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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  

Festival de Filmes Rio 2005


Examine os títulos para ir direto para uma mensagem abaixo:
  • LFGallego:
    Antes mesmo do festival começar

  • jansy mello:
    RE:Antes mesmo do festival começar

  • LFGallego:
    Sacrifício de cinéfilo maluco

  • jansy mello:
    RE:Sacrifício de cinéfilo maluco que passarinho também come pedra

  • Visitante:
    RE:RE: Passarinho maluco cai no poço em crise cinéfila exsistencial

  • jansy mello:
    RE: Passarinho maluco cai no poço em crise cinéfila exsistencial

  • LFGallego:
    RE:RE: Prova que a memória se esvai antes do festival começar

  • jansy mello:
    RE:Prova que a memória se esvai antes do festival começar

  • Marcos:
    fumaças

  • jansy mello:
    Noticiário enviado pelo LFGallego

  • Marcos:
    1. Eros

  • jansy mello:
    RE:1. Eros

  • Mello Pirata:
    Direto do NY Film Festival

  • Pirata Mello:
    Oliver Twist, de Polanski, no festival de NY

  • Marcos:
    RE:RE:1. Eros

  • Marcos:
    RE:Direto do NY Film Festival

  • Marcos:
    RE: Hugh Griffith

  • LFGallego:
    RE:RE:1. Ainda Eros (e o resto)

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:1. Eros

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:1. Ainda Eros (e o resto)

  • LFGallego:
    segundo dia do festival

  • jansy mello:
    RE:segundo dia do festival - Pedri mais...

  • LFGallego:
    RE:RE:second thoughts sobre o segundo dia do festival - Pedri mais...

  • jansy mello:
    RE:second thoughts sobre o segundo dia do festival - Pedri mais...

  • Marcos:
    2. La Femme de Gilles e 3. Mrs. Henderson Presents

  • Marcos:
    4. Coure Sacro

  • jansy mello:
    RE:4. Coure Sacro eCuore Saco?

  • Marcos:
    5. Proof

  • LFGallego:
    preferências e "diferências"

  • Conde Drácula:
    RE:RE:4. Coure Sacro eCuore Saco?

  • Marcos:
    RE:preferências e diferências

  • Jansy Mello:
    RE: Coure Sacro eCuore Saco?

  • jansy mello:
    RE:preferências e diferências

  • Marcos:
    6. Onde

  • jansy mello:
    RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

  • LFGallego:
    RE:RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

  • Marcos:
    RE:RE:RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

  • Conde Drácula:
    RE:RE: A invasão do real

  • jansy mello:
    6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano... Tudo com rinite?

  • Jansy Mello:
    RE: A invasão do real..A little learning is a dangerous thing

  • LFGallego:
    RE:6. delicadas: não necessariamente poéticas cenas do cotidiano

  • jansy mello:
    RE:6. delicadas: não necessariamente poéticas cenas

  • Marcos:
    RE:RE:6. delicadas cenas e pinceladas

  • Marcos:
    7. Caché

  • LFGallego:
    RE:7. Caché

  • Marcos:
    RE:RE:7. Caché

  • jansy mello:
    Longínqüas perplexidades

  • Marcos:
    RE: de cotidianos, musas, histórias, denúncias, E.T.s e fins de mundo

  • jansy mello:
    extrato de trivial variado

  • Marcos:
    8. Forty Shades of Blue

  • jansy mello:
    escalada escatologica: a antiga ressurreição alien

  • LFGallego:
    filmes quadrados, graças aos Céus!

  • LFGallego:
    RE:filmes quadrados/"Roma"

  • Conde Drácula:
    O Pornógrafo

  • Marcos:
    RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien

  • Marcos:
    RE:O Pornógrafo

  • jansy mello:
    RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: escalando quem?

  • Conde Drácula:
    RE:RE:O Pornógrafo

  • jansy mello:
    RE:O Pornógrafo

  • Marcos:
    forfaits e últimas do front

  • Marcos:
    RE:RE: inveja

  • LFG:
    RE: a antiga ressurreição alien

  • jansy mello:
    RE a antiga ressurreição alien ... isso!!!

  • Marcos:
    RE:RE a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

  • jansy mello:
    RE:a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

  • Jmnksy Mollw:
    RE:RE:a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

  • Marcos:
    RE:RE:RE: Harold Pinter / The French Lieutenant's Woman

  • jansy mello:
    RE:Harold Pinter / The French Lieutenant's Woman

  • LFGallego:
    Eu sou viciado em sexo!

  • jansy mello:
    RE:Eu sou viciado em sexo!

  • jansy mello:
    comentando Gallego

  • Marcos:
    RE: realizadores, espectadores e rumos

  • LFGallego:
    realizadores e espectadores viciados em cinema... e em sexo...

  • jansy mello:
    RE:realizadores e espectadores viciados em cinema... e em sexo...

  • Marcos:
    9. Innocence

  • Marcos:
    10. I'm a Sex Addict

  • Marcos:
    RE:9. Innocence

  • Marcos:
    RE:RE:9. Innocence : errata 100 anos

  • jansy mello:
    RE:10. I'm a Sex Addict

  • Marcos:
    RE:RE: mas...

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: mas... o rebote

  • LFG:
    RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

  • Marcos:
    RE:RE: sobre indução da mídia...

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE: o rebote em Innocence

  • Marcos:
    RE:RE: Innocence

  • jansy mello:
    RE:RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

  • jansy mello:
    RE:RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

  • jansy mello:
    meu festival em DVD: Sin City

  • Marcos:
    11. La Moustache

  • LFG:
    Troquei La Moustache por Ozu

  • jansy mello:
    RE:Troquei La Moustache por Ozu/ o que é sapituca?

  • LFG:
    RE:RE:Troquei La Moustache por Ozu/ o que é sapituca?

  • Conde Drácula:
    RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sur-re-rei-çã-ção

  • Marcos:
    RE:RE:RE: empatia à muque

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE: intróito ao Bigode

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE:RE: me subestimei...

  • jansy mello:
    RE:Troquei La por Ozu/ o que é sapituca?

  • Marcos:
    RE:RE: Conde cada dia melhor !

  • jansy mello:
    RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sur-re-rei-çã-ção

  • Marcos:
    RE:RE: parabéns a vocês dois

  • Marcos:
    RE:RE: intromissão no bacural

  • jansy mello:
    RE: intromissão no bacural

  • Marcos:
    RE:RE: intromissão no bacural : de penitenências

  • Marcos:
    12. Where the Truth Lies

  • LFG:
    Iberia

  • jansy mello:
    RE:Iberia

  • Conde Drácula:
    RE:RE:Troquei La por Ozu/ o que é sapituca?: calor na bacurinha

  • jansy mello :
    RE: o que é sapituca? E calor na bacurinha? Ad Tergo? In tandem?

  • Conde Drácula:
    RE:RE: escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sus-sci-ci-ta-ta-ço-ções

  • Marcos:
    RE:RE: Egoyan para principiantes

  • jansy mello:
    RE:Egoyan para principiantes: Atom e Dar-El

  • Visitante:
    Onde se lê Dar El, leia-se Kal-El

  • Marcos:
    RE:12. Where the Truth Lies : uma injustiça que cometi

  • Marcos:
    RE:RE: The Sweet Hereafter

  • jansy mello:
    RE:The Sweet Hereafter

  • LFGallego:
    até que enfim: Win Wenders rides again!

  • LFGallego:
    outros assuntos

  • Marcos:
    13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

  • jansy mello:
    RE:outros assuntos oferecem um bnhao ed erdicãou

  • jansy mello:
    RE:13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

  • Marcos:
    RE:RE:13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

  • LFGallego:
    respondendo Jansyta ao entardecer

  • Marcos:
    RE: Carmen Miranda

  • jansy mello:
    RE:RE: Carmen Miranda

  • LFGallego:
    Belo Sol Negro no Crepúsculo de Festival

  • LFGallego:
    outro site...

  • jansy mello:
    RE:outro site...

  • LFGallego:
    Reis e Rainha

  • Marcos:
    16. Rois et Reine

  • jansy mello:
    RE:Reis e Rainha de Copas

  • LFG:
    filme literário é cinema?

  • Marcos:
    15. Sophie Scholl - Die Letzten Tage

  • Marcos:
    17. Enduring Love

  • Visitante:
    filmes literários...

  • LFGallego:
    RE:17. Enduring Love

  • Marcos:
    RE:RE: balancing Gallego

  • LFGallego:
    comentando a partir do Marcos

  • Marcos:
    RE: perdas em Woody

  • LFGallego:
    ainda Enduring love

  • Marcos:
    RE:ainda Enduring love

  • Conde Drácula:
    RE:17. Enduring Love: Um filme-balão com impulsão excessiva

  • Jansita Mello:
    RE:17. Enduring Love: Um filme-balão com impulsão excessiva

  • Marcos:
    RE:RE: de misoginias

  • jansy mello:
    RE: de misoginias

  • LFGallego:
    esclarecendo sobre o "mala" "Enduring Love"

  • LFGallego:
    definitivo fim de festa

  • LFGallego:
    O Homem que amava as mulheres.

  • Marcos:
    discorro e respondo as arestas aos amigos

  • jansy mello:
    RE:discorro e respondo as arestas aos amigos

  • LFGallego:
    RE:discorro e respondo as arestas aos amigos

  • Marcos:
    RE:RE: arestas II

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: arestas II: Je T'Aime, Moi Non Plus

  • LFGallego:
    Réréréréré

  • Marcos:
    RE:Réréréréré...'Ráu' many pregnancies ?

  • Marcos:
    A Camareira do Titanic

  • jansy mello:
    RE:Réréréréré dos fradinhos

  • Marcos:
    RE:RE: pas souffrance !!!

  • Fradinho cumprido:
    De piadas que deixam as moças tristes a camareiras do Titanic

  • jansy mello:
    RE:De piadas que deixam as moças tristes a camareiras do Titanic

  • Marcos:
    RE: de Bigas, bigas, bagos, tetas, triângulos, rostos e atrizes

  • Marcos:
    RE:RE: os triângulos do Bigas

  • jansy mello:
    bom dia flor do dia no horário de verão...

  • Conde Drácula:
    RE:Belo Sol Negro no Crepúsculo de Festival: O Jardineiro Fiel

  • LFGallego:
    O Jardineiro de Deus

  • Jansy Mello:
    RE:O Jardineiro de Deus

  • Davy:
    RE:O Jardineiro de Deus

  • jansy mello:
    RE:O Jardineiro de Deus e o Smiley do Davy

  • LFGallego:
    Cidade Fiel

  • Marcos:
    RE: Lumet europeizado e tendências USA

  • jansy mello:
    RE:RE: Lumet europeizado e tendências USA

  • Marcos:
    RE:RE:RE: anos dourados

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:RE: ânus dourados

  • Conde Drácula:
    RE:1. Eros: O homem pergunta: "O que acontece se eu me deitar aí com você?" A mulher responde: "Eu te digo meu nome"

  • Marcos:
    para o Conde : Alan Arkin

  • LFGallego:
    Retomando o filme Eros

  • Marcos:
    RE: vitrines da perversão : Leconte e Wong Kar Wai

  • jansy mello:
    RE:Retomando: se a mão der pé...

  • LFGallego:
    RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

  • Alexandre Dumas:
    RE:RE:RE:RE: Aramis

  • Semiramis:
    RE:Aramis

  • Marcos:
    RE:RE: filiação imediata !

  • David Niven:
    RE:RE: Around the World in Eighty Days

  • Conde Drácula:
    RE:RE:1. Eros: Fetiche-tornado-amor

  • Marcos:
    RE: Gilliam e Monica Belucci em Os Irmãos Grimm

  • Guto:
    RE:RE:RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

  • jansy mello:
    RE: Around the World in Eighty Days

  • Dercy Gonçalves e Marcos:
    RE:RE: de pererekas e toilettes

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: de pererekas e toilettes

  • jansy mello:
    RE: de pererekas e toilettes

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:RE: de pererekas e toilettes

  • Marcos:
    RE:RE: filmes família & outras cenas no Rio antigo que não volta mais

  • jansy mello:
    RE: filmes família & outras cenas no Rio antigo que não volta mais

  • Marcos:
    RE:RE: por isto mesmo que eu coloquei a ?...

  • LFGallego:
    Entrando no meio do(s) filme(s)

  • jansy mello:
    RE:Entrando no meio do(s) filme(s) Luzes do Cineac Trianon

  • Marcos:
    RE:RE: de tóraxes, portugas cutubas e anjos

  • jansy mello:
    RE: de tóraxes, portugas cutubas e anjos

  • LFGallego:
    RE:RE:Cineac e faquires pornôs!!!

  • Marcos:
    RE:RE:RE:Cineac e faquires pornôs!!! - dá samba ?

  • jansy mello:
    RE:Cineac e faquires pornôs!!! 3

  • Marcos:
    RE: toda a discreta pujança do Rio Comprido e doces recordações

  • Marcos:
    RE:RE: lotações : faltou dizer

  • jansy mello:
    RE: lotações : faltou dizer 3

  • Marcos:
    RE:RE: lotações : faltou dizer 4 ( por enquanto ! )

  • Marcos:
    RE:RE: lotações : faltou dizer 4 ( por enquanto ! )

  • Marcos:
    RE:RE: lotações : faltou dizer 4 ( por enquanto ! )

  • Conde Drácula:
    RE: Eros: som e silêncio

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Eros: som e silêncio

  • Marcos:
    RE: respondo a crônica da Jansy

  • jansy mello:
    RE:RE: respondo a crônica da Jansy com nota aguda...

  • Brazilian Stallion:
    50 sem tirar de dentro

  • Garanhão da Aldeia Campista:
    Cinquenta e uma!!!!

  • Cinéfilo Fiel:
    Jardineiro Fiel de novo

  • jansy mello:
    RE:50 sem tirar de dentro

  • Marcos:
    genthem ! vocês estão demais !

  • jansy mello:
    RE:genthem ! vocês estão demais !

  • Marcos:
    RE: flight to quality & strategic or blind landings

  • jansy mello:
    John Sayles e mitologia celta

  • Marcos:
    RE: interativo

  • jansy mello:
    RE: interativo 2

  • jansy mello:
    Stick, uma lembrança que veio atrasada...

  • jansy mello:
    T.Roosevelt´s Big Stick...consegui colocar imagem?

  • jansy mello:
    Teddy Bear Roosevelt, Barão e James Monroe no Rio

  • Marcos:
    RE:RE: interativo 3 : comoções

  • jansy mello:
    RE: iterativo 5 : comoções na mosca!

  • Marcos:
    RE:RE: iterativo 6 : o palavrão através dos tempos

  • jansy mello:
    RE:O Jardineiro de Deus

  • jansy mello:
    RE:PS: O Jardineiro de Deus que é fiel

  • LFG:
    Deus da Jansy é fiel

  • Marcos:
    RE: só jardinarei na 4ª feira

  • jansy mello:
    RE:só jardinare i na 4ª feira a camélia que caiu do galho

  • Marcos:
    RE:RE: jardinado, digo que...

  • jansy mello:
    RE: jardinado, digo que...

  • Marcos:
    RE:RE: jardinado, digo que...

  • Conde Drácula:
    RE:até que enfim: Win Wenders rides again! VIVA!!

  • Conde Drácula:
    RE: A Camareira do Titanic

  • jansy mello:
    RE:A Camareira do Titanic

  • Conde Drácula:
    RE: A Camareira do Titanic: Full Gas: consumar é consumir

  • Marcos:
    a partir de 'A Camareira do Titanic' e do texto do Conde

  • Marcos:
    Antonioni em Eros, em seus filmes e em Blow Up

  • Conde Drácula:
    RE:Antonioni em Eros, em seus filmes e em Blow Up

  • LFGallego:
    quarto festival Varilux de cinema francês

  • jansy mello:
    RE:quarto festival Varilux de cinema francês 2

  • Visitante:
    RE:RE:quarto festival Varilux de cinema francês 3

  • jansy mello:
    RE:quarto festival Varilux de cinema francês 3

  • jansy mello:
    RE:quarto festival Varilux de cinema francês 3

  • Marcos:
    RE: quarto festival Varilux de cinema francês 4 : Rendelladas e Chabroladas

  • jansy mello:
    RE:RE: quarto festival Varilux de cinema francês 5 : Rendelladas e Chabroladas

  • Marcos:
    RE: quarto festival Varilux de cinema francês 5 : um gosto e dois vinténs

  • jansy mello:
    RE:RE: quarto festival Varilux de cinema francês 5 : um gosto e dois vinténs

  • LFGallego:
    RE:RE: quarto festival... é mais fácil sintonizar no desgosto

  • LFGallego:
    RE:RE:RE: quarto festival e nem dois vinténs

  • :
    RE:RE:RE: os quatro "B"s da música

  • LFG:
    RE: os quatro Bês

  • Marcos:
    RE: quarto festival...Keaton, Sellers, 'Ondas' e portugas

  • jansy mello:
    RE:RE: quarto festival...Keaton, Sellers, 'Ondas' e portugas 3/4

  • Márcia Adorno:
    O jardineiro fiel e Heidegger

  • jansy mello:
    RE:O jardineiro fiel e Heidegger 2

  • LFGallego:
    RE:RE:O jardineiro fiel e Heidegger 3

  • jansy mello:
    RE: O jardineiro fiel e Heidegger 4

  • jansy mello:
    RE:O jardineiro fiel e Heidegger 5 via Lacan

  • Marcia Adorno:
    O Jardineiro fiel

  • jansy mello:
    RE:O Jardineiro fiel da balança do Gallego

  • LFGallego:
    Contra a Interpretação.

  • Márcia Adorno:
    Frustração

  • LFGallego:
    RE:Frustração (Consolação besta)

  • Marcos:
    RE:RE:Frustração : PÔ Galleguito !

  • Márcia Adorno:
    Socializando a tristeza

  • jansy:
    RE:Frustração

  • jansy mello:
    RE:RE:Frustração (Consolação besta)

  • JANSY MELLO:
    RE:Contra a Interpretação.

  • LFGallego:
    Nem falsa modéstia do self nem modéstia do falso self

  • LFGallego:
    a favor da interpretação

  • jansy mello:
    RE:Nem falsa modéstia do self nem modéstia do falso self

  • Marcos:
    a nos amours

  • jansy mello:
    RE:a favor da interpretação

  • Conde Drácula:
    RE:RE: O jardineiro fiel e Heidegger 4

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: O jardineiro fiel e Heidegger 6: Jardinagens e divagações e a metalinguagem do medo existencial

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: O jardineiro fiel e Heidegger 4

  • Otelo:
    RE:RE:RE:RE: O jardineiro fiel e Heidegger 4

  • Prof. Orieth Bay:
    RE: bola de cristal 5

  • jansy mello:
    RE:O jardineiro fiel e Heidegger 8: Jardinagens e divagações e a metalinguagem do medo existencial

  • LFGallego:
    RE:RE:a favor da interpretação (contra lacanices)

  • Desdemona:
    Chosisme

  • jansy mello:
    RE:a favor da interpretação (contra lacanices)

  • Marcos:
    o ângulo Aschenbach em cada um de nós

  • Iago(?):
    RE: Villa-Matás

  • jansy mello:
    RE: Chosisme

  • Conde Drácula:
    RE:Contra a Interpretação & o consultor de Herzog

  • LFGallego:
    Cidade Baixa

  • Márcia Adorno:
    Formalismo e forma

  • Marcos:
    RE:Formalismo e forma : honra ao mérito

  • Marcia Adorno:
    Tals e etcs

  • jansy mello:
    RE:Tals e etcs

  • Marcos:
    RE:Tals e etcs 2

  • jansy mello:
    RE:Tals e etcs 2

  • Conde Drácula:
    RE:RE:O jardineiro fiel e Heidegger 9: Aladdin para Jasmin: "I can show you the world..."

  • jansy mello:
    RE:O jardineiro fiel e Heidegger 9: Aladdin para Jasmin:

  • Marcos:
    RE:RE:Tals e etcs 3

  • Marcos:
    RE:O jardineiro fiel e Heidegger 10: milagres em conta-gotas

  • Enrique L.M:
    RE:Formalismo e forma

  • Márcia Adorno:
    Língua Viva

  • jansy mello:
    RE:Língua Viva 2

  • Márcia Adorno:
    TEMPO...TEMPO

  • jansy mello:
    RE:TEMPO...TEMPO 2 do jardineiro fiel

  • Marcos:
    RE:RE:TEMPO...TEMPO 3 : da trepadeira do Donne

  • Márcia Adorno:
    Língua Viva 3

  • jansy mello:
    Andrew Marvell Coy´s mistress

  • jansy mello:
    RE:Língua Viva 3,OED e Dr. W.C.Minor e o Imperialismo da Palavra

  • Conde Drácula:
    RE:RE:O jardineiro fiel e Heidegger 9: Aladdin para Jasmin:

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:O jardineiro fiel e Heidegger 9: Aladdin para Jasmin:

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:TEMPO...TEMPO 4 : do Mick Jagger

  • jansy mello:
    RE:Andrew Marvell Coy´s mistress

  • jansy mello:
    RE: do Mick Jagger...Não diga! Bolsões do tempo...

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:TEMPO...TEMPO 5: do Frederico

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE:RE:TEMPO...TEMPO 6 : do Gonzaguinha

  • jansy mello:
    RE:: do Frederico e do Florião

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:RE:O jardineiro fiel e Heidegger 10: Aladdin para Jasmin: Each man kills the thing he loves...

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:RE:RE:RE:TEMPO...TEMPO 7: Eterno retorno (Alô Davy! Alô Jansy! Alô Márcia! Alô Marcos!)

  • Márcia Adorno:
    TEMPO...TEMPO

  • jansy mello:
    RE:TEMPO...TEMPO 7: Eterno retorno (Alô Davy! Alô Jansy! Alô Márcia! Alô Marcos!)

  • jansy mello:
    tatibitando na resposta

  • LFGallego:
    A Marca da Violência/ Tudo acontece em Elizabethtown

  • UAU!:
    UAU DENOVO!

  • Visitante:
    RE:UAU DENOVO!

  • jansy mello:
    RE:A Marca da Violência/ Tudo acontece em Elizabethtown

  • jansy mello:
    RE: Alô e os ponteiros do relógio

  • Marcos:
    RE:RE: Mercutio

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: Mercutio

  • Marcos:
    RE: Mercutio 3 e Romeo

  • jansy mello:
    RE:RE: Mercutio 3 e Romeo

  • Marcos:
    RE: viciando os sentidos

  • jansy mello:
    RE:RE: viciando os sentidos

  • jansy mello:
    Mulundu e Henri Moore

  • Marcos:
    RE: Il Sole Anche di Notte

  • Márcia Adorno:
    As faces do tempo

  • Marcos:
    RE:As faces do tempo : lagartixas pensantes ?

  • Conde Drácula:
    RE:tatibitando na resposta: Each man kills THE THING he loves...

  • jansy mello:
    RE:Each man kills THE THING he loves...

  • LFGallego:
    Mulungu(?) Aspirinas e Urubus

  • Marcos:
    RE: Rainer Werner Fassbinder então matou...

  • jansy mello:
    RE:Mulungu(?) Aspirinas e Urubus

  • Marcos:
    RE:Mulungu(?) Aspirinas e Urubus : Eça de Queiroz

  • jansy mello:
    RE:RE:Mulungu(?) Aspirinas e Urubus

  • jansy mello:
    RE:RE: Aspirinas e Urubus : Eça de Queiroz e Musil

  • Marcos:
    RE: Musil e Bastide

  • Conde Drácula:
    Aspirinas

  • LFGallego:
    Mulungu, Murundu, Musil y otras cositas más (más e boas)

  • jansy mello:
    RE:RE: Musil e Bastide e as panacéias

  • LFGallego:
    RE:Aspirinas

  • Conde Drácula:
    RE: As faces do tempo

  • jansy mello:
    O Tempora...

  • jansy mello:
    E agora José, viva a diferença, festival de filmes, va savoir...

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Rainer Werner Fassbinder então matou...: Protect me from what I want

  • LFGallego:
    A escolha anaclítica

  • Conde Drácula:
    RE:RE:TEMPO...TEMPO 8: do Calvin

  • jansy mello:
    RE:A escolha anaclítica e as elevadas convergências

  • Conde Drácula:
    RE: A escolha anaclítica

  • jansy mello:
    RE: A escolha anaclítica & Chardin

  • jansy mello:
    Vila-Matas, desmemória e Cronenberg

  • Conde Drácula:
    O Mercador de Veneza

  • jansy mello:
    cutelo temporal

  • LFGallego:
    RE:cutelo temporal

  • lfgallego :
    RE:RE:cutelo temporal 2

  • Marcos:
    RE: Cronenberg : Twins

  • LFGallego:
    Vinicius, o filme

  • LFGallego:
    RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Twins

  • jansy mello:
    RE:Cronenberg : Twins

  • jansy mello:
    RE: King of Hearts

  • jansy mello:
    Desencontro e ficção como realidade

  • Visitante:
    NABOKOV

  • Marcos:
    RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Twins

  • Marcos:
    RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Twins

  • Marcos:
    RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Twins

  • Marcos:
    RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Twins

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Quíntuplos...

  • jansy mello:
    RE:NABOKOV

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:RE: O Oscar do J.Irons/Cronenberg : Quíntuplos...quin quin quin quin quin

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:RE:RE: O Oscar do J. Irons / Cronenbrega / Verhoeven

  • LFGallego:
    RE:Desencontro e ficção como realidade

  • Marcos:
    RE: O Oscar do J. Irons / Cronenbrega / Verhoeven

  • LFGallego:
    RE:RE:Bujold/As Troianas///Cronenberg : Twins

  • LFGallego:
    RE:Desencontro e ficção como realidade

  • Marcos:
    RE: Cacoyanis e Bates

  • LFGallego:
    E agora? Achei "Manderley" ótimo!!!

  • jansy mello:
    entrando de gaiata no navio...ou nas barcas de Niterói

  • jansy mello:
    RE:O Oscar do J. Irons / Cronenbrega / Verhoeven

  • LFGallego:
    RE:entrando de gaiata no navio...ou nas barcas de Niterói

  • LFGallego:
    RE:RE:O Oscar do J. Irons / Cronenbrega / Verhoeven

  • jansy mello:
    RE:RE:entrando de gaiata no navio...ou nas barcas de Niterói

  • LFGallego:
    Oliver Triste

  • jansy mello:
    RE:Oliver Triste

  • LFGallego:
    RE:RE:Oliver Triste

  • Marcos:
    Alan Bates

  • Marcos:
    RE: Hello, Stranger !

  • Marcos:
    RE: tornando-nos espectadores ideais

  • Maysa:
    RE:RE:RE:Oliver Triste Again

  • jansy mello:
    RE:Alan Bates

  • jane mello:
    RE:RE: Hello, Stranger !

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:Para Maysa/Oliver Triste Again

  • LFGallego:
    RE:RE:RE:RE:RE:Dickens/[Para Maysa/Oliver Triste Again

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Hello, Stranger ! How can you tell I'm under a spell, I'm wating for love's first kiss?

  • jansy mello:
    RE: Hello, Stranger ! How can you tell I'm under a spell, I'm wating for love's first kiss?

  • Visitante:
    RE:RE: Hello, Stranger ! How can you tell I'm under a spell, I'm wating for love's first kiss?

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • Visitante:
    RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • Marcos:
    RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • Marcos:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures : Women in Love

  • LFGallego:
    Cosi fan tutte/Closer

  • jansy mello:
    RE:Cosi fan tutte/Closer

  • Visitante:
    RE:RE:Cosi fan tutte/Closer

  • jansy mello:
    RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures : Women in Love

  • jansy mello:
    RE:Cosi fan tutte/Closer

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • LFGallego:
    RE:querem mais sobre Cosi fan tutte?

  • jansy mello:
    RE:querem mais sobre Cosi fan tutte?...

  • LFGallego:
    RE:RE: Alice não é mau-caráter

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures: Por quê o Larry GO-ZA transformando suas mulheres em putas?!

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures: Por quê o Larry GO-ZA transformando suas mulheres em putas?!

  • jansy mello:
    RE:querem mais sobre Cosi fan tutte?... Alice em Star Wars!

  • Mel Gibson:
    RE:RE:Cosi fan tutte/Closer: o que ELAS querem?

  • Jocasta:
    RE:Cosi fan tutte/Closer: o que ELAS querem?

  • Mel Gibson:
    RE:RE:Cosi fan tutte/Closer: o que ELAS querem?

  • jansy mello:
    RE:Cosi fan tutte/Closer: o que ELAS querem?

  • jansy mello:
    RE:RE:Closer: o que ELAS querem? Manter a diferença!

  • Conde Drácula:
    RE:RE:querem mais sobre Cosi fan tutte?... Alice em Star Wars!

  • jansy mello:
    RE: Cosi fan tutte?... Alice em Star Wars!

  • jansy mello:
    RE: mais sobre Cosi fan tutte

  • Conde Drácula:
    Alice caindo no poço do país das maravilhas, walking and falling at the same... time

  • jansy mello:
    RE:Alice caindo no poço do país das maravilhas, walking and falling at the same... time

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • jansy mello:
    RE:Manter a diferença: Moore e Graça Ramos

  • LFGallego:
    RE:RE:Alice caindo no poço do país das maravilhas, walking and falling at the same... time

  • jansy mello:
    ainda Alice e a queda do amor

  • jansy mello:
    RE: Hello Stranger! Unexhibited pictures

  • LFGallego:
    RE:ainda Alice e a queda do amor

  • jansy mello:
    RE:ainda Alice e a queda do amor

  • jansy mello:
    RE:RE:ainda Alice e a queda do amor: peésse

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE: Larry queria ver a ALLLMA de Alice, por isso pediu pra ela abrir as pernas bem perto de seus eyes wide shut

  • jansy mello:
    RE: Larry queria ver a ALLLMA de Alice, por isso pediu pra ela abrir as pernas bem perto de seus eyes wide shut. Os homens tem alma?

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Larry queria ver a ALLLMA de Alice, por isso pediu pra ela abrir as pernas bem perto de seus eyes wide shut. Os homens tem alma? A ALLLMA masculina

  • jansy mello:
    a questão dos começos... Oliver Twist

  • jansy mello:
    RE:Larry queria ver a ALLLMA de Alice, por isso pediu pra ela abrir as pernas bem perto de seus eyes wide shut. Os homens tem alma? A ALLLMA masculina

  • Conde Drácula:
    RE:RE:Larry queria ver a ALLLMA de Alice, por isso pediu pra ela abrir as pernas bem perto de seus eyes wide shut. Os homens tem alma? A ALLLMA masculina

  • LFGallego:
    RE:a questão dos começos... Oliver Twist

  • jansy mello:
    RE:RE:a questão dos começos... Oliver Twist

  • Conde Drácula:
    Propaganda Iluminada

  • LFGallego:
    RE:Propaganda Iluminada/about the book

  • jansy mello:
    RE:RE:Propaganda Iluminada/about the book

  • Conde Drácula:
    2046: Ser e Tempo em Marienbad à Flor da Pele no fio da navalha de Blade Runner

  • LFGallego:
    filmes sérios sobre adolescentes

  • Marcos:
    RE: veleidades à maneira teen

  • jansy mello:
    RE:filmes sérios sobre adolescentes

  • jansy mello:
    Tilda Swinton

  • jansy mello:
    The Deep End- 2001

  • Marcos:
    RE:Tilda Swinton : êta mulher trabalhadora !

  • Conde Drácula:
    RE: 2046: as mulheres são muitas, mas o amor é o mesmo

  • jansy mello:
    RE:RE: 2046: as mulheres são muitas, mas o amor é o mesmo

  • Marcos:
    RE: o bigodinho, O Globo e Gong Li

  • Conde Drácula:
    RE:RE: Gong Li

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: Gong Li

  • jansy mello:
    lembrei de Gong Li, mas fui conferir primeiro...

  • Marcos:
    RE: de sagas, oportunidades e perdões

  • jansy mello:
    RE:RE: de sagas, oportunidades e perdões

  • jansy mello:
    RE: de sagas, oportunidades e perdões

  • Luiz Fernando Gallego:
    Quero sofrer feito Gong Li - fora das telas, é claro!

  • Marcos:
    RE:RE:RE: de sagas, oportunidades e perdões

  • jansy mello:
    RE: de sagas, oportunidades e perdões

  • LFGallego :
    Feira das vaidades e 2046

  • Conde Drácula:
    RE:Quero sofrer feito Gong Li - fora das telas, é claro! Fica muito longe a estrada para 2046?

  • jansy mello:
    RE:RE:Quero sofrer feito Gong Li - fora das telas, é claro! Fica muito longe a estrada para 2046?

  • Marcos:
    RE: brincando de real

  • jansy mello:
    RE:RE: brincando de real

  • Marcos:
    RE: brincando de real e de reinados

  • LFGallego:
    RE:RE:RE: palpitando no "brincando de real"

  • Marcos:
    RE: se você disser que eu desafino, amor...

  • Conde Drácula:
    RE:RE: brincando de real

  • LFGallego:
    RE:RE:RE: brincando de real

  • Marcos:
    RE: rezando para ser subserviente

  • Marcos:
    RE: Un Coeur en Hiver e de novo Seixas

  • jansy mello:
    conservadorismo na lista 2005, em vez de 2006?

  • jansy mello:
    palestrantes do CCBB...

  • Helena:
    Olá para todos

  • jansy mello:
    RE:Olá para todos

  • Helena:
    RE:RE:Olá para todos

  • LFGallego:
    RE:Olá para todos

  • Helena:
    RE:RE:Olá para todos

  • Thais Karam:
    Nada além do que já foi dito sobre Closer!

  • Thais Karam:
    Errata:

  • Visitante:
    nossos telhados de vidro

  • Visitante:
    nossos telhados de vidro

  • Thais Karam:
    RE:nossos telhados de vidro

  • Thais Karam:
    E nosso pobre português ...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:E nosso pobre português ...

  • Thais Karam:
    RE:RE:E nosso pobre português ...

  • Visitante:
    RE:RE:RE:E nosso pobre português ...

  • Thais Karam:
    RE:RE:RE:RE:E nosso pobre português ...

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:RE:E nosso pobre português ...

    [Aeternus:4574] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-20)


    - Antes mesmo do festival começar

    Antes mesmo dos filmes começarem a ser exibidos já podemos comentar dois dos inéditos comercialmente: o primeiro é "Uma Mulher contra Hitler", lamentável título brasileiro de "Sophie Scholl -os últimos dias" que Jansy assistiu por conta do festival de Filmes de Brasília deste ano e emprestou-me uma cópia em vhs. Deixo que Jansy fale mais sobre o filme, já abordado por aqui em outras listas (não me perguntem quais). Fica como indicação, especialmente para quem admira filmes de Robert Bresson. Lembrei muito de "O Processo de Joana D'Arc" (existe em dvd brasileiro), só que a cores; mas o estilo é semelhante na "frieza" demonstrativa de um episódio histórico comovente, em tom quase documental, criando uma espécie de "distanciamento" do que possa haver de ficção na roteirização dos fatos - e que cria a ilusão de estarmos assistindo um documentário ou algo que esteja se passando ali, na hora, sob nossos olhos. A "frieza" inicial desconcerta um pouco, mas no final a gente está quase se jogando da cadeira, inclinado para a frente, estarrecido! O desempenho da atriz que faz Sophie Scholl é quase uma co-autoria do filme. Não é exatamente "distraído", mas é imperdível. Ainda com legendas eletrônicas em português, portanto ainda sem garantia de futura exibição comercial.
    Neste festival há ciclos de filmes espanhóis, latino-americanos, japoneses (com destaque para uns quatro filmes de Ozu, incluindo sua obra-prima - e um dos maiores filmes de todos os tempos - "Uma História em Tóquio", a delicadeza em forma de filme, imperdível prá que não viu e para que já conhece rever sempre). Um dos ciclos é de filmes franceses rodados sob a ocupação nazista e inclui pelo menos dois famosos: "O Corvo", sobre cartas anônimas, do Henri-Georges Clouzot, que, mais tarde filmaria "O Salário do Medo" e "As Diabólicas" com Simone Signoret e sua então esposa brasileira, Vera (Amado) Clouzot, precocemnete falecida; e "O Boulevard do Crime" (Les Enfants du Paradis), votado como omelhor filme francês de todos os tempos por críticos e cineastas franceses. Há divergências. Quero rever na tela grande, pois na TV, onde assisti, com seus algo mais do que180 minutos, pode perder muito. Mas na verdade vou tentar verificar se é essa cocacolatoda, aos meus olhos, é claro. É o tal que mencionei há pouco onde, num mafuá, pode-se pagar trocados e "ver a Verdade Nua" (uma mulher se olhando no espelho, supostamente nua, "dentro" de um poço que tapa até seu busto). Tem o Jean-Louis Barrault como um mímico e só isto já vale o filme, idolatrado por muita gente. Um livrinho sobre ele, da mesma coleção de outro sobre "Lolita", escrito como se fosse o "Fogo Pálido" do mesmo Nabokov, é quase tão bom como ensaio como é o sobre "Lolita", independente do objeto de que trata ser mais ou menos apreciado pelo leitor. Vale por si mesmo.
    Nesta mostra, o Festival repete um filme exibido no Festival de 2002 (ou 3) sobre o "cinema de ocupação", do mesmo diretor de "Round Midnight", do belo "Um Sonho de Domingo" e do premonitório "A Morte ao Vivo" (um dos últimos com a Romy Schneider e com o então pouco conhecido Harvey Keitel), Bertrand Tavernier. Chama-se "Passaporte para a Vida" (Laissez Paser) que, embora com legendas em português na cópia, não foi lançado nos cinemas cariocas, pelo menos - que eu saiba. É longo (170 minutos), mas mantém o interesse e é polêmico. Defende - talvez - e bem sutilmente, os que continuaram a filmar, em condições precárias, na França ocupada, e que acabaram, indistintamente identificados ao colaboracionismo e proibidos de trabalhar por algum tempo depois da expulsão dos nazistas - como ocorreu com o diretor de "O Corvo", que trata do denuncismo em cartas anônimas numa cidade do interior - o que pode ser até entendido como uma metáfora crítica à situação de ocupação. Nós que tivemos tanta censura durante a ditadura militar, teríamos deixado de escutar as maravilhosas composições raivosas de Chico Buarque se ele não compusesse por conta da ditadura. Filmar era colaboracionista ou não? E o amor à atividade cinematográfica? O que fazer em tempos de situações-limite?
    Não sei se terei tempode comentar os filmes que conseguir assistir por conta de compromissos com palestra na FGV e curso de Shakespeare e psicanálise, mas vou tentar. Outros cariocas cinéfilos podem ajudar. Marcos, certamente, pois até já levantou o assunto do festival e suas opções.

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    [Aeternus:4575] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-20)


    - RE:Antes mesmo do festival começar

    Escreveu Gallego "Tem o Jean-Louis Barrault como um mímico e só isto já vale o filme, idolatrado por muita gente. Um livrinho sobre ele, da mesma coleção de outro sobre "Lolita", escrito como se fosse o "Fogo Pálido" do mesmo Nabokov, é quase tão bom como ensaio como é o sobre "Lolita", independente do objeto de que trata ser mais ou menos apreciado pelo leitor. Vale por si mesmo."

    Pode me dizer que livrinho sobre Lolita é este, ou o que foi escrito parecido com Fogo Pálido? É o do Richard Corliss?

    Estou curiosa pela impressão do Gallego quando assistir ao "Sophie Scholl" numa tela de cinema. A cópia em VHS não estava boa e deve fazer bastante diferença ver com a imagem correta.
    Este festival parece estar carregado de coisa boa, mas pesada. Haverá alguma mensagem por trás da peculiar seleção dos filmes das mostras?

    Espero que Gallego se entusiasme tanto que consiga vencer as barreiras das atividades que o roubam de nós e escreva sobre os filmes que puder assistir. 

    Vi recentemente uma cena curtíssima de um balé ( série "Natascha" do Film and Arts) e creio que era do Jean-Louis Barrault. Não deu para ouvir e ter certeza. Predominou uma voz comunicando que se tentava a coreografia que não interpretasse algum sentido na música ou criasse história, mas que se ativesse à movimentação sugerida pela música. Escolheram Bach. Gostei bastante. Se o destaco entre outras apresentações excelentes é porque me fez lembrar do que Vanessa Redgrave comentou sobre sua experiência de filmar com Antonioni. Ela o contrastou, de modo radical, aos diretores anglo-saxões pela liberdade que havia para os atores porque as cameras eram dispostas de modo diferente e permitiam planos que ela desconhecia. Segundo ela, apesar da disposição para imprevistos, predominava uma atenção meticulosíssima a cada objeto colocado em cena.  Como se o cenário falasse e seu código não pudesse ser mal interpretado. Foi quando ela me fez lembrar a defesa do Conde D. para "La Notte", a respeito do ambiente externo a retratar o estado subjetivo dos atores em cena.



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    [Aeternus:4579] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-21)


    - Sacrifício de cinéfilo maluco

    Marcos tem toda razão: todos os anos se repetem as mesmas confusões na venda de ingressos para o Festival de filmes do Unibanco (posso odiar todos os bancos, mas o Unibanco, apesar do "patrocínio" aos cinemas do circuito menos americanizado - "mecenato" que deve lhe render ótimos frutos de "auxílio à cultura" pela Lei Rouanet ou similares - , como banco, já nem lembro porque é dos que merece meu ódio mais intenso, só sendo precedido pelos falecidos Banerj e Nacional e pelo sempre líder de atendimento incompetente, o meu, o seu, o nosso...Banco do Brasil).
    Cada vez mais público se interessa pelo festival, tem gente que marca férias nesse período e em vez de viajar para o exterior viaja pelas salas de cinema do festival - e a "administração" do evento não consegue atender à demanda de forma minimamente organizada e pragmática.
    Se este ano eram 12 computadores – e não dando conta – imaginem no ano passado quando eram apenas 3 ou 4 computadores para o "passaporte" que está se confirmando como uma "roubada": primeiro a gente tem que comprar o tal passaporte que, em número limitado, acaba no primeiro dia (significa direito a 20 filmes pelo preço de dez ou 50 filmes pelo preço de 20); depois vai comprar as entradas para os filmes que pretende assistir; a maioria das pessoas não colabora e chega lá sem preparar sua lista em casa (por mais chato que seja organizar um cronograma de horários em que pode ver filmes, escolher os filmes que quer ver e descobrir que, não podendo estar em duas salas de exibição ao mesmo tempo [por que não, Oh! Deus? dai-nos o dom da ubiqüidade!]  acabar tendo que renunciar a um deles concomitantes ou remanejar um dos escolhidos para outro horário e sala - geralmente o preterido passa num horário em que já se tinha outra escolha - e ficar montando um organo-filo-escolha-crono-grama chatésimo que custa horas de vida, às vezes um domingo inteiro).
    Sem este dever de casa, o festivaleiro de primeira viagem fica escolhendo os filmes na cara do atendente; no primeiro dia quase 30 % dos filmes ainda não estão disponíveis (as cópias ainda não chegaram no Rio: como isso acontece com filmes programados para o primeiro dia, eu não sei - às vezes as cópia não chegam mesmo e por isso eles não vendem entrada para os filmes ainda em trânsito); o sistema cai a todo momento, etc etc.
    O pior é o que o Marcos denunciou: a toupeirice dos atendentes, imprevidentes e sem noção de ocorrências tais como: por exemplo, a senha 49 é chamada, não está presente (saiu, foi almoçar, foi trabalhar, etc etc - não importam os motivos; os remanescentes insistentes que lá ficam com o olho no relógio do tempo que podem estar lá gritam: "morreu"; passa-se à senha 50 e assim por diante; algumas pessoas estão lá, outras, não; quatro a cinco horas depois, o "feliz portador" da senha 168 vê seu número se aproximar: 164 (morreu!), 165 (morreu!), 166 (está lá! grrrr!), 167 (morreu!), cento e sessenta e... subitamente chega a senhorinha dona da senha 49! E entra na frente do infeliz que ficou obstinadamente por lá fazendo cálculos estatísticos de - pelos ausentes e pelo tempo médio de atendimento dos presente - em quanto tempo será chamado e se pode permanecer lá aquele tempo todo.  Se você reclama, eles olham para você com cara de “ããã~...éééé”, e não sabem o que fazer, se o critério é este ou não. Resolvem que não pode ser assim. Muda o “controlador” de tráfico e a orientação não é repassada, chama-se alguém da “administração” (há uma moça sempre à beira de um ataque de nervos que “resolve” tudo, afogada em problemas, é a pobre da “Val”. Não há pastilha Val-da que alivie as questões que vão surgindo, parece que acham que os computadores resolverão tudo). E la nave va...
    Pelo relato do Marcos, não adianta chegar às 9 e meia para um "serviço" que abre ao meio-dia.
    Não tem jeito. O negócio é tirar day-off e se dispor à estreita porta do céu que passa por um purgatório infernal desses e - o que é pior - tal como qualquer objeto de desejo NUNCA vai valer a pena na relação custo-benefício. Mas... é o vício! E, de vez em quando você assiste uma pérola que imagina que não poderia ter vivido sem conhecê-la e que nunca entra em cartaz comercial neste país, nem sai em dvd  nem passa no Telecine ou HBO. Aí, o cinéfilo se sente "esperto", dono de um tesouro do significante na sua memória cansada. Pior é quando um colega de infortúnio com quem a gente consegue conversar (porque surgem os malucos mais bizarros nestas circunstâncias com quem não dá para trocar 2 palavras; a gente tb é doido, mas menos bizarro) e você comenta com aquele cara que parece ter o mesmo (bom, é claro) gosto que você que você um filme programado que você já viu antes do festival começar (triunfo narcísico!) como o da Sophie Scholl e o recomenda generosamente ao seu mais novo amigo de infância e ele comenta que viu um outro filme sobre o movimento de resistência a Hitler ("Rosa Branca",. de Munique) do mesmo diretor de "Uma Cidade sem Passado" e você intui que você está ficando um “cinéfilo sem passado”: viu este filme, lembra vagamente do nome, mas... mais nada! Felizmente o cara te ajuda a lembrar do (ótimo) filme que era, mas vc começa a perceber que o fundo do baú de suas lembranças cinematográficas está furado e os filmes estão se esvaindo, perdidos para sempre, a não ser que outro maluco venha catar as pedrinhas que João e Maria deixaram para trás. Mas passarinho também come pedra porque confia no fi-o-fó que tem. E você perde o caminho de volta para suas lembranças internas. É a idade, vc já tem mais de 27 anos... mas também é a pletora de ver três ou quatro filmes num dia. No final, é como se você assistisse o "O Morro do Vento Levou",  "007 contra Cidadão Kane", ou - o que é pior: "Tarde demais para... lembrar".
    Há que ter fairplay e considerar a compra de ingressos um programa divertido, levar dois livros, CD player, saco de filó, comidinhas, farnel para sobrevivência na selva. Não é tão divertido, mas quem não morre não vê Deus. Pior é morrer e não ver, destino que nos aguarda. Se não vamos ver Deus, que vejamos todos os filmes possíveis e impossíveis. Quem sabe, consola?

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    [Aeternus:4580] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-21)


    - RE:Sacrifício de cinéfilo maluco que passarinho também come pedra

    Escreveu Gallego em resposta ao desabafo do Florião:

    ...e o recomenda generosamente ao seu mais novo amigo de infância e ele comenta que viu um outro filme sobre o movimento de resistência a Hitler ("Rosa Branca",. de Munique) do mesmo diretor de "Uma Cidade sem Passado" e você intui que você está ficando um “cinéfilo sem passado”: viu este filme, lembra vagamente do nome, mas... mais nada! Felizmente o cara te ajuda a lembrar do (ótimo) filme que era, mas vc começa a perceber que o fundo do baú de suas lembranças cinematográficas está furado e os filmes estão se esvaindo, perdidos para sempre, a não ser que outro maluco venha catar as pedrinhas que João e Maria deixaram para trás. Mas passarinho também come pedra porque confia no fi-o-fó que tem. E você perde o caminho de volta para suas lembranças internas. É a idade, vc já tem mais de 27 anos... mas também é a pletora de ver três ou quatro filmes num dia. No final, é como se você assistisse o "O Morro do Vento Levou",  "007 contra Cidadão Kane", ou - o que é pior: "Tarde demais para... lembrar". Há que ter fairplay e considerar a compra de ingressos um programa divertido, levar dois livros, CD player, saco de filó, comidinhas, farnel para sobrevivência na selva. Não é tão divertido, mas quem não morre não vê Deus. Pior é morrer e não ver, destino que nos aguarda. Se não vamos ver Deus, que vejamos todos os filmes possíveis e impossíveis. Quem sabe, consola?"

    Amigo, você com raiva retoma a verve humorística e escreve textos impecáveis e engraçadamente profundos.

    Estou num intervalo do consultório, prestes a interromper, não escrevo mais. Adorei a "lista dos filmes" e tudo mais. Á tarde, de casa, escreverei sobre como é saber que me falta um dom de paixão, algo como o dos dois cinéfilos. Entrei até numa crise existencial: será que...


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    [Aeternus:4581] Mensagem do Grupo48
    -Visitante(2005-09-21)


    - RE:RE: Passarinho maluco cai no poço em crise cinéfila exsistencial

    Dra. Jansy ameaça com crise existencial porque lhe faltaria uma "paixão" como a da cinefilia floriânica/galleguiana/e de outros não inteiramente revelados.
    Há divergências, minha senhora, há divergências.
    Primeiramente a "paixão" já foi enunciada como "vício", adição, dependência com direito a síndrome de abstinência: procura tampar um buraco sem fundo como o poço onde mora a verdade ("é Pilatos lá Bíblia quem nos diz" segundo Noel Rosa/Orestes Barbosa).
    Segundamente, ese poço de Alice que atravessa a Terra deixando a menina com medo de "sair do outro lado do mundo e de cabeça para baixo" não deixa de pode não mais do que disimular uma termenda crise igualmente (ou piormente) existencial mal disfarçada pela busca do Graal da Sétima Arte ou da cornucópia cinéfila.
    Terceiramente, não sou eu quem revelaria as paixões de outrem em público, mas sei de uma (pelo menos) paixão pública da Dra. Jansy que é o seu amadodiado Vladimir Nabokov.
    Portanto, no offense, mas cada macaco (paixão) pendurado/a no seu galho que sustenta o insustentável peso do ser. O meu (galho - o da cinefilia) tem até maluco demais pendurado, ameaça quebrar e - ai de nós - cinéfilos sem pai nem mãe no país que NÃO é de maravilhas (maravilhas com conotação positiva totalmente em falta).


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    [Aeternus:4582] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-21)


    - RE: Passarinho maluco cai no poço em crise cinéfila exsistencial

    Essa eu já contei mas vai outra vez. Telefono pro neto Adriano ( uns tres anos na época). Digo: "Olá, aqui é a vovó". Ele responde: 'Hmmm. Qualé? Qualé?"  e a boba do outro lado, meio ofendida, continua: " Drico, é a Vovó..." ( com maiúsculas agora).
    O menininho não se altera: "Qualé? Qualé?".

    Passarinho maluco que caiu no poço achava que só existia ele no mundo. E quem não assina no espaço do "Visitante" acha que vou reconhece-lo também?  Qualé? Qual é? ( Quem é???)

    Faz erros de digitação e cita Noel Rosa & Carroll  mas não é o Gallego. Se bem que...
    É cinéfilo viciado mas também não é o Florião, apesar de retomar a idéia "existencial" e adotar um tom ironico afetuoso.
    O tipo escolhido para a mensagem é Times New Roman (small), mas não é o Davy ( o terceiro cinéfilo discreto no site).

    Quem é?

    Acertou com "amadodiado" Nabokov. Como pude trocar por ele o Beckett??? ( Pura retórica, Beckett não dá para reler várias vezes, Nabokov requer isto do leitor e...babei )



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    [Aeternus:4583] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-21)


    - RE:RE: Prova que a memória se esvai antes do festival começar

    Jansy perguntou e eu esqueci de responder que o livrinho sobre "Lolita" (filme, versão Kubrick) que imita o formato de "Fogo pálido" e me parece bom em si mesmo como ensaio, independente do que se ache do filme, é, sim, de autoria de Richard Corliss. A coleçãozinha do British Film Institute, aliás, geralmente tem ótimos ensaios. Nunca me interessei pelo do Slamn Rushdie sobre "O Mágico de Oz" porque nunca fui tão interessado no filme, sempre curti mais o livro, apesar da Judy Garland, do "Over the Rainbow", etc. E, com exceção de um livro para jovens ("Haroun e o Mar de Histórias", maravilhoso, acho o Salman Rushdie meioi cansativo.
    Lembro o que o da Camile Paglia sobr "Os Pásaros" tambpem me pareceu ótima leitura. Não sei os nomes de outros autores (não tão famosos como esses dois) mas os livrinhos sobre "Rocco e seus Irmãos", "Cidadão Kane" (esse eu ainda lembro que é da Laura Mulvey, super-badalada nas Universidades americanas) , sobre "Chinatown" e o já mencionado sobre "Boulevard do Crime" são também muito interessantes e agradáveis de ler. Informativos sem tecnicismos (como uma coleção semelhante francesa só que, como sói acontecer, os franceses têm mais detalhes barrocos), essa coleção inglesa é mais livre nos textos, às vezes bem criativos, uma metaleitura do autor como já disse, muitas vezes bons de ler, mesmo que não se curta tanto o filme de que trata.
    A prata da casa brasileira está representada pelo melhor crítico de cinema que o Rio (o Brasil?) já teve, o José Carlos Avellar, que escreve muito bem sobre o pior  e o melhor dos filmes. No caso, ele fala de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e como fala bem.
    Há livrinhos sobre "Sétimo Selo", "Cantando na Chuva", "Matar ou Morrer", "Dr. Caligari", "Annie Hall" (do Woody Allen) e "NoTempo das Diligências", dentre outros. Pena que a Editora Rocco prometeu e não lançou um sobre "Blade Runner", não sei o que houve, estava "no prelo" há uns quatro ou mais anos e não saiu mais nada, exceto, em outro formato (de livro tamanho padrão), um brasileiro sobre "O Anjo Exterminador" de Buñuel. Bom, mas já não era da mesma coleção inglesa e tinha outro espírito mesmo.
    Importados, ficam caros e os poucos que vi  na Livraria Leonardo Da Vinci eram sobre filmes que me interessam menos, apesar dessa qualidade frequente de os textos serem legais em si mesmos.

