpreendentes ante o perigo físico, a dor, pó e morte. E o que, exatamente, significam tais padrões irracionais? Eles representam a supremacia do detalhe sobre o genérico, da parte que está mais viva do que o todo, da pequena coisa que um homem observa e saúda com um aceno amigável do espírito quando a multidão que o cerca está sendo impelida pelo mesmo impulso comum em direção a um objetivo igualmente comum. Eu tiro o meu chapéu para o herói que se precipita no interior de uma casa em fogo para salvar o filho do vizinho; mas eu lhe dou um aperto de mão se ele arriscou desperdiçar preciosos segundos para salvar, junto à criança, seu brinquedo preferido. Lembro-me de um cartum ilustrando a queda de um limpador de chaminés do teto de um edifício bem alto e que nota, no caminho ao solo, que no aviso luminoso preso ao prédio havia uma palavra soletrada errado, e que se pergunta em meio à queda, por que motivo ninguém até ali havia pensado em corrigir o erro. Num certo sentidoo, todos estamos nos precipitando para a morte do andar mais alto do nosso nascimento às pedras planas do cemitério e nos perguntando, como a imortal Alice no País das Maravilhas, a respeito dos padrões desenhados na parede do tunel. Esta capacidade de se surpreender com trivialidades - não importando o perido iminente - estas colaterais do espírito, estas notas de rodapé nos compêndios da vida são as formas mais elevadas de consciência, e é neste estado infantilmente especulativo, tão diferente do senso comum com sua lógica, que descobrimos que o mundo é bom" ...

    Duas quedas. Dois modos de se precipitar rumo ao fim. Fora o belíssimo texto da Laurie Andersen, esta perfomática mística, sobre como ao caminharmos estamos sempre " andando e caindo e nos recuperando para o próximo passo e caindo e andando"...

    O equilíbrio que lhes proponho, e que ganhou uma imagem no homem andando na corda bamba do desenho oferecido pelo Davy, é semelhante ao da Laurie Andersen e do Nabokov. Um equilíbrio precário, mas sustentado, longe do senso-comum e do utilitarismo que abafa os gestos inúteis que, ao fim e ao cabo, são as unicas particularidades que nos distinguem, embora anonimamente, do resto da multidão de quem nos aproximam ao mesmo tempo. O brilho de cada grão de pó... não era esta a lição do Sísifo, introduzido pelo Camus, e o Florião? Empurrando sua pedra Sísifo não se ocupa da utilidade do seu esforço, do peso da rocha que outra vez e mais outra irá rolar morro a baixo, mas sente prazer com o esforço dos braços e a sensação das pernas, e se deleita com os efeitos do sol na granulação da pedra. " Chaque grain de cette pierre... ça suffit a remplir un coeur d´homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux" ( mal citando, porque não memorizei a frase direito e não tenho o livro agora para copiar...)

    O equilíbrio no desequilíbrio... ver a framboesa no galho ao lado em que estamos pendurados sobre um precipício... não é Zen também?

    E já vou pedindo desculpas por mais este tombo, que ficou tão compriiiido....

    “equilíbrio e levitação” - Marcos Florião

    Jansy pede desculpas por transcender...onde já se viu ?
    Cheguei a levitar, a parar a respiração. Caramba...o dueto com as vinhetas do Davy...
    Alice no país das maravilhas, caindo no seu poço na horizontal, comme dit, apreciando sua estrutura como recomenda Carroll ( "o poço devia ser muito profundo ou a queda foi muito lenta, que Alice pôde ver, perfeitamente, o que se passava à sua volta" ).

