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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  

Escrita na era da Internet


Examine os títulos para ir direto para uma mensagem abaixo:
  • jansy mello:
    triagem de papéis

  • Marcos:
    RE: de involuções e trocas de linguagens

  • jansy mello:
    RE:RE: de involuções e trocas de linguagens

  • Marcos:
    RE: e o terror se instala

  • Conde Drácula:
    Leitura Dinâmica

  • LFGallego:
    Transcrito de outro site

  • jansy mello:
    RE:Transcrito de outro site

  • LFGallego:
    RE:RE:Transcrito de outro site

  • Marcos:
    RE: Tim Tim por Tim Tim

  • Marcos:
    Pantaleão e as Visitadoras

  • Visitante:
    Churchill, Shaw et al

  • Marcos:
    alinhando minhas idiô com as de Fellini

  • Marcos:
    o núcleo do que seria Giuseppe Mastorna

  • jansy mello:
    RE:alinhando minhas idiô com as de Fellini

  • Marcos:
    RE: Pettigrew : fotografando o ar

  • jansy b s mello:
    RE: Pettigrew : fotografando o ar

  • LFGallego:
    RE:REspondendo ao "fotografando o ar"

  • jansy mello:
    RE:RE:REspondendo ao ar da sua graça

  • LFGallego:
    O que é de quem?

  • LFGallego:
    ERRATA:O que é de quem?

  • Clarice Lispector:
    RE:O que é de quem?

  • jansy mello:
    amigos...

  • Marcos:
    RE:amigos...e irmãos

  • jansy mello:
    RE:RE:amigos...e irmãos

  • Marcos:
    RE:RE:RE:amigos...e irmãos

  • jansy mello:
    politicamente imbecil

  • Omar:
    Século XVIII on-line!

  • Omar:
    Spam poético

  • dora zander:
    RE:Spam poético

  • dora zander:
    Nabokov

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    colaboração de Peter Mello, x.25 et alii..

  • Visitante:
    eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

  • Visitante:
    RE:eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    esgrima no segundo plano

  • Visitante:
    RE:esgrima no segundo plano

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Joyce bisexto

  • Visitante:
    RE:esgrima no segundo plano

  • Visitante:
    RE:RE:esgrima no segundo plano

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:esgrima no segundo plano

  • Visitante:
    gallego, me faz um favor, ou Cyro...

  • Visitante:
    pequena cronica

  • Visitante:
    depoimento sobre Haiti

  • Visitante:
    Haiti e Brasil

  • Visitante:
    Haiti

  • Visitante:
    Haiti e outras partes do Caribe...O Bom Pastor

  • Visitante:
    RE:Haiti

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Haiti

  • Visitante:
    RE:RE:Haiti

  • Visitante:
    RE:RE:RE:Haiti

  • Visitante:
    Selvageria...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Selvageria...

  • Omar:
    RE:Selvageria...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:Selvageria...

  • Visitante:
    RE:RE:Selvageria...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:Selvageria...

  • Omar:
    RE:RE:RE:Selvageria...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:Selvageria...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

  • Omar:
    RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    I'll be back...

  • Omar:
    RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

  • Visitante:
    Malthus e o espaço vivo

  • Visitante:
    RE:Malthus e o espaço vivo

  • Visitante:
    RE:RE:Malthus e o espaço vivo

  • Marcos Florião:
    RE: por falar em tapete vermelho...

  • Visitante:
    RE:RE: por falar em tapete vermelho...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Salinger e Nabokov

  • Visitante:
    debra...

  • Visitante:
    dica

  • Visitante:
    JULIA

  • Visitante:
    A imperfeição da pressa

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    artigo de Mercia Pinto no aeternus, primeira página

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    solicitei ajuda do webmaster

  • Visitante:
    RE:solicitei ajuda do webmaster

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    pour Thais e a camisinha

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    achei...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:achei...

  • Visitante:
    de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Thais Karam:
    RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Visitante:
    RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Visitante:
    RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Visitante:
    RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Neblinas e Sombras

  • Visitante:
    RE:Neblinas e Sombras

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Neblinas e Sombras

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    recorte Gallego e Guto

  • Visitante:
    RE:Neblinas e Sombras

  • Thais Karam:
    RE:Neblinas e Sombras

  • Visitante:
    campanha politica

  • Visitante:
    RE:campanha politica

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:campanha politica

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:campanha politica

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:campanha politica

  • Marcos Florião:
    RE:Woody e reverências / Kafka-neando

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:RE:campanha politica

  • Visitante:
    RE::campanha politica / Punch and Judy

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

  • Marcos Florião:
    RE:Vargtimmen !

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE::campanha politica / Punch and Judy

  • Marcos Florião:
    disco arranhado

  • Marcos Florião:
    RE:Charade / da vida dos marionetes

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:disco arranhado

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Charade / da vida dos marionetes

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:Charade / da vida dos marionetes

  • Marcos Florião:
    RE:RE:disco arranhado

  • Visitante:
    RE:RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

  • Visitante:
    Jansy, o filme é ...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    saber entranhado

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Jansy, o filme é ...

  • Visitante:
    RE:RE:Jansy, o filme é ...

  • Visitante:
    O filme é ...

  • Marcos Florião:
    RE:saber entranhado

  • Marcos Florião:
    RE:é muito bonita essa coisa de...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

    [Aeternus:5892] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-01-16)


    - triagem de papéis

    Encontrei uma cópia da minha colaboração a um debate da sociedade de psicanálise a qual pertencia na época ( junho de 2000, começo da virada para o século XXI ) e o nome de James J. O´Donnell, autor do livro "Avatars of the Word - from papyrus to cyberspace" com o endereço do seu site, talvez ainda encontrável em http://ccat.sas.upenn.edu/jod/avatars.

    O´Donnel trata das mudanças que os vários discursos vem sofrendo como advento da internet e propõe uma estética nova, contraposta ao que ele considera "fechamento e fixidez do discurso tradicional".  Seria uma estética da "abertura e adaptabilidade" pois os escritos crescem, se corrigem, ramificam-se e se adequam às expectativas dos correspondentes.

    Escreve ele: " Para nós, que vivemos nos últimos anos do século vinte, ainda é impossível imaginarmos uma cultura humana que não empregue as palavras.  Pensamos sobre nós como criaturas produtoras-de-linguagem e extraímos algum orgulho dessa distinção. No entanto, este nosso orgulho procede? Chia-Wei-Woo, físico e presidente de Ciência e Tecnologia em Hong Kong andou cogitando sobre uma época em que a própria linguagem terá se tornado um anacronismo - quando algum meio de comunicação pós-verbal ( pós-linguístico) torne obsoleta a cultura da palavra (...). Estamos vivendo num momento histórico no qual os meios dos quais as palavras dependem estão mudando de natureza e extendendo seu alcance a um limite inacreditável desde a invenção da imprensa com tipos móveis.  As mudanças foram surgindo ao longo do século vinte desde quando a palavra falada reanimou a comunicação pelo telefone e pelo rádio, ou as imagens em movimento nos cinemas e na televisão suplementaram as "meras" palavras.  A invenção e a disseminação do computador e o crescimento explosivo dos links entre computadores e redes da internet criaram um ambiente novo e transformacional".

    Sempre poderemos involuir para os emoticons, não? :-(


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    [Aeternus:5893] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-01-16)


    - RE: de involuções e trocas de linguagens

    Piorar sempre é possível, e além disso é mais fácil do que melhorar...

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    [Aeternus:5894] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-01-16)


    - RE:RE: de involuções e trocas de linguagens

    Marcos observou que piorar parece ser mais fácil do que melhorar e, só pra ser do contra, imaginei que sempre haverá quem ache que o pior é o melhor, e vice-versa. Tudo dependendo do ponto de vista. Se os humanos tornarem-se uma colonia de células que pensam como uma unica mente, seria isto melhor ou pior... aos olhos de quem? 

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    [Aeternus:5895] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-01-16)


    - RE: e o terror se instala

    Em duas linhas Jansy propõe o mais terrorífico dos enredos para um livro. Aldous Huxley ?
    E se fosse filme ? Ridley Scott ?...uma superprodução à la Blade Runner, com foto do Jordan Cronenweth...luzes e sirenes, chuva ácida, hmmmmm. ( e a gente no ar condicionado, fresquinho para criticar depois de comer um schnitzel e dizer algo nas listas da Aeternus !...)
     
    Uma coisa é certa : nesse contexto aí euzinho estaria fora ! Eu estaria morto, ou...seria um vírus dentro da engrenagem. Chico Válvula Presa do novo motor.
    A outra pergunta - seria isto melhor ou pior, e aos olhos de quem - pode ser espondida em rebatimento : aos olhos dos vírus mesmo, dos protozoa ! ( e Deus continuaria arbitrando o Absurdo )

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    [Aeternus:6115] Mensagem do Grupo54
    -Conde Drácula(2006-02-08)


    - Leitura Dinâmica

    People

    Essa mensagem é uma das mais repetidas, mas eu me divirto TODAS as vezes que leio.

    Vamos rir juntos?

    * * * * * * *

    Bem sei que a vida moderna não deixa tempo para a leitura de bons livros. Assim, envio-lhe o resumo de clássicos da literatura que muito ajudarão a engrandecê-lo culturalmente.

    1) Leon Tolstoi: Guerra e Paz. Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas.

    Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

    2) Marcel Proust: À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido). Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.

    Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado? se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto. Fim.

    3) Luís de Camões: Os Lusíadas. Editora Lusitania.

    Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Fim.

    4) Gustave Flaubert: Madame Bovary. 778 páginas.

    Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.

    5) William Shakespeare: Romeo and Juliet. Londres, Oxford Press.

    Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim

    6) William Shakespeare: Hamlet. Londres, Oxford Press.

    Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.

    7) Sófocles: "Édipo-Rei" - tragédia grega. Várias edições.

    Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Fim.

    8) William Shakespeare: Othelo.

    Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.


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    [Aeternus:6298] Mensagem do Grupo54
    -LFGallego(2006-02-19)


    - Transcrito de outro site

    Encontrei no site "Pesoas do Século Passado", uma espécie de blog coletivo.
    Gostaria que fosse ficção. Mas foi publicado como experiência vivida. Já que é asim, espero que não seja fake como está na moda em literatura de falsos autores, reportagens inventadas por jornalistas, etc etc.
    "Hoje eu acordei a fim de mudar a minha vida. Tomei café e fui ao ateliê da minha mãe, onde ela trabalhava e ouvia Band AM. A peguei de surpresa quando perguntei "mãe, posso fazer uma pergunta?". "Faça". "Tu não sabia que eu fui abusado sexualmente, durante a infância?". Ela se virou, chocada. Nunca a vi tão branca.

    Foi uma longa conversa, mais de uma hora. Pela primeira vez, alguém da minha família passou a saber certos detalhes da minha vida que, até então, poucas pessoas sabiam - como a terapeuta e alguns poucos amigos. Porque, afinal de contas, ser vítima de abuso sexual na infância não é uma coisa que o cara sai por aí, declarando na Internet.

    Minha mãe realmente ficou chocada. Muito mais chocada com isso do que com o "a propósito, eu sou gay", que veio, ao longo da conversa. Ela indagou-se sobre como ter deixado isso acontecer, ainda mais com alguém tão próximo da família - meu tio, que também é meu padrinho, melhor amigo do meu pai, além de terem trabalhado juntos por mais de dez anos.

    Uma das minhas primeiras lembranças de vida é aos cinco anos, numa situação de abuso sexual com esse meu tio. E eu me lembro de já estar acostumado com isso, me lembro de saber que aquela situação era freqüente e comum na minha vida. Era a minha realidade e a minha vida. E isso se prolongou até meus 11 anos de idade. Sendo assim, conscientemente, foram seis anos da minha infância com meu tio querendo me comer o tempo todo. Não fui uma criança feliz, afirmo sem hesitar.

    Segundo minha terapeuta, casos de abuso sexual na família são extremamente comuns e acontecem, muito freqüentemente, com a cumplicidade dos pais. Não que meus pais tenham feito um acordo de cavalheiros com o molestador, mas, sim, um pacto silencioso em que ficou acertado que nunca se falaria sobre isso. E eu dava sinais de que havia alguma coisa muito errada comigo. Sofria de incontinência urinária, devido à tensão da responsabilidade que me incutiram, ainda na primeira infância. Mais tarde, aos 15 anos, tive depressão profunda, com idéias suicidas constantes e uma culpa enorme por ser o centro de um problema familiar grave. Era o irmão com quem meu pai mais se dava, morava com minha avó, trabalhava com meu pai. Nesse período de depressão, que durou um ano e meio, minha vida era voltada para achar um fim a ela mesma. Procurava os prédios mais altos, imaginando como faria para pular de seus terraços. Rezava para que acontecesse um acidente de carro e eu fosse a única vítima. "Quem sabe assim, morto, iam sentir minha falta", era o que eu pensava. Porque vivo, não sentiam. Não me percebiam. Não viam que eu guardava um segredo que jamais deveria ter tornado-se um segredo.

    Meu tio era uma pessoa de confiança dos meus pais, por isso a minha mãe ficou tão chocada. Aos cinco anos, tu entende que se teus pais confiam naquela pessoa, tu também deve confiar. E porque tu não confiaria quando ele te pedisse pra jamais contar pra alguém que ele me violentava freqüentemente?

    Meus pais têm uma dívida muito grande comigo que jamais será quitada. Eu dava sinais de ter problemas, eles não viam. Eu era o objeto de tesão de um homem de 35 anos e meu pai tava bêbado demais pra perceber. E, segundo minha mãe, mesmo que ele estivesse sóbrio, fingiria não perceber. Como eu disse, um pacto silencioso em que o algoz finje e a vítima se cala. E os "protetores", negligenciam à realidade.

    Na primeira infância, me deram uma responsabilidade maior do que eu poderia suportar e nunca ninguém importou-se com isso. Assim como todas as crianças brasileiras, eu cresci num ambiente familiar em que a sexualidade não era conversada, em que a invasão à intimidade era comum. Freqüentei uma escola que nunca me ensinou a perceber o que é sexualidade, sua importância na formação do ser humano, tampouco me ensinou que crianças devem descobrir-se seres sexuais com outras crianças, numa situação justa e igual. Nunca me disseram nada sobre um homem de 35 anos que gostava de pegar no meu pau e dizia querer me ver pelado. Essa era a minha realidade, essa foi a minha formação sexual. E ninguém se importava com isso.

    Minha mãe e eu chegamos à conclusão que somos uma família de aparências, uma família de propaganda de margarina. Que problemas podem haver com uma criança que freqüenta uma boa escola, tem muitos brinquedos e não precisa vender bala na sinaleira? Que problemas podem haver com uma família com uma ótima renda anual, com o carro do ano na garagem, com um apartamento na praia? Daí vinha muito da minha culpa, por ridiculamente pensar que eu era a única força capaz de destruir o que eu acreditava ser minha família. Ledo engano.

    Eu não tive um pai, tive um ótimo financiador. Nenhuma mensalidade da escola, do inglês, da natação e, agora, da faculdade, atrasada. Além de nunca estar presente, de formalmente ausentar-se da criação dos filhos, de negligenciar uma situação de violência sexual, meu pai pouco contribuiu com a minha vida. Nunca foi exemplo de homem, pra mim. Ele nunca se esforçou pra ser, afinal. Nessa longa conversa, eu disse pra minha mãe "às vezes, eu penso que tu merecia coisa melhor, não esse homem que mora aqui". Ela me surpreendeu quando disse "eu também penso isso". Propaganda de margarina, saca?

    Eu poderia ser filho de um cara que me desse orgulho, que se interessasse pelo que eu faço, que fosse um modelo de masculindade, de educação, de refinamento, de perspicácia. Mas não, sou filho de um burocrata retrógrado, sexualmente mal resolvido e com inúmeras dificuldades afetivas. Mas um ótimo financiador.

    Minha mãe agradeceu aos meus amigos, aos que sabem o que eu passei na infância, por terem sido tão claros e resolutos, e agradeceu aos amigos que sabem que sou gay, que me aceitam e que fazem a diferença na minha saúde psicológica. "Que bom que tu te cercou de pessoas que te ajudaram", ela disse. Pudera, é isso o que a gente procura quando cresce sozinho."
    22 de outubro de 2004
    Por Vitor Diel

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    [Aeternus:6299] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-02-20)


    - RE:Transcrito de outro site

    Curiosamente, a mensagem "transcrita de outro site" que me chegou por e-mail veio toda embaralhada. Não foi possível nem mesmo acessar a lista pelo ícone, as letras se encavalavam desordenadamente.

    Não entendi o objetivo do Gallego quando incluiu a longa confissão pública extraida de um "blog". (Hesito agora: trata-se de uma confissão, depoimento, acusação?) 

    Encontrei com certa freqüência, na pequena amostragem dos que trabalham na clínica psicanalítica, casos de sedução na família e de meninos seduzidos por tios ou padrinhos que se direcionavam mais tarde para o mundo "gay".  As histórias se assemelham, mas o tipo de sintaxe difere bastante. No relato do Vitor predomina, junto ao ressentimento de inocência traída, o tom lamuriento de quem não consegue se haver com a realidade "injusta". Nem todos elaboram a realidade desta maneira, querendo reformá-la para que se torne "justa".  Fatores externos e internos operam juntos.

    Quando Freud escreveu sobre os traumas de guerra ele observou que os que adoeciam por causa da ferocidade dos ataques inimigos eram aqueles que não haviam sofrido graves ferimentos físicos. Como se uma lesão real no corpo diminuísse a resposta de angústia mental da vítima, talvez porque esta tivesse algo palpável para ocupá-lo diante do horror e do susto. 

    Hoje, em outro lugar da internet, li sobre uma nova legislação na Itália, ou sobre a decisão de um unico juiz ( não prestei atenção pois não ia retomar nada ali ) a respeito dos casos de estupro. Foi estabelecida uma gradação: o estupro de moça virgem seria mais grave do que estupro de moças não-intactas.  Que confusão. O intuito, talvez, fosse premiar a inocência que não pode ser protegida pela sociedade?  Paulo Maluf que o diga.


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    [Aeternus:6304] Mensagem do Grupo54
    -LFGallego(2006-02-20)


    - RE:RE:Transcrito de outro site

    Jansy não entendeu porque transcrevi o texto de uma confissão - ou acusação - pública de alguém que foi vítima de abuso sexual da infância em diante.
    O motivo básico, de certa forma, Jansy mesmo sugere quando escreve: "na pequena amostragem dos que trabalham na clínica psicanalítica, casos de sedução na família e de meninos seduzidos por tios ou padrinhos..."
    Além de nosa pequena amostragem (tive mais relatos de mulheres sobre abuso sexual na infância por homens mais velhos ou nem tanto). Nós não podemos divulgar o que sabemos no setting, a ética do sigilo respeitoso não pode ser abandonada. Uma confissão pública dessas me parece rara, tenha lá que características tenha: lamento, lamúria, ataque, denúncia, elaboração, o que for. Por isso me chamou a atenção e pensei que poderia motivar interesse sobre tema tão espinhoso que abordamos quando discutimos o filme "O Lenhador", com seus inevitáveis limtes pelas opções dramáticas ficcionais escolhidas pelo roteirista.
    Em outra lista Guto faz uma pergunta que, penso eu, se refere a uma ambigüidade na continuação da frase da Jansy:  "...meninos seduzidos por tios ou padrinhos que se direcionavam mais tarde para o mundo "gay"." Quem se direcionava ao mundo gay? Os tios ou os meninos seduzidos? Muitas vezes, eses homens que abusam de meninos (ou mesmo de meninas) têm ou terão práticas homossexuais.Me aperce que tais adultos, mesmo que "só" pratiquem a pedofilia - mesmo que não tenham práticas com outros homens adultos - têm claramente um componente homossexual pederástico na acepção original do termo "pederastia" que se referia a sexo com crianças, com o mesmo radical (paidós) de pedagogia, pediatria, etc. Com o tempo, o termo ganhou acepção de homossexualismo entre adultos por extensão da compreensão homossexual da pederastia propriamente dita.
    Não sei se é tão frequente que meninos abusados desenvolvam práticas homossexuais fixas ou bissexuais. Pode ser bem provável ou posível.l Não necessariamente sempre. O que sempre escuto dizerem é que a enorme maioria dos pedófilos passou por absuso sexual na infância. Um caso bem desenvolvido está na ficção "Mystic River" que foi a base do filme "Sobre Meninos e Lobos". Mais no livro do que no filme, fica claro o drama do personagem que foi interpreatdo por Tim Burton nas telas, um exemplo chocante desta possibilidade de repetir o passado com "papéis trocados". Ele passou por horrores na infância, identificava os agressores como "lobos" e ele, um menino que conseguiu fugir dos "lobos". Anos mais tarde, casado e com filho, do tipo "looser", surpreendentemente mata um pedófilo que estava pagando um um prostituto infantil para sexo oral. E não pode confessar isto para noinguém, até mesmo num ambiente que seria complacente ou mais do que iso, aplaudiria a justiça pelas próprias mãos para punir o "tarado" e proteger o menino prostituto. Por ter chegado em casa com roupas sujas de sangue e outras "evidências" (enganosas) acaba sendo tido como assassino de uma mocinha morta na mesma noite, um caso que ele não tinha nada a ver com. Mas não confessa o que fez e é morto pelo pai mafioso da mocinha, um antigo amigo de infância que não sofreu o abuso que ele sofrera. Os marginais espertos e malandros entenem, numa psicologia reducionista que, por ter sido abusado na infância (algumas pessoas sabiam disso, inclusive o pai da moça assasinada), ele poderia ter matado uma mocinha anos e anos depois, um "desajustado" disfarçado de "bom moço", um sonso. Ele não pode confessar seu verdadeiro crime porque ele não havia matado o pedófilo para proteger o menino prostituto, mas sim porque sentia crescer dentro dele a inclinação de "lobo". Ele tenta matar NO pedófilo seu desejo crescente de praticar sexo com meninos. Isso é inconfessável e ele acaba sendo tido como culpado de outro crime e é morto na base de "justiça pelas próprias mãos" pelo antigo amigo que perdeu a filha. A vergonha (tema pouco estudado pela psicanálise durante décadas) é uma força mais poderosa  do que se imagina...