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    [Aeternus:4586] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-21)


    - RE:Prova que a memória se esvai antes do festival começar

    Gallego escreveu com Times New Roman e digitou montes de coisas errado...
    Então o Qualéqualé era pra ele mesmo, cuja memória se esvai e etc...

    Comprei dois livros sobre cinema na livraria Travessinha que tem em Brasílias ( no dia em que fiz duas horas e meia, apenas, de fila para ouvir o Marco A.Coutinho Jorge falar no CCBB) : O Cinema e a Invenção da Vida Morderna, da editora Cosak & Naify e, desta mesma editora, "A palavra náufraga" ( ensaios sobre cinema). Nem abri pra ver, mas tinha tantos em oferta que na hora usei um critério qualquer para escolher estes dois... Depois conto.


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    [Aeternus:4587] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-21)


    - fumaças

    O Fest tem seu lado difícil e romântico, também.
    Rolos e rolos em latas pelos corredores dos cinemas, passeando pra lá e pra cá; o ajuste legendas eletrônicas/quadro próprio para estas abaixo da tela, antes das sessões...
    Antigamente, por volta de 1983 até 1986, quando começou a melhorar um pouquinho a organização, sequer se sabia se as latas chegariam ao cinema a tempo da sessão marcada ! Alguns filmes chegavam feito nos filmes de James Bond, no último segundo.
     
    Nessa salada toda, não sei como não acontece ( só uma vez, nestes anos todos e que eu presenciasse, isto ocorreu, ao se iniciar a projeção de um filme que não era o específico ) trocarem alguma lata na parafernália geral.
     
    Pessoalmente, mesmo diante de toda minha paixão, não curto esse mafuá. Admiro a energia da juventude, però...elejo cada vez mais sessões tranqüilas. Longe desse insensato mundo.

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    [Aeternus:4611] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-24)


    - Noticiário enviado pelo LFGallego

    "Eros" só vale pelo terceiro episódio do chinês Wong-Kar-Wai

    Quem for ver esse filme pode chegar atrasado: o episódio de Antonioni (não é implicância) faria melhor se ficasse inédito. Bobo. Tolo. Nada. O de Steven Soderbergh é uma piada sem graça e para variar sacaneia analistas, como no cinema atual embora a piada seja passada em 1955. Mas o chinês (que fez "Amor à flor da pele" que nem ficou como um dos meus favoritíssimos) nos dá uma obra-prima. Lembra quase um Henry James erotizado. Ou um Dalton Trevisan suave. Ou um Nelson Rodrigues romântico. Não acreditam? Pois não percam. É um melodrama sem pieguice. O único com erotismo mesmo, à flor da pele. Poderia ser chulo mas é digno. Chama-se "A Mão". Nunca a masturbação foi explorada tão delicadamente.

    "Em Minha Terra" vale pela Juliette Binoche, podendo rir em uma cena onde está esfuziante e repetindo o rosto dramático d' O Paciente Inglês. Que "máscara" facial! A música africana e paisagens ajudam. O roteiro é fraco. A denúncia sobre horrores do apartheid é forte. Ponto.

    Fujam de "O Gosto do Chá", japones que queria ser Buñuel e é escatológico e chato. Saí no meio. As pessoas riam muito.

    "Morrer em San Hilário" é espanhol típico de "realismo fantástico". Mediano, nem ruim nem imperdível.

    "Sacro Cuore" é melodrama disfarçado italiano típico que lembra "Europa '51" de Rossellini com Ingrid Bergman. Mas sem um e sem outro.


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    [Aeternus:4612] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-24)


    - 1. Eros

    ( em três tempos )
    * Antonioni
      Instado a falar de amor...Antonioni torna a falar da impossibilidade deste. Muita Natureza, próxima a Treviso, corpos nus, disfuncionais ou funcionais. O mesmo casal falido de "O Eclipse", fazendo um semi-inventário de sua falência. Surge uma espevitada, jovem e adoravelmente lasciva, como espada de Dâmocles, e...puff !!!, entramos em Soderbergh.
    * Soderbergh
      Seu 'Equilibrium' começa no desequilíbrio analista-paciente. Este, a princípio apenas um chato de galocha, falando de despertadores e banalidades circunstanciais na sessão, sintoniza em tiques com o analista ( Alan Arkin, excelente ). Freudiano, o prôw folga quando seu cliente refestela-se e fecha os olhos no clássico sofá, ocasião que aproveita para sacar em sucessão dois binóculos de diferente resolução, para paquerar alguém que jamais veremos no apê em frente.
    Se Antonioni falou do desamor e do sexo, mais do que em algum amor, Soderbergh usa essa situação infantilóide para chegar na fixação deste estressado-mor de 1955 com o desvínculo diário resultante da partida de sua elegantíssima mulher. Esse desmame inscreve-o na inexorável rotina de vendedor de horrendos despertadores, aqui ( e sempre ? ) vilões de nossos sonhos.
    * Wong Kar-Wai
      O Karro de Kar-Wai direitinho a Eros, no melhor episódio do filme. Bastante triste e melô, os tons cinzentos e tendendo ao negro chegam às vestes de Gong Li, nos pescoços altos e modelitos colantes, cheios de brilho e estilosos desenhos. Ela é uma puta de bom nível, apoiada por um cafifa que tem sob contrato um dedicado e idoso alfaiate. Quando este passa o bastão a seu discípulo, um jovem, a cliente masturba-o quase chorosa - a Gong chora quase todo o episódio...- dizendo 'quero que você faça roupas lindas para mim'. Assim devidamente pervertido, o rapaz desenvolverá um profundo sentimento pela patroa, avalanche interior contida, vivida no atelier onde ele faz sexo - timidamente - enfiando as mãos pelo tecido da amada, que está a alinhavar. Fetiche-tornado-amor...

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    [Aeternus:4613] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-24)


    - RE:1. Eros

    Acompanhando o relatório do Gallego, mais indignado e do Florião, buscando mais claramente a prometida volúpia... senti que não sou platéia para estes filmes. Mesmo sem ter simpatia pelos atuais movimentos feministas, me vieram umas indignações próprias às militantes mais sem graça. Minha questão, contudo, não é se nestes filmes os diretores usam mulheres ( analisandos homens) como objeto: isto é até bacaninha.  O problema é me parece que os filmes se endereçam para as platéias masculinas. 

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    [Aeternus:4614] Mensagem do Grupo48
    -Mello Pirata(2005-09-24)


    - Direto do NY Film Festival

    SHOT in a black-and-white palette of cigarette smoke, hair tonic, dark suits and pale button-down shirts, "Good Night, and Good Luck" plunges into a half-forgotten world in which television was new, the cold war was at its peak, and the Surgeon General's report on the dangers of tobacco was still a decade in the future. Though it is a meticulously detailed reconstruction of an era, the film, directed by George Clooney from a script he wrote with Grant Heslov, is concerned with more than nostalgia.

    Burnishing the legend of Edward R. Murrow, the CBS newsman who in the 1940's and 50's established a standard of journalistic integrity his profession has scrambled to live up to ever since, "Good Night, and Good Luck" is a passionate, thoughtful essay on power, truth-telling and responsibility. It opens the New York Film Festival tonight and will be released nationally on Oct. 7. The title evokes Murrow's trademark sign-off.

    And be prepared to pay attention. "Good Night, and Good Luck" is not the kind of historical picture that dumbs down its material, or walks you carefully through events that may be unfamiliar. Instead, it unfolds, cinéma-vérité style, in the fast, sometimes frantic present tense, following Murrow and his colleagues as they deal with the petty annoyances and larger anxieties of news gathering at a moment of political turmoil. The story flashes back from a famous, cautionary speech that Murrow gave at an industry convention in 1958 to one of the most notable episodes in his career - his war of words and images with Senator Joseph R. McCarthy.

    While David Strathairn plays Murrow with sly eloquence and dark wit, Mr. Clooney allows the junior Senator from Wisconsin to play himself (thanks to surviving video clips of his hearings and public appearances), a jolt of documentary truth that highlights some of the movie's themes. Television, it suggests, can be both a potent vehicle for demagoguery and a weapon in the fight against it.

    Mr. Clooney, who plays Murrow's producer and partner, Fred Friendly, has clearly thought long and hard about the peculiar, ambiguous nature of the medium. It is a subject that comes naturally to him: his father, Nick, was for many years a local television newscaster in Cincinnati, and the younger Mr. Clooney's own star first rose on the small screen. Like "Good Night, and Good Luck," his first film, "Confessions of a Dangerous Mind"(2002), used the biography of a television personality (Chuck Barris of "The Gong Show") as a way of exploring the medium's capacity to show the truth, and also to distort and obscure it.

    Indeed, these two movies can almost be seen as companion pieces. "Confessions of a Dangerous Mind" suggests that a man with a hard time telling truth from fiction can find a natural home on the tube, while "Good Night, and Good Luck" demonstrates that a furiously honest, ruthlessly rational person may find it less comfortable. Murrow, as conceived by the filmmakers and incarnated by Mr. Strathairn, is a man of strong ideals and few illusions. He knows that McCarthy will smear him (and offers the Senator airtime to do so), and that sponsors and government officials will pressure his boss, William Paley (Frank Langella) to rein him in.

    He is aware that his reports are part of a large, capitalist enterprise, and makes some necessary concessions. In addition to his investigative reports - and, in effect, to pay for them - Murrow conducts celebrity interviews, including one with Liberace, which Mr. Clooney has lovingly and mischievously rescued from the archives.

    From that odd encounter to the kinescopes of the Army-McCarthy hearings, "Good Night, and Good Luck" brilliantly recreates the milieu of early television. (Robert Elswit's smoky cinematography and Stephen Mirrione´s suave, snappy editing are crucial to this accomplishment.) It also captures, better than any recent movie I can think of, the weirdly hermetic atmosphere of a news organization at a time of crisis.

    Nearly all the action takes place inside CBS headquarters (or at the bar where its employees drink after hours), which gives the world outside a detached, almost abstract quality. A telephone rings, an image flickers on a screen, a bulldog edition of the newspaper arrives (sometimes it's this one, whose television critic, Jack Gould, was one of Murrow's champions) - this is what it means for information to be mediated.

    But its effects are nonetheless real. While the camera never follows Friendly or Murrow home from the office, and the script never delves into psychology, we see how the climate of paranoia and uncertainty seeps into the lives of some of their co-workers. Don Hollenbeck (Ray Wise), an anchor for the New York CBS affiliate, is viciously red-baited by a newspaper columnist, and Joe and Shirley Wershba (Robert Downey Jr. and Patricia Clarkson)  skulk around the office like spies (though for reasons that have more to do with office politics than with national security). When Murrow, in March 1954, prepares to broadcast his exposé of McCarthy's methods, the suspense is excruciating, even if we know the outcome.

    Because we do, it is possible to view "Good Night, and Good Luck" simply as a reassuring story of triumph. But the film does more than ask us, once again, to admire Edward R. Murrow and revile Joseph R. McCarthy. That layer of the story is, as it should be, in stark black-and-white, but there is a lot of gray as well, and quite a few questions that are not so easily resolved. The free press may be the oxygen of a democratic society, but it is always clouded by particles and pollutants, from the vanity or cowardice of individual journalists to the impersonal pressures of state power and the profit motive.

    And while Mr. Clooney is inclined to glorify, he does not simplify. The scenes between Murrow and Paley, taking place in the latter's cryptlike office, have an almost Shakespearean gravity, and not only because Mr. Strathairn and Mr. Langella perform their roles with such easy authority. McCarthy may serve as the hissable villain, but Paley is a more complicated foil for Murrow - at once patron, antagonist and protector. (Addressed by everyone else, in hushed tones, as "Mr. Paley," he is "Bill" only to Murrow.)

    Most of the discussion of this movie will turn on its content - on the history it investigates and on its present-day resonance. This is a testament to Mr. Clooney's modesty (as is the fact that, on screen, he makes himself look doughy and pale), but also to his skill. Over the years he has worked with some of the smartest directors around, notably Joel Coeny and Steven  Soderbergh (who is an executive producer of this film). And while he has clearly learned from them, the cinematic intelligence on display in this film is entirely his own. He has found a cogent subject, an urgent set of ideas and a formally inventive, absolutely convincing way to make them live on screen.

    Opens tonight at the New York Film Festival; nationwide on Oct. 7.

     


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    [Aeternus:4615] Mensagem do Grupo48
    -Pirata Mello(2005-09-24)


    - Oliver Twist, de Polanski, no festival de NY

    Polanski por Mr A.O Scott:
     
    His last movie, "The Pianist" , which was widely hailed as a return to form, was also an intensely personal movie for the director. Adapted from someone else's autobiography, the movie, about a Polish Jew struggling to survive the nightmare of Naziism, nonetheless dealt with experiences painfully close to Mr. Polanski's own life. The same might be said about his wonderful new adaptation of Charles Dickens's "Oliver Twist" a novel that has been brought to the screen many times before, but never with such a dark intensity of feeling.

    Or almost never. Precedent for Mr. Polanski's somber, heartfelt interpretation of Dickens can be found in David Lean´s black-and-white versions of "Oliver Twist" and "Great Expectations" both made just after the Second World War. Those films seem marked by the shadows of their own time as much as by the memories of Victorian poverty, and this new "Oliver Twist," while scrupulously reproducing the costumes and décor of the 19th century, seems hardly to be contained within the distant past. Mr. Polanski, a Polish Jew born in 1933, spent much of his childhood in hiding and in flight, which is pretty much the condition of Dickens's young hero (as it was of Dickens himself). Mr. Polanski has, in many of his films, gravitated toward innocent protagonists hounded and bedeviled by monstrous cruelty and, when they are lucky, borne up by small instances of kindness and charity. His retelling of Dickens's tale of a friendless boy discovers within the story those familiar, primal emotions of terror, fragility and the almost perverse will not only to survive but to remain human in inhuman circumstances.

    In the landscape of "Oliver Twist," as in "The Pianist," goodness is so rare and inexplicable as to seem almost absurd. Oliver is played by Barney Clark, who was 11 when the film was made and whose slight frame and delicate features emphasize his character's vulnerability. An orphan, Oliver lands first in a workhouse (its resemblance to a concentration camp is hardly accidental), and before long finds himself apprenticed to a weak-willed coffin maker. At every turn he is menaced by adults whose grotesqueness, while comical, is also a measure of their moral deformity, and of the ugliness of the society that makes them possible. The worst thing about these villains, who tend to occupy positions of at least relative power, is that they believe their sadism and lack of compassion to be the highest expressions of benevolence. Like Barbara Bush after seeing the "underprivileged" citizens of New Orleans exiled to the Astrodome, they insist on telling Oliver that things are working out pretty well for him.

    The look of the movie, shot in Prague by the Polish cinematographer Pawel Edelman, is consistent with its interpretation of Dickens's worldview, which could be plenty grim but which never succumbed to despair. There is just enough light, enough grace, enough beauty, to penetrate the gloom and suggest the possibility of redemption. The script, by Ronald Harwood (who also wrote "The Pianist," for which he and Mr. Polanski won Oscars), is at once efficient and ornate, capturing Dickens's narrative dexterity and his ear for the idioms of English speech.

    Ben Kingsley , hunched over and snaggletoothed, makes his Fagin a figure of hideousness and pathos. The film omits reference to the Jewishness that makes Fagin, along with Shylock, one of the more problematic figures in the English literary canon, but it does not bother to explain or expunge the vicious elements of racial caricature - the nose, the clawlike fingers, the hand-rubbing greed - that cling to the character. There is, nonetheless, great tenderness in Sir Ben's performance, and in the way Mr. Polanski treats him.

    The rest of the cast, who are likely to be less familiar to American film audiences, honor the best traditions of British acting. Jamie Foreman is a scarily thuggish Bill Sykes, Leanne Rowe is a heartbreaking Nancy (who is nearly as much a child as Oliver), and Edward Hardwicke, as Oliver's benefactor Mr. Brownlow, is the embodiment of stuffy British decency.

    But there is nothing stuffy about this film. It is bracingly old-fashioned - a literary adaptation with a somewhat overdone orchestral score (by Rachel Portman) and lavish sets and costumes. But unlike too many film adaptations of classic literature, "Oliver Twist" does not embalm its source with fussy reverence. Instead, with tact and enthusiasm, Mr. Polanski grabs hold of a great book and rediscovers its true and enduring vitality.

    Oliver Twist

    Opens today in New York and Los Angeles.

    Directed by Roman Polanski; written by Ronald Harwood, based on the novel "Oliver Twist: Or, the Parish Boy's Progress" by Charles Dickens; director of photography, Pawel Edelman; edited by Hervé de Luze; music by Rachel Portman; production designer, Allan Starski; produced by Robert Benmussa, Alain Sarde and Mr. Polanski; released by TriStar Pictures. Running time: 130 minutes.

    Or almost never. Precedent for Mr. Polanski's somber, heartfelt interpretation of Dickens can be found in David Lean´s black-and-white versions of "Oliver Twist" and "Great Expectations" both made just after the Second World War. Those films seem marked by the shadows of their own time as much as by the memories of Victorian poverty, and this new "Oliver Twist," while scrupulously reproducing the costumes and décor of the 19th century, seems hardly to be contained within the distant past. Mr. Polanski, a Polish Jew born in 1933, spent much of his childhood in hiding and in flight, which is pretty much the condition of Dickens's young hero (as it was of Dickens himself). Mr. Polanski has, in many of his films, gravitated toward innocent protagonists hounded and bedeviled by monstrous cruelty and, when they are lucky, borne up by small instances of kindness and charity. His retelling of Dickens's tale of a friendless boy discovers within the story those familiar, primal emotions of terror, fragility and the almost perverse will not only to survive but to remain human in inhuman circumstances.

    In the landscape of "Oliver Twist," as in "The Pianist," goodness is so rare and inexplicable as to seem almost absurd. Oliver is played by Barney Clark, who was 11 when the film was made and whose slight frame and delicate features emphasize his character's vulnerability. An orphan, Oliver lands first in a workhouse (its resemblance to a concentration camp is hardly accidental), and before long finds himself apprenticed to a weak-willed coffin maker. At every turn he is menaced by adults whose grotesqueness, while comical, is also a measure of their moral deformity, and of the ugliness of the society that makes them possible. The worst thing about these villains, who tend to occupy positions of at least relative power, is that they believe their sadism and lack of compassion to be the highest expressions of benevolence. Like Barbara Bush after seeing the "underprivileged" citizens of New Orleans exiled to the Astrodome, they insist on telling Oliver that things are working out pretty well for him.

    The look of the movie, shot in Prague by the Polish cinematographer Pawel Edelman, is consistent with its interpretation of Dickens's worldview, which could be plenty grim but which never succumbed to despair. There is just enough light, enough grace, enough beauty, to penetrate the gloom and suggest the possibility of redemption. The script, by Ronald Harwood (who also wrote "The Pianist," for which he and Mr. Polanski won Oscars), is at once efficient and ornate, capturing Dickens's narrative dexterity and his ear for the idioms of English speech.

    Ben Kingsley , hunched over and snaggletoothed, makes his Fagin a figure of hideousness and pathos. The film omits reference to the Jewishness that makes Fagin, along with Shylock, one of the more problematic figures in the English literary canon, but it does not bother to explain or expunge the vicious elements of racial caricature - the nose, the clawlike fingers, the hand-rubbing greed - that cling to the character. There is, nonetheless, great tenderness in Sir Ben's performance, and in the way Mr. Polanski treats him.

    The rest of the cast, who are likely to be less familiar to American film audiences, honor the best traditions of British acting. Jamie Foreman is a scarily thuggish Bill Sykes, Leanne Rowe is a heartbreaking Nancy (who is nearly as much a child as Oliver), and Edward Hardwicke, as Oliver's benefactor Mr. Brownlow, is the embodiment of stuffy British decency.

    But there is nothing stuffy about this film. It is bracingly old-fashioned - a literary adaptation with a somewhat overdone orchestral score (by Rachel Portman) and lavish sets and costumes. But unlike too many film adaptations of classic literature, "Oliver Twist" does not embalm its source with fussy reverence. Instead, with tact and enthusiasm, Mr. Polanski grabs hold of a great book and rediscovers its true and enduring vitality.

    Oliver Twist

    Opens today in New York and Los Angeles.

    Directed by Roman Polanski; written by Ronald Harwood, based on the novel "Oliver Twist: Or, the Parish Boy's Progress" by Charles Dickens; director of photography, Pawel Edelman; edited by Hervé de Luze; music by Rachel Portman; production designer, Allan Starski; produced by Robert Benmussa, Alain Sarde and Mr. Polanski; released by TriStar Pictures. Running time: 130 minutes.


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    [Aeternus:4619] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-24)


    - RE:RE:1. Eros

    Boa questão, bien posé...e não posso ajudar posto que minha condição biológica impede.
    Minha alma feminina, no entanto, faz com que eu me imagine sendo uma dessas heroínas dali.
    Partindo desse pressuposto, vamos lá : as 'duas Antonioni'. A 1ª é uma mulher que emburra e reclama o tempo todo de sua relação falida com o seu distinto. Tem a sensatez de reconhecer defeitos a dois na relação que estabeleceram, e espera uma reconstituição meio mágica das coisas. Não tem como atender as vicissitudes sexuais dele, que a acusa 'de nunca estar disposta', acusação refutada com 'você pensa que sexo é assim, de repente, sem...nada para temperar ?...' ( algo nessa linha ).
    Já a 'lasciva-à-flor-da-pele' vai direto ao assunto, transborda e transpira sensualidade. Vejo-a como franco-atiradora, aberta de todo ás possibilidades, talvez ainda não magoada, talvez simplesmente mais esperançosa.
    A mulher-Soderbergh é um repositório de todo o Alegórico Feminino fetichista. Banhos, cintas-ligas, luvas, chapéu com véu, botões enormes, cintos largos, maquiagem chamativa...Un ballo in maschera !
    A mulher Kar-Wai é a oprimida-milenar, brinquedinho de mafiosos. Enquanto Antonioni fala de desencontros existenciais, o diretor chinês deslancha sobre as disparidades e injustiças sociais.


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    [Aeternus:4621] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-24)


    - RE:Direto do NY Film Festival

    O filme do baixote-narigudo polonês está na Mostra daqui, mas não o selecionei pois creio que será exibido comercialmente.
    A versão musical de Carol Reed, de 1968, era excelente, sobretudo nos décors, fotografia e majestoso Cinemascope ( bons tempos !...só os franceses insistem nisso ! ). Assisti no Roxy antes deste tornar-se tripartide. Ron Moody estava magnífico como Fagin, e o segundo melhor desempenho era de Bulseye, um vira-lata sarnento atormentado pelo Oliver Reed ( que com seu nome tinha que estar no projeto, né ?...)

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    [Aeternus:4622] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-24)


    - RE: Hugh Griffith

    ...e ainda tinha esse hirsuto aí, tomando pifão meio-sem-conseguir-esconder, olhos esbugalahados no púlpito de onde julgava a conturbada sociedade londrina de então...

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    [Aeternus:4623] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-24)


    - RE:RE:1. Ainda Eros (e o resto)

    Antes de responder à questão feminista-machista levantada pela Jansy, gostaria de ser mais claro sobre os outros filmes que vi.
    Disse que "Morrer em St. Hilário" "não é imperdível"; na verdade é dispensável com seus personagens bizarros de pueblo pequeno do interior já explorados até em novelas brasileñas como a vetusta "Saramandaia".
    O italiano "Sacro Cuore" me lembrou "Europa '51" (plágio?) porque fala de uma mulher das altas rodas que depois de uma morte (em "Europa" o filho ainda criança, talvez suicídio; neste filme, mais de uma morte,parceiros de negócio que ela derruba comercialmente e uma menina-moça de rua, pequena ladra que ajuda pessoas ainda mais pobres do que ela) se transforma em neo-madre-teresa-de-calcutá com suspeitas da sociedade (neste filme até de um bondoso padre) de que está louca. Em uma cena ridícula, ela tira a bolsa, sapato, jóias e roupas numa estação de trem, doando seus pertences aos passantes (como o pai de "Teorema", mas que distância artísitca, meu Deus!). Mais do que dispensável, portanto.
    "Em Minha Terra" desfaz novas esperanças sobre o diretor John Boorman que já rendeu  esporádicamente como em "Excalibur" e no anterior a este, "O Alfaiate do Panamá" que era com o cada vez mais admirável Geoffrey Rush (de "Shine" e de uma recente vida de Peter Sellers). A mini-trama dos personagens é fraquinha, deixando a um americano (ainda que negro) o papel de voz da consciência até mesmo de uma branca que luta pela revelação dos crimes de apartheid. Os fatos políticos-históricos de barbaridades são terríveis e importantes de serem debatidos, a direção é correta, mas rotineira e, como já disse antes, sem as paisagens, música africana (belíssima) e Madame Juliette Binoche com a competência habitual num personagem um tanto choramingas, não valeria a pena de entrar em contacto com os horrores sul-africanos através desse filme.
    Sobre "O Gosto de Chá", o que dizer se saí no meio? tinha 142 minutos de duração, segundo o programa. Com pouco mais de 60 minutos de filme chato, lento, com escatologia e supostas maluquices engraçadinhas de uma família japonesa do subúrbio, vi que não havia perigo de melhorar. Pena que o início parecia interessante com um menino em início de adolescência lamentando a mudança de uma mocinha de quem ele gostava secretamente e que havia se mudado, partindo de trem. O "trem" "sai" da testa dele e some na distância, prometendo algo que o filme não cumpre. A irmãzinha que "vê" (o espectador é que vê) atrás dela seu próprio rosto gigante a observando o tempo todo rambém seria uma boa situação de amiguinha (ou inimiguinha?) imaginária a ser desenvolvida. Mas um avô demente e um tio que faz cocô em cima de um ovo gigante - ou de uma caveira - e um fantasma de um homem tatuado, sangrando (e com cocô na cabeça) me fez achar que quem fez o filme é que tinha m.... na cabeça. Fui!
    Finalmente, retorno a "A Mão", episódio de "Eros" sobre o qual Marcos apresentou a situação básica e fez Jansy pensar se nestes filmes os diretores usam mulheres ( analisandos homens) como objeto: isto é até bacaninha.  O problema é me parece que os filmes se endereçam para as platéias masculinas.
    O que posso dizer é que Sueli e outra amiga que encontramos no cinema ficaram igualmente encantadas com o episódio. A beleza plástica e a música (discretas) inteiramente ligadas à narrativa, não sobressaindo nem se destacando; o desempenho magnífico do ator (e competente da Gong Li - a mesma linda de "Lanternas Vermelhas", menos jovem, é claro); tudo faz um todo para compor um "conto" redondo como uma pérola perfeitamente burilada e que passeia com "amazing" delicadeza pelo que poderia ser desagradável perversão/perversidade, lamentável dominação/submissão, polarização indiferença/"concern" e outras categorias como timidez/desfaçatez; uso/abuso; fixação/fetichismo - mas, por incrível que pareça, inclui o fetichismo na esfera do amor, o sexo vulgar na esfera do sublime; a redenção do outro na esfera da dedicação (neurótica, masoquista que seja) de um.
    Triste? Como uma espécie de "Fera na Selva" hardcore, um Henry James sem sublimação; ou, o inverso, um Trevisan/Nelson Rodrigues sublimados com "prazer de estímulo" estético (como dizia Freud) para falar de tantas coisas nem tão conscientes para nossa estrutura egóica de fachada.
    Ouso dizer, ainda que sob a empolgação da revelação que é um daqueles "grandes filmes" que merecem um lugar especial na história do cinema, coisa como há muito não se vê, talvez um parente próximo-distante do recém relembrado por aqui "Não Amarás" (até pela metragem do que originalmente era um episódio de menos de hora na série "Decálogo" que Kieslowski nos legou).
    "A Mão" emociona sem levar às lágrimas.
    Pode ser que a baixa qualidade dos episódios anteriores supervalorize este episódio? Infelizmente penso que a altíssima qualidade deste filme deixe os antecedentes em situação pior. Se eram banalidades dispensábeis ficam de se envergonhar com a confrontação. Não quis mencionar que o casal antonioniano, anda, anda, anda como os de outros filmes, mas marcos falou. Ou seja, se bons filmes antigos dele ficaram datados mesmo, este já nasceu inteiramente velho, apesar do "aggiornamentto" dos seios de fora, nudez frontal e outras coisas, hoje banais ( e banalizadas) até na TV. Como nos piores episódios de "Além das Nuvens" a não-historinha não diz a que veio e há mesmo cenas algo constrangedoras de nudez feminina ao ar livre, numa "dança" à beira-mar algo patética. O episódio americano é curioso por falar de "Eros" (se é que esta foi mesmo uma proposta aos diretores) numa cena que se passa básicamente entre dois homens, paciente e analista em torno de um sonho erótico do paciente e do voyeurismo do analista que mal presta atenção ao que o paciente fala. Depois nada é o que parece, revelando-se uma charadinha boboca e sem graça. Este, talvez um filme de e sobre homens para homens (bobos).
    Mas acho (li algo, há tempos) que na verdade o episódio de Antonioni já existia sozinho, precedendo os demais, e para acompanhá-lo foram juntados os outros episódios, talvez, aí sim, encomendados aos outros dois cineastas.
    As pinturas que antecedem cada episódio são bonitas e a música que os une é do Caetano Velloso, cahamada "Michelangelo Antonioni" incluída num CD em que Caetano homenageia Fellini e Giulietta Masina num show ao vivo na Itália. Confeitos que não conseguem fazer upgrade nos dois primeiros episódios e seriam dispensáveis no último. Vale tolerar os dois primeiros. "A Mão" é um Filme, tenha a metragem que tenha. Honra o título coletivo "Eros", honra o cinema, honra o ser humano e suas vicissitudes nos desvãos do sexo e do amor.
    O diretor tem outro filme (longa metragem) neste festival, "2046" é o título. Estarei lá, expectante, mas já preparado para não encontrar nada igual a "A Mão" porque obras-primas não acontecem todos os dias - embora também não surjam por acaso. E "A Mão" É uma obra-prima.

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    [Aeternus:4624] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-24)


    - RE:RE:RE:1. Eros

    That´s the point, Marcos. Sem me identificar com os personagens e não havendo outra coisa a fazer, exceto ainda eróticamente admirar as moças, o filme fica me parecendo sem sentido.

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    [Aeternus:4625] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-24)


    - RE:RE:RE:1. Ainda Eros (e o resto)

    Gallego levantou a questão que me motivou sobre o tema "feminista/machista" e trouxe o testemunho de duas mulheres que foram ver e adoraram o Wong. Eu não assisti o filme e talvez o adorasse caso estivesse lá. Oque observei surgiu a partir do modo pelo qual ele foi oferecido a quem está, necessáriemente, privado de quase tudo que o cinema oferece: som, cor, fotografia, movimento, atores, roteiro...O que causou em mim foi, no início, uma sensação de voyeurista extemporaneo que valeu, no entanto, porque logo em seguida vieram mais e mais notícias, todas fascinantes.  

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    [Aeternus:4626] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-25)


    - segundo dia do festival

    Depois de uma excelente "Terceira" de Mahler pela Orquestra Petrobrás no Municipal, um filme belga chamado "A Mulher de Gilles" com excelente desempenho de Emanuelle Devos e dos demais atores, boa foto, clima, etc. Mas um pouco lento demais para pouca história de menos. Interessante a reação de uma "Amélia" interiorana a uma situação de gravíssima ameaça ao seu casamento (estamos em 1930). Bem colcada a compulsão do marido pela cunhadinha (bela atriz). Apesar de lento, mantém o interesse pelo que a "Amélia" fará. Mas não creio que entre em cartaz comercialmente no Brasil. Não é nada ruim, mas não gratifica o esepctador.
    Stepnen Frears tem altos e baixos na filmografia, mas quando acerta ("Ligações Perigosas", "Herói por Acaso", "The Grifters"), acerta muito. Esse "Mrs. Henderson presents..." é um bom a certo num estilo curioso, mixto de musical com melodrama de guerra inspirado em fatos reais, na base do "there's no business like show business" que os americanos cansam de fazer elogiando o próprio umbigo. mas aqui, a coisa é à inglesa, explorando a extravagância das classes abastadas entre a I e a II Guerra, admirávelmente caricaturada num desempenho brilhante de Judi Dench. Pode parecer pleonasmo, mas o papel oferece oportunidades histriônicas que não lembro de ela ter tido anteriormente e ela aproveita todas. indicação ao Oscar garantida. Ao lado de Bob Hoskins ("Mona Lisa" antigão, policial dark, "Roger Rabbitt"), Judi Dench brilha. O filme é bem humorado e bem palatável, delicioso enquanto dura. Pedri mais é luxo.


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    [Aeternus:4627] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-25)


    - RE:segundo dia do festival - Pedri mais...

    (Ue semper peoç!)

    Fiquei contente com o relatório galleguiano de ontem, que tem uma dose de suspense. "A Mulher de Gilles" não deve entrar em cartaz comercialmente mas mesmo assim a gente fica sem saber o que a "Amélia" fará pois a irmã, o marido, a rotina da casa de verdade... Devia ter um código ( como os de anagramas) para revelar sem estragar a surpresa para todos.

    Judy Dench é o máximo.Ela é que está como "Mrs Henderson"?   Lembro de vê-la cantando e dançando com duas maria-chiquinha no cabelo, um rosto maroto, um olhar cheio de alegria de viver. Espero poder assistir o filme, ainda mais agora que Gallego promete-lhe um Oscar!

    Acordei com o alarme do meu carro tocando desesperado. Deve ter sido titica de bem-te-vi, pois recebo brindes simétricos diários por causa de um cabo da Net que desfigura a paisagem das ruas, mas é um grande favorito das aves. Espero conseguir dormir outra vez: desde que choveu há dois dias, o clima está maravilhoso. 


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    [Aeternus:4628] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-25)


    - RE:RE:second thoughts sobre o segundo dia do festival - Pedri mais...

    Fui reducionista ao estereotipar a personagem de "A Mulher de Gilles" como "Amélia". Não que não seja: lava na tina, passa com ferro de carvão, cozinha em fogão idem, cuida de filhas gêmeas grávida de explodir, lava o chão, cuida do jardim e da horta numa casa sem recursos modernos no interior belga em 1930; como na nossa música, não faz exigências e quando vê o Gilles contrariado só falta dizer "meu filho, o que se há de fazer?". Transa com ele quando ele quer - mesmo que ele goze rápido - e quando ele está ensimesmado pensando na outra vai "lá" acariciá-lo e lhe proporcionando uma masturbaçãozinha básica. Mas não é só "Amélia" e é pelo "a mais" que a atriz Emanuelle Devos se destaca: discretamente, sutilmente, com mínimas mudanças de olhar ou de expressão facial, a atriz domina o filme; e com ajuda da atriz a personagem tenta dominar a situação na base do "eu me chamo cá-te-espero", num jogo de placidez e neutralidade absurdas que é arriscado e que pode dar certo ou não (não conto se dá ou não dá).
    E, como eu disse antes, o estado compulsivo-dependente do marido enrabichado pela bela e mais jovem cunhadinha é muito bem demonstrado pelo ator que tb está excelente na psicologia rude do personagem que repete apenas "ela é minha, ela disse que era minha" desesperado, possessivo e submisso a esta paixão transgressora, enqaunto sua mulher diz: "Vai passar". E ele diz: "Não vai passar nunca". Fala-se pouquíssimo, o filme pode até parecer meio mudo como os personagens bem "primeira-e-marcha-a-ré" sem marchas intermediárias (segunda, terceira, etc.) num carro que não é nada hidramático.
    Já Mrs. Dench-Henderson fala pelos cotovelos, frases de espírito, bobagens, pieguices, verdades e mentiras (e até palavras chulas!). Jogo de rosto e expressões faciais riquíssimo, a serviço de uma personagem excêntrica com um pano de fundo que permitiria se discutir questões ligadas à sexualidade e hipocrisia, ou seja, o "nu (artístico)" em teatro de vaudeville em 1937 na Inglaterra. Hoje a questão parece apenas hipócrita e datada, já que mesmo filmes não-pornográficos já incluem trepadas autênticas quando os personagens trepam através dos genitais dos atores ao vivo, a cores e sem truques, meus senhores: é ripa na xulipa! Mas vale a pena pensar no fetiche do corpo feminino despido parcialmente ou totalmente para o olhar masculino (e desfrute narcísico de quem se exibe, ça va sans dire); a hipocrisia da analogia com os nus das pinturas consagradas dos grandes artistas (penduradas e estáticas nos museus classe "A") permite a inauguração do nu impedindo as starlets de se moverem no palco, petrificadas com estátuas vivas. Nada disso é aprofundado no filme, afinal, um semi-musical, comédia melodramárica, algo romântica, ainda que mais do que competente. Mas vale uma especulação que me recorda uma das boas tiradas do grande frasista, Bernard Shaw que dizia mais ou menos (segue-se de memória): "Se a moda insistir que as barras da saia continuem a subir enquanto os decotes continuam a descer, eu gostaria de viver para presenciar o grande encontro!"


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    [Aeternus:4629] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-25)


    - RE:second thoughts sobre o segundo dia do festival - Pedri mais...

    É curioso como duplas traições e as que mais ferem ( entre pessoas da mesma família ou amigos do peito) sejam tão comuns  . Pobre Amélia, que quer continuar com o maridinho seja como for! ( Gallego só não disse se vai dar certo ou não dar recorrer ao absurdo da placidez neutra...).
    Hoje, ouvindo um telejornal, sobre a corrupção no futebol, veio a queixa: " o torcedor e o povo estão se sentindo como otários", mas principalmente os torcedores...  
    Não há um espaço livre de traição nesta nossa terrinha das impunidades? Seríamos "Amélias/os", sem outro recurso outro senão da neutralidade bovina?

    Estava lendo um livro chamado "Trivial Variado" que devo ter comprado há uns cinco anos e perdido pelas pilhas que ameaçam minha cabeceira. O autor é um jornalista interessante, na época era ou do Estadão ou da Folha, esqueci e não sei se continúa, Marcelo Coelho. Suas cronicas diárias são deliciosas de ler, embora não todas. Ele mistura com facilidade erudição, humor e atualidade. Ele escreve dando conselhos ironicos sobre o problema dos mendigos ( e lembrei das denúncias atuais contra Serra que pretende uma "operação limpa" sob viadutos paulistas), descrevendo as propagandas para os "Flats" ( excelente: o sonho de trocar de casa e de corpo...), o estilo do Paulo Francis antes e depois de Nova Iorque. Creio que li alguma coisa sobre a corrupção daqueles anos do final do milenio e, se ainda me parecer pertinente, trarei para cá. Ainda não li a parte III onde ele fala sobre cinema.


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    [Aeternus:4630] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-25)


    - 2. La Femme de Gilles e 3. Mrs. Henderson Presents

    Por acaso assisti ontem os mesmos filmes que o Gallego, sendo o 2º ( o do Frears ) convidado por ele, diante do forfait da Suely.
    A duras penas conseguimos dois sanduíches, nos últimos instantes para a sessão, e dei a última mordida no meu alguns metros antes de entrar na sala já lotada.
    A simpática e tímida Kelly Reilly, uma comprida loura de 28 anos que desfila seios esculturais e muito mais em cena, no teatro da 'Sra. Henderson' do título ( Judi Dench )mostrou-se elegante e algo titubeante diante da massa. Mas foi aplaudida, e como todo o elenco andou bem no seu papel.
     
    Gallego falou bastante bem de ambos os filmes que vimos. 'Gilles' vale para dar emprego e mover gente que vai entrando no cinema. O enredo nada traz de instigante, e flui demasiadamente lento, como frisado, sem que isto nos faça 'ler mais nas entrelinhas'. Emmanuelle Devos tira água de pedra, e sem ser bela, enormes olhos verdes translúcidos sobre um rosto de feições algo rudes e pesado como um todo, consegue inesperadas facetas. Ela está também em mais dois filmes da Mostra, num dos quais ignorando a retirada do bigode do marido, num filme que tem como título o dito cujo.
     
    Sobre o Frears, acrescento algumas coisas.
    Aprecio dele também "My Beautiful Laundrette" e "Sammy & Rosie", da fase swinging London& hindus invasores.
    "Mrs.Henderson Presents" é antes de tudo muito gostoso de se assistir. Bob Hoskins marca com discrição seu personagem, como que estendendo o tapete para a Judi dar seu show. Afora isto, o Frears arranjou uma velhinha espetacular, bem enrugada e cheia de maquiagem, sempre elegante, para fazer contraponto com a personagem central.
    A instituição da nudez nos palcos ingleses é tratada com bastante sutileza e ironia fina pelo diretor, que encena nuances bastante interessantes, como uma sedução gastronômica de Lord Chamberlain pela 'empresária' Sra. Henderson, a convencê-lo da nudez entre trufas, salmons, queijos e iguarias especiais. Ou ainda a forma com que da pudicícia inicial vamos vivenciando o dia a dia das garotas&técnicos&chefia nos bastidores.
    A foto esmaecida e repleta de filtros de Andrew Dunn favorece a composição de época, e dá um ar gloomy à homogênea platéia de animados soldados e à Londres-sob-bombardeio. Facilita ainda um certo tom nostálgico daqueles shows de variedades, com pernetas, fantasias de pelúcia, papier maché e papelão, a estilizar luas, árvores e coisas do gênero. A proposta artística básica de Vivian Van Damm - o judeu diretor de arte e homem forte de Mrs. Henderson - passava por esse fait divers, que de repente, numa troca de luzes junto a um acorde musical, revelava corpos femininos nus e estáticos ( e só assim Lord Chamberlain permitira...)
    A trilha sonora de George Fenton funciona bastante bem, desde os créditos. Canções melódicas ou jocosas dão bojo a bons números de dança e coreografia.
    Como disse o Gallego : para que pedir mais aqui ? 

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    [Aeternus:4634] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-26)


    - 4. Coure Sacro

    Bem, gostei um pouquinho do filme, ao contrário do Gallego, desta vez.
    Nossa empresária gananciosa que decide trocar o açambarca-e-devora por uma versão moderna de Madre Teresa de Calcutá entra numa síndrome altruística paroxística, após carregar culpas familiares e circunstanciais de toda ordem, aqui incluídos o suicídio duplo de um casal ex-sócio e o atropelamento de uma menina ladra-de-rua, que furtara uma girafinha desmontável de madeira para oferecer de presente à empresária, tornada sua quase-preceptora.
    O diretor-roteirista Ferzan Ozpetek quase resvala para o panfletário, em certos momentos. Grâce Dieu prevalece o viés cinematográfico tentando estruturar-se, isto a partir de uma técnica excelente a seu dispor : som de 1ª, Cinemascope, bela fotografia, muitas cenas num palazzoto familiar de amplos cômodos, com destaque para o quarto de morte da mãe da personagem central, paredes todas escritas em ranhuras, incompreensível linguagem...Abdicando do circuito todo-poderoso de cifras e exorbitâncias, ali foi confinada e deixou-se confinar por uma tia impiedosa, Dama-de-Ferro ancestral e 'supervisora' do aprendizado na área da ( de repente )conturbada sobrinha, antes perfeita discípula.
    Há um outro cômodo fantasma, todo coberto de lençóis e igualmente lúgubre, onde uma vez ligado o interruptor uma velha vitrola faz ressonar em eco uma ária fúnebre. Magníficos quadros empoeirados, sobre paredes texturizadas, revivem uma época que está sendo banida, exclusa.
    É quando nossa heroína muda de idéia, após entrar em contato, curiosamente para ela mesma, com 'Os Desgraçados' - a menina ladra que morre, um mendigo angustiado e patético, arrastando-se em pensamento atrás de sua noiva fugidia, o bairro pobre enfim. Seu outrora pomposo palazzoto torna-se abrigo de caridade, com refeições e pacotes-sobrevivência para pobres coitados.
    O próprio padreco da comuna local tenta dissuadi-la : "não é se exaurindo e se sacrificando dessa forma que se resolverá tudo. Eles pedem 'um' e você dá 'dez'..."
    A tia-sem-alma entra furibunda em ação, para acabar com o baile dos oprimidos, sem sucesso. Numa escaramuça por subúrbios ainda mais desmantelados, Madre Teresa vê mais desgraça e angústia ainda. O padreco lhe diz "vê, mesmo o milagre é pouco para essa gente. É preciso uma ação geral, ordenadora, determinante !"
    A moça despiroca geral, então, na viagem de volta : começa doando seus brincos, anéis e braceletes, passa para a bolsa, blusa, sutiã, etc...até que a vemos internada numa instituição psiquiátrica.
     
    Também divergindo do Gallego, acho que Barbora ( com 'o' mesmo ! ) Bobulova vai bem no papel central. Concordo que falta inspiração maior artística e soluções mais fortes de roteiro no 'entremeio' da questão ética : um trabalho mais refinado desta epopéia desenfreada de ganâncias, apagando identidades e memórias. Inevitável a comparação com "Viridiana", onde Buñuel genialmente anda na contra mão, e após a orgia descomposturada dos mendigos no casarão, devolve nossa priminha Viridiana, cabelos soltos e sensualidade à flor da pele, ao nosso mundo de pecados.
    Também inevitável a comparação com "Teorema", onde Pasolini radicalizava o discurso com a volta às origens.
    A ciascuno il suo, puoi.

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    [Aeternus:4635] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-26)


    - RE:4. Coure Sacro eCuore Saco?

    É um privilégio acompanhar MF e LFG nos debates sobre os mais novos filmes, cada um com um viés particularíssimo para amar ou odiar os roteiros, atrozes e diretores. 

    Parece que o tema beira a história dos mendigos e da "solução" proposta pelo Serra, seguramente melhor que a dos seus antecessores no Rio e em Salvador. Agora também descobriram um esquema de corrupçpão para acabar com o paulistano...Do jeito que a coisa vai ainda está todo mundo embarcado no slogan da ditadura: " Brasil, ame-o ou deixe-o" , uma frase que já por si era horrível e que agora ganhou uma torção peculiar "Brasil, use-o e deixe-o".

    Li montes de discussões dos sociólogos, politicos, antropólogos opinando contra a tática do Serra, todos incrívelmente "políticamente corretos".  Me descobri mais reacionária: acho que não há saída para o problema da mendicância. Podemos ( ou melhor,deveríamos) oferecer escolas, hospitais, moradia decente e empregos para a população, distribuir melhor a renda e, apesar disso, estou certa de que continuaríamos com mendigos assentados nos gramados, defecando e urinando na cidade, dormindo nos jardins. Há países nos quais os mendigos representam uma opção de vida ( como os religiosos na India, ou os primeiros franciscanos). No Brasil não se trata de opção, assim no começo: conheço pelo menos três gerações de menina/os de rua que não desejam outra coisa pois nunca puderam aprender como aspirar a algo diferente ( também não sei se adiantaria). 

    Para minhas poucas luzes, a solução mais pertinente seria a de aprendermos a conviver com os mendigos sempre por perto de nós, mas sem voltarmos mais particularmente  para eles estas ideologias que gravitam em torno dos projetos de escolas, hospitais, medidas sanitárias. Para não falar nas reformas políticas mais drásticas. Quero dizer que há mendigos por vocação e não apenas aqueles que foram empurrados para a pobreza extrema e ficaram sem outra saída.  Proponho um estudo da dinamica da mendicancia para entendermos que há mendigos que moram, comem e se vestem direito por trás de muitos  dos assim classificados de "funcionários do governo"...  Um filme com a Sarah Miles sobre Lord Byron tem uma cena terrível na qual mendigos se matam quando, num arroubo de generosidade alienada, a moça joga suas jóias para os pedintes.   Comprei uma cópia de um Buñuel sobre "Os esquecidos" que vi há uns trinta anos no cinema e tenho tido medo de ver outra vez. 

    Aceito aulas.


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    [Aeternus:4637] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-26)


    - 5. Proof

    ( há um excelente filme australiano de 1991, da diretora Jocelyn Moorhouse, chamado "The Proof", com Hugo Weaving, Geneviève Picot e Russel Crowe )

    Não sei se o romance de Daniel Auburn, que inspira o filme roteirizado por ele e Rebecca Miller, é anterior ao projeto de "A Brilliant Mind", já que as linha são muito próximas : aqui, professor e pesquisador de Matemática ( avançadíssima ) entra em parafuso, e passa anos a fio confinado em casa, sem produzir, apoiado pela filha mais nova ( Gwyneth Paltrow ).
    Auburn&Miller conseguem uma delicada abordagem dos rumos dessa família, onde curiosamente a mãe jamais é citada, e logo de início sabemos da morte do pai luny ( Anthony Hopkins, muito obeso ). Chega a irmã toda-dedos de NY ( Hope Davis ), comperguntas e conselhos a tiracolo, tentando convencer a irmã - secretamente também tida como doida, em seu íntimo - a morar e trabalhar em Manhattan.
    O miolo do drama oscilará entre flash-backs da relação pai/filha, de um affaire filha(27anos)/jovem adulto(26)formando carreira em Mat também e o arreglo entre as irmãs.
    Alguns pequenos segredos, bem plantados, e alguns arrufos vão dando colorido à trama, adensando os personagens. Hopkins faz um cientista louco sem trejeitos, malabarismos ou exageros. É um zombie mais para o patético do que para a desgraça ou histeria. Gwyneth conduz bem sua introvertida personagem, falhando numa ou noutra careta. Jake Gylenhaal, o rapazinho, compõe bem seu papel, sem brilhar nem comprometer, e Hope Davis destaca-se como catalisadora de situações chave dentro do drama.
    Além de um questionamento interessante sobre influência/destinação, autoria, confiança e inventário de culpas dentro do âmbito familiar, ponto alto para a não-definição dos rumos dessa intrincada teia onde o encontro parece sempre fugidio.

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    [Aeternus:4639] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-27)


    - preferências e "diferências"

    Como os nossos... 17? 11? 6? 3...? leitores já devem ter percebido, Marcos Florião é mais tolerante com filmes italianos, pouco lançados no Brasil nos últimos muitos anos; vai a quase todos que consegue nos festivais e graças a isso me deu a dica, há 2 anos, de "Eu não tenho medo", belíssimo e que acaba de sair em dvd e passou meio em branco quando foi exibido nos cinemas. Também, no Brasil, um filme sobre - digamos - a ética (natural?) de uma criança num ambiente perverso (ou pervertido no sentido da voz passiva?  ou desesperadamebnte empobrecido e semi-oligofrênico afim de um golpe de sorte seja de qual origem fosse?). Enfim, assistam. Li o livro depois e é simples como romance; o filme é melhor. Baseado em episódio real. Bonito de foto, música, paisagem para tolerarmos a barra da história. Mas no Brasil faz suceso é "O Homem que copiava" que é uma ode a anti-ética.
    Eu devo ser mais tolerante com filmes franceses, talvez. "A Mulher de Gilles" ganhou nos dias seguintes ao primeiro contacto, sem virar nenhuma maravilha imperdível, mas com aspectos bem interessantes na memória.
    Nos encontramos, Marcos e eu, na apreciação de "Mrs. Henderso presents...". Nos encontramos também na saída de "A Mulher de Gilles" e, com a desistência de Sueli, Marcos foi com a entrada dela ver a Judi Dench brilhar.
    Sueli faz sempre as escolhas erradas (exceto quanto ao marido maravilhoso que ela tem, ça va sans dire): domingo, sob chuva e frio fomos - ela e eu - assistir "A Febre", de diretor estreante, atraídos pela Vanesa Redgrave contracenar com Angelina Jolie e uma de suas filhas, Joely Richardson (menos conhecida que a irmã Natsha Richardson, atualmente Sra. Lian Neeson, também conhecido como o Schindler da Lissta de).
    Marcos fizera cara feia ao ver o nome de Michael Moore no elenco. Com Vanessa Redgrave? Deveria ser um homônimo. Não era.
    O diretor estreante estava lá na sesão "de gala". Marcos e eu vimos o nome na véspera e era "Carlo Nero" e nem assim caiu a ficha: Vanessa Redgrave, depois de se separar do Tony Richardson (que dirigiu "Tom Jones", "A Taste of Honey" e dois filmes com Jeanne Moreau  - um deles, "Mademoiselle" onde ela uivava no cio -mesmo!- , baseado em Jean Genet - e aí o inglês ficou de quatro pela francesa - que depois o chutou), enfim, a Vanessa, logo que estorou em Blow-Up fez o musical "Camelot" com um italiano bonitão e canastrão como Lancelot (ela de Guinevere) chamado Franco Nero. Buñuel teve que engolir ele em "Tristana" e só agora descobri que ele, como Vanessa foi (ou é) ativista de esquerda.
    Pois bem, o Carlo é filho do Franco com a Vanessa. Ou será de Lancelot com Guinevere?
    Mamãe produziu para o filho? ou só deu uma forcinha? Ou ambos se engajaram num filme que é mais uma propaganda institucional da esquerda anglo-americana do showbusines? O filme é chatíssimo apesar de ter só 83 minutos e se não fosse a Vanesa tirando leite (aguado porque o roteiro... não tem roteiro, só monólogos quase) das pedras, teríamos aaído no meio. Mas tínhamos a vã esperança de que melhorasse. Não tem história, é primário com esquerdismo piegas e infantilóide, algo idealizado e ingênuo, Repettitivo, não sai do lugar, criticando o consumismo, etc etc. E pior na lembrança no dia seguinte, tal como ressaca de uísque paraguaio (ou esquerda americana de Michael Moore e Angelina Jolie - esta aparece de católica e revolucionária. Me poupem!)
    O argentino "Garoa Portenha" é competente como filmagem, interpretação, música, etc. Mas o roteiro é previsível, repisando o tema de uma pessoa viva responsável pela morte de outra ocupar os espaços do morto tal e qual, já mais bem explorado, por exemplo no livro "O Décimo Homem" de Graham Greene (que originalmente era um roteiro - ótimo - para cinema mas que surpreendentemente deu um filme burocrático apesar do excelente Anthony Hopkins antes da fama de canibal no elenco).
    Acho que esse argentino pretendia ser uma demonstração da culpa persecutória não elaborada depressivamente, mas, pelo menos para psicanalistas, de forma banal, sem maiores vôos. Pena, porque a parte cinematográfica é boa, a câmera é de quem "é do ramo".
    O chileno "Cachimba" podia ser menor. Joga no difícil terreno da farsa com personagens caricatos e situações cafonas. Interessante pensar que critica (sem falara explicitamente de política) a esclerose de instituições ligadas ao governo (algo como o patrimônio hist´rico e artístico de lá), o mercantilismo oportunista e corrupto, enfim, nossos pecados sul-americanso (embora não só). A platéia riu mais e gostou mais do que eu. Achei meio mais ou menos.
    Espero que minha sorte mude neste cassino que é ver filmes de acordo com a hora livre e com palpites que se tem, tão idiossincrásicos quanto jogar no vermelho 17 ou preto 27. Haja roleta.
    "Caché" com Daniel Auteil e Juliette Binoche dirigido pelo mesmo de "A Professora de Piano" (antes da autora do livro em que se baseou ganhar o Nobel de literartura) CHEGOU mas terá que entrar em hoirários livres pois os que tinha sido destinado bem no início do festival foram ocupados por outros filmes pelo atraso nas cópias de Caché.
    Enfim, o melhor do fim de semana para mim ainda foi mesmo ouvir e ver a Terceira de Mahler numa excelente performance da Orquestra Petrobrás no Municipal com Karabitchevski confirmando que é bom em Mahler.
    Sábado que vem tem violinista Schlomo Mintz e compramos para ver Marilia Pera em show de músicas de Carmen Miranda (vi Marilia como Carmen duas vezes, em espetáculo roteirizado sobre a vida da Carmen e em uma das imitações que ela fazia emn "Elas por Ela" - é fantástica como clone da Miranda! E aquelas músicas da Carmen eram uma delícia! E as roupas bizarras, divertidíssimas)
    Com isto vou deixar para o Marcos, se quiser, minha entrada de sábado ás 22 horas de um documentário sobre sexólatras. O título era ótimo de ser escutado pelas pessoas comprando entradas: "Eu sou viciado em sexo" (mas não precisava confessar em voz alta na compra de entradas... e saídas...)