    Eu quis deixar que a madrugada assentasse para responder essas ternas vinhetas que você, Jansy, tem escrito sobre você mesma e sobre atores/atrizes.
    Acho fascinante acompanhar, nos que admiro e/ou amo, a maneira com que cuidam de si mesmos e de suas carcaças.
    Desde meus 35 anos, por ali, eu já começava a contabilizar as perdas inexoráveis de aparência/desempenho do corpo, tentando contentar-me com elas, contornando o possível sem recorrer a essa crucificação pós-moderna de cirurgias exageradas, produtos no limite do risco ou estourando-o, até a negação do óbvio - que nossos hormônios, que todo nosso ritmo biológico vai mudando ao longo dos anos. Usava e uso "já estou muito velho para isto" desde ali !...
    O que acho mais curioso é que ao mesmo tempo em que poderia fazer até um relatório de minhas mazelas, posso ter igualmente falshes absurdamente joviais.

    Uma obra de Arte instigante me remete à um entusiasmo juvenil, uma mulher provocante me faz esquecer do que se passa. Lembro agora -artimanhas da mente...- de um dançarino sessentão e famosíssimo para os do ramo, que apresentou-se no Municipal há alguns anos. Ele chegou ao Rio contundido, e foi praticamente obrigado pelos fãs a apresentar-se do jeito que desse. Entrou no palco de joelheira só numa perna, com uma malha preta colante, descalço, deixando os ombros de fora, sob uma ovação incrível. Fazia gestos minimalistas com os braços e mais palmas. Um amigo meu, convencido pela mulher a ir ao espetáculo, saiu revoltado. Pô ! qualquer coisa que o carinha fazia o pessoal delirava...não dá !...- e cada vez eu ria mais dele esbravejando. ( em corridas de cavalos diz-se que um jóquei ou animal velho 'correu na classe' ).


    Quando me sinto muito feliz gosto de ouvir uma música de uma peça que fez sucesso na Broadway, chamada "On the Twentieth Century". Um realizador (roteirista teatral ) que vem fracassando tenta contratar uma atriz famosa, que viaja num trem indo para NY. Após convencê-la, é informado de que uma milionária ligada às Artes também viaja no trem, e facilmente consegue o financiamento. Logo a seguir, surge a bomba : she's a nut ! she's a nut ! she escaped from a mental institution ! - que, claro, ele recusa-se a crer.

    A música que escuto e canto, geralmente me exercitando, é "I Rise Again". Tem uma letra jocosa, usa sling-shot, musketeering men. Ao final diz :

    From the false reports of my demise
    Like the Phoenix right before their eyes
    With my back up against the wall...
    I rise again ! I rise again !


    Lembrei do Robert de Niro em "Era uma Vez na America", baforando ópio na horizontal - claro - nos planos finais do filme, até o still em que sorri para nós...

    ( embora saiba que a Jansy não é chegada ) E para voltar à realidade, que tal um contra-filé suculento, macio, ou um filé à Parmegiana, com tempero milanesa de primeira, muzzarella salpicada em farelos sobre, e abundante molho de tomate encorpado e aromatizado desde a véspera em calabresa ?



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    [Aeternus:4496] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2005-09-14)


    - RE:A HORA AZUL na hora azul: “filando dos filetes o filé” (Jansy) e “equilíbrio e levitação” (Marcos)

    Quando a esperança desaparece as pessoas até que gozam, mas desconhecem o prazer, transformando-se em gozadores... e o ressentimento requentado pelos amores malpassados torna os amantes, predadores...

    "I rise again! I rise again".

    Valeu, Conde Drácula. Sua sentença tem cadência. Podia ser um trecho de T.S.Eliot.


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    [Aeternus:4644] Mensagem do Grupo22
    -Conde Drácula(2005-09-27)


    - "A vida é uma queda na horizontal"

    3:20 da matina. Barzinho ajeitado com mesa na calçada. Sexta pra sábado. Na mesa, uma matilha reunida. (Matilha: s. f, grupo de cães de caça; fig., súcia; corja; malta; agrupamento de gente vadia e maledicente). Um amigo chega com uma amiga de Ribeirão. Ela senta ao meu lado. Boa de papo, bem humorada (salve!) e bem louca. Engatamos uma puta conversa. Junkie assumida e - é isso mesmo! - à muitos anos professora de yôga na sua cidade. Depois de um tempo de conversa e ela de vários uísques:

    Eu - E aí? Qual droga você usa...?