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    [Aeternus:6308] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-02-20)


    - RE: Tim Tim por Tim Tim

    Gallego fez uma bela abordagem do delicado tema da pedofilia, rumos. Deixo mais adendos aos da área psicanalítica que quiserem comentar.
     
    O 'Tim' de "Sobre Meninos e Lobos" era o Robbins, marido da Susan Sarandon.
    Há vários 'Tim' no cinema, e gera-se uma certa confusão, facilitando assim erros eventuais de qualquer um. Tim Burton cismou de ser Batman, depois de fazer vilões e mocinhos variados. É meio mirrado, e seu Batman passou longe das academias saradófilas dessa vida. Seu tórax está mais para burocrata de gabinete do que para Salvador da Pátria ( isto era um dos motivos pelos quais o curinga esplêndido do Jack Nicholson ria a ponto de perder o fôlego...)
     
    Temos ainda, assim de bate-pronto, o esguio e brancão Tim Roth. Diretor e ator. Rosto expressivo, tenso, falas ostensivas, irônicas contidas. Excelente para papéis ligados às forças do Mal. Aquele sádico de carteirinha, que tenta espremer o máximo de sofrimento de sua vítima nem tanto pelo grand-guignol, e sim passeando desde as esperanças mais possivelmente recônditas da vítima, a fim de pisoteá-las.
     
    Tim(othy) Hutton pintou bem em "Ordinary People" ( "Gente Como a Gente" no Brasil )e decaiu, não encontrou seu 'tipo' em roliúde. Curiosamente adoro, anos após seu ostracismo, "Torrents of Spring", que discuti com Jansy posto que baseado em Turgenev, onde fez Sanin, o herói da trama, bastante intimista e tida como reveladora do âmago do autor.
     
    Tim Matheson teve uma carreira ainda menos relevante. Bonanza, filminhos de divórcio american-chicaneiros, Lampoons bobocas adolescentes - ele provavelmente deve ter feito algum pai sensato...
    Pode ser lui même o amante grego da inglesa insatisfeita que a Jansy lembrou outro dia, que zanza por aquelas casas brancas à beira-mar.
     

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    [Aeternus:6314] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-02-21)


    - Pantaleão e as Visitadoras

    Rendeu um filme peruano gostoso, que seria algo como um floatmovie, já que o núcleo da trama de Vargas Llosa depende sempre do flutuar sobre os rios locais.
    Prostitutas são arregimentadas e treinadas por um dedicado e idealista oficial do exército nacional. O ator ( Salvador del Solar )é um moreno de feições finas, cabelo sempre perfeitamente tratado e alinhado, que recebera a árdua missão de seu superior, ouvindo deste "de suma importância para manter elevada a moral e a disposição de nossas tropas, e assim manter os baluartes da segurança nacional".
     
    O militar exerce sua missão com denodo e organização. As candidatas falam algo, despem-se, desfilam um pouco e são registradas num dossiê. Uma delas ( Angie Cepeda, maravilhosa, gostosésima, e bem no papel )insinua-se mais do que deve, mas é mantida à distância pelo empenhado selecionador. A tentativa de sedução torna-se o estopim suficiente para acender um desejo no oficial, que passa a hmmmm....xeretá-la meio que à distância. Ela percebe, claro, e segue jogando charme para cima dele.
    Água mole em pedra dura tanto bate (até que fura ?)que terminam envolvidos no fuquefuque - não podia deixar de acontecer !
     
    A missão é um sucesso, as moças são selecionadas, trabalham alegres e sentem-se mesmo importantes no pedaço. Um final algo artificioso e canhestro, moralista - não sei se responsa de Llosa ou não...- com violência no rio, quase estraga o bom andamento do filme. Próximo ao final, ergue-se o pavilhão peruano rendendo homenagem ao falecimento de nossa Angie no conflito. Bravura e patriotismo.

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    [Aeternus:6325] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2006-02-21)


    - Churchill, Shaw et al

    "He has all the virtues I dislike and none  of the vices I admire."
     - Winston Churchill
     
    "A modest little person,  with much to be modest about."
     - Winston Churchill
     
    "I have never  killed a man, but I have read many obituaries with great 
    pleasure."
     -  Clarence Darrow
     
     
    "I've had a perfectly wonderful evening. But this wasn't  it."
     - Groucho Marx

     "I didn't attend the  funeral, but I sent a nice letter saying I approved of  it."
    - Mark Twain
     
    "I am enclosing two tickets to the first night of my new  play, bring a
     friend... if you have one."
    - George Bernard Shaw to Winston  Churchill

     "Cannot possibly attend first night, will attend second... if  there is one."
     - Winston Churchill, in reply

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    [Aeternus:6479] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-03-07)


    - alinhando minhas idiô com as de Fellini

    ( instigado pela belíssima reportagem publicada recentemente na "Folha" sobre "A Viagem de Giuseppe Mastorna", projeto jamais concluído por Fellini, que ficou, nas palavras do próprio Fellini, 'como uma carcaça de um navio afundado, Mastorna alimentou todos os meus filmes seguintes.' )

    "8 e 1/2"

    ( Fellini questiona-se e a nós )

    26 / 10 / 2002

    1.      Porque fazer este filme ?

    a.       A soma fatal exigência do meu produtor + não saber o que dizer.

    b.      Mostrar-me com sinceridade, e no caso em questão minhas hesitações.

    c.       A tal 'volúpia estética' citada por Nabokov, referendada por meus exigentes roteiristas.

    d.      A vida é uma festa. Esta foi só mais uma delas.

    e.       Todas as anteriores.

     

    2.      Do que gosto quando faço um filme ?

    a.    Das energias que cercam a pré-filmagem ( não deste...).

    b.        Da escolha do elenco.

    c.         Do conluio e livre tribuna com que tento conduzir os trabalhos. De meu megafone.

    d.        Da confiança e solidariedade entre meus técnicos, os roteiristas e os atores.

    e.    Todas as anteriores.

     

    3.      Do que não gosto quando faço um filme ?

    a.        Dos roteiros fixos e das datas pré-determinadas.

    b.        De precisar explicá-lo e debatê-lo antes, durante ou depois.

    c.        Da cobrança desmesurada de desempenho, respostas e favores.

    d.        De companhia na sala de edição.

    e.        Todas as anteriores.

     

    4.      O que são as mulheres em meus filmes ( digo : tantas e tão barulhentas )

    a.          Paródia cinematográfica de meu modelo feminino infantil, mimado e cercado de tetas, Saraghinas. Sucedidas pelas deusas 'vamps' , às aspirantes ao estrelato e a escapar de serem tidas decadentes ( nel nostro lavoro questo punto è veramente crudele ! )

    b.          Tentadoras figuras do ponto de vista estético e instigante. Exigentes e perigosas demais do ponto de vista do convívio.

    c.          Desesperada tentativa de elaborar o Eterno Feminino em formas, gestos e necessidades.

    d.          Mote perfeito da culpa cristã. Intento / pecado. Pensamento / ação. Mais intento e pensamento que pecado e ação : exercer a relação não me atrai tanto assim. Nem a marital nem as extras.

    e.          Todas as anteriores.

     

    5.      O que penso quando estou com 'Claudia' ?

    a.        Em meus fantasmas mais secretos.

    b.        Em minha tábua de salvação.

    c.        Num Ideal Feminino, a menina / moça / mulher que acompanha tantos filmes meus.

    d.        Em minhas insuficiências como homem e artista.

    e.        Todas as anteriores.

     

    6.      Porque tantos homens idosos em "8 e 1/2" ?

    a.       São uma pulverização de mim mesmo, temores de minha decadência e rumos.

    b.      Trata-se de uma homenagem à persistência e à vida, mesmo diante de insuficiências e decrepitudes.

    c.       São uma amálgama de saberes e dúvidas constantes, que me atormentam e dos quais não posso nem quero livrar-me.

    d.      São uma resposta ao niilismo absoluto, ao néant.

    e.       Todas as anteriores.

     

    7.      Porque tanto circo em meus filmes ?

    a.       A vida é uma festa. O circo é a melhor representação desta festa.

    b.      O circo contempla o espetáculo, o desempenho. E esquece o compromisso, o vínculo obrigatório ao intelectivo.

    c.       O circo pode 'metaforizar' um contexto. Em "A Cidade das Mulheres" o Feminino torna-se eminentemente circense. Em "Tobby Dammit" a Igreja torna-se circense.

    d.      O cinema é um circo, por vezes.

    e.       Todas as anteriores.

     

    8.      Porque a mistura quase permanente entre 'real' e imaginário ? Entre tempos distintos, que se sobrepõem numa espiral volátil ?

    a.          Porque reverencio Schopenhäuer em "o único mundo possível é o da representação. Nada é tão verdadeiro quanto a representação que do mundo fazemos." Meu mar de telão de plástico, luzes e dois ou três esforçados técnicos balançando-o é mais 'real' do que o próprio...

    b.          Porque uma mentira bem contada é o mesmo que uma verdade.

    c.          Porque o tempo é uma ilusão humana, um fabricatto. Sua linearidade é mera pretensão, assim como seu início / meio / fim arbitrários. Alinho-me a Paul Bowles em "Que Venha a Tempestade" : uma vida toda vale tanto quanto um fragmento de vida. Qualquer um deles tem seu início / meio / fim.

    d.          Porque quando penso e ajo estão aí embutidos passado, presente e vir-a-ser-presente. Nenhum pensamento consciente ou inconsciente estará jamais livre do atrelamento ao passado ou estritamente inserido num tempo. E, por conseguinte, nenhum ato ( este fica inscrito num tempo, mas terá atuação atemporal ao longo da vida da pessoa ).

    e.          Todas as anteriores.

     

    9.      Porque "8 e 1/2" é ostensivamente narcísico, como a maioria dos meus filmes é ?

    a.          Porque, ao contrário, é apenas do que posso falar, do que sei falar. Minha cultura é Rimini, a vida de aldeia. O mundo que conheço. Meus filmes são minhas alegrias, vicissitudes e defeitos. O que posso falar. Dos assuntos que tento abordar.

    b.          Porque jamais consegui desvincular-me de meus fantasmas, que insistem em puxar meu pé dia e noite.

    c.          Porque pedi e peço socorro a vocês, em nossas festas. Que me aceitassem e fossem receptivos, carinhosos com minhas deficiências e manias, exageros e delírios. E se pude causar alguma alegria, tanto melhor. Gosto da vida.

    d.          Porque ostentando minha subjetividade dessa forma, tão entregue e descarada, estou induzindo vocês a se revelarem também. Sou julgado para melhor julgar.

    e.          Todas as anteriores.

     

    P.S. O gabarito será fornecido pelo próprio, no Além.


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    [Aeternus:6480] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-03-07)


    - o núcleo do que seria Giuseppe Mastorna

    Vejam só :
     
    'No assim chamado mundo do além, Mastorna desembarcava numa cidade que parecia um gigantesco cartão-postal de todas as cidades do mundo, habitado por gente de todas as partes do planeta. Encontrava os pais serenamente leves, livres enfim do papel que lhes cabia. Reencontrava os brinquedos da infância, que ele costumava destruir; as mulheres amadas, todas mal amadas.
    Ou seja, depois da morte, era a própria vida que as representava, com desejos e conflitos, remorsos e dúvidas. "Não se trata de um filme sobre a transcendência", disse Fellini, "mas de um filme sobre coisas mortas, que estão numa zona estagnada. Aquelas que precisam de uma morte verdadeira."
     
    ( Que Beleza, hein ?!!! Foi melhor mesmo esse filme nunca ter existido !...fica ainda mais presente  enquanto fantasma...)
    ( o ator ? Mastroianni, claro ! )

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    [Aeternus:6497] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-03-08)


    - RE:alinhando minhas idiô com as de Fellini

     Pois então, Caco, achei uma antiga reportagem sobre um documentário filmado com Fellini por Daniel Pettigrew. Eis o que consta: 

    ... para Fellini "não existe diferença entre real e imaginário na dimensão da memória. Eles se confundem. Ou seja, o passado, evocado com tanta frequência no chamado universo felliniano, não significa que as coisas tenham acontecido exatamente da maneira como os filmes as representam. Quem já viu algum trabalho de Fellini sabe bem disso --o que diminui bastante o impacto da afirmação.  Mais interessante talvez seja o fato de a memória, no autor italiano, ser onipresente e múltipla e ocupar passado, presente, futuro, de tal modo que o tempo deixa de fazer sentido --o que constitui uma bela explicação para o cinema não narrativo praticado por Fellini. Nesse nível, Fellini seria, talvez, próximo de Alain Resnais, com menos cultura e mais gênio. Mas existe outro nível, e Fellini refere-se a ele diretamente, quando comenta a descoberta do "Rashomon" de Akira Kurosawa. O que chamou sua atenção foi justamente a capacidade de "fotografar o ar" que viu no filme japonês. Nesse momento, podemos perceber como é profunda a ligação de Fellini com as artes plásticas, a pintura em particular, que considera a inspiração principal de seu cinema. Eis aí outra boa explicação para não se interessar especialmente por tramas. O que o mobiliza são motivos e o que o motiva são as pinceladas que formam o filme, não a história. A história é uma espécie de mal necessário com o qual deve conviver para chegar ao quadro. Daí talvez Fellini ser um dos melhores enquadradores da história do cinema: onde põe a câmera, a beleza se manifesta.  Daí, talvez, também, a reação diferente de certos atores com seus métodos. Fellini os vê como marionetes. Por vezes não precisam nem mesmo de texto: declamam números, as falas são dubladas depois. Donald Sutherland odiou tal método, tanto quanto Marcello Mastroianni o aprovava.   Daí, igualmente, o encanto do trabalho de Fellini em estúdio, detalhado no possivelmente mais belo momento do filme, quando o cineasta discorre sobre o mar de "E la Nave Va", sobre a necessidade que sentia de um mar de plástico que, no entanto, devia ser percebido pelo espectador como o mar natural. Elogio notável do artifício, da necessidade de ir ao falso para buscar o verdadeiro".

    São colocações curiosas estas de Pettigrew. Eu não fazia idéia que Fellini não valorizasse a história ou as falas, que os atores podiam recitar números para uma dublagem posterior.Entendo o que o documentarista observa sobre a inspiração vir da pintura, mais do que da trama e das palavras. Mas não creio que se possa reduzir tanto a produção felliniana. Há o casamento entre o que se diz, se faz e acontece. Nem lembro de algum trecho em particular, exceto o da professora ensinando Ma-te-ma-ti-ca e na última sílaba mergulhando um biscoito no chá ( Amarcord).  Mesmo os sonhos, com toda sua plasticidade, são regidos pelo discurso e remetem ao verbal... 



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    [Aeternus:6506] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-03-09)


    - RE: Pettigrew : fotografando o ar

    Sim, Fellini era iminentemente pictórico !
    Desenhava bem, fazia esboços de toda ordem idelaizando a Estética dos personagens. Adorava o grotesco, a charge. Sem dúvida privilegiava a imaginação livre, a pincleada, à trama em si. A 'essência' estaria nesse fotografar o ar misturado ao que passasse de 'sólido' para o espectador.
     
    Especialmente em "Casanova" isto se tornou gritante : Donald Sutherland empolgou-se com o papel, estudou-o a fundo, leu obras e discutiu a respeito, uma vez contratado. E...encontrou um Fellini disruptivo, demolidor, aconselhando-o 'esquecer tudo', anulando assim toda essa expectativa do ator !
    Esboçou um Casanova torto, asqueroso, animalesco, o anti-charme por excelência. Transformou a trepada num mero abatedouro,  reduzindo-a a menos do que ato fisiológico. Algo como estúpidas reincidências equalizantes, tendendo ao nada. ( Don Juan é a busca do Nada, como quer Camus ? )
     
    Acertando ou errando, Fellini era basicamente intuitivo. Mesmo per male, ao enojar-se, entediar-se...
    Por isto mesmo travou em "Giuseppe Mastorna", que preferiu abandonar na estrada, levando Dino de Laurentiis à loucura e a processá-lo...

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    [Aeternus:6507] Mensagem do Grupo54
    -jansy b s mello(2006-03-09)


    - RE: Pettigrew : fotografando o ar

    Escrevendo quadrinhas no final da adolescência, H. Haydt constatou: " faltava-me o ar de pai. Fui um pai rarefeito".  Enquanto isto vou me dando ares, antes de comentar o Pettigrew na entrevista ao Fellini...

    Para contrapor algo a esta sacada magnífica de "fotografar o ar", como os impressionistas pintavam a luz, resolvi pegar meu livrinho  no qual Giovanni Grazzini entrevista o cineasta.  Logo na primeira página levei um susto. Encontrei um plágio que o Gallego talvez possa deslindar comigo.

    Então, Gallego: lembra do livro de um autor argentino que você emprestou para mim há uns anos? Dele esqueci de quase tudo exceto de uma cena em que o personagem abria de repente a porta do quarto de onde tinha saído e respirava o ar.
    Veja o que Fellini falou em 1983: "Tenho 64 anos. Repito isso a mim mesmo como para convencer-me, e depois permaneço na escuta, o ouvido mergulhado em meu interior, para sentir que coisa mudou, se algo enferrujou, se há alguma falha, em suma, o que sente e o que pensa uma pessoa de 64 anos.  Nos meus primeiros tempos em Roma, eu morava numa pensão, e tinha como vizinho de quarto um trabalhador romano (...) Freqüentemente eu o via sair de seu quarto, de roupção, pela manhã, fechar a porta atrás de si, ficar imóvel por alguns minutos com a mão na maçaneta e, depois, abri-la de um só golpe, metendo a cabeça para dentro.  Curioso, certo dia eu lhe perguntei por que fazia isso (...) Respondeu que o fato de enfiar rapidamente a cabeça dentro do quarto, depois de ter mantido a porta fechada por algum tempo, servia para sentir se havia "cheiro de velho" (...)"

    Respiro a deriva, pressentindo aquela metamorfose que é como uma das definições do "ponto" que o transforma em algo diminuto mas infinitamente gigante ao mesmo tempo. Dá-lhe como referencial o diametro de uma esfera que.... help!  Vejam só o que Fellini conta logo depois, ainda pensando nos velhos: "havia a cena das duas velhinhas num jardim público, olhando os rapazes, babando de alegria, mas não se lembrando mais que coisa se fazia com os rapazes".   
    Eu lembro! Eu lembro! Mas não fico muito animadinha não porque lembro da piada do Juca Chaves perguntando à platéia sobre quem ali conseguia dar duas vezes todos os dias ( dedos se levantam), dar uma vez por semana ( outros dedos se levantam menos entusiasmados) ou ter sucesso uma vez por ano e o velhinho, dando pulos de alegria, gritando "Eu", "Eu"...

    Fellini: " O aspecto mais embaraçador da entrevista é que se deve aceitar de ser um outro, isto é, alguém que sabe, que tem uma visão do mundo, opinião sobre a existência, o amor, os suspensórios. Não tenho idéias gerais. Me incomoda muito uma entrevista que tende a me obrigar a exprimi-las.  Á medida em que fico mais velho, me parece haver sempre menos necessidade de compreender, no sentido de racionalizar as relações com a realidade... O pouco que tenho a dizer, tento fazê-lo com meus filmes, que me divirto muito em realizar."

    Ah. Que festa.


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    [Aeternus:6508] Mensagem do Grupo54
    -LFGallego(2006-03-09)


    - RE:REspondendo ao "fotografando o ar"

    • O autor é o ESPANHOL Antonio Muñoz Molina.
      O livro, sim, se passava em grande parte na Argentina, num Hotel decadente de Buenos Aires.
      O nome do livro e da personagem meio fantasiosa meio fantasma era "Carlota Fainberg".
      Seu livro mais festejado se chama "Sefarad" e tem como personagens quase vinte judeus europeus da linhagem sefaradita (expulsa da Espanha em 1492) mais ou menos famosos como Kafka, Walter Benjamim, Primo Levi, etc. Não li ainda.
       

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    [Aeternus:6511] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-03-09)


    - RE:RE:REspondendo ao ar da sua graça

    Sabia que poderia contar com sua pronta resposta e com a precisão das suas lembranças. Gratíssima Gallego, foi mesmo este livro que se passa num poeirento hotel em Buenos Aires...