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    [Aeternus:4640] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-09-27)


    - RE:RE:4. Coure Sacro eCuore Saco?

    Então, Caríssima!

    E aqui na Estação Santana do Metrô, que, apesar de dispor as catracas no subterrâneo, dá acesso a um trecho aéreo da linha, acima do canteiro central da avenida Cruzeiro do Sul, puseram grades de ferro em tudo, e estão tapando as aberturas que faziam um arejamento entre o interior subterrâneo e o exterior da estação. Aquilo também tem cara de "espanta-assaltante", mas, o verdadeiro resultado foi o deslocamento dos mendigos para o relento. Já os pedestres são obrigados a se submeter a um gargalo para atravessar de um lado para outro da rua/estação pelo nível da rua. Até onde sei, os mendigos continuaram ali, em torno das grades, mas nesses dias de chuva, pra onde será que foram?

    E esse papo de assalto onde tem mendigo, é furado. Alguma vez você já ouviu falar de assaltante mendigo?

    Mas sabe o que eu acho? Que tucano não reprime. Tucano FORACLUI!!

    D.


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    [Aeternus:4642] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-27)


    - RE:preferências e diferências

    Antes de tudo, parabéns à auto-estima de meu amigo !
    Já que nossas ingratas parceiras não nos reverenciam, ao menos alguém precisa deixar registrado nosso valor intra-muros ( pra não falar intra-lençóis ).
    Ainda sobre nossa Amélia de Gilles, talvez o mais belo no filme seja a tenacidade dela diante da adversidade. O desfecho certamente será lido de forma diversa por cada um, mas creio que pode passar por um tipo de altruísmo doentio, tal e qual o da Madre Teresa do filme italiano : a entrega do marido à irmã ?...
    Animei-me a tentar ver "Rois et Reine" para rever a Devos, vamos ver se o filme chega.
     
    Eu quero sim esse bilhete para "Eu Sou Viciado em Sexo", absorvendo dessa forma a tara do Gallego. Só acho que a Ana não vai me acompanhar na empreitada. Anda muito casta.
     
    Sobre a Vanessa, sofreu muito com esse down de bons nomes no cinema inglês ! Apesar do filão 'luta de classes' haver sido esgotado - genialmente, frise-se ! - junto aos 'não-temas' - junkies largados na sarjeta, ofensas familiares e sociais do princípio ao fim, imundície generalizada e bêbados de plantão - temos uma safra fraca de diretores e até de atores/atrizes, que sempre foram fortíssimos por lá. O pessoal tem valorizado mais algumas gostosas, como a narigudinha Saskia Reeves - já deve estar quarentona - e agora a Safron Burrows, bem assanhadinha e talentosa.
     
    Daqui a pouco assisto mais um del paese, "Onde" ( "Ondas"). Torno subito.



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    [Aeternus:4645] Mensagem do Grupo48
    -Jansy Mello(2005-09-27)


    - RE: Coure Sacro eCuore Saco?

    Caro Conde Drácula ,

    Se não tivessemos aprendido o truque de usar o "Tema:ultimas 50 mensagens" e "atualiza a lista" estaríamos todos perdidinhos de tanto que você viaja e resgata listas antigas e temas quase passados para novas discussões.Hoje já passeamos pelo Festival, E agora, José e Hora Azul.  Valeu.

    Excelente visão: "os tucanos não reprimem...eles foracluem". Os republicanos elefantinos do Bush idem. Daí que, se concordarmos com Lacan, temos uma clara confirmação da observação que ele fez a propósito do Caso Schreber: "aquilo que não é simbolizado retorna pelo real".  Estamos sofrendo grupalmente não pelo retorno dos recalcados, mas de uma invasão do Real...


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    [Aeternus:4647] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-27)


    - RE:preferências e diferências

    Marcos leu um monte de coisas na última mensagem do Gallego que eu não encontrei. Só quero ver no que vai dar...
    Vi que LFG ficou bem desencantado com o conjunto total das ofertas da mostra, tanto que colocou como ponto alto o concerto da OSN do sábado passado, que não tem nada a ver com cinema, e anunciou sua expectativa para o próximo fim de semana, quando cederá os bilhetes duramente conquistados ao seu colega de fila.

    Ainda assim os dois estão extraindo leite de pedras, como já disseram a propósito da Vanessa Redgrave, nos comentários sobre o festival. 
    Adorei as observações do Gallego sobre o nível patético da esquerda Redgraviana. O filme do protegido da diva deve ser, igualmente, bem pobrezinho.


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    [Aeternus:4648] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-27)


    - 6. Onde

    Incrível a tendência moderna de deixar abertos os roteiros, transformando as tramas em recortes do cotidiano.
    Neste "Ondas" o diretor Francesco Fei usa dois personagens que aproximam-se por suas 'deficiências' : um cego após descolamento irreversível de retina e uma moça estigmatizada por uma mancha hiperpigmentada enorme, de nascença, sobre quase toda a hemiface esquerda.
    Ao invés de permitir que alguma trama tome rumo, o roteiro prioriza o mero dia-a-dia dos dois, os pequenos obstáculos e tentativas que ambos fazem. A moça nem se arvora a imaginar relacionamentos 'normais' com eventuais parceiros, limitando-se a proteger - e de todo modo - seu flerte com o rapaz cego. É que de certo modo ela já espera o tranco que aplicarão sobre ele, a mesma zombaria, desdém e manipulação da qual ela foi vítima desde a 1ª infância. Há uma espécie de resignação assumida no trato ela com o 'social', uma noção de seus 'proibidos', de sua 'delimitação de ação'.
    Sem pieguices, Fei conduz bem a narrativa, que se passa numa Gênova impessoal, com seus viadutos a atravessá-la, a areia artificialmente branca, poluída pela indústria próxima, e o plácido mar, constrangedoramente verde claro pelo mesmo motivo.
    Destaque para Anita Caprioli no elenco, uma delicada moreninha, perfeita para o papel.

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    [Aeternus:4649] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-27)


    - RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

    Quem não tem cão caça com "Retro" ( Kung Fu)  e novela da Globo! Tem cotidiano de montão.  Pra confessar francamente gosto dos detalhes e pequenos olhares, gestos ínfimos e desapontamentos. Num mundo superlotado, dá alívio constatar que as escalas menores ainda existem para valorizarmos a vida comum. 

    Não sei se o comentário que li hoje no noticiário era um pronunciamento genuíno do presidente vietnamita, ou talvez do encarregado da defesa contra tufões, mas achei contrastante com tudo que li sobre o Katrina ou Rita nos EEUU:  " Perdemos os diques, perdemos milhões mas, felizmente, salvamos milhares de pessoas..."  Quem sabe o oriental não é tão massificado quanto as reportagens  ou filmes ( como "Lost in Translation") nos levam a crer. Afinal tem o desmentido dos seus filmes, até de alguns desenhos para crianças, como  "Totoro"... Talvez eles conheçam desde séculos um termo que hoje vi ser empregado pelos teóricos de Heidegger, propondo uma atitude de "Gelassenheit" diante das dificuldades com o mundo atual.  Acho que a tradução poderia ser "Despojamento", mas tem uma tonalidade de "entrega" ( sem ser conformista) no termo alemão e que some em "despojamento". 


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    [Aeternus:4652] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-28)


    - RE:RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

    Jansy diz que os filmes orientais provariam que não são tão massificados assim. Minha segunda tentativa com filme japa neste festival foi a mais desastrosa de todas: "Café Lumière" veio com marketing de ser uma homenagem a Ozu (que tem uma mini-mini-restrospectiva no festival que vai me atrair para uns dois filmes dele que não conheço; aliás, não conheço muitos e ele filmou muito mesmo, desde cinema mudo, eu acho, até os naos 1960). Pior do que o da vanessa e pior od que o que eu saí no meio. Por que? porque é um poço de pretensão no uso da Cãmera parada, intermináveis planos-sequência (ou seja, sem cortes, com sequências enormes da câmera petrificada, banalidades do cotidiano (moda? no filme que Marcos viu - e tinha que ser italiano), história nenhuma, enfim, um tremendo misunderstood do que é o cinema de Ozu que tem cãmera parada (ao nível do tatame), planos seuências longuíssimos, tramas simples do cotidiano, mas com uma "pequena" diferença - ou duas - tem um cineasta sensível, humanista e talvez um gênio (palavra pesada para quem filmava como talvez os músicos renascentistas, sem pretensão maior) atrás da câmera; e os enredos "banais" têm perspicácia psicológica sobre o dia-a-dia das vidinhas comuns. Que diretor daria a um filme o título de "A Rotina tem seu encanto"? Outros títulos: "Uma Mãe deve ser amada" (não vi), "A Escola é um lugar agradável" (idem), "Ele é um pai" (pretendo ver neste festival), "Pai e Filha" (tema recorrente em seus filmes: a filha vai se casar e o pai ficará só), "O Gosto do arroz no chá verde" (vou ver no festival), "Bom Dia", "Dia de Outono", "Flor do Equinócio", "Fim de Verão". prá falar a verdade são todos tão parecidos que já nem sei os que vi e os que não vi, mas todos são como hai kais desde o título. A obra-prima tb passa no festival e eu reveria com prazer, mas não vai dar: "Tpkio Monogatari" (Tokyo Story ou Aconteceu em Tókio no Brasil).
    Café Lumière não é nada e eé pretensioso. Sala cheia sob chuva e frio raro no Rio. Uns babacas aplaudiram. Um sujeito saiu indignado falando alto: "Ozu não é isso!". Não resisti e concordei: "Ozu não é chato me esse filme é chatíssimo"; uma moça acrescentou: "Quem nunca viu um filme dele não vai ver achando que é isso; a gente depois de meia-hora já podia saber quenão ia melhorar e devia sair!" Contei que fiz isso em "Gosto de Chá" e ela agradeceu a anti-dica.
    Mas está na moda: desafetivado, seco, frio, blasé, distante: enfim, nada do que são os filmes de Ozu: sensíveis, mas discretos, contidos mas afetuosos, delicados mas agridoces e com um leve sorrisinho sobre melodrmas nem melosos nem tão dramáticos. Um chá de jasmin, saboroso, forte até onde consegue parecer/ser forte.
    Merecei não gostar de "Um Dia no Campo", retorno do diretor chileno radicado na França há anos, Raul Ruiz que sempre inventa histórias complicadas que não consegue desfiar no desenvolvimento: atrái pelo insólito mas frustra e irrita com pedantismo e falta de consistência. Assim foi com "Crônica da inoc~encia" onde um menino começa a dizer que não é filho de sua mãe mas rerencarnação de outro menino que morreu e, portanto, filho de outra moça. Choque na abertura e portas trancadas na "fechadura". outro que tem tremendo ibope na intelectualidade, consegue atrizes como Isabelle Huppert, Deneuve e conseguia Mastroiani para o decepcionante "Três vidas e uma só morte" onde três personagens eram um só e bláBLÁBLÁ - E DAÍ?
    mas ele me surpreendeu favoravelmente na sua versão do "Tempo Redescoberto" de Proust (para quem já havia lido: uma torrente de imagens e nomes e personagens incompreensíveis para que não leu La Rechereche... Um elenco de sonhos com Fanny Ardant, Emanuelle Béart, La Deneuve, sua filhota Chiara Mastroiani, malkovitch como Barão Cahrlus, etc etc. Também me pegou em "Genealogias de um crime" inspirado no patético episódio real de uma psicanalista pioneira que analisou seu sobrinho pois achava que ele tinha tendências homicidas. Ou a ana´lise foi frustrada ou ele realizou o desejo da titia: assassinou-a. Este filme sacaneia cruelmente ass instituições e fogueiras de vaidades do mundo psi. LOa deneuve fantástica.
    Mas "Um Dia no campo"...faça-me o favor! De novo questões de mortos que permanecem vivos, fronteiras dissolvidas entre a vida e amorte, as épocas, o tempo... numa historieta banal e previsível. Esse cara não aprendeu com Buñuel a ssumir o não-explicado, o insólito em si mesmo, o estranho pelo estranho. Quando ele vai explicar e não explica e um tremendo mau-hálito intelectual. A seu favor, os movimentos de cãmera, os travellings, a câmera circular loenta na horizontal com o que seduz na forma. Mas conteúdo...neca!
    O menos ruim do dia foi o clássico do cinema francês sob ocupação nazista, "O Corvo" (Sombras do pavor quando de seu lançamento original no Brasil. Filme de 1943 que lhe rendeu problemas na Libertação, acusado de ter filmado sb a ocupação alemã com certa simpatia pelo inimigo. Não sei. A história de cartas anônimas numa cidadezinha do interior, com o contágio putrefato da desconfiança e denuncismo (nem sempre calúnias, aliás, nunca mentiras, a tal "verdade" que ficaria melhor não revelada - coisa que se discute até hoje em "Closer", por exemplo) pode ter sido vista como a delação dos simpatizantes ao nazismo, algo ruim? ; ou seria a delação dos resistentes, algo ruim? Delação para o bem? Geralmente delação tem uma conotação feia, seja o que esteja sendo delatado. Mas e o disque-denúncia brasileiro?
    Voltando ao filme sem extrapolações metafóricas: funciona ainda; é exemplar na apresentação da trama e desenvolvimento, embora  com o envelhecimento natural de uma obra acadêmica ( a "nouvelle vague chamaria os filmes franceses "de qualidade" de "cinema do papai"), datada na tipologia dos personagens, atores, maquiagem, etc. Mas isso não chega a ser problema, o filme mantém o interesse crescente. O problema é que, na época, era necessário uma "solução" do tipo quem é o culpado. E para minha suspresa (eu esquecera o final), já naquela época, o psi era o culpado. Não era psicanalista mas era um psqiuiatra algo psicólogo, falando em perversões sexuais, frustrações sexuais, impotência, etc. Mantém uma dignidade formal de clássico sem maiores vôos com excelente caracterização da epidemia de denúncias e medos de perversidades que brotam de cartas anônimas. Valeu rever.
    Torçam pela melhora na minhas escolhas possíveis porque está brabo!


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    [Aeternus:4653] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-28)


    - RE:RE:RE:6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano...

    Que 'a rotina tem seu encanto' não tenho a menor dúvida.
    Mas que 'a escola é um lugar agradável' já se vão outros quinhentos...
    Os japoneses são muito ajustados, eficientes e competitivos, mas...os que sobram, depois dos jovens que cansam disto aí em cima e fazem harakiri.

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    [Aeternus:4654] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-09-28)


    - RE:RE: A invasão do real

    "Estamos sofrendo grupalmente não pelo retorno dos recalcados, mas de uma invasão do Real..." Jansy

    Alguém poderia perguntar: esse "Real" é o do plano Real ou o do Lacan? Eu diria que, neste caso, são dois lados de uma mesma... MOEDA.

    Mas falando sério: eu acho mesmo que a pobreza, a miséria e/ou a economia dos excluídos não são simbolizadas pelos tucanos e tucanizados. Há um "buraco no Simbólico", que transforma a Sociologia (e a Política) em Economia, reduzida a significação descolada, flutuante, numa verdadeira inversão de valores em que tudo passa a girar em torno apenas de "valores". Até que chega uma hora em que o simbólico, não conseguindo mais abarcar qualquer realidade, tem sua "praia invadida" pela revolução dos excluídos, essa gente que, como a Jansy disse, não teve nenhuma outra opção de subjetivação que não a miséria ou a bandidagem (sempre lembrando de discernir uma coisa da outra, uns sujeitos dos outros, porque ocupam sítios diferentes nesse panorama). E vira essa briga de grades e cimento pedriscado, numa tentativa de apagar uma percepção. A foraclusão é um defeito perceptual, a alucinação e o delírio psicóticos são defeitos perceptuais, mas com toda (ou maior) força de uma percepção. Aí o burguesinho morre de facada no pescoço e não sabe porquê.

    E na analogia com o caso yankee, eu diria que o PT bichado no poder também é um retorno do real, assim como o Bush é o retorno do real em relação à foraclusão preceptual dos Democrats. Aqui, nóis tâmo até melhor que eles: eles só têm PSDB (os Democratas) e uma coligação PFL/PDS (os Republicanos). Mas os republicanos, com sua truculência kukluxklônica, é o retorno do real deles, enquanto que o nosso, embora aparentemente oposto, é o povão, seja ele representável pelo PT, ou pelo PFL, ou pelo SBT do Sílvio Santos, ou pelo Cidade de Deus do Fernando Meirelles...

    Eu acho que a gente tá numa sociedade que, pior do que psicótica, é psicopática...

    Não me lembro se foi o Lacan ou algum lacaniano que falou que Schreber construía um novo campo simbólico que ia ao mesmo tempo corroendo e substituíndo o antigo, algo que pudesse abarcar seu tufão de realidade irrepresentada. E isso, aos meus olhos, se parece muito com a tucanização da linguagem tal como bem nos aponta o Zé Simão - um cara antenadíssimo. Tucanaram até a lavagem cerebral - agora se chama neurolingüística...

    Abração,

    D.


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    [Aeternus:4655] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-28)


    - 6. Onde/ delicadas cenas do cotidiano... Tudo com rinite?

    Gallego diz que Jansy diz "que os filmes orientais provariam que não são tão massificados assim", mas não deixou claro se os filmes é que não são massificados ou os milhões dos orientais.
    A indeterminação ficou ótima porque, como tantos diretores dos filmes deste festival, eu não sabia como concluir. Tentando consertar o erro cheguei à conclusão que me agrada, no oriental, o modo primitivo de praticar o "sincretismo": tudo pode ser qualquer coisa, nada é particularmente sagrado e tudo é especialmente sagrado. 
    Será que melhora assim? Minha atenção é que sacraliza aquilo sobre o que ela se detém?  

    Elogiando Ozu ( foi digitado certo?) Gallego prossegue: "Que diretor daria a um filme o título de "A Rotina tem seu encanto"? Outros títulos: "Uma Mãe deve ser amada" (não vi), "A Escola é um lugar agradável" (idem), "Ele é um pai" (pretendo ver neste festival), "Pai e Filha" (tema recorrente em seus filmes: a filha vai se casar e o pai ficará só), "O Gosto do arroz no chá verde" (vou ver no festival), "Bom Dia", "Dia de Outono", "Flor do Equinócio", "Fim de Verão""...Pra "falar a verdade são todos tão parecidos que já nem sei os que vi e os que não vi, mas todos são como hai kais desde o título".
    IIIIIHHHHHH. Detestei os títulos e Gallego os considerou poéticos! Parecia propaganda nas embalagens dos "Crunchy Crispies" ou "Softy Yummies" vendidos nos States, com um acréscimo ideologizante. 

    E, enfim: "O menos ruim do dia foi o clássico do cinema francês sob ocupação nazista, "O Corvo" (...) A história de cartas anônimas numa cidadezinha do interior, com o contágio putrefato da desconfiança e denuncismo (...) pode ter sido vista como a delação dos simpatizantes ao nazismo, algo ruim? Ou seria a delação dos resistentes?"   quando nos lembra do Disk-Denúncia brasileiro. 

    Teve um filme com o governador da California ( digo o grandalhão austríaco casado com uma Kennedy) no qual a discrição hipócrita dos professores prejudica uma criança que vem sendo espancada em casa: " Um tira no jardim de infancia", talvez seja este.
    Afinal, ontem estava defendendo a idéia de que, seja o que fizermos, sempre algo dará errado...Que nossa opção nunca deve ser orientada para "o maior acerto" e sim para "o erro menor".

    É importante podermos "denunciar" o que vemos estar ocorrendo e que, pelas regras daquela cultura, a viola. Mas já por aí tem um senão: ouvi dizer que o Ministério Público só pode acolher denúncias quando o "delator" ( puxa, podia ser "delatante") não as faz anonimamente. Certo ou Errado?  O que sei eu? 
    Dizem, por exemplo, que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher". E as estatísticas mostram que  mais de cinqüenta por cento dos crimes ocorrem em casa e contra membros da mesma família. Quando é que cabe intervir? Quem? Como? Onde?
    Estava eu um dia rotineiramente cotidiano numa fila habitual e diária do banco ( nas priscas eras da desinformatização ) quando uma pessoa furou a fila na minha frente. Reclamei e bem docemente. Sabe o que aconteceu? Todos me olharam indignados, como se a inadequada fosse eu. O mesmo aconteceu num avião da TAM que não levantava vôo nunca e todos sentadinhos, com cinto, no calor da aeronave parada. Chamei a aeromoça para obter informações. A população inteira do avião me olhou de banda como se já soubessem que sou criadora de caso...
    ( E sabem o que apurei? Foi hilário e, mesmo rindo, não me deixaram saltar do avião quando pedi... A primeira resposta da comissária foi: "Como não dá para decolar deste aeroporto, vamos decolar de Campinas". A segunda foi:"Ué, não pensei nisso. Não vamos rolando pelas ruas, mas...". E a terceira:"Vamos esvaziar o tanque de gasolina para poder ir até Campinas bem leves e lá encherão nossos tanques para decolarmos" )  


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    [Aeternus:4656] Mensagem do Grupo48
    -Jansy Mello(2005-09-28)


    - RE: A invasão do real..A little learning is a dangerous thing

    Não sei quem inventou a expressão "óbvio ululante": Nelson Rodrigues? Leon Eliachar? Mario de Andrade? Silvio Santos?  Estou sempre sendo acometida pelos óbvios.  Estava ontem contentinha quando descobri lá no fundo do baú de abravanel ( metáfora para o arco da velha ) que o sentimento do "ser", ou melhor, do "ego" nasce da percepção que temos da passagem do tempo, do antes e depois, do agora e nunca.  E não é que precisei dormir, sonhar, acordar para lembrar que o mais famoso livro que não li, do Heidegger, tem este título escancarado: " Sein und Zeit", o ser e o tempo...
    Ai,santa ignorancia. E vai ver que ele nem trata disto uma vez que não deve ter visto os anjos ouvindo interminável e infinitamente as vozes sussurradas no filme do Wim Wenders.

    E aí, Conde, concordamos sobre os republicanos e democratas americanos e você ainda nos deu pitadas de otimismo permitindo-nos sacar que temos mais sorte que a turma lá do norte.

    O que Freud descreveu para o Schreber e que Lacan retomou falando do "retorno pelo real daquilo que não foi simbolizado" era parecido com o que você ouviu dizer. Quando o psicótico parece estar mais louco aos olhos dos leigos é quando está em via de recuperação: rompendo seu silêncio, o louco então começa a reconstruir seu mundo destruído com todas as penas do pavão. Não tem nada a ver com a realidade consensual, mas é um mundo novo assim mesmo. 

    Como é mesmo a piada? O neurótico constrói castelos no ar, o psicótico mora neles e o psicanalista cobra o aluguel? 
    Eu, se tivesse bolado a gracinha, a montaria de outro modo e diria que o psicótico constrói castelos no ar, o psicanalista mora neles e o neurótico cobra o aluguel ( estou pensando nas massas e não na escala de "um")

     


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    [Aeternus:4657] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-28)


    - RE:6. delicadas: não necessariamente poéticas cenas do cotidiano

    My Dear Jansy, My (un?)fair Lady: Não achei os títulos poéticos, alguns são até bem cafonas e nem sei se são fiéis ao título em japonês da pátria filhos ver contente a mãe gentil. Eu quis dizer da simplicidade, banalidade prosaica (vale o pleonasmo?) dos títulos, demonstrativos do que se vai ver mas sem revelarem o toque de sutileza que faz de Ozu um nome idolatrado por cineastas como Win Wenders (que filmou uma espécie de documentário sobre a obra-prima "Tokyo Story") - embora isso não seja argumento por Wenders continua cutuando Godard, que até merece pór bons serviços prestados mas é o máximo da desafetivação em muitos filmes (nem todos). Mas "A rotina tem seu encanto" parece título de teorema brechtiano, como querpiamos demonstrar, lembram dos teoremas do terceiro ginasial? e esse, de fato, acho bonito.

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    [Aeternus:4658] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-28)


    - RE:6. delicadas: não necessariamente poéticas cenas

    Unfair Lady? Injusta e feia, né???  Desculpe. 

    Ainda bem que pelo menos o lado injusto tem remédio.
    Entendi que você havia considerado os títulos japoneses constituindo-se em  "hai kais", donde, poéticos. Dito de outro modo, opostos à brevidade portuguesa para "Psicose", o conhecido "O filho que era a mãe".
    Pois, sei lá, a rotina é só encanto pra mim: veja como varia o "todo dia ela faz tudo sempre igual" do Chico ( vai da boca de hortelã à boca de pavor)!

    Só hoje notei que não apenas o hino da Independência lembrado pelo Gallego, tem orientais e ali falando da mãe ( "Japonês da pátria filhos"), como também nosso Hino nacional em seus acordes iniciais (sua anti-coda): "Laranja da china...laranja da china, etc".

    E o petróleo que descobriram na costa oriental da Rússia, entre o Alaska e o norte do Japão, será um acréscimo positivo ao mundo, ou seja, um "plus a mais" como traduzem "surplus"?  Nabokov era profeta. Ele vivia insistindo que ali naqueles mares tinha coisa... Cheguei a pesquisar a rota diferente do Vasco da Gama de uns russos que, antes da Antártida, exploraram as regiões do canal Bering e enviaram almirantes como Lisiansky...Crente que o tema eram vulcões, arqueologia e comércio de peles, óleo de baleia, ou seja, o tipo de coisa que interessava a turma naquela época...

    Cutuando Godard é "cultuando" ou "cutucando"? ( implicancia porque sou vingativa e desconto pela "unfair" lady da mensagem anterior. Sei que é "cutucando". Oops, "tucanando"...Épa... "cultuando"!!!!

    Florião hoje discorreu sobre os japoneses e me pareceu concluir que na primeira metade das suas vidas eles são kamikasis do ego. Na segunda, viram haikais.  Talvez sim. O "ego" é um tremendo caixa 2 dos nossos investimentos narcísicos...


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    [Aeternus:4659] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-28)


    - RE:RE:6. delicadas cenas e pinceladas

    * para Jansy
    a. 'óbvio ululante' é do Nélson dos Tigres, claro, assim como 'as sandálias da humildade', que andam usando de novo por aí. Havia ainda 'a velocidade burra', 'os idiotas da objetividade', 'o videotape mentiroso', o 'Sobrenatural de Almeida' ( um torcedor absolutamente neurótico e complexado, morador em Irajá num edifício de banheiro coletivo )
    b. sobre o 'castelo' que não é o do Kafka, 'e o psiquiatra tem a chave'.
    c. ego caixa 2 : gostei. Também 'bandeira 2', porque custa caro.
     
    * para o Conde
    a. foraclusão : abodei bastante o assunto em editos baseados na Sociologia. Modo geral a tchurma pensa que há um impulso natural e cruel em direção a ela, algo como 'vejam o que acontece com quem não lê e cumpre a cartilha'. Seja : é preciso haver e evidenciar-se os foraclusos para 'enquadrar' os pretensos inclusos. O velho 'medo como forma de Governo', de Willelm Reich.
    b. Sim, também acho nosso Brasilis com cara de P.P.Zão, as clássicas Personalidades Psicopáticas de Kurt Schneider, 'as que fazem sofrer a sociedade com sua forma de Ser'.

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    [Aeternus:4666] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-28)


    - 7. Caché

    Haneke é o diretor da dissensão, da violência pulverizada no cotidiano, de todos os ardores que nos vêm atiçar.
    O curto circuito da perversão em "A Professora de Piano" foi uma 'concessão' à violência urbana geral abordada em "Funny Games"(1997),"Code Inconnu"(2000). Uma filigrana dessa entalpia.
    A princípio faz todo o sentido do mundo a preocupação do casal parisiense ( Daniel Auteuil & Juliette Binoche ) com a chantagem muda de fitas gravadas sobre seu cotidiano, sem que descubram sua origem e seus fins. Pequenos sinais de disfunção adentram o foco central, como o de um ciclista negro zunindo na contramão, quase atropelando o respeitável cidadão. Haneke adora esse 'desgraçado que não devia estar lá', esse fator de desagregação, essa paranóia de bolso, esse peão do eleitorado de 10-12% na direita radical francesa, altamente xenófoba.
    Mergulhamos na trama, e surgem os pieds-noirs argelinos, mesmo tempo em que percebemos que o personagem central, como qualquer mortal sobre o planeta e como quer Oscar Wilde, "não é rico o suficiente para comprar seu passado".
    Mais uma vez o surpreendente diretor austríaco não nos poupa de cenas dantescas, horrendas. Elas coexistem e convivem, em seus filmes, com outras tranqüilas, formando um mosaico desconcertante. Tão díspare, talvez, quanto a pretensa possibilidade de harmonizar as diferenças.
    Mas as opções parecem igualmente feitas, les jeux sont faits. A Babel aí está. E Haneke continua com sua câmera ligada, pronta para registrar o próximo movimento...

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    [Aeternus:4667] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-29)


    - RE:7. Caché

    Antes de falar de "Caché", uma advertência: o chinês de Taiwan "The Wayward Cloud" é uma bosta. Do mesmo diretor de "O Buraco", feito para aquela série de filmes, um de cada país sobre a virada do milênio (o brasileiro foi do Waltinho Salles), é  a mesma coisa do anterior: uma história de amor (?) meio besta, personagens bizarros, interrupções para números musicais cafonas (estética nem gay brega, é drag queen cafona mesmo), desta vez com porcaria (falta água em Taiwan e daí falta higienbe no filme), dirty sex, escatologia, sem sexo explícito mas suficientemente desagradável aos meus olhos. As pessoas riem, acham graça e que é "mUderno" (com "U" mesmo). Na cena final (essa eu conto prá desisitirem) o rapaz que mantém um caso platônico com uma mocinha está trabalhando árduamente (é ator pornô) comendo uma japonesa em coma, ou morta, ou sei lá, inerte. Contra-regras a sacodem, abrem as pernas dela, etc etc. Não levantei de perplexidade! No finalzinho, a ponto de explodir, ele vê, através de uma janela gradeada a mocinha "gozando" de olhá-lo fodendo hardcore sex a japa inerte. No último momento ele dá um salto e enfia a jeba na boca dela (e vale o cacófato). Que beleza de grand finale! Quanta poesia! Que criatividade! Um filme escroto, debochado, babaca com verniz de merda de transgressão cuzona. perdoem a linguagem chula, mas veneno cura veneno. ou contagia tudo. Detalhe: me foi recomendado como o melhor filme do festival. Por algum inimigo? Era deboche, ironia, pegadinha?
    Revi "O Boulevard do Crime", apontado como o melhor filme francês de todos os tempos. Não é, não! Tem muita coisa muito melhor. O livrinho da coleção do British Movies Council te convence que o filme é o máximo numa superleitura, metaleitura, sei lá como dizer, cheia de detalhes indetectáveis para o comum dos mortais. É um bom filme, datado e envelhecido que se sustenta nos efeitos de espetáculo, com uma magnífica cena final. Bom. E nada mais. Valeu rever no meio de tanta bosta contemporânea.
    Por fim, "Caché", que se tornou o filme mais aguardado até porque não chegava. E não chegou para os dias previstos de passar, colocaram outros nas sessões para as quais estava programado. Chegou anteontem e entrou no lugar da Sophie Scholl que deveria passar hoje mas não chegou. Pena.
    Não gostei nada de outro filme do diretor de "Caché" (título perfeito, tudo a ver) e mal tolerei a case story de "A Professora de Piano". Só fui ver este cheio de expectativas pela repercussão que teve no Festival de Cannes onde saiu com prêmio de direção, prêmio do "Júri ecumênico" (?) e outro que não lembro. Apostavam no prêmio para a dupla de intérpretes Daniel Auteil e Juliette Binoche, repetindo o feito de "O Colecionador" há 40 anos que premiou o casal Samantha Eggar e Terence Stamp. Não foram premiados nossos franceses atuais, mas não importa. Eles são co-autores do filme, sem eles não seria amesma coisa. E ainda temos a Annie Girardot (inesquecível como 'Nadia' em "Rocco e seus irmãos"), agora velha, sem plástica, com dentes pretos de cigarro e uma interpretação brilhante numa breve cena. Como Jeanne Moreau não deve ter feito plástica nenhuma, o rosto está como os de velhas do meu tempo de criança: enrugados, velhos. E daí? Não se pode mais envelhecer? essas atrizes excelentes dizem que podemos.
    O filme tem problemas de roteiro, ao meu ver. Se pretendia discutir a xenofobia franco-argelina é sutil demais; se pretendia lançar dúvidas sobre a personagem da Juliette, idem, fica numa quetsão edípica do filho entrando em puberdade; acaba sobressaindo a questão de ciúmes de irmão mais velho por um novo irmão a ser adotado (no passado)  e "ganchos" de suspense (o filme deixa todo mundo tenso, o silêncio da e na platéia era estarrecedor) que não se desvendam numa cobrança "realista" que o espectador tem direito de fazer, face ao exposto na tela.
    Mas, ainda que "aberto" demais para "ganchos" insólitos igualmente demais, não repete a incompetência do Raul Ruiz que mencionei ontem. Este filme também enrola os ganchos do roteiro e fica com pontas soltas. Mas é competente e eficiente no envolvimento e tem desempenhos magníficos dos atores secundários aos principais. Daniel Auteil tem mais chance e está admirável. Pode não ser "o" filme do festival, mas sem dúvida é dos mais instigantes e atraente, apesar de atirar demais em  muitas direções e e não atingir (nem deixar claro quais são) os alvos todos.
    É curioso como o cacoete da moda de enooooormes planos-seuência (tomadas sem cortes) com câmara parada, parada, parada tem razão de ser neste filme e funciona bem, aumentando o suspense a cada tomada lenta, longa, parada, onde nada acontece. Ou talvez aconteça quando menos se espera. Ou nada acontece quando mais se espera. Não é manipulação, faz sentido dentro da forma, do estilo, da trama. O personagem de Auteil é um tratado sobre splitting do Ego sem ser uma 'case story' banal. Vale! E não vou falar que a Juliette Binoche (mais peitudinha, bundudiha e rolicinha) continua linda, trés charmante e fazendo seu papel (menor do que o do Daniel) com a tal naturalidade que os canastrões da Globo acham que têm. A "naturalidade" de Madame Binoche é densa, teatral e espontãnea, artificialemnte natural, naturalmente artificial - como a linha do Daniel Auteil. Que dupla! Não precisam de prêmio em Cannes, estão além e acima disso.


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    [Aeternus:4668] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-29)


    - RE:RE:7. Caché

    Bem...perto desse carinha aí de Taiwan e de alguns nomes nauseabundos do cinema atual, um caso como o dos filmes de Marco Ferreri muda seu ângulo de abordagem : passam a ser considerados até comportados e de um formalismo distinto...
    Mas compreendo - sem aceitar ou concordar nem de longe ! - esse desencanto disruptivo com a Estética e com os padrões 'estabelecidos' de Beleza : misturam-se aqui um desgosto profundo com o ser humano e seus rumos, somado à uma necessidade de 'ressuscitar' para a pessoa ( tentar ) se sentir viva de novo. Passe de mágica, sabe ?
    Não há mais 'tempo', necessidade de 'trabalho' ou de paciência : o processo deve ser radical, apocalyptico...
    Mudanças dessa ordem e nessa ordem resultam apenas em modismos idiotas, vazios. A autêntica 'velocidade burra' do Nélson.

    Adorei a Binoche assumir-se fofinha, roliça ! Nada dessa merda de virar loura para disfarçar idade, magra cheia de estofo de botox, silicone e plásticas para tentar o impossível : voltar a ter 18 anos. Acho bonito o processo natural, a curva biológica, a ascensão ao auge, geralmente ali entre os 27 e 30 anos, quando começa-se a descer a ladeira.
    Imagino que é difícil uma bela mulher olhar-se no espelho e constatar-se definhando, o que torna perdoável este ou aquele excesso nos artificialismos. A Annie Girardot está tão deformada que não conseguimos sequer identificar se ela tentou algo modificador ao longo desses anos. Está na fronteira de Emilinha Borba com Dercy Gonçalves, talento - claro - sideral à frente das nossas duas divas de subúrbio.


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    [Aeternus:4669] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-29)


    - Longínqüas perplexidades

    Quando "Sophie Scholl" foi programada para passar no Festival de Brasilia, os rolos não chegaram em tempo e tudo foi cancelado, mesa-redonda, projeção e até exibição no circuito comercial. A mesma incompetência se repete no Festival do Rio. 

    Acho que vocês só recebem os filmes sexualmente escatológicos e não as guilhotininhas dos nazistas. De quem é esta ideologia maluca discriminando os nossos festivais? Tudo desgramado...

    Das duas, uma ( típica tirania da palavra "alternativa"): ou os festivaleiros estão promovendo uma revolução cultural ou o cinema-arte está na frente de todas as tendências concretas e desidealizantes.
    Por mais que eu deteste sentimentalismos e tenha me cansado de singeleza iraniana, dadaísmo, surrealismo,duchampismo...nada disso me preparou para sequer imaginar os filmes de que Gallego e Florião vem trazendo notícias. Achei que as histórias não teriam fim, sempre haveria uma para contar que valesse a pena e no entanto, parece que não se faz mais cinema com narrativa fora de Hollywood. Na verdade, seria qual verdade?  Borraram-se as bordas, bordaram-se os bordões, assentaram-se os batons e a turma do "baby boom" começou a perder terreno e se perdeu nas rugas?


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    [Aeternus:4671] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-29)


    - RE: de cotidianos, musas, histórias, denúncias, E.T.s e fins de mundo

    Antes de tudo, friso que estou bem satisfeito com o nível do que tenho assistido.
    Ao ler o listão, geral, achava que não haveria nenhuma obra-prima, da mesma forma que se até aqui esta não surgiu, por outro lado não houve nenhum filme que eu houvesse lamentado ter ido.
    Sou menos exigente que o Gallego, ver minhas musas movendo-se em cena já me deleita...
     
    Quanto às 'histórias', aos fios dramáticos, chamei a atenção para isto por que cristaliza-se mais e mais essa tendência a um 'autoral livre', ume espécie de 'pensar o mundo sobre fragmentos do cotidiano'. Os filmes mais 'fechados', atualmente, são os de terror, onde a desgraceira abate-se sobre os personagens, morrem dezenas ou centenas, e depois da tempestade ainda assim deixam uma janela aberta para a volta do monstro ( "Chamada 2", "Sexta-feira 13 nº 657" ).
    Amor em baixa : nossos tímidos heróis e heroínas não desejam mais 'serem felizes para sempre', sem essa de anelar relações sólidas e longas, de fazer promises promises : junta-se os trapinhos, no máximo, numa boa, e tudo fica por conta de um je ne sais bien quoi.
     
    Filmes sobre denúncias e falcatruas igualmente parecem não mais sensibilizar as platéias. Houve aquela época de "O Caso Mattei", "All the President's Men" e obras nessa linha, que atualmente pedem um perfume mais poisonné como o de Michael Moore, que eu não quis assistir, já que senti que é como o PFL arvorar-se a crítico do PSDB e PT.
    Numa trama para eliminar o presidente dos USA, por exemplo, precisam ser inseridos habitantes de outro planeta, 250 (d)efeitos especiais por baixo, tals. É insuportável.
    Ao mesmo tempo, filmes que glorificam a Beleza e a Vida, como "Io Non Ho Paura", passam ao largo, ou sequer são comprados para exibição comercial.
    Num filme francês regular que assisti com o Gallego na Mostra há uns três anos atrás, passado no réveillon, uma turba de jovens dá uma festa escapista regada a ecstasy, 'i' e alcoólicos. Demolem a casa dos pais da anfitriã, que está empenhada em engravidar, veste uma sainha metálica de um palmo sem nada por debaixo e é a única que não entra na droga. Após concretizar seu sonho - um gozo meio atômico do namorado, espermatozóides voláteis pelo quarto flagrados em câmera-lenta dedans la chambre, acontece um defeito num encanamento de um dos toilletes, e esse casal vai parar na mesma Paris onde estão...só que 20 e poucos anos após. A cidade-Luz tornou-se algo próximo a Casbah, com dunas e seca por todos os lados. Por que conto tudo isto ? vibrei comigo mesmo porque na devastação uma das instituições que restou foi o 'Bistrot Romain', um dos meus preferidos na época em que conseguia visitar Paris...
    Haja conservadorismo, hein !

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    [Aeternus:4672] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-29)


    - extrato de trivial variado

    A cinefilia é uma espécie de perversão cultural benigna, numa arte que se dedica a dominar e ocupar totalmente a imaginação em funcionamento.  É uma vitória contra a passividade que o cinema impõe ao espectador. Fetichizando os grandes mestres do passado em retrospectivas e homenagens rituais, o cinéfilo como que consuma uma involuntária e amorosa traição aos ídolos que cultua.

    O filme de SB não foi feito para agradar ao público.  Vemos a dissecção de uma cobaia, a agonia de um travesti portador do HIV, uma ratazana prestes a ser queimada viva, um esfaqueamento, um suicídio, sem contar diversos casos de crueldade moral e cenas de humilhação explítica.  Torna-se praticamente impossível, assim, "recomendar" o filme.  O crítico, habituado ao esquema "vá ver/não vá ver", "é bom/não é bom", depara-se aqui com um objeto estranho, radical, intratável. 

    Nazismo, bolchevismo e modernismo surgem a partir de um diagnóstico semelhante, o da exaustão da cultura burguesa, e de um receituário parecido do ponto de vista teórico: destruir para purificar.

    ( pensam que fui a autora destes tres parágrafos e que vi o Festival numa bola de cristal? Qual. São excertos do livro de Marcelo Coelho, redigidos em meados de 1995...) 


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    [Aeternus:4679] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-29)


    - 8. Forty Shades of Blue

    Sombrio, letárgico, sem força, sem pegada, sem proposta.
    ( a tempo ) Milagres acontecem : vencedor do recente Festival de Sundance.

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    [Aeternus:4680] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-29)


    - escalada escatologica: a antiga ressurreição alien

    Para discutir cinema sem ir ao festival ou às salas de projeção, peguei um DVD pra ver em casa. Estava interessada na suposição de uma "diferença radical" ( inimaginável por definição) para constrastá-la à idéia de "Aliens" nos quais, por mais terrorífica que seja, sempre tem uma matriz das projeções humanas.

    Comecei vendo o filme "A Ressurreição" irritada com tudo. Passam-se não sei quantos cem anos e a humanidade ainda fala inglês, usa roupa, tem militares aliados aos cientistas, mais uma turma de hippies-piratas com algum código ético ( melhor que o dos cientistas e militares, claro). Nada evoluiu, só a tecnologia. Devagarzinho fui superando o incômodo com a puerilidade da proposta. 

    À tarde tinha visto uma entrevista com Steven Spielberg falando sobre os velhos filmes de ficção científica, principalmente sua curtição com os que não tinham recursos especiais nem orçamento alto. O favorito até onde vi foi "O incrivel homem que encolheu" sendo perseguido por um gato dentro de uma casa de bonecas, seguido de outro no qual o perigo vinha de uns cristais que se deslocavam para despencar sobre as cidades.

    O que cria a estranheza do "alien"?  No caso deste filme com Sigourney Weaver e Winona Rider, mais outros tantos atores canastrões, os bichos gigantes que abrem a boca e de dentro saltam outras bocas não chegam a ser tão terríveis quanto as moréias, camarões e seres marinhos das grandes profundezas...Será o fato de serem dotados de inteligência semelhante à humana?

    Dei uma pausa ( ainda está pausando enquanto escrevo). Se temos seres no planeta Terra que são horrendos em todos os sentidos da sua distinção daquilo que faz o humano e, ainda assim, convivemos bem com a maioria deles, ou,  se sabemos que numa gota de água carrega microorganismos ainda mais esquisitos, ou se vemos ampliados detalhes de um fio dos nossos cabelos... o que é que constitui o nojento e monstruoso "novo"?

    Olhei em volta e me perguntei sobre o mundo inanimado ( ensaiando uma psicose a la Clarisse Lispector): uma toalha felpuda com dobras é algo bem estranho, assim como  um vidro azul bojudinho carregando bolotas de algodão branquinho. Escova de dentes com cerdas que mudam de cor e tamanho: argh!!! Um vaso com flores. Uma caneta... O mundo inanimado é todo alien também.  E então... o que cria o "monstro"???

    Quando eu estudava psicologia ainda jovenzinha aprendi que um dos sustos que macacos eram capazes de experimentar advinha de verem outros macacos sem cabeça ou com cabeças trocadas. Faz sentido.

    E é por isso que o filme "Alien" é esperto. É cheio de seres humanos que hospedam répteis confabulados. Ripley, ela mesma, além de ressuscitada por clonagem, carregou no ventre um dos bichinhos mortíferos alienígenas e sofreu trocas sanguíneas com seu "filhote". Por isso ela era toda monstrinha sem que se pudesse distinguir nada diferente no rosto como o dela trabalhando como uma secretária do futuro.  

    Mais um óbvio de Colombo: a "Diferença" que nos assusta se produz a partir da referência que fazemos a nós próprios ( corpo, mente, ideologia, engramas mnêmicos, subjetividades). Somos uma montagem egóica cheiinha de anti-corpos!

    Vou clicar o "play" para mais desgraças...


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    [Aeternus:4681] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-30)


    - filmes quadrados, graças aos Céus!

    Nada de mais, mas filmes acadêmicos corretos em suas pretensões. Finalmente! O melhor foi o argentino "Roma", nome da mãe do personagem principal. Longo (155 minutos) sem cansar nadinha. Nostálgico para quem foi criança nos anos 1950, jovem no final dos 1960, perplexo com as ditaduras latinoamericanas no início dos 1970. Juraria que é autobiográfico, mas nada explicitou isso nos letreiros, mantendo aquela clássica frase de que "todos os personagens são fictícios, etc etc" que aparece como defesa prévia a questões judiciais até nas biografias explícitas de Nixon a Sophie Scholl. By the way, Jansy, a culpa dos filmes que não chegam não é necessariamente dos programadores das mostras quepodem ser açodados, sim; mas o problema pode ser do país ou companhia produtorra que se comprometeu a enviar, de nossa alfândega (a principal culpada geralmente exigindo buRRocracias que não exigem em transportes contrabandeados de drogas, por exemplo), etc etc. Os filmes escatológicos são assinados por diretores prestigiados pela crítica estrangeira ou por festivais anteriores, assim como pelos ministérios de cultura dos países que esses filmes representaram nos ditos festivais. Deve ser um sinal dos tempos mesmo. Alguns destes chegaram e a fama injusta provocou que eu fosse conferir. dei azar. Por que Sophie Scholl não chegou, não sabemos. Foi duplamente premiado no festival de Berlim, suponho que a Embaixada Alemã teria interesse de divulgá-lo se ainda não está com distribuição comercial garantidam( e não está, passaria com legendas eletrônicas  em português, sob a tela como muitos filmes destas mostras). Mas pode ser que não haja interesse me divulgá-lo (teoria da conspiração neonazista). Mas por que outros filmes não chegaram a tempo? (Muitos!) Talvez porque essas cópias que vêm emprestadas para uma mostra no Brasil esteja fazendo falta em outro país mais interessante? Mistééééériosssss....
    Voltando a "Roma": o filme tem clichês óbvios, mas o fato de passar a impressão de ser autobiográfico já mostra que consegue transmitir um pathos de verossimilhança (é sobre uma autobiografia de um escritor em crise criativa que só consegue escrever sobre sua mãe no momento e porque precisa saldar dívidas e aí vêm os flash-backs bem tradicionais). Mexe com agente, especialmente com filhos únicos de mães amantíssimas. (O nome da mãe é palíndromo de 'amor'). Édipo perde.
    "Kim Novak nunca nadou aqui" é um filme sueco que não passa de uma variante daqueles filmes de adolescência que inundam as telas desde "Verão de 42". Música fácil, melosa, mas encantadora; fotografia deslumbrante, paisagens de verão sueco com a obsessão deles pelo verão (aprendi nos filmes de Bergman) e bons atores. Quase banal, previsível, etc, mas um oásis depois de tantos modernos à koda de instalações de artes plásticas que só nos dão saudade de pintores mais "acadêmicos". Para variar, nostálgico, passado no início dos anos 1960.
    O terceiro, espanhol, "Frio dia de inverno" ou algo assim é bomba! Quis ser diferente na história grotesca e acaba como um neodramalhão como eram dramalhões filmes espanhóis dos tempos de Franco. Só que sem Sarita Montiel com toques de nelson Rodrigues, mas muito ruim. O que é que a Marisa Paredes está fazendo num filme onde sua personagem, um approstituta velha é currada e aparece de costas, nua com sangue saindo pelo ânus... não dá prá entender. Voltamos á escatologia num linguagem tradicional. Não sei o que fica pior: grotesco à moda antiga ou escatologia com ares de mudernidade.


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    [Aeternus:4682] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-09-30)


    - RE:filmes quadrados/"Roma"

    Ainda sobre "Roma": o academicismo deste filme é auto-defendido com alusões a clássicos como "Vinhas da Ira" de John Ford e uma crítica a... Antonioni: "Suas personagens são mulheres a quem dóem até os fios de cabelo" é uma boa frase. Não me lembro de outras alusões, mas os escritores elogiados são Alexandre Dumas, Julio Verne, Kipling e afins (sem esquecer o orgulho argentino por Cortázar e Borges, é claro). O argentino radicado na Espanha tb fala da arrogância de seus compatriotas e ataca a ilusão populista da esquerda com a volta de Perón naquele período negro. Ainda por cima abre espaço para comentar John Coltrane, "Bird" e Bille Holiday. Simpático, não?

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    [Aeternus:4684] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-09-30)


    - O Pornógrafo

    Algumas mensagens sobre o Festival me trouxeram uns lances do filme ‘O Pornógrafo’ (a cena do filme dentro do filme que o protagonista dirige já vale o filme inteiro, aliás, acho até que o restante é redundância, pode ir embora depois, porque aquele trecho já tem polissemia suficiente para altas reflexões. Sem contar a semiótica da coisa, cuja significação extra-diegética inclui até a escolha do ator do Jean-Pierre Léaud, alguém pra quem a gente olha e lembra FORÇOSAMENTE de Truffaut e de TODO um universo histórico!)

    Só sei dizer que também é sobre esse continuum tido por quebra entre a esfera (abstrata) dos sentidos e a dos cinco sentidos. "Quando comecei, esse gênero fazia parte do espírito revolucionário" diz Léaud à personagem da repórter.

    O que o filme passa é que, no intervalo de algumas décadas, alguma coisa aconteceu, e o império dos sentidos perdeu todo sentido.

    Quando, naquela cena que mencionei, os atores pornôs começam a performance, tendo tido instruções (à antiga) dadas pelo diretor previamente e não durante a filmagem, tudo começa bem, o tesão vai engrenando à medida em que a corporeidade é estimulada, a gente parece que sente a vagina da moça se lubrificando, os movimentos do cara traduzem isso, a excitação de um potencializa a do outro, a posição em que se encontram (focada numa interação) afunila a atenção, "apaga" o set de filmagem circundante e uma corporalidade genuína começa a exalar daquela trepada, até que o infeliz do assistente de direção resolve ele próprio dirigir a cena segundo os padrões "mudernos" da indústria pornô e tudo vai pras picas (agora no mau sentido da expressão), culminando com a cara completamente desiludida de Léaud.

    O mundo e a história de algumas décadas se sintetiza e fica um gosto amargo de realização irrealizadora, uma permissividade revolucionária um dia sonhada que virou exatamente a desrevolução. Fica a indagação: quem desviou essa linha de trem?

    Abração,

    D.


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    [Aeternus:4685] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien

    Jansy dá corpo a uma sensação que tive ao assistir "Alien" ainda no antigo Roxy.
    Os missionários que foram às galáxias 'trazer' o monstro funcionam como espermatozóides, e a geração do 'monstro' tem-nos, portanto, como 'pais' da criança...
    Já o útero é o do John Hurt, máe morta ao dar a luz; também quase o da Ripley ( Sigourney ) e...a própria nave, enfim !

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    [Aeternus:4686] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - RE:O Pornógrafo

    Essa impessoalidade nos filmes pornôs acentua, talvez, o aspecto Olímpico que ora impregna a sexualidade. O mais importante é bater recordes de desempenho, funcionar como uma engrenagem perfeita.

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    [Aeternus:4687] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-30)


    - RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: escalando quem?

    Florião... não me assuste! Olha o que você escreveu no comecinho da mensagem: Jansy dá corpo a uma sensação que tive ao assistir "Alien"

    Help! Meus impulsos maternais não chegam a este ponto.  Então, só por isso, conto o sonho que produziu-se depois que terminei com o filme. Sigourney Weaver transformou-se na Princesa Diana, o mesmo movimento de gigante que encolhe dengosamente o pescoço, o mesmo nariz afilado e o olhar sem perdão.  Os ETs filhotes eram  mulheres peladas e raspadas, totalmente encobertas pelos chapéus dos soldados da guarda britanicos, aqueles dragões peludos da independência . Great big pussys a serviço de Ripley e da Inglaterra. Argh.  

    Incorporação, encarnação, dar corpo, gerir... quanta coisa torta. 