    Ela - Só as que me dão!

    Ganhei a noite.

    Bêjo,

    D.


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    [Aeternus:4917] Mensagem do Grupo22
    -BENEDICTO(2005-10-15)


    - A HORA AZUL

    ADOREI O TRABALHO. PARABENS. BENEDICTO.

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    [Aeternus:4918] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2005-10-15)


    - RE:A HORA AZUL

    Também lhe agradeço, Benedicto, porque me fez voltar a ler o que havia ficado pra trás na "Hora Azul": um momento de equilíbrio na corda bamba e de aceitação da luta inconsciente e incessante contra o empuxo da gravitação que, não sei como, é parente do esquecimento.

    O psicanalista britanico, Bion, misturava humor à visão apocalíptica que tinha da vida humana ( para ele, quase um experimento fracassado...).
    Certa vez ele discorreu longamente sobre a evolução que permitiu que o Homem caminhasse erecto sobre dois pés desafiando a tendência natural e, comno quem não quer nada acrescentou: e, depois de tanta ousadia, a gente ainda espera ser feliz!

    Ele jogava alternando perspectivas diminutas e gigantescas para quebrar nossa prisão à "escala" com a qual estamos acostumados. Quando ele era pequeno colocou como remetente numa carta:
    W.R.Bion,
    00, rua De Tal
    Centro,
    Londres
    Inglaterra,
    Europa
    Terra.


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    [Aeternus:4919] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello (2005-10-15)


    - RE:RE:A HORA AZUL, PS

    O resto, que esqueci de incluir, dependia de um diálogo com um coleguinha que estranhou a referência à Terra.  Comentou, de viés: " Earth, Solar System...Of course! So I put that in, too". 

    Seu uso do termo "cesura" era desconcertante.
    Ele acreditava que havia eventos com um padrão partilhado e reconhecível desde que superássemos a ilusão da "cesura" ( corte ) temporal. O processo mental que Freud identificou como "o recalcado" ( em tres etapas: trauma/recalque/retorno do recalcado) , teria ocorrido históricamente e um dos exemplos era o de um enterro em Ur, na Caldéia, quando rainha, cortezãs e os súditos principais do rei morto - há dez mil anos -  tomaram um alucinógeno e se deixaram enterrar com ele. 
    O cemitério, ao longo dos séculos, foi sacralizado, transformado em depósito de lixo e, finalmente, saqueado por ladrões de tumbas ( que Bion considerou como"os primeiros cientistas que ousaram enfrentar os tabus irracionais"). No fim, todo material de Ur foi resgatado e exposto no Museu Britanico. 
    Não sei se Bion pretendia dizer que os psicanalistas que descrevem casos clínicos estariam acrescentando peças arqueológicas a algum museu planetário.
    Acho que vou morrer sem entender Bion muito bem.


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    [Aeternus:4920] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2005-10-15)


    - Virus...não abram mensagem que tenha meu nome e...

    que afirme que mandei um cartão. Acabo de receber um destes e vi que é problema pela frente.


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    [Aeternus:5871] Mensagem do Grupo22
    -Conde Drácula(2006-01-13)


    - Boletim FOTOSITE 12/01/2006

    PORTFÓLIO
    Um dos ícones da cena fashion nos anos 70, o fotógrafo Antonio Guerreiro andou revisitando seu arquivo de cerca de 500 mil imagens e selecionou alguns de seus nus femininos para compor a mostra Women Without Faces, atualmente em cartaz na Galeria Zoom, em Paraty. Veja algumas imagens na seção Portfólio

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    [Aeternus:8226] Mensagem do Grupo22
    -jansy mello(2006-10-29)


    - as estrelas da minha geração...