    Você escreveu para mim que não se recorda "desse detalhe da porta aberta para sentir cheiro de ar ou de velho, mas faz sentido, já que em grande parte a ação se passa num hotel meio assombrado onde o narrador talvez encontre o vulto da Carlota que aparece na narrativa dentro da narrativa feita por um companheiro de viagem com quem o narrador principal ficara preso num aeroporto nos EUA devido a uma tempestade de neve. A Carlota teria sido assassinada, acho. Mais do que o enredo, o livro ficou na minha lembrança como uma metáfora da escrita, do romance, da ficção, da invencionice, coisas asim. Será mesmo?"
    Hoje vou depressinha folhear o livro brincando de detetive para os plágios.  
    Que delícia ler as entrevistas do Fellini!  Estranhamente não curto tanto o cinema que ele faz ( com notáveis exceções, como Casanova, E la Nave Va, Amarcord ) porque fico feito menino sem saber o que fazer com aquelas mulheres gigantes ( tem um que sopra, em vez de chupar os generosos seios da prostituta com lindo nome que não é a Ciccolina). 

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    [Aeternus:7622] Mensagem do Grupo54
    -LFGallego(2006-07-06)


    - O que é de quem?

    Rolam na internet umas imagens de quadros a óleo (ou aquarelas, não sei mais) atribuídas a Salvador Dalí mas que não saõ dele: quem tem certa familiaridade com as imagens surrealistas de Dalí pode perceber logo, mas quem não tem, pode tomar gato por lebre. Não é que sejam feias, mas são mais "doces", "poéticas", enquanto Dalí era mais anárquico, provocativo, apesar de ser um Ávida Dollars (conforme anagrama de seu nome inventado por Picasso ou Buñuel, não sei bem) e bobo da corte que apoiou o fascismo do "generalíssimo" Franco durante a lamentável ditadura espanhola pós-Guerra Civil. Dalí também se repetia  muito (nem tudo que ele fez é digno de admiração) e vendia, no final da vida, telas em branco assinadas que um "aluno" seu pintava, mas, malgré lui-même, tem coisas geniais mesmo.
        Além do Veríssimo, outro santo nome usado em vão na Internet é o de Clarice Lispector assinando mensagens meio "mulherzinha" com filosofadas mais para Marta Medeiros, bem abaixo do nível de abstração intelectual (ou de mergulho no processo primário) que Clarice apresenta em muitas de suas melhores obras.
        Não sei porque as pessoas que escrevem esses textos não assinam embaixo o que pensam e produzem. Ou sei: não confiam no seu taco e se comprazem em ver seus textos elogiados como se fossem de grandes nomes da literatura. Na verdade, muitos de nós podemos hipervalorizar textos menores só porque são de grandes autores. Consta (pode ser invenção) que um colega de fino espírito humorístico e sobrenome Marchevsky estava, há tempos, num clube, dedilhando ao piano e uma moça perguntou: "É Tchaikovski?" e ele respondeu: "Não, é Marchevsky mesmo." E a moça, supondo um a "grande músico desconhecido por ela mas não querendo bancara a boba, bancou ao exclamar um "Aaah!" com tom de conhecimento...
    Às vezes obras menores são mesmo de grandes nomes, mas isso não quer dizer que tudo que eles escrevem são obras-primas; os melhores e maiores artistas podem produzir - e produzem - obras "menores" sem nenhum desdouro para sua "obra completa". Clarice mesmo é uma: nem tudo que ela escreveu me encanta, acho que seu nome hoje em dia "abençoa' qualquer coisa que ela tenha de fato assinado. Mas isso não quer dizer que ela escreveria platitudes e obviedades que são atribuídas a ela na Internet.
        O humor do Veríssimo (ou do Millor) costuma ser mais sutil e inteligente (ou ferino) do que coisas até mesmo divertidas atribuídas a eles em mensagens que rolam por aí.
        O caso mais famoso foi de algo atribuído ao Gabriel Garcia Marquez que parece que de fato esteve (ou está) doente e viu uma mensagem assinada com seu nome rolando por aí. Era bem do tipo "construtivo" quase em estilo de auto-ajuda para se enfrentar situações difíceis da vida e com um tom algo piegas-light. Nada contra esse tipo de apoio se serve a tantas pessoas, mas atribuir a outrem é quase a mesma coisa que "roubar" um texto e assinar como próprio. Simetricamente, as apropriações e atribuições indevidas se equivalem.
       Gabriel Garcia Marquez só reclamou de terem achado que era mesmo dele aquele texto, pois ele achou muito ruim, muito mal escrito.
        Veríssimo também já se pronunciou a respeito com mais beneplácito e elegância que lhe costuma ser peculiar. Foi paraninfo de uma turma de Faculdade e no discurso do jovem formando ouviu sitado um texto "seu" que não era de sua lavra, mas estava rolando como se asim fosse pela internet... Saia justa é isso!
        Eu já tive idéias minhas roubadas e colocadas na internet em meio a um trabalho alheio sobre o mesmo tema , coisa de coleguinha psicanalista  - de caráter duvidoso, obviamente. É muito chato um trabalho intelectual feito com paixão, dedicação e muito suor e dedos ser apropriado por pirataria de idéias não atribuídas ao autor original. Mas acho que seria tão ruim se eu visse meu nome assinando alguma coisa que não escrevi e que considerase abaixo de minha crítica. Pior ainda se me parabenizarem por "aquilo" que eu nem fiz!!!
        Clarice deve estar se retorcendo no túmulo.
        Dalí só deve estar lamentando não receber pelos quadros atribuídos

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    [Aeternus:7623] Mensagem do Grupo54
    -LFGallego(2006-07-06)


    - ERRATA:O que é de quem?

    Eu çei que "citar" é com "c" e não com "s", como çaiu num teichto anterior dexta lixta, mas meux dedox exbarram õde não devem à toda hora, serto?
    E expero que entendã eça excrita pekuliar da errata que não é uma "rata".
    Misturando as listas: Jansy tem toda razão sobre o uso vetusto e multisignificante do termo "pau". Uma simpática cançãozinha dos anos 1930 (talvez) tem como personagem mais uma "mulher de malandro", tema tão frequente na Música Popular Brasileira que culmina em "Com açucar, com afeto" do Chico Buarque feito por ele a pedido de Nara Leão que curtia regravar esses clássicos ("Encontrei o meu pedaço na avenida de camisa amarela, cantando a Flosrisbela" ou "Meu moreno fez bobagem, machucou meu pobre coração, aproveitou a minha ausência e botou mulher sambando no meu barracão"), e um deles, exatamente o que estou querendo citar com o uso antigo do termo "pau": "Quem é que muda os botõezinhos da camisa? Quem é que dá um adeuzinho no portão? Quem é que nunca faz barulho quando pisa? E quando pedes qualquer coisa não diz não... Quem é que sempre dá o laço na gravata e até arruma teus papéis na escrivaninha? Quem é que faz o teu bifinho com batatas e estraga tanto as lindas mãos lá na cozinha? Quem é que reza por você lá no Oratório? Quem é que espera por você, sempre chorando? Quem é que sabe que não paras no escritório e ainda acredita que estiveste trabalhando? Quem é que troca os botões da tua roupa? Quem é que mais economiza luz e gás? Quem é que sopra no jantar a tua sopa? Quem é que diz no telefone que não estás? E no entretanto é só você que não me liga e ainda descobre sempre em mim tanto defeito, mas é talvez porque sou muito tua amiga e nunca estás por isso mesmo satisfeito... E no entretanto você pensa em me deixar, e anda dizendo que eu sou PAU, não-sei-o-que... E no entretanto você vai me abandonarrrrrr? Mas é porque eu sou louquinha por você..."
    Quando ouvi pela primeira vez achei que era "... anda dizendo que eu sou qual não sei o que...", só depois li a letra original e me lembrei que de fato o termo era usado para pesoas chatas, cansativas, maçantes.
    E na marchina de carnaval, o que que dizer "Oi, China Pau, China Pau como o que! A mulher do China vai ter muito o que fazer"... Isso é surrealismo? Nonsense? ou o significante já rerstringira o seu significado???
    Outra marchinha antiga e de duplo sentido já não usava o ainda recente termo "levar pau" para reprovação, mas sugeria: "Mamãe, mamãe, mamãe eu levei bomba, mamãe eu levei bomba pela primeira vez! - Filhinha, filhinha, filhinha queridinha: foi francês? foi português? - nem sei, mamãe, nem sei, a prova foi tão DURA, mamãe, que eu me arrasei!"

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    [Aeternus:7624] Mensagem do Grupo54
    -Clarice Lispector(2006-07-06)


    - RE:O que é de quem?

    "Dobrou o jornal e o colocou cuidadosamente ao lado da poltrona e duas abas levantadas criaram a sombra de um gato quando ele o espiava pelo canto do olho. Precisava levantar-se, começar o dia e o cafézinho costumeiro tardava. 
    Dona Maria apareceu com a bandeja e pão fresquinho, cortado em gomos numa cesta amarela. Não havia outros adiamentos. Depois da refeição, chutou o gato e foi fazer a barba preguiçosamente. O vento ainda tentou soprar uma página para cercar-lhe os pés. Era tarde demais.
    Chuviscava e ele se congratulou porque trazia o guarda-chuva. Mas não o abriu confiando no abrigo precário no ponto do onibus. Um Circular azul e prata estrebuchava e a porta trazeira fechou com um suspiro. Uma criança de fita olhou para ele através do vidro sujo e coçou o nariz, antes de ser puxada pra frente com um solavanco final.
    Sol e chuva, casamento de viúva. Resignou-se. O jornal abandonado na sala era um tigre, agora, devorando as notícias para apagar o que restava da manhã."

    Uau. Só Pierre Ménard pra recriar tim tim por tinteiro o espírito dos mortos.


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    [Aeternus:8225] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-10-28)


    - amigos...

    Meu computador vem rejeitando alguns cliques de preguiçosa, que me direcionavam diretamente para as nossas Listas no Aeternus e com isso as chances de uma pronta resposta desaparece, dada a burocracia necessária para escrever por outras vias.  Me desculpem todos. 

    Tenho curtido o Rilke, o gatinho felpudo encarando a Jansyta e  Buster Keaton em pose de esperagodot.

    Queria, até, escrever sobre o tal cineasta português que me desagrada tanto, apesar da moda. Assisti a vários trechos de uma coletanea de filmes que ele fez em Lisboa e cercanias, algumas passagens bonitas pelo Tejo e oceano Atlantico, reflexos dos prédios antigos da cidade antes de chegar no mofo dos ambientes marinhos e a idiotia das pensões com seus tarados, obscenos e repetidos. 
    Se fossem editados, pela beleza de muitas cenas, os filmes seriam magníficos pro meu gosto tacanho conservador, com saudades daquele Rio antigo de Machado de Assis e não sei se me entendem.

    Há umas semanas comprei no jornaleiro um filme bem metido com Shirley McLaine e Liza Minelli obesar tantando fazer música, mais aquela atriz que quebra os ossos de escritor best-seller e frita tomates verdes ( a tal que, pro Florião, se parece comigo). Os estereótipos de Nova Iorque políticamente correta estavam todos retratados numa pensão saxã, sem cheiro de Lisboa.Uma menina da perna grossa fazia parte da história e seu rosto me era familiar ( depois descobri que não podia ser o rosto, mas as pernocas... e fiquei apreensiva!). Jennifer Grey, moçoila espevitada do Brooklyn, morando perto das docas. Finalmente lembrei onde a tinha visto antes. Com Patrick Swayze, em "Dirty Dancing", onde fazia papel de garota ingênua e com boas intenções.  Que filme, cheio de dançarinas velhas e a menina, maquiada e com chicletes, como uma pequena faixa de luz meio sujinha...

    Por falar em sujinha, amanhã é dia de votar, como se tivéssemos escolha de algum candidato, como se tivessemos esperança ou não percebessemos a armadilha em que todos nos metemos. Escolher entre picolé de chuchu e um charuto de Fidel?


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    [Aeternus:8227] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-10-30)


    - RE:amigos...e irmãos

    Acho tanto a Kathy Bates quanto o Phillip Seymour-Hoffman muito parecidos com Jansy, principalmente o último.

    Melhor pra ela, já que meus sósias são aqueles iranianos energúmenos e imundos, aglomerados em multidões anônimas, vociferando contra os USA, dando tiros de metralhadora pro alto e tals. Eles até tem alguma razão no mérito, però...


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    [Aeternus:8228] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-10-31)


    - RE:RE:amigos...e irmãos

    Florião,

    Se você não soubesse que é chato se ver comparada com a Kathy Bates e o Truman Capote você não teria indiretamente se desculpado  - ao se descrever logo em seguida como tendo sósias entre uns "iranianos energumenos e imundos". Aliás, estes não são os iranianos que visualizo, nem desde a antiguidade persa, nem os tipos árabes intensos interpretados pelo Omar Shariff...

    Não acredito no que você diz como sendo representativo do que pensa...

    Desse jeito vou dar uma de CD e colocar online uma seleção de fotos minhas, evoluindo desde o bebê, com várias faces crescentes e decrescentes até decair na velhice a la Bates ( quem não me conhece pessoalmente pode conferir as fotos que estão no site, inclusive as do pp. Marcos e tirar as próprias conclusões).

    Isto posto, o resto fica por conta das piadas...


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    [Aeternus:8229] Mensagem do Grupo54
    -Marcos(2006-10-31)


    - RE:RE:RE:amigos...e irmãos

    Grande Jansy,
    É só um jeito muito meu de brincar com as pessoas de quem gosto. Se eu não gostasse de você não falaria nada nessa área.
    Quanto a mim, me acho realmente parecido com aquele tipão que citei. A diferença - graças a Deus ! - está na minha capacidade de transferir para meus olhos e minha boca a ternura que não vejo nunca estampada neles.

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    [Aeternus:8230] Mensagem do Grupo54
    -jansy mello(2006-11-01)


    - politicamente imbecil

    Uma surpreendente notícia na página inicial de hoje cedo, no site do Terra:

    Governo americano sugere virgindade até os 30

    Novo programa de educação para a abstinência, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS, na sigla em inglês), sugere que a população comece a ser sexualmente ativa aos 30 anos. O programa tem um orçamento de US$ 50 milhões, de acordo com a ABC.

    Autoridades do HHS dizem que não é uma obrigação, mas uma opinião para combater "um alarmante crescimento no número de nascimentos fora do casamento". Um recorde de 1,5 milhões de bebês nasceram de mães solteiras no país em 2004. Mais da metade eram de mulheres com cerca de 20 anos.

    James Wagoner, presidente de um grupo que busca "uma sociedade que vê a sexualidade como algo normal e saudável", é contra o programa. O Advocates for Youth diz que é inútil tentar manter jovens com 20 anos de idade inativos sexualmente e que é muito mais inteligente utilizar formas de prevenção à gravidez.

    "Está claro que eles estão usando o dinheiro do contribuinte para promover uma ideologia", diz Wagoner. "De saúde pública, nada tem."

    Redação Terra

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    [Aeternus:8684] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2007-08-04)


    - Século XVIII on-line!

    http://www.voltaire-integral.com/__La%20Bibliotheque/Auteurs.html


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    [Aeternus:8728] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2007-09-21)


    - Spam poético

    Putz!... os mails de "penis enlargement" ficam cada vez +&+ criativos. Pra convencer a moçada a tentar esticar o pau, vale tudo!!

    O último que eu recebi:

    With a larger manhood you penetrate more sensitive areas of the woman, WOW

    Bonito, né?


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    [Aeternus:8730] Mensagem do Grupo54
    -dora zander(2007-09-21)


    - RE:Spam poético

    E que tal este?

    "Se a sua vida não é menor, por que então ser pequeno?" 


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    [Aeternus:9657] Mensagem do Grupo54
    -dora zander(2008-06-07)


    - Nabokov

    http://www.newyorker.com/online/2008/06/09/080609on_audio_gaitskill/?xrail

    para ouvir a leitura em inglês do conto Signs and Symbols, Signos e Simbolos, no site da revista The New Yorker.


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    [Aeternus:11028] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-02-17)


    - colaboração de Peter Mello, x.25 et alii..

    Resumo - Guia sobre a Reforma Ortográfica...   
     
     

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    [Aeternus:12465] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2009-10-07)


    - eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

    Começos inesquecíveis: Tolstoi é o campeão

    Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.

    "A força de aforismo e o jeitão de verdade universal do início do romance “Ana Karenina”, de Leon Tolstoi (tradução de João Gaspar Simões), conduziram o escritor russo a uma vitória incontestável na eleição do começo mais inesquecível de todos os tempos. Como eu disse no já distante agosto de 2006, quando ele apareceu pela primeira vez aqui no blog, esse início “conseguiu virar aquilo que a maioria dos escritores só ousa perseguir em sonho: máxima, aforismo, provérbio, dito popular, pérola de sabedoria que parece não ter dono, mas brotar diretamente do inconsciente coletivo”.

    A disputa foi animada. “O estrangeiro”, de Albert Camus, largou na frente e chegou a dar a impressão de que seria imbatível, mas acabou ultrapassado tanto por “Ana Karenina” quanto por “Lolita”, de Vladimir Nabokov (ah, esses russos…). No fim das contas, o pódio ficou assim: Tolstoi, 41 votos; Nabokov, 35; e Camus, 33.

    Nas três últimas posições, houve empate entre “Moby Dick” e “Grande sertão: veredas”, com 23 votos cada um, e a lanterna sobrou para “Memórias do subterrâneo”, o preferido de 14 leitores.

    Confesso que, como torcedor, saio um pouco frustrado da disputa. Entre os seis finalistas escolhidos pelos leitores, torci alternadamente por Camus (com a cabeça) e Nabokov (com a “carne”, como ele mesmo diria). Quando falo, ali em cima, em “jeitão de verdade universal”, é por desconfiar que a abertura campeã, vagamente enquadrável na categoria jornalística do nariz-de-cera, tem mais forma do que conteúdo. Não sei se as famílias felizes são todas parecidas ou se a infelicidade familiar carece de um denominador comum. Afirmar o contrário talvez funcionasse também. Mas é claro que, sendo Tolstoi um ficcionista e não um terapeuta, ponderações como essas são meio tolas.

    A todo mundo que garantiu o sucesso desta brincadeira (foram 188 comentários apenas na rodada final, enquanto o blogueiro tirava umas curtas mas talvez não imerecidas férias), meus agradecimentos sinceros. E até amanhã."

    Guto


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    [Aeternus:12467] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2009-10-07)


    - RE:eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

    A frase é ótima, mas sempre achei que deveria ser o contrário> "Todas as famílias infelizes se parecem entre si; as felizes são felizes, cada uma, à sua maneira".
    Porque a felicidade (ou alegria, vamo ser modestos) é criativa e variada. A infelicidade é sempre cinza-chumbo, sem matiz.
    Opinião de Gallego

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    [Aeternus:12469] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-10-07)


    - RE:RE:eleição do melhor início de romance - blog do Sérgio Rodrigues

    Acho que vou informar ao escritor-blogueiro que as primeiras linhas de ADA ou Ardor, do Nabokov, são parecidas com as do Tolstoi e com a proposta do Gallego!

    O primeiro capítulo inicia-se com:

    "Todas as familias felizes são mais ou menos diferentes; todas as famílias infelizes são mais ou menos semelhantes," disse um grande escritor russo no início do famoso romance[...] Essa afirmação tem pouca ou nenhuma relação com o que será relatado aqui, a crônica de uma família cuja primeira parte talvez esteja mais próxima de outra obra de Tolstói, Diétstvo i Otrotchestvo( Infancia e pátria, Editora Pontius, 1858).


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    [Aeternus:12554] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-10-27)


    - esgrima no segundo plano

    Gallego escreveu, há tempos e está na página do site sob "Sinais e Simbolos":

    "Retomando as críticas de Jansy Mello ao pensamento de Freud, sobre a elaboração do luto, que se faria por meio do abandono aos investimentos no objeto perdido para reinvestir-se em novos objetos, como forma de elaboração "saudável".  Como ela, eu também não acredito em tal  substituição tão mecanicista. Pode ser com objetos-coisas que investimos com nossa libido narcísica...Mas com pessoas de relacionamento significativo?!  Acredito que durante o luto inicial não se consiga investir em novas catexes em novas relações; e que até mesmo os investimentos em antigos objetos fiquem "em banho-maria", num limbo. Mas acho que quando investimos em novos objetos, o que se faz é criar novas catexes, "produzir" mais libido nova para novos investimentos, porque a memória do objeto investido que foi perdido fica (e Freud dava tanta importância aos resíduos mnêmicos!) e fica de modo mais ou menos forte. Irá empalidecendo mais ou menos com o tempo, mas acho que o que se perde com o objeto e que também dói muito é o próprio investimento que vai de roldão com a perda do objeto.