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    [Aeternus:4688] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-09-30)


    - RE:RE:O Pornógrafo

    Tô contigo!

    Desempenho para mim é cuidado. O resto é com as máquinas.

    D.


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    [Aeternus:4689] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-30)


    - RE:O Pornógrafo

    D. sua descrição do Pornógrafo ficou interessante pra mim ( não vi o filme, mas adoro a aplicação nem tão sutil das metalinguagens e das mises en abîme...) porque tinha lido o comentário do Marcelo Coelho sobre um filme de SB ( esqueci o nome, é diretor brasileiro) no qual, em vez de pornografia, o que os atores precisavam apresentar era a crueldade e, portanto, foram levados às favelas e pronto-socorros, cenas de execução e tortura animal ( era um filme sobre uma filmagem de um conto de Machado de Assis, de um cara que torturava ratos) . Sexo e sadismo, mal conduzidos, fica muito sem graça...  Estou longe do livro do Sr. Coelho, senão copiaria os comentários que ele faz em torno do esvaziamento da moda da metalinguagem, uma questão levantada por você também...

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    [Aeternus:4690] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - forfaits e últimas do front

    Há uma lista de uns 30 filmes ainda sem chegada na Mostra.
    Sophie Scholl cintinua nos porões da Gestapo, e além dela, na minha programação, estou capenga em "Bloom" - o Ulysses de Joyce readaptado - "Rois et Reine" e "Más Temporadas"
    , um filme espenhol com a Leonor Watling, a Alicia de "Hable con Ella".
    Minhas musas todas começam, de resto, a entrar em campo. Amanhã assisto "Inocência", com Marion Cotillard e Hélène de Fougerolles. Depois virão Valentina Cervi e Pilar López de Ayala.
     
    Com tudo isto, a administração da Mostra é bem blasée. O cartaz de "Rois et Reine" está olhando para nós nos corredores, e se não fosse a Emmanuelle Devos estar linda de óculos escuros e com um jeitão simpático, depois da 'Ameliada' em Gilles, eu reclamaria do cinismo dos organizadores.
    Outro cartaz interessante é o do filme galleguino de Taiwan : sobre um fundo de pétalas rosáceas, vemos uma gueixa nua em posição clássica, mas seu rosto está encoberto pois sua face embarafusta-se no púbis de uma outra figura nua, com uma bunda sem graça e tronco estendido para o alto, e da qual não sabemos o sexo - os orientais não são hirsutos, e a cabeça está recoberta por rebatimento para baixo e para trás do tronco dela mesma...
    O diretor da coisa foi premiado em Berlim. Como o horrendo "Forty Shades of Blue" ( acho que esse 'blue' aí é de tristeza, ao invés do 'azul' do título nacional )também foi premiado em Sundance e "L'Enfant" em Cannes, sob perplexidade geral, e
    talvez seja hora de uma ampla CPI em júris de festivais...( que não seja presidida por Severino Cavalga ou Aldos...)

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    [Aeternus:4691] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - RE:RE: inveja

    Que inveja !...
    É esse tipo de sonho que eu adorava ter, para levar para a análise. Na linha clássica Freud rendia umas 10 sessões, por baixo...


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    [Aeternus:4692] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-09-30)


    - RE: a antiga ressurreição alien

    Odiei "Alien - o oitavo passageiro" quando o vi pela primeira vez, estimulado pleo filme anterior do Ridley Scott (Blade Runner) que se revelou um roteiro-dependente. A violência, o sadismo das mortes, mas acima de tudo a psicose em franca exposição com partos abdominais destutivos-disruptivos de monstrinhos, a inseminação pela bova no corpo humano, enfim, todas as fantasias perversas da infância aterrorizada com a sexualidade misteriosa em nível de fantasias sádico-orais-anias-perversas nos dosi sentidos de perversão/perversidade me cxhocaram além da compreensão racional. O título brasileiro foi revelador> o oitavo passageiro. Comn o gato eram 9!!! 9 meses de gestação: a fantaisa psicótica da Comandante Ripley (Sigourney Weaver) sobre a gestação e o parto. Final com o gatinho aninhado em seu colo como um análogo a um feto intra-uterino. Minha fantasia maluca se confirmou no Alien 2 onde le tinha que proteger uma menininha órfã e ela tinha que maternalizar. Como demorou muito para filmarem o terceiro, a menininha atriz cresceu e teve que "morrer" na aterrisagem. Poucos gostaram do Alien 3. Eu adorei, confirmava o "parto" abdominal mortal na Ripley enquanto ela cía numa caldeira de aço fervente, neo-JoanaD'Arc au bûcher, O quatro já era apelação demais, não dava, mas as fantasias de clonagem monstruosa mantinham o tema subjacente da criação/procriação. Psicose em estado puro.

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    [Aeternus:4693] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-30)


    - RE a antiga ressurreição alien ... isso!!!

    LFG, sua resposta foi ótima e abrangente.   Quando saí da complacência onírica e li a mensagem do Florião, me toquei com minha contida indignação enquanto assistia "Alien 4" ( acho que só vi o primeiro e ontem, este). Não tem parto normal, não tem vagina peluda, não tem útero. São bocas dentadas e bebês explosivos.  No filme, todos os homens são desastres e as mulheres um misto de inseto e robô. Eu não conseguia nem mesmo reconhecer meu  desconforto porque carecia usar uma palavra ali tão amesquinhada: o filme me atingiu nas vísceras ( femininas ).

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    [Aeternus:4694] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - RE:RE a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

    Ninguém melhor do que um diretor inglês para 'captar' e 'dar corpo' à psicose.
    Se o Polanski - belo representante aqui, também ! - confere uma certa 'alma' e a devida 'descompostura' à psicose, um Ridley atinge essa perfeição 'racional-descomposta' narrada pelo Gallego sobre o 1º "Alien", o único de que eu gostei.
    Além da filmografia excepcional, do monstro cinzento-gosmento do H.L.Giger, me agrada no filme a evidenciação de onde pode nos levar nossa prepotência. Numa produção euro morreria menos gente, certamente, mas até no nº de mortes surge agora um significante...
    O Ridley tem ainda, em relevo, aquele policial da Mimi Rogers com o Tom Berenger ( "Someone to Watch Over Me", título parafraseado da maravilhosa canção de Gershwin e "Thelma&Louise", outro mergulho na parana.
    De "Gladiator" só vi trechos, não me animei. Mas em "Hannibal" ele retoma a veia psicótica, e brinca de Dr. Jekill tentando um monstro mais apavorante que o Dr. Cannibal Lecter...e consegue, né ? O Gary Oldman, já inesquecível como Drácula em êxtase  - dando aquela lambidinha num gume sanguinolento de facão - está absolutamente asqueroso no filme.
    ( a tempo ) "Falcão Negro em Perigo" não me interessou, mas até onde pude tomar contato, era outra reincidência psycho...

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    [Aeternus:4695] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-30)


    - RE:a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

    Não sei se o Ridley é britanico, mas a monstruosa alien-rainha do meu sonho ( que nem pôde ser representada pictorialmente) era a Elizabeth, sem a menor dúvida. Não tinha percebido que o diretor deu seu nome à personagem  que era o "lugar-tenente" de algum feminino na história.

    Gostei do "Gladiador" porque me pareceu quase mais terno comparado aos antigos filmes sobre Roma, como Ben Hur ou Spartacus nos quais se apresentam "tipos" mais do que "indivíduos". Também curti bastante o guarda-costas de Berenger/Rogers ("Someone to watch over me"), mas me recordo principalmente da cena de abertura, com uma esposinha temendo que seu bumbum tivesse ficado flácido e os incríveis closets com roupas milionárias. Gostei de "Blade Runner" ( atores, personagens, roteiro, idéia, filmagem).   Devo portanto admirar este Ridley maluco que coloca mais amor quando a mulher é um robô!

    O filme que oferecia pornografia não genitalizada, mas sádica ao qual me referi pelo jornalista Marcelo Coelho chama-se "A Causa Secreta" ( de Sérgio Bianchi ) que "trabalha com três horrores: o horror do conto de Machado de Assis,o horror das atitudes dos atores que devem encená-lo,o horror da realidade brasileira em que buscam inspiração". É falando sobre Fellini que ele menciona a metalinguagem: " Com Oito e Meio, Fellini inaugurou a irritante voga dos filmes que mostram como se faz um filme, dos filmes cujo assunto é a própria falta de assunto, etc.,etc.// Sem dúvida, já passou a época em que a metalinguagem - falar que se está falando, filmar que se está filmando, encenar uma peça na qual os atores se preocupam em encenar uma peça - foi tomada cini oassaoirte oara a genialidade e para o talento original.// Mas por que Fekkubum yn dis duvykgadires dessa nida netakingüística, supera o lugar-comum? ?Ele, que disse uma vez não gostar de Pirandello nem dos truques fáceis de Magritte, soube fazer da metalinguagem, do filme-que-fala-sobre-um-filme, verdadeiras obras de arte.// É que, ao contrário de tantos outros, que procuram com a metalinguagem "desmistificar" a presença do artista na sociedade contemporânea, fez do jogo entre realidade e ilusão uma coisa bem mais bonita.  Não buscou os paradoxos lógicos, mas a poesia inesperada, o fantasioso,o onírico..." (1993)  nm abn                                                                                                                                                                                                                                                                                         


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    [Aeternus:4696] Mensagem do Grupo48
    -Jmnksy Mollw(2005-09-30)


    - RE:RE:a antiga ressurreição alien ... Ridley Scott

    "os atores se preocupam em encenar uma peça - foi tomada cini oassaoirte oara a genialidade e para o talento original.// Mas por que Fekkubum yn dis duvykgadires dessa nida netakingüística, supera o lugar-comum? ?Ele, que disse uma vez não gostar de Pirandello..."

    Desculpem, mas continuei digitando enquanto atendia o netinho que queria escrever ( desde já) uma carta para o papai-noel. Ele escreveu certo, mas eu...
    Corrijo: - foi tomada como passaporta para a genialidade e para o talento original.// Mas por que Fellini, um dos divulgadores dessa moda metalingüística, supera o lugar-comum? 

     


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    [Aeternus:4697] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-09-30)


    - RE:RE:RE: Harold Pinter / The French Lieutenant's Woman

    ...é o grande filme a respeito do 'filmar que se está filmando' - tirante os 'intimistas', tais como Fellini em "8 e Meio" e Bergman em ( toda sua obra...e)"A Hora do Lobo" ou "Paixão de Ana", contendo imagens 'inseridas' no contexto dramático-ficcional.
    O roteiro de Harold Pinter faz caminhar em paralelo os bastidores e 'o filme' ( "The French Lieutenant's Woman" ), mas magicamente e sob os auspícios da Grande Arte, essas paralelas se cruzam. O personagem do Irons no filme-dentro-do-filme é paleontologista, atributo nada mau para se atribuir...ao ator que o representa ! - não falo do Irons, hein !, mas do ator feito pelo ator Irons. Mise-en-abîme ?

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    [Aeternus:4699] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-09-30)


    - RE:Harold Pinter / The French Lieutenant's Woman

    Como entra Harold Pinter na história? 

    Gosto muito de tudo que remete à aplicação da "metalinguagem", tão criticada pelo Marcelo Coelho.

    Jeremy Irons fez parte d´ "A Opera do Malandro" (não a do Chico e sua adaptação de Brecht, mas do medievalesco John Gay ) onde era o personagem encenando a traição e também repetindo a traição como ator.  Infelizmente, o filme do início dos anos oitenta e não se deixa rever facilmente.

    Tem aquele conto do Madrigal de Gesualdo, do Julio Cortazar onde os madrigalistas cantam um enredo que simultaneamente encenam, mas inconscientemente, em suas vidas.  Como aquelas Carmens ( do Saura?). O problema deste recurso de interpelar o observador é que se gasta com facilidade. Ver a camponesa d´ " O Avaro" jogar milho na platéia ao chamar as galinhas é legal uma vez, duas. Depois, haja papo. Ou Marília Pera no "Brincando em cima daquilo". Esgota.

    Para Lacan a metalinguagem não existe, não há como sair dela para, de longe, criticá-la. Andei quebrando a cara para entender a briga entre Bertrand Russel e G.Gödel, sobre o irrepresentável matemático que destrói a clareza da ciência e que obstrui o angulo metalógico. Tô com a cara quebrada até hoje. Tant pis para os matemáticos e lógicos, a arte dá o brilho que falta a esta dimensão de Rosa Púrpura.  Fica como surpresa, irrepetível e irrecuperável num segundo ou terceiro golpe.
    ( se bem que "As Cobras" do Veríssimo continuam me causando alegria e riso cada vez que me deparo com elas e as placas em miragem avisando que a área é de miragem, etc etc)


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    [Aeternus:4705] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-01)


    - Eu sou viciado em sexo!

    Este é o título de um dos filmes mais hilários que já assiti nos últimos anos. A começar pelo diretor-ator, feioso como um paraibinha brasileiro, esquálido, moreninho e... viciado em sexo! É uma espécie de Woody Allen radical. Imaginem que o W.Allen assumisse fizesse um filme onde atuasse e o perosnagem principal se chmasse Woody Allen! Interrompesse a narrativa na primeira pessoa para dize que a atriz que faz o papel de uma namorada alcóolatra ERA alcoólatra e a atriz aparecesse como em off tomando todas e piscando olho pára o espectador. Mostrasse um filme caseiro onde estaria filmada a verdadeira pessoa a quem ele se refere na história cabotina de usa vida sexual. É tosco, filmado de modo displicente (fake) como um documentário (fake?) e cheio de ironias e piadas sobre as mais inconfessáveis fantasias sexuais masculinas. Muito, muito engraçado, criativo como os Woody Allen que já não se fazem mais. Em vez de Woody imitando bergman ou Fellini, alguém imita Woody como Woody nunca fez. Imperdível!
    Surpresa agradável; fui para encher o tempo entre uma sessão eoutra ver o filme que cabia no horário. "Fogueira", israelense. Se fosse chato, eu sairia para estudar para aula de quarta-feira sobre Hamlet na Psicanálise (devo sumir daqui por uns dias, já vou avisando). Asssiti um filme que podia se passar em NY, Rio, Paris, londres... ou em Israel, mas com cor local que para mim é quase "exotique" com hábitos e costumes próprios e ao mesmo tempo cosmopolita. Como os judeus, em geral. Uma espécie de "Uma Mulher Descasada" (lembram? que lançou a Jill Claybourgh) dos dias de hoje. no caso viúva, 42 anos, uma filha adolescente querendo transar com o namorado em casa, outra pré-adolescente no fervor das explosões hormonais. Condições femininas tratadas com extrema verossimilhança e delicadeza, sem perder a crueza. Um personagem masculino menos verossímil ganha força na simpatia do ator com cara de boa-gente e também judeu daqueles que não precisaria abaixar as calças para causar ataques apopléticos em Adolfo Hitler. By the way, no ônibus entre o metrô e omeu consultório, xereti que livro um senhor bem conservado estava lendo. Sei que as ostras também eram curiosas, mas o que fazer? Tenho a maior curiosidade sobre o que as pessoas estão lendo no metrô e por isso escondo ao máximo o que eu estou lendo. Pois bem: parecia A......(ldous?) H.......*uxley. mas que livro era aquele com as iniciais M......L......? M.....i..........L......t.......a...... Minha Luta?!?!?!!!!!! de Adolfo Hitler!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Numa edição antiga, papel amarelado, parecia livro comprado em sebo meio despencado e encapado. E eu que pensei que seria amesma antiga edição despencada onde li "...Também o Cisne Morre" (After many a Summmer....), obra-prima esquecida do Huxley....
    Voltando a "Fogueira": atriz e ator simpáticos e competentes. Valeu!
    Já "La passione di Giosué" é esquisito, sobre um tema que daria ótimo filme: a expulsão dos judeus e islâmicos da espanha dos "Reis católicos". mas fica estranho um judeu jovem se identificar tanto com Jesus que acaba representando a paixão de Cristo. mal resolvido, apesar da bela música e ambientação.
    "El Aura" foi prestigiado pelo fato de ter o ator Ricardo Darín, o argentino mais conhecido do cinema atual ("O Filho da Noiva", "Kamtchaka", "Nove rainhas", enfim, ele trabalha em 9 dentre cada 10 filmes argentinos). Excelente desempenho no papel de um taxidermista epiléptico que sonha em cometer um crime "perfecto". Sueli & amigos gostarammais do que eu. Achei lento, eles acharam "tenso". Eu dormi, eles, não. o que dizer?
    Amanhã acho que não vou ver "Last Days" do mesmo diretor de "Elefante" às 14 horas. Tnho Municipal com Schlomo Mintz tocando o concerto de violino de Brahms, um de Bach e algo de Dvorak às 16 horas. E show com Marilia pera imitando carmen Miranda às 21 horas.
    Domingo retorno ás lides festivalescas com obrigação de estudar para Hamlet na quarta e "Saúde e Sexo" na FGV na terça. Que vontade de chegar lá e dizer: "EU SOU VICIADO EM SEXO"... VEJAM O FILME -  e encerrar a palestra. Mas não dá...


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    [Aeternus:4706] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-01)


    - RE:Eu sou viciado em sexo!

    Sexo deve ser algo mais socializante do que futebol ou colecionar selos porque todo mundo parece aceitar bem a idéia de alguém ser viciado em sexo. O encantamento do Gallego com o filme é flagrante. Ele se entusiasmou tanto que não deu a ficha do filme: quem é o diretor, o ator perebinha, as atrizes, os prêmios, filmografia anterior.  Um Woody Allen à décima potência deve ser arrebatator pra quem gosta de Woody Allen. Valeu.

    Jill Claiborough...Gostei do filme "Uma mulher descasada", acho que ela merecia a fama que obteve a partir dele. Se bem que me recordo apenas de encontrá-la em "La Luna" ( algo com a lua, o título pode ser diferente do que citei) de Bertolucci e, bem recentemente, como uma mãe idosa que parecia sofrer de anorexia. Certos atores envelhecem bem, Sean Connery por exemplo, tem uma distinção bem-humorada que torna difícil sequer imaginar que ele tinha sido o mais famoso 007 de todos os tempos.  Ele consegue ser, até hoje, o mais carioca dos escoceses. Outros não envelhecem, como Demi Moore e a dupla Warren Beatty/Shirley Mclaine. Aquela vesguinha linda que trabalhou ao lado de Daniel Day Lewis, ou de Harrison Ford cum Anthony Quinn  ficou horrorosa depois de velha.

    O tom pelo qual Gallego descreveu os vários filmes está ótimo, vai passando emoção e pensamento com uma fluência invejável.

    Existe um site na internet onde um cara conta o título dos livros que ele vê as pessoas estarem lendo no metrô. Igualzinho ao que o Gallego fez. Toda semana ele tem uma coleção sociológica de obras. É em Portugal, não sei mais do que isto. Cheguei lá porque um dia aproximei no Google os nomes de Cioran e Nabokov para ver o que encontrava e numa semana estes dois tinham sido flagrados nas mãos de dois metroviajores

    Já eu... fui ao cinema, enfim!  Vi "Bewitched". Os saudosistas acham que perderam para sempre a feiticeira Samantha e vem criticando o filme.  Eu, que nunca curti a série tão especialmente, adorei ver a Nicole Kidman e o ator grosseirão que trabalha com ela fazendo atletismos de balé de dar inveja aos malabaristas do Cirque du Soleil. Como paródia, o filme não deixa pedra sobre pedra.  E como foi adorável ver o ..não é Michael Douglas nem Roger Moore... o.... enfim...o coadjuvante do Christoffer Reeves num teatral filme de assassinatos... adorável vê-lo estampado em latinhas de ervilhas e sopas Campbell.  A burguesia americana como sonho de consumo das bruxinhas boas. Ótimo...


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    [Aeternus:4708] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-01)


    - comentando Gallego

    Aos que lêem no Metro de Lisboa, Londres, Madrid, Paris, viajando por  Queneau/Malle para chegar ao Rio de Janeiro...
    Goya. No metro de Madrid lêem. De pé e sentados lêem. Príncipe de Vergara. Livros grossos, brochados. Encapados com papel branco ou azul. Tirso de Molina. Que lêem os que lêem no metro de Madrid? Livros técnicos, fotocópias de artigos científicos. Callao. Chueca. Jornais- sobretudo El País. Revistas, menos. Atocha. Menendez Playo. Miguel Hernandez. Raramente consigo ler os títulos dos livros que lêem. Mas nas horas de ponta, debruçando-me ao balanço da composição, leio frases avulsa: Al cabo de un rato llegué a la alcantarilla muerta. Todas las alcantarillas de aguas estanques se parecen. Noviciado. Duérmete corazón prohibido, duérmete antes de la hora fronteriza de las doce. Colón. Velazquez.Lo único claro es que cuando al otro lado de la lluvia ve a un hombre que la mira por un instante que le parece un día, quizá un año, cree, por fin, haber llegado a algún sitio.Ventas. Debe haber una tercera opción, alguna forma de concluir la mañana y darle forma y sentido: algun enfrentamiento que conduzca a alguna palabra final. Fuencarral Esta gente, que lê no metro, está a salvar a literatura.
    .....................................................................................................................
    Observou Gallego: " By the way, no ônibus entre o metrô e omeu consultório, xeretei que livro um senhor bem conservado estava lendo. Sei que as ostras também eram curiosas, mas o que fazer? Tenho a maior curiosidade sobre o que as pessoas estão lendo no metrô e por isso escondo ao máximo o que eu estou lendo. Pois bem: parecia A......(ldous?) H.......*uxley. Mas que livro era aquele com as iniciais M......L......? M.....i..........L......t.......a...... Minha Luta?!?!?!!!!!! de Adolfo Hitler!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Numa edição antiga, papel amarelado, parecia livro comprado em sebo meio despencado e encapado. E eu que pensei que seria a mesma antiga edição despencada onde li "...Também o Cisne Morre" (After many a Summmer....), obra-prima esquecida do Huxley....
     
    Goya. No metro de Madrid lêem. De pé e sentados lêem. Príncipe de Vergara. Livros grossos, brochados. Encapados com papel branco ou azul. Tirso de Molina. Que lêem os que lêem no metro de Madrid? Livros técnicos, fotocópias de artigos científicos. Callao. Chueca. Jornais- sobretudo El País. Revistas, menos. Atocha. Menendez Playo. Miguel Hernandez. Raramente consigo ler os títulos dos livros que lêem. Mas nas horas de ponta, debruçando-me ao balanço da composição, leio frases avulsa: Al cabo de un rato llegué a la alcantarilla muerta. Todas las alcantarillas de aguas estanques se parecen. Noviciado. Duérmete corazón prohibido, duérmete antes de la hora fronteriza de las doce. Colón. Velazquez.Lo único claro es que cuando al otro lado de la lluvia ve a un hombre que la mira por un instante que le parece un día, quizá un año, cree, por fin, haber llegado a algún sitio.Ventas. Debe haber una tercera opción, alguna forma de concluir la mañana y darle forma y sentido: algun enfrentamiento que conduzca a alguna palabra final. Fuencarral Esta gente, que lê no metro, está a salvar a literatura.
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    Observou Gallego: " By the way, no ônibus entre o metrô e omeu consultório, xeretei que livro um senhor bem conservado estava lendo. Sei que as ostras também eram curiosas, mas o que fazer? Tenho a maior curiosidade sobre o que as pessoas estão lendo no metrô e por isso escondo ao máximo o que eu estou lendo. Pois bem: parecia A......(ldous?) H.......*uxley. Mas que livro era aquele com as iniciais M......L......? M.....i..........L......t.......a...... Minha Luta?!?!?!!!!!! de Adolfo Hitler!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Numa edição antiga, papel amarelado, parecia livro comprado em sebo meio despencado e encapado. E eu que pensei que seria a mesma antiga edição despencada onde li "...Também o Cisne Morre" (After many a Summmer....), obra-prima esquecida do Huxley....
     

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    [Aeternus:4709] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-01)


    - RE: realizadores, espectadores e rumos

    Quanto mais eu vejo filmes por aí, mais aprendo como é difícil manter uma produção de alto nível durante muito tempo.
    Seja pelas dificuldades anturais que implicam na realização, seja no momentum do(s) idealizador(es), seja nas escolhas de material.
    Bergman, por exemplo, conseguiu manter durante décadas um invejável padrão de qualidade. Havia bastante a dizer, e foi dito maravilhosamente. Um ou outro título não atinge o nível geral, mas é admirável a alta qualidade e o estilo em tudo o que ele fez.
    Allen teve um início boboca, fracativo, reducionista, infantilóide. Algumas anedotas de valor, algumas cócegas ou risos mais Estrutura-se bem mais em "Annie Hall" ( 1977 ) e de repente, em "Manhattan"(1979), talvez crispado de amor por sua Big Apple, deslancha. Passando por alguns bons títulos nos anos que seguiriam, como "Zellig"(1983), começa a enxergar algo mais na existência do que sexo e morte, sua roleta viciada até então. Chega ao que considero seu auge um pouco adiante com "The Purple Rose of Cairo" (1985), "Hannah and Her Sisters"( 1986) - meu predileto dentre todos -  mantém ainda essa boa fase ao longo de bom período, com destaque para "Husbands&Wives"(1992).
     
    Gallego chama a atenção para a falta de costura no tarado ( Caveh Zahedi ). Esse tipo de realizador 'vai no embalo', como Allen ao começar. Como muitos espectadores, ele não se toca sobre a necessidade de conferir um estilo, uma estética a seu filme. Não sei se pela longa kilometragem que já rodei no cinema, para mim é gritante esse problema. A fotografia digital, por exemplo, me faz sentir assistindo uma transmissão da NASA. É quase que o mesmo que ver um filme com uma cabeça enorme tomando o centro da tela, ou com pessoas passando intermitentemente de um lado para o outro, à frente do filme. A montagem sem cuidados, com passagens estapafúrdias de cena, tomo como uma bofetada. Embora não seja tão exigente quanto ao brilho do filme como um todo, registro cada detalhe falho desses em minha contabilidade íntima. E dependendo da idiosincrasia de cada um de nós, alguns incomodam mais do que outros.
    Enfim...há gosto pra tudo, como vemos no tal filme de Taiwan, cujo diretor foi premiado em Berlim. Acho difícil ser pior do que o que venceu em Sundance, um pretenso drama americano metido a europeu que sequer consegue ser drama. Imaginem o que o endiabrado taiwaniano ou taiwanense ou taiwanino fará depois desse galardão...

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    [Aeternus:4710] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-01)


    - realizadores e espectadores viciados em cinema... e em sexo...

    Jansy reclamou o nome do diretor-ator esquálido explorando a própria megreza esquelética em roupas e postura que acentuam seus "defeitos" físicos. Eu não sabia mais o nome do cara! O Marcos já identificou o sexólatra anônimo e disse. É todo mundo desconhecido, meio amador. O Marcos descreveu o filme à perfeição, sem vê-lo: "falta de costura no tarado ( Caveh Zahedi )(...) 'vai no embalo', como Allen ao começar (...)não se toca sobre a necessidade de conferir um estilo, uma estética a seu filme. (...) A fotografia digital(...) me faz sentir assistindo uma transmissão da NASA. É quase que o mesmo que ver um filme com uma cabeça enorme tomando o centro da tela, ou com pessoas passando intermitentemente de um lado para o outro, à frente do filme. A montagem sem cuidados, com passagens estapafúrdias de cena(...)"
    Só que neste caso não é tão ruim assim, não cansa a vista nem a visão da imagem: no fundo, tudo é fake, até a "informalidade", eu acho; embora o baixo orçamento seja visível. Mas até isto é suspeito e objeto de gozação em mensagens ambíguas. Logo no início ele diz que a próxima cena deveria se passar em Paris, mas como não tinham dinheiro para filmar lá... uma rua de L.A. com um sujeito de boina e bisnagão (baguette) no sovaco vai servir. Logo depois, uma cena, indubitávelmenet em Paris. Ele justifica: a atriz era francesa, o visto expirou, tiveram que se virar para concluir as filmagens lá. Indubitàvelmente? Já nem sei. Mas cenas em Munique são totalmente em interiores com louras grandalhonas e um suposto motel com cara de chalé alpino e 3 corações se acendendo-apagando-pisca-piscando (que pode ser até maquete).
    Na saída da sessão um rapaz explicava para sua parceira que era um "docu-drama", misto de documentário com cenas dramatizadas. Mais esperta, a moça rebateu: "Nesse caso é um drama-docu" pois quase tudo me pareceu ficional". Drama docu... não sei não. O diretor diria que é "um drama doca...(rajo)". E ele mantém que fez grupo de ajuda tipo A.A. para se curar.
    Mas apesar do besteirol, o retrato de uma estrutura obsesivo-compulsiva é perfeito. Ele sai perguntando as mesmas coisas a todas as prostitutas que encontra (busca): "Quanto é?" (cada uma responde) "Você chupa?" (geralmente respondem que sim com ligeiras variações do tipo - "mas não goze na minha boca") ele fica parado, a prostituta pergunta algo do tipo "E aí?", "Vamos?" ele diz: "Não, preciso pensar." Isso se repete ad nausean com efeito cômico. Depois ele faz a ronda dos bordéis, casas de massagem, etc etc. Não realiza nada. Perde um dia inteiro nisso. Volta para casa triunfante porque "venceu a tentação". Quando a realização do desejo fica como impossível (pelo adiantado da hora, por exemplo) ele fica fissurado e só aí sai para perpetrar o ato sexual. Frustrando-se porque a prostituta mais bonita não está mais lá, a casa de massagem que mais lhe agradou está fechada, etc etc. Como reafirma Lacan sobre a estrutura obsessiva de Hamlet, o prazer, o desejo TEM QUE SER ADIADO, e só deslancha "in extremis". Um colega do hospital compra livros em sebo (não "Mein Kempf") e me contou uma vez que foi a um sebo em Madureira (?) num sábado de manhã. Viu um livro que interessou bastante, mas estava proporcionalmente caro pois era uma primeira edição (ele queria a obra, independente de ser qual a edição, o fetiche dele não é esse). Não comprou, voltou para a Zona Sul onde reside. Durante o almoço foi sendo tomado de uma fissura quanto ao livro (vão comprar, não é fácil de achar, nunca consegui, procurei tanto tempo, porque não comprei logo?) levantou da mesa, ligou para a loja perguntou até que horas ficava aberta, pediu para o dono esperar aberta, reservar o livro e foi lá comprar. Só depois da ameaça (interna) de perda definitiva, ameaça de que aquele "seio bom" não estará lá eternamente à disposição dele, à espera, stand-by, é que pôde perpetrar algo que deve ser para ele uma transgresão (pelo preço?, sei la´porque). Objetos dedesejo não podem ser adquiridos. Como tb Lacan cita uma frase genial alheia: "Saberíamos mais sobre o desejo humano se soubéssemos o que é que o avarento lamenta na perda do seu cofrinho" (atenção: não é aperda do dineheiro que estava no cofrinho: é uma metonímia: o cofrinho).

    Mas Marcos desafia: Enfim...há gosto pra tudo, como vemos no tal filme de Taiwan, cujo diretor foi premiado em Berlim. Acho difícil ser pior do que o que venceu em Sundance, um pretenso drama americano metido a europeu que sequer consegue ser drama. Imaginem o que o endiabrado taiwaniano ou taiwanense ou taiwanino fará depois desse galardão... PROVE QUE SEU FILME É PIOR DO QUE OS MEUS!!!


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    [Aeternus:4711] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-01)


    - RE:realizadores e espectadores viciados em cinema... e em sexo...

    Jansy reclamou? Só se foi no sentido de "reclame" e requerer a propaganda do ator/diretor do "drama/docu" ( as opiniões variam, mas a história todinha é saborosa).

    O tempo faz milagres. Fui numa liquidação das lojas Americanas ( compre dois e pague tres, ou vice versa) e comprei alguns DVD para animar o repertório daqui de casa. 
    Escolhi "Assassinato no Expresso Oriente"  para representar vários atores já falecidos, filme que na época me encheu a paciência dada a inverossimilhança típica dos livros deliciosos de Agatha Christie ( por escrito, os absurdos da lógica extremada e do reconfortante moralismo não me incomodaram nunca...). 
    Revi há pouco, encantada. Albert Finney era Poirot. Tinha Ingrid Bergman com sotaque de sueca falando ingles em rodopios de prazer disfarçado ao brincar no papel. Lauren Bacall. Jacqueline Bisset.Sean Connery. Michael York. Richard Widmark. Anthony Hopkins. Cenário delicioso desde o embarque em Istambul e o luxo do trem atravessando a Europa rumo ao porto de Calais. Sem cortina de ferro ou grandes idéias políticas. Tudo certinho no melhor mundo dos colonizadores britanicos.
    Acho que no Brasil dos anos cinqüenta a gente ainda se sentia naquele intervalo produtivo das entreguerras, como se tudo chegasse atrasado para nós e ainda não tivesse ocorridoa Segunda Guerra Mundial. Há bastante nostalgia desta fase, com a retomada dos contos do Schnitzler, telas de Klimt, visões de Walter Benjamim, romances de Conrad e outros tantos. Pra mim, foi uma volta no tempo da Praça Paris e do Brailowsky no Teatro Municipal, vestidinha com roupas bordadas em casa, cheia de anáguas, ostentandomeias e luvinhas.  Quem não pertence a esta geração talvez não entenda este encanto alienado de usar robes de chambre bordados com dragões ou colocar cera nos bigodes. Só se resolver ler Nabokov, que ainda morava neste ambiente mesmo depois de escapar da França ocupada para os EEUU até estabelecer-se em Genebra com lagos e montanhas de picos brancos.
    Ah, e havia ainda John Gielguld como mordomo.

    Acho que o festival de cinema, como vem sendo reportado pela dupla, rompe com tudo isso sem perder o chamativo. Traz um mundo e sociedades dilaceradas, sem qualquer elemento unificador. Faxina geral.

      


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    [Aeternus:4712] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-01)


    - 9. Innocence

    Filme difícil e maravilhoso.
    Rigor narrativo, perfeição de timing e corte, foto e som primorosos, muita Natureza e muito claustro : tudo para nos levar ao útero da clausura, ao máximo do enquadre, à negação do devir.
    Os créditos gerais chapados à moda antiga e despejados todos de saída já nos anunciam que só veremos rostos femininos. Apenas alguns técnicos são homens na produção, que se passa num colégio para 'refugos' femininos, menores abandonadas ou de todo carentes, cuja única identidade passará aser intra-muros -e estes são bem altos, para desencorajar qualquer tentativa de evasão. Um Grande Útero, em suma.
    As novatas chegam em caixões, enterradas vivas, e passam a ter os cabelos trançados com fitas vermelhas - a cor da iniciante. A cada ano uma comissão julgadora composta de duas vetustas e sorumbáticas senhoras grisalhas e em negro seleciona uma ( e apenas uma...)aluna que se destaca para 'conhecer o mundo lá fora', e igualmente a cada ano a turma formada - 5 alunas, uma de cada casa do internato - de cor violeta ;é 'desovada' ( só ao final disso sabemos ).
    Rigor educacional, andanças na calada da noite, cumplicidades dissidentes, apagamento de parâmetros, castração total de alternativas : os únicos indícios e sopros de vida, o máximo alento que essas alunas podem ter, está na dedicação da professora de balé ( Hélène de Fougerolles )menos automatizada que a professora de sala de aula clássica ( Marion Cottilard ), capenga e sem brilho - corre eventualmente à boca pequena que ela teria transgredido em sua passagem pela escola e sido aleijada por uma preceptora a título de castigo.
     
    Na saída do filme que comentei esta semana sobre Paris acabada, durante uma festa de réveillon ( Mostra de 3 anos atrás ), conversei com uma parceira eventual de Festival que morou anos por lá. Casada com um alemão, sua filha era matriculada numa escola que exigia horrores da menina, além de sobrecarregá-la de deveres domésticos. O Vítor no São Vicente não passa muito longe disto. Ela disse que inicialmente pensara ter dado simplesmente azar, mas ao informar-se soube que a estrutura era esta mesma, que não variaria muito numa mudança de escola. E confessou a mim e ao Gallego, que também a ouvia, que lembrou-se de um antigo professor que advertiu-a "não se esqueça nunca do que vou te falar agora : a França é jacobina !"
     
    O final de toda essa inocência nesse "Innocence" é belo e simples. Mas pude perceber claramente o nível de dissensão que o drama provoca nos espectadores. Desde logo, meu grande favorito para a Palma de Ouro da Mostra.

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    [Aeternus:4716] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - 10. I'm a Sex Addict

    Bem, me diverti um bocado aceitando o ingresso solto do Gallego para assistir nosso Caveh Zahedi. Que por sinal compareceu à sessão, dando-nos um tímido 'hi' e reafirmando que 'it's all true', como o título de um antigo filme de Orson Welles.
    As referências dele, frise-se, são fidedignas : ao longo do filme são colocadas em 1º plano ostensivo semi-debochado Rimbaud, uma edição americana de "Éducation Sentimentale"/Flaubert, o Nietzsche de "Para Além de Bem e Mal" e "Confessions" por Santo Agostinho. Calveh deve medir por volta de 1,60m, e não é tão feio quanto Woody Allen.
    O jeitão do filme lembra, realmente, o corte ligeiro, as tiradas rápidas e em sucessão do paradigma. Ele pega mais fundo e mais pesado na sexualidade, que Woody trava a certo ponto. Não por repressão, mas por estilo, preferindo aquele humor wit novaiorquino, a troca intelectual-galhofeira no Elaine's e outros points da Big Apple, tais como conversas perdidas recheadas a anedotas no Bloomingdale's, carruagem no Central Park e andanças no MoMA.
    As moças que fazem as parceiras e prostitutas são bem escolhidas. Algumas são as próprias, outras são atrizes. Bonitas, em geral. Ilustram o gosto de Calveh, e este concentra-se na abordagem da prostituta, para depois concentrar-se no fellatio, sua especialidade passiva. Não há como deixarmos de rir com os sucessivos gozos dele, sempre de pé - a postura eleita para ser agraciado pela parceira - e que funcionam como 'elemento dramático' da trama.
    As gostosas brincadeiras com limitações da produção e uma natural simpatia do autor conferem bom andamento geral. Ele insere filmes com foto granulosa, mal resolvida, onde surgem as verdadeiras pessoas citadas, quando estas são representadas por atrizes. E breves considerações sobre o destino destas, casou com fulano, teve um filho; continuou bebendo demais, teve câncer, morreu três anos após. O mais engraçado fica por conta de comentários técnicos sobre o intercurso, onde o vemos tremelicando sobre as parceiras, quando decide consumar a relação, e comentar em off coisas como 'quanto mais soava falso o que ela dizia mais eu me excitava'.
    Aplausos ao final, a sensação de uma sessão da tarde diferente. E para mim um sonho residual estranhíssimo, onde me envolvi sexualmente com uma amiga que jamais desejei. O pior é que nem pervertida a coisa foi...tudo direitinho, das preliminares aos finalmente. Homessa !...culpa do Gallego, né ?

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    [Aeternus:4717] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:9. Innocence

    Copiei vasto material do 'yahoo France' para meus cadernos, belas fotos do filme, tals.
    Percebi que a crítica dividiu-se de todo, como imaginei, entre entusiasmo e execração...
    A Lucile é companheira do Gaspar Noé, o nauseabundo de "Irreversível". E bem melhor do que ele, frise-se !...Dedica o filme ao parceiro...
    ( atempo ) as ilações 'religiosas' saíram de minha veneta. O filme deixa toitalmente abertas 'origens institucionais' do que vemos, e baseia-se em obra de Franck Wedekind de 1988, um autor alemão.

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    [Aeternus:4718] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:RE:9. Innocence : errata 100 anos

     O livro do Wedekind é de 1888...Lei Áurea para as alunas, pois...

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    [Aeternus:4719] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-02)


    - RE:10. I'm a Sex Addict

    Florião observou: "me diverti um bocado aceitando o ingresso solto do Gallego para assistir nosso Caveh Zahedi. Que por sinal compareceu à sessão, dando-nos um tímido 'hi' e reafirmando que 'it's all true', como o título de um antigo filme de Orson Welles".

    Sua referencia cruzada ( It´s all true) coincidiu com uma das que lia no meu romance policial de Colin Dexter, "The Daughters of Cain". Este escritor inspirou uma série da televisão britanica que passou no Brasil pelo Film&Arts, com John Thaw no papel do Inspetor Morse e várias atrizes, aqui estrangeiras quase, que encontrei desempenhando papéis como "Ofélia" ao lado de Lawrence Olivier.

    Há um pedantismo informativo neste escritor que faz os crimes aparecerem nos locais mais sacrossantos da universidade de Oxford. O próprio detetive foi aluno daquela universidade e anda pela cidade com um Jaguar vermelho ouvindo Bach ou Wagner. 

    O que hoje me chamou atenção foi o capítulo que se abre com uma citação ao Omar Khayyam na tradução de E.Fitzgerald, onde se faz uma busca à sabedoria entre santos e doutos com o peregrino concluindo que "saiu pela porta do mesmo jeito que adentrou". No que se segue temos um grosseiro Chefão comentando sobre o assassino de um professor de História Grega dizendo que ele provavelmente entrou no recinto pelo mesmo lugar de onde saiu. Vemos Morse resmungando: "Me faz pensar em Khayyam". Finalmente, depois de uma porção de investigação o próprio Morse, desarvorado, se retira dizendo: "não descobri nada e saio daqui do mesmo modo que entrei". Seu assistente, Sgt. Lewis, então observa feliz da vida: "Oque fez o Senhor se lembrar de Omar Khayamm, não foi?"

    Dou uma risadinha de entendida e depois fico zangada porque o humor é tão construído como as gracinhas que deleitam as crianças. Só que no caso do Colin Dexter, as frases são de poetas famosos. No das crianças, são piadas de "Vaca e Frango" ou historinhas de "pum".   Tanto faz a erudição, depois da gracinha a gente sai do mesmo jeito que entrou...


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    [Aeternus:4720] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:RE: mas...

    ...há um movimento duplo, que estabelece um rebote 'para dentro' desse Saber, deixando a 'gracinha' na superfície.
    O 'Orient Express' da Agatha, que você citou ontem, é todo charme, assim como diversas alusões valorizando aquelas mansões magníficas inglesas, de madeira sólida, corrimãos envernizados a ponto de nos dar vontade de acariciá-los, o ligeiro eco dos ruídos da casa reconfortando-nos...
    O trem no filme é um dos personagens, destarte, e lembro sorrindo do desdém do Sean Connery quando numa impertinência do Poirot sobre uma disparidade ao longo de seu depoimento diz '...then he was planted there', acentuando o 'a' do 'planted' à moda british.


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    [Aeternus:4721] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-02)


    - RE:RE:RE: mas... o rebote

    mas... aí é que está. Os rebotes: aquilo que não se aprende ao jogar jogos, decifrar palavras cruzadas e, mesmo, na poesia  e que é tão essencial como viver.
    O pobrema é que venho tentando tornar-me ascética para apreender apenas a pureza das formas e foracluindo o material que as constitui. Modelando jarro após jarro, estas molduras do vazio, mas dispensando o oleiro e o barro! ( viu que estas imagens brotam direto de Khayyam?)

    Tudo mentirinha, claro, "it was planted there"...como Melanie Griffith brincando de espiã dizendo que, segundo Bernard Shaw, "um dia sem um gracejo e um sorriso é um dia perdido"... E nem tão mentira assim se pensamos em W.R.Bion que buscava metáforas tidas como o inusitado que brota no espaço que está entre dois polos triviais das imagens que as produzem.

    O rebote do humor pode produzir uma sensação de metáfora. Sem sentido, sem utilidade... e vital. 


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    [Aeternus:4722] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-10-02)


    - RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

    Marcos fala de um filme com Paris ou França destruída num futuro hipotético e sobre o qual teria nos escrito esta semana festivalesca... De início pensei que era um filme do atual festival. E acrescentou sobre uma conversa casual com outra cineadita: "E confessou a mim e ao Gallego, que também a ouvia..."
    Eu não entendi mais nada: eu também escutava quem e quando?...até que, relendo com mais atenção, me dei conta que ele se referia a um festival de uns cinco anos atrás quando assistimos a um filme francês meio de ficção científica, "Peut`-être" com um Jean-Paul Belmondo já bem envelhecido em 1999 e que parecia que seria lançado comercialmente (sessão esgotada, argumento instigante, independente do desenvolvimento ser mais ou menos satisfatório). Acho que nunca foi exibido depois por aqui. O diretor só voltou a filmar em 2002 o meio mais ou menos "Albergue Espanhol" que tem até continuação neste festivaL (As Bonecas Russas) que está surpreendendo pela procura, já que o "Albergue" nem teve tanto público.
    Esses dados eu fui conferir no imdb, não sei como Marcos lembra dessa conversa ocasional com a moça que - só agora - recordo que foi mesmo um papo interessante. Depois eu é quem tenho fama de memória de elefante...
    Falando de filmes procurados e de outros que nem alcançam tanta procura quanto seus distribuidores esperariam, assinalo que o povo tá mesmo sem $$$ pprá ir ao cinema, é só ver as sessões do SESC Flamengo onde 240 lugares lotam todo domingo à tarde, basicamente porque é entrada grátis.
    Com a procura menor por salas (quem tem condição vê filmes em dvd ou video) mais dois cinemas de porta de rua fecharam aqui no Rio esta semana. Pouco importa se eram boas salas ou não: o "Jóia" não era, mas tinha seu público de idosos de Copacabana com preços mais baixos e salvava a pátria para filmes em final de carreira que eu não teria visto ainda. O Espaço Leblon de Cinema era pequeno, cheio de probleminhas aqui e ali, mas confortável e com uma programação diferenciada que não chegava ao meio termo do grupo estação (que "de arte" tem tido menos do que de "faz de conta que é cabeça mas não é") e às vezes com filmes muito difíceis mesmo. Exceto "Invasões Bárbaras" acho que nunca teve um sucesso de arrebentar. As gerentes, Lili e Isabella se dedicavam de corpo e alma, aceitando fazer debates in loco (como em "Invasõpes Bárbaras" que tive a oportunidade de fazer em cima do lance, antes do filme cair na boca do povo e virar super-suceso - ou quando tentaram repetir o formato e não tivemos público apesar dos excelentes filmes antigos do catálogo da sala e ótimos debatedores, mas houve falta de oportunidade na época do ano, dezembro, e a imprensa não divulgou a contento)
    Agora acho que elas estão tendo mais sucesso no Artplex de Botafogo  com seis salas, misturando de Godard e filmes mudos de Buster Keaton a Batmans e blocbusters similares. Dizem até que vão reativar antigas salas de cinemas fechados na Tijuca, antiga verdadeira cinelândia carioca nos anos 1950/60/70 que chegou a ter onze cinemas só no entorno da Praça Saens Peña, sem contar alguns menos próximos, porém no bairro e antes da moda de começar a dividir salas grandes em menores. Hoje, apenas três salinhas indefensáveis em um shopping (dizem que vai ter mais salas na ampliação do shopping, espero que não só mais, mas melhores, onde não se escute o som das rodas de pneus de carros sobre uma lombada no estacionamento bem acima de uma das salas). O "Carioca" que seguia a arquitetura do Roxy de Copacabana (hoje o único cine de Copa, dividido em três salas) virou igreja Universal pois - pelo menos o prédio está tombado com seus mármores rosados e outros com ranhuras verdes-musgo, e curiosos lustres laterais fininhos com motivo oriental, algo meio kitsch mas fascinante. Outros cinemas viraram bancos, lojas populares tipo casa&video, cursos pré-vestibular ou simplesmente fecharam.
    O fato é que o público está minguante, salvo lançamentos promovidíssimos como "Dois filhos de Francisco" que é apenas a fórmula de dezenas de filmes ianques sobre cantores "country". Eu mesmo que não gosto do estilo (nem da música nem dos filmes sobre a música) vi dois por contra das atrizes: um com a Jesica Lange, outro com a Sissi Spaceky (pelo qual ela até levou um Oscar). Os filhos de Francisco é um filme bastante correto, tem seu lugar de filme sem maiores invernções, "comercial do bem", ou seja, não chega a fazer mal a ninguém, embora sua segunda parte se arraste um pouco sem necessidade. O ator que faz o Francisco (pai de Zezé de Camargo e Luciano) é um trunfo e quando sai de cena o filme rateia um pouco. Mas daí até todas esas loas, temos que considerar o marketing natural que a dupla sertaneja já tem pelos brasis e a promoção de um grupo de "formadores de opinião" como Caetano Velloso - mas não dá para deixar de considerar que a Paula Lavigne é produtora do filme e Bethania participa da trilha sonora ao lado do próprio Caetano que é o diretor musical do filme. Claro que Caetano tem direito de se oruglhar de um trabalho que ele fez ou participou, mas definitivamnte sua opinião não é isenta. E é curioso ele gostar tanto de um filme tão antagônico ao único que ele dirigiu, o tal "Cinema Falado" que eu não vi mas soube que seria... como dizer? godardiano. De Caetano para um grupo de pessoas com voz na mídia há um salto fácil e decreta-se que "Os filhos de Francisco" é o máximo dos máximos, redenção do cinema nacional, etc etc. Quando digo que achei apenas legalzinho quase me matam, dizem que tenho preconceito com música "country" (não me dão direito não gostar do estilo dizem que é preconceito) e que só gosto de filme "cabeça" (não tenho direito de ter minhas preferências idiossincrásicas que sejam? Não posso ir na contra-mão da "opinião pública"? Não posso desafinar o coro dos contentes?).
    Sei que música é ritmo antes de tudo, mas também tem desenvolvimentos na melodia, harmônicos, etc, etc. Depois de Bach, Beethoven, Wagner, Mahler, Stravinsky, vá lá: Puccini, Tom Jobim, Louis Armstrong, Dave Brubeck, cantes flamencos, fados, bossa-nova, Billie Holiday, Ella Firzgerald, Elis Regina, Edith Piaf, Amalia Rodrigues, etc etc etc, tenho que admitir algo que se intitula "ritmo e poesia" (rap)???? onde poesia é eufemismo e o ritmo é monótono? Uma coisa é apreciar manifestações musicais primitivas, outra é curtir a regressão. Na música e, pelo visto no cinema escatológico que está ganhando prêmios em festivais: o filme chinês do ator pornô em Taiwan sem água foi recomendadíssimo pelA Folha de SP, com ressalva que não é para qualquer um. Sou qualquer um, portanto.
    Se o cinema comercial-industrial já chegou a Spielberg e o cinema-arte já chegou a Alain Resnais, Bergman, Visconti, etc etc; se as barreiras arte-indústria podem ser nubladas em produções de alto investimento financeiro com qualidade de serem populares sem serem oligofrênicas, se a sendibilidade de um Truffaut já deu lucro nas bilheterias, por que é que um filme comercial apenas corretíssimo que tem seu lugar no panorama de qualquer cinematografia tem que ser endeusado como se fosse uma obra-prima?


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    [Aeternus:4723] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:RE: sobre indução da mídia...

    ...fico logo com uma certa má fé diante desses filmes que estamos desde logo 'obrigados a ver', como "Dois Filhos...". Tendo fortemente a não vê-los...como no caso, assim como foi com "Eu, Tu, Eles" e "Casa de Areia", ostensivamente divulgados, ou mesmo "Olga".
    Essa técnica indutiva-massiva é a mesma essência que compõe a propaganda política atual, uma consagração-antes-da-consagração, um simulacro plantado. O acontecimento que 'é acontecido' pela mídia para que aconteça.
    Perfilo-me, pois, junto ao Gallego no bloco dos 'qualquer um'.


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    [Aeternus:4724] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:RE:RE:RE: o rebote em Innocence

    ...é mais complexo, pois não passa pelo humor.
    A perversão está plantada, inscrita e fortemente encravada em tudo, tudo que de resto ostenta exemplar alvura, matizes e gestos delicados.
    Sem jamais usar o mau gosto e a náusea que Gaspar Noé elegeu para seu "Irreversível", a diretora Lucile Hadzihalilovic compõe seu festim fantasmagórico-limpo, de estupendo arsenal simbólico/afetivo.

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    [Aeternus:4725] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - RE:RE: Innocence

    Se já não bastasse a crueldade natural que a competitividade fora do esporte contempla, não temos como nos livrar desta no cotidiano. Talvez parte do filme possa ser lido como uma baita alegorização desta 'preferência universal', um Carnaval sobre esta tendência humana.
    Na cena da seleção da 'contemplada anual' com o prêmio de 'ver como é o mundo lá fora', resultam duas finalistas, que sob o olhar derrotado das demais meninas candidatas submetem-se à inspeção final das vetustas preceptoras. Após dançarem para as julgadoras, passam por um apurado exame particular postural, ponta dos pés, barriguinhas, nuca, arcada adentária...lembrei de Joseph Mengele examinando judeus...

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    [Aeternus:4726] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-02)


    - RE:RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

    This Illiterate Brazilian's Home Speaks Volumes

    A laborer has gathered 10,000 books, giving his impoverished neighbors a window to the world.

    By Henry Chu

    Times Staff Writer

     

    October 2, 2005

    SAO GONCALO, Brazil — Carlos Leite can barely read a word, but books revolutionized his life.

     

    Two years ago, he was doing construction work for a man who was about to toss out six thick, red encyclopedias. Leite asked whether he could have them instead. Thus a dream was born.

     

    Within days, he hit the pavement, knocking on doors, begging people for more unwanted books. No contribution was too small, too big or too arcane. Skeptical members of Leite's cycling club were dragooned into helping him collect donations.

     

    His collection quickly multiplied. The original six volumes turned into 100, then 1,000. Soon, his humble home was bursting with 5,000 books of all types — worn classics, chemistry textbooks, dog-eared thrillers.

     

    To Leite, though, nearly all the books are mysteries. Born into a poor family, he dropped out of school after third grade and, at 51, is practically illiterate.

     

    But books, he knows, are the gateway to a life of greater possibility and more promise than his own. It might be too late for me, a working man, he reasoned, but not for others.

     

    So bloomed the passion that has consumed Leite's free time over the last two years: transforming his home into a public library, free and open to all in this poverty-stricken neighborhood outside Rio de Janeiro. The streets here are unpaved and unweeded, daily life is a struggle and even a single book is an enormous luxury that can cost up to half a week's wages.

     

    To visit Leite's abode now is to see kids doing homework in what used to be his bedroom. Adults browse titles in what was once the foyer. Rainbows of donated paperbacks and hardcovers on almost every imaginable subject, some in crisp condition, others falling apart, cover every available bit of wall space, jammed together so tightly that a knife would have trouble passing between them.