                                                          Brigitte Bardot 71

    Stella Stevens 68

    Sophia Loren 71

    Gina Lollobrigida 78

    Deborah Kerr 94

    Lena Horne 88

    Kay Starr 83

    Patti Page 78

    Annette Funicello 63

    Barbara Eden 71

    Angie Dickenson 74

    Doris Day 81

    Joan Collins 72

    Julie Christie 64

    Leslie Caron 74

    Carroll Baker 74

    Ann-Margret 64

    Debra Padget 72

    Julie Andrews 70

    Ursula Andress 69

    Rita Moreno 74

    Jean Simmons 76

    Julie Newmar 72

    Kim Novak 72

    Jane Powell 76

    Debbie Reynolds 73

    Shirley Temple 77

    Jane Russell 84

    Kathryn Grayson 83

    Esther Williams 82

    Elke Sommer 65

    Gale Storm 83

    Jill St. John 65

    Liz Taylor 73

    Mamie Van Doren 74



    Escreveram: UNBELIEVABLE!!  HOW IN THE WORLD DID THEY GET OLD AND WE DIDN'T ?


    Escreveram:
    UNBELIEVABLE!!  HOW IN THE WORLD DID THEY GET OLD AND WE DIDN'T ?

    Pois é...


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    [Aeternus:8622] Mensagem do Grupo22
    -Cássio(2007-05-05)


    - Picasso e seu filho ( Robert Capa)

    A foto diz alguma coisa?!??


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    [Aeternus:8623] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2007-05-05)


    - RE:Picasso e seu filho ( Robert Capa)

    Tenho uma bela foto do Roberto Capa com Picasso, ele segura um guarda sol na praia para sua esposa sorridente que caminha na frente, com vento nas longas roupas e um largo sorriso. Esta do velho careteiro segurando um menino feliz no colo não me comove tanto. Picasso parece aquelas terríveis esculturas feitas com cadaveres que andaram fazendo excursão pelo mundo, um projeto horripilante a meu ver. Rosto sem ternura, mas a criança me desmente porque está muito à vontade no colo do pai e se contorcendo de rir e cócegas, mirando a linda mãe ausente na foto...

    E você, o que vê e por qual motivo deu destaque a esta cena? 


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    [Aeternus:8624] Mensagem do Grupo22
    -Cássio(2007-05-06)


    - RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

    Picasso levanta o filho com concentração, não está relaxado e descontraído.  Acho que sabe que é Picasso, não um pai. Talvez isso tenha te desagradado. O menino solta sua fantasia de guerra ao sol & espuma, confiante, nem aí para a fotografia.


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    [Aeternus:8626] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2007-05-07)


    - RE:RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

    Também vejo na foto uma tentativa algo incômoda de estabelecer contato com o outro lado de um abismo. O acúmulo de experiências intensas e sem retorno de alguém com experiência demais a afastá-lo de uma natureza agora posta em xeque: de um lado como perspectiva de fim anunciado pelo avanço da idade, e, de outro o da natureza quase essencial de uma criança. Extremos que não se tocam (?), pelo menos neste caso...

    Digo aqui "neste caso", porque assisti a ‘Fonte da Vida’, em que Rachel Weisz, à beira da morte, tenta convencer o marido, feito pelo Hugh "Wolverine" Jackman, de que a morte não é o "fim do mundo". Credo, como estou diminuindo o filme, ele bem mais do que isso, mas não sei se dá pra recomendar, porque é um tanto bizarro. Mas se quiserem arriscar...

    De qualquer forma, vida e morte, nesse filme, passam a ser extremos-que-se-tocam porque há uma inversão de ponto de vista, algo bem parecido com o que tento passar quando digo que o Existencialismo viraria outra coisa se substituísse a aceitação da morte pela aceitação do mistério (da vida que continua para além do Eu) como condição iluminadora.

    Enfim: o universo é vivo. E isso me lembra uma tia minha que, há uns 20 anos, me disse: o universo é o corpo de Deus. Bacana, ela. Morreu há uns 10 anos...


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    [Aeternus:8627] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2007-05-07)


    - RE:RE:RE:RE:Picasso e seu filho (Robert Capa)

    Interessante a passagem da foto para o filme com a Rachel Weisz, existencialismo e frase sábia da sua avó, do "universo como corpo de Deus", Omar. 