    Para mim, isto é fácil de pensar se aceito a proposta de Kohut de que a libido investida no objeto não é "objetal" porque investe em objeto e a libido não é "narcísica" porque foi investida no Eu. Ao contrário da idéia freudiana e de todas as demais escolas psicanalíticas, segundo as quais, o investimento narcísco será sempre inversamente proporcional ao investimento objetal, Kohut achava que havia "libido de qualidade narcísica" por si mesma que é investida em selfobjetos, experimentados inicialmente como "parte do Eu" e , com o tempo, podendo ser aceitos como selves independentes, com autonomia própria e necessidades de um modo geral análogas às nossas. Claro que este processo nunca se dá nem total ou completamente pois haveria sempre uma vivência meio-eu-meio-o-outro" - e quando o outro marca a diferença radical pela morte ou desparecimento de qualquer tipo, sempre vai com o outro um "pedaço de mim" que não volta mais. "

    Entendi os argumentos do Gallego na época e no contexto da história a qual ele os aplica. Relendo ontem, ainda achava que entendia. Agora, como Browning e seus poemas, será que só Deus (e o Gallego) os entende?

    Vejo uma clara diferença entre Freud e Kohut, como ele mesmo aponta. Para Freud, no processo do luto, a libido objetal é devolvida ao ego (porque o objeto desapareceu). Esta energia agora carrega o ego, mais frequentemente ela investe no superego e vou ter que ler tudo outra vez porque esqueci do processo, lembro apenas que a representação do ser querido que morreu é acrescida do ressentimento pela sua perda, gerando um objeto muitas vezes persecutório. 

    Que coisa, esqueci a teoria completamente. Mas, enfim, é diferente do Kohut. No entanto, para Freud a libido é apenas uma e ela se torna narcísica quando o investimento externo for dirigido ao ego ( ou se origina do ego) ou quando se endereça a alguém semelhante a ele (ideal). A libido objetal é sempre aquela que investe no mundo externo mas, se frustrada, retorna ao ego. 

    O que, assim me parece, que Kohut sustenta de novo e fascinante, é a chance de se pensar nos diversos destinos dos investimentos no mundo ( amorosos, libidinais portanto) e suas redes e da complicação que é perder o objeto e desativar redes que podem ser tão extensas que criam o universo no qual o sujeito habita. Dá para desenvolver coisas a partir deste ponto. Por exemplo, a diferença entre investimentos no objeto que são intensos, mas pobres em ramificações (gerando o apego obsessivo) e os que são extensos e se espraiam pelo campo de interesses partilhados pela dupla. Acontece com as mães, acontece com os amados...

     


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    [Aeternus:12555] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2009-10-27)


    - RE:esgrima no segundo plano

    Sem problemas!

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    [Aeternus:12556] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-10-27)


    - Joyce bisexto

    Meus passeios pelo Finnegans Wake, de James Joyce, sempre foram esporádicos ou, talvez até menos, eram sem esporas mesmo. Partilho seu prazer com a palavra e a riqueza de associações quando são quebradas e remontadas para acentuar multiplos sentidos ocultos ou possíveis. Tenho o estranhamento do exilado com linguas distantes que favorece a linguagem entrevista como materialidade e "vítreo alçapão". Mas... mesmo rindo, deleitada com os achados do tradutor que me obrigam a ir e vir entre inglês e portugues, mais a gordura dos embutidos, siderada pelas estreminhas no labaro desfiado na Voluntários da Pútria em dia de farriado, mas..dizia ou não dizia, me sinto violentada o tempo todo, quase em pecado. O engraçado é que apresentam este romance do Joyce como pertencendo ao campo da noite e do onírico e, francamente, ali não tem nada de sonho, nem sonhador, nem sonhado. Só a peçonha de um pessonhado. Controle. Morte da subjetividade. Esfacelamento da voz. Vou insistindo, oscilando, indo e rindo mas, no fundo, revoltada e assujeitada a uma coisa muito criminosamente louca. A própria poesia que aparece em ritmo e imagem é produto das metáforas abatidas e putrissangrentas. Até escrever no mesmo embalo, jogando com as letras, quase me envergonha porque, entre tanto e tanta, devo entrar num plágio qualquer.  Arre. 

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    [Aeternus:12557] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2009-10-27)


    - RE:esgrima no segundo plano

    Testando novo navegador Google Chrome Gallego

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    [Aeternus:12558] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2009-10-27)


    - RE:RE:esgrima no segundo plano

    Gallego, agora responde a Jansy e a mais quem se interessou pela mensagem em que ela cita algo antigo que eu escrevi. No início da leitura tive medo de não me identificar com o escrito (a Nara Leão dizia que entrevista era um problema porque anos depois as pessoas cobravam que ela pensasse do mesmo modo que pensava anos antes sem lhe dar liberdade de mudar de ideia). Mas não me estranhei, até confesso que gostei da redação em forma e conteúdo. Narciso explica. Achei fantástica a ilação feita por Jansy: por isso é que eu gosto de ler bons comentadores sobre outros autores; a já falecida psicanalista francesa Agnès Oppenheimer foi uma excelente crítica de Kohut ao compreender os elementos que ele propôs como "sistemas ilusórios do self" - ou do Ser, eu diria - para se constituir e estruturar como tal na vida de relação real e fantasmática. O que Jansy escreveu é muito bom, vou usar: "chance de se pensar nos diversos destinos dos investimentos no mundo ( amorosos, libidinais portanto) e suas redes e da complicação que é perder o objeto e desativar redes que podem ser tão extensas que criam o universo no qual o sujeito habita. Dá para desenvolver coisas a partir deste ponto. Por exemplo, a diferença entre investimentos no objeto que são intensos, mas pobres em ramificações (gerando o apego obsessivo) e os que são extensos e se espraiam pelo campo de interesses partilhados pela dupla. Acontece com as mães, acontece com os amados..." Além da ideia, a formulação é bem bacana mesmo! Lembra (pela forma apenas) o que Kohut diz do analista poder ter um self coeso e uma identidade não-rígida. pois do contra´rio, um analista homem não toleraria transferências "maternas" se sua identidade de gênero for rígida; e o analista empático e com capacidade de identificação, sem um self coeso, se mistura com o analisando. É preciso elasticidade sem descentramento absoluto. Os detalhes do Freud sobre o luto eu tb não sei. Quastionei (a partir de Jansy questionar) e me desinteressei... Kohut tem propostas bem diferentes mesmo de Freud; outras remontam ao Freud de até "Sobre o Narcisismo (1914) especilamente quanto aos instintos de sobrevivência (ou do Ego) e os insts. sexuais. Sem concordar com, nem entender Kohut ao pé da letra, Jansy entendeu mais do que muito kohutiano talmúdico desta vez. Dimensionou.

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    [Aeternus:12559] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2009-10-27)


    - RE:RE:RE:esgrima no segundo plano

    Talmudica, é? Agora é o meu narcisismo que se infla.

    Um amigo estrangeiro sem querer mudou uma frase do Vinicius, notando que "a vida, posto que é chama, seja eterna enquanto dura" ( ele colocou "life" no lugar de "love"). Eu ia corrigi-lo quando percebi que vida e amor podem ser intercambiáveis neste verso. E talvez até no seu reverso, quando entra a fantasia para criar uma nova extensão do mundo, essa rede generosa que nos segura (e sem nos privar dos rolinhos primavera da Rosa Purpura do Wooody Allen).  


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    [Aeternus:12840] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-08)


    - gallego, me faz um favor, ou Cyro...

    Alguém pode enviar o material abaixo para nabokv-l@utk.edu em meu nome? Atenção, em nabokv falta o o propositalmente.  
    OPINIÃO

    originalmente Zero Hora Jan.7, 2010, Porto Alegre

    Com ou sem abismo

    VERISSIMO

    Um personagem do Vladimir Nabokov diz que o escritor deve manter-se sempre "à beira da paródia", mas tendo do outro lado "um abismo de seriedade", e deve saber equilibrar-se neste estreito caminho "entre a verdade e sua caricatura". O próprio Nabokov foi quem melhor seguiu o conselho do seu personagem, que também serve como uma receita para o pós-moderno, embora Nabokov fosse o primeiro a rejeitar o rótulo. Em muitos dos seus textos, culminando com "Lolita", em que o narrador Humbert Humbert faz uma autocaricatura trágica, Nabokov soube manter o equilíbrio, não caindo nem no vazio do puro humor nem no vazio do outro lado. O resultado é que nunca se viu alguém fazer piruetas tão engraçadas na borda de um abismo.

    Antes de Nabokov, não muitos tinham tentado a proeza. Graham Greene dividiu sua obra em duas categorias, os romances sérios, marcados pelos tormentos sobre pecado e remissão de um católico relapso e pelas suas preocupações políticas, e os que ele chamava de "divertimentos" e eram apenas isto, livros divertidos. Foi uma maneira de Greene escapar da rotulagem da crítica, e também de escapar do abismo. A verdadeira divisão da sua literatura é um pouco como a que divide as águas minerais, no caso "com abismo" ou "sem abismo".

    Woody Allen, em alguns dos seus filmes, tentou misturar humor e seriedade sem que uma coisa "corresse" na outra como tintas numa aquarela. Mas — fora o fato de que o personagem Woody Allen é sempre um angustiado com condição humana e portanto já caiu no abismo — ele prefere manter a separação. Comédia é comédia, mesmo que a maior piada de todas seja que no fim a gente morre.

    Já na literatura atual (ouço dizer, não tenho lido nada) tem muita gente seguindo a trilha nabokoviana, ou fazendo humor sem dispensar o abismo. Um pouco, imagino, porque, como tudo já foi feito em literatura, uma certa dose de paródia, mesmo não intencional, é inevitável. E um pouco porque até os "divertimentos" mais descomprometidos agora precisem de um centro de gravidade (estão usando muito a palavra "gravitas") para serem pelo menos mais respeitáveis. O fato é que hoje quase todos que escrevem são equilibristas.

    NOVIDADE

    (Da série "Poesia numa hora destas?!")

    Queremos truques novos, nada com cartas ou lenços ou focas jogando bola. Rápido: um coelho tire um mágico da cartola!


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    [Aeternus:12841] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-08)


    - pequena cronica

    Trouxe para minha viagem alguns livros, não muitos, porque sempre compro novidades nos aeroportos. Já terminei de ler o último do Veríssimo, engraçado, tocante e cansativo (democrático demais). Também acabei as histórias de uma aldeia em Israel, de Amós Oz (que conquistador imaginário ele é) e a atmosfera dos pequenos relatos que viajavam de uma solidão a outra ainda me acompanha, assim como um cachorro discreto numa história, um cachecol e, já por aqui em Gramado, como o cheiro de linguiça defumada que impede que, do hotel em que estou se possa sentir o cheiro de um vale plantado de pinheiros e hortencias.

    Creio que sinto mais falta de escrever do que de ler, embora não possa dizer o mesmo que Oscar Wilde, sempre com papel e pena na mão porque carregava seu escritor favorito sempre consigo. Acabei baixando na LAN do hotel, como intrusa entre os jovens que tem seríisimas ocupações no orkut e messenger ou lembram das senhas de acesso ao hotmail ou gmail. Envergonhada, como quem se ocupa de um prazer ilícito. Esperava que houvesse mais animação no aeternus!

    Gostei de ler sobre o Daniel Sibony, que conheci nos anos oitenta e comprei todos os livros dele, encantada, mas não consegui ler porque foram impressos com tipos diminutos. Ainda por cima, tudo em frances. Ele fez uma série de conferencias num hotel do Rio, aquele redondo grandão que está desativado agora. Psicanálise. Lacan. E, de certo modo, com um aroma oriental que introduzia novos poros na forma de se ler os textos que se acreditava conhecidos.

    Hoje fui na Lagoa Negra, com um parque de hortencias e pedalinhos (não dá para falar de Gramado sem incluir, em cada frase, a palavra hortencia, uma flor que é linda se vista de perto e, ao longe, surpreende como pés de repolho esticando os pescoços). Cisnes grandes e pequenas galeras com velas, cheios de crianças entusiasmadas a deslizar na água. Uma visão incongruente e, ao mesmo tempo, bonita, com uma estranha harmonia.

    Também passear de teleférico sobre montes de (claro) hortencias até chegar a uma distancia razoável das quedas d'água se precipitando no rio... muito lindo, com neblina subindo e a natureza respirando mais solta depois dos temporais. Até um passeio a uma casa germanica, de colonos serralheiros e artezãos, chamda "castelo do caracol" foi especial, embora a propriedade tivesse sido transformada num museu familiar sem muita duração ( era tudo do começo do século vinte, com brinquedos que eu conhecia, tijelas, gamelas, lampiõesm, ursinhos de pelúcia) mas polido, encerado, com roseiras e um aroma especial de maçã. Pena que, quanto às maçãs, tivesse me sentido enganada pela pose da neta Franzer que se agitava sobre um legítimo fogão a lenha alemão com tachos de doces: o que ela apresenta como torta de maçã (Apfelstrudel) com receita tradicional mantida como segredo da família é uma embromação sem nome. Me deixou com um travo no coração. A cidade ainda é toda a véspera do Natal, que não chega nem passa, com casas de papai noel, ruas totalmente decoradas, desfiles e show de fogos. Na maior parte do tempo, acho gostoso circular entre anjinhos e dourados ouvindo "O Tannenbaum", em outros momentos experimento o memso desgosto que o da torta de maçã da genuina castelã do caracol.  O espetáculo noturno tinha tenores e um barítono (em gravação) cantando no meio de um lago iluminado, com coral em tons pastel de rosa e azul e uma turma na percussão caprichando nos tambores da Carmina Burana ou da Ode a Alegria do Beethoven. Belas vozes a dos cantores brasileiros de quem nunca tinha ouvido falar e nem me recordo dos nomes. Aqui vou misturar os shows porque todos tem nomes parecidos, ligados ao natal. Morro do Pinheiro de Natal, Natal na Colina, Papai Noel na Colina, Natal com Luzes, coisas no genero.  Havia um desfile na rua com anjos esvoaçando em patins de rodas, neve de espumas de sabão, crianças vestidas de duendes, anjos, biscoitos de gengibre e todas felizes da vida de estarem se apresentando na rua. Minha neta adolescente comentou:"Como é que os garotos não tem vergonha de virarem cambalhotas vestidos de arlequim? Lá no colégio quem topasse seria alvo de piadas durante o ano inteiro." É. Há um jeito inocente de entrar no jogo das pessoas, fazer palhaçada e que ignora a pose dos jovens metidos. O problema é mergulhar neste clima, sem saber sair dele. Pegar o jeitão de caipira ou palhaço pro resto da vida... Aqui, no entanto, foi muito bonitinho, organizado com cuidado por uma equipe enorme que circulava vestida de roupas negras para não chamar atenção, mas fazia sombra sem parar... Minha primeira viagem ao Sul. Pra mim, gaucho é gente de outro planeta.


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    [Aeternus:12845] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-14)


    - depoimento sobre Haiti

    DEPOIMENTO

    O Haiti já estava de joelhos; agora, está prostrado

    OMAR RIBEIRO THOMAZ
    ESPECIAL PARA A FOLHA, EM PORTO PRÍNCIPE (HAITI)

    No dia 12 de janeiro de 2010, o mundo ruiu em Porto Príncipe. Um mundo já frágil e parcialmente em ruínas foi-se abaixo. O Haiti já estava de joelhos. Agora, com a destruição de sua capital, está prostrado.
    Os principais edifícios desabaram, entre eles o palácio nacional, vários ministérios e a catedral; no segundo dia da volta às aulas, jovens estudantes de escolas e universidades procuravam seus amigos entre feridos e mortos nas calçadas e choravam aqueles soterrados.
    As operações de resgate são, até o momento, uma promessa, e é evidente que as forças internacionais da ONU não estavam preparadas para lidar com uma calamidade desta natureza.
    Sem Estado e diante da inoperância da ONU, os haitianos estão entregues à própria sorte. Após o terremoto, as ruas da capital e as vias que a conectam com os subúrbios e com Pétionville, ficaram absolutamente obstruídas. Carros foram soterrados por muros e prédios; também foram abandonados nas vias estreitas de uma cidade que já possui um trânsito caótico.
    Na hipótese da existência de ambulâncias ou veículos de resgate, não teriam como passar. Mortos e feridos se aglomeram nas calçadas, indivíduos correm horas e horas para chegar em sua casa e ver como se encontram os seus, outros parecem andar e correr sem destino.
    Diante da falta absoluta de ação de qualquer instância para atender uma cidade subitamente transformada num campo de refugiados, os saques são inevitáveis, e escutamos tiroteios em distintas partes da cidade.
    A comoção inicial, traduzida em cânticos e em clamores para "Jesu" e "Bon Dieu", cede pouco a pouco a uma sensação de frustração sem limites, de raiva. Historicamente, o mundo insistiu em ignorar o Haiti e sua grandeza.
    Ao embargo político e intelectual secular -como definir de outra forma o ostracismo ao qual foi relegado o Haiti após sua vitoriosa revolução que culminou com sua independência em 1804?- sucederam-se intervenções e ocupações que sempre procuraram negar aos haitianos o sentimento do orgulho dos seus feitos; e, por fim, o golpe de misericórdia, a imposição de uma agenda ditada pela Guerra Fria, que, entre os anos 1950 e 1980 destruiu o Estado haitiano (ao contrário do que pensam alguns, o Haiti possuía um Estado, nem melhor nem pior do que os seus congêneres latino-americanos e caribenhos), fragilizou suas instituições, criminalizou os movimentos sociais e arrebentou seu sistema econômico.
    Não foi a interferência americana que destruiu o plantio de milho e interrompeu as conexões existentes entre o camponês, os fornos e os consumidores? Ou outra intervenção que promoveu a eliminação do porco crioulo, base econômica de famílias? Ou o embargo internacional que promoveu o golpe final nas reservas florestais impondo o uso indiscriminado de carvão vegetal?
    Diante da fúria da natureza não cabe outro sentimento que o de uma frustração que deita raízes numa história profunda e que subitamente pode ganhar cor: o mundo dos brancos nos destruiu; o mundo dos brancos diz que quer fazer alguma coisa, mas o que faz, além de nutrir seus telejornais com fotos miseráveis que só fazem alimentar a satisfação autocentrada dos países ditos ocidentais?
    Não são poucos os agentes das organizações internacionais que anunciam que a "comunidade internacional" estaria cansada do Haiti. Após escutar os haitianos ao longo de anos, de tentar entender o sentido de sua história, digo que são os haitianos que estão fartos das promessas daqueles que dizem representar a "comunidade internacional". Afinal, por que estão aqui? Após seis anos de ocupação, os hospitais e as escolas ruíram. Depois da tragédia de Gonaives -quando essa cidade foi soterrada na passagem de um furacão, em 2004-, não teríamos de estar minimamente preparados para a gestão de uma calamidade?
    Não: a gestão foi entregue aos haitianos e haitianas, e, por que não dizer, ao "Bon Dieu".

    OMAR RIBEIRO THOMAZ, 44, é antropólogo e professor da Unicamp


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    [Aeternus:12846] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-14)


    - Haiti e Brasil

    visitante:Jansy, colaboração Katia Aguiar

    Zilda Arns morre em terremoto no Haiti

    A médica sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, morreu no terremoto no Haiti da última terça-feira, informou o gabinete do senador Flávio Arns (PSDB-PR), que é sobrinho de Zilda.

    O falecimento também foi confirmado pela Pastoral da Criança.

    Irmã do arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, Zilda teria morrido após escombros caírem sobre ela, enquanto caminhava na rua.

    Segundo o gabinete do senador Flávio Arns, Zilda estava acompanhada de um membro do Exército brasileiro – que não foi identificado – e teria morrido imediatamente.
    A Pastoral da Criança informou que Zilda estava no Haiti em uma missão da organização, participando de encontros com religiosos haitianos.

    Ela havia chegado ao país no último dia 10 e retornaria ao Brasil na próxima sexta-feira. Nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, Zilda tinha 75 anos e morava em Curitiba (PR). Ela deixa cinco filhos e dez netos.

    Assistência social

    Médica com experiência em saúde pública, Zilda também era coordenadora e fundadora da Pastoral da Pessoa Idosa, organismo que, assim como a Pastoral da Criança, é ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

    Fundada em 1983 por Zilda e dom Geraldo Majela Agnello, a Pastoral da Criança promove ações preventivas de saúde, nutrição e educação para crianças de zero a seis anos em todo o país e conta com 260 mil voluntários.

    Por seu trabalho de assistência social, Zilda Arns recebeu diversas premiações, como o Prêmio Woodrow Wilson de Serviços Públicos (2007) e o de Heroína de Saúde Pública das Américas (2002), concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde.

    Fonte: BBC (13/01/10)

    *A Associação Brasil Sem Grades aproveita para prestar solidariedade à família de Zilda Arns Neumann. Zilda foi uma mulher que dedicou sua vida a ajudar os outros, é uma grande perda para o Brasil.

    2010 @ Associação Brasil Sem Grades


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    [Aeternus:12847] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-18)


    - Haiti

    OPINIÃO

    Haiti, que ajuda?