     

    Leite's collection now stands at an astonishing 10,000 volumes, many still packed in boxes or piled in corners waiting to be sorted and shelved. Space is at such a premium that Leite and his companion, Maria da Penha, have had to move into a back alcove with all their belongings, which aren't much.

     

    "This is the only space we have to sleep. Please don't mind that it looks so poor," he told a visitor apologetically as he gingerly picked his way past a precariously leaning wardrobe and a low-slung bed. "The books kicked us out. If we're not careful, the books will kick us out of the back room too."

     

    The house has been christened, as the big, hand-painted sign on the roof proudly announces, the Community Library,

    18th Street
    . On busy afternoons, it's standing room only. Patrons vie for one of the mismatched chairs, which scrape along a floor lined with discarded tiles that Leite and his friends scrounged.

     

    Da Penha, 54, is the den mother, shushing noisy patrons with the severe expression mastered by all good librarians. Like Leite, she is basically illiterate — but aware of the riches crowding her walls, which sometimes invade her sleep.

     

    "I dream that I'm reading them," she said.

     

    What she and Leite have managed to do is all the more remarkable given the daunting hurdles to fostering reading skills and habits in Latin America's largest country. Illiteracy, poverty and the seduction of modern entertainment have made Brazil a country with one of the lowest levels of book-reading in the world. The average American reads five books a year, as does the average Briton. In literary-minded France, that number rises to seven. In Brazil, it's fewer than two.

     

     

    Brazilians are handicapped by lack of access. Government officials say that nearly 1,000 of the country's 5,500 municipalities have no public library. Buying a book is even less of an option.

     

    As with so many problems here, the lack of access to books reflects and reinforces the vast disparity of wealth that has made Brazil one of the most unequal societies on Earth. Bookstores tend to be clustered in well-off areas like Rio's Zona Sul, or south zone, home to the storied Copacabana and Ipanema beaches; in the city's sprawling northern precincts where millions live, many in slums of unspeakable squalor, bookstores are virtually unknown.

     

    A study in 2001 estimated that 16% of the population owns nearly 75% of all the books in Brazil — hardly surprising considering that a standard paperback routinely sells for about $15, or one-eighth of the minimum monthly salary.

     

    Moreover, illiteracy remains high; 16 million Brazilians older than 15 cannot read or write.

     

    Yet limited access and stubborn illiteracy levels are not the whole story in Brazil, land of sun, samba and soccer.

     

    "There's just not the habit of reading," said Cristina Fernandes Warth, vice president of the Brazilian Editors League. "And now there's competition with other things: cellphones, Internet, DVDs. Let's say there's a shop where there's a book and a CD of the same price. It's the CD that will probably be bought."

     

    The Brazilian government has launched a series of initiatives to improve the situation, including a reduction in taxes on books, a "Hungry for Books" reading drive and a campaign to establish public libraries in all towns and cities.

     

    Leite couldn't wait.

     

    "Those of us who grew up here, we know what the needs of the community are," he said. "I stopped and thought, 'Wait a minute. There's not a single library. The schools have libraries, but there's no public library.' So I said, 'Let's make this dream come true.' "

     

    When he asked members of his small bicycling group to help him collect used books, "they all thought I was a little crazy," he said.

     

    But they humored him, and the nameless cycling club got a moniker: "The Madmen of Sao Goncalo." Or so they seemed at first to the neighbors whose doors they knocked on.

     

    "Some people thought, 'You must be joking. Here in this community, people ask for clothes, but to ask for books!' " said Ronaldo Pena, 48, one of the cyclists.

     

    They inaugurated the library on March 20, 2004, with 100 volumes, most of them literary and historical treatises donated by someone Pena knew. Since then, the group has been amassing books at a feverish pace. Many come from rich Brazilians in whose homes they work as cleaners, handymen and the like.

     

    Because everything is by donation, the collection is eclectic and quixotic, but impressive in scope: from Shakespeare to Agatha Christie, Umberto Eco to political theorist Antonio Gramsci, William Faulkner to James Joyce, not to mention textbooks and reference works. There's no Dewey decimal system, or even strict alphabetical order; books are simply grouped by subject.

     

    "All the material you need is here," said Gabriele Sthefanine Silva Azeveda, a seventh-grader who was busy one recent afternoon copying down information about Central America from an encyclopedia. The nearest public library is 20 minutes away by car — not that many residents here own cars — and her school library is often of little use.

     

    "It has fewer books than here," she said.

     

    Word has spread enough that donations pour in by post, including works by the late Brazilian poet Mario Quintana, whose granddaughter heard about the home library and sent Leite some volumes.


     

     

    A television station gave the library a computer so that it could maintain a proper inventory, but no one has had time to catalog anything yet.

     

    It's a challenge just to keep the library open Monday through Friday, 9:30 a.m. to 8 p.m., and often later when there's special need: a report due, a test the next day.

     

    "There's a lot of demand," Leite said. "We have lawyers, doctors, teachers, psychologists coming in to do research."

     

    He depends on Da Penha and his friends to staff the library, all of them unpaid. Leite continues to do construction and maintenance work to try to meet the mounting bills. How do you run a library without overhead lights? Or fans to keep patrons cool and books from going moldy on those hot tropical afternoons? Or tape and glue to repair broken spines and torn pages?

     

    Not a single penny has come from official sources — "not from the politicians, not from the government," said Da Penha, who is on medical leave from her job as a cleaning lady at a local school.

     

    "What's here is what we've done ourselves," she said. "We've sacrificed a lot to help the people here. But it's a sacrifice of love."

     

     


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    [Aeternus:4727] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-02)


    - RE:RE:Que memória! (sobre9. Innocence)

    Adoro música caipira. Durante os primeiros doze anos da minha vida convivi com as produções diárias de uma turma de lavradores que tocava viola e sanfona na fazenda onde passei as férias de verão. Tinha direito a dançar com um velho que havia sido escravo e éramos peritos em "calango". Decorava as músicas de cafagestes que freqüentavam a fazenda, aspirando historinhas de amor, como as do "tio" Carlos para a pobre abandonada "tia" Elvira:

     " Eu não sou culpado que me tenhas tanto amor, eu não sou culpado que me queiras com ardor. O que eu fiz ninguém pode me culpar, não fui eu que quiz nosso amor começar... Esqueça-me, lhe peço, por Deus, ó criatura...cantando lhe confesso, tudo foi uma aventura".

    Eu nem sabia direito o que era e já participava das histórias "Seduzida e Abandonada"! A lua assim não pode mais dormir.

    Vocês leram a fofoca de que um dos jovens era homossexual e que sua ex-esposa estava processando-o pelo filme? Que maldade. De repente, faz parte do quadro geral.


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    [Aeternus:4728] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-02)


    - meu festival em DVD: Sin City

    Belo filme, este sobre cartuns/texto de Frank Miller, dirigido por Robert Rodriguez e seu convidado, Quentin Tarantino ( deve ser na parte em que aparece um jorro incrível de sangue depois de uma ninja japonesa cortar a mão do Benício del Toro...). 

    Sessão nostalgia completa: música caipira e revistinhas de terror (aeeeiiiiouuuuuu), tudo que marcou meus mais inocentes verões na serra da Mantiqueira. 
    Mamãe não queria que eu lesse nem mesmo Pato Donald e não pode evitar os coleguinhas com os gibis especiais ( mas havia contos de Edgar Allan Poe, uma pontinha de erudição gótica ).

    O que escrever depois de ver "Sin City"?  Nada. E se quiser, frases breves. Mas não quero.


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    [Aeternus:4729] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-02)


    - 11. La Moustache

    Uma vez lida a sinopse, fui ao cinema prepaprado para ver uma gostosa comédia, com tons de perversão.
    Mas qual o quê !...o escritor do romance que gera o drama, Emmanuel Carrère, também roteirista e diretor do filme - coisa rara, hein ! que privilégio ! - desfia um delírio em cristalização, desconcertando a platéia tanto pelo desarme de expectativas quanto pela dificuldade em montar uma linha compreensível para a proposição.
    Não que ele tenha sido um chato hermético, mas antes para ser instigante, assim creio. Num dado momento, parce que o filme deu uma virada e que estamos diante de uma história de persecute/persecuteur e núcleos paranóides. Tudo por mera habilidade na apresentação e ordenação, sem nos iludir só por pavonismo, gratuitamente. E há alma no sofrimento desse homem e de sua cônjuge, o circuito negativo e disruptivo da psicose.
    Quase todos saem rindo do próprio drible que tomam, sem saber (ainda) o que dizer. Mas é só pensar um pouquinho que as peças se encaixam em seu lugar.
    Vincent Lindon vai bem no papel principal, e uma Emmanuelle Devos linda e doce, très douce quand même, nos faz questionar a própria essência do sublime...( ou, por outro lado, da malícia ladina de determinadas formas de mise-en-scène )

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    [Aeternus:4730] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-10-03)


    - Troquei La Moustache por Ozu

    Telefonei para o Marcos para saber se ele tinha assistido "O Bigode" mas ele ainda não tinha visto e não iria ver nada hoje. Sem referência, desisti dO Bigode e privilegiei "Ele era um pai" do Ozu. pena que a cópia estava péssima, de um filme de 1942. Ozu precisa de imagem crsitalina para acompanharmos sua placidez e lentidão. O som estava com ruídos incômodos. Com isso tudo contra não pude concordar com o endeusamento deste filme pelos estudiosos de Ozu, mas deu prá perceber coisas bem interessantes.
    Neste filme, feito durante a guerra, a hierarquia intra-familiar japonesa era TUDO. O filho tem que seguir o desejo do Outro, no caso o desejo do pai. Tudo que o pai decide será aceito. Se há pálida resistência inicial, em seguida o filho cumpre os desígnios paternos numa nice. Assim é quando o pai abandona a carreira de professor depois da morte acidental de um aluno num passeio escolar. O japonês parece TER que assumir a culpa que não é dele, no máximo relativa, de não ter sido mais incisivo na proibição de um passeio de barco (que os adolescentes fazem às escondidas). Com esta decisão de deixar de dar aulas (talvez auto-punitiva/narcísisica aos olhos da psicanálise ocidental?), mudam-se, pai e filho para uma cidadezinha do interior. Sem chances de se sustentar e pagando ótimo colégio caro para o filho, o pai resolve procurar trabalho em Tókio e o garoto (uns 12 anos, bem infantilzinho) fica numa espécie de regime de internato. O pai o visitará muito de vez em quando, quando pode. Na despedida o menino chora e o pai discursa sobre a necessidade de assim ser. E assim será. Anos depois o rapaz já é... professor (no interior). Numa visita do pai comunica sua intenção de largar o magistério naquele local e ir trabalhar em Tókio onde o pai trabalha numa fábrica. O pai diz que não pode largar aquela escola. Os pais dos seus alunos confiaram nele (parece aquele tipo de escola onde UM professor tem alunos de diferentes níveis, pelo que depreendi: é um educador, um preceptor da coletividade de estudantes do local). Segundo o pai, não pode trair a confiança que depositaram nele. Alude ao fato de que se ele largou o magiustério seus motivos foram justos, mas o filho deve pensar no seu país, no bem comum, etc etc. O filho que já havia feito a ressalva de que não queria ser "egoísta" admite seu "egoísmo" e só lamenta que não pode conviver com o pai. Detalhe: o rapaz já tem 25 anos! Inverte-se uma situação anterior de um dar dinheiro trocado para o outro. Agora já é o filho quem dá uns trocados para o pai. Anos antes, obviamente a maõ era outra.
    Em outra visita, o filho relata algum upgrade profissional e aí ouvimos falar da mãe pela primeira vez. O pai diz que deve comunicar tal conquista à mãe e o rapaz se ajoelha no "altar" da mãe: um  móvel com duas portas abertas na altura do que seria o tórax de um homem em pé, com velas que ele acende e fica ali, em silêncio alguns minutos. Depois o pai faz o mesmo. Claro que a mãe morrera há tempos.
    O rapaz tem dez dias de férias e vai a Tókio passar esses dias com o pai.
    Procurado por ex-alunos, o pai aceita uma homenagem a ele e a um outro profesor igualmente viúvo que tem uma única filha. Não entendi porque o filho (que eu acho que era aluno do pai) não vai a esse jantar. Tudo bem formal, com discursos, etc. mas todos se dizem e parecem (dentro do possível) muito alegres (ao jeito deles). Todos os ex-alunos estão casados e a maioria tem pelo menos um filho.
    Ao voltar para casa, o pai diz ao filho que ele deve casar-se com a filha do outro viúvo e pergunta se ele aceita. O rapaz abaixa o rosto, tímido e envergonhado. O pai assinala que deve ser asim, salvo o fato de ele ter outra moça em vista. Ele nega. O pai pergunta se aceita. Ele diz sim.
    No dia seguinte o pai sai para o trabalho e pela primeira vez vemos o rapaz sozinho: ele estava lendo o jornal naquela posição ajoelhado dos japas e se deita, se espreguiça, relaxado. A empregada vem dizer que o pai está passando mal: tem um enfarte e morre cercado do filho, do amigo viúvo, da jovem filha deste e de dois dos ex-aluunos. O rapaz sai para chorar contidamente no corredor do hospital. O outro viúvo diz que ele não deve chorar pois teve o privilégio de ter um pai como aquele. Surge o título do filme: "Ele era um pai!"
    A cena final é do rapaz com a moça num trem, aparentemente indo para a cidadezinha onde ele leciona. A moça se pergunta se o irmãzinho mais novo dela já estaria dormindo. O rapaz diz que pensava em convidar o pai dela e garoto para residirem com eles, tal como faria com seu pai quando este se aposentasse, mas ele morreu. "Há muito tempo não vivíamos sob o mesmo teto. Pelo menos
    tivemos dez dias juntos." Fim.
    Resumido asim não posso transmitir o que é a delicadeza do filme (a despeito da barulheira da cópia velha e arranhada) e -pasmem! - do pai ao impor tantos desígnios ao filho. Claro que estamos vendo OUTRA cultura e outros hábitos. DIFERENTES ATÉ MESMO DOS FILMES DE OZU NO PÓS-GUERRA. Em "O Gosto do chá verde sobre o arroz" de 1952 as coisas são bem diferentes. Uma jovem de seus 19 anos não usa o quimono como a tia e enfrenta o tio bondoso e plácido, desobedecendo-o e fazendo só o que quer. O tio é complacente. A tia, não. O tio é um homem simples que gosta de chá verde sobre o arroz; a tia vem de uma família de elite e acha isso "comida de pobre". A sobrinha não aceita ficar numa cerimônia de casamento (pelo que entendi de finalidades casamenteiras). A tia reclama que ela deixou um rapaz esperando e isso não se faz. O tio diz que se ela se casar sem querer será tão infeliz como ele e sua mulher são no momento. O marido e a mulher fazem cada um o que quer, desagradando o outro. No final se reconciliam e a mulher até aceita comer o tal arroz com chá verde. A menina se mostra atraída por um rapaz de origem pobre (como o tio), mas nada submissa. Na cena final parecem estar tendo um desentendimento de namorados.
    Na obra-prima de Ozu, "Era uma vez em Tókio" o fiapo de história fala de um casal idoso que pela primeira vez vai à capital visitar filhos e a nora, viúva (um filho morreu na guerra). Os filhos não tem tempo paraos pais idosos, o Japão se ocidentaliza em ritmo alucinado. Os velhos são compreensivos mas claro que estão decepcionados e tristes. Descobrem o afeto da nora que, com todas as dificuldades (trabalha, ganha pouco, etc etc) é quem mais se preocupa em ser gentil com os velhos. Mais não conto para não tirar a graça. Vai passar um dia desses ao meio dia, acho que quarta feira.
    Voltando ao "Ele era um pai", não se pode deixar de pensar na autoridade e hierarquia de um país em guerra com as características do Japão. Mas foi interessante trocar idéias com duas analistas que encontrei por acaso no cinema sobre o filho ser o desejo do pai, aceitar toda castração imposta pelo nome do pai em nome de um suposto bem comum. Diferentemente do Francisco do filme brasileiro que se realiza ATRAVÉS do sucesso dos filhos, criados para satisfazer o narcisismo dele. Francisco, tem aquela ambição sobre os filhos que não difere das antigas "mães de miss" ou "mães de pianistas" (e pianistOs). Claro que quando o desejo herdado é tornado p´roprio, tudo pode ir bem. Pena que muitas vezes não há essa sintonia entre os ideais dos filhos e as aspirações/ambições dos pais.
    No filme japonês as separações impostas pelo pai ao filho sempre desejoso de uma convivência física mais próxima sempre servem ao crescimento profissional do filho e uma forma curiosa de autonomia (que existe em tudo - desde que o pai concorde - e não existe quando o pai pensa diferentemente - e aí o filho asume o ponto de vista do pai, numa boa). As cenas mais interessantes são quando, ainda garoto, o menino pesca com o pai. Esse ato de pescar se repete outra vez com o filho adulto. As duas longas varas não são pleonásticas como símbolo de identidade masculina entre eles. Não dá prá não deixar de pensar. De longe, porque nada é óbvio nos filmes de Ozu quanto ao subtexto. Já o texto manifesto é feito de obviedades, platitudes, coisas prosaicas.
    No Ocidente sempre preferimos Kurosawa porque seus filmes tinham frequentemente o "exotismo" oriental, o "diferente". No Japão, Kurosawa era acusado de "ocidentalista" (e de fato, filmou Dostoievski (O Idiota), Gorki(Ralé), Shakespeare ("Ran" é Rei Lear e "Trono manchado de Sangue" é Macbeth) e até policiais americanos de EdMacBain ("Céu e Inferno")- pseudônimo do mesmo escritor de "They shoot horses, don't they?", que deu o filme "A Noite dos Desesperados" com a Jane Fonda. Na mão oposta, vários filmes seus foram refilmados no Ocidente: "Rashomon" virou "Outrage" com Paul Newman; "7 Samurais" virou "7 homens e um destino"; "Yojimbo" virou "Dólar Furado", todos estes transportando histórias de samurais para o velho oeste.
    Tudo isso prá dizer que no Japão eles curtiam mesmo era Mizoguchi (esse mais oriental mesmo, sem traços de exotismo, com dramalhões ou filmes fantásticos meio de terror bem menos palatáveis ao gosto ocidental da época, mas maravilhosos os que vi) e Ozu que retratava o dia-a-dia e mudanças do Japão desde os tempos de cinema mudo até 1962. Claro que com a ocidentalização excessiva, tudo isso foi sendo descuidado por lá, o cinema japonês perdeu a qualidade que esses 3 cineastas, cada qual ao seu jeito, mantinham, fosse para consumo interno e/ou externo.
    Conseguir empatizar com os códigos simples mas não simplistas dos filmes de Ozu torna-se um encanto como a rotina do título de seu último filme.
    Claro que os ensaios sobre sua obra e sua personalidade tem hipertextos discutindo o caos e a ordenação das vivências como subtema de seus filmes. A morte, para ele, seria a única certeza que coloca ordenação no universo caótico. Daí considerarem dramaticamente perfeita a morte do pai em "Ele era um pai" (o título de fato é no passado, deixando entrever o que vai se passar). Nunca o final é tomado como um desfecho melodramático (o pai antes de morrer diz que não devem lamentar, sem pieguice nenhuma). Entendem que a morte acidental do aluno do pai no início pode ser uma alusão veladíssima à morte caótica e fora da "ordem natural" dos jovens na guerra. Não sei se concordo, não tenho elementos nem para concordar nem para discordar. Mas não sei se os filmes de Ozu precisam dessas interpretações. Eles valem pelo que valem, pelo que são - esão como os seus títulos (insisto nos títulos), principalmente os de final de carreira - "Uma tarde de outono"; "Fim de Verão"; "Em pleno outono"; "Bom Dia", "Flor de Equinócio"; "Crepúsculem Tókio"; "Início de Primavera"; "Início de Verão"; "Em plena primavera"; etc. Por isso nunca sei qual que vi. Todas as histórias são banais, todos os filmes se parecem e quase todos os títulos de 1949 até 62. O único que se destaca mais com fiapo maiorzinho de enredo e alguns mini-acontecimentos é mesmo a obra-prima "Tokio Monogatari" cuja tradução literal seia "História(s) de Tókio".
    Só prá chatear, como "ponte" entre um Ozu e outro assiti uma droga com a Charlotte Rampling, se especializando em papéis de mulheres de meia-idade com fogo na bacorinha. "Rumo ao Sul": americanas, francesas e canadenses ricas vão pro Haiti transar com os jovens negros a quem pagam pelas trepadinhas ou presenteiam, mas... acabam por descobrir a dura realidade da miséria daquele povo!!!! OOOHHHH!!! Faça-me o favor! Eu não preciso ver um melodrama ruim desses prá saber disso sobre o Haiti e o horror da prostituição seja masculina seja feminina por miséria econômica e social. E parece mea culpa americano, mas é francês!!! A atriz que faz a mãe da Natalie em "Invasões Bárbaras" está lá meio repetindo sua personagem com calor na sapituca, mais gorda, prosaica, CARICATA. Fujam!!!!

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    [Aeternus:4731] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-03)


    - RE:Troquei La Moustache por Ozu/ o que é sapituca?

    Só não entendi o que é "calor na sapituca".

    Enquanto o Longwang ataca Taiwan e China me fazendo pensar num filme do Kurosawa que dizem ser falso ( seria de outros diretores, não dele),  no qual há uma casa de prostitutas sendo inundada e as moças se preparam para virar heroínas trêmulas, no festival do Rio se faz uma retrospectiva de Ozu. No que Gallego foi descrevendo as antigas tradições da vida familiar oriental acabei fazendo com ele uma breve sessão de "cortes emendados" dos filmes que havia visto anteriormente e dos poucos livros que li ( começando com Pearl Buck e indo até Madame Butterfly...). Conclusão: não entendo nada do mundo oriental e, apesar do circo dos horrores em que vivemos, concluo que sou totalmente ocidentalizada, chegando ao ponto de haver suposto que oriente e ocidente poderiam encontrar-se algum dia. Creio que até o modo pelo qual japoneses ou vietcongs ou tibetanos ou indianos desenham, descrevem, emolduram e, assim, experimentam as emoções é inteiramente distinto do meu. Amor pode existir, mas empatia? Não vejo como.

    Depois de uma tarde apavorada com "Sin City" ( e reconheci Mickey Rourke no personagem que ele desempenhou, havia algum invariante que me trouxe à mente seu nome..acho que era o modo de inclinar o pescoço e, talvez, a voz?), comecei a imaginar se o mundo das prostitutas com suas lealdades e rivalidades não seria mais próximo de ser "universalizado" do que o mundo centralizado na vida em família, papai e mamãe com filhotinhos.


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    [Aeternus:4732] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-10-03)


    - RE:RE:Troquei La Moustache por Ozu/ o que é sapituca?

    Calor na sapituca não passa de uma variante de fogo na bacurinha.


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    [Aeternus:4733] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-03)


    - RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sur-re-rei-çã-ção

    Que sonho cinematográficoo da Jansy, hã? Tinha diretor de fotografia? (pergunto assim porque alguns sonhos parecem que TÊM diretor de fotografia, não é?)

    Eu até que gostei do Alien do Ridley Scott... e gostei de algumas das incontáveis continuações, mais por causa do bicho do que por outra coisa. Eu não sei se é algum mecanismo de defesa meu, mas eu acho o Alien um bicho LIIIIIIIIIIIIIIINDO!!!!!!!!!

    Ele foi... digamos... CONCEBIDO por um maluco holandês, um tal de H. G. Giger (ou seria G.H.? ou G.R.? não lembro), e é bem interessante ver o livro com os desenhos dele (tanto os que fez pro filme como também outros produtos de sua constante tempestade cerebral).

    Mas dos dois primeiros filmes (por motivos diferentes), eu gosto. Esse "Ressurreição" eu acho que não vi. Chegou uma hora que começou a virar palhaçada, igual às continuações de Planeta dos Macacos pro cinema, e eu larguei de acompanhar. Do terceiro, não me lembro direito.

    Acho que meu misto de repulsa e fascínio vem da tal boca dentro da boca: ela parece um mecanismo artificial. Essa mecanização do animal ou a animalização do que é FABER é que me fascina. É tão improvável, que a gente só consegue formular sentido nessa... obviedade metafórica: nossas cabeças são feitas meio de instintos e meio de artifícios.

    Na época em que o Oitavo Passageiro foi lançado, Scott ainda não tinha feito Blade Runner. Alien foi o segundo filme dele, o primeiro foi Os Duelistas, que eu adorei. Mas depois desses três, Scott fez A Lenda, com um quase imberbe Tom Cruise, e era um filme tão bêsta (exceto por aquele personagem que parecia um diabo), que cheguei à conclusão de que Scott era um diretor que dependia da sorte, ou seja, não dava pra chamar de "autor" (um que eu chamava de autor até há pouco tempo era o Martin Scorcese, mas o Gangues de Nova York eu achei tão ruim, que "briguei" com ele. Mas eu também tinha brigado com Polanski quando fez Piratas, mas, depois, com O Pianista, desbriguei).

    Teve dois "filmes de medo" que eu adorei: Alien e Seven. Nos dois eu quase levantei na metade pra sair correndo, mas resisti bravamente, e não me arrependi.

    Eu não me lembro agora das comparações que fiz na época com o 2001 do Kubrick, mas deve ter algo a ver com a idéia de MAL, que, em 2001, vinha do artefato que se emancipa, quase que... se humaniza (o HAL 9000: um ser de linguagem por excelência) e que, em Alien, era representado por um bicho que, em muitos aspectos, se parece com um artefato (Poderíamos até filosofar sobre este tema: O MAL). Ah, incluamos então o excelente Drácula do Coppola e o medíocre mas representativo Frankenstein do Kenneth Branagh (este parece ter sido feito dos restos da cenografia e dos figurinos do Drácula - o produtor é o próprio Coppola). A partir deles a gente consegue fazer um apanhado do século HISTÉRICO: o século XIX, e pensar em tudo o que veio dali sob esse prisma da histeria (e o Kenneth Bregah é o diretor ideal pra um filme histérico). Já o Drácula é o Outro de Lucy (ou Mina, eu sempre confundo as duas, mas enfim: é o "Outro" da personagem de Winona Ryder, e digo isso pensando na cena em que o Conde, na pele de um lobo, quase que trepa com ela num banco de jardim, acho aquela cena o máximo; e também gosto muito de uma cena meio de intermezzo, mas muito significativa, quando, no começo, os homens conversam numa sala com Van Helsing (COM ESTACA) sobre as "mágicas" da ciência, enquanto as moças, noutra sala, confabulam sobre "assuntos de moça").

    Mas enfim, acho que essa estranheza do Ailen é também fascinante porque, ao mesmo tempo que deserotiza a reprodução (o Giger deve ter estudado até as tampas sobre o ciclo reprodutivo de tudo quanto é parasita, lombrigas e congêneres), reduz os instintos ao medo, um medo que é uma explosão de adrenalina no meio de muuuita tecnologia, e é um medo produzido por um bicho que também é meio mecânico. Por isso ele também é um Outro: provoca o medo de um RE-CONHECIMENTO.

    Por outro lado, eu não sinto vontade de ficar defendendo o filme do Ridley Scott tal como defendo o Seven ou como ataco o Cidade dos Sonhos. Eu acho que o Seven MERECE ser defendido, e que o Cidade dos Sonhos PRECISA ser atacado, mas o Alien, tanto faz... ele não tem a importância do Blade Runner. Alien, na minha ótica, tem a ver com um modismo que também é só sintoma dessa artificialização do humano e do gosto pela estética da dor: o piercing e as tatoos. Não são em si condenáveis ou louváveis, mas são preocupantes porque são pontas de um iceberg que tem a ver com toda uma Weltanschauung, e as pessoas não têm nem a menor idéia do tamanho da meada enroscada nesse fiozinho

    Abraaaaaço

    D.


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    [Aeternus:4734] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE:RE: empatia à muque

    Encontrei uma brecha para assistir "La Moustache" ontem, e valeu a pena. Construí minha história, e vou conferi-la com a(s) da crítica francesa daqui a pouco...on verra.
    Sobre cultura oriental, até onde posso entendê-la encrava-se nessa 'empatia à muque', e lendo esses escritos do Gallego hoje entendo perfeitamente a distância entre eu e meu pai, um homem pouco culto mas nem tanto e bastante ligado nos japas, com os quais nunca sintonizei. Uma ou outra coisa do Toshiro Mifune, naquelas sagas milenares de samurais, o Kaneto Shindo de "Onibaba - o Sexo Diabólico"...
    Andávamos e andávamos juntos, praia e campos de futebol, alguns filmes. Nos gostávamos, mas a tal empatia in totum nunca exisitiu, principalmente a partir de minha adolescência.
    Tínhamos um respeito mútuo recheado de silêncios táticos, que serviram para nos manter cordiais mas que passaram a impedir a efusão, a gargalhada...

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    [Aeternus:4735] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE:RE:RE: intróito ao Bigode

    Sintam só...
    1. LA MOUSTACHE * Un film incompréhensible pour le spectateur désinformé .Et comme rien n'est expliqué dans ce film, et d'ailleurs nulle part ailleurs, on a vraiment l'impression de voir un cauchemar sans intérêt . ... LA MOUSTACHE * Par ERIC JEAN-LOIC BRETON, vendredi 15 juillet 2005 à 19:20 :: 10 ... monde virtuel . Seulement comme le film reste très incertain, ce n'est pas ...
      ericjlbreton.tooblog.fr/?2005/07/15/180-la-moustache - 24k - En cache - Plus de pages provenant de ce site - Enregistrer - Bloquer

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    [Aeternus:4736] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE:RE:RE:RE: me subestimei...

    Já li três críticas. "Un film à découvrir"...painel e metáfora da indiferença, por aí.
    Taí um ângulo legal, parecido com o de "Innocence" : o realizador abdica de um 'sentido' para seu filme, e patina livremente pela obra, cria à vontade...( e tanto a Lucile quanto o Emmanuel o fizeram com um bocado de estilo ).

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    [Aeternus:4737] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-03)


    - RE:Troquei La por Ozu/ o que é sapituca?

    Gallego, assim você me enternece completamente.  Você explicou o que é "calor na sapituca"...
    Não, na verdade não explicou, mas metonimizou ou metaforizou. Disse que era o mesmo que "fogo na bacurinha".
    Então, pra continuarmos assim, o que é uma bacurinha?

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    [Aeternus:4738] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE: Conde cada dia melhor !

    'e o Kenneth Bregah é o diretor ideal pra um filme histérico'
    Este 'Bregah' por Branagh é o que eu penso ? Também não gosto dele, eterno pavônico shakes...
     
    A viagem ecstasystática, estática e vazia, aquerla do viajante que não sai da poltrona, de "Cidade dos Sonhos" deve ser pichado sem dó nem piedade porque cai no mesmo viés da discussão que Gallego colocou ontem, de sermos obrigados a gostar de David Lynch só porque um dia ele fez algo bom, de sermos obrigados a gostar de tudo o que Caetano Veloso faz porque algum dia ele fez algo bom, de sermos obrigados a gostar de Chico Buarque escritor porque algum dia ele fez grandes letras e melodias.


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    [Aeternus:4739] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-03)


    - RE:escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sur-re-rei-çã-ção

    Que sonho cinematográficoo da Jansy, hã? Tinha diretor de fotografia? (pergunto assim porque alguns sonhos parecem que TÊM diretor de fotografia, não é?)

    Se fotografar é sintoma  em alguém, então os sonhos tem diretor de fotografia, não? A dimensão hiperverbal da imagem, aliás...

    Eu não sei se é algum mecanismo de defesa meu, mas eu acho o Alien um bicho LIIIIIIIIIIIIIIINDO!!!!!!!!! (...)Ele foi... digamos... CONCEBIDO por um maluco holandês, um tal de H. G. Giger (ou seria G.H.? ou G.R.? não lembro), e é bem interessante ver o livro com os desenhos (...) Acho que meu misto de repulsa e fascínio vem da tal boca dentro da boca: ela parece um mecanismo artificial. Essa mecanização do animal ou a animalização do que é FABER é que me fascina. É tão improvável, que a gente só consegue formular sentido nessa... obviedade metafórica: nossas cabeças são feitas meio de instintos e meio de artifícios.(...) o Giger deve ter estudado até as tampas sobre o ciclo reprodutivo de tudo quanto é parasita, lombrigas e congêneres), reduz os instintos ao medo, um medo que é uma explosão de adrenalina no meio de muuuita tecnologia, e é um medo produzido por um bicho que também é meio mecânico. Por isso ele também é um Outro: provoca o medo de um RE-CONHECIMENTO.

    Vários comentários pertinentíssimos do Ses-Conde. No que ele revelou que o desenhista foi um Giger, maluco holandês, fui imediatamente remetida ao peculiar humor deste povo ( cada filme esquisito deles que andei vendo no passado...sem aliens explícitos, mas totalmente aliens) e às gravuras de Escher.
    A boca dentro da boca não deixa de sugerir aquele verme ( chama-se "solitária"?) que é expelido por qualquer orifício do corpo: anus, boca, ouvido...Há imagens de afogados dos quais saem animais da boca ( O filme "The Tin Drum" não tinha umas enguias horríveis?). Há contos para crianças e até quadros de Boticelli com flores ou víboras se esgueirando dos lábios de alguma donzela...Deve ser um pesadelo da humanidade, no sentido junguiano?
    Gostei da proposta da dimensão metafórica: "nossas cabeças são feitas meio de instintos, meio de artifícios". Principalmente da conclusão: ante a dimensão da Alteridade ( do Outro) o medo que nasce é do Re-conhecimento.

    Não são em si condenáveis ou louváveis, mas são preocupantes porque são pontas de um iceberg que tem a ver com toda uma Weltanschauung, e as pessoas não têm nem a menor idéia do tamanho da meada enroscada nesse fiozinho..
    Concordo cem por cento, se for possível existir  algum dia uma concordancia plena sobre seja o que for.  Um padrão nos "hominizou" e depois "humanizou". No entanto, a Weltanschauung que criou este padrão está sendo desmanchada e a gente começa a ter medo do que se revela, do que RE-conhece...


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    [Aeternus:4740] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE: parabéns a vocês dois

    ...por esses belos trechos.
    Sobre a boca e as embocaduras, creio que encabeçam os signos da posse, posse esta assustadora de per si.
    Quantos e quantos autores - ou nós mesmos, quiçá ! - usamos alguma vez ou ainda nos referimos ao sexo como posse ? Claro que somos bondosos nesse ato de 'engolir' o outro, mas ao mesmo tempo...gera-se um signo sub-reptício de re-conhecimento - ( o mesmo que vocês estão xeretando por aí ?...)

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    [Aeternus:4741] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE: intromissão no bacural

    Sem querer me intrometer mas já me intrometendo, a introdução do termo 'bacurinha' no site foi feita pelo ilustre Conde Drácula, referindo-se à esplendorosa atriz italiana Monica Vitti.
    A dita cuja, que atende por alcunhas de toda ordem e nacionalidades, trata-se de uma entidade em formato triangular, localizada um pouco abaixo do Equador ( não a República das Bananas, mas a grande linha horizontal imaginária divisória do planeta que habitamos ), entidade que agrega elementos protuberantes e cavernosos, e cuja personalidade varia dependendo de sua possuidora.


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    [Aeternus:4742] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-03)


    - RE: intromissão no bacural

    Intrometido, Florião?  Não seja tão penitenente quando nos propõe fatos históricos e nos lembra que  bacurinha é um triangulo na Monica Vitti introduzido pelo Conde... 


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    [Aeternus:4743] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - RE:RE: intromissão no bacural : de penitenências

    Tomando tenência, o último penitenente de que me lembro foi o Ben Gazzara em "Anatomia de um Crime", um tenente sob risco de enquadre no Código Penal, e portanto um penitenente.

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    [Aeternus:4758] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-03)


    - 12. Where the Truth Lies

    Atom Egoyan no pedaço...produzindo, roteirizando, dirigindo. Bom realizador, digno e tendendo ao safado nos campos de Eros.
    Desta vez tenta fechar um policial intimista, mesmo tempo em que tangencia ética e idolatria. Tal mistura requer inspiração, talento e bastante recurso financeiro. A começar por uma metragem longa, onde as situações e a pulsação não se atropelem. Aqui não temos muitos 'erros' clássicos, mas igualmente ele não consegue encontrar um tom, uma pegada. Contando a história de uma mocinha ajudada em campanha nacional contra a pólio, muy grata à uma dupla famosa de TV pela divulgação e apoio nacional a est. Feita jornalista e incumbida de entrevistar um dos famosos para um livro sobre sua vida, mergulha numa obscura trama que resultou na morte de uma moça, encontrado numa suite onde se hospedariam.
    Espremendo, espremendo, e ainda que não negando nobres intenções a Egoyan, o melhor aqui é a plástica das atrizes, em excelente forma física. Assim como as cenas eróticas, que ele sabe fazer bastante bem - já sabíamos desde "The Adjuster", passando por "Exotica".
    A narrativa em si elege sempre o convencional como guia, e é este o sabor ao final de tudo.

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    [Aeternus:4759] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-10-03)


    - Iberia

    Enquanto vocês descobrem a bacurina (onde está amoralidade deste site? Tem vampiro egente descobrindo a bacurinha... tsctstctsc) eu fui assitir "Ibéria", novo filmusicaldançado do Carlos Saura que, dizem, foi aplaudido em cena aberta na exibição de gala do odeon que ia ser a única e devido ao suceso ganhou duas projeções ainda que na Barra! E lá fui eu.
    Pode-se dizer que é cinema puro sobre dança pura e música pura. Porque é despojado (e sofisticadíssimo) como filmagem; a dança flamenca pode ser com roupas à caráter, mas mais frequentemente os dançpantes estão de jeans e roupas comuns, ou seja, a dança tem que garantir o pathos daquela caras e bocas trágicas à Garcia Lorca sem ajuda do vestuário, absolutamente quase incompatível com a dança - mas que acaba funcionando; Ibéria pode ser trechos das 12 peças de Albéniz com piano solo e gente sapatenado (um gordinho chora e dança com ar trágico de corno abandonado e comove na disjunção piano lâmguido e sapateado que acabam se harmonizando incrívelmente). Não há enredo, os números se sucedem e o encantamento seria maior se o filme fosse menor, mas entende-se que é difícil deixar algum dos frgmentos de fora. O segundo referido a "Albaicin" (bairro judeu de Grandada - ou será de Sevilla?) ´-e um impacto só: a dançarina dança meio próxima de uma parede semi-transparente de uma película como pvc de cozinha, frequentemnte "sufocada" pelo plástico. O som é disonante com muita percussão. Nem sempre se usa a música de Albéniz, mas os títulos são mantidos. A"Quinta-Feira Santa em Sevilla" que é dos trechos mais bonitos e conhecidos é substituída por um cante jondo ou uma saeta, sei lá, muito bonita mas dá pena não ver esse trecho do Albéniz dançado.
    O "cenário" é o de outros filmes: telões que mudam de cor com a luz, sombras, espelhos, imagens em TV do dançarino repetidas com uma fração de segundo de atraso, fazendo uma "dupla" virtualizada ou mesmo uma imagem que se repete ad infinitum...
    Uma beleza, sem dúvida, ainda que fragmentária.
    Quando Saura bota enredoi ("Tango", "Carmen") reclamam do enredo ser fracote; quando ele abre mão de enredo rpclamam de ser dança em cima de dança. Pobre Saura...
    Sobre o filme do Anton Egoyan Marcos já dise tudo. É melhorzinho do que o lamentável "Fio da Inocência" de uns anos atrás, outro policialzinho fechado. Seus filmes "em aberto" são muito melhores, como "Exotica" e "O Doce Amanhã" (que era amríssimo). Ou mesmo "Ararat" que foi polêmico com o massacre dos armênios pelos turcos, um genocídio mal conhecido, num grande "filme dentro de um filme" como ele fez. "The Adjuster" só o Marcos para ter visto. Mas aposto que ele não viu "Krapp's Lat Tape" com o John Hurt feito em 2000 para a TV.
    Nem eu vi. Acho que nunca pasou no Brasil. Jansy ia adorar: afinal é Beckett!

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    [Aeternus:4760] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-03)


    - RE:Iberia

    Detesto touradas, não falo espanhol, não visito  livrarias madrilenhas senão para olhar encadernações e sentir o cheiro do papel. Chego e no primeiro segundo fico embasbacada ( aliás, na penúltima viagem fotografei uma explosão terrorista quase ao meu lado).
    Adoro tudo, som e fúria, sem entender nada. Como a dança flamenca. Plena.  

    Anton Egoyan filmou Krapp´s Last Tape? Com John Hurt. Deve valer a plena.

    ( Céus, como é difícil comentar comentários quando a gente não viu os filmes, não conhece patavina da historiografia do cinema, nem nunca ouviu falar de Egoyan).


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    [Aeternus:4761] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-04)


    - RE:RE:Troquei La por Ozu/ o que é sapituca?: calor na bacurinha

    Grande pergunta!

    Outro dia passou no Canal Brasil um Rolo Extra sobre Dona Flor, e o Pedro Bial, o apresentador, anunciou, a certa altura, uma cena que a censura não deixou ser exibida nos cinemas de então. "Uma rola extra?" pensei. Não, não aparece nada assim. Na verdade fiquei intrigado, porque, à primeira vista, a cena não tinha nada que eu considerasse mais explícito do que outras do filme. Mostrava era o Vadinho comendo Dona Flor por trás, mas isso, a rigor, não quer dizer nada, porque, naquela posição, a gente tanto pode colocar lá como acolá... mas eu desconfio de que o que escandalizou os censores (e eu imaginei uma comissão de Teodoros, como na chuva de homens de terno do Magritte... aliás, quer dizer que o Fellini fazia pouco do Magritte, é??) pode não ter sido a situação em si, que é mostrada em ângulo aberto muito rapidamente, mas o close que logo vai se fechando no rosto de Dona Flor, enfatizando seu absoluto êxtase.

    Então são duas as perguntas que me fiz ali:

    1) é fogo no rabo ou na bacurinha?

    2) será que os censores, diante de um filme que também tinha uma porção de putas à disposição, não aguentaram ver uma mulher casada e "de respeito" GOSTANDO de trepar? será que não suportaram a explicitude do prazer da personagem de Sônia Braga? No metafórico, até que suportaram, ou teriam vetado o filme inteiro. Mas quando a câmera fechou no GOZO da mulher casada, aí foi demais pros teodoros da vida???

    Agora, quanto ao sentido literal de bacurinha... pelo que entendi então, a "bacurinha" é o mesmo que "perseguida" - l'Origine du Monde...

    Depois de Dona Flor, zapeando, vi no canal Warner uma chamada em que o Martin Sheen, em seu personagem de Two and a Half Men, dizia:

    "Você a pediu em casamento? Não seria mais simples se você dissesse que não queria mais transar com ela?"

    Abraaaço,

    D.


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    [Aeternus:4762] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello (2005-10-04)


    - RE: o que é sapituca? E calor na bacurinha? Ad Tergo? In tandem?

    Quem vem primeiro, o Tristão de Athayde ou o Alceu Amoroso Lima?  Sergio Porto ou Stanilsau Ponte Preta? Vão Gogo ou Millor Fernandes? Conde Drácula ou.....?

    São tudo gente famosa? Como será que o Millor ia definir bacurinha e sapituca? Rola e perseguida? Se bem me lembro temos nas Listas um "Pequeno Dicionário" de eufemismos, eumachismos, neologismos et  ce ci n´est pas une Afrique.

    Taí um quadro bonito esse do Courbet, L´ Origine du Monde no qual não há dilema algum sobre o que veio primeiro, nem qual foi o anel.


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    [Aeternus:4763] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-04)


    - RE:RE: escalada escatologica: a antiga ressurreição alien: Re-res-su-sus-sci-ci-ta-ta-ço-ções

    Siiiiim!

    Pavonice é um termo perfeito pra ser aplicado ao Kenneth Bregah como diretor. Ele só é legal como ator dirigido por outros, como em Celebridades de Woody Allen e naquele filminho-chiclete, o James West. Ele se acha... não? A versão longa de Hamlet que ele transpôs à toa pro séc. XIX é cretina, o fato de abranger o texto integral de Shakespeare foi um recurso baixo pra atrair uma respeitabilidade que ele desperdiça ao responder as questões que Shakespeare apenas levanta. As escolhas estilísticas que Branagh, cinematograficamente, enxertou no espírito da peça acentuaram um subjetivismo que eu não acredito que tenha sido cogitado pelo autor, e que colocava as conversas do personagem com o pai morto num limbo entre a loucura e a metáfora; não, não acredito que fosse essa a intenção de Shakespeare, ou, pelo menos, ele não pensava apenas naquelas duas explicações para um sem-número de possibilidades... Tem certas coisas que o diretor de cinema precisa ir pro lado e deixar o teatro passar. Por exemplo, a câmera nervosa de Brian de Palma em Missão Impossível, parava, respeitosa, diante da esplêndida Vanessa Redgrave, para deixá-la brincar. Nesse sentido, eu prefiro a versão do Zeffirelli, que, mesmo com o aversivo Mel Gibson, respeita mais o espírito shakespeareano (fora que aquele filme tem Glen Close, fazendo uma Gertrude da gente assistir de joelhos: ela aparece pouco, dá impressão de que o Zeffirelli teve taaaaaanto trabalho pra dirigir o Mel Gibson, que se esqueceu do tesouro em forma de atriz que ficava esperando encostada num canto do set. Mas teve duas cenas que eu imagino a Glenn Close dizendo, "dá licença, que agora vou trabalhar um pouco": uma é a cena em que Hamlet vai ao quarto dela e a encosta na parede, e a outra é a da morte de Gertrude, inesquecível. Dá vontade de pegar todas as versões de Hamlet pro cinema e enfiar a participação da Glen Close universalmente).

    Será que o Copolla pode ser considerado o verdadeiro autor do filme Frankenstein? Afinal de contas, ali se resgata, mais do que noutras versões cinematográficas da história do monstro, a metáfora da "alma" da ciência que Mary Shelley quis imprimir a seu romance de horror. No caso de agora, pode ser visto como metáfora da pós-modernidade, também feita de pedaços de cadáveres. Vocês sabem, né, que, segundo se conta, a escritora participava com o marido de uma conversa na casa de Lord Byron sobre as "mágicas" da ciência (como naquela cena de Drácula que destaquei), e ela foi cuspida pra fora da rodinha por discordar de que aquela fosse de fato uma boa perspectiva para o espírito humano, e então foi pro quarto e escreveu quase todo o livro numa noite... Será? Mas é bonitinha a lenda, não é?

    Mas quando Branagh enfia uma locomotiva a vapor em sua festiva e ensolarada "dinamarca", incarnando um Hamlet estilo tiozinho-sukita, com cabelinho platinado no século XIX... ai, ai...

    Já a versão reduzida, rolou mais redondo pra mim, não sei por quê... Será a mão mágica do editor? O Eisenstein dizia que um filme não existe enquanto Cinema senão pelo fato de passar pela edição? A gente pode mudar TUDO na mesa de edição. É um fascínio!

    A prosa tá boa, mas tenho de sair.

    Abração

    D.

    Será a mão mágica do editor? O Eisenstein dizia que um filme não existe enquanto Cinema senão pelo fato de passar pela edição? A gente pode mudar TUDO na mesa de edição. É um fascínio!

    A prosa tá boa, mas tenho de sair.

    Abração

    D.


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    [Aeternus:4764] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-04)


    - RE:RE: Egoyan para principiantes

    Ele foi batizado 'Atom' mesmo, como escrevi, por causa da energia atômica. Seus pais armênios decidiram homenagear a 1ª usina atômica egípcia, e ele é naturalizado canadense. Hibridismo geralmente dá certo !...
    Deu certo, afinal, pode-se dizer : é um diretor que tem pulso, energia, sonhos e projetos sempre em andamento. Busca alternativas, embora resvale aqui e ali para o convencional, como no filme de ontem.

    "The Sweet Hereafter" foi tocante e abordou o trágico de forma corajosa e lúcida, sem apelar nunca. Acompanhamos paripasso as desgraças familiares após um ônibus escolar naufragar num lago, derrapando na neve. Havia uma elegância incrível na filmagem, no corte. A atriz Sarah Polley, canadense, é bastante virtuosa, mas como não é bela e tem sardas, perde papéis. Foi convidada para outro deprêzão, "My Life Without Me", onde está soberba, e que comentei na lista "Meu Mundo Caiu".
     
    "The Adjuster" levou numa Mostra dessas da Vida, no Estação 3. Junto com "Exotica", traz um painel dramatizado de nuances do pós-modernouma espécie de conjunto de regras que vai referendando uma nova cartilha de conduta(s). As dançarinas da boate em "Exotica" dançavam sobre as mesas, vestidas de 'estigmas' femininos - a normalista, a boneca, a puta, a Barbie, a careta de óculos - e não podiam ser tocadas pelos fregueses, babando debaixo delas e tentando ver mais do que já estava sendo mostrado.
    Em "The Adjuster" há uma cena notável onde o personagem central, um corretor de seguros, convence uma dona de casa a comprar uma apólice enquanto vão rolando preliminares até a trepada consagradora. Os dois seguem sempre usando a linguagem técnica da transação. E todo o filme consegue um tom investigador interessante, como se estivéssemos dentro de um sonho Egoyanista ( não Egoyânico ).



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    [Aeternus:4765] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-04)


    - RE:Egoyan para principiantes: Atom e Dar-El

    Marcos, gratinha pela aula sobre Egoyan.  Ontem li que nasceu o filho do sobrinho do Coppola, que sempre sonhara ter um papel de Super-Homem nas telas e a proposta não se materializava.  Daí que, nascido o bebê, seu nome foi escolhido como Dar-El porque era o verdadeiro supernome de Cripton.

    O tal filme do onibus escolar que mergulha num lago gelado é uma refilmagem, ou você viu em retrospectiva ou apenas, de lembrança, citou tantos detalhes sobre "The Sweet Hereafter" como se acabado de assistir? Homessa.

    Quanto à lendinha da composição de "Frankenstein" por Mary Shelley como uma vingança feminina denunciando a ciência, só gostaria de lembrar que provavelmente Lord Byron se sentia humilhado pela filha ilustre ( que não teria encontrado senão uma vez), Ada Lovelace porque esta é considerada não apenas cientista talentosa como uma das criadoras, com Babbage, do primeiro computador.


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    [Aeternus:4766] Mensagem do Grupo48
    -Visitante(2005-10-04)


    - Onde se lê Dar El, leia-se Kal-El

    Puxa. Erro todos os nomes, só porque vivem errando o meu?  Não consegui nem lembrar do nome do Jor-El na vida real. Levy-Strauss tem uma proposta bastante interessante a respeito dos nomes, quando avalia a genealogia de Oedipus ( Pés-Inchados) com Laius ( manco?) e Labdacus ( que caminha de perna em L?), pois para o estruturalista-mor  nomes não podem ser interpretados como significantes que remetem a outros em infinita metonimia. 

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    [Aeternus:4768] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-04)


    - RE:12. Where the Truth Lies : uma injustiça que cometi

    Há uma situação bonita ao final do filme do Egoyan, quando a jornalista poupa a mãe da moça que morreu no hotel de uma determinada informação. E o faz sem que essa mãe saiba que é ela mesma, mãe, quem está sendo protegida da publicação da passagem constrangedora, no melhor momento em termos de ética.
    Preservar a memória de alguém digno, ainda que passando por cima do 'real' ou da 'verdade', é 'bom' ? Bondoso ao menos é...Quanto ao 'ser bom', creio que depende da índole de cada um de nós. Pessoalmente acho que desde que não falseemos de todo a curva dos acontecimentos, como fazem os políticos, a meta aqui é nobre !
     
     
     

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    [Aeternus:4769] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-04)


    - RE:RE: The Sweet Hereafter

    Jansy, o filme é baseado num romance que o Gallego está lendo, e falou bastante bem. Disse que é denso, com interessantes repetições verbais.
    O filme era um grande e emotivo painel da perda e da saudade. Sem pieguices.

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    [Aeternus:4770] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-04)


    - RE:The Sweet Hereafter

    Talvez estivesse desatenta, mas não reconheci o livro do Gallego na descrição do filme. E este, acreditei ter visto há tempos na televisão. Sem achar nele nada particularmente bom ou ruim se bem que sua permanencia como "clima emocional" na minha lembrança indica o predomínio das qualidades.
    Do que recordo: cena de pai protetor que acompanha os filhos confiados ao onibus escolar seguindo-o de carro. Cena de derrapagem, as crianças antes acenando sorridentes fazendo rosto assustado, o onibus deslizando pelo gelo até que a superfície se rompe e ele submerge. Mesmo estando quase ao lado, o pai nada pode fazer para salvar os filhos. Corte. Cenas seguintes: advogados gananciosos e repórteres tentam tirar proveito da dor alheia. Pronto. Fim do que gravei como história. Ficou em suspenso o sentimento de fragilidade e impotência, a indignação com a invasão insensível dos que se apresentam como os que desejam nos ajudar, perdas irreverssíveis.

    No entanto, pelo título "The Sweet Hereafter", há uma promessa de alguma doçura e de um mundo à parte no "depois da vida". Veremos se Gallego, no meio das suas tarefas, encontra tempo para nos contar um pouco mais. Ou você, se assim se dispuzer. Perda e saudade, sem pieguices, com interessantes repetições verbais: tem exemplos?

     


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    [Aeternus:4772] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-05)


    - até que enfim: Win Wenders rides again!