    Duns Scotus e os neoplatonicos mantinham uma idéia semelhante a intuida pela sua tia. De que o mundo, a criação, resulta de fragmentos da glória divina e que, sendo quem somos da forma mais verdadeira possível, existiremos de modo tal que retornaremos essa glória à fonte original. Não li estes filósofos, mas é o que aprendi lendo os poemas de Gerad Manley Hopkins, um jesuíta erudito e poeta excepcional. 

    Vejo uma brecha grande entre Picasso e o filho, velhice e uma vida que se inicia... Como você e o Cassio vem discutindo. Não há uma "relação" entre pai e filho flagrada na foto, mais o impulso pra frente da criança e um velho careteiro segurando o menino como quem dá apoio pro vôo, mas segura também...


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    [Aeternus:8658] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2007-06-22)


    - Women

    http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs+

     

    Muito bom!!

    E me faz pensar no poder que as mulheres te^m de mudar. Mulher e´ BICHO CAMALEONICO.

    Quantas faces esconde uma mulher?!??

    A humanidade toda cabe dentro de uma mulher...

    E ainda temos a musica de Bach, essas suites pra violoncelo sao sublimes!!

    Bom final de semana!


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    [Aeternus:8688] Mensagem do Grupo22
    -Cássio(2007-08-18)


    - Women II: estrelas sobrepostas

     
    Mary Pickford, Lillian Gish, Gloria Swanson, Marlene Dietrich, Norma Shearer, Ruth Chatterton, Jean Harlow, Katharine Hepburn, Carole Lombard, Bette Davis, Greta Garbo, Barbara Stanwyck, Vivien Leigh, Greer Garson, Hedy Lamarr, Rita Hayworth, Gene Tierney, Olivia de Havilland, Ingrid Bergman, Joan Crawford, Ginger Rogers, Loretta Young, Deborah Kerr, Judy Garland, Anne Baxter, Lauren Bacall, Susan Hayward, Ava Gardner, Marilyn Monroe, Grace Kelly, Lana Turner, Elizabeth Taylor, Kim Novak, Audrey Hepburn, Dorothy Dandridge, Shirley MacLaine, Natalie Wood, Rita Moreno, Janet Leigh, Brigitte Bardot, Sophia Loren, Ann Margret, Julie Andrews, Raquel Welch, Tuesday Weld, Jane Fonda, Julie Christie, Faye Dunaway, Catherine Deneuve, Jacqueline Bisset, Candice Bergen, Isabella Rossellini, Diane Keaton, Goldie Hawn, Meryl Streep, Susan Sarandon, Jessica Lange, Michelle Pfeiffer, Sigourney Weaver, Kathleen Turner, Holly Hunter, Jodie Foster, Angela Bassett, Demi Moore, Sharon Stone, Meg Ryan, Julia Roberts, Salma Hayek, Sandra Bullock, Julianne Moore, Diane Lane, Nicole Kidman, Catherine Zeta-Jones, Angelina Jolie, Charlize Theron, Reese Witherspoon, Halle Berry

    Music: Bach's Prelude from Suite for Solo Cello No. 1 in G Major, BWV 1007 performed by Yoyo Ma

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    [Aeternus:8811] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2007-10-15)


    - Paulo Autran

    O Paulo foi aonde todos os eus deveremos ir, so es war (mas num empurra não!!). Na foto de 1ª página de uma revista, outro dia, apareceu uma véia de 107 anos, acendendo um pito (um caximbim), saúde púbica é coisa séria. O Mistério da Saúde adverte: Viver faz mal a saúde!
    Longa e leve vida a todos nós, ainda que à tardinha...
     

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    [Aeternus:8828] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2007-10-22)


    - Kinaci

    As 1ªs imagens que vi foram estas http://aqua-snezhok.livejournal.com/2593523.html ... depois encontrei esta galeria http://erdalkinaci.deviantart.com/gallery/

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    [Aeternus:8836] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2007-10-23)


    - Adriana Lestido

    www.adrianalestido.com.ar  (olhem o ensaio Madres y Hijas).
     