    OMAR RIBEIRO THOMAZ
    OTÁVIO CALEGARI JORGE
    ESPECIAL PARA A FOLHA, EM PORTO PRÍNCIPE

    O TERREMOTO no Haiti, que afetou de forma particularmente arrasadora sua capital, foi há cerca de uma semana. O pouco de um Estado já frágil foi destruído, a missão das Nações Unidas foi incapaz de ir além de resgatar seus próprios mortos e feridos, a ajuda internacional tarda, e o que vemos são haitianos ajudando haitianos.
    Entre quarta-feira e sábado, caminhar pelas ruas do centro de Porto Príncipe e de Pétionville era observar o civismo dos haitianos que, muitas vezes, e como nós, sem entender claramente o que havia acontecido, procuravam cuidar dos feridos, resgatar aqueles que ainda estavam vivos sob os escombros, e dispor de seus mortos. O que vimos foi, de um lado, solidariedade, de outro a ausência quase que total e absoluta das forças da ONU e da ajuda internacional.
    Por quê? Afinal, a Minustah não estava no Haiti há cerca de seis anos e não dizia estar agindo no sentido de estabilizar o país e reconstruir o Estado haitiano? Quando nos perguntávamos do porquê da demora de disponibilizar comida e remédios já no aeroporto de Porto Príncipe para as centenas de milhares de pessoas que se aglomeravam nos campos de refugiados improvisados por todos os lados, a resposta era que não existiam canais locais capazes de serem mobilizados para a tarefa.
    Homens e mulheres que tinham vindo para ajudar, e as coisas que traziam, se aglomeravam num aeroporto controlado por forças militares americanas, como se de uma operação de guerra se tratasse.
    Após seis anos no Haiti, aqueles que diziam que estavam ali para reconstruir o país, não tinham entendido nada, ou muito pouca coisa. Quando fomos às praças e campos de futebol transformados em campos de refugiados, eram as "dame sara", mulheres que controlam as redes comerciais existentes no país, que garantiam o acesso dos haitianos a produtos; eram aquelas que cozinham na rua, "chein jambe", que ofereciam galinha, espaguete, arroz, feijão e verduras aos haitianos e haitianas aglomerados; eram caminhões pertencentes a empresários locais que distribuíam água potável. Haitianos ajudando haitianos.
    Por que não aproveitar esta energia e estas redes existentes para fazer chegar a ajuda? Por desconhecimento, talvez, ou talvez por duvidar de sua eficácia, ou da possibilidade de uma vítima ser mais do que uma vítima passiva à espera de ajuda.
    O desconhecimento, no entanto, é duvidável. Em nossa visita ao batalhão brasileiro da Minustah, horas antes do terremoto, pudemos ver na apresentação do coronel João Bernardes um extremo conhecimento do funcionamento da sociedade haitiana. Infelizmente, a falta de ajuda parece estar mais ligada às disputas internacionais pelo controle do futuro do povo haitiano do que à emergência da situação.
    Sim, os haitianos são vítimas, mas estão longe da passividade: pra cima e pra baixo, entre as "dame sara" e o "chein jambe", vimos jovens escoteiros removendo entulho, jovens pedido ajuda com alto-falantes, médicos haitianos dando atendimento aos feridos nas ruas, freira haitianas prestando os primeiros socorros quando possível. Paralelamente, o aparato da Minustah, cerca de 5.500 militares de diferentes nacionalidades, ou estava parado, ou mobilizado na atenção dos próprios quadros da ONU.
    Os haitianos ajudam haitianos, a ONU ajuda a ONU.

    Culpas internacionais
    Duas reações foram recorrentes nos dias que se seguiram aos terremotos. Uma, talvez a mais primária, era a de responsabilizar a natureza. A outra, a de responsabilizar os próprios haitianos pelo caos que sucedeu ao cataclismo. Afinal, foram incapazes de construir um Estado e, por isso, são incapazes de reagir.
    Ambas as reações são perversas. Não estamos só diante de um cataclismo natural, mas também de uma catástrofe social. E o desmantelamento do Estado haitiano não é responsabilidade exclusiva dos haitianos, muito pelo contrário. País com pouca margem de manobra no contexto caribenho ao longo das décadas de Guerra Fria, viu as grandes potências apoiarem uma ditadura regressiva e particularmente violenta; concomitantemente, e especialmente a partir do fim dos anos 1970 e ao longo dos anos 1980, o Haiti, como tantos outros países, foi vítima de profissionais engravatados que aplicavam a mesma receita em qualquer lugar: desregulamentação, estado mínimo, livre comércio.
    Foram as pressões do FMI e do Banco Mundial que obrigaram o Haiti a desproteger a produção de arroz no início dos anos 1980. O Haiti era, até então, autossuficiente em arroz.
    Em pouco tempo não só se viu obrigado a importar este produto, como massas de camponeses foram expulsas do campo para a capital do país, aglomerando-se em habitações precárias, as mesmas que foram abaixo com o terremoto. Tal como ocorreu com o arroz, o cimento também foi afetado. Antes era produzido no país, e desde finais de 1980 foi importado dos EUA, o que obrigou os haitianos a fazerem uso de tijolos pobremente produzidos com areia. Tais tijolos são frágeis e acabam afetando a própria condição das construções. E podemos seguir adiante para demonstrar que o desmantelamento do Estado haitiano foi obra da "comunidade internacional".
    Somente uma crítica sistemática ao próprio caráter da ajuda internacional nas últimas décadas poderá ajudar o Haiti a sair de um atoleiro que não foi construído apenas por ele. O que pudemos observar, além da passividade da própria comunidade internacional, capaz de mobilizar mundos e fundos, mas incapaz de conversar com as "dame sara" para imaginar uma saída criativa para a distribuição da ajuda, foi um movimento mais do que preocupante.
    Milhares de soldados americanos ocupam, mais uma vez, o país, como se houvesse uma situação de guerra civil, e o Brasil, já imerso há seis anos em toda essa lama, entra no circo das potências que querem "ajudar" o Haiti.
    Sem termos presente o fato de que o Haiti é um país soberano, e que os haitianos não são vítimas passivas de catástrofes naturais, dificilmente sairemos do circulo de pobreza e miséria criada pela própria "comunidade internacional", no qual o Brasil ocupa um trágico lugar central.

    OMAR RIBEIRO THOMAZ, 44, é professor de antropologia da Unicamp; OTÁVIO CALEGARI JORGE , 21, é estudante de ciências sociais na mesma universidade.


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    [Aeternus:12848] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-18)


    - Haiti e outras partes do Caribe...O Bom Pastor

    Numa promoção da Cultura, comprei um filme dirigido pelo R. de Niro (onde ele figura como general com diabetes, perdendo gradualmente os membros inferiores, como o personagem do Nabokov no seu livro postumo).  O tema é a criação da CIA.

    O elenco de "O Bom Pastor" ( "The Good Shepherd") deve ser de bons amigos do De Niro. Alec Baldwin, Matt Demon, Angelina Jolie, William Hurt. Há incerções de fitas em preto em branco, documentários da primeira e segunda guerra, discursos de Kennedy, Fidel, Hitler. Cuba e Cochinos.

    Não ouvi falar do filme. Alguém tem dicas?


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    [Aeternus:12849] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-18)


    - RE:Haiti

    Respondo com outro artigo. Na mesma linha, mas mais explícito. Davy. OS PECADOS DO HAITI Publicado em 15 de Janeiro de 2010 por Eduardo Galeano (tradução livre de Antonio Folquito Verona) A democracia haitiana nasceu há muito pouco. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e enferma não recebeu nada, além de bofetadas. Estava ainda recém nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de terem colocado e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos pegaram e impuseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que havia tido a louca aspiração de querer um país menos injusto. O voto e o veto Para apagar as nódoas da participação norte-americana na ditadura carniceira do general Cedras, os infantes de marinha levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para retomar o governo, mas o proibiram exercer o poder. Seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, porém mais poder que Préval tem qualquer burocrata de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha sequer eleito com um voto apenas. Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum de seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos o terra aos camponeses, não recebe resposta, ou o contradizem ordenando-lhe: - Faça a lição! E como o governo haitiano nunca aprende que deve desmantelar os poucos serviços públicos que ainda permanecem, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores acabam sempre por reprová-lo. O álibi demográfico No final do ano passado quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Assim que chegaram, a miséria do povo os atingiu frontalmente. Então o embaixador de Alemanha lhes explicou, em Porto Príncipe, qual é o problema: - Este é um país demasiadamente povoado - disse-. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode. E riu. Os deputados se calaram. Essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou as cifras. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, tanto quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilometro quadrado. Em sua passagem pelo Haiti, o deputado Wolf não apenas foi atingido pela miséria: também ficou deslumbrado pela capacidade de expressar a beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas. Na realidade, o álibi demográfico é mais o menos recente. Até a alguns anos, as potências ocidentais falaram bem mais claro. A tradição racista Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Uno dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”. O Haiti havia sido a pérola da corona, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e sobretudo uma alma boa num corpo inteiramente negro”. Em troca, Deus havia colocado um chicote na mão do feitor. Os escravos não se distinguiam por sua vontade de trabalho. Os negros eram escravos por natureza e vadios também por natureza; e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir ao amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrasse o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, desocupado, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, como o papagaio que fala algumas palavras”. A humilhação imperdoável Em 1803, os negros do Haiti ocasionaram uma tremenda derrota às tropas de Napoleão Bonaparte e Europa não perdoou jamais essa humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes sua própria independência, porém conservava ainda meio milhão de escravos trabalhando nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era senhor de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores. A bandeira dos livres se içou sobre as ruínas. A terra haitiana havia sido devastada pele monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França. Uma terça parte da população havia caído em combate. Então, começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia. O delito da dignidade Nem mesmo Simão Bolívar, que soube ser tão valente, teve a coragem de assinar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar poderia ter reiniciado sua luta pela independência americana, quando já havia derrotado a Espanha, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano lhe havia entregado sete navios, muitas armas e soldados, com a única condição que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que ao Libertador não lhe passava pela cabeça. Bolívar cumpriu com esse compromisso, porém depois de sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvado. E quando convocou as nações americanas para a reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas sim a Inglaterra. Os Estados Unidos reconheceram o Haiti depois de sessenta anos do final da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque possuem pouca distância entre o umbigo e o pênis. Naquele instante, o Haiti já estava nas mãos de carniceiras ditaduras militares, que destinavam os famélicos recursos do país para pagar a dívida com ex-metrópole: a Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à Francia una indenização gigantesca, como modo de ver-se perdoado por ter cometido o delito da dignidade. A história do assédio contra o Haiti, que em nossos dias tem dimensões de tragédia, é também una história do racismo na civilização ocidental. URL do artigo : http://www.cubadeba te.cu/opinion/ 2010/01/15/ los-pecados- de-haiti/

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    [Aeternus:12855] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-01-19)


    - RE:RE:Haiti

    Mais um texto que me enviaram e que incluo por aqui:
    FERNANDO DE BARROS E SILVA

    No coração das trevas

    SÃO PAULO - Centenas de homens disputam sacos de comida entre os escombros; a polícia, com nove guardas, tenta contê-los, em vão; um dos saqueadores cai no chão, atingido por um tiro na nuca, disparado por um policial; enquanto agoniza, outro homem lhe toma a carteira do bolso. A cena em Porto Príncipe foi registrada e relatada ontem na Folha pelo repórter-fotográfico Caio Guatelli.
    O jornal "O Globo" reproduziu outras duas imagens de um linchamento na capital do Haiti. Na primeira, um homem nu e com os pés amarrados é espancado a pauladas, cena observada por uma criança; na segunda foto, vemos apenas suas pernas, enquanto o resto do corpo, coberto por dejetos, arde ainda vivo sob a fogueira improvisada na rua.
    Estamos no estado de natureza hobbesiano -da guerra de todos contra todos. O que mais estarrece no Haiti é a falência total do Estado, a ausência de qualquer serviço público para socorrer as vítimas: não há bombeiros, não há defesa civil, não há atendimento médico -não existe governo.
    Sim, seria preciso construir um Estado no Haiti. Mas nas últimas décadas o Estado foi o grande vilão da comunidade internacional, visto como foco de corrupção e de ineficiência, um problema, nunca uma eventual solução. Foi o que disse o cientista político haitiano Robert Fatton, professor nos EUA, em entrevista ontem a Claudia Antunes.
    Bilhões de dólares transferidos ao Haiti nos anos 90 acabaram enredados e consumidos pela estrutura de ONGs, soldados e empresas americanas que atuavam no país. A sociedade civil planetária engoliu o dinheiro.
    Não se sabe o que será do Haiti quando o miserê sair do noticiário. Mais uma vez, é grande o risco de que a indústria da ajuda humanitária sirva mais à rede de ativistas e organizações internacionais do que à reconstrução da infraestrutura e à construção de serviços públicos no país. Já vimos o filme. É atroz, monótono e não tem final feliz.


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    [Aeternus:12863] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-20)


    - RE:RE:Haiti



    São Paulo, terça-feira, 19 de janeiro de 2010


    ELIANE CANTANHÊDE

    A derrota da vitória

    BRASÍLIA - Simples e verdadeiro, o artigo do antropólogo Omar Thomaz e do estudante Otávio Jorge, da Unicamp, mostra bem o que é o Haiti, o que representa a Minustah e quais as perspectivas (ou falta delas) do país e dos haitianos. E não falaram de cátedra só. Meninos, eles estavam lá e viram. Colocam o terremoto no devido lugar: devastador, mas não mais do que as intervenções, ocupações e massacres promovidos, alimentados ou ignorados pelas mesmas potências que hoje se arrogam em salvadoras da pátria -que elas e o terremoto destruíram. Quanto à Minustah, Jorge já escrevera que a ONU gasta meio bilhão de dólares/ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Citava um comandante brasileiro que admite que as tropas brasileiras estão ali com um só propósito: controlar a criminalidade germinada na miséria absoluta para depois transplantar a expertise para as favelas cariocas. O Haiti é um "laboratório".
    Justiça seja feita: tanto Jobim (Defesa) como Amorim (Itamaraty) cobraram, inúmeras vezes, mais verbas e a evolução da missão de paz (ou melhor, policial) para uma missão de reconstrução do país. Numa visita a Porto Príncipe, há um ano, Jobim defendeu que, contida a violência urbana, engenheiros do Exército seriam mais úteis do que soldados. A ONU (leia-se EUA) nunca fez a virada.
    Seis anos, milhares de militares de várias nacionalidades e bilhões de dólares depois, a pergunta é: para que serve a Minustah? Neste momento, segundo Jorge, serve para remover os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam os ricos visitantes estrangeiros. O povo?
    Ora, o povo...
    O dado mais cruel, porém, é que o Haiti é um país onde os escravos conseguiram se libertar e constituir a primeira República negra do mundo. Para Jorge, o trágico é que "os haitianos pagam diariamente por essa ousadia". Não é de chorar?


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    [Aeternus:12867] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-20)


    - RE:RE:RE:Haiti

    caramba!!!!!

    vocês viram o que a imprensa fast-food está dizendo? que os haitianos disputam com selvageria as coisas que chegam!!!! quanta discrepância!!!!

    júlia


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    [Aeternus:12868] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-20)


    - Selvageria...

    Quando eu era pequena fui enganada muitas vezes pela malícia de amigos (sempre fui a caçula das turmas, como pinto novo). Por exemplo, um grupinho comprava sorvetes de casquinha e um dos participantes fazia uma aposta para ver quem acabava com o sorvete primeiro. Eu comia o meu depressa e depois via todo mundo, lambendo gostosamente o seu, rindo de mim. Havia em mim uma sofreguidão selvagem e desnorteada que, devagar, aprendeu a ser contida. Era quando eu mirava com espanto outras crianças que se acotovelavam para ganhar um brinde distribuido pelo caminhão da coca-cola ou numa jogada comercial qualquer, típica daquela época, mantendo-me contentinha, de mãos abanando e à distancia.  E dois cartuns, ambos do Schulze. No primeiro, zangado com a Lucy que pisoteava seus castelos de areia, Linus monta um canhão de areia apontado para ela. No segundo, é o mar que leva outro dos seus castelos e ele comenta, cabisbaixo:"tem uma lição que devia aprender disso aí, mas não sei qual é."

    Ou seja, não sei porque o comentário da Julia evocou esta torrente associativa. Foi, talvez, pela aflição sobre os relatos a respeito da falta de alimentos e água para a população de Porto Príncipe. Em algum ponto da minha sofreguidão infantil, no embate com os interesses adultos de transtornar crianças, fazendo delas paspalhos da cobiça atuando nos dois lados, aprendi que é possível ser "selvagem" ao avançar sobre um objeto cobiçado e, simultaneamente, ser "selvagem" ao oferece-lo, de modo civilizadamente blasé, a quem precisa dele.

    A política que faz dos haitianos cobaias para treinamento do policiamento às favelas é selvagem. A intervenção americana, francesa e o escambau no Haiti é selvagem. E, entre todas, estas duas formas acima, contidamente sorridentes e beneficentes, são a pior selvageria que conheço. 


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    [Aeternus:12871] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-01-20)


    - RE:Selvageria...

    esqueci de assinar como visitante (no computador de casa, estou sem identidade!), a boboca do sorvete de casquinha (sabor morango) era eu. Jansy 

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    [Aeternus:12877] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2010-01-22)


    - RE:Selvageria...

    Pra ficar poraki, espero novas manobras pacificadoras genocidas:

    Colômbia x Venezuela

    Raposa do Sol x Nações vizinhas

    Fronteira Tríplice x Batman

    Bolívia x Petrobrás

    Chile x Peru

    Agrobusiness x Biodiversidade

    Contrapartida Social x Produtividade

    Monarquia globalizada x Repúblicas bana(na)lizadas

    Lavagem cerebral x raciocínio

    Tem mais... mas fui & bom finde!!


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    [Aeternus:12878] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-01-22)


    - RE:RE:Selvageria...

    Bem...dá pra tentar uma Loteca quebrando a cabeça entre coluna 1, meio e 2...

    Faltou listar Brazil X Honduras, E.C.Chávez X Mercados de Varejo Venezuela , e três partidas amistosas( ao menos até aqui...), Brazil X Haiti, UPA-Paes X Haiti e USA X Haiti.

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    [Aeternus:12879] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-01-22)


    - RE:RE:Selvageria...

    Viva, Omar!  Adorei as duplas como você as propos.  Mas o que vem depois? A grande síntese? Acho que, fiel ao seu espírito, teremos sempre novas duplas. Nenhum progresso para uma mentalidade de "grupo de trabalho" bionico. Mas, fora estas duplinhas de "ataque e fuga," temos, na mesma categoria grupal Le Bon/Freud- Bion dos supostos básicos psicóticos, "grupo messianico ou de dependencia" e o de "acasalamento." 

    Florião, sabia que havia um numero telefonico que foi anunciado assim: "todo brasileiro tem problema de coluna. Para solucionar ligue 123" e, como me doiam as costas, liguei correndo. Era, como no rol dos filmes do dia, um informativo sobre os resultados da loteria esportiva ( coluna do meio, etc) 


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    [Aeternus:12880] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-01-22)


    - RE:RE:RE:Selvageria...

    Para muitos apostadores, Loteca é coisa séria.
    Investem bastante, estudam jogos contendo milhares de inversões cercadas, possíveis zebras.Dá o gostinho de torcer, diferente dos números frios que surgem nas bolinhas das Mega-Senas da vida - honestas?...- que descem por canos frios premiando jangadeiros desdentados de Rondônia pra lá.Nenhum cidadão de classe média e com vida razoável tem chance de ser premiado ali.

    A Caixa, no entanto, cuidou de tranformá-la numa espécie de Paraíso da Mediocridade.Jogos que serquer sabemos se de fato aconteceram, em locais que sequer sabemos se existem são selecionados.Loteca Phantasma.A Caixa não quer pagar royalties para completar o teste com Real Madrid X Barcelona ou Manchester United X Liverpool, e programa Ximppanzé X Peste Negra, da 3ª divisão do Pará; Umbygolense X Mucilândia, pela 4ª divisão do campeonato paiuiense, e coisas na coluna.

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    [Aeternus:12899] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2010-01-27)


    - RE:RE:RE:Selvageria...

    Grande Visitante, boa questão!

    A grande síntese... Monarquia x República! Tô pronto pra aprofundar em qualquer forum! Esta guerra permanece no cerne de todas 'duplas', em constante mutação camuflada!
    Sua mais atual e avassaladoramente hegemônica face, pretende convencer a todos que tem gente demais na Terra! Pra manter as duplas: Gente demais x  Mais gente!

    Viva vida!


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    [Aeternus:12900] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-01-27)


    - RE:RE:RE:RE:Selvageria...

    Ei, Omar...não sei se você estava respondendo a minha mensagem, que ficou anonima (mas quem mais na lista menciona Bion senão eu?) É que não entendi seu comentário passando para Monarquia versus Republica e a questão de que "tem gente demais na Terra."  Acho que não é comigo que você está conversando...