    Até que enfim, um filme que eu tive vontade de aplaudir no final (porque Caché pode até ser muito bom, mas é tão desconcertante que a perplexidade domina). Win Wenders, praticamente refilmou "Paris Texas" em clave de quase-comédia: o roteiro é do mesmo Sam Shepard de "Paris, Texas", agora também ator principal (excelente!) ao lado da patroa Jessica Lange (alguma plástica menos feliz deixou menos bela a outrora paixão de King Kong em cuja mão ela estreou, de Mikail Barishnkov, de Bob Fosse - para quem ela era a morte fascinante de branco em All that Jazz - de Jack Nicholson - em "The Postman always rings twice" - e de tantos fãs e "premiadores" que reconheceram seus belos desempenhos em "Frances" e "Blue Sky", além de "Music Box", "Tootsie",etc).Além desses dois enrugadinhos do século passado, Eva Marie Saint reaparece bem idosa e em ótima participação. Os atores jovens, idem, com destaque para aporralouquice de Fairuza Balk, a "babyconsuelo" made in usa. A trilha sonora é ótima e a fotografia admirável, recriando quadros e quadros de Hopper (estou anexando o cartaz do filme embora não saiba se vcs vão poder ver [p.s.: desisti: amensagem não ia com a imagem]). É incrível que esse filme tenha saído de Cannes sem nenhuma premiação. Aliás, o prêmio de atriz para a motorista israelense de "Free Zone" só pode ter sido polítco: a senhora é competente, mas o papel é histriônico e fácil; melhor seria premiar logo o trio composto pela outra atriz (uma palestina) e a nova Juliette Binoche, a Natalie Portman de "Closer", sem muito o que fazer, embora chore copiosamente durante quase dez minutos com a câmera parada no seu rosto na primeira cena enquanto se escuta uma canção inteira na base da nossa "Velha e o porco", que diz que o pai comprou um carneiro, um outro animal o devorou, um cachorro mordeu esse animal, um pau bateu no cachorro, o fogo queimou o pau, a água apagou o fogo e assim por diante, só que terminando com uma alusão óbiva ao eterno conflito israelense-palestino. O filme parece cheio de boas intenções mas a fábula (?) é confusa (pecado em fábulas). A parábola (?) exige uma vivência do conflito que eu não tenho. O diretor Amos Gitai ganhou alguma atenção por "Kadosh", mas um outro filme que vi dele numa mostra mais anterior ("Eden"), apesar de baseado em Arthur Miller já foi uma decepção. Este também é. Menos, mas é. Um espanhol chamado "Má Temporada" não chega a ser ruim mas também não faria falta. No elenco, ótimo, a bela adormecida de "Fale com Ela", agora em cadeira de roda e chifrando o maridão, apesar de. mais gordota, menos bela. E o "Benigno" mais magro, mais careca, de barba, reconhecido pelo olhar meio parado e pelo lábio superior meio elevado, o que lhe dá uma expressão de menosprezo quase o tempo todo. O que valeu foi mesmo "Don’t Come Konocking", até agora o melhor que eu vi ao lado do terceiro episõdio de "Eros", seguidos por "Caché" e mais adiante por "Ibéria". O custo-benefício está ruim no atacado. Mas o varejo melhorou muito com este filme, prova que Wenders ainda dá no couro, apesar de tantos filmes meio mais ou menos depois de "Asas do Desejo". Já se vão anos que ele não acertava tanto!

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    [Aeternus:4774] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-05)


    - outros assuntos

    Sem tempo para as outras listas e mensagens, vou só dar dois pitocos: um, sobre o Frankensteisn do Coppola. Não conheço. Vi nas locadoreas um produzido por ele mas pasado na atualidade. É esse? Não me animei. Na contra-mão, adoro o Frankenstein do Kenneth Bragannah, mesmo reconhecendo problemas (o Tom Hulce, ex-Amadeus e amigão do Victos some de cena, quando no livro foi morto pela Criatura anonimada que reclama ao "Pai" que nem um nome teve: nem o nome-do-pai nem o nome-do-filho. Adoro o livro  e gosto das cabotinices do Bragnnah brincando com Muitoi barulho por nada, mudando o ambiente e época (gratuitamente) para Hamlet (mas que ficou bonito, ficou) e até da chegada de Rozencrantz e Guildestern numa maria-fumaça quase de brinquedo, eu gostei. O apelo de usar nomes do cinema comercial pode dar errado como foi com o grande Jack lemmon em filmes para sua medida dizendo sem entender o que dizia "Há algo de podre no Governo da Dinamarca". Mas aquele chato do Bill Crital foi um excelente coveiro (que na versão Olivier é feito pleo mesmo Stanley Holloway que viria a ser o pai de Eliza Doolittle em My Fair Lady: sempre que o vejo em 1948 acho que ele vai sair cantando With a Little bit of luck como em 1956 na Broadway ou em 1964 no filme com minha fari Audrey). Não gosto de um policial de rencarnação do Bragannah, esqueci o nome, mas gostei de um filme "reencontro de amigos" e um que não foi bem de bilheteria de atores tentando encenar um Shakespeare (era preto-e-branco). Como ator, achei exagerada a imitação que ele fez de Woody Allen num filme emmque fazia o papel de Woody Allen. O ator deste mair recente em que a mesma personagem tem 2 destinos diferentes, um no drama outro na comédia foi mais light (sei que ele está nA Feiticeira com a Nicole Kidman que estou louco prá ver e gostar mas o festival não deixa).
    Bragnnah é um Iagoi magnífico num Othello onde nem a Desdêmona de Iréne Jacob está tão bem (já se fosse a Natalie Portman, vítima sacrificial em Closer... ) mas o filme é bonito e aquele Iago dá até medo.
    Voltando a Hamlet, concordo que a Gertrude da Glenn Close é algo (como a Ofélia da Helena Bonnah-Carter, ex do K. Bragannah como antes fôra a Emma Thompson). mas o filme é ruim demais. Nem o Espectro com o grande Paul Scofield está bem. A versão melhor que eu vi é do russo Grigori Kosintev com um ator fantástico que depois fez um belo "Tio Vania" todo em tons sépia. esse Hamlet era cinemascope preto-e-branco com música de Shostakovitch de arrepiar os pelos da coluna vertebral na hora do fantasma (tenho em LP e em CXD, uma coisa!). Eu vi com meus 15 anos, as críticas diziam que era um Hamlet mais político de cefia ser pois a Bárbara Heliodora que defende o subtexto político até nos Sonetos de Shakespeare (estopu exagerando) diz que é o melhor Hamlet do cinema. O Lar desse diretor russo tb é muito bom, mas mais "pesado". Só vi uma vez um Lear quase "de câmara" com o Paul Scofiel dirigido pelo Peter Brook. O do Oliveir é teatro filmado, fica chato. Um Hamlet "de câmera" era com o Nigel Williamson (talvez seja esse nome; que foi Merlin em Excalibur e perosnagem porincipal da versão para o cinema de "Laughter in the Dark" de Nabokov com Anna Karina, alguém viu?) e a então linda Marianne Faithfull na época namorada do Mick Jagger era Ofélia.
    Marcos disse que estou lendo "O Doce Amanhã". Sim. Há anos. Mas está parado. É muito bom, fascinante, parece bem traduzido, tem uma prosa poética como eu gosto, ao mesmo tempo lúgubre -como o tema - e aliviando na beleza do ritmo das frases. mas é tão pesado que está ao meu alcance e  nunca o retomo. O filme é muito bom para quem leu 1/4 do livro.


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    [Aeternus:4775] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-05)


    - 13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

    Segunda versão, ao que eu saiba, do "Ulysses" de Joyce.
    Nunca li a peça literária, mas os dois filmes...valha-me Deus ! Difícil dizer o mais destrambelhado e canhestro. Preciso saber de alguém que tenha lido o livro, e dar uma dica se Joyce seria 'infilmável', pois não acredito que o livro possa ter algo a ver com o absoluto e desgovernado desvario que reina nos dois filmes. Ao longo de duas horas de projeção, passamos pelo alegórico, farsesco, momesco, ridículo, onírico, patético, intimista, escatológico, circunstancial...numa salada russa que não leva a nada.
    Surge a mesma pergunta que foi feita sobre "Irreversível" : por que não levantar e ir embora ? - e uns 20 o fizeram - porque o filme começa e termina com belos monólogos de Molly Bloom. No 4º final há também um belo monólogo de Leopold Bloom.
    Bela foto principalmente em tons de Natureza, o céu e o litoral irlandês, e música de David Kahne, delicada, tocante, perdida nesse contexto exdrúxulo.
     
    Já o filme italiano traz o roteiro mais estapafúrdio que vi nos últimos tempos. A história do china-taiwanino do Gallego pode ser considerada Aristotélica perto desta aqui, um desvario-desagregação familiar que tenta fugir do convencional a todo custo, aqui incluído o racional, sem que com isso caia num onírico-palatável, ou sequer delicado, funcional. Para vocês terem uma idéia ainda que somente esboçada do que falo, no auge do drama da família em desagragação o Stefano Accorsi ( bom ator ) foge da polícia, e saindo de um matinho 'dá a sorte' de um maratonista em carreira cansar e cair semi-desfalecido. Toma o uniforme deste, e...entra na competição, que, claro, vai dar hollywoodianamente nao local onde toda sua família, amigos, assistente social, cachorro e lagarto estão. Ele encara a Valentina, que corresponde, abraça os filhos, e...segue correndo na maratona !!!(???)!!!...( hora da polícia do filme prender os roteiristas, né ? )
    Ao contrário do excelente "Innocence", onde um formidável rigor narrativo impera soberano da primeira à última imagem, ou mesmo de "La Moustache", onde a brincadeira de confundir nos leva a caminhos interessantes na indiferença e sofrimento humano, aqui estamos apenas diante de um quadro psiquiátrico dos personagens, loucos sim, mas menos do que os realizadores...
    Não houve a menor necessidade, no entanto, de reclamar ou enfadar-se : Valentina Cervi colore o filme com sua Beleza e talento, fazendo a louquinha de plantão, e de quebra despe-se generosamente para seus fãs, exibindo seus fantásticos dotes. Ela já fez 18 filmes por lá, mas só consegui ver o excelente "Rien Sur Robert", do Pascal Bonitzer, roteirista assistente do Rivette, e "Artemísia", sobre a jovem pintora medieval.

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    [Aeternus:4779] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-05)


    - RE:outros assuntos oferecem um bnhao ed erdicãou

    Gallego vai fundo, conecta um filme com outro, um subtexto a uma idéia política, uma tática com uma prática... Um show de bola! ( nunca assisto futebol mas ontem vi um cara driblando ,jogando a perna esquerda pra trás ao chutar a bola, desviando da defesa e pegando a pelota mais adiante e fazendo um gol que me deixou arrepiada).

    Não vi  Laughter in the Dark com a Anna Karina, mas sei houve uma coincidência de nomes que ia desde a heroína de Tolstoi até uma outra atriz, fora a personagem...todas variantes de Karina. Se minha memória fosse melhor, eu conseguiria pelo menos tocar uma flautinha na sinfonia do Gallego. 

    Qto ao Shkspr gostaria de saber qual o sentido político de tanto "travestismo", se não for o lado mais prático de saber que conta apenas com atores do sexo masculino para desempenharem todos os papéis ( lembrei do Oscarito fazendo a Julieta numa chanchada da Atlântida, ou será que foi o Grande Othelo? Delícias de nomes, políticos também: Bleacaute. E morreu a Emilinha Borba )  


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    [Aeternus:4780] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-05)


    - RE:13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

    Bloom e Ulisses: eu li. Não aproveitei grande coisa no início, mas em seguida peguei um mapa de Dublin e segui os passos marcados pelo Nabokov em seus seminários sobre James Joyce e...voilá...consegui me apaixonar.
    Acho que tentei ler a tradução depois, era do Houaiss talvez, mas detestei de cara a grossura do volume, o quebradiço da lombada, a capa dourada e larguei de lado.

    Florião, o livro do Joyce não tem nada, nadinha mesmo, de caótico. Ele nos brinda com chamadas antecipatórias ( uma nuvem que aparece na praia, um cachorro enterrando ossos... a mesma nuvem sendo vista de um promontório, ou ameaçando um desfile da prefeitura, um enterro, ossos proverbiais...). Ninguém sabe falar muito sobre um cara de capa de chuva que aparece daqui e dali. Mas tem um perneta e uma moedinha tintinambulante que é lançada da janela que viaja direitinho, desde o tilintar que alguém ouve, ao brilho que outro vislumbra, ao que a pega...
    Duvido que eu vá reler Joyce, mas chega a ser cogitável. Com certeza topo reler as conferências do Nabokov para ir atrás de pedacinhos escolhidos. Principalmente porque aparecem nas obras dele e já ganhei direito a uma referencia "eternizadora" entre a academia por ter descoberto que as pernas do rapaz (no recém lançado livro ADA ou Ardor)  que caminha sobre as mãos, e que estão içadas como "velas tarentinas" era uma chamada para Joyce...É um mundo de referencias cruzadas. Uma derrota de Pirro traçá-las todas, Dédalo que o diga.


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    [Aeternus:4782] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-05)


    - RE:RE:13. Bloom (e) 14. Provincia Meccanica

    As nuvens aparecem muito no filme, sim. Belas, densas.
    Leopold Bloom é flácido, frouxo, pervertido, escatológico, retraído, depressivo, conformista. Só consegue a arte do deboche no tribunal, sendo julgado pela sociedade toda local...
    Do que poderia ser algum 'espírito de Joyce', apenas frases soltas - "o caixão é a casa do irlandês" - e um belo jogo transitivo efêmero/duradouro, fragmento/todo, instante/eternidade.
     
    O 'Dédalus', nome de um dos personagens, é ligado à Mitologia Grega, né ? Preciso estudar mais, pois nada sei nessa área !

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    [Aeternus:4796] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-06)


    - respondendo Jansyta ao entardecer

    Se todo mundo chama, eu tb posso chamar nossa musa aeternica de Jansyta como a carmen miranda era sempre Juanita ou Chiquita em sua aparições hollywoodianas cada vez mais caricaturais. O show com a Marilia Pera cantando músicas de Carmen, vestida de forma mais sofisticada como ela, não se mexendo tanto como ela não cantando-imitando como ela vale muito a pena apesar do preço salgadíssimo. Eu vi há tempos (1972) a mesma Marilia num espetáculo de buate que tinha enredo da triste vida de Carmen. Baixota, inventou saltos plataformas e turbantes para ganhar estatura. Sua brejeirice (ainda existe alguém "brejeira" no século XXI?) foi transformada em estereótipo caricatural "exótico" na Broadway e isso só se agravou em Hollywood, onde sempre era a "secunda donna", nunca "la prima" que era uma loura desenxabida qualquer e esquecida. passado o interesse político dos EEUU na "política de boza vizinhança" da II Guerra onde temiam o flerte de Getúlio com Mussollini e a cópula de Perón com os nazistas, Carmen perdera o encanto da novidade e foi sendo relegada a filmecos mais e mais classe B (o derradeiro era com Jerry Lewis e Dean Martin, num papel dela mesma, caricatuta de si própria). A atriz que mais pagara imposto de renda em Hollywood na primeira metade dos anos 1940 (faltou-lhe um Marcos Valério de contador da caixa 2? foi explorada não só pelos agentes e produtores, incluindo o maridão-empresário que herdou toda a sua fortuna? - que exisitia apesar da carreira crepuscular da década de 1950) agora fazia shows na TV, sempre na base do Chica-Chica-Boom, suas baianas lembrando rumbeiras, sua depressão mal-disfarçada na euforia maníaca de suas cantorias em ritmo acelerado. No Brasil, diziam que ela voltara em visitas "americanizada" (e era verdade - mas prá que tanto veneno? se "nas rodas de malandros, suas preferidas, ela dizia 'eu te amo' e nunca 'I love you' e enquanto houvesse Brasil na hora da comida, ela era do camarão ensopadinho com chuchu" - como reza a letra de música que fizeram prá ela). "Enquanto houver Brasil...." Hoje, talvez Carmen pudesse pagar por um prato de camarão mais sofisticado do que "com chuchu", mas o brasileiro-carioca médio que vai ao Lamas ou Nova capela se espanata com um prato de filé sem sofisticação alguma custando 38 reais. O plano real acabou com que inflação? Eu pagava 18 num restaurantezinho simpático que existe perto da Sociedade de Psicanálise que pertenço, em Botafogo-Humaitá há menos de dois anos!!! E eram pratos de filé parrudo que dava para dois com fome média... Os filés dos restaurantes mais boêmios e supostamente menos caros diminuiram de tamanho e aumentaram de preço... Voltando a Carmen (porque nada como alguém mais rica e mais infeliz do que agente como triste consolo de raízes talvez na inveja verde-catarro escorrido que nem Dona melanie Klein percebeu emtoda a sua sutil impregnação da alma humana): em Hollywood suas depressões foram tratadas com os tratamentos da época: eletrochoques que prejudicam a memória quando usados e abusados. Talvez, como Judy Garland relataria mais tarde sobre seus 13 anos ao filmar "O Mágico de Oz", na hora de filmar, davam-lhe anfetaminas, para descansar 0obrigatoriamente nos horários determinados, cloral hidratado ou seja lá qual era o "Valium" da época, mais provavelmente... barbitúricos. Não há pessoa SEM propensão à dependência química que não fique. Judy ficou e morreu com 47anos, com cara de 60 (daquele tempo porque hoje as senhoras de 70 têm um corpinho de 50, imaginem as de 60...). Carmen tinha 55 recém-completados quando o coração simplesmente parou. Com o "burro do dinheiro" e muito rica.
    Ainda bem que quase nada disso está no novo show de marilia sobre Carmen. Ela interpreta ao seu jeito, mais do que imita. Com seus 60 e tantos anos (e um corpinho de 40) e la nem se movimenta como carmen fazia, mas está lá, lembrando as músicas meio ingênuas, meio "maldosas" como se dizia na época ("Já me disseram que você andou pintando o sete, andou chupando muita uva - e até de caminhão - ahora está dizendo que está de apendicite, vai entrar no canivete e vai fazer operação..." ou "Eu dei - o que foi que você deu, meu bem?").
    Jansyta: não é de tarde, é de manhã, "vou buscar minha fulô, a barra do dia ê vem e o galo cocoricou é de manhã, vou buscar minha fulô..." Quem está crepuscular é o festival que se encerra em nosso peito varonil. Vc disse que o que Marcos e eu reportamos mostrava uma tendência de filmes escatológicos e violentos. Não só: a miséria dos povos africanos e outros parece que foi bem mostrada (explorada?) em documentários que não assisti. mais do que tudo, vi também muitos filme "medianos" que não chegam a fazer mal mas também não dizem a que vieram, por que e para quem foram feitos. Viagens narcisistas de seus diretores-roteiritsa-produtores? (porque fazer um filme barato já muito caro hoje em dia) Não necessariamente: alguns são bem-intecionados como o tal espanhol "Malas temporadas", falando de imigrantes na Espanha, cubanos contrabandistas, meninos que não querem sair do quarto, ex-presidiários soltos e ainda apaixonados por seus ex-companheiros de cela que agora retomaram mulher e filhos (homossexualismo circunstancial para uns, preferencial para outros)... Temas que poderiam render filmes péssimos ou ótimos... ou... medianos. Aí, chega a doer.
    "L'Enfant" é uma inexplicável Palma de Ouro no mesmo festival de Cannes que teve "Don't Come Konocking" do Win ressucitado Wenders e "Caché" com o excepcional Daniel Auteil num desempenho tão perturbador quanto o filme. Falo apenas de dois que vi nessa mostra carioca, infinitamente superiores a "L'Enfant", que não deixa de prender a atenção e ter uma certa competência de escrita cinematográfica, mas nada tão de excelência como as narrativas dos outros dois que prefiro muito mais. Além de tudo, a trama de um jovem pai comunicado por uma jovem mãe que tiveram um filho evolui no sentido de mostrá-lo com uma conduta psicopática tão mais chocante quanto o rapaz não parece "mau-caráter". E nem é. Ele só tem... indiferença! Assim como registra o filho, o malandrinho que vive de pequenos furtos o vende para rede de adoção corrupta (tráfico de bebês para doções ilegais, se é que os bebês não servirão a propósitos meos "nobres" - aliás, um outro filme dessa mostra mostrava um moça fazendo bolinhos chineses de... fetos! para apele ficar mais bela - Incluam-me fora!!!!!!!!
    Voltando a "L'Enfant" o pretensamente belo e comovente final não fecha muito com a realidade da conduta anterior do rapaz, ainmda que o ator seja ótimo e quase convença que no fundo no fundo qualquer desvio de conduta pode ser salvo por São Winnicott (não, não há psicanalistas winnicottianos "tratando" o rapaz, ele aparentemente cai em si mesmo ao proteger um garoto de 12 anos que é preso num furto onde estavam de parceria e ele assume a culpa; só que minha experiência de trabalhar em Funabem no passado me deixa suspeitando que depois que o filme acaba ele possa... vender a namorada porque deve dinheiro aos traficantes por ter querido o bebê de volta.
    "Bloom" já foi debatido por Marcos: de nada adiantam as belas nuvens e o desempenho quase chapliniano de Stephen rea. Como filme autônomo e indpendente do livro que nunca li não diz a que veio. para os que têm a referência literária poderá ser um palimpesto bom ou ruim. para os que foram ao cinema é um filme formalmente acadêmico com conteúdo supostamente revolucionário, Mais com menos... dá menos nesse caso.
    Crepúsculo do festival, resta a msotra de "repescagem" com filmes que chegaram atrasados ("Reis e Rainhas", "Sophie Scholl", finalmente, ambos domingo á noite no odeon, estarei lá). "Escola do Riso" sobre dois japoneses (eles de novo?) que querem omontar "Romeu e Julieta" teria sido a boa surpresa prá jmuitos conhecidos meus. Mas passa de sábado para domingo... às duas da manhã!!!!!
    Os critérios da repescagem são salve-se quem puder. Entendi que essasw cópias, legendadas em ingl~es fazem o circuito dos festivais e por isso chegam atrasadas ou tem que ir embora correndo. Às vezes são liberadas para UMA ÚNICA exibição, daí o desespero dos cinéfilos que sempre sonham em descobrir um "filme de suas vidas" no meio de lodo (antigo título de novela da Rádio nacional no iníco dos anos 1950: "Também há lírios no Lodo", "a SUA novela" do Grante teatro Colgate-palmolive... "Para um banho de beleza... palmolive-se (do verbo palmolivar-se) dos pés à cabeça". Hoje, pacienta de um ginecologista especializado em fertilidade responde sobre sua vida sexual: "De vez em quando transo com um P.A." - e o que é "P.A."??? - "Pau Amigo", responde a moça, "claro, aomos amigos que transam, de vez em quando nos convocamos para desafogar!" De Pal Molive para Pau Amigo assim se passaram mais que 10 anos, Emilinha Boirba morreu, quem vai cantar Chiquita Sacana, Juanita Banana, Jansyta Bacana??????????????????????????????????????????????????????????????????

    Maria do Carmo Miranda da Cunha não era brasileira, como muitos pensam. Nasceu em 9 de fevereiro de 1909 na freguesia de Marco de Canavezes, Província de Beira-Alta, Portugal. Veio para o Brasil ainda muito pequena, com apenas 10 meses de idade e foi criada bem no meio da boêmia carioca. Adorava cantar e isso lhe custou o emprego como vendedora de gravatas. O dono do estabelecimento a despediu por distrair os colegas que paravam de trabalhar para ouvi-la.

    Sua estréia nos palcos cariocas foi um sucesso. Josué de Barros, compositor conhecido da época, quando a viu, percebeu seu potencial e resolveu investir sua carreira, pagando-lhe cursos de canto e dicção e, ainda encaminhando-a para todas as rádios e gravadoras. Este esforço não foi em vão. Logo veio a gravar seu primeiro disco.

    Carmen Miranda era uma mulher baixinha...alguma coisa por volta de 1m 53. Em função de sua pouca estatura gostava de usar aqueles saltos enormes, plataformas mesmo de tão altos. Por causa disso o radialista César Ladeira a batizou, carinhosamente, de “ A pequena notável”.

    No final da década de 30 já estava contratada como artista exclusiva do Cassino da Urca. Cantava os melhores compositores da época, como Assis Valente e Ary Barroso. Junto com o conjunto Bando da Lua, cantava a música “O que é que a baiana tem” quando foi vista por Lee Schubert, empresário americano de muita influência na Broadway. Esse contato rendeu a Carmen o ingresso no universo artístico norte-americano. Seu sucesso foi absoluto. Não tardou a ser chamada para fazer um filme em Hollywood. Outro sucesso. Seis meses depois de ter chegado na meca do cinema mundial foi convidada a deixar as marcas de suas mãos, pés e o seu autógrafo registrados na consagrada “ walk of fame”. Era uma consagração nunca vista por uma artista brasileira fora do Brasil. Carmen tinha alcançado o topo de sua carreira. Era reconhecida dentro e fora do Brasil. E no exterior estava no mesmo patamar das maiores estrelas internacionais.

    Mas todo esse sucesso tem um preço e Carmen sentiu no corpo o cansaço e o esgotamento que tantos compromissos acarretaram. Volta para o Brasil em dezembro de 1954. Fica reclusa no Copacabana Palace Hotel durante quatro meses. Mas as suas obrigações com produtores americanos a obrigam a voltar para os estados Unidos. Durante um desses compromissos, teve um discreto desmaio. Poucos perceberam. Voltou para sua casa em Beverly Hills onde recebeu alguns amigos. A última pessoa que deixou a casa saiu às 3 e 30 da manhã. Foram as últimas pessoas a verem Carmen Miranda com vida. Foi encontrada morta logo depois. Era o dia 5 de agosto de 1955. Carmen morria aos 46 anos de idade.

    Aquela mulher pequena , com bananas equilibradas na cabeças e sapatos de saltos plataforma deixou de ser uma cantora de renome internacional e virou um mito. Nunca nenhum brasileiro chegou tão longe em sucesso e fama como ela. Era realmente uma pequena notável....


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    [Aeternus:4798] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-06)


    - RE: Carmen Miranda

    Um inegável galardão de nossa Chiquita Bacana é o fato de seu 'feminino' ter sido incorporado pela ala gay.
    Carmen é estereótipo da desmunhecada, dos alhos e penduricalhos, das caras e bocas e rebolados mils. O gay puto amarra-se nesse 'impossível', nessa coisa de quanto-mais-tenta-mais-vê-que-jamais-chegará-lá...

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    [Aeternus:4804] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-06)


    - RE:RE: Carmen Miranda

    uma chamada importante, a do Florião, que vai além da proposta do LFG de uma "caricatura".

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    [Aeternus:4809] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-07)


    - Belo Sol Negro no Crepúsculo de Festival

    No último dia do festival (oficial, porque hoje começa a chamada "repescagem" de filmes que não chegaram a tempo, como Sophie Scholl, na verdade, portanto, pescagem sem "re-") foi para mim uma surpresa (talvez não para muita gente) a excelência do filme "O Jardineiro Fiel" extraído de romance de John Le Carré e dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles que antes fez "Cidade de Deus". Resisti muito a assisitir "Cidade de Deus", acreditando mais nos críticos que acusaram uma linguagem de filmete de propaganda, de  comerciais, de video clipe, para um tema socialmente indigesto: favelas cariocas, miséira, tráfico de dorgas, dependência, muita violência, falta de perspectiva de cresimento social prá quem nasceu na m......, etc etc. Afinal, o que ver nas telas para quem trabalhou na extinta Funabem? (- ainda que nos início dos anos 1970, o que fazia da insituição na época uma verdadeira creche de bebês bonzinhos se comparados com os idas dehoje pós- escalada de violência, abandono, gravidez precoce, avanço do tráfico e etc sobre os jovens desassistidos deste RJ e Brasis afora)
    Só me rendi numa espécie de relançamento quando recebeu várias indicações para o Oscar, passando do lado do meu consultório no Roxy em horário sem atendimento. Tudo o que disseram de questionável e de rui  podia ser verdade; mas tudo o que disseram de bom, também era verdade. Eficientíssimo, o filme. Dei o antebraço a torcer. Agora, dei o braço inteiro: "O Jardineiro Fiel" é um filme daquele tipo "político" quase na linha de um Costa-Gavras, embora o foco não seja nenhum governo diattorial de direita, mas as famosas multinacionais de laboratórios e suas pesquisas "in anima nobile" no quintal do primeiro mundo que somos nós, a América LatRina, a África e regiões similares.
    Menos europeu do que os filmes do Costa-Gavras, seguindo a eficiência anglo-saxão de filmes de espionagem, me lembrei de um subvalorizado "O Americano Tranquilo" com Michael Caine (que merecia 3 Oscars só por esse desempenho) baseado em Grahan Greene, se não me engano.
    O desempenho de todo o elenco é igualmente eficiente, mas o casal central se destaca: o Ralph Fiennes parece ter vocação  masoquista de personagens fatalistas e fatalizados, depois de ter aparecido como carrasco nazista nA Lista de Schindler: como funciona bem em personagens trágicos tipo "Paciente Inglês" e o de "Fim de Caso" (com a Julianne Moore, este com certeza baseado em Greene).
    A Rachek Weisz lembra uma Ana Paula Arósio menos bela, mas mais parecida com gente e com a personagem comovente que ela interpreta. O filme é muito bom e muito, muito triste. Se chamaram o Meirelles porque ele estetizou a favela e amiséria em "Cidade de Deus", desta vez ele só repete uns galos e galinhas correndo numa aldeia miserável africana como auto-citação. A fotografia é bonita sem ser enfeitadinha e o roteiro ajuda muito o diretor. Sua estréia em filme internacional é infinitamente superior à roubada em que entrou o Walter Salles no triste "Chuva Negra", nem dá prá comparar.
    O chinês que me encantou no terceiro episódio de "Eros" começa tão bem "2046" que pensei que, finalmente, tínhamos um cineasta do porte dos grandes nomes dos naos 1950/60. Mas, infelizmente ele repete os defeitos que não me deixaram admirar "Amor à flor da pele" (I'm in the mood for love) tanto quanto a maioria das pessoas elogiou este filme anterior do cara: o filme se alonga, é repetitivo, tautológico, reverberante, apesar das belas chinesas, da narrativa em off literária, da beleza plástica, da trilha musical (que vai de "Casta Diva" a "Siboney", "Perfidia" e Mel Thormé vanatndo música americana de Natal. Longe de ser ruim, é frustrante em comparação à obra-prima de seu médio-curta metragem do episódio de "Eros": parece que que a fôrma do tempo fez o chinês mais sintético e condensou suas qualidades espaçosas e expnasivas que acabam "esfriando" o que poderia ser um filmaço. Não houve aplausos ao final da sessão lotada e cheioa de expectativa. Já o "Jardineiro Fiel" recebeu aplausos entusiasmados e longos. Entra em cartaz semana que vem. Vale!

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    [Aeternus:4825] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-09)


    - outro site...

    outro site que às vezes frequento pediu cotações dos filmes que vimos na mostra, sendo
    *****  IMPERDÍVEL: Não pode deixar de ser visto!
    ****    Recomendado com entusiasmo
    ***      Recomendado
    **        Pode ser visto (com algum interesse)
    *          Dá prá ser visto, a opção é sua
    0          Você não pode deixar de perder! Evite!

    Me recuso a dar uma cotação global para "Eros" e dou
    0 para o episódio de Antonioni,
    * para o do Soderbergh e
    ***** para o do Wong Kar-Wai, "A Mão"
    Don’t come knocking**** 
    Caché****
    O Jardineiro Fiel****
    Uma Mulher contra Hitler**** (vi em vhs)
    Ibéria****
    Eu sou viciado em sexo***
    Sra. Henderson apresenta***
    Fogueira***
    2046***
    Roma***
    Passaporte para a Vida*** (vi na mostra de uns 2 ou 3 anos atrás)
    A Mulher de Gilles**
    El Aura**
    L’Enfant**
    Free Zone**
    Where the truth lies**
    Em Minha Terra**
    Más Temporadas*
    Kim Novak nunca nadou aqui*
    Garoa Portenha*
    Cachimba*
    Bloom*
    Morrer em San Hilario*
    Dias no Campo*
    La Passione di Giosue*
    Dallas entre nós*
    Sagrado Coração 0
    O Gosto de Chá 0
    Café Lumière 0
    Frio sol de inverno 0
    A febre 0
    The Wayward Cloud 0
    Rumo ao Sul 0
    Além desses novos ou semi-novos, vi clássicos como
    Ele era um Pai**** e
    Gosto de arroz no chá verde¨***, ambos de Ozu;
    da mostra ocupação na França, além do "Passaporte para a Vida" (semi-novo) revi
    O Corvo*** e
    Boulevard do Crime****.
    Passaram na mostra outros clássicos que vi em revi no MAM ou na ABI há tempos e não revi agora: caso de "Outubro" e "Encouraçado Potekin" que estão acima de *****,
    assim como o maravilhoso e deslumbrante - quem nunca viu vai lá que tá na repescagem
    "Era uma vez em Toquio" do Ozu, obviamente *****


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    [Aeternus:4827] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-09)


    - RE:outro site...

    Gallego não é nosso reporter exclusivo de cinema, donde a idéia dos outros aplicada aqui é muito bem vinda. Adorei ver a pontuação dos filmes, é interessante como um resumo com sinais informa e estimula. Espero um dia poder assistir algum destes ( só vi o "Uma mulher contra Hitler", se for o da Sophie Scholl...)

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    [Aeternus:4837] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-10)


    - Reis e Rainha

    Na repescagem de domingo, "Reis e Rainha" houve quem saísse ao longo das 2 horas e meia de filme - e na saída escutei comentários como "nada a ver", "sem noção", "misturando coisas". Mas durante  a projeção também havia uma parte da platéia rindo em horas pertinentes, sintonizada com momentos de humor do filme que atenua um pouco da sua crueldade. Bem cinema francês, bem literário, com ótimas citações que aqui transcrevo de cabeça, resumidamente e empobrecidas fora dos contextos ("O Passado não é o que se perdeu, mas o que se mantém"; "Sede - é a água que nos ensina; terra, é o que vem depois das águas; êxtase é a angústia que se atenuou; hoje não tenho sede e tenho os pés na terra.") Tão literário que tem primeira parte, segunda parte e epílogo. Com direito a um "sub-capítulo" com título "D'entre les morts" ou "De profundis". Desempenhos fantásticos com destaque para Mathieu Almaric, César (oscar francês) de melhor ator neste filme, certamente tão francês que recebeu o tradicional prêmio Louis Delluc de 2004. Prá quem lembrar de "Alice e Martin", M. Almaric era o irmão homossexual de Martin, Benjamin. O personagem deste filme, sem ser gay, tem semelhanças histriônicas que o ator usa e abusa numa boa.
    Fiquei pensando nessa característica que criticam em filmes franceses: "são muito falados". Não há como discordar, franceses falam muito, adoram falar coisas inteligentes mesmo que não sejam; desde que els achem que são boutades espertas, tome palavrório. Mas não sei se é isso que caracteriza grande parte dos filmes frnceses, não necessariamente bons nem necessariamente ruins. Acho que se são "muito falados" é porque têm a inclinação de serem muito "literários". 
    O que quero dizer com isso? Independentemente de origens em romances (e preferencialmente com roteiros originais) , têm histórias e personagens e acontecimenmtos que poderiam render uma pequeno livro, "a novel" como chamam os anglo-saxões. Dão trabalho de serem acompanhados, exigem atenção do espectador e identificação com tramas sem "viradas" rocambolescas, sem grandes "ganchos" para prender a atenção, mas com muitos acontecimentos que até podem acontecer no cotidiano. Com alguma carga dramática, é claro.
    O melhor exemplo de cinema "literário", curiosamente, talvez esteja em alguns filmes do italiano Visconti, de quem se dizzia que filmava como quem escreve romances: "Rocco e seus irmãos" daria um livro. E este "Reis e rainha" (não gosto do título), também. Há pequenas "viradas" na idéia que tínhamos dos personagens a partir de suas primeiras aparições. Isso acontecia no subvalorizado e até malhado "Alice e Martin" que me encanta especialmente, e que tinha até maior carga dramática (rejeições, mortes violentas, etc) do que neste filme, de resto, ao meu ver, bastante interessante para quem tem paciência e curiosidade por histórias verossímeis em relação ao cotidiano. Afinal, mostra-se que a auto-imagem nem sempre corresponde à imagem que os outros têm de nós; que vivemos com nossos auto-enganos tanto  complacentes como exageradamente auto-críticos; e que o que pode ajudar muitas vezes a sobreviver, física e e psicológicamente, enfrentando obstáculos externos poderosos pode ser... o ódio. Tudo isso, com a proverbial elegância da língua, do estilo e com direito a piadinhas, tais como quando um personagem se dirige à psiquiatra interpretada (numa participação do tipo "cameo") por Catherine Deneuve já madurona: "Já lhe disseram que é muito bonita?" - e ela, na bucha e despachando o sujeito: "Muitas vezes" - e muda de assunto. Não deixa de ser desconcertante como o filme, no todo, é. Sem ênfases, quase. Doucement... com violência e crueldade nas entrelinhas.


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    [Aeternus:4840] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-10)


    - 16. Rois et Reine

    ( ainda hoje edito o 15. Sophie Scholl )

    'Afinal, mostra-se que a auto-imagem nem sempre corresponde à imagem que os outros têm de nós; que vivemos com nossos auto-enganos tanto complacentes como exageradamente auto-críticos; e que o que pode ajudar muitas vezes a sobreviver, física e e psicológicamente, enfrentando obstáculos externos poderosos pode ser... o ódio'.
     
    Muito bem colocado por Gallego. À saída e no táxi voltando para casa com ele eu disse que teria que pensar bastante para colocar este filme em palavras. A longa metragem privilegia os personagens secundários, abrindo abordagens íntimas e sociais num mosaico desconcertante. Para se ter uma idéia, num filme assim intimista, temos uma cena de assalto num pequeno mercado de variedades. Cena que amplia essa discussão do exercício do ódio em nosso cotidiano.
    Há uma espécie de conversão e reversão constante do ódio ao longo das situações que vamos assistindo : os pais de Ismael, o herói-louco ( Mathieu Amalric ) são patéticos, convivem num pacto engraçadíssimo e beirando o desvario em sua conduta. Promovem uma reunião familiar com todos os irmãos para anunciar a 'adoção' - não oficial, mas adoção 'de fato', com direitos garantidos - de um amigo pouco abastado que com eles conviveu durante muitos anos. No hospício, nosso herói pede que os pais o desamarrem da maca. O pai sorri amável, bonachão, e diz 'você fez por merecer...soube que saiu vestido de capa de mosqueteiro', a mãe corrobora com um gesto tranqüilo.
    A narrativa caminha em paralelo com a de Nora ( Emmanuelle Devos ), ex-parceira amorosa de Ismael. O capítulo 'I' tem seu nome, e ela nos é apresentada de forma centrada, numa Paris despojada, com foto propositalmente 'sem graça' e ao som de "Moon River". Me incomodou a decisão estética-narrativa de fazer um corte picotado do fluxo das imagens, diminuindo assim metragem e 'acentuando' tensões. Seja com a personagem solitária, seja em seus contatos sociais, esse picote acentua o fractual, o efêmero ( pessoalmente prefiro, de todo, o timing clássico, a tendência ao rigor narrativo ! ). Ela cuida de seu pai, à beira da morte com um câncer devastador. Sua irmã está tentando vir de Grenoble, está sem dinheiro e pedirá carona. Recusa ajuda direta da irmã nesse sentido.
     
    Desse núcleo em diante vamos sabendo de muitas coisas. Da parte de Ismael, sua revolta com a instituição psiquiátrica onde foi colocado por interdição legal de chegados. Revolta com a psiquiatra ( Deneuve ), atenuada pelas boas notícias de um advogado ultra-picareta, que usa sapatos vermelhos e coloca-os sobre sua mesa. Advogado felicíssimo com o atestado de loucura de seu cliente 'durante o ano de 1995', o gancho jurídico que precisavam para as querelas em questão. Ismael tem um bom relacionamento com sua psicanalista, uma negona de 250kg. que lembra nossa Clementina de Jesus. Psicanalista de peso.
    Ismael é instado por Nora a adotar o filho desta, filho que nasceu com o pai suicida já morto ( suicídio discutível, e a partir de dissesões do casal : afirmo aqui o que depreendi da trama...).
    Nora, por sua vez, abalada por tudo isso, mantém um relacionamento amoroso com um homem bem sucedido financeiramente ( "tenho uma certa vergonha, mas confesso que gosto disso" ). Confessa a Ismael que tanto ela quanto o parceiro não sentem falta de sexo, mas quando acontece 'gozam rápido - e isto é bom' ; fumam maconha e às vezes experimentam heroína, que ele 'fala pouco' e é incapaz de relacionar-se com o menino ( a pulsação das perguntas e respostas rápidas mas ditas com extrema tranqüilidade pela Emmanuelle nessa cena é notável ! Atriz magnífica ! - e foi uma das que mais ri ao longo do filme ).
    Desgraça pouca é bobagem aqui, e lá vamos nós. Ismael relaciona-se com uma moça do hospício, especializada em sinocultura. Despreza-a em seguida, não mais a visitando conforme prometera. Balda ligações telefônicas, cortando possibilidades entre ambos. Até que no fecho do terceiro capítulo ele comparece com sua capa de mosqueteiro numa festa comemorativa da saída dela do manicômio. Festa frequentada apenas por chinas, e onde eles refugiam-se num quarto para esfolarem-se.
    Temos também, no contraponto, uma passagem fortíssima de memórias do pai moribundo de Nora, dirigindo-se à filha, confessando seu intenso amor por esta, só superado pela decepção e ódio pelos rumos que ( segundo a visão dele...) ela adotou : risos desdenhosos de carinho para escamotear uma profunda amargura, postura geral de Rainha ao saber-se preferida em relação à irmã - "você sempre foi a mais bonita, e soube usar isso me seduzindo e depois me usando"; "não há como evitar, mas acho uma desgraça eu morrer antes de você. Gostaria de poder imaginar você morrendo em meu lugar, vê-la definhar, destilar essa amargura" ( coisas similares, até onde lembro ) - e seguimos estrada nessas belezas existencialistas. Nora arranca essas páginas de um caderno que o editor-xereta do pai publicaria, uma espécie de pathos do autor, falando para a posteridade à beira da morte.
     
    Êta filme difícil !...e bom !
    Eu o consideraria magnífico não fossem as resvaladas de estilo e forma, principalmente em fotografia e montagem. Woody Allen usou o recurso do picote que citei em "Mighty Aphrodite", colocando à flor da pele suas tensões ali. Neste "Rois et Reine" temi, em certos momentos pelo desandar do projeto, que no entanto...ressuscitava plus et plus fort. O ângulo literário, muito utilizado e ressaltado pelo Gallego, funciona muitíssimo bem. Pontua a narrativa enquadrando-a e aos personagens, e no mínimo conforta-nos sobre a sanidade mental do diretor, Arnaud Desplechin.
    Como o parágrafo que inicia estes comentários aborda, o circuito de ódio e reciclagem deste pode ser construtivo. Comentei com meu amigo, também à saída do filme, que apesar de tanta desgraça e amargura o drama não é 'pra baixo' nem niilista. Afora o humor todo que o perpassa, há uma determinação de aprendizado na personagem de Nora. E no 'epílogo' Ismael passeia com o menino fazendo uma longa digressão sobre sua decisão de não adotá-lo. É quando recita alguns conceitos ressaltados por Gallego, muito ligados à Natureza. 
    Nora termina tranqüila, falando-nos de frente durante um arrufo com a irmã, finalmente chegada e chorosa, logo após parar de administrar morfinas&afins ao pai. "Não queria que ele continuasse sofrendo daquele jeito." Ao rasgar as páginas desdenhosas escritas pelo pai entregar ao editor o caderno 'passado a limpo', está matando o pai de novo. Mesmo tempo em que preserva a visão que sempre teve do relacionamento entre ambos, o carinho que ela achava que tinha por ele...Razão para Hélio Pellegrino : 'o outro é o escândalo para o nosso eu'.
    Va savoir.

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    [Aeternus:4843] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-10)


    - RE:Reis e Rainha de Copas

    Gallego e Florião comentaram ricamente um filme que, espero, poderemos ver em breve nos cinemas.

    Achei interessante a forma pela qual Gallego comentou sobre franceses verborrágicos e concluiu que era um filme quase "literário". É estranho um povo sofrer dessa mania da palavra ( principalmente da escrita) e acho que minha pouca experiência o confirma. Certa vez há dezenas de anos estive em Paris e liguei um rádio num destes canais tipo "Radio MEC". Tocavam Beethoven. Lindo. No entanto, ao mesmo tempo em que se escutava a música, se ouvia entrevistas com o maestro, histórico da peça e da vida de Beethoven, explicação sobre os instrumentos...Deleite, impossível. Informação ao máximo. Já na Inglaterra, pouco depois, me surpreendi com a importancia das legendas. Tudo tinha manual ou filactera. O noticiário do dia era transmitido e em vez do Pedro Bial ou similares, havia uma página escrita reproduzindo o que era falado.Ou surgiam mapas.  Para ligar a luz ou abrir as torneiras para tomar banho, havia plaquetas com instruções.  Nunca li tanto como quando estive em Londres.   

    E então... um filme literário? Será que vale como cinema?


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    [Aeternus:4844] Mensagem do Grupo48
    -LFG(2005-10-10)


    - filme literário é cinema?

    Jansy questiona, pertinentemente:   filme literário? Será que vale como cinema?
    Na minha opinião, um filme "literário" pode ser bom filme ou mau filme, ou meio mais ou menos. Se for "Rocco e seus irmãos", poderia ser um romance de um Thomas Mann italiano sem deixar de ser um grande filme, cinema de primeiríssima. Muitos filmes baseados em romances nem são literários: são transposições fracasm dispensáveis, sem tradução em linguagem de cinema. A idéia é que alguns grandes cineastas faziam filmes como se fizessem (em cinema) romances (Visconti), circo (Fellini), ópera, etc etc

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    [Aeternus:4847] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-10)


    - 15. Sophie Scholl - Die Letzten Tage

    Na mesma balada de "A Queda - os Últimos Dias de Hitler", o filme veste-se da magnânima arquitetura universitária de München e dos assustadores porões cinzentos de Gestapo para trazer-nos o Deutsch 'OLM' ( Outro Lado da Moeda ) : a organização 'Rosa Branca', anti-nazista, dizimada pela politzei em fevereiro de 1943.
    A jovem atriz Jana Jentsch, com seu olhar cheio de esperança e expressão luminosa, dá a dimensão do drama dos que amargam a inexorável inscrição no corredor da morte prematura. Mártires. Mesmo presa e sabendo-se perdida, Sophie anseia por "mais dias ensolarados". Pelo dia em que a Alemanha tal e qual concebia tornaria a existir.
    Mas os Tribunais de Exceção insistem em mudar meteoricamente as regras do jogo. Por isto mesmo são 'de exceção'. O filme coloca de forma interessante o mimetismo que Hitler conseguiu dentro da Alemanha, a sólida e irrefreável adesão ao fanatismo que ia vendendo a berros e babas raivosas, apoiado pela propaganda. Desde o alto magistrado que 'julga' os réus da Rosa Branca diante de militares e advogados fantoches, até o mero secretário do investigador da Gestapo, espalharam-se 'mini Hitlers' por toda a sociedade, como num câncer metastático.
    Tanto "A Queda..." quanto este "Sophie Scholl..." trazem a adeqüada e aproximada dimensão que pode tomar o Horror Humano. Força, plasticidade, questionamentos instigantes e todo o Império do Desvario.
    Se em "A Queda" a cena mais dantesca era a de Magda Göebbels envenenando metodicamente e em fileira seus 6 filhos sedados previamente por tranqüilizantes, em nome do Reich que se esvaía, neste "Sophie..." impressiona a despedida dos pais da ré e de seu irmão Hans, ambos confortados e elogiados pelos genitores. E tanto no rosto de Göebbels no filme de Oliver Hirschbiegel quanto no do inspetor Mohr neste de Marc Rothemund estampam-se os piores abismos da alma. Sem apelos para cinematografia engatilhada, choros e abraços além do necessário. O verdadeiro Horror já é comoventemente asqueroso.

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    [Aeternus:4848] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-10)


    - 17. Enduring Love

    O romance de Ian McEwan, que inspira este drama, privilegia a paranóia homosexual enrustida como pedra de toque.
    Maiores virtudes : a plasticidade e construção sem atropelos dos acontecimentos. Maiores defeitos : um certo imobilismo dos personagens, que parecem atrelados a um 'destino fatal'.
    Um acidente com um balão nas pradarias vizinhas a Oxford logo no início da trama rompe uma 'linha favorável' íntima no personagem central, que a partir dali e da culpa inerente aos acontecimentos - culpa bastante questionável - vai perdendo-se dentro de si mesmo.Do mesmo modo que em "La Moustache" e "Rois et Reine", as insuficiências na relação amorosa vão ganhando campo. A escultora e quase-noiva do hesitante parceiro no fatídico pique-nique desaponta-o, mais adiante, quando questionada sobre o por que de não esculpir seu rosto responde "você é meu amor...sinto atração por você, vontade de amá-lo, de tê-lo comigo. Não de esculpi-lo."
    Bom desempenho de David Craig no papel central, apoiado pela delicada presença de Samantha Morton.

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    [Aeternus:4849] Mensagem do Grupo48
    -Visitante(2005-10-10)


    - filmes literários...

    A resposta do Gallego foi bem completa: se o diretor é bom, se o fotógrafo for bom... cinema pode ser "literário", circense, operístico sem deixar de ser grande cinema. 
    Estava pensando no filme "Lolita", por exemplo: o livro é tão enormemente mais complexo e verbal do que aparece com Kubrick ou com Lynne. Mesmo assim, gosto imensamente dos dois porque fica nítido que uma linguagem não esgota a outra.
    Se bem que Schiff, o roteirista do filme de Lynne ( ou foi o próprio Kubrick? Sem tempo pra conferir), observou que " se o livro fosse menos bom o filme sairia melhor"...

    Agora estou lendo outro livro de Dan Brown, aquele do "Código da Vinci". De vez em quando um best-seller pode distrair os animos que, no meu caso, andam meio pesados. Este se chama "Anjos e Demonios" e tudo indica ser o pior dos três em oferta nas livrarias. Como um outro do Sidney Sheldon ( esse, interrompi nas primeiras dez páginas) já parece ter sido escrito para ser filmado. Os heróis bonitinhos, eruditos, ecológicos e sexy se engajam pelo bem numa movimentação exuberantemente pro-ativa. Lendo estas coisas sou levada a pensar que, por pior que as coisas pareçam estar, já foram piores no passado! 

    O que ainda tenho dificuldade de abandonar é uma crença que me acompanha desde que me entendo por gente: há sábios no mundo que garantem que deus escreve  certo por linhas tortas, o bem triunfará e a justiça tarda mas não falha ...
    Não combina com nada do que vejo acontecer e, ainda assim, persiste como um ideal vagamente hegeliano, uma "bejahung" cega em briga com a realidade. Et in Arcadia Ego...


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    [Aeternus:4864] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-12)


    - RE:17. Enduring Love

    Marcos Florião teve muita consideração com este filme. Não conheço o romance de Ian McEwan, autor que me decepciona e irrita mais do que agrada ou satisfaz. Ultimamente ele vinha crescendo aos meus olhos com "Amsterdan" (premiadíssimo, o que não foi tão festejado pelos fãs regulares do escritor que consideram este livro "menor" em sua obra ; como eu não sou fã dos livros "maiores" do mc Ewan, gostei muito) e "Reparação", este muito muito bom, embora tenha a afetação habitual do autor na ambição de uma "virada" e surpresinha final que geralmente é pobre.
    Outros que li ou tentei ler achei péssimos, não entendendo o ibope do cara junto a crítica, prêmios outros e leitores intelectualizados. Um tal de "Cães Negros" começava muitíssimo bem, mas desandava logo em seguida. Este filme "Amor Para Sempre" sugere que o livro tb começa muito bem (como o filme), mas o resto não passa de um versão homo de "Atração Fatal", repetindo o estereótipo do doente mental que é mau, assassino, perturbando a vida dos "normais". Apesar do bom desempenho do ator prinicipal, seu personagem com a culpa de sobrevivente de um malfadado acidente é um "gancho" mal resolvido para substituir a "culpa" de pular a cerca nos filmes na linhagem de "Atração fatal" (que eu acho uma droga).
    A personagem feminina não é simpática e a atriz Samantha Morton parece estar de saco cheio da personagem, da vida e de si mesma. A atriz tb está ficando estereotipada com cara meio cansada da vida em seus últimos filmes onde ainda estava muito bem. Prá quem não lembra, ela foi a principal "pre-cog" de "Minority Report", fez mudinha no filme do Woody Allen com o Sean Penn de guitarrista escroto, "Poucas e Boas" [Sweet and Lowdown], trabalhou num com o Tim Robbins meio ficção científica, acho que era "Código 46" e um belíssimo de elaboração da perda de um filho que se chamava "In America" e que aqui se chamou "Terra de Sonhos", melhor que todos mais famosos do mesmo Jim Sheridan de "Meu pé Esquerdo" e "Em nome do Pai".
    O ator Rhys Infans é lembrado como o amigo meio doido do Hugh Grant naquele filme que ele trabalhou com a Julia Roberts e que se destinava a provar que uma atriz de Hollywood pode ganhar 20 milhões de dólares por filme e ser boa gente. Qualquer semelhança com a Julia Roberts seria mera coincidência ou era mesmo propaganda da moça? Ainda por cima, a cena final copiava sem a mesma classe o final de "A Princesa e o Plebeu". Sem Audrey Hepburn, ainda por cima. E sou mais o gregory peck do que o Hugh Grant.como galã romântico.
    O diretor é o mesmo do filme que mencionei acima ("Notting Hill") que só acertou mais ou menos num filme que só vi na TV com o ben Affleck e o Samuel L. Jackson que tem uma inticada história de troca de pastas, mas mesmo assim, nada de mais. Desta vez, ele se sai bem na super-elogiada cena inicial que não dá prá salvar o filme d eum desastre maior do que o mostrado nesta cena.
    Fico perplexo com os prêmios que o filme recebeu - ou foi indicado, incluindo vários para o diretor, já que como cinema a narrativa é ruim, tradicional, sem ritmo, perdendo-se em circunlóquios do roteiro e com uma ceninha final já após os créditos que dá pena de se pretender espertinha e não passar de uma babaquice batida e sem graça, crente que tem. Típico do Ian -e, pra desmascarar de vez sua fama de escritor de excelência,  lembro que assinou o roteiro de um filme onde aquele garoto (hoje ex-garoto) de "Esqueceram de Mim" fazia o papel de um psicopatinha.
    O filme "Uma Estranha Pasagem em Veneza", também romance do Ian, apesar de roteirizado pelo Harold Pinter era típico dessa pretensão do mcEwan que acaba como mau hálito intelectual na maioria das vezes. Prá mim, ele é apena um profissional do ramo que poucas vezes acerta.
    Neste filme "Enduring Love" ele ainda é o produtor, o que deixa claro sua "co-autoria". Na busca do insólito, ele deixa pontas soltas como em um mais antigo com a Isabella Rossellini e Anthony Hopkins dirigido pelo John Schelsinger passado na Berlim de pós-II Guerra, início dos anos 1950 que apesar de não ser nenhuma brastemp era bem melhor do que este estropício.