    Chega a assustar... coisa mais linda... Incrível como são totalmente fortes & delicadas ao mesmo tempo.

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    [Aeternus:8945] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2008-02-11)


    - WP 2008

     
    A fotografia do ano é do fotógrafo Tim Hetherington pra Vanity Fair.
     
     
     

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    [Aeternus:9070] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2008-03-15)


    - Fiat lux

    De repente, não mais que de repente, a luz se fez. Era o flash da máquina fotográfica do Sebastião Salgado.

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    [Aeternus:9535] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2008-05-22)


    - "In Memory of Sigmund Freud" (novembro de 1939)

    for one who'd lived among enemies so long:
    if often he was wrong and, at times, absurd,
    to us he is no more a person
    now but a whole climate of opinion

    W.H. Auden
     

    daquele que viveu por tanto tempo entre inimigos:
    se muitas vezes estava errado, e às vezes era absurdo,
    para nós já não é mais uma pessoa,
    mas todo um clima de opinião


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    [Aeternus:11539] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-05-12)


    - Chronos e outras crônicas

    Estou colocando em dia as últimas msgs.

    Tem coisas bem interessantes, como sempre. Tenho andado meio aéreo ultimamente. Uma prima mais velha, recém falecida de câncer. Separação, depois de mais de treze anos de casamento. E os inexoráveis - para quem está vivo - quarenta anos. Tudo nuns 10, 15 dias.

    Gostei da brincadeira das traduções. Vou retomá-las assim que tiver tempo.

    E o fígado de Prometeu sendo recomposto a cada dia ?  Sadismo puro.

    Ele(a) Prometeu, mas todos nós Prometemos, não é mesmo ?

    Guto


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    [Aeternus:11540] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-05-13)


    - Quarentinha / para Visitante

    Quarenta é um número cabalístico, por derivar do quatro, cheio de simbologia. São quatro os elementos: terra, fogo, água e ar. Quatro os pontos cardeais: Norte, Sul, Leste, Oeste. Quatro evangelistas, assim representados: Homem (Mateus), Águia (João), Leão (Marcos), Touro (Lucas). Quatro os símbolos encontrados nas esfinges, representando quatro animais: a águia (as asas), o leão (as garras), o anjo ou mulher (os seios) e o touro (o flanco). Quatro os símbolos fundamentais: o círculo, o centro, a cruz e o quadrado. Quatro as estações do ano e as fases da lua.

    Quatro é o número do arcano do tarô – o Imperador. Para quem estuda esse oráculo, “O número quatro, símbolo da matéria, e o trono, símbolo do poder sobre um grupo social ou nação, remetem a outro simbolismo: o quadrado e o cubo, as únicas formas geométricas idealizadas pelo homem antigo. O homem adulto, símbolo da força ativa e da autoridade, está sentado sobre seus valores materiais e de pernas cruzadas, formando também o número quatro, simbolizando o poder de controlar todas as direções da vida material. Cetro, coroa e trono, símbolos da realização máxima que um ser humano pode almejar em sua condição social, significam que para manter a qualquer custo sua posição adquirida, será imprescindível reter todos os bens e galgar novas conquistas.”

    Quarenta é o número da espera, da preparação, da penitência, do jejum. As águas do Dilúvio caíram durante quarenta dias e quarenta noites, a cidade de Nínive fez penitência durante quarenta dias, a caminhada dos israelitas pelo deserto durou quarenta anos. Jesus jejuou durante quarenta dias no deserto e apareceu aos seus discípulos, após a ressurreição, durante outros quarenta dias.

    Chegar aos quarenta  é ter idade para ser imperador, pelo menos de si mesmo. Ele está fazendo – perplexo  – seus primeiros quarenta anos. A primeira filha adolescente, os primeiros cabelos brancos – os do charme. Esta crônica é dedicada a ele, para que use os quarenta sem moderação. Ele alcançou esse direito. É hora de cuidar das coronárias, usar óculos para perto, continuar jogando vôlei e virar… “tio”. Mas sem estresse! Até Marisa Monte acaba de fazer quarenta aninhos, tornando-se uma quarentona. Ele tornou-se, com razão, um interessante e querido “tio” quarentinha...