    Seja como for, comecei a ver uma nova serie de Poirot em DVD, com produção caprichadíssima e dá para sentir o entusiasmo do pessoal que acumula carros antigos em cenários art-deco, aviões de cinquenta anos atrás pintados e se movimentando, o detalhe de cada peça de roupa e cenário. Enquanto via estas historinhas senti como, de cinquenta anos para cá, o mundo ficou superpopulado. Antigamente era mais verossímil supor que se podia ligar a notícia de uma morte de um ingles na Holanda com uma série de eventos na Inglaterra ( coisa comum não só na Agatha Christie, mas no Simenon e seu Maigret belga, também). Hoje a mortandade é tão grande que não dá para reter na memória as notícias de tantos tiros em Columbine, estupros por taxistas cariocas, incestos vienenses, desabamentos, incendios, inundações, fome e frio. O que organizava antes o mundinho burgues (e como são burguesas as histórias de detetive, o Mandel que me perdoe) era sua estreiteza que se projetava assim estreitamente enquanto se tomava como centro do universo.  Os que morrem no anonimato, sem voz, sem reconhecimento na história da humanidade hoje talvez sejam em maior número do que todos heróis que não foram cantados por Homero, tantos antes de Agamemnon e muitos mais na era da internet. 

     Divago, como sempre. O que queria dizer é que, a partir do seu comentário, percebi que era uma expressão do narcisismo atual achar que o mundo está se dissolvendo porque tem gente demais nele. Não acho "divertido" conviver com tanta gente, mas azar o meu... os paradigmas são novos e brincar de detetive como antes é apenas me entreter com palavras cruzadas ou quebra-cabeças de mil peças.


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    [Aeternus:12901] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-01-27)


    - RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

    Pessoalmente creio que nosso narcisismo-mor é acharmos que somos mais viáveis do que outras espécies, ou mesmo imortais.
    Pránum falar dos (esses sim !) imortais ratos e baratas americanas, que sobreviveriam a catástrofes de qualquer ordem e magnitude, incluídas alienígenas ou nucleares, os indicadores de nossa decrepitude são inexoráveis, estão aí de forma incontestável.

    Resta cantar com Lulu Santos, vamos viver tudo o que há pra viver ! vamos nos permitir, cada um na sua ética e dentro do possível...

    Detetives, superpopulação.Sim, nas histórias de detetives há uma Lógica e um mundo funcional.Burguesia assumida, então, seria uma espécie de imposição de padrão ao Fenomeno-lógico.

    Monarquia&Republikia&Anarquia.Sou a favor da Monarquia aqui desde que Rei Pelé assuma o Reino.Indamaisque D.Pedro de Orleans y Bragança foi para o fundo do mar no fatídico 31 de maio da Air France.
    (blague das blagues, ocorrida ano passado)Um grande amigo e psicanalista carioca comentou a respeito "ah !...ninguém naquele vôo tinha nada a fazer em Paris !" (???!!!) Repliquei "bien au contraire...sempre há algo a se fazer em Paris"...

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    [Aeternus:12904] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2010-01-27)


    - RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

    Gente demais x mais gente...

    Jansyta, eu também tenho essa síndrome do "descontrolamento palavrescológico intensivístico pseudo-esclarecentista"... tipo Dr Divago!

    com avós aprendi a falar
    com a voz aprendi a ouvir
    se quiser me ouvir, fala!


    I'll be back!


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    [Aeternus:12905] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-01-27)


    - RE:RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

    Ah... Dr Divago. Boa essa, assim como as linhas que terminam com "se quiser me ouvir, fala!"



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    [Aeternus:12907] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-01-27)


    - I'll be back...

    I'll be back? Estou esperando...

    Aquela tira do Calvin abre uma porção de perspectivas. Pode ser até denuncia contra os empregadores descuidados que ignoram as precauções concernentes ao trabalhadores, aviões, onibus, rios poluídos. Pode ser um retrato da criança que engana o superego para ser feliz. É essa versão a mais natural e divertida. Imita papai e mamãe, debocha e enfrenta onipotentemente os perigos porque os anjos da guarda costumam cuidar numa hora dessas.

    Quando havia menos gente no mundo era possível andar de moto na beira da praia, com cabelos soltos ao vento e braços levantados. Já fiz isso, ó céus. Hoje teria que usar um chassi na cabeça, cotovelos e braços, luvas e botas, máscaras. Não... assim não vale. Mas, que jeito?

    Aproveitar a vida é bom pra quem pode. Na velhice até trepar na cadeira é perigoso porque sobra pra quem vai cuidar depois. Dá pra enganar uma checagem daqui ou dali, mas não é possível exagerar.


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    [Aeternus:12933] Mensagem do Grupo54
    -Omar(2010-02-02)


    - RE:RE:RE:RE:RE:Selvageria...

    Se vocês tiverem dado uma gugolhada em "limits to growth - clube de roma - 1972", viram a face oculta dos genocidas contemporâneos, hoje camuflados por globalizadas campanhas de "salvem o planeta!!" Se ainda não gugolharam, recomendo.

    Estocolmo 1972 (Eco - 72) marcou o início de uma fanaticamente repaginada campanha despopulacional, cretinamente identificada como "Desenvolvimento Sustentável" (Brundtland Commission). Rio 92, Kioto, Copenhagem, vieram de lá... O Nobel de Al Gore idem! O graficuzinho demonstrativo continua repetindo a mes-ma falsidade intencional de Malthus&cia.
    "A farsa quando se repete, é história!"

    O link entre essa coisa "gente demais " e os interesses diretos da monarquia, ficam pra depois. A contestação "mais gente" e os interesses diretos dos Estados Nação, idem.

    *

    O SDI foi proposto durante o governo Reagan e elaborado por remanescentes dos "Founding Fathers". A Doutrina Militar atendia então pela sigla kissingeriana-louca MAD (mutually assured destruction). A proposta do SDI era trocar MAD por MAS (mutually assured survival), com implicações inúmeras. A coisa pegou aí. "Sobrevivência mútua garantida é o caralho!" (alguém jura ter ouvido ecoando nos corredores de Windsor).

    Falta gente pra espaço tanto!


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    [Aeternus:12934] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-02-02)


    - Malthus e o espaço vivo

    "A farsa quando se repete, é história!"

    Obrigada pela dica sobre a face oculta dos genocidas. Você já leu a solução final de Jonathan Swift para o dilema de Malthus? Arrepiante. Há uma edição novinha, com tradução razoável e que comprei na livraria da UnB, esqueci qual editora.

    Agora que teremos o filme "The Box" lembrei de uma questão que, de modo vago, foi levantada por uma amiga que só ouviu o galo cantar porque não acrescentou nada a denuncia: "Machado de Assis é um grande plagiador." Contudo, a história do filme recebeu tratamento por vários autores, entre eles Machado.Em frances existe uma frase comum:"tuer son mandarin," que remete a essa história. Para mim, contos podem ter uma mesma inspiração comum enquanto que a novidade (não-plagiadora) estará no estilo pelo qual são narradas. Fausto de Goethe e Marlowe. Romeu e Julieta de Shakespeare e não sei quem italiano. O mandarim na caixa...  E esta é mais uma divagação por minha conta, começando com a lembrança de Eça de Queiroz escrevendo sobre a fome na Irlanda ( dali passei pro Ao vencedor as batatas). Gente e fome. Homo homini lupus... E a pele de cordeiro dos grandes programas supostamente salvadores.

    Que susto. Levo susto o tempo todo. Basta acordar.

    (ass:Jansy e o visitante anterior deve ter sido Omar?)


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    [Aeternus:12943] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-02-02)


    - RE:Malthus e o espaço vivo

    Apenas 1 comment sobre essa coisa de "comer criancinhas swift": a carne é fraca!

    Pelo andar da carruagem a coisa Monarquia (gente demais) x República (mais gente) esclareceu-se, pois não?

    Se quiser me ouvir (mais), fala!

    OMAR


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    [Aeternus:12944] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-02-02)


    - RE:RE:Malthus e o espaço vivo

    Quem tem boca vai a Roma e quem escuta pega de volta Omar?

    Monarquia tem um peso maior do que achar que há gente demais, uma vez que sabidamente representa o poder de poucos sobre a maioria. Pega o governador Arruda: não existe aí o ranço do pior esmagando o melhor?

    Não sou partidária nem de menos nem de mais gente, muito embora o que eu penso não adiantará pra nada.  Sou ruim com números ainda por cima e pra mim, como para os antigos, o muito faz com que eu apenas mexa cinco dedos aflitivamente, os outros cinco paralisados e apreensivos.

    Como vou falar com uma multidão na cabeça e esperar ouvir um eco, qualquer? Não se trata, exatamente, de confessar a minha impotência diante do que está diante de mim e deixar ficar como está. Estou falando de impotência, é claro, mas escondendo outros dedos agarrados a uma certeza, harmoniosa e demodé.

    Pronto. Enrolei tudo. Agora, quem prometeu falar, que espalhe o tapete vermelho.


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    [Aeternus:12945] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-02-02)


    - RE: por falar em tapete vermelho...

    Nesse ano de Oscar Broxante fico esperando por notícias (ad)vindas de Grand Gallego ou Gal.Lego, dentre outras alcunhas !

    Estarei (certamente!)sintonizado em outra frequência, déçu avec l'absence das ilustres C(K)ates - Blanchett e Winslet -, com a (?)débâcle do meu queridíssimo Daniel Day-Lewis, com a macaquice-amestrada dos diretôres róliúdiânus e as (tres)loukadas escolhas de apresentadores pansies para dar um ar liberal à la kálifôunian style. 


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    [Aeternus:12946] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-02-03)


    - RE:RE: por falar em tapete vermelho...

    Caro Marcos: Acho que não é só o Oscar que anda broxante (coisa, aliás, que já vem sendo há muitos anos), mas os filmes de modo geral (no atacado; pois no varejo ainda pode haver gratas surpresas, mas bem esparsas).

    Desde já adianto que vi "Precious" e achei um verdadeiro "freak show" patético. Não acredite nos prêmios da tal Mo'nique como coadjuvante. Estão achando "Invictus" um Clint Eastwood menor; como ele não me convence como esse "grande" diretor que decretaram que ele é, posso dizer que o filme é melhor do que o abjeto "A Troca" que foi bem cotado em 2009.

    "Guerra ao terror" é muito hábil na direção e no suspense de uma sequência de cenas de esquadrão anti-bomba (sempre um suspense, não é? a bomba vai ser desarmada ou vai explodir matando o sujeito?), mas à parte mostrar que a guerra também pode ser uma compulsão irrsesitível como o jogo, drogas, etc etc, fiquei em dúvida se isso era uma crítica ou uma desculpa para a vocação belicista dos EUA...

    O filme que deve ganhar de "estrangeiro" é do Haneke que pode acertar em cheio como em "Caché", perpetrar barbaridades como em "Funny Games" ou se delciar com casos clíniocs como "Professora de Piano". Este "Fita Branca" é muito bom, mas muito pretensioso em sua propsota "em aberto"

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    [Aeternus:12947] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-02-03)


    - RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

    O visitante deve ter sido Gallego sobre os filmes de 2010. Mais broxante que o Oscar, só o Nobel. Quanto aos filmes (não vi nenhum dos enumerados) violentos e broxantes... é que o mundo vai mal mesmo. OU melhor, sempre foi mal mas havia um espaço alternativo de fuga como para a personagem feminina de Up in the Air. Ela tinha a vida cotidiana e um espaço livre, o que lhe permitia alguma tridimensionalidade, ao contrário do parceiro que era só aquilo, sem horizonte e sem terra firme. Esse filme me assombra ainda hoje. Filme oscarizável tem que ter alguma "grandeza" ou denuncia e o Amor sem Escalas não tem nenhuma coisa nem outra. Mas, pra mim, é campeão de estranhamento e sátira politica que me deixa, até, sem acreditar no Freud. Aliás, fizeram hoje uma referencia a um romance do Thomas Mann, "Disillusionment" como inspirando uma linhas de uma canção sobre mar sem horizontes e fiquei intrigada (não li esta história de Mann, só vi recentemente Morte em Veneza e me contorci de sofrimento com a crescente decadencia que fazia Dirk Bogarde cada vez mais homosexual, mais tropego, de cabelo mais ralo numa cidade contaminada) e fiquei adicionalmente tocada (afinal, mal sobrevivi à leitura do contemporaneo e conterraneo dele, Arthur Schnitzler em "Senhorita Elsa").

    Divagar e sempre? E o pobre do Sallinger, hem? Pobre? Ih, tem mais outra coisa que depois coloco, pois não dá agora. 


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    [Aeternus:12948] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-02-03)


    - RE:RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

    Curto o Haneke, também acho que eventualmente ele perpetra barbaridades, como frisa Gallego, mas em geral está construindo uma obra digna.

    Enquanto lia as associações livres de Jansy ruminava o desencanto, que se cristalizou no texto dela sob o título do Mann.Talvez o cêrumanu esteja já vivendo, em maior ou menor grau de consciência, seu disillusionment.

    No eterno retorno a Von Aschenbach, creio ser impossível alguma adaptação escapar do inconsciente&synthoma do adaptador.Se o conto de Thomas Mann é mais 'limpo' em termos de libido e/ou homosexualismo enrustido, a produção de Visconti arranha aqui e ali - e com tintas mais ou menos gritantes...- os phantasmas íntimos do estupendo realizador.Von Aschenbach é o esplendor intelectivo/existencial à procura da Beleza Perfeita, afinal, Beleza esta que surge diante de si na pele alva e nos cabelos angelicais de seu Tadjiù e suas vestes clássicas de marinheiro...

    (o que fazer?...) Cada um de nós terá seu obscure objet du désir, né?

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    [Aeternus:12949] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-02-03)


    - RE:RE:RE:RE:RE: por falar em tapete vermelho...

    No filme von Aschenbach teorizando sobre a beleza estava nítidamente equivocado e distante até mesmo do que produzia com sua música (na interessante conversa em retrospecto com seu amigo que falava da ambiguidade da arte, do aspecto demoníaco)

    A nota sobre Thomas Mann foi esta:

    Last night I found myself thinking about the song “Is That All There Is” that I had heard Peggy Lee sing and thought she wrote.  I Googled it and found she did not write it (but she did write so many songs) (though I still feel she owns it) and I found this interesting background in Wikipedia about the song:

    Did you know that the song "Is that all there is" was based on a Thomas Mann story?  I found the following on Wikipedia:

    "The song was inspired by the story "Disillusionment" by Thomas Mann, written in 1896. The narrator in Mann's story tells the same stories of when he was a child. (A dramatic adaptation was recorded by Erik Bauserfeld and Bernard Mayes and broadcast on KPFA in 1964.)

    One difference between the story and the song is that the narrator in Mann's story finally has a sensation to feel free when he sees the sea for the first time and laments for a sea without a horizon. Most of the lyrics of the chorus are actually spoken in the story."

    http://en.wikipedia.org/wiki/Is_That_All_There_Is%3F

    A outra promessa vem de um livro anunciado, aparentemente muito inquietante também, mas moderno. Esta, encaminho outra hora.


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    [Aeternus:12950] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-02-03)


    - Salinger e Nabokov

    A ligação que fiz com notícias recentes sobre Salinger, depois que ele faleceu, vem de uma crítica a um livro (desconhecidíssimo pra mim) que ofereceu trechos do mesmo.

    Nabokov entra só como mais um elemento. É que um rapazola russo que encontra mil referencias no Nabokov a Blok, Maiakovsky, Gumlyov e outros tantos nomes, vem praticamente demonstrando que Nabokov nunca foi "um garnde escritor americano, um genial estilista ingles" mas, sempre e predominantemente, um russo no exílio.  Nabok dizia que não tinha nacionalidade porque a arte era seu passaporte e acho que é isso mesmo, mas agora não sei se continuo acreditando na coisa com a mesma convicção.  Acho que a intenção do rapaz (especialista em ADA e em LATH, residente a vida inteira em São Petersburgo) não é desacreditar o espaço do seu ídolo entre os americanos, mas é o que está fazendo sem se dar conta. Os americanos se tornam laranjas dos interesses nabokovinos... Uma estranheza só.

    Enfim, retomando o que pensei ao ler sobre Salinger, este livro desconhecido de autor desconhecido que vi nas notícias e que tem mesmo muito de Beckett (outro escritor muito peculiar na vida particular e na escrita) 

    Reviewed by John Madera

    With all of the almost necrophilic releases of famous writers’ unpublished works (the recent posthumous publication of Nabokov’s The Original of Laura comes to mind), you might think, especially because of its affectless prose, its despairing tone, its absurdities and monotonies, that Kamby Bolongo Mean River is the last treasure trove from the Samuel Beckett estate:

    I didn’t forget about the you in how are you but when I think too much about one word and then another I sometimes decide I’ve had enough of the words and will listen only to the voice from then on. The words aren’t as important as the voice and when you only listen to the voice you don’t have to think about the words themselves. You can listen to what comes between the words and behind them.

    But no, although certainly navigating within similar troubled waters, Robert Lopez’s prose is his own. And it’s written as much with a mind toward revealing a solitary’s disturbed consciousness as it is toward telling an equally disturbing story. Kamby Bolongo Mean River’s estranged narrator is confined in some kind of holding cell with only a bed and a telephone. Through a mirrored window, doctors watch to see whether he chooses to answer incoming calls. The phone’s intermittent ringing—or at least the intimation that it might happen—in the story sets the narrator off into all kinds of circuitous conversations with himself, into self-absorbed reveries on language, or, rather, the failure of words to communicate meaning:

    The trouble is when I listen I don’t listen for the words. I listen for what is between the words and behind them. The way you do this is to listen to how the voice sounds. If you concentrate on the words you lose the voice and the voice is always too important to lose. How the voice pronounces each word is probably the most important thing.

    It is this mining of the words between the words, the interstitial remains of what is left unsaid, that provides the forward propulsion of Kamby Bolongo Mean River. The narrator’s conversation with himself has been going on, at least by his estimation, for over thirty-two years. He struggles with answering the phone because it will disrupt this presumably schizophrenic state. Though he’s in some kind of institutionalized environment, not much is definitively stated about where he is exactly and why he’s there. Yes, he’s in “a room with four walls and one window and almost nothing else,” and we also learn, through the narrator’s obsessing over it, that there is no television and air conditioner. Why he’s allowed the single convenience of a phone, and why, in whatever strange, debilitated condition he’s in, he’s allowed to have conversations through it, is never explicitly stated either. This is how the novel begins:

    Should the phone ring I will answer it. I will say the hello how are you and wait for a response. I will listen to what the person on the other end says. I will listen to the words. Sometimes I don’t listen. Sometimes I wait until the person finished answering the hello how are you so I can say whatever it is I’d been saying to myself before the phone rang.

    All this may sound bleak, but the book’s last lines signal to us that there may be some hope for the narrator:

    I will say you are who you are and where you are and I am who I am and where I am so let’s stop now with the hello how are you I have a headache and don’t feel like talking so please leave a message because I am fine.

    That’s what I’ll say should the phone ever ring again this next time.

    I will say I am fine which means please stop talking.

    The absence of commas, colons, semicolons—actually all punctuation save the period, hyphen, and apostrophe—in Lopez’s novel makes for an oddball kind of rhythm where thoughts collide and then are abruptly stopped only to start again, like turning on a faucet and then quickly shutting off the valve, only to let it spurt out again. Ordinarily, Lopez’s constraints would result in suffocating prose, but instead, the dispensing of most punctuation, the stripping away of inflection, of any remotely flowery description, results in sentences that precisely limn the narrator’s consciousness, a narrator who would, given a chance, “rewrite the dictionary” because “[t]here are a lot of words in there [he doesn’t] like the definitions for.”

    Kamby Bolongo Mean River’s unreliable narrator may sit comfortably next to Nabokov’s Humbert Humbert and Salinger’s Holden Caulfield, and also “Chief” Bromden from Ken Kesey’s One Flew Over the Cuckoo’s Nest, Charlie Gordon in Daniel Keyes’s Flowers for Algernon, and Patrick Bateman in Bret Easton Ellis’s American Psycho, although “sitting” may not be the best image, as I picture the narrator fidgeting around his cell, obsessing over trivialities, and almost choking with his crazed, insular, no, airtight, logic, and continuing to draw on the walls, masturbate, and interminably talk to himself.

    Robert Lopez’s carefully crafted, insistent prose is matched by his bold exploration of madness, abuse, emotional and psychological trauma, isolation, but also of one man’s self-motivated, if still ill-directed, plan for rehabilitation. Kamby Bolongo Mean River may just tie both your brain and stomach into knots.

    About the author:

    John Madera sees good in too-small glimpses, doubts that there’s a thing called a soul, and sometimes wishes there was a god so he had someone to blame. With his medicine woman and fierce little girl, he slips into the still, dusky spaces safe from the big city’s bright lights. www.johnmadera.com


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    [Aeternus:12965] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-02-04)


    - debra...