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    [Aeternus:4866] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-12)


    - RE:RE: balancing Gallego

    Vou puxar a trave da balança toda mais ao centro das diatribes do Gallego.
    * Jim Sheridan
    Adoro "The Field"( Richard Harris )e "In the Name of the Father". Um pouco menos "My Left Foot" ( que viveu mais do talento de Daniel Day-Lewis ) e "The Boxer" ( idem ). Desanimei com a 'fase americana' dele ( "East of Harlem") e nem quis ver.
     
    * Samantha Morton
    Dela só assisti este "Enduring Love", e leio a apatia dela mais identificada com a personagem mesmo da escultora, sempre à espera de alguma mudança. Ela é simplesmente cool demais, como tantas e tantas mulheres. Quer ser descoberta sem muito esforço, sem fazer grande coisa, sem revelar-se ou desvelar-se. Um ser-no-mundo. Talvez pronta para ser esculpida por outrem que não a ame...
     
    * Ian McEwan
    Nitidamente o manipulador artificioso do romance. O cara que escreve pensando no box-office. Até arranha temas interessantes, mas seu calculismo danifica qualquer vôo mais longo. Ele não consegue deixar de plantar o espetaculoso nas tramas, é algo como um diferencial corrido, que faz o veículo cambar para um lado só...
    "The Comfort of Strangers" ( no Brasil "Uma Estranha Passagem em Veneza", valha-me Deus...) poderia ser muito melhor, abordando a mesma paranóia homo enrustida desse "Enduring Love". Podem ser considerados gemelares, né ?
     



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    [Aeternus:4871] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-12)


    - comentando a partir do Marcos

    Marcos: pena vc não ter assitido "East of Harlen" que era o título de trabalho, posteriormente preterido no lançamento do mesmo que elogiei como o melhor filme do Jim Sheridan,  "In America" (o título pensando anteriormente era melhor, lembrando quando Adão e Eva foram despejados do Paraíso, por usar de serviços não incluídos na taxa divina (a famosa maçã), sendo expulsos por um anjo-leão-de-chácara que mandou-os ir morar numa região que ficava exatamente a... "East of Eden"). No Brasil ficou pior ainda o nome do filme ("Terra de Sonhos") porque na verdade, o que se via era um pesadelo que o casal do filme já trazia dentro de si. Duas atrizes-mirins abusavam do direito de serem graciosas e competentes em seus papéis - e a Samntha Morton utilizava bem sua expressão cansada da vida para a personagem, órfã de um filho que morre antes do filme começar. A pobreza de irlandeses imigrantes no Harlen novaiorquino e um ótimo ator que não sei que é deixaram-me ótima lembrança deste filme que não acho que seja de uma "fase americana" do Jim Sheridan. As ruas do harlen foram filmadas em estúdio na Irlanda! Concordo que o diretor é legal mas não tão interessante assim até este "In America". Os outros filmes dele são legais mas nada tão especial, devendo upgrade aos atores(Daniel Day-Lewis que ele usa e abusa, Emma Thompson, a própria Samantha, etc). O que vc gosta mais (The Field) só vi pedaços na TV, não tenho como avaliar. Dêem uma olhada no tal "Terra de Sonhos", eu gostei. Achei que deria uma elaboração da perda de um filho do Sheridan, já que o roteiro é assinado por ele mesmo e uma mulher com o mesmo sobrenome, mas o in]mdb informa que ele utilizou suas vivências quanto á morte de um irmão dele. O que não deixa de ser uma forma até mais elaborada de "transformação" da experiência vivida em criatividade artísitica. Quando a cineasta Lucia Murat foi debater seu excelente "Quase Dois Irmãos" lá na Sociedade de Psicanálise uma pessoa mais prosaica disse que pensara em ver, na tela, a experiência dela, Lucia, como ativista de esquerda nos anos 1970, posteriormente presa e torturada. Santa ingenuidade! O filme era sobre um homem ativista de esquerda, preso e torturado - no passado - e hoje em dia. Transformação de uma experiência vivida em arte, sem ficar parada no factual e documental d euma vida, elaborando vivências pessoais em vivência compartilháveis mais universais. Esta é uma das formas de artistas de gabarito usarem (e de nós, público, apreciarmos) a criação artísitca.
    Marcos: você não vê nem Woody Allen? o filme do guitarrista escroto foi um dos mais apreciados (ou menos malhados) do Woody em fase mais recente pós-"Poderosa Afrodite". A Samntha estava excelente num papel de mudinha e chegou a ter indicação ao oscar! Vale também.
    E eu 0 na contra-mão - prefiro o Spielberg mais recente do que no dos blockbusters garantidos nas bilheterias do passado: mais ainda do que "Minority report", sou fã de "Inteligência Artificial". Jansy aproveitou ambos para belos trabalhos reflexivos sobre um monte de coisas mais importantes até do que os filmes. Sem preconceitos, fiquei fã do Spielberg mais recente.
    E quanto mais me lembro mais odeio "Enduring love" e o "Código da Vinci", sub-Umberto Eco, sub-"Pêndulo de Foucault" do Eco (que nunca mais conseguiu, dentre os que li, repetir a junção qualidade-divertimento-curtição de "O Nome da Rosa".


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    [Aeternus:4872] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-12)


    - RE: perdas em Woody

    Dele só não vi este dito cujo e um musical passado em Veneza, creio que "Everybody Says I Love You".

    Adoro o Sheridan-all-Ireland pela força 'aldeia', aquele arquétipo pai, ancestral, terra/mar/ar/nuvens...Viver e morrer por isto, valores básicos. Sem invencionices, sem mumunhas ( não que eu concorde de todo com isto, frise-se : apenas aprecio a maneira e a pujança com que o Sheridan descreve e afetiza tudo isto ! ).
    Similar ao tema mas amplamente diverso na abordagem foi "Local Hero", aí falando da aldeia ali do lado, the Old Scotland, e do às vezes interessante diretor Bill Forsyth. O velhinho que mora numa choupana caindo aos pedaços junto ao mar atravanca um imenso projeto latifundiário de grande condomínio para turistas, ao negar-se a vender seu mísero palmo de terra...
    Burt Lancaster fazia um executivo meio pirado com NYC, analisado por um schrink ainda mais pirado que ele, que dependurava-se na janela do prédio, pelo lado de fora, para fazer realizar-se à muque a sessão analítica. O Burt dormia em reuniões importantíssimas do board, e é ele mesmo quem vai à Escócia convencer o velhote a sair de onde mora, junto com um executivo padrão, numa tentativa na linha matéria atrai matéria. Ambos aprendem a apreciar a Aurora Boreal, um animado barco russo de contrabandistas trazendo vodkas de 1ª, um casal que toca junto um pequeno hotelzinho, felizes da vida...


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    [Aeternus:4874] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-12)


    - ainda Enduring love

    Gastando vela com mau defunto, acho que o que me irritou em "Ebduring Love" foi o desperdício do ótimo gancho inicial, ainda que quase grand-guignol. Não gosto de contar os enredos dos filmes, portanto, quem, apesar das advertências de não perder tempo com este filme, também não goste de saber os detalhes, pode parar de ler por aqui.Afinal, foi tão prestigiado em prêmios e festivais que o errado pode ser eu.
    Um balão desgovernado com um menino dentro num campo inglês em dia de verão. Uns 5 homens que estavam por perto tentam segurar o balão no grito. Quando quase conseguem, o balão ganha gás e alça vôo, levantando os homens do chão, pendurados na cesta do balão ou numa corda. Todos largam o balão antes de serem alçados a alturas mais perigosas. Menos um. De bem alto, acaba caindo e se estabaca no chão. (Aparece o cara de costas como que sentado; de frente, vemos que o tórax e cabeça estão externamente íntegros, mas da cintura para baixo é uma maçaroca de ossos, vísceras, sangue e grama). Os dois que foram até lá ficam perplexos, mas um deles pede que o outro reze. Constrangido, ele se ajoelha.
    Depois, este "ateu" será perseguido pelo outro. O que seria interessante seria a (im?)possibilidade de elaborar uma situação-limite de sobrevivência quando alguum outro morre _ e tão mal (detalhe: o garoto no balão se salva muito bem obrigado, o que deixa a morte do que caiu como algo totalmente inútil).
    Mas o enredo se prende a uma "atração fatal" de psicótico que percebe sinais de amor no outro e vai perturbá-lo à loucura. O que o enredo pretende, talvez, é colocar em discussão a postura do personagem principal (professor de filosofia?) que discute o tempo todo a existência do amor como ilusão ou "verdade" e se enrola todo durante o assédio que sofre. A teoria na prática, como fica?
    Antes do malfadado balão entrar em sua vida ele ia propor casamento à sua namorada, escultora. O assédio psicótico e gay é mal-elaborado por ele que fica obcecado com a obsessão do outro, perseguidíssimo. Mas o filme não dá elementos para se perceber melhor ambigüidades sexuais neste personagem a ponto de ficar tão atropleado pelo maluco. E o maluco se revela mesmo perigoso num assédio implacável, o que deixa a sensação que, mesmo que o professor lidasse "melhor" com a situação, o perigo seria o mesmo. Se o McEwan queria discutir algo mais como me pareceu, a discussão ficou pobre e atropelada, despencando do balão de vento de suas idéias ambiciosas mas pobres na realização.
    Desperdiça-se um ótimo in´cio, filmado com tecnologia e competência industrial que serviria a um enredo melhor se examinasse a necessidade de pessoas que compartilharam situação-limite em conviverem ou nunca mais quererem se ver. Uma lástima de escritor menor do que as pernas.


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    [Aeternus:4876] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-12)


    - RE:ainda Enduring love

    É isso aí, e ao final, tirante essa magna abertura, o que gosto mais é da Samany=tha ter começado a esculpir seu parceiro. O que li como 'deixei de amá-lo'...

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    [Aeternus:4892] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-13)


    - RE:17. Enduring Love: Um filme-balão com impulsão excessiva

    Vocês odiaram tanto assim, o filme?

    Um amiga foi comigo e ela me perguntou ao final da sessão - mas eu não soube dizer - se gostei ou não. Gostei de algumas coisas: o modo como foram filmadas/editadas as imagens do acidente desencadeador das neuras todas, da incongruência do personagem do professor, que ensinava um tipo de questionamento do amor que ele próprio parecia ter dificuldade de aplicar para si...

    Eu não encontrei no filme a dúvida homoerótica inconsciente da parte do personagem como sugeriu a crítica e como vocês me contam sobre o livro. Em nenhum momento ele me pareceu propenso a embarcar no SENTIMENTO do maluco e muito menos no tesão dele (aliás, o diretor do filme só dá ao espectador a certeza da maluquice do descabelado quando o próprio personagem do professor chega a essa mesma conclusão). Quanto ao professor, seu sentimento era outro, obsessivo, "interno", como se aquilo mexesse em seu núcleo antitético potência/falo X impotência/castração - jamais em sua objetalidade erótico/afetiva. O que o fez, por um único momento, supor que poderia se consolar com o maluco, foi um momento de coragem/desespero de tentar uma outra Weltanschauung que talvez lhe permitisse aplacar a angústia em que patinava sem sair do lugar. O problema foi que, com aquela atitude de oferecer um dedinho de atenção, o professor teve a alma inteira cobiçada pelo psicopata (a alma?). Mas ele logo viu o tamanho da encrenca. E nunca se perguntou se seria legal encarar um romance com o loiro descomposto... nem no nível inconsciente. Mas não posso afirmar isso com relação ao livro.

    Já quanto à mocinha, lembrei dela no Minority Report, mas ela me pareceu agora muito parecida com Sarah Miles, atriz que foi importante nos anos 60 (O Criado de Joseph Losey? com Sarah Miles e Dirk Bogarde? Imperdível) e isso fez com que se estabelecesse em mim um sentimento favorável em relação à atriz e, quiçá, à personagem. De fato ela está mais desenxabida neste filme, mas sua personagem não me pareceu chorar de barriga cheia, não: afinal, ter de escutar do namorado, a toda hora, que o amor é uma ilusão, dá nos nervos, tanto quanto ser preterida em favor de uma obsessão neurótica.

    Sobre o "recado" dado pela escultura que ela finalmente fez do rosto do cara, foi aquilo mesmo que o Marcos colocou: "agora você é distante, agora posso te VER, por isso não te amo mais e posso te esculpir, isto é o fim". Mas eu não vejo o fim do sentimento dela como vindo da perda da fonte de suprimento narcísico, e sim da inacessibilidade em que ele se colocou perante ela. Foi pela escolha narcísica DELE: o que eu chamo de anorexia egóica - o cara se põe impermeável a qualquer troca com o mundo e com o outro.

    Mas também é verdade que há uma inflação de ar quente no balão desse filme, ele não é pra tantos prêmios assim, e o final fica muito em aberto demais, não no bom sentido. Fica o gosto mais da impotência do que da catarse... o que o torna um filme inútil.

    Se bem que, pensando agora, eu sempre acho interessante quando colocam a religião como parte da doideira. Eu acabei de escrever um e-mail prum amigo em que parece que eu estou falando o contrário: um elogio à religiosidade. Mas é que eu a distingo "religiosidade" da submissão a uma "religião" - que é sempre institucional, relativa, secular. Eu pergunto a esse meu amigo se um dia haverá uma religião que de fato sirva à religiosidade de verdade, que possa REPRESENTAR essa relação de uma forma não alienante e não estagnante.

    Bacana ler as opiniões sobre o filme justamente pensando na questão que, através do professor, lá é colocada: "o que é mesmo o amor?!" (Fantástico a Jansyta perguntar do amor depois de mencionar os "vícios"... Adorei.)

    Talvez NÓS estejamos querendo saber...

    Abração

    D.


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    [Aeternus:4894] Mensagem do Grupo48
    -Jansita Mello(2005-10-13)


    - RE:17. Enduring Love: Um filme-balão com impulsão excessiva

    Que bom...opiniões discordantes sobre o filme-balão.
    Do autor, Ian McEwan, li apenas "Amsterdam" que tem altos e baixos, mas o tom predominante é de cinismo e farsa. Enquanto leio textos "farsistas" eu me divirto nervosamente na hora e  depois fico murchinha da silva,  se o riso c[umplice tivesse sido uma armadilha para renegar algo em mim mesma.  

    O amor... Mmm. Perto do vício!
    Tem tantas formas de amar e algumas até parecem nos elevar acima do bem e do mal. Não é este o problema?

    No resto das vezes é como escreveu Goethe:

    Freudvoll
    und leidvoll,
    gedankenvoll sein;
    langen
    und bangen
    in schwebender Pein;
    himmelhoch jauchzend
    zum Tode betrübt:
    glücklich allein
    ist die Seele, die liebt! 

    Na plenitude da alegria
    e da dor
    Pensativo, ansioso
    no balanço do sofrimento;
    subindo ao céu de júbilo
    perturbado até à morte,
    Feliz apenas é a alma que ama!

    Palavras...palavras. Conceitos. Filosofia ( que começa se perguntando sobre o ser e sobre o amor...)
    São tantos amores e que variam de cara ao longo da nossa vida. Tem até slogan do McDonalds ( "Amo isso tudo", algo assim...).
    O amor que gostei mais era colorido como uma janela abrindo-se pro arco-íris. Este não doía nada.

     


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    [Aeternus:4895] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-13)


    - RE:RE: de misoginias

    Drakul morde a veia no ponto certo : "Enduring Love" é inútil pois impotente. Auto-podado.
    Vende um niilismo que não tem sequer o cacoete da comicidade e o brilho de um Cioran. Da bem proposta situação inicial, vamos mergulhando na chatice psicótico-religiosa do amarfanhado e patético paquera do professor; na ( outra vez também citado com precisão pelo Conde )auto-embrulhada filosófica-amorosa-sexófila do mesmo professor; e na apatia progressiva da ex-quase-noiva.
    Um filme que murcha, murcha, murcha...até que
    Murchou.
     
    Sobre o amor, se alguém sabe aturar-se sem ele, que mande a receita.
    Outro dia a Ana escutou a conversa de dois caras na praia, em que um queixava-se de enxaqueca, insônia, fadiga, dores musculares, alteração de ritmo intestinal, desânimo, e tals. O amigo deu a receita : "você está precisando de uma mulher". O conturbado : "Deus me livre ! Tudo menos isso. Aí é que vai complicar de vez."

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    [Aeternus:4896] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-13)


    - RE: de misoginias

    Marquito não é um Drakul, mas também sabe morder as questões no ponto certo.

    E, adiante do filme e do falso niilismo, ele pergunta: " sobre o amor, se alguém sabe aturar-se sem ele, que mande a receita" e adentrou aquela frase melancólica de Freud:
    " No final das contas, a gente precisa amar para não cair doente".

    Cá entre nós...este modo de amar não é estreito demais?

    Já vi amorosos desejarem se transformar " em pó de beijos" para recobrir a amada: tal exuberância não é, como parece, niilista! 

    Hoje me deparei com uma questão inusitada: qual seria o supremo bem, a vida ou o mundo?  


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    [Aeternus:4897] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-14)


    - esclarecendo sobre o "mala" "Enduring Love"

    Como em uma mensagem anterior adverti que contaria o enredo do filme e avisava para que quem não quisesse saber da história deveria parar de ler após tal advertência, recorto um trecho que dizia: "O assédio psicótico e gay é mal-elaborado pelo personagem principal que fica obcecado com a obsessão do outro, perseguidíssimo. Mas o filme não dá elementos para se perceber melhor ambigüidades sexuais neste personagem a ponto de ficar tão atropleado pelo maluco. (...) Se o McEwan queria discutir algo mais como me pareceu, a discussão ficou pobre e atropelada, despencando do balão de vento de suas idéias ambiciosas mas pobres na realização."
    Com isto corrijo qualquer impressão de que eu tivesse encontrado "a dúvida homoerótica inconsciente da parte do personagem" tal como foi escrito pelo Sr.Conde, acrescentando que contamos isso"sobre o livro". Não li este livro do ian McEwan, (nem lerei) nem lembro que Marcos tenha concordado com a suposta dúvida homoerótica do personagem central. Portanto, concordo plenamente que "em nenhum momento ele [esteve] propenso a embarcar no SENTIMENTO do maluco e muito menos no tesão dele (...)." E também concordo que "seu sentimento era outro, obsessivo, "interno"(...) jamais mexendo em sua objetalidade erótico/afetiva. (...)Ele nunca se perguntou se seria legal encarar um romance com o loiro descomposto... nem no nível inconsciente.(...)


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    [Aeternus:4898] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-14)


    - definitivo fim de festa

    Último dia, último filme da repescagem do festival, "The Green Chair", coreano, cinematografia que anda cotada entre cinéfilos mudernos. Não faz minha cabeça. Parece que descobriram o erotismo em censa (não-explícitas) de sexo, o que condiz com o tema do filme, inspirado em fato ocorrido: mulher divorciada de 32 anos é presa por ter mantido relações sexuais com rapaz "menor"...de 17 anos. O filme talvez seja importante lá prá coreanos e coreanas. Os atores são simpáticos e a narrativa, embora muderninha, se alonga além do necessário. Cena final modernosa onde personagens periféricos (alguns até agora ausentes da tela) aparecem discutindo ou opinando o destino do casal na festa de 18 anos do rapaz. Incluindo os pais dele e o ex-marido dela. A cena é algo irrealista, ao contráriodo restante do filme, oniróide, com direito a acrobacias do rapapz, típicas de filmes de luta orientais. Outro filme que assiti merece mensagem à parte.

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    [Aeternus:4899] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-14)


    - O Homem que amava as mulheres.

    Marcos escolhe filmes, ás vezes, pelas atrizes cujo semblante (e não só) chamaram sua atenção em filmes anteriores: guarda o nome das menos conhecidas e corre atrás de suas novas aparições. Estranhei não encontrá-lo na sessão derradeira do único documentário que assisti neste festival, chamado "Beleza Francesa", que em si mesmo nem é essa cocacolatoda, podendo ser exibido em qualquer canal gnt ou de outra tv a cabo sem incomodar. A diretora, de nome francês, falando em inglês, definitivamente tem um olhar "estrangeiro" sobre a França e as francesas. Como no final a produção é da BBC, deduzo que seja memso um olhar ingês estranhado sobre o culto à beleza que seria uma caracterísitca marcante da França (?). O que importa é que, em 68 minutos, o filme entrevista e dá voz a Catherine Deneuve, Juliette Binoche, Jeanne Moreau, Emanuelle Béart, Sophie Marceau, Chiara Mastroianni, e outra menos votadas, de Audrey Tatou (fazendo gênero atriz alternativa, hahaha) a Brigitte Bardot (que pelo menos desta vez não defendeu animais). Isabelle Huppert também está lá e a grande ausente é Isabelle Adjani, citada en passant e aparecendo em uma foto, rápidamente. Outras musas do passado também aparecem mas não no presente, como a ex-namorada e atriz de Godard, Anna Karina. Outras, mais novas, eu não conheço e o filme não identifica as entrevistadas.
    Há rápidas cenas de filmes antigos como Bardot em "...e Deus criou a mulher" que eu nunca vi, mas a cena é boa, um plano-sequência dela dançando algo que devia ser a coisa mais moderna e sensual de 1956, uma talvez rumba jazzificada. Em um momento ela sai pela esquerda, a câmera tenta segui-la mas há uma passagem para outra sala onde o ângulo não permite vê-la, ela ainda está andando para esquerda sem que avejamos, e aí, ela aparece mais à esquerda ainda, sem cortes: é um espelho... Bem construída a cena, nem parece que foi feita pelo medíocre cafetão de estrelas, Roger Vadin.
    Há declarações ótimas dessas mulheres, a maioria muito inteligente - e parecendo sinceras em seus depoimentos. Vou reportar o que me lembro, sujeito a enganos:
    Jeanne Moreau: "Nunca fui bonita, nunca me achei bela no sentido da beleza clássica . Uma revista italiana estampou minha foto ao lado de outra do Belmondo com o título "Os astros mais feios do cinema". Não é agradável, mas nunca me considerei mesmo bonita." A entrevistadora pergunta como fazia para ficar sensual e ela se espanta, indignada: "Uma atriz nunca tenta ser sensual. Se tentar, está ferrada! Ou está sensual ou não está; ou é ou não é."
    Catherine Deneuve em outro momento diz que a sensualidade de Marylin Monroe sempre lhe pareceu mais carência do que sex-appeal, que o que dá "sensualidade" a uma imagem é a sensção de incompletude que a atriz esteja vivenciando ou representando.
    Moreau reclama: "Os diretores podem gostar dos atores como gostam dos filmes que estão realizando. Mas há os que temem os atores que podem ser pessoas que digam: lendo o roteiro, pensei que o personagem poderia isto ou aquilo... Esses odeiam os atores que pensam, só pensam no filme DELES, diretores!"
    E entrega: "No tempo da nouvelle vague não havia cabelereiros, maquiadores, orçamentos altos: os direotres namoravam suas atrizes e elas trabalhavam em seus filmes. Por amor. De parte a parte"
    Esta declaração dá um gancho para falar de Godard e Anna Karina (que aparece em filmes antigos, uma graça!), Vadin e Bardot, Truffaut e suas inúmeras namoradas-atrizes-esposas, incluindo a derradeira e fantástica Fanny Ardant (que também não aparece entrevistada). É dito que Truffaut sempre se apaixonava por suas atrizes.
    Juliette Binoche conta que seu primeiro sucesso consagrador, "Mauvias Sang", foi feito por seu então parceiro, Léo Carax e comenta a nudez em filmes. Diz que achava que fazia parte da profissão, quando adequada ao roteiro, à personagem, etc. Mas que foi percebendo que era também um atrativo erótico próximo à pornografia, exploração, uso com abuso secundário na propaganda e divulgação do filme. E passou a ser mais reticente em aparecer nua.
    Fala sobre aparecer como garota-propaganda de produtos de beleza e moda como um complemento da profissão. Chiara Mastroiani chuta o balde: muitas atrizes, diz ela, dizem que aceitaram fazer propaganda porque quem dirige o filme de propaganda é fulano famoso ou quem fotografa é beltrano genial. Mas o importante é que dá muito dinheiro! 5 dias de trabalho, podendo escolher cenas e fotos que vão manter ou mudar sua imagem pública e ganhando muito bem. Um filme pode custar 5 meses de vida, mais sofrimento, resultados imprevisíveis e nem tanta recompensa financeira. Na propaganda filma-se com mais humor, menos "seriedade", diz ela.
    Mamãe Catherine aparece como quem inaugurou o filão, ao aceitar fazer propaganda para a TV americana de Chanel Número 5. Conta que hesitou muito, mas a conveceram ao mostrar como a associação Audrey Hepburn-Givenchy não prejudicou e até foi favorável à carreira de Audrey (e de Givenchy). Deneuve conta que muitos americanos nem sabiam que ela era atriz na época, apenas uma moça frncesa elegante e de rosto agradável. Conta que, aos 23 anos ia ser aprsentada à Rainha Elizabeth e precisou de um vestido de gala, pensando num modeloque vira numa revista de Yves St.Laurent. Lá foi e a maison teria ficado encantada de uma atriz tão jovem procurara alta-costura. Início de uma grande amizade...
    É mostrado Emanuelle Béart dormindo com imigrantes que invadiram uma catedral em Paris e que a polícia queria expulsá-los. A atriz foi presa como manifestante se opondo à polícia, e por isso perdeu contratos de uma casa de alta-costura e de produto de beleza, mas não se importou. Até essa consciência política conta pontos para a imagem de uma "star" francesa.
    Sophie Marceau aparece fotografando para uma casa de jóias, e se dizendo "tímida" (o que não convence para quem viu seus primeiros filmes) mas é ótimo ver Jeanne Birkin reclamando que é muito difícil fimar nua: conta que colocam fita crépe para manter as áreas visíveis bem esticadinhas, que a equipe está toda vestida, que o diretor se aproxima para orientar a cena, vestido, e só ela estava nua no setting, constrangida. Mostra-se uma cena de filme onde ela e Bardot estão em carícia eróicas, bem nuas e não se vê constrangimento nenhum. Mas uma coisa é o produto final, maquiado com fita crepe que não se vê; outra, é como deve ter sido a filmagem -  sua fala parece muito franca.
    Um fotógrafo repete a velha história do milagre da fotogenia. Comenta que muitas vezes faz os testes de iluminação das cenas com extras, substitutos, figurantes, pessoas que podem ser bem bonitas, mas a cena não parece bem iluminada, o rosto não parece bem fotografado. Entra em cena a atriz prinicipal... e ele percebe que havia feito a iluminação certa. Há rostos que se revelam mais belos com a luz para a fotografia, seja a luz natural ou não. Não é o caso da fotografia propriamente dita, estática. O cinema é fotos em movimento e as estrelas brilham, aprecem feitas de luz, já que fotografia, dizem eles, é luz.
    Deneuve fala que dá trabalho permanecer bonita. Não dá mais para ir a festas, jantares, boates, beber, fumar, dormir tarde e acordar cedo para filmar... O rosto se ressente, ela diz: "Não tenho mais 30 anos"...
    Cenas de Juliette Binoceh muito bem escolhidas, em "A Liberdade é Azul" mostram-na dizendo para um amnate de uma noite: "Mas vc sabe que eu sou uma mulher comum: transpiro, me gripo, tenho cáries. Não vou te fazer falta. Vc encontrará outras."
    E de Jeanne Moreau em "Jules et Jim", onde ela esteve bonita como nunca, cantando "Le Tourbillon", ou correndo desabaladamente, vestida de rapazola, com chapéu de rapaz e bigode pintado. Hoje, bem envelhecida e algo zangada, diz coisas pertinentes. Mas o que mais me chamou a atenção foi uma jovem que ambiciona ser estrela dizendo: "chorar, representando, é fácil, basta eu me concentrar (e em menos de um minuto, chora). muito mais difícil é representar um sorriso espontãneo, leve."
    Marcos, você não é mais o homem que amava as estrelas francesas!

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    [Aeternus:4900] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - discorro e respondo as arestas aos amigos

    ( acertando as arestas  )
    * com Jansy : "o supremo bem"
    Both : a vida e o mundo. Sempre me inquietei com qual seria a Geografia do Paraíso...
     
    * o tesão ou não tesão do professor pelo psicótico amarfanhado de "Enduring Love"
    Bato mais pesado aqui que Drakul e Gallego : o let go com que o professor contempla o chatíssimo assédio do amarfanhado denuncia sexualidade latente, enrustida. Que pode até começar - e sempre começa mesmo, né ? - narcísica, naquela de 'oh ! como sou amado !'
     
    * Adjani
    Preocupo-me muito com ela. Deve ser uma femme très compliquée. Aparece e some, aparece e some...
    Acho que deixou vingar a gravidez do Daniel Day-Lewis, que rejeitou a criança. Brabeza. Triste.
    Rica e independente, ainda jovem, relativamente.
     
    * Les femmes françaises
    Ponto negativo para mim, tá. Se eu soubesse que essas queridas iam estar lá, eu teria ido ao filme.
    Aproveito a ocasião para desfiar meu rosário atual de estrelas de lá ( afora as citadas pelo Gallego ) :
    a. Ludivine Sagnier :  não se pode falar em 'beleza' de traços, mas a harmonia geral dela, a pele deslumbrante...
    b. Emmanuelle Devos : a musa da Mostra, tanto em talento quanto num charme indefinido. Também não tem feições belas, mas passa um encanto delicioso. Ela é meio...dengosa, dá vontade da gente agarrá-la...Palma de Ouro de melhor atriz da Mostra, levou vantagem em relação à Judi Dench pela quantidade, junto ao talento ( "La Femme de Giles"/"La Moustache"/"Reines et Roi" )
    c. Catherine Mouchet : bem principiante. Muito futuro. Filmou com o Pascal Bonitzer, roteirista do Rivette e realizador também.
    d. Laurence Cote : era a namorada da Deneuve e do Auteuil em "Os Ladrões", do Téchiné. Faz o gênero 'bom dia, tristeza', cabelinho curto, expressão fechada. Geralmente morena, apareceu loura outro dia num papel de 'mazinha' em "Nos Enfants Chéris"
    e. Nathalie Baye : amadureceu como atriz, depois de começar apenas como 'namorada do Alain Delon'. Está cada vez mais simpática e solta nos papéis.
    f. Marie Gillain : carreira indefinida. Apareceu com o Tavernier em "A Isca", como bandida doidinha num assalto doméstico. Era a menina carente amante do Gianninni em "O Jantar", do Scola, onde numa cena excelente passa ao amante a carta - redigida por ela - que o amante entregaria à sua esposa. ( a tempo ) A Marie me diz tudo como mulher...
    g. Karin Viard : muitos filmes, que não chegam aqui comercialmente. Faz um gênero mais Julie Andrews, comédias leves, embora tenha participado de dramas pesados também como "Haut les Coeurs", doente terminal.
    h. Cylia Malki : exótica, disciplinada. Bem jovem, ainda começando.
    i. Cécile de France : incisivos ligeiramente separados, cabelo curtinho. Bela, descontraída. Andou muito bem em "Irène", e está fazendo mais filmes.
    j. Natasha Régnier : apareceu muito bem em "La Vie Revée des Anges", como a tristonha sem rumos. Conheci-a pessoalmente, quando da exibição do filme. É bem loura e luminosa, feições fortes.
    k. Romanne Bohringer : filha de Richard Bohringer, feioso e bexiguento ator coadjuva veterano. Ela não é bela, mas passa muita doçura. Entre outros, fez uma sensível pintora não reconhecida em"Mina Tannenbaum"; a esposa traída-traidora na obra prima "La Femme de Chambre du Titanic", do Bigas Luna; a dita cuja de "L'Accompagnatrice", de Claude Miller, o melhor filme deste ; e era a parceira amorosa de um aidético num filme terrível, do qual esqueço o título - só pesquisando, talvez Gallego lembre, era só uma palavra - o último filme que levou no Veneza.
    l. Élodie Bouchez : uma moreninha simpática, que faz papéis diversificados. Era a companheira de jornadas de luta e lazer da Natasha Régnier em "La Vie Revée des Anges". Esteve muito bem em "Roseaux Sauvages", do Téchiné.
    m. Marion Cotillard : começa a surgir mais. Muito bem em "Les Jolies Choses", num papel agressivo, tenso. O contrário do que faz em "Innocence", agora da Mostra, como a misteriosamente conformada professora capenga de História Natural.
    n. Emilie Duquenne : mais para comédias leves. Na linha Josianne Balasko, menos puta, mais gostosa. Vi outro dia o trivial-gostosinho "Mariées Mais Pas Trop", onde contracenava com a Birkin bem safadinha, esta fazendo uma viúva negra simpática. A Birkin ensina a Emilie, mais nova, a ser coquette, manipuladora. Bem farsesco.
    o. Hélene de Fougerolles : era a louquinha que morre no divã do analista no filme boboca do Beineix "Mortal Transfer"; e a simpática descendente do escritor teatral que o Sergio Castellito pesquisa em "Va Savoir", do Rivette; esteve bem comedida em "Innocence", dentro do tom neutro pretendido pela Lucile Hadzihalilovic, a diretora.
    p. Marie Trintignant : tragicamente falecida, após um arrufo doméstico com seu parceiro ( ou ex ), fratura de crâneo após queda. Ontem, por curiosidade, assisti "Ponette", filme quase todo representado por crianças. Ela faz a mãe morta da Ponette ( Victoire Thivisol, uma menina linda e adorável de uns 5 ou 6 anos, no papel central ). A Marie nunca brilhou, andou filmando com a mãe Nadine aqueles dramas do cotidiano francês. Tinha um jeito tristonho, distante.
     
     
     

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    [Aeternus:4901] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-14)


    - RE:discorro e respondo as arestas aos amigos

    Quando encontrei o rol das mulheres francesas enumeradas pelo Florião, tive que rir mais uma vez. Estava lendo um capítulo do David Lodge ( escritor ingles ao qual já me referi aqui) no qual um professor americano embarcou num vôo charter para a Inglaterra e, indo ao toalete no extremo oposto do seu assento, descobre que é o único homem a bordo.  Imagina que, em caso de pane, cento e sessenta e cinco mulheres serão desembarcadas antes dele e começa a suar frio. Fica intrigado com o que não poderia ser obra do acaso e, conversando com sua companheira de poltrona, ela o informa que se trata de um vôo de mulheres que, proibidas de fazerem aborto nos EEUU, vão para a Inglaterra. Cento e sessenta e cinco mulheres e cento e sessenta e cinco passageiros clandestinos, contabiliza ele, começando a temer a ira divina.  A moça pergunta: você comprou o pacote completo, com visita ao médico, internação, e passeio a Stratford-on-Avon para visitar a casa de Shakespeare?

    Que mulherio. E, passado o sorriso inicial e o primeiro paralelo, não relaciono nada com nada e não vejo a graça também não. 


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    [Aeternus:4903] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-14)


    - RE:discorro e respondo as arestas aos amigos

    Marcos se defende, rovando que permanece sendo nosso homem em Paris, aquele que conhece todas as novas, recentes e futuras estrelas do cinema francês. Não identifiquei uams duas ou três mais novas do documentário que vi nas queridinahs recentes do Marcos. Lembrei que aparecia a atual Sra. JOhnny Depp, Vanessa Paradis em um anúncio estranho: ela, meio que "vestida" de "ave-do-paraíso", cheia de penas e plumas (por incrível que pareça, nada que lembrasse aquelas cafonas fantasias de "bailes de gala" de velhos carnavais do Copa ou do Municipal, escândalo supremo de fazer baticum no templo da música "erudiya" carioca, inda bem que tal sacrilégio acabaou). Voltando ao tal anúncio: depois de vê-la numa espécie de trapézio, balançando prá lá e prá cá, em tamanho de gente, uma outra tomada mostra que tal "trapézio" está dentro de uma gaiola gigante. Ou nada disso: ela é que fica da dimensão de um passarinho (uma passarinha) num "poleirinho" de gaiola com uma cara de gato de olho na avezinha tentadora. perguntem a marca anunciada: não guardei, prá mim, era anúncio de Vanessa Paradis e pronto. Algumas correções (?) na lista do Florião-folião das moças: Nathalie Baye é fantástica, nada novinha, brilhou em "Uma Relação Pornográfica", premiada em Veneza, muito justamente com seu parceiro Sergi López, geralmente sub-aproveitado nos outros poucos filmes que chegam ao Brasil onde aparece (o que não chega de filme europeu aqui é surpreendente! E com atores mais conhecidos, de Deneuve a Binoche, por exemplo). Mas ela começou em pequeno papel com Truffaut, independente de Delon, em "Noite Americana"; Truffaut gostou tanto dela que a promoveu em "Homem que amava as Mulheres" e deu-le papel principal em "La Chambre Verte". Prá quem não identifica a moça, foi a mãe de Leonardo Di Caprio em "Pega-me se Puderes" do Spielberg, incursão passageira em filme americano. Se essa Nathalie teve algo com Delon, melhor para eles, mas talvez Marcos estaeja confundindo esta com uma ex-sra.Delon xará desta Nathalie.
    Eu sempre confundo Romane Boringher ("A Acompanhante", "Nuits Fauves" -  a última sessão do Veneza?) com a Charlotte Gainsburg (de "A Pequena Ladra", roteiro que Truffaut morreu antes de filmar) - que devia estar no documentário que vi, ao lado da mamãe Jane Birkin, mas eu achei que era... a Romane.
    Por fim, uma história triste: o casal Jean-Louis Trintignant-Nadine Trintignant, ele, grande ator, ela diretora muito fraca demais, teriam perdido um filho, ou filha ainda criança muito antes da morte da atriz Marie trintignat. E a diretora fez um filme sobre um casal que perdia seu bebê de "morte súbita", estrelado por Catherine Deneuve e Mastroiani na fase em que estiveram juntos. O filme era Unheimlich até pelo fato de ser baseado na vivência da diretora de perder uma criança, e -pior-não trazia um "transformação" em arte, sendo um realto mórbido, patético e desconfortável de uma tentativa de delaboração de luto terrível. Um filme que eu tinha esquecido nos arquivos descartáveis.
    Antes de encerrar: Marcos! que filme mais ou menos recente tinha (talvez) o Sergfi Lopez como alccolista esquecendo o filho que dormia no corredor do prédio e um ator mais velho o acolhia, mas esperava a visita de uma ex-mulher para quem escrevia e não recebia respostas mas fantasiava como iria recebê-la (com raiva, amor, perdão, submissão) depois de anos sem vê-la e quando ela chegava de verdade ele nem abria a porta? A mulher seria (na minha já falha memória) a Jane Birkin mas não localizei tal filme no imdb pelos supostos atores que talvez eu ainda lembre.
    De última hora: o atopr principal de "Enduring Love" será o novo James Bond. Que estranho...

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    [Aeternus:4904] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - RE:RE: arestas II

    Vanessa Paradis...badalada. Não faz meu gênero. Esteve razoável em "O Atirador de Facas", do Patrice Leconte, com o Auteuil. Vi outro dia o muito bem construído e camerístico "L'Homme du Train", também Leconte, com Jean Rochefort e Johnny Halliday. Foto primorosa de Jean-Marie Dreufou.
     
    A ex Delon, feiosa que ele tentou promover, chamava-se Mireille Darc. Era loura falsa, cabelo Chanel arredondado. Mas a Baye andou namorando o Delon aussi, quand même.
     
    Injustiça atroz : faltou a charmosinha Charlotte Gainsburg na minha lista. Foi ela quem mandou o Barão Sergio de Giuramondi ( Julian Sands ) para o limbo, acabando com sua carreira de santo-curandeiro em "Il Sole Anche di Notte", dos Taviani, depois de seduzi-lo. Também está com a carreira indefinida. Deve ser difícil carregar a pecha de filha do erotômano Serge...
     
    Gallego : o filme do Sergi López que você refere eu não assisti.

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    [Aeternus:4906] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-14)


    - RE:RE:RE: arestas II: Je T'Aime, Moi Non Plus

    "Je T'Aime, Moi Non Plus". Ninguém ensinou tanto como Serge Gainsbourg, o autor dessa canção. É preciso ouvi-lo, nas manhãs, com torradas e geléia, para sair de casa muito mais homem.

    O cantor, compositor francês ensinou a todos nós, principalmente aos mais feios, a dose certa de cinismo e perseverança para saber ao certo o que querem as mulheres. É preciso ouvir alguém que arrancou suspiros de Brigitte Bardot, com quem, aliás, dividiu os vocais em algumas canções e viveu um assanhado caso de amor. Com uma boa garimpagem nas lojas, encontraremos velhos discos e relançamentos, inclusive coletâneas de Gainsbourg.

    Só serve o próprio. Não se iluda com os samplers do rapper francês M.C. Solaar ou com a regravação bacana e moderninha de Beck.

    Beba na fonte os sussurros de SG. As suas músicas ensinam, no mínimo, que as mulheres são todas diferentes, cada uma tem um software próprio, cada uma sabe ser uma Beatriz única, com o seu inferno, purgatório e paraíso. A sabedoria de Gainsbourg sempre foi saber sacudir o imaginário dos franceses, provocá-los. Sozinho, valeu tanto quanto muitos filmes da nouvelle vague.

    Foi acusado de incesto, por exemplo, depois de fazer uma canção para a lolita Charlotte, 14 (na época), sua filha. No clipe da música, apareceu deitado com ela, sob macios lençóis azuis - se não me engano sobre a cor.

    Também gravou o hino francês em ritmo de reggae, depois de voltar da Jamaica. Outro escândalo. Mas isso é política. E o que vale mesmo é o Gainsbourg da auto-análise, pedagógico. Sobre a sua própria feiúra, ele falou: "Sorte minha, vivo uma época em que as normas estéticas estão revolucionadas. Hoje admite-se com facilidade a desordem formal".

    Ele pensou também sobre a sedução: "As mulheres amam os homens que a todo momento se arriscam (...) Elas adoram a anormalidade permanente do estado psíquico".

    Afemaria!!


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    [Aeternus:4907] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-14)


    - Réréréréré

    Jansy contou que estava lendo um capítulo do David Lodge no qual um professor americano embarca num vôo charter para a Inglaterra e descobre que é o único homem a bordo porque se trata de um vôo de mulheres que, proibidas de fazerem aborto nos EEUU, vão para a Inglaterra, sendo perguntado se comprou o pacote completo, com visita ao médico, internação, e passeio a Stratford-on-Avon para visitar a casa de Shakespeare.
    Mas Jansyita diz que "passado o sorriso inicial não vejo a graça"....
    Pois eu ri um bocado ao ler as fantasias do macho que será ultrapassado por 165 mulheres em caso de ter que sair do avião por situação de perigo ou mesmo temer a ira divina pelo pecado do aborto. Neste caso, se não pode vencê-las, una-se a elas: aborte também! réréré (riso sádico-sardônico-mordaz-irônico) (ah! e sarcástico...)


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    [Aeternus:4908] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - RE:Réréréréré...'Ráu' many pregnancies ?

    A dúvida é de quantas gravidezes ele estará prenhe...

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    [Aeternus:4909] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - A Camareira do Titanic

    Para quem tem NET, dia 16/10, às 22hs, no TCE ( canal 63 ), a obra prima do Bigas'locas' Luna.
    Sofrimento inevitável do Cinemascope na telinha, porém...continua valendo a pena !
    I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L !!!


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    [Aeternus:4910] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-14)


    - RE:Réréréréré dos fradinhos

    Florião e Gallego estão rindo das vicissitudes do Professor Zapp embarcado com as 165 grávidas de olhar assassino e rosto deprê em viagem para a Inglaterra. O detalhe que achei mais "delicado" foi a idéia dos 165 clandestinos voando junto. Mesmo assim senti aquele desconforto do humor a la Jonathan Swift quando recomendou, para o problema progressivo da falta de alimento e o controle da população do planeta, que os pais devorassem os próprios filhos.   Recomendando um filme, Marquito quase escreveu: " Sofrimento imperdível"... Vocês são uns desalmados assumidos. Eu vou e volto na risada nervosa e acabo sempre me sentindo culpada pela complacência. 

    Ando cansada de decisões "morais" sobre desarmamento ou critérios de seleção ( competência e saúde ) para candidatos nas grandes empresas. Sabemos tão pouco para chegarmos a uma opinião justa.
    Confesso que acho estranho determinar vagas especiais para "deficientes físicos", percentuais fixos para "negros", "homens" e "mulheres".
    É humano, mas pouco sensato, empregar pessoas cujos exames de sangue revelam-nas doentes terminais. Muitas soluções "políticamente corretas" são respostas de aparência, meros paliativos para problemas mais graves e sempre refletem um raciocínio incompleto.

    Não que tenhamos que ir até o fim como minha netinha de nove anos. Ela precisou fazer uma composição escolar sobre o desarmamento. Obviamente optou pelo "Sim" porque entendia que os ladrões entregariam as armas obedientemente como qualquer cidadão. Quando falei sobre a maldade humana, a inveja, a ganancia e a injustiça ela completou depressinha: " Tudo por causa do pecado original de Adão e Eva"... E assim fomos do mensalão à maçã, como se fossemos todos farinha (frutal) do mesmo saco.


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    [Aeternus:4911] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - RE:RE: pas souffrance !!!

    Não, Grand Jansy, nada de sofrimento ! O filme é lindo, lírico, flutua entre o tal 'real' e alguma suspensão nos jardins da Babilônia...

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    [Aeternus:4912] Mensagem do Grupo48
    -Fradinho cumprido(2005-10-14)


    - De piadas que deixam as moças tristes a camareiras do Titanic

    Jansyta é, sometimes, como mi Suelita. Conte-se-lha una piadita con un algo más de sadô, absurdô,  etceterô y mi bella ni sonreí, pues se compadéce de la vitima sacrificial para nuestra carquejada (HAHAHA). Janyta se sonreí, pero... se compadece después...
    De fato, o melhor nonsense da história que ela trouxe é que 165 "ilegais" estejam reunidas fellinianamente em um vôo legalmente fretado, o que lhes dá poder de uma maioria de legalidade... e pobre macho solitário que nem engravidara, I presume, nenhuma das abortivas...
    Maioria que, tal como nas favelas cariocas onde o escroto prefeito Julio César Maya AztecaInca diz  não ter porque questionarem uma construção ilegal (em encosta) de um prédio de 3 andares para quem o vê ao nível da rua, nem suspeitando que mais 8 crescem "para baixo", cuesta abajo. Vá construir um prédio de 3 andares em rua legalizada, em regime de condomínio ou como se chame! Onze, então...
    O injusto do politicamente correto, de cotas para deficientes, negros, homens e mulheres é que melhores podem ser preteridos para cargos por que são... melhores para os cargos! Como apontou Jansy, as emendas para cuidarmos dos menos privilegiados podem ser piores que o soneto. (Fui atendido na Light sobre uma questão de simples mudança de titularidade de uma sala para onde me mudei TRÊS vezes porque simpáticas deficientes físicas de ar avoado e desatento foram totalmente incompetentes em executar a "difícil" mudança de nome, estando eu com todos os documentos, xerox's, etc etc corretos: sabem que não serão despedidas e, sem preparo mal mexiam corretamente no computador. Fora isso, usavam discretas muletas ou botas especiais. Deficiências que propiciam o famoso "lucro secundário"...)
    O sofrimento é imperdível sim, Jansyta mas só na vida! Ou em ver um cinemascope procrustianamente adaptado à tela quadrarada das TVs. Não se sofre muito ao ver o filme recomendado pelo Marcos, suspeito, suspeito porque fã número zero da atriz camareira, a bela Aytana Sanchéz-Gijón, italiana de carreira predominatemente espanhola com ar melancólico-levemente sexy que estrelou "A Camareira do Titanic" ao lado do (alô moças!) "French Brad Pitt", Olivier Martinez que dividiu o estrelato (e, dizem, algo mais) com a bela Binoche em "O Cavaleiro sobre o telhado" e que, indpendente de ser mais ou menos atraente para as moças, trabalha muito bem neste filme.
    Filme "esquerdo" na carreira do desaparecido porraloca Bigas Luna, uma espécie de Almodóvar "grosso" desde os títulos "Ovos de Ouro" (leia-se testículos áureos) ou "Os olhos da cidade são meus" (que está à venda em bancas, mas creio que com o título de exportação para os USA, "Angustia") onde os olhos eram arrancados mesmo por um optometrista - primo próximo do Norman Bates de "Psicose" - naquilo que era um filme dentro do filme e não sabíamos... Mas, saindo da tela, víamos um cinema onde um cara ia ao banheiro durante a projeção e... encontrava o optometrista assassino e assim por diante...
    Seus primeiros filmes, não exibidos por aqui, seriam mais "modernos" e transgresores. Chegou a um semi-pornô explícito, "As Idades de Lulu". Daí, deixou o terror trash de lado e foi para o kitsch de "Jamón, Jamón", uma espécie de meta-dramalhão assumido, muito bom se vc fica cúmplice da meta ( e mêta ) linguagem da história edipiana-perversa com paixões por presuntos espanhóis daqueles que fazem a fama de Madri.
    Realizou o mais kleiniano dos filmes, "A Teta e a Lua", onde um garoto enciumado do irmãozinho que nasceu deduz que o bebê suga todo o leite da mãe, pobrecita, leite este que seria dado à genitora pelo pai, já que nos coitos noturnos, madrecita grita na hora do clímax para o maridão: "Dáme tu leche!". Ora, se mamita carece de  um tal leite do papito é porque o mini-vampiro faz mal `a mamita! - deduz o kleiniano garoto. Paralelamente, ele busca segundos pais em um casal de artistas mambembes, ela portuguesa e ele francês que dão shows onde o francês peida de forma amazing, enquanro a lusitana partner segura um fósforo aceso próximo ao rabo do companheiro, de onde vemos se formar verdadeiro lança-chamas. Fases oral-canibalística, anal-expulsiva e outras menos votadas estão todas lá no que - pasmem - é um filme muy poético.Juro!
    Daí, Bigas Luna estava tão cotado que foi escolhido para representar o cinema espanhol num projeto de comemoração de 100 anos do cinema ao lado dos nomes mais ilustres de inúmeros países. Filmou um inédito por aqui ("Bambola") de sinopse nelsonrodriguiana e entrou em projetos mais "comportados" e românticos onde se inclui a "Camareira do Titanic", seguido de dois filmes que só vi em mostras de velhos festivais de filmes do Rio, o último muito decepcionante e -pasmem - quase eu diria - moralista!: "O Som do Mar", datado de 2001... e depois nada mais fez!
    O anterior, "Voláverun" (1999) tinha um superelenco para repetir mitos e mentiras da história de Goya, interpretado pelo cubano Jorge Perugorria ("Morangos e Chocolate", "Estorvo" do nosso Ruy Guerra/Chico Buarque) com a mesma Aytana, aqui de Duquesa de Alba, Penélope (ex-Tom Cruise) Cruz como a moça que teria posado para Goya pintar o corpo da "Maja desnuda" (a Condesa só teria entrado com a cara) e Stefania Sandrelli como a perversa Reina de España, a Maria Luísa (na vida real um trubufú de assustar criancinha e que teria envenenado a Duquesa e sua dublê de corpo por pura inveja, nada comprovado, mas quando a lenda vira verdade, publique-se a lenda...).
    Mas o filme (que deu até matéria na revista "Bravo" na época) não decolava a e ficava meio mal perto do (subvalorizado) "Goya en Burdéos" do Carlos Saura que tinha o Francisco Rabal no papel do pintor que ele interpretara em mais outros muitos filmes, desta vez, envelhecido e terminal. Tal como Goya, Rabal morreria pouco depois na mesma Bordeuaux num pouso de emergência por estar passando mal a bordo. A fotografia do "pintor de celulóide" Vittorio Sttoraro atingia níveis nunca dantes navegados ( olha que o Sttoraro fotografou "Apocalypse Now", e só para o Bertolucci "Sheltering Sky", "Último Imperador", "Ultimo Tango", "O Conformista", "La Luna", "Noveccento", além de  "Dick Tracy" e o "Tango" do Saura, e etc etc etc)
    Retornando a Bigas Luna e a Aytana: desde que filmou com ele, a Camareira do Marcos já participou de quase dez filmes, enquanto o Bigas, desde 2001... nada. Assistam "A Camareira" se puderem, é bem interessante ao discutir mentiras-verdades, realidades-fantasias, honestidade-enganos, mas principalmente o que é uma montagem de cenário fantasioso erótico.
    p.s.: Aytana fez uma participação gentil como a mãe do menino do belo "Eu não tenho medmo", já saiu em dvd e é imperdível.

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    [Aeternus:4913] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-14)


    - RE:De piadas que deixam as moças tristes a camareiras do Titanic

    Andei matutando sobre a impossibilidade de exercermos a alucinação negativa ( que permite que sistemáticamente deixemos de enxergar uma parcela dolorosa da realidade ) quando vamos ao cinema. Somos obrigados a ver aquilo que o diretor escolhe nos mostrar, sem recorrer às metáforas ou aos deslizamentos sublimatórios. É "Crash" na cara da gente.

    Vocês, cinéfilos, são verdadeiros heróis. Pelo que andaram escrevendo confesso que fiz a lista dos filmes que não quero assistir em hipótese alguma. Ontem parti ao meio uma unha e quando penso nela ( sem ser assim por alto como agora, ao escrever) me crispo toda como quem se prepara para dançar a tarantela: alguns filmes da listagem de vocês me dão a impressão de sabugo de unha sangrento exposto ao sol do meio-dia.  Argh pra "terror trash". 


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    [Aeternus:4914] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - RE: de Bigas, bigas, bagos, tetas, triângulos, rostos e atrizes

    Gallegaço deu uma de Ben Hur e de Messala, dirigindo habilmente as bigas do Bigas.
    Bigas Bagos-quase-nunca-de-ouro, a não ser em "A Camareira...", ajudado por um roteiro primoroso.
    É um espanhol típico, baixinho e gordote. Recentemente - pasmem - o Bigas expôs pinturas suas em Los Angeles.
    Ele e Vicente Aranda, outro safadão veterano, são os mais populares na Espanha. Saura é considerado intelectual demais pelo povão. Conforme vocês puderam sentir do que o Gallego trouxe, o Bigas tende ao obsceno, aos bagos, presuntos e tetas. Seus filmes abrem com triângulos fumegantes, que minha mente pervertida lê como réplicas simbólicas do Triângulo das Bermudinhas. Mas pode ser considerado angelical perto do Aranda, que descamba brabo às vezes como em "La Pasión Turca", onde poderia evitar, mesmo desejando fazer um filme bastante erotizado, alguns excessos que atingem a grosseria e mau gosto.
    Justiça se faça, de resto, ambos tem gosto fantástico em termos de mulheres. Aitaníssima Sánchez-Gijon trabalhou com ambos - como sofrem as estrelas, oh ! céus ! - assim como a Leonor Watling, a comatosa do Almô em "Hable con Ella" estava soberbamente linda em "O Som do Mar" e Pilar López de Ayala em "Juana la Loca" ( com Aranda ). Entre outras beldades.