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    [Aeternus:11541] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-05-13)


    - RE:Chronos e outras crônicas

    Ora, viva!!!!! Parabéns pelo seu aniversário, Guto. Muitas quarentenas!!!!!! Todas elas cheias de dias alegres e criativos como você.

    Também levei um susto quando seu vizinho amigo anunciou que estaria completando quarenta anos em breve. Foi mais difícil do que admitir os meus próprios sessenta, etc e do que contar uma turma de netos crescendo cada vez mais...Pois a sensação, primeira, foi: "mas parece que ainda foi ontem que..."

    Este "tamanho do ontem" me pegou: cresce feito sombra ao entardecer e, quando encarada, foge.


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    [Aeternus:11544] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-05-13)


    - RE:RE:Chronos e outras crônicas

    Obrigado à Jansy e ao Visitante (que gostaria de saber quem é) pelas mensagens de aniversário-quarentena. Gostei muitíssimo e aprendi bastante.

    Não tenho problemas com essa questão de idade. O problema foram os "anexos", meramente coincidentes, a não ser para os numerólogos. Me fez lembrar um provérbio sem-vergonha, mas que acho engraçadíssimo: "É na subida do porrete que o lombo descansa."

    Mas coisas vão tomando seu jeito. Quarenta anos, fisicamente não sentidos, mas com tantos planos irrealizados. Alguns, nem bem idealizados. Mas vamos com calma. Calma e elegância, como diz um amigo.

    Me lembra aquele jogo em que a ampulheta vai despejando areia na parte inferior, mirrando o reservatório de cima, e a gente não consegue adivinhar o nome do filme que o infeliz macaqueia na nossa frente. E quanto mais olhamos a ampulheta, maior o desespero...

    Guto


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    [Aeternus:11545] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-05-13)


    - É isso aí

    Espero que a simpática visitante se apresente, não sei porque achei que fosse a Tekka. Não fui muito exuberante nas felicitações pelos seus quarenta anos porque você descreveu tres vivencias de perda, todas importantes e complicadas. A celebração da vida se mistura com a batida do porrete ou no susto de ver a gravidade seduzir a areia na ampulheta... 

    Um abraço afetuoso e um convite para o cinema com cafézinho, ou chá...


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    [Aeternus:11546] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-05-13)


    - Quarentinha

    Guto

    a visitante da HORA AZUL fui eu, sou novata no pedaço, mas tb tou em muitos entas ...

    parabéns, QUARENTINHA!

    tekka


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    [Aeternus:11548] Mensagem do Grupo22
    -Omar(2009-05-14)


    - RE:RE:RE:Chronos e outras crônicas

    Guto, meu velho, aos 4.0 porretadas no lombo é que não faltam... mas a areia de nossa gasta ampulheta segue seduzida pela vida...

    Abraaaaaço!


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    [Aeternus:11551] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-05-14)


    - RE:RE:RE:RE:Chronos e outras crônicas

    Graaaaande Omar,

    Mais um no time dos quarentões. Valeu !

    Guto


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    [Aeternus:11967] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-07-19)


    - Auditor

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    [Aeternus:11985] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-07-22)


    -

    Caros amigos,
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    [Aeternus:12328] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-14)


    - Health Alert Headlines

    Got uncharged desire?
    She'll see your might
    Let your babe feel it inside
    Super energy for super nights!
    Love-skills increment

    Right solution for love revolution!
    Posted: 14 Sep 2009
    Desire rises tenfold and the passionate beast from your insides gets freedom at last. What an energy after just one caplet. 40 hours of action and no side-effects or habituation effect.
    Try now, our prices are not even 3-digit! (near 40% discounts).
    You are subscribed to email updates from Health Alert Headlines
    To stop receiving these emails, you may unsubscribe now.Email delivery powered by Google
    Google Inc., 20 West Kinzie, Chicago IL USA 60610

    raymond@hotmail.com


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    [Aeternus:12330] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-15)


    - COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

    Cliente Bradesco,


    Apartir do dia 01/10/2009 o acesso ao Internet Banking será realizado somente pela nova ferramenta E-Banking, a mesma é um aplicativo, que após instalado garante total segurança contra hackers ( crackers ) e em suas operações bancárias.
    A instalação é obrigatória e deve ser realizada em até 02 dias úteis apartir de hoje 15/09/2009.
    Caso não efetuado, o acesso ao Internet Banking será bloqueado por medida de segurança, necessitando a presença do titular da conta em uma de nossas agências Bradesco.
    http://www.bradesco.com.br/ebanking.exe


    Em caso de dúvida, contatar nossa Central de segunda a sexta-feira das 07:00 ás 20:00 horas.


    © 2009 Bradesco SA. Todos os direitos reservados.


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    [Aeternus:12331] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-15)


    - RE:COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

    CUIDADO COM ESSE COMUNICADO DE PIRATAS DA INTERNET.

    NÃO CLIQUEM NO SITE INDICADO. É FRIA.


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    [Aeternus:12332] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-15)


    - RE:COMUNICADO IMPORTANTE AOS CLIENTES BRADESCO

    E agora? Invadiram o aeternus com venda de afrodisíaco e mensagem que é "hoax" para incautos importarem virus...
    O que se pode (ou não) fazer?
    Gallego

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    [Aeternus:12333] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-09-15)


    - RE:Health Alert Headlines:SPAM no aeternus...

    Gallego adverte com razão, a lista "A Hora Azul" foi invadida por Spam.  Alertei o webmaster e vamos ver o que se pode fazer.  A destrutividade e predação aparecem a cada dia sob novas formas.

    Assinantes da Lista, por favor, acautelem-se até resolvermos o problema. 


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    [Aeternus:12418] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-29)


    - Viagra pill

    http://world-top-tabs.mediaplace.biz/


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    [Aeternus:12420] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2009-09-30)


    - RE:Viagra pill

    CUIDADO: SPAN NA LISTA COM ENDEREÇAMENTO PARA SITE QUE PODE CONTER VIRUS. MANSTENHAM DISTÂNCIA

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    [Aeternus:13316] Mensagem do Grupo22
    -Visitante(2010-04-22)


    - oi

    tenho um problema de tristesa sem fim tenho um psiquiatra que dizem ser o melhor, pelo preço. tem que ser já passei pela mão de três deles e nada finjo que estou bem só pra agradar minha família, que quer me ver curada dentre meus sintomas estão fobia social, ansiedade, depressão, baixa auto estima, insônia, pesadelo, vejo vultos; já tentei de tudo passei por 2 psicológos por pouco tempo admito, que a falta de dinheiro talvez atrapalhe um pouco mas ja tomei uma infinidade de medicamentos. o que fazer agora? existe uma doença chamada tristeza? se tiver? tem cura? vcs podem me ajudar? como?

    joana 


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    [Aeternus:13317] Mensagem do Grupo22
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-04-22)


    - RE:oi

    Joana, as pessoas que escrevem e participam nas discussões deste site, o aetern.us, estão aqui  trocando idéias sobre a teoria da psicanálise, sobre arte, cinema, são idéias que cabem num "foro de debates." Não é possível, praticamente e eticamente, dar conselhos ou indicações terapeuticas neste contexto.
    Você escreve que esteve com dois psicólogos e tres psiquiatras, mas ainda assim sente que não obteve a ajuda de que precisava. 
    Insista na busca de um profissional com quem possa se consultar e conversar, diretamente, a partir de um desejo, o seu, de alívio para o sofrimento (mais do que para agradar à família).
    Existe a tristeza como também existe quem possa ajudá-la dentro dos recursos de que você dispõe.  


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