    Hoje fui checar algo sobre Debra Winger e fiquei surpresa com a história de vida desta mulher, nascida em NY mas que residiu em Israel e até prestou serviço militar por lá. Teve um acidente grave que a deixou cega por uns tempos ( o diagnóstico era de que não recuperaria a visão) e depois disso foi para a California, decidida a ser reconhecida como atriz. Fez até companhia à Mulher Maravilha... e a adoro como Kitty contracenando com Malkovitch.
    Ontem li um texto sobre um crítico de arte marxista, voltado para distinguir o moderno e o pós-moderno a partir da idéia de pastiche e paródia. Jameson, acho que se chama ele.
    A mudança no eixo pós-moderno susbtitui a palavra escrita, pelos icones, imagens, cinema e. segundo ele, desconsidera valores como memória, indivíduo, passado... Estou só jogando coisas por alto, quem sabe alguém retoma e então releio para ser mais articulada. Para ele o tempo na arte segue o tempo real da história. Uma fé danada a dele. Aliás, na atualidade o tempo cedeu vez ao espaço (daí sair de cena, pra ele, a palavra e entrar o cinema).  
    Dá para ler procurando pelo google (apaguei o link direto porque a mensagem pelo site com as firulas todas não era enviada) Volume 12 n°2 :NABOKOV : At the Crossroads of Modernism and Postmodernism -| - juin 1995
    John Burt Foster  :
    Parody, Pastiche, and Periodization: Nabokov/Jameson

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    [Aeternus:13432] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-05-08)


    - dica

    e sobre *grafo do desejo* de jaques lacan  vcs podem me indicar leituras masi fácies?  nossa senhora agora o bixo pegou!

    uma amiga me dise pra desencanar e ir me divertir pra ver se aprendo.... será??

    julia


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    [Aeternus:13433] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-05-08)


    - JULIA

    rapidinha: tem n seminário 20 de Lacan, " Mais Ainda", mas em outros lcais idem. Veja o material do aeternus escrito pelo Jaldo

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    [Aeternus:13434] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-05-08)


    - A imperfeição da pressa

    no site...o nome do autor é Jairo Gerbase.

    fui a Goiania assistir uma encenação da peça "Laio" escrita pelo Humberto. O diretor modificou discretamente o texto dando enfase ao coro, introduzindo uma bacante e cuidou de todos os detalhes da forma mais genial possível. Há anos e anos que não via um teatro tão bom. Chorei, não de pena do Laio ou de alguém, chorei porque lamentava os tebanos, a raça humana, porque era lindo, porque estava perfeito. Uma maravilha! Depois mando detalhes, ainda estou chegando da viagem ( de onibus)

    A polícia anda inspirada. Teve a operação Pandora e, soube, há uma outra chamada Laio (vigilancia associada à pedofilia) 


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    [Aeternus:13599] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-06-08)


    - artigo de Mercia Pinto no aeternus, primeira página

    Quem se interessa por música, estética barroca e a expressão das emoções pode dar uma espiada na primeira página do Aeternus e ler, sem exemplos, o texto integral do trabalho de Mercia Pinto ou, então, clicar para o novíssimo recurso de que dispomos: sua apresentação com recursos de multimida, slides e música.

    Para a última escolha ... 



     


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    [Aeternus:13981] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01)


    - solicitei ajuda do webmaster

    Thais, pedi pro meu filho conferir o que houve. Espero que ele acesse o computador por estes dias para olhar emails (está de licença, com LER)

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    [Aeternus:13983] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-01)


    - RE:solicitei ajuda do webmaster

    Obrigada Jansy. Filhos, em geral, sabem tudo! Beijo

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    [Aeternus:13987] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01)


    - pour Thais e a camisinha

    Thais, acho que sei o que aconteceu com você e sua nova lista. Você colocou tudo no espaço para explicar a abertura da Lista em vez de postar em seguida. Vou ver se resgato dali e coloco no site normalmente. Não estou certa dos procedimentos porque não consegui postar usando a lista nova, deu mensagem de erro...

    Respondendo ao caro humorista Marcos... adorei seu comentário sobre sua boneca inflável sueca...mas me explica como funciona de modo profilático???

    Ontem li sobre a punição aos dois rapazes brasileiros que estupraram uma francesa no trem ( e outros dois que ficaram olhando, sem intervirem) e fiquei horrorizada com o excesso (vinte e cinco anos presos?). Sei que estarei chocando as feministas mas, aos meus olhos (e não estou concorrendo com o Maluf ou a Martha), prender jovens por tanto tempo é um castigo medieval, extrapola tudo.


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    [Aeternus:13988] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01)


    - achei...

    o texto ficou mesmo no espaço explicativo da lista. Coloco aqui porque, por um motivo ou outro, a lista está defeituosa. Assim ele é aerado, mesmo se com um título novo, meio deslocado. 

    Eis o que Thaís incluiu ali:

    A África do Sul tem uma das taxas de estupro mais altas do mundo de acordo com a organização não- governamental Human Rights Watch. Também estima-se que 16% da população esteja contaminada com o virus HIV. Visando combater o crime sexual -pelo menos dar às mulheres uma chance de defesa- a médica sul-africana Sonnet Ehlers criou uma camisinha chamada Rape-axe, com garras que fincam no pênis quando ocorre a penetração. O homem não consegue urinar, nem andar, quando a camisinha fica presa e se tentar removê-la vai ficar ainda mais apertada. Pode ser retirada apenas por um médico, explicou a médica em entrevista a CNN, rede de televisão norte-americana. Acusada de criar um cinto de castidade medieval, a Dra. Sonnet se defende: "consultei engenheiros, ginecologistas e psicólogos para ajudar com o design e garantir a segurança do produto". Finaliza, dizendo que algo deve ser feito e assim os homens vão pensar duas vezes antes de abordarem uma mulher" Comentário: Acredito na boa intenção da médica, mas não consigo ver os benefícios efetivos que o novo artefato possa trazer para evitar a violência em seu sentido mais amplo. Ainda que venha a restrigir o "abuso sexual" sob o restrito aspecto da penetração do pênis, não leva em conta tudo que o precede, que, por sí só, é suficientemente traumático para a mulher. Além disto, os homens prevenidos não pensarão "duas vezes", como ela acredita, - pervertidos não pensam uma vez, o que dirá duas- mas tratarão de buscar uma "segunda alternativa". Me corrijam, se estiver errada, mas entendo que não é desta maneira que a mulher receberá qualquer tipo de proteção, além de ter que usar aquela invasiva geringonça. Que tal se pensassem numa medida realmente efetiva, como a intensificação da segurança, nas ruas de suas cidades, acompanhada de punição mais rigorosa aos infratores desta barbárie? Como se pode pensar em resolver um problema desta grandeza com uma medida tão precária, que de nada serve para evitar todo o sofrimento emocional causado a mulher ante a simples ameaça de um estupro? E vou além: se algum desavisado for atingido pela tal camisinha devoradora de pênis, não infligirá, por raiva ou vingança, à pobre vítima sofrimentos físicos ainda piores, que possam levá-la à morte? Que acham vocês??? Um abraço indignado...


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    [Aeternus:13990] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01)


    - RE:achei...

    Uma vez postada a matéria, pude lê-la. Concordo com a opinião da Thaís de que esta camisinha terrorífica não resolve nada (protege da aids, apenas, e se for o caso) principalmente porque perversos estupradores poderão optar por outras entradas que não a porta da frente do edifício. Fora as indignidades de antes e depois pela invasão ao corpo de uma pessoa indefesa e privada de voz.  Ao mesmo tempo, como escrevi há pouco, não acredito na intensificação das punições aos estupradores.  Quando retornar ao consultório verei se encontro um livro com estatísticas sobre estupros. Ali contam o que o exercito invasor russo fez com as camponesas alemãs, ou as habitantes de Berlim ( e os aliados, numa dimensão diferente, que pegavam até moças que haviam sido liberadas dos campos de concentração). O autor explica porque se faz silencio sobre os estupros cometidos por todo tipo de soldados (até da ONU, das forças de paz!!!), mas não me recordo dos argumentos que ele usou no que tange ao silencio (ou a divulgação de providencias de um lado, e não do outro, ou do problema mais amplo).

    Tema para muita discussão... O que fazer para proteger as pessoas do estupro? Que tipo de educação, de prevenção, de punição?


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    [Aeternus:13998] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-01)


    - de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    Alguém me disse uma vez que o "sal da terra" eram as mulheres. E acreditei. Seriam o tempero dessa existência, às vezes curta mesmo com areia na ampulheta para uns 90 anos, às vezes longa numa fila de banco. Bom, o sal, então, é a humanidade, mulheres, homens, variantes sexuais etc... O sal nos permite saborear um bacalhau da Noruega pescado há meses... mas pode dar hipertensão, problemas cardiovasculares etc. Cuidado com o sal da terra e o dos mares.

    Também não creio nessa "castração" que o artefato da Dra. Sonnet criou. E pelas razões já apontadas, além de outras que a imaginação puder alcançar, como por exemplo, o estuprador exigir que a vítima retire o artefato com o dedo, por exemplo. Sem juízo de valor cultural, complicada essa coisa da lei penal ser enxertada numa sociedade fracionada em tribos, onde o estupro fazia parte do espólio de conquistas. Mas não há justificativa plausível para a violência, obviamente. Nenhuma pena do agressor chegar num consultório com uma espécie de piranha agarrada no pinto (metal? Plástico?). Segundo um amigo meu, professor de História da África, ele diz que, além desse nefasto traço cultural, há uma lenda segundo a qual o sexo com uma virgem (menina, na prática) curaria a Aids.... dá pra imaginar o estrago, né? Além de estuprador (de crianças !!), soropositivo. Relativismo cultural é o cacete !

    Para não ficar na África e me acusarem de um injusto racismo, dizem que num (civilizadíssimo) país nórdico (acho que a Noruega, ou Suécia?) o índice de estupros tb é altíssimo. As mulheres têm que ser escoltadas em campings e ambientes que tais. Será? Seria uma herança Viking ?

    Curioso, as mulheres da lista consideraram demasiada a pena de 25 anos para os estupradores da francesa. O maior problema dessa pena é a mulher achar que a coisa foi tão, mas tão grave, que sua vida está devastada até o túmulo. Se fosse no Brasil, cumpria-se 1/3 da pena em regime fechado (se não fosse crime hediondo seria 1/6), depois, partia-se para o regime semi-aberto (só dormir no xadrez); trabalhando-se, a cada 3 dias de trabalho, elimina-se 1 dia de pena, bom comportamento etc etc etc, uns 5 ou 6 anos tava bom de-mais !!!! Não tenho muita opinião formada sobre a severidade das penas e sua eficácia... cada hora penso uma coisa... mas os benefícios deveriam ser mais limitados, sei lá.

    Também me assusta a unanimidade que esse governo alcança e a sensação de onipotência que exala, bem como a candidata oficial do Partido. Mas os 8 anos do PSDB não foram muito menos despóticos, não. Foi aprovada a reeleição, para um presidente que já havia sido eleito, num balcão de negócios para mensaleiro nenhum botar defeito... seria o mesmo que o Lula (sem tanta fleuma) propor o 3º mandato, o que lhe renderia de vez a fama de Hugo Cháves sub-equatorial... ao menos um pouquinho de simancol, ou de hesitação, DESSA VEZ, ele teve. E as devassas de sigilo, de intimidade etc, são uma verdadeira guerra entre partidos, infelizmente. Haja vista a gravação da operação da Polícia Federal contra a Roseana Sarney e seu marido, em 2002, quando ela era líder nas pesquisas. Dizem (e provam) que foi o Serra com seu staff e sua corrente política na PF. Lamentável sempre. Vou anular meu voto.

    Guto


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    [Aeternus:13999] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-01)


    - RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    Ai, Guto do meu coração... mulher ser o sal da terra, como tempero pra vida, como bacalhau da noruega? Valham-me Gunnar, Beowolf ou Sigfried. 

    Você foi o primeiro que afirmou e pronto final que anularia seu voto entre meus contatos. Gostei da idéia. Não sei a quem beneficio com a anulação, nem isso deve me afetar pois todos as opções são indesejáveis e não se pode fazer nada para evitá-lo, mas anular o voto é pelo menos "verdadeiro".

    A deformação das leis não deve influenciar a gente até um ponto demasiado pois senão fica como pedir preço mais alto na hora de pechinchar para conseguir ir abatendo devagar sem ter prejuízo. Sou contra a pena de morte e a prisão perpétua. Mas sei que isso não basta como postura diante de certas questões legais. Temo que, no fundo, achava interessante a idéia de degredarem para o Brasil os tipos criminosos dos quais se queria distancia em Portugal (do ponto de vista dos portugueses, claro).  

       


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    [Aeternus:14001] Mensagem do Grupo54
    -Thais Karam(2010-09-01)


    - RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    Não, Guto. Eu não acho que estes 25 anos seriam demais, mesmo porque sabemos que não seriam cumpridos. Fiz uma brincadeira quanto a amputarem o pinto desses  "meninos" que ainda não aprenderam a usá- lo com um pingo de consciência e respeito ao próximo.  E não acredito, não acredito mesmo, numa mínima possibilidade de recuperação. Mencionei uma frase muito usada lá no Sul: "cachorro que come ovelha, só matando".Abraço

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    [Aeternus:14006] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-02)


    - RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    Guto, aqui é o Gallego:
                                       Sobre o final da sua mensagem:
    Quando estoura algum escândalo sobre políticos eu nem me pergunto mais se é verdade ou calúnia; me pergunto apenas "Por que só agora?" ou "por que agora?".

    Pois a revelação de roubalheira (certamente antiga)  deve interessar a alguém (algum adversário político, é claro; mas o adversário ia levando porque também tem telhado de vidro; só que em algum momento a coisa pegou e o adversário "A" coloca o rival "B" no fogo, sabendo que pode sobrar para ele também; mas se o estrago em "B" for grane, "A" se beneficia e empurra com a barriga sua roubalheira, quem sabe menor, o que facilita dedurar o maior ladrão).

    A droga no Brasil é que os escândalos vêm, passam e tudo continua na mesma: Roseana & família tinham uma dinheirama ilegal em casa mesmo. Seo Serra foi quem armou, em um momento pontual nem interessa. Cabe aos Sarneys e/ou asseclas denunciarem o Serra no que ele tiver de rabo preso.

    Mas me parece que nada serve para nada mesmo nessa terra... e talvez nem só por aqui: o "cêrumanu" não falha: sempre pode apronatr outra, aprontar pior e pior ainda...

    Agora para Jansy: pois é, a gente tem experiência de gente que se analisou e mudou: muito ou pouco, em detalhes ou muito mais do que isso; mas também tem experiência de gente que "não tem perigo de melhorar" - ou de mudar - O que Jansy chamou de "insistência da pressão sintomática". As estruturas perversas arraigadas mudam? No lo creo... Mas fazem parte do todo da raça humana (ou espécie, ou grupamento, como queiram chamar esse "todos nós"). O que alguns fazem no extremos da curva (o abjeto monstruoso de um lado, o maravilhoso admirável de outro) existe potencialmente em cada um de nós. A gente por aqui tenta extirpar de alguma forma o "mal" (afastamento em presídios, em algumas regiões pena de morte, suplícios em outras, castração química ou física de tarados, sei la´mais o que...) Quase sempre muito frustradas tentativas de minorar as manifestações que talvez chamemos de "pulsionais destrutivas" (pulsão de morte, "destruto", "Thanatos", como queiram: muda-se o nome, consegue-se algum tipo de entendimento sobre os mecanismos psicopáticos, ou fazemos uma nova classificação... mas o potencial humano de destruição vai sempre exisitir. Ao lado da criatividade e alguns lampejos de solidariedade, concern pela alteridade, etc etc, no lado "bom" da gente.

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    [Aeternus:14012] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-02)


    - RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    Pois é Guto, já pensei nessa opção, como também votar em branco para ampliar o universo de votos,  contribuindo para que haja um segundo turno.


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    [Aeternus:14013] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-02)


    - RE:de sal, camisinha, devassas(os) em geral

    A gente costuma ter um vício digamos assim teleológico... de querer entender a direção que tomamos, adivinhar a destinação ou destino...buscar causas finais. Eu estava ansiosa para não votar em qualquer um dos candidatos, mas não conseguia me imaginar votando em branco. De repente, acho que foi o Gallego a partir da franqueza direta do Guto, me acenaram com um sentido: dar condições para um segundo turno.  Mas... com sentido maior ou sem, tenho que reconhecer que me sinto como o pobre falecido presidente Costa e Silva (só falta eu quebrar a champanha no meu casco ou arrotar na hora de dar a altitude e a rota do avião): "Topo Gigio...to pogigio" ( no meu caso, é "topogigia")     

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    [Aeternus:14032] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-03)


    - Neblinas e Sombras

    Apesar de apreciar sátiras e paródias, confesso que me senti um bocado "down" (deprimida, oprimida, achatada, arrasada, enfocinhada no chão... curiosas palavras para expressarem esmagamentos diversos) vendo, um depois do outro, os filmes com a Audrey ("Quando Paris Alucina" que vale, realmente, pela Audrey e por Paris, com cameos divertidos incluindo Mel Ferrer, Tony Curtis, Noel Coward...) e com Woody Allen.  Já tinha passado antes pela Barbara Streisand e Ives Montand falando sobre hipnose e a magia das flores...

    O filme "Neblinas e Sombras" (1992) é incrivelmente pretencioso. Projeta contornos como gritos luminosos ao modo do expressionismo alemão com um toque de estranguladores londrinos, puteiros e circos italianos e atores americanos.Cate Bates, Madonna, Jodie Foster, Donald Pleasance, John Cusak e Malkovitch...mais Mia Farrow e Woody, são os nomes que me chegam das zonas turvas da minha memória senescente.  Acho que não conseguirei assistir até o final. A fotografia é nota dez em técnica. O mesmo para ação dramática e para a atuação dos atores.  Mas a voz titubeante de Woody falando sem parar e estremecendo a cada segundo mata minha paciencia. Há clichés bem explorados ( a neblina se afasta, revela estrelas que estão tão distantes que elas podem nem mais existir ali no céu, a neblina volta, o tempo passa, vivamos no presente, etc), pausinhas filosóficas mas... o preço é muito alto para pouco creme.

    Woody, numa entrevista recente criticando a psicanálise, surgiu em defesa do processo alegando que, se não tivesse estado permanentemente no divã, já teria sucumbido à melancolia e deixado de produzir seus filmes criativos.  Verdade. Eis um exemplo de como a psicanálise não cura a pessoa de ser quem ela é, da sua repetição sintomática... mas serve para alguma coisa maior. Mesmo que o pobre Woody, com seu genio artístico, não fosse mais longe (pessoalmente) do que ego-trips rotineiras de expiação e auto-explicação, seus filmes em geral vão muito muito longe, apesar de tudo e de todas as estrelas que viraram pó.  Esse tal de "ego" é um perigo. Me pergunto se Freud alguma vez, ao lado de descrever esta instancia como associada à angústia e ao recalcamento, a apresentou como gerando ela mesma uma bolha gigante que obstrói o proprio sentido de realidade que estava encarregado de proteger e promover.  Fica-se no animo querelante, sem buracos para respirar...  Como adoro Woody-diretor vou me dar mais uma chance e rever o filme daqui a uns meses...  


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    [Aeternus:14033] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-03)


    - RE:Neblinas e Sombras

    A psicanálise é mesmo fascinante. Talvez um dos poucos caminhos que explique o humano de modo profundo. Mas os filósofos também buscam respostas para nossa condição. Talvez por isso que o título do tratado Sobre o Desprendimento do Mestre Eckhart chamou minha atenção. Nunca tinha lido nada desse autor comentado na lista.

    Em alemão, Abegescheidenheit – ,é um neologismo criado pelo mestre. Os comentadores  – Gwendoline Jarczyk e Pierre-Jean Labarriere - na introdução do tratado, dizem que a palavra tem uma estrutura negativa, pois ab assinala o distanciamento e o verbo scheiden – tem a idéia de partir, separar-se. Para o lingüista Hoffmeister, no Dicionário dos Conceitos Filosóficos, diz que, embora de estrutura negativa, Eckhart dá um sentido positivo ao seu neologismo – repousar-em-si, o ser-uno-consigo-mesmo da alma.
    A presença a si mesma, um-deixar-ser-si-mesmo sem nenhum tipo de acréscimo retira o sentido de uma atitude ascética ou voluntarista que implicaria uma separação mais ou menos violenta em relação ao mundo natural e humano.
    “O que se deve ler nele é a maior liberdade possível – não uma liberdade de sentimento, mas essencialmente de vazio, de sem vínculo real com qualquer outra coisa senão o que é – sendo “o que é” o todo originário sem nenhum tipo de acréscimo. ... o homem desprendido adquiriu liberdade em relação ao efêmero, mas é livre em relação a essa própria liberdade, na medida em que ela represente uma aquisição; portanto ele está livre do seu próprio desprendimento e de deus mesmo, na medida em que ele se acrescente ou acrescente o que quer que seja ao homem tal como é. O que está em jogo não é uma receita para efetuar o vazio em si mesmo e ganhar sabe lá que insensibilidade universal, e sim, mais essencialmente, um movimento de “irrupção e de “retorno” pelo qual o ser vem ao encontro de si mesmo tal como era desde sempre em Deus, antes que as criaturas existissem.Um “repousar-em-si”, um ser uno consigo mesmo” – um ser-si”.
    A visada é de uma realidade de ordem ontológica (repouso, unidade) que vale tanto para Deus como para o homem, já que define a própria lei do ser em sua dimensão de liberdade, ou melhor, na medida em que ele é o que é. O estado de desprendimento, muito mais um estado do que uma ação, provém de que um ser se possui tanto quanto é ele mesmo, segundo a verdade que ele é, que não tem a menor necessidade de acrescentar o que quer que seja nem ao que ele é, nem ao que é, pela simples razão de que ele é tudo.”
    Assim é que entendo o verdadeiro self: o homem se comportar de acordo com o que ele já é. Não seria atrás dessa condição que estamos correndo – ir ao encontro do que já somos, de algo que nos é essencial? Isso, se bem entendo, é o que também propõe o budismo original. 
    Cely


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    [Aeternus:14034] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-03)


    - RE:RE:Neblinas e Sombras

    Cely, belíssimo achado e transcrição cuidadosa do que significaria, em Eckhart, "Abgescheidenbheit"

    Bion citava muito Eckhart, mas sem explicitar muito. Pelo que li, parece que a própria proposta (que antes via ligada ao Freud porque, para este, quando se percebe não se pode lembrar nem vice-versa, desde o primeiro esquema do Projeto ) inspirou o "sem memória, sem desejo, sem compreensão." que preconizava para a postura do analista na sessão. Num sentido oposto, mas complementar, Bion propos o termo "at-one-ment" ( "atonement" é "reparação" ao passo que at/one/ment é "estado de união com o um"). Quando digo que é oposto, é porque para Bion o "one" não é "si-mesmo" mas o próprio vazio do Outro, é o que ele designa pela letra "O" e que, por sua vez, não tem a ver com o grande outro, o "A", de Lacan.

    Se eu ousar um pouco (faço isso, não é?) direi que a escolha das palavras, pelo Eckhart, não exclui algo externo ao eu. Não fui a um dicionário (sem tempo, preciso cuidar do almoço daqui a uma hora...) mas me recordo de um dos sentidos do verbo "scheiden" e que não é "dividir/separar"  mas "despedir/separar-se" de alguém. Acho até que divórcio é "scheidung." É palavra comum na poesia romantica, de amores que se separam...  O que estou apontando? É que, neste sentido particular, "scheiden" é despedir-se de algo que é "não-eu."  Precisaria ver com calma.  Variantes do verbo me levam até à palavra "despedida" ( "Abschied")   Um mistério verbal com ressonancias profundas!  


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    [Aeternus:14039] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-03)


    - recorte Gallego e Guto

    De uma mensagem anterior:                                  
    (do Gallego para o Guto sobre o final da sua mensagem):
    Quando estoura algum escândalo sobre políticos eu nem me pergunto mais se é verdade ou calúnia; me pergunto apenas "Por que só agora?" ou "por que agora?".

    Pois a revelação de roubalheira (certamente antiga)  deve interessar a alguém (algum adversário político, é claro; mas o adversário ia levando porque também tem telhado de vidro; só que em algum momento a coisa pegou e o adversário "A" coloca o rival "B" no fogo, sabendo que pode sobrar para ele também; mas se o estrago em "B" for grane, "A" se beneficia e empurra com a barriga sua roubalheira, quem sabe menor, o que facilita dedurar o maior ladrão).A droga no Brasil é que os escândalos vêm, passam e tudo continua na mesma...
          

    Faço-me perguntas semelhantes quando vejo filmes americanos tratando da CIA,FBI (principalmente com o ator dos prontuários de "Bourne"... Matt Demon) e outros quesitos. O que pegou a questão de uma denuncia atual sem tomar partidos do establishment fingindo denunciá-lo foi o filme "Amor Sem Escalas."  Até hoje tiro o chapéu para o roteirista. 

    Quanto o final da mensagem do Gallego (escandalos vêm, passam e tudo continua na mesma) há um texto do Arnaldo Jabor que foi distribuido pela internet que denuncia exatamente isto. Todos os roubos flagrados, criminosos denunciados, esquemas apontados e... nada muda, todos continuam impunes. E candidatos, apesar do ficha limpa, desde que sejam aliados dos poderosos.                           


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    [Aeternus:14041] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-03)


    - RE:Neblinas e Sombras

    Gallego palpirtando:

    "Neblina e Sombras" é um dos filmes menos realizados do Woody Allen: um filME dO Woody-cinéfilo homenagenado o cinema mudo expressonista alemão com um roteiro que tenta ser instigante mas vai ficando óbvio e dESinteressante. As qualidades técnicas (fotografia em P&B, atores, cenários) funcionam a serviço do enredo, mas este é fraco mesmo, longe de seus melhores momentos. Mas ás vezes os filmes fracos de bons cineastas ainda podem merecer mais atenção do que os "melhorezinhos" de diretores inexpressivos que às vezes apenas não estragaram um roteiro melhor que tiveram a sorte de filmar.

    Não sei a que filmes que Jansy viu (reviu) com Audrey Hepburn que a deixaram down: a mim, geralmente me deixam menos "pesado", mesmo que alguns sejam bem datados.

    Curiosamente (e discordanado), me decepcionei quando revi "Quando Paris Alucina": começa bem, tem uma ideiazinha esperta de dos personagens irem escrevendo o roteiro de um  filme que é o filme que estamos vendo, mas se enrola, fica prolixo, perde o ritmo e não encontrei o clima nonsense que pretendiam. A "química" entre Audrey e William Holden funciona, algumas gracinhas sobrevivem, ela está linda e com roupinhas menos complicadas, os atores convidados especiais ás vezes funcionam, mas achei o filme chatinho.
    E sei que foi um fracasso mesmo antes de ser lançado, aliás, só foi lançado depois de "Charada" que - esse, sim, foi um sucesso e revejo sempre com prazer. Ia ficando nas prateleiras apesar dos aotres no auge da fama.

    Também discordo de jansy sobre Audrey como Natsaha em "Guerra e Paz": primeiro porque a descrição de Natasha no livro paraece a descrição da atriz naquela idade ou algo mais jovem.
    Eu gosto sem maior empolgação do filme, mesmo que não chegude aos pés do romance (meninos e meninas, eu li) e que, certamente foi prejudicado por ter sido filmado para dar quase 6 horas de projeção (o diretor queria lançá-lo em duas partes) mas acabou sendo cortado para algo como 3 horas e pouco. Ficou uma sinopse do livro sem ser um filme independente do livro.

    Na verdade, Hollywood sempre sonhou com um novo "E o vento levou" (que eu acho um saco) e "Guerra e Paz" foi um projeto de produtores achando que guerra como pano de fundo e romance entre personagens daria um novo "Vento levou" de público, Não deu.

    Se Audrey não repete os acertos entre sua personalidade e as personagens de "A Princesa e o Plebeu" e "Sabrina" (mais leves, com personagens que pdoeriam ser ela mesma e ela está ótima) e ainda não tinha a profundidade de atriz dos dramas "Infâmia" e "Uma Cruz à beira do abismo", não acho seu desempenho ruim.
    O filme é que é meio manco mesmo e a escolha do Henry Fonda para Pierre foi sempre criticada como msicasting, por mais que o ator se esforce e nem faça feio, mas falta algo mais (juventude, talvez). O geralmente fraco como ator Mel Ferrer me parece mais satisfatório, talvez seja seu melhor papel, mas é uma opinião isolada. Geralmente malham ele em tudo.
    O filme é bonito, tem música de Nino Rota, uma cena famosa de duelo na neve com fotografia deslumbrante, mas é uma mera ilustração do livro. Mas muita gente diz que Audrey ainda é a coisa mais satisfatória do filme. Jansy está na contra-mão não só da minha opinião, mas é uma opinião.

    Audrey não se considerava especialmente talentosa como atriz, queria mesmo ter sido bailarina, mas não deu. Dizia que dependia de bons diretores, mas eles encontrvam nela espontaneidade e uso de sua própria personalidade para as personagens. Esteve divertida em "Charada", "Cinderela de Paris" (outra bobagem enfeitada) e mesmo no "Quando Paris Alucina" (que eu acho mais bobo e bem menos bom.)
    Acho que ela acertou em cheio nos dois dramas que mencionei antes e acho-a com excelnte timing de comédia em My Fair Lady e na virada para a cena dramática perto da lareira quando chegam do baile, mas foi pichada pelo fato da produção ter dublado sua voz em quase todas as canções e do preconceito Hollywoodiano pelo fato de ela não ser a mesma atris que criara a personagem nos palcos - e não ser mesmo cantora para o agudo final de "I could have danced all night". Mas os trechos alternativos no DVD onde a voz dela está em "Would'nt it be loverly" e em "Show me" mostram que seria melhor a voz pequena dela do que a dublagem quase "lírica" que impuseram.
    Pena, mas ninguém reclamou de Natalie Wood ter sido dublada nas canções de West Side Story ou Deborah Kerr em "O Rei e eu" - pela mesma cantora que dublou as canções de My Fair Lady.

    Sugiro a Jansy um pouco mais de Audrey em "Amor à Tarde" do Billy Wilder. E acho que apesar da fama de "Bonequinha de Luxo", que o filme não é essas coisas. Ela está bem, mas é uma personagem bem diferente da do livro do Truman Capote que queria Marilyn Monroe no papel. Mas não acho que fosse ser bom papel para a Marilyn. Só seria mais prostituta do que prostituta de luxo...
    abraços gerais  

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    [Aeternus:14053] Mensagem do Grupo54
    -Thais Karam(2010-09-03)


    - RE:Neblinas e Sombras

    Jansy,só pode ter sido erro de digitação: não é obstrói, é obstrui. Tenho uma neura com erros de português.


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    [Aeternus:14054] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-03)


    - campanha politica

    Sem negar a gravidade do crime, como a abertura do sigilo fiscal da filha do Serra poderia prejudicar a campanha do PSDB?

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    [Aeternus:14056] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-03)


    - RE:campanha politica

    Bem, pode ser que a filha do Serra tenha telhado de vidro, e soubessem disso; ou desconfiassem. mas primeiro quebra-se o sigilo, depois espalha-se oq ue foi descoberto.
    Grave é o Ministro "Manteiga" falar das quebras de sigilo da receita como se fossem comuns, frequente, só faltou dizer "normais".
    Posso então sonegar informações, já que são frequentes em tanmats declarações (dos políticos, quando vêm à tona). São comuns, quase "normais"...
    Grave é essa baixaria toda que se repete, se aprofunda, chafurda e... e la nave va...
    Gallego

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    [Aeternus:14058] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-03)


    - RE:RE:campanha politica

    A era da internet tem muitas faces, Gallego, mais os deslumbrados porque aparecem na mídia ( é sempre gostoso, mas no fundo faz mal pra alminha da gente). O povo vota em rosto bonito, em jogador de fubebol, em pastor veemente, em fanáticos convincentes... Seria ótimo se, no Brasil, tivéssemos mais partidos políticos para escolher nosso candidato sem recorrer à tiriricagem, se desse para preservarmos a graça sem baixarias, evitadas até nas cenas do felliniano La Nave Va (sou apaixonada pelo concerto com taças de vidro, ou será que eram de cristal...) com seu otimismo ao supor que não iria naufragar um dia.

    Ei, Florião, você concorda com a amada sobre "a gente se acostuma com tudo"? Já pensou ficar-se um mes sem tomar banho, ou comendo abobrinhas como unica opção?  


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    [Aeternus:14060] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:campanha politica

    ...o pensamento conformista era dela.
    Gostei do tom com que foi proferida, parecia uma bela cena de nouvelle vague.Ou de um Antonioni sofrido&contido.Tipo Jeanne Moreau, ou a belíssima Monica Vitti.

    Sou hedonista e comodista de carteirinha, por outro lado.Acho que trancafiado na mina como os chilenos estão eu tentaria o suicídio em 5', por aí.Retorno ao útero não faz meu gênero...rs

    Ou então...algo na linha Woody Allen.No "Neblina&Sombras" há uma passagem onde um grupo destemido decide dar cerco ao serial-killer, e bate à porta do fracote cobrando sua participação.O troglodita-chefe diz olho-no-olho ao Woody algo como "ouvi rumores que você é covarde, pusilânime, omisso, hipócrita e indiferente..." Ele : "bem...não chego a tanto, mas a coluna é essa..."

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    [Aeternus:14064] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:RE:campanha politica

    Nos anos setenta quando, em vez de internet, era o telefone o que informava e conectava as pessoas,  disquei os numeros da "hora certa" e  ouvi anunciarem o seguinte: "bip-bip ...todo brasileiro tem problema de coluna - bip-bip - para saber mais ligue... xx0023"  Eu andava sofrendo com dores lombares e me senti imediatamente compreendida pela midia e com a turma dos sofredores da coluna. Disquei correndo. O numero me levou aos resultados da Loteria Esportiva. Tinha zebra, coluna do meio...   Fiquei desapontada e rindo de montão. Valeu, afinal.

    Pobre Woody, puxa-saco do chefe, tremulo,intimado a pertencer a um  grupo de vigilantes, pressionado pela força da lei tradicional, pelos representantes da mamãe e pelos vigilantes - que se dividem em facções que brigam entre si, tornando-se piores que os sonetos que pretendiam emendar.  Gallego comentou a intenção de Woody Allen ao homenagear o expressionismo do cinema alemão, mas, copiar não é uma forma criativa de fazer homenagens. Falsifica tudo, pior que paródia. Há momentos no espirito de Kafka, talvez seja por esta via que ele tenha tentado avançar (minha ignorancia me impede de sugerir que o expressionismo alemão tinha elos com kafka, que o elemento dos excessos sombrios das leis cada vez mais acéfalas seja kafka...) Os europeus, em geral, apreciam um teatrinho de criança chamado "Punch and Judy" e achei que influencia em toda trama era bem forte, era mais cenário de fantoches do que apontaria para Kafka.

    Por sinal, no filme da Audrey, há uma breve cena com o teatrinho e ali um bando de moleques explode uma bombinha que se conecta ao titulo do filme ( Cole Porter, I love paris when it sizzles)


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    [Aeternus:14065] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:Woody e reverências / Kafka-neando

    Imagino que muitos artistas tenham o desejo de reverenciar ícones seus, paradigmas geradores de paixões pessoais !
    É sabido que o Woody adora Bergman, e da mesma forma que nesse "Neblina..." a tentativa era da foto à moda Dr.Caligari, buscando homenagear o expressionismo, em "Stardust Memories" tínhamos pássaros invadindo um apê em Manhattan, referidos aos Voglers que assombravam Bergman e o levaram a adotar esse nome em alguns de seus personagens em mais de um filme ; a própria presença de Max Von Sydow em "Hannah&Her Sisters", magnífico e emblemático ator bergmaniano por excelência.Pránúm falar da contratação do ilustríssimo Sven Nykvist, diretor de foto em alguns filmes do Woody após a esplêndida carreira com Bergman.

    Já Kafka foi referência para Orson Welles."O Processo" tenta essa temperatura diferente de fotografia, além do enquadramento e ritmo alternativo, fantasmagórico.
    Alguns outros filmes maravilhosos arranharam com sucesso esse tipo de elaboração, como "The Innocents" ( Jack Clayton / 1961 ), valorizando reflexos em vidraças, ventos e folhas mortas, ferros torcidos, sombras, vultos e ruídos...
    Tive arrepios com o phantasma feito pelo Michael Redgrave ali.

    Kafka himself não se achava um surrealista.Em um ensaio ligeiro sobre suas tendências, Camus alude ao mero cronista corrosivo-alegórico do social.O dilema e drama do homem tornado barata em "Metamorfose" não á sua nova condição morfológica per si, mas sobretudo a angústia da dúvida em saber como conseguirá evitar atrasos e bater o ponto no trabalho em sua nova condição morfológica...



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    [Aeternus:14066] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

    Valiosas considerações, mon ami Florião... (será que votar em branco é zebra?)

    Quando associei Kafka ao mundo surreal, talvez irrefletidamente, pretendia aludir ao que de realidade se manifesta nas formas aparentemente absurdas dos relógios escorridos do Dali, dos vazios do Chirico, das impressoras que furam a pele humana com comandos e alienados mensageiros levando recados no couro cabeludo, como Rosenkranz e Gildenstern séculos atrás. Não sabia da importancia dos pássaros para Bergman e da alusão a eles pelo Woody. Em alemão "vogeln" é utilizado para "transar" e daquele jeito alegre e campesino dos seus primeiros filmes, sem aquelas aristocratas luteranas de cara comprida e longos maltratos. 

    Estão re-editando filmes CULT (ontem comprei um DVD importado,um filme de Peter Brook inspirado no "The Lord of The Flies" de William Golding, o momento é certo para assisti-lo) e quase inclui alguns do Bergman, ou da série que tem "Metropolis", o gabinete do Dr. Kaligaris e outros, mas a grana não dava.  As referencias a outros diretores e autores, pelo Woody, são curiosas. Ele também fala de Nabokov ( da Lolita, é claro). O vendedor me disse que, entre os importados, às vezes tem apenas um exemplar e quase arrisquei ficar endividada mas, ao mesmo tempo, ele apontava para os que existiam no Brasil e seria bobagem adquirir ( Metropolis, por exemplo). Achei confuso. Se você ou o Gallego estivessem por perto, teria recorrido as suas opiniões e comprado mais "preciosidades." 


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    [Aeternus:14067] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:RE:RE:campanha politica

    Jansy tem razão: o Woody Allen em "Shadows and Fogs" também queria fazer referência a Kafka, daí a decepção maior com este seu filme de pretensões referenciais tão "altas".
    Tem razão também quando diz que "homenagem" não é cópia. O termo "homenagem" está incompleto na minha escrita: seriam homenagens através de referências ou apenas mesmo "referências", coisa típica do pós-modernismo que recicla padrões anteriores com citações (que algumas vezes acabam sendo quase cópias mesmo, e menos interessantes do que o que foi original em sua época e se sustenta através do tempo;/ Stravinski já fazia isso: depois de ir além na "Sagração da primavera" teve sua fase "bachiana", trcaikovskiana, e até "serial" que era uma coisa recente, paralela à sua trajetória).
    Mas ainda acho este kafkazinho woodyalleniano melhor do que o prepetrado pelo Steven Soderbergh no filme "Kafka", mais pós-moderno ainda, misturando O Castelo com O Processo no liquidificador edabdo em nada. Tanta imitção vira fetiche vazio...
    Gallego

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    [Aeternus:14068] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - RE::campanha politica / Punch and Judy

    Esqueci de dizer que o teatrinho infantil de "Punch and Judy" de que me lembo em filem de Audrey é em "Charada" que na trilha sonora deliciosa do Henry Mancini tem até uma musiquinha tipo bandinha do interior, crirco, carrosel, melhor dizendo.
    Gallego

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    [Aeternus:14069] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

    Gostei desse 'transar' aí dos vogeln...rs
    Nada sei de sueco, por outro lado, mas creio ter lido, certa vez e numa crítica a "Vartimmen" ("A Hora do Lobo"/Bergman /1971 )sobre os vogler - e por ali não voava mas zanzava um Vogler da vida.
    Meu lado sadô-masô imaginou Bergman assistindo "The Birds", do Hitch.Djízas...

    Transar / voar / como diz o clérigo préféré do Gallego, Teillard de (?)Chaffin/Chauffin/Chardin...algo assim, sorry, "tudo que se eleva converge" : com certeza Woody passeia por esses meandros.
    A alusão a Lolita vem de Groucho Marx, outra referência constante em sua obra.A citação clássica do bigodudo sobre a obra, "vou esperar a menina crescer um pouco para ler o livro", poderia ser assinada embaixo pelo Woody.Acaso ou ironia suprema, terminou ele esperando a menina em casa crescer para desposá-la, va savoir.

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    [Aeternus:14070] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:Vargtimmen !

    ...em minha memória existia esse 'g' zinho no título.Fui consultar o Ewald e lá está errado, "Vartimmen"...

    E "Vargtimmen" é de 1968, êita ano danado...

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    [Aeternus:14071] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

    Woody menciona Nabokov sem ser através de Groucho Marx. Não lembro em qual filme há uma turma discutindo arte moderna e visitando uma galeria. Margaux ou a irmã Hemmingway fazem um comentário, retomado pelo companheiro.  Só me lembro disso...

    Não imaginaria que Gallego apreciava Teilhard de Chardin e suas elevações infinitas! (tem convergencia? Faz sentido, pro clerigo arqueologista o fremito da vida se endereça a Deus, claro, o omega da questão)  Ora, ora. Vivendo e aprendendo.


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    [Aeternus:14072] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE::campanha politica / Punch and Judy

    Punch and Judy pode aparecer em "Charada" mas tem também uma cena no "Quando Paris Alucina" e dois garotos explodem uma bombinha que remete ao título, "Paris when it sizzles." (da canção do Cole Porter, I love Paris...)

    Quando eu era pequena eu ia a umas festas no colégio Cruzeiro (que Gallego deve ter frequentado também?) e havia teatro de fantoches, ali se chamavam de "Kasperle."  Seja como for ( talvez passemos até por Mel Ferrer em "Lili", se a gente pensar em citações!) este teatrinho é do tipo "espanca até o outro aprender a se comportar como quero." Criança adora as vassouradas (como, nesta fase, cultiva o sadismo dos gases intestinais e dos belisquinhos). 


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    [Aeternus:14073] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - disco arranhado

    rs...Só aqui no site o Gallego já citou o ômi diversas vezes...
    Coisa parecida sou eu com "para se chegar à Inocência é preciso muitas voltas no saber" / "pobre com mania de rico é a pior raça que existe" ( tirante os mau-caráter, claro )

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    [Aeternus:14074] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:Charade / da vida dos marionetes

    Na época em que "Charade" fez espuma, à saída de