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    [Aeternus:4915] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-14)


    - RE:RE: os triângulos do Bigas

    ( a tempo )
    Na 1ª imagem de "A Camareira..." a brasa incandescente do ferro fundido move-se em confluência à direita e à esquerda, juntando-se triangularmente numa só corrente.
    Em "Volavérun" a apresentação é sobre uma taça de champagne, no seu ápice triangular, imagem que é sobreposta pelo púbis da Maja Desnuda.

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    [Aeternus:4921] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-16)


    - bom dia flor do dia no horário de verão...

    Gallego estranhou meu comentário em que reconheço nada conhecer sobre as francesas e perguntou: "... e a Jeanne Moreau? Juliette Binoche? Catherine Deneuve?"

    Pensando bem tem muito mais na lista: Fanny Ardant, Brigitte Bardot, Anna Karenina...Montes de outras. Mas em qual contexto ou sob que perspectiva falaria delas?

    Juliette Binoche me agrada mais quando fala inglês, não sei porque. Fica mais exótica. Catherine Deneuve tem um olhar difuso de Capitú que não me encanta, atrapalha sempre aliás. Jeanne Moreau é magnífica. Etc. Etc. E depois????


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    [Aeternus:4922] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-17)


    - RE:Belo Sol Negro no Crepúsculo de Festival: O Jardineiro Fiel

    Ontem fui ver ‘O Jardineiro Fiel’.

    O filme não só foi a terceira bilheteria de uma semana dessas lá nos EEUU (excesso de Eu??), como pôs na chamada internacional a referência ao "City of God" - sinal de que o Cidade de Deus é mais conhecido lá fora do que o que nos fizeram acreditar.

    O Fernando Meirelles tá saindo melhor que a encomenda (pelo menos, em termos internacionais, tá se saindo melhor do que o Waltinho). Claro, comparando com Cidade de Deus, este de agora sai perdendo... será que a culpa é do roteirista que fez a adaptação do livro? Apesar de o próprio John Le Carré dar sua bênção e do Bráulio Mantovani ter feito umas sugestões e uns acréscimos, não gostei de umas explicações dadas pelos próprios personagens. Manja quando o bandido fica explicando pra vítima porquê vai matá-la? Isso é coisa que só caía bem no seriado trash do Batman e Robin. Claro, tô exagerando, aqui não é assim tão "de graça", e é só um detalhe que não chega a atrapalhar o filme forte que é, no estilo "denúncia". Aliás, "filme-denúncia" foi um dos termos usados por alguns "críticos" daqui para se referir ao Cidade de Deus, mas eu discordo. Já o Jardineiro Fiel eu acho que é "denúncia". Ficcional. Mas "denúncia". Importante. Meirelles foi muito comedido quanto à história de amor que dá o molho a tudo - não é algo que corra paralelo à trama, o amor aí é um verdadeiro protagonista. Meirelles buscou tanto o pudor para não explorar um romantismo fácil, que o envolvimento do espectador acaba até saindo prejudicado. Mas eu diria que foi de propósito, não um descuido, para que a importância da... denúncia (!) ganhasse o merecido destaque. Aliás, a estória tem algumas passagens em que roliúde adoraria imprimir seu estilo, umas perseguições de carro, umas fugas apressadas de avião... Mas Meirelles não abriu mão de seu estilo "quase-jornalístico", e ficou bem bom.

    Abraaaço,

    D.

    E.T.: Galleguito, valeu pela indicação!


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    [Aeternus:4924] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-17)


    - O Jardineiro de Deus

    C.D. agardeceu a indicação de "Jardineiro Fiel". Acho que a indicação é geral, não só pela bilheteria, como pela crítica. Parece que foi bem recebido num festival importante desses onde estreou, nossa imprensa até falou em chanbce de alguma premiação oficial, mas acho que só recebeu algum prêmio paralelo humanitário (I'm not sure). A receptividade vem sendo enorme: há mais de 10 páginas de comentários de leitores do site imdb, com predomínio de notas altas. Mas só o fato de tantos teremmvisto e escrito a respeito mostra o sucesso do filme na linha de "Z", "Silkwood" e outros thrillers de denúncia. Impliquei um pouco com a ´linguagem de propaganda em Cidade de Deus, mas acho que o filme funciona. No estilo anglo-saxão este é mais sintônico com a proposta, eu acho. Não li o livro, nunca li LeCarré, só vejo os filmes. Ele foi espião mesmo ao que parece. Estranho isso. E a querida do Marcos, Agnés Joui, que fez propaganada para L. Jospin na França?

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    [Aeternus:4925] Mensagem do Grupo48
    -Jansy Mello(2005-10-17)


    - RE:O Jardineiro de Deus

    Estou me sentindo novamente ( again, again and again )a mais completa alienada porque não vi os filmes que despertaram tanto entusiasmo da turma.  

    Gallego implicou com uma linha dizendo que " a linguagem de propaganda em Cidade de Deus"... Não entendi o problema, mas serve para comentar que os generos, atualmente, andam bastante misturados. Propaganda que é vera arte, arte que é mera propaganda, documentário que é pura ficção, ficção que é plágio de história "verídica".  Proponho que pensemos numa espécie de "código de etiqueta profissional", ou, talvez não... que formulemos o que e quais são os "faux pas" da mídia, quais as borrações artísticas que se sustentam. Michael Moore é um exemplo. "Cidade de Deus", outro.

    Não vejo problema se a Agnés Joui fez propaganda para L. Jospin, ou se dizem que Wagner compunha germanica demais com jeito de nazista. Talvez fosse algo a se combater há alguns anos quando esta "propaganda" funcionava como documento e prova de realidade: hoje não é mais possível isolarmos os contextos e a voz de um(a) diretor(a) ou roteirista, se aparecem, marca mais um modo de estar no mundo, um estilo questionável ou não.  Ninguém quer cinema como um "Diário Oficial", não é? 


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    [Aeternus:4926] Mensagem do Grupo48
    -Davy(2005-10-17)


    - RE:O Jardineiro de Deus

    Gallego, meu querido, não vi o filme, mas li Le Carré (não o livro do filme) - e posso assegurar que, para um leitor mediano como eu (isto é, nenhum virtuose da literatura, desses que já leram tudo e só pouca coisa é capaz de interessá-los) tentarei ler o que quer que ele escreva (não que tudo seja sempre ótimo - por exemplo, o que menos gostei foi o mais famoso - "O Espião que Saíu do Frio"..., bem "clichê" do meu ponto de vista). De modo que, antes de ver o filme, já gostei. Ele já foi espião sim, isto é, trabalhou na Inteligência britânica. Mas o que conta é que ele consegue desenhar seres humanos que realmente parecem seres humanos, nem andróides nem marionetes, como tantas vezes acontece no mundo da "literatura de ação". O Smiley dele é um cara que, lendo uma de suas histórias, nos dá a impressão de o conhecermos de algum lugar... não sabemos bem de onde...

    Então verei o filme (quase vi ontem, mas não peguei o horário certo).

    Abração.

    Davy.


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    [Aeternus:4927] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-17)


    - RE:O Jardineiro de Deus e o Smiley do Davy

    Davy se apresentou como "um leitor mediano ...isto é, nenhum virtuose da literatura, desses que já leram tudo e só pouca coisa é capaz de interessá-los", para enfatizar sua admiração por John Le Carré. E confirma ter sido ele um espião da inteligência britanica, desenhando seres humanos que parecem humanos, que conhecemos de algum lugar... 

    Senti inveja quando li o testemunho de alguém que sente capaz de exercer "seletividade" para ler, do tipo de uma seletividade reconhecida.  Leio quase qualquer coisa e, infelizmente, meu critério de seleção é mais emocional do que razoável ou artístico. Não consegui ler, até hoje, o Dom Quixote mas li toda obra de Agatha Christie e do rei Arthur e Amadis de Gaula.  Li a crítica ao Quixote feita por Foucault e as conferências falsamente depreciativas sobre Cervantes escritas pelo Nabokov. Não peguei o original...

    Estava há pouco vendo uma reportagem muito bem feita sobre o Dom Quixote no "History Channel", com depoimentos documentados de Günther Grass, Saramago, Vargas Llosa e vários professores de literatura espanhola, mais trechos de filmes inspirados na história da dupla espanhola ( trechos do Sherlock Holmes e Dr.Watson de C.Doyle  ou os robôs altos e baixos R2 e R1 de Guerra nas Estrelas) enfatizando a qualidade cinematográfica do texto de Cervantes ( cenas de Chaplin, por exemplo).  Assim como Camões, Cervantes era um guerreiro valente e passou vários anos tendo problemas para adaptar-se à corte e sendo enviado para prisão ou exílio. Admirável a coragem de ser injustiçado, punido, preso e com mais de cinqüenta anos escrever uma novela sem esperança de ficar rico!

    Que seja uma sátira aos romances de cavalaria, cenário de "filme de ação" de roliúde, um testemunho de "gente como a gente", seja como história das emoções humanas básicas e da importância da amizade, temos Cervantes/Quixote/Sancho Pança até hoje. Como, talvez, o Smiley do qual fala Davy.

    Se tiverem History Channel, tentem ver a reportagem. Queria poder lembrar melhor para partilhar com vocês...


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    [Aeternus:4930] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-19)


    - Cidade Fiel

    Minha implicância com livros do John LeCarré começou exatamente com "O Espião que saiu do frio", o filme (chato) e o livro (comecei e enchi), não entendendo o porque de tanta badalação. Eu tinha 15  (ou  menos)anos, pode ser que não tenha captado as qualidades do autor. mas o Davy acabaou dizendo que o livro inicial que deu o pontapé de partida na fama e culto ao LeCarré seria mesmo o mais fraco.
    Um filme menosprezado do Sidney Lumet (que é mesmo de alguns altos, muitos médios e muitos baixos), "The Deadly Affair" (acho que se chamou 'Um Morto ao Telefone' no Brasil) tinha o James mason pós-"Lolita"/Kubrick, Lynn (irmã menos famosa da Vanessa) Redgrave, Simone Signoret subitamente envelhecida como ficou daí para diante e mais gente fina num elenco e tanto. E eu gostei (só vi uma vez, gostaria de rever, mas com medo de medecepcionar) e a crítica e o público esnobaram.
    Este filme "O Jardineiro Fiel" ('The Constant Gardner', belo título) certamente tem uma boa base. O roteiro me pareceu muito bem desenvolvido (mas não é do brasileiro que roteirizou "Cidade de Deus") e a direção do Meirelles é super-competente, com atores certos para os personagens que eles vestem bem.
    Jansy questionou meu questionamento sobre linguagem (geralmente cosmética) de propaganda em filme-denúncia de miséria  e violência em "Cidade de Deus". É um bom tema para uma nova lista: a ética (Jansy sugeriu um código - nem de ética, mas de  - etiqueta profissional). Realmente, é uma utopia dos anos 1960 a cobrança de coerência política (preferencialmente de esquerda) numa forma  de expressão tão art-industrial como o cinema. A bagunça começou quando o ídolo da intelectualidade nouvellevaguiana, o Jean-Luc Godard, começou a elogiar um diretor como Samule Fuller, algo á direita do cinemão norteamericano, considerado cultor da violência (na época: hoje seus filmes talvez passem na sessão da tarde). Se era um "autor", tudo ficava bem para a idiossincrasia do Cahiers du Cinéma e outras revistas afetadas de cinema.
    Realmente, há propagandas que são vera arte e há pretensa arte que faz proselitismo disso e daquilo, quando não merchandising explícito. Jansy bota o dedo na ferida ao lembrar documentários que são ficções e ficções que são desonestas recriações de personagens e eventos reais vendidas como "realidade histórica" (afinal, quem vai dizer que os reis e rainhas d'antanho eram muito feios ou personalidades escrotas?)
    Mesmo assim, há limites que eu percebo que são ultrapassados em determinadas situações, só não tenho ainda clareza de explicitar o que chega a me parecer desonestidade de "formadores de opinião" ao retratar (ou comentar) o falseamento de uma mensagem ou ideologia que se revelará o "fiscal dos gastos).


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    [Aeternus:4931] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-19)


    - RE: Lumet europeizado e tendências USA

    O Lumet teve essa fase com jeitão europeu, "The Pawnbroker", "O Espião...".
    Aquele filme cinzentão, recheado de capotes, frio, neve, bruma.
    Atualmente nenhum produtor americano da mainstream aventura-se por essas bandas. Houve uma cristalização de tendências no gosto do público, e qualquer tentativa de mudança aqui implica em ousadias temidas - com toda razão ! - pelo pessoal que raciocina basicamente com o bolso, como eles tanto apreciam.
    O que acho especialmente curioso é a extensão dessa cristalização de tendências espalhar-se, estabalecendo praticamente padrões de discurso, padrões de estética. Esperando o início de um jogo ou algo que men interessava na TV, assisti um trecho de "Quero Ficar com Polly", uma comédia semi-debilóide ( e seria melhor assumir-se francamente debilóide...), pretensamente farsesca. As situações eróticas do roteiro - a começar pela noiva, que na lua-de-mel atrai-se perdidamente por um guia francês simpático, falastrão e nudista - são transformadas em pataquada, deserotizando assim e propositalmente qualquer proposta. Na volta aos USA, todos os companheiros de trabalho condóem-se com o coitado, oferecendo imediato apoio e causando-lhe constrangimento pela perda de privacidade. Um destes descamba para o escatológico e mau gosto e afirma 'eu sempre disse que ela não passava de uma puta'.
    Seja para driblar a auto-censura e censura americana, seja por incapacidade mesmo de abordar com um  mínimo de criatividade o assunto, parece que o filme evoluiria para o relacionamento do noivo/recém-marido traído com uma antiga amiga, 'prafrentona' - é o que nos informa a sinopse. Porém esta é a Jennifer Anniston, tão prafrentona ou ousada quanto um legume de final de feira.
    É isto : sexo tem hora, lugar e jeito estereotipado, selado, carimbado. Sexo é anti-business, a não ser em sua hora, lugar e com jeito estereotipado. Junto com todos os americanos, marchando firmes em direção ao big business, ao que realmente intere$$a.

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    [Aeternus:4932] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-19)


    - RE:RE: Lumet europeizado e tendências USA

    Que bom que o Marquito acrescentou observações às do Gallego, tirando-me de uma enrascada involuntáriamente auto-imposta: a de uma espécie de vigilancia do cinema politica/artisticamente correto. Já estava nervosa ao ler o arrazoado do Gallego e enfiando a carapuça de metida a "formadora de opinião" ( não que o Gallego tivesse me jogado neste contexto, ele apenas citou e, gentilmente, pontuou... ).

    Gallego observou sobre os questionamentos quanto à  "linguagem (geralmente cosmética) de propaganda em filme-denúncia de miséria  e violência ... É um bom tema para uma nova lista: a ética (Jansy sugeriu um código - nem de ética, mas de  - etiqueta profissional).  Realmente, é uma utopia dos anos 1960 a cobrança de coerência política (preferencialmente de esquerda) numa forma  de expressão tão art-industrial como o cinema. A bagunça começou quando o ídolo da intelectualidade nouvellevaguiana, o Jean-Luc Godard, começou a elogiar um diretor como Samule Fuller, algo á direita do cinemão norteamericano...Mesmo assim, há limites que eu percebo que são ultrapassados em determinadas situações, só não tenho ainda clareza de explicitar o que chega a me parecer desonestidade de "formadores de opinião" ao retratar (ou comentar) o falseamento de uma mensagem ou ideologia que se revelará o "fiscal dos gastos".

    Florião falou de "uma cristalização de tendências no gosto do público, e qualquer tentativa de mudança aqui implica em ousadias temidas ...pelo pessoal que raciocina basicamente com o bolso. ..essa cristalização de tendências espalhar-se, estabelecendo praticamente padrões de discurso, padrões de estética..."    Perfeito. Que dobradinha!

    Quando comecei a me entender como gente eu supunha haver um consenso dos adultos, como se fosse não apenas algo do senso-comum, mas de um senso-geral  sobre a responsabilidade dos pais e das escolas para que "educassem" os filhos, e a religião com seus ritos e tradição "conduzisse pelo bom caminho" . As "belas-artes"  iriam corroborar os "bons ensinamentos", como vitrais, corais e teatro ilustrariam para os analfabetos a verdade do mundo.  Quando as idéias de Freud entraram na minha vida ( em dois golpes: aos cinco anos de idade e depois aos doze ) eu reagi contra a idéia de que não era possível nem educar, nem governar, embora já tivesse sacado que grande parte dos adultos não eram maduros ou sábios, mas tão bobos quanto eu. Foi quando primeiro me apeguei ao Lin Yutang e a alguns artiguinhos da "Seleções" ( e juntei mesada para comprar aquelas coletaneas de "música dos grandes mestres" ). Por sorte, caí logo no Sarte e no Nietzsche que não excluiram, mas se adicionaram aos romanticos ( Goethe, Shelley, Keats e até Shakespeare!): o belo seria o verdadeiro e justo.

    Nos anos cinqüenta,  havia formadores de opinião entre o "grupo de pares" nos colégios: minha escola (só para "meninas") tinha as lideres que julgavam as demais,  autoritária e inocentemente, a partir das boas/más notas,pontualidade/ordem/higiene quem caberia em qual patota. Quem usava roupa de etiqueta, quem era parente da professora, quem era indispensável nos jogos de queimado ou pique-bandeira , quem era "nerd" ("cdf" do bem ou do mal) e quem era pra ser esquecido e obliterado...  Havia "maus elementos" ( lembram desta expressão?). Havia comparação entre as escolas, também. Quem estudava onde, morava em que lugar, freqüentava qual igreja...   Era um mundo cheio de "categorias" que, na infancia, me pareciam compor o que Freud designaria depois de "princípio da realidade", "processo secundário", "ego controlando o id". 

    Cantigas de ninar tinham o maniqueísmo do bom e do mal.  As cantigas de roda funcionavam da mesma maneira: veículos de alguma moral.  O mundo, inocentemente, era todo cheio de formadores de opinião e catequistas. Os valores mais altos no horizonte das garotas era encontrarem um "rapaz respeitador", que fosse de preferencia "advogado, engenheiro ou doutor" e estas, recatadas, deveriam sonhar em ser "normalistas", professorinhas e donas de casa

    Que bom que o anel era de vidro e se quebrou.

    Descobrir qual é a "realidade" e a "verdade" ( singulares ou plurais) é que são elas...O que é "lixo" e o que é "para guardar"...  Fim das categorias "agricultores, padres e nobres guerreiros", " classes incultas, classe média, ricos", "arte erudita e popular", "sensibilidade de elite e gosto das massas". 

    Me perdi. É a pressa e o horário de verão...Tenho que sair pra trabalhar...

     

     


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    [Aeternus:4934] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-19)


    - RE:RE:RE: anos dourados

    'que bom que o anel era de vidro e se quebrou'...
    Pois é, mas essa terra d'o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou, da perda dos paradigmas e florescência das minorias revelou-se de uma rudeza provavelmente maior que a do arco de nossas resistências. E junto com estas, as da Natureza.
    Sei que sou um sujeito chegado ao exagero, ao destempero em avaliar determinadas situações. Mas outro dia, assistindo um jornal de TV desses da vida senti-me numa redoma - era inegável o conforto do meu sofá, a boa imagem e som de meu velho aparelho acoplado às caixas, a temperatura estava agradável - dentro de uma caldeira dessas do Inferno. Falava-se no terremoto em Cachemira; na gripe aviária e provável aumento de letalidade de vírus mutantes; a garota do tempo tinha detrás de si o mapa do Brasil com labaredas em toda a região Norte e parte da Centro-Oeste; inundações em São Paulo e Porto Alegre; próxima temporada de ciclones e furacões no Golfo do México; desbaratada uma quadrilha de seis policias federais, que extorquia mafiosos e roubou o dinheiro apreendido, já nos cofres de cadeado papaiz-para-lactentes da PF, de um bando de elite da cocaína; brigas de facções de torcidas de futebol resultando em mortes violentas.
     
    Os rumos escolhidos pela globalização não indicam nenhum sinal favorável - se alguém souber de algum, favor indicá-lo !
    Uma ridícula padronização e categorização internacional chamada ( ridiculamente também ) de 'percepção de corrupção' mostra nosso Brasil com nota 3,7. Estamos atrás da Argentina e do Paraguai, por exemplo ( faz cosquinha em mim para eu rir...). Somos 37% honestos, em média.
     
     

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    [Aeternus:4935] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-19)


    - RE:RE:RE:RE: ânus dourados

    Uma das ironias que achei mais legais armadas por Denis Arcand em Invasões Bárbaras aparece logo no começo, depois de ter mostrado de perto o "panorama" social e a corrosão de valores que circunda todo mundo ali: ele coloca uma cena em que noticiam pela tv as "invasões bárbaras" atingindo as torres WTC. Naquele contexto fílmico, o gosto que fica no ar é o de uma pergunta: "cêis têm certeza de que a barbárie vem de fora?????" (pergunta que o Michael Moore demonstrou depois não precisar sequer ser levada em sentido figurado).

    A miséria ainda não pegou todo mundo, mas só num certo sentido, porque, de outro ponto de vista, todo mundo está, no mínimo, CERCADO por ela, ilhado, ameaçado, morrendo de medo, em condomínios fechados que agora se revelaram também inseguros, alvos de "arrastões"... bárbaros. Quanta gente não mudou pra apartamento por achar que casa térrea era insegura, e agora não acha mais nada seguro?

    Mas ninguém parece desconfiar de que as pessoas não nascem com vontade de assaltar, sequestrar, depredar, estuprar... Que elas ficam assim também por causa da miséria, mas que não é só a do dinheiro: é uma OUTRA miséria, mais fundamental, mais devastadora... a miséria de humanidade!

    Não, o Marx era meio otimista demais quanto à natureza humana ("a natureza humana devia cair na miséria absoluta para fazer nascer de si própria sua riqueza interior"). Ela não brota assim espontaneamente na aridez, como os cactus de Antonioni em Zabriskie Point.

    Mas haverá alguma fórmula pra reverter isso? Ou será necessário, como diz vários de meus amigos, que tudo imploda numa espécie de apocalipse cultural pra jogar uma água na cara dos zumbis?

    Que língua teremos que falar para nos entendermos? Que catástrofe terá que ocorrer para que finalmente unamos as nossas forças?

    Mas pra não ficar só nos becos sem saída, não devemos ultrapassar o limite da nossa cultura, que é o quando o sofrimento do outro não nos toca mais.

    Muitas vezes, não encontramos respostas porque o olhar está viciado, em virtude da pergunta que vínhamos fazendo. Façamos outra pergunta e outra resposta pode vir. No fundo, o que é o processo de psicanálise senão pedir à pessoa que ela conte outra história sobre ela? Que ela perceba que a história que tem sobre si mesma parte de um ponto de vista particular, de uma narrativa oferecida pelo outro - e foi um tipo de prazer que ela desenvolveu sendo personagem dessa narrativa. Se ela sai dessa posição, o universo se abre.

    Não que sejam soluções, mas, como vejo, nos dão pistas...

    Abraço!

    D.


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    [Aeternus:4954] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-20)


    - RE:1. Eros: O homem pergunta: "O que acontece se eu me deitar aí com você?" A mulher responde: "Eu te digo meu nome"

    "A MÃO" é de arrebentar!!!!!

    O do Antonioni ficou prejudicado pela dublagem em italiano - sei lá que língua os atores estavam falando originalmente, se francês ou inglês... Mas é um curta bem pictórico, enquanto seus significados são daqueles que a gente só consegue enxergar entortando os olhos, como diante daquelas figuras em 3D: lembrar da correspondência entre a natureza interior e exterior dos personagens, que caminhos percorrem, o ambiente, o desejo, o artifício, a intervenção na natureza, a poluição, os galhos secos, de fora e de dentro, a nudez, a vestimenta, os cavalos, os corredores estreitos, o carro em contraste com a paisagem, a torre, o mar... o distanciamento, o novo, o feminino... e o feminino. Aí que tá: ele não envolve, porque, como sempre, Antonioni não faz filmes de amor, mas sobre o amor. Este é SOBRE o erotismo. Se bem que Identificazzione... foi bem erotizante, com cenas de fazer a gente suar na cadeira e rasgar o estofado com os dedos...

    E o do Soderbergh é divertido. Ele conseguiu ser inventivo para sugerir o encapsulamento na onipresentificação do subjetivismo, reeditando aquela velha questão: "a vida é sonho ou o sonho é a vida?". Mas foi o mais inflacionado de estilização gratuita... Botar o episódio dele depois do de Antonioni, foi, nesse sentido, cruel contra o Soderbergh. Mas talvez eu não esteja sendo imparcial, eu implico muito com ele (SoderBLEARGH!). O episódio tem qualidades: gosto muito do Robert Downey Jr. E o psicanalista é fantástico!

    Já o Kar Wai, eu sempre adoro. O primeiro que vi dele foi aquele Felizes Juntos, em que dois homens de Hong Kong se amam e se odeiam na Argentina. Já ali, a melhor cena tinha na trilha musical a voz do Caetano: quando aparece o sonho de conhecer as cataratas do Iguaçu.

    "A Mão": quanta coisa acontece naquele "less is more", não?! Faz lembrar do grito no tronco da árvore ao final de "Amor à Flor da Pele", lembram? É da gente rasgar o próprio peito cas zunha!

    E sempre aqueles corredores dos hoteizinhos de sacanagem...

    Teve um filme francês, "Uma relação pornográfica", que lembra muito esse estilo, essa delicadeza dilacerante...

    Gong Li. Que maravilhosa. Mas o chinezinho também arrasa, especialmente no final, hã? A expressão é impressionante!!!

    Abraaaaço


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    [Aeternus:4955] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - para o Conde : Alan Arkin

    Caro Conde, o psicanalista do Soder é o Alan Arkin, veteraníssimo e esplêndido ator nascido em 1934.
    Mais do lado NYC, muito teatro na carreira, muita Broadway. Apareceu no cinema em "The Russians Are Coming", uma pretensa comédia farsesca, apenas regular, do Norman Jewison, profícuo realizador do sistemão, igualmente apenas mediano para medíocre.
    Além de dramas adaptados de peças teatrais, fez um "Clouseau" naquela s[erie do Peter Sellers; o excelente "Catch 22", do Mike Nichols, mavioso mestre de "Carnal Knowledge" e "Closer". "Catch 22" é uma farsa - este sim !!! - sobre a loucura da guerra em paralelo com a loucura humana; "Little Murders", outra farsa magnífica de Jules Feiffer, cartunista novaiorquino e roteirista de "Carnal Knowledge", onde o Elliot Gould era um fotógrafo que alcança fama na NYC dos anos 70 fotografando cocô de cachorro pelas ruas. Grupos não-identificados, como no nazismo, dão-lhe surras de quando em vez, e o Elliot apenas protege-se, sem revidar, enquanto pede 'por favor, não danifiquem minha câmera !' ( como os americanos faziam bons filmes !...).
    Já tinha rodagem no rôle de psicanalista, pois fez Sig Freud em 1975, num filme chamado "The Seven per Cent Solution". Teve uma fase menos expressiva, talvez pela careca e idade, mas revi-o, recentemente, no excelente "Thirteen Conversations About One Thing", mais uma farsa novaiorquina, dirigida por Jill Sprecher, sobre roteiro seu e de sua irmã Karen. Uma ironia amarga bem judaica estetiza-se num matiz irônico-deprê, e mede forças todo o tempo com uma arbitragem do Absurdo, e o Arkin faz um executivo subjacente de uma seguradora. É a própria personificação do asa-negra, aquele agourento típico que verbaliza com a maior naturalidade 'espera só um pouco que essa sua sorte já vai acabar. É estatístico.' Toda as falas e posturas dele induzem à diluição, à desesperança, à deterioração. São firmes e tranqüilas, como seriam as de um conformado profeta do apocalypse...Quando um colega que contava com alguma segurança na empresa vai ser demitido, por contenção de gastos, é claro que é o Arkin quem vai conversar com o infeliz - e faz-se o mais amável possível ali...
    A Jill redime-o um pouquinho no final.

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    [Aeternus:4958] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-20)


    - Retomando o filme Eros

    Marcos viu, ru vi, agora C.D viu também. Faltam Jansy e David, dentre os mais frequentes missivistas aetérnicos irem assitir "Eros", ou melhor, "A Mão", o terceiro episódio de Eros, já que, apesar da tolerância de Marcos para com o episódio fracote e estiloso do Sorderberg e de C.D. para com o - sorry, Mr.Count - péssimo e bobo do Antonioni, o filme só vale mesmo a pena ser visto - e como vale! - pelo terceiro episódio, "A Mão", do Wong Kar Wai.
    Depois que Jansyta e Dayzito (e nossos prezados moitas que nos lêem mas não nos escrevem, quem sabe as moças sumidas, Eugenia, Marucia, Marcia, et alli voltam a nos dar a honra de interagirem com nosotros?)assitirem "A Mão" poderíamos comentar com mais detalhes essa obra-prima imprescindível de ser conhecida, um dos mais belos filmes dos últimos tempos, mais delicados, melodramático sem pieguice, erótico no sentido eros=ligação, ainda que sob a égide de vicissitudes algo perversas, masoquistas, enfim, nada muito diferente da vida que imita a arte e vice-versa em uma espécie de Henry James (me lembra "A Fera na Selva") com sexo ou de Nelson Rodrigues com sublimação e delicadeza.
    Ainda não havia me tocado que o filme dos chineses gays na Argentina era desse mesmo diretor. Não me encantou quase nada, este. O badaladíssimo (e antonioniano) "I'm in the mood for love" também não me apaixonou tanto quanto a outras pesoas que conheço. Apreciei. Ponto. O "2046" que também passou na mostra se perde em excessos mas ainda assim é um filme de responsa. Mas o episódio de "Eros", "A Mão" contido em meia hora de filme apenas por força da concepção de filme em episódios saiu redondinho.
    Acho que há muito o que se conversar a partir de "tão pouco" (condensação é uma virtude; síntese evoca análises). Agurado a resposta à chamada de mais gente: digam "presente" e soltem o verbo.


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    [Aeternus:4960] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - RE: vitrines da perversão : Leconte e Wong Kar Wai

    Como emergente dos subterrâneos da perversão, o que acho mais belo no Wong Kar Wai de "The Hand" é a descoberta do amor a partir do ato pervertido.
    E pelo visto, se ele continuar trilhando essas sendas, como no tal filme dos roqueiros-japs-gays, começará a compor uma Antologia Pervertida como Patrice Leconte faz na França. Este prefere um camaleonismo. Flutua da farsa, em franco deboche à sexualidade escrachada e seus rumos em nosso tempo, como em "Tango", chega ao sardônico, como em "Confessions Trop Intimes" ( da Mostra do ano passado, meu preferido ), passando pela mestria de "Mr.Hire", o mais parecido com o estilo de "The Hand" : sofrido, penoso, arrebatado 'para dentro', perversão tangenciando amor, gesto pervertido tornado ternura...
    Talvez seu filme mais 'puro' seja "La Veuve de St.Pierre". Onde um casal ( pervertido, claro / Auteuil/Binoche )é devorado pelo cartesianismo imperialista francês.
     
    Em sua elegância natural, tons escuros, vestes em matizes acinzentados, perfumes de Mme. Bovary e décors sombrios, "The Hand" 'avisa-nos' com antecipação do trágico. Como tantos e tantos amores pela milenar China, a diferença social será seu cutelo. E nossa querida perversão, afinal, a fadinha da história...

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    [Aeternus:4961] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE:Retomando: se a mão der pé...

    Vou tentar responder ao Roll-Call ( with no Discount) do Gallego.

    Amanhã provavelmente poderei ir ao cinema e, se estiver passando em Brasília, serei uma das contempladas. Achei interessante o que os tres, CD,MF e LF observaram sobre o aspecto da "perversão" como apresentado com delicadeza.  Se na infancia somos todos "perversos polimorfos" e se a pulsão é sempre parcial, então... por que não curtir estas fragmentações do prazer sem a cobrança globalizante da fase pós-edipica tão cara aos kleinianos britanicos?  Mãozinha, pézinho, pele, olho, cabelo e orelha...sem ter que montar um Frankenstein só pra integrar tudo?


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    [Aeternus:4962] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-20)


    - RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

    Os riscos de moralismo nas teorias psicanalíticas é enorme, ainda que nem sempre intencionais: relação total de objeto. Quequiéisso? Coisa de gente grande? Quando eu crescer quero ter? As relações parciais de objeto podem ser o que se consegue, o que se tem, o melhor ou menos ruim possível. E vamos torcer o nariz para isso por isso?
    Jansy sem ver o filme captou bem a questão enunciada pelos tres cavalheiros, todos 3 chapéu (epa) na... mão!
    Ô Guto! os 3 mosqueteiros eram 4! Achegue-se que dá pé!

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    [Aeternus:4964] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE:RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

    E aí, Guto?  Vamos ao cinema??? ( só não dá para levar a Diana)

    Gallego, como é mesmo o nome dos tres mosqueteiros e Mais Um? Melchior, Baltazar, Athos, Porthos... e  D´Artagnan?  

    Na canção edipiana da Terezinha de Jesus só cabem tres ( pai, irmão e um cavaleiro estranho)


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    [Aeternus:4965] Mensagem do Grupo48
    -Alexandre Dumas(2005-10-20)


    - RE:RE:RE:RE: Aramis

    ...élémentaire, chérie ! Un nom qui se trouve partout !

    ( lembrei agora de 'Passepartout' ! Quem foi 'Passepartout' ? )


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    [Aeternus:4966] Mensagem do Grupo48
    -Semiramis(2005-10-20)


    - RE:Aramis

    E o nome do Rei Mago faltante?
    Passepartout é personagem do Julio Verne e um programa avançado de computação...

    ""The Secret Adventures of Jules Verne"  is a television series telling the mythical adventures of a fabulous dirigible named the Aurora and its crew of four adventurerst. The time is somewhere in the 1860's. There is unrest in Europe, civil war in America, and fighting in the Balkans (as usual). The zoo animals are still intact in the Paris zoo, their fate as dinner for the hungry masses not happening for another decade. The intrepid adventurers are Phileas Fogg, Rebecca Fogg, Jules Verne, and Passepartout.


    Passepartout
    played by Michel Courtemanche
     


    The Aurora
    played by herself


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    [Aeternus:4967] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - RE:RE: filiação imediata !

    Alisto-me de imediato nessa petição.

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    [Aeternus:4968] Mensagem do Grupo48
    -David Niven(2005-10-20)


    - RE:RE: Around the World in Eighty Days

    Muito bem, Jansyne !
    E meu compenheiro quando fiz Philleas Fogg foi Cantinflas, lembra ?


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    [Aeternus:4969] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-20)


    - RE:RE:1. Eros: Fetiche-tornado-amor

    "Assim devidamente pervertido, o rapaz desenvolverá um profundo sentimento pela patroa, avalanche interior contida, vivida no atelier onde ele faz sexo - timidamente - enfiando as mãos pelo tecido da amada, que está a alinhavar. Fetiche-tornado-amor..." (Marcos Florião)

    As observações que vocês fizeram são ótimas! Belíssimas!

    E o trecho que recortei aí em cima é o que considerei um grande momento de amor com o filme... Lindo!

    De fato, aquela cena do fetiche tornado amor é ANTOLÓGICÍSSIMA!!!!!!! Tal como o episódio todo.

    No do Antonioni, o que me tirou da sensação de dèja vu inútil foi o encontro das duas mulheres, que eu "linkei" com aquele diálogo que pus no título da mensagem anterior: "eu te dou meu nome". E com isso o personagem masculino conclui "o perigoso alinhavar das coisas" e sai satisfeito, sem perceber que está EXCLUINDO o... "caos". É da necessidade de matar o caos apelando para um arremate ideativo que Antonioni está tentando falar ao concluir o gozo corporal com um nome-adjetivo, Linda, (mostrando um beijo no pé nu e adornado, e pés, no ideário pictórico, como me ensinou uma historiadora de arte, remete à materialidade do humano, ao seu caminhar e às realizações, por isso há tanto pôr e tirar de sapatos no filme) que mata as incertezas como recompensa de matar as vontades. O homem vai embora e as duas mulheres passam a ficar niveladas, achatadas na mesma exclusão. Mas Antonioni prefere não acompanhar aquele que exclui, e tenta adivinhar o encontro das excluídas naquela paisagem já meio estragada e abandonada pela intervenção humana.

    Mas depois do AVC do Antonioni, não dá pra esperar muita coisa. Naquele outro (é "A caminho das nuvens"? é este o nome?) também em episódios, o véinho até chamou o Wim Wenders para ajudá-lo a dirigir, e é quase que igualmente frustrante, embora menos constrangedor (minha memória está me pregando uma peça ou a moça do primeiro episódio daquele filme era a Iréne Jacob?! Precisamos averiguar.) [E será que ele fez esse episódio na mesma época daquele outro filme e resolveu tirar porque nem ele tinha gostado? E que resolveram agora lançar por causa do NOME do diretor continuar sendo Cult?]

    Sabe que eu fico muito intrigado com essas coisas de "filme para público feminino" e "filme para público masculino"? Diziam coisas assim de Esposamante, que só mulheres entenderiam. Tá certo que eu reconheço a dificuldade dos homens embarcarem num filminho bem menos complexo, Don Juan de Marco: era divertido conversar com os casais sobre este filme e ver como as mulheres vibravam e os maridos bufavam... Mas em geral acho infeliz essa distinção. Fiquei, por exemplo, abestalhado ao ver que quase uma dezena de mulheres saiu pisando duro da sessão de MALENA a que fui assistir no Cinearte. Manja, aquele tipo de mulher que exala feminismo ressentido? Elas iam, uma a uma, saindo indignadas! A cada sonho erótico ou avanço real do rapazinho em direção a sua DEUSA Malena, levantava uma ou duas bufando. Foram umas 3 levas em momentos diferentes... Me deu vontade de ir atrás perguntar o motivo... Será inveja da beleza D-E-V-A-S-T-A-D-O-R-A de Monica Bellucci? Em Malena, então, ela estava demais!!!!!!

    Mas A MÃO é uma obra prima! Apoiados!

    Abraço forte

    As observações que vocês fizeram são ótimas! Belíssimas!

    E o trecho que recortei aí em cima é o que considerei um grande momento de amor com o filme... Lindo!

    De fato, aquela cena do fetiche tornado amor é ANTOLÓGICÍSSIMA!!!!!!! Tal como o episódio todo.

    No do Antonioni, o que me tirou da sensação de dèja vu inútil foi o encontro das duas mulheres, que eu "linkei" com aquele diálogo que pus no título da mensagem anterior: "eu te dou meu nome". E com isso o personagem masculino conclui "o perigoso alinhavar das coisas" e sai satisfeito, sem perceber que está EXCLUINDO o... "caos". É da necessidade de matar o caos apelando para um arremate ideativo que Antonioni está tentando falar ao concluir o gozo corporal com um nome-adjetivo, Linda, (mostrando um beijo no pé nu e adornado, e pés, no ideário pictórico, como me ensinou uma historiadora de arte, remete à materialidade do humano, ao seu caminhar e às realizações, por isso há tanto pôr e tirar de sapatos no filme) que mata as incertezas como recompensa de matar as vontades. O homem vai embora e as duas mulheres passam a ficar niveladas, achatadas na mesma exclusão. Mas Antonioni prefere não acompanhar aquele que exclui, e tenta adivinhar o encontro das excluídas naquela paisagem já meio estragada e abandonada pela intervenção humana.

    Mas depois do AVC do Antonioni, não dá pra esperar muita coisa. Naquele outro (é "A caminho das nuvens"? é este o nome?) também em episódios, o véinho até chamou o Wim Wenders para ajudá-lo a dirigir, e é quase que igualmente frustrante, embora menos constrangedor (minha memória está me pregando uma peça ou a moça do primeiro episódio daquele filme era a Iréne Jacob?! Precisamos averiguar.) [E será que ele fez esse episódio na mesma época daquele outro filme e resolveu tirar porque nem ele tinha gostado? E que resolveram agora lançar por causa do NOME do diretor continuar sendo Cult?]

    Sabe que eu fico muito intrigado com essas coisas de "filme para público feminino" e "filme para público masculino"? Diziam coisas assim de Esposamante, que só mulheres entenderiam. Tá certo que eu reconheço a dificuldade dos homens embarcarem num filminho bem menos complexo, Don Juan de Marco: era divertido conversar com os casais sobre este filme e ver como as mulheres vibravam e os maridos bufavam... Mas em geral acho infeliz essa distinção. Fiquei, por exemplo, abestalhado ao ver que quase uma dezena de mulheres saiu pisando duro da sessão de MALENA a que fui assistir no Cinearte. Manja, aquele tipo de mulher que exala feminismo ressentido? Elas iam, uma a uma, saindo indignadas! A cada sonho erótico ou avanço real do rapazinho em direção a sua DEUSA Malena, levantava uma ou duas bufando. Foram umas 3 levas em momentos diferentes... Me deu vontade de ir atrás perguntar o motivo... Será inveja da beleza D-E-V-A-S-T-A-D-O-R-A de Monica Bellucci? Em Malena, então, ela estava demais!!!!!!

    Mas A MÃO é uma obra prima! Apoiados!

    Abraço forte


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    [Aeternus:4970] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - RE: Gilliam e Monica Belucci em Os Irmãos Grimm

    Meteram o malho nesse filme, e não fui ver.
    É do Terry Gilliam, ex-Grupo Monty Pithon, humor negro e irreverente inglês. Mais pretensão do que resultados.
    O Gilliam gosta de ser estiloso, como naquele "Brazil".
    A cena que gosto mais do antigo grupo dele é uma em que os crucificados no terreirão descampado one Cristo o será igualmente cantam tranqüilamente, pregados à cruz e entremeando a canção com assovios gostosos, em baladinha, cujo refrão várias vezes retomado é 'always think of the bright side of life !' ( e seguia-se o coro de assovios harmônicos )

    Vi uma foto linde da Monica tipo uma fada mázinha...
    Elegantíssima, cabelos penteados para trás, presos, realçando o esplendor negro que lhe cobre a nuca.


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    [Aeternus:4971] Mensagem do Grupo48
    -Guto(2005-10-20)


    - RE:RE:RE:RE:Retomando: se a mão der pé...

    Vamos sim, surely, mas pode ser outro dia ? Virei roceiro. Viiiiiiiixe, cumadre.

    Obrigado e ao Gallego pelo material que ajudou no haikai dos malucos.


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    [Aeternus:4972] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE: Around the World in Eighty Days

    Jansyne? Parece nome de remédio. Jansin também não, tem sabor de pecado. 

    É sempre possível fazermos uma sátira a este tipo de "feminismo/machismo", na linha de alinhavo de uma antiga publicação chamada "Dicionário Kazan" que tinha versão para homens e na versão para mulheres. Comprei as duas para comparar ( tinha filhos e filhas para presentear depois)  e morri de rir. As diferenças não tinham nada a ver com meninos e meninas, nem tinham chocolate a mais como acontece com os coelhinhos Kopenhagen.  Se continuar com a tarde livre inaugurarei uma lista versão F e versão M...se bem que, depois que Eugenia, Marúcia, Helena e Marcia me abandonaram parece que não teremos candidatos para escrever em F. 

    Lembrei de uma conhecida que ficou sem saber em qual banheiro entrava porque  havia uma espécie de batráquio numa porta ( ela  não contou qual bicho vinha na outra) e temia entrar numa fria. Até que se tocou que não era rã nem sapo, mas perereca. Então pode fazer pipi em paz. 


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    [Aeternus:4973] Mensagem do Grupo48
    -Dercy Gonçalves e Marcos(2005-10-20)


    - RE:RE: de pererekas e toilettes

    ...'a perereca da vizinha está presa na gaiola / xô perereca ! / xô perereca !'

    Os toilettes em Paris são montados sem preocupações maiores com pudores. Há os mistos ( ôps ! chacun à sa fois !...) e o masculino do aeroporto tinha um espelhão retangular à côté, à derrière de les lavabos, que concedia ampla mirada dos trabalhos dos usuários.
    Afora as faxineiras que entram sem cerimônia em nosso reservado para exercer sua sina.


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    [Aeternus:4974] Mensagem do Grupo48
    -Conde Drácula(2005-10-20)


    - RE:RE:RE: de pererekas e toilettes

    "Lembrei de uma conhecida que ficou sem saber em qual banheiro entrava porque havia uma espécie de batráquio numa porta ( ela não contou qual bicho vinha na outra) e temia entrar numa fria. Até que se tocou que não era rã nem sapo, mas perereca. Então pode fazer pipi em paz". (JANSYTA)

    Acompanhei uma série de documentários na TV Cultura sobre o corpo humano e eles disseram lá que, bem na base, nós conservamos um cérebro igualzinho ao dos répteis, só que com acréscimos...

    No fundo, todos somos sapos aspirando à condição de príncipes...

    Eu sempre me perguntei:

    Como será que uma coisa tão bonitinha como a "perereca" foi ganhar por apelido o nome de um bicho tão feio como a perereca?

    Deve ser coisa de adversário querendo que a gente mantenha distância das disponíveis...

    Bêjo e abraaaaaaaaaaço

    D., o ainda sapo do brejo


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    [Aeternus:4975] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE: de pererekas e toilettes

    Então... sociologia de banheiro no vapt vupt. 
    Na França, o que mais estranhei não foram os banheiros mistos e sim, a distancia entre os vasos e as pias para lavar as mãos.
    Fui jantar numa residencia formalíssima e havia compartimentos distintos para cada etapa, donde não me animei a cumprimentar ninguém ali ( só os árabes: sua alma, sua palma ... a direita) .

    Não fui longe na idéia da lista FM ou Unisex/stereo pois me ocorreu que, se eliminarmos do final das palavras as vogais "a" e "o", discriminatóris e politicamente incorrets, obterems frases mais enxuts, sem perdermos s sentids.  Se própri vogl "o" por si só implic em castraç~ e, consequentemente, em uma femininzaç~ ,  seri interessante substituirmos sempre o "a" pelo "o". Deste mod um sentenço comum descreveria os meninos ( sex feminin) e s menins ( sex masculin), evitando ou adamizando lapss com "o feminino", que sugere dubiedade.

    Isto é que dá, estou fazendo companhia ao Rafael que quer cafuné enquanto assiste o Cartoon Network. Começo a pensar igualzinho.   Aliás, vi umas cenas com Buzz Lightyear fazendo sátira ao capitalismo que achei interessante ( não sei se fica legal até o fim, mas o começo era jóia com direito ao Buzz submetido a lavagem cerebral, falando politicamente correto e gostando tanto da frase "ao infinito e além" que resolveu encomendar uma xícara de café com este lema). Será possível a Disney...?????

    Já ontem assisti PicNic com Kim Novak, William Holden e grande elenco. Detestei. Falsíssimo. Holden parecia um bobo alegre. Kim Novak, claro, com a cara de sempre. Aquelas festinhas de confraternização agroindustrial com bebês de touca e competições de melancias são de matar.


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    [Aeternus:4976] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE:RE:RE:RE: de pererekas e toilettes

    Lhe dou razão, CD, quanto as pererecas geladas...
    Lembram de um desenhista do MAD (Vitto?) que representou um banquete medieval no qual uma princesa descobria a salva de prata para encontrar uma deliciosa coxinha de rã aninhada entre batatas fritas e, animada, beijou smack... e a patinha se tranformou numa pernoca de príncipe com sapato de fivela e tudo?


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    [Aeternus:4977] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - RE:RE: filmes família & outras cenas no Rio antigo que não volta mais

    Eram 'filmes família' ! Neles dá até pra gente ver babando os Selznicks, Mayers da vida, antevendo os lucros !
    Aqui no Long River ( Rio Comprido ) onde nasci, fina flor da cultura carioca nos anos dourados* junto ao Catete, Centro, Flamengo, e longe da Ipanema dos mauricinhos, da Copacabana boêmia e do Leblon dos refugiados - estou a brincar : todo o Rio tinha um jeito gostoso, que se perdeu - a platéia feminina suspirava em coro diante da aparição da qualquer bebê na tela. Como se esperava mais do ser humano ! Que inocência (?)gostosa !
     
    Então os picnics de executivos americanos balizavam-nos algo na linha 'the way to welfare&prosperity'.
     
    * houve um período em que até o Severiano Ribeiro exibia Resnais ( de quem não sou fã especial, gosto de um ou outro, mas que é sem dúvida um nome de relevo no cult ), Truffaut. Haja decadência.

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    [Aeternus:4978] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-20)


    - RE: filmes família & outras cenas no Rio antigo que não volta mais

    Marquito, discordo & discordo quanto à "inocencia gostosa".  Todas as cenas de Picnic, exceto a briga feia ( que salva o filme, talvez)  são pura construção do "falso self". Estereótipo montado em estereótipo.
    A estas alturas prefiro as conversinhas na pensão da novela "Alma Gemea" e sua maledicência assumida ( se bem que o besteirol não é proposital).

      


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    [Aeternus:4979] Mensagem do Grupo48
    -Marcos(2005-10-20)


    - RE:RE: por isto mesmo que eu coloquei a ?...

    ...e também nunca simpatizei com aquele mulherio 'filhinhas de maman'.
    Mas junto à minha timidez e isso aí aliava-se igual antipatia pelas 'porralocas', fêmeas desviantes de então. Onde ficava, então, esse pobre infeliz que vos fala ?...a. nas festas da época; b. nos confessionários das igrejas; c. ligado a grupos tipo 'turma do Bolinha'; d. solitário, entediado e dedicado estudante e estudioso das coisas deste mundo
    ( resposta certa : 'd' + nas salas escuras e recônditos recantos )


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    [Aeternus:4982] Mensagem do Grupo48
    -LFGallego(2005-10-20)


    - Entrando no meio do(s) filme(s)

    Vocês estão loucos! Fuga de idéias perde!
    Parece sesão do antigo Cineac Trianon ou do Cine Hora, onde a luz não se acendia, ia emendando uma sessão na outra, sesões feitas de curtas, jornais da tela, desenhos animados, documentários breves em moto perpétuo.
    Vou palpitar pontualmente em 3 ou 4 coisinhas:
    1) Os Reis Magos Gaspar, Melchior, Balthasar
    2) Banheiros mistos... em termos. Não lembro em que museu (Louvre?) havia fila, como sempre enorme, para o banheiro feminino. Sueli não podia esperar, ia pipizar ali mesmo e se virou para mim, saindo rapidinho do Masculino e perguntou "Tá cheio?" Não estava. "Então não deixe ninguém entrar!" E eu: "C'est interdit, Monsieur!" (o cara era gringo lá e não entendia francês) (e eu não falava a porra da língua dele,devia ser holandês e na hora não saiu nada equivalente em inglês, tive que me colocar como "porta" - fechada, é claro) E o mulherio fez cara feia. Veio guarda reclamar ("No comprendo!", "Don't understand!" "What?" - e saímos de fininho...
    3) "PicNic" (Férias de Amor) não era filme família. Era considerado "forte" em 1955 quando foi feito: o máxinmo que os americanos conseguiam em matéria de repressão/liberação sexual na década de 1950. O William Holden de peito nú foi considerado muito erótico. O autor da história (peça?) original era um tal de Wiliam Inge, considerado por muitos um sub-Tennense Williams (que eu acho um chato e cujos textos tb envelheceram rapidamente), com a vantagem sobre o T.W. de não abusar (nem mesmo usar) do "simbolismo". Eram historinhas que ficavam entre o escândalo bobo de "Caldeira do Diabo", "Vale das Bonecas" e mediocridades semelhantes e o que viria a ser o futuro (muito melhor, nem dá prá comparar) Edward Albee, que - goste-se ou não - tem outro estofo. O William Inge abordava as peuenas cidades do interior norteamericano e pretendia destruir a imagem idealizada da família americana na TV à la "Papai Sabe Tudo", lembrando de forma ambígua (moralista?) que sexo existia no tédio das housewives, por exemplo.
    (Citação: Playwright William (Motter) Inge brought small town life in the American Midwest to Broadway with four successive dramatic triumphs: "Come Back Little Sheba" (1950); "Picnic" (1953; Pulitzer Prize); "Bus Stop" (1955); and "The Dark at the Top of the Stairs" (1957). With the exception of his Academy Award-winning screenplay for "Splendor in the Grass" (1961), his later plays and prose never achieved the success of his early work. Convinced he could no longer write, Inge fell into a paralyzing depression which resulted in his suicide.)
    "Bus Stop" (não lembro o nome no Brasil era do mesmo medíocre diretor Joshua Logan, mas este segundo filme ficou famoso por ser com Marilyn Monroe como o equivalente "sexy" do William Holden em "PicNic"
    4) Dos apelidos da perereca, gosto mais do lusitano: "Perseguida" que me lembra um fado famoso, não por acaso chamado "Perseguição", o hino da esposa fiel (à força)
    "Se d'mim nada conseg's
    Não sei purq m'prseg's
    Constant'máint' nas ruas...
    Sab's báin q'sou c'sada,
    Que não 'stou int'ressada
    e que não posso ser tua...
    Só p'rque éis ricu i imp'rtant
    Queres que eu seja tua'mant
    Pur capricho ou presunção
    (agora gemendo aos berros como que sofre pelo que vai dizer)
    Eu tainhu um marido pobre
    que p'ssue uma alma nobre
    i é toda a minha paixão
    (Segunda parte:)
    Rasguei as cartas sáin ler
    E nunca quis receber
    jóias ou prendas que'mi deste
    (de novo, gemendo)
    Não me vendo náim mi dou
    Pois já dei tudo u q'sou
    A um amor que não cunheces (com direito a bis deste lamento para se assegurar).
    NÃO MI VENDO NÁI M'DOU POIS JÁ DEI TUDO U Q'SOU A UM AMOR Q'NÃO CUNHECES!

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    [Aeternus:4983] Mensagem do Grupo48
    -jansy mello(2005-10-21)


    - RE:Entrando no meio do(s) filme(s) Luzes do Cineac Trianon

    Como me recordo no Cineac havia aos domingos matiné para criancinhas (eu). Havia tres notas musicais na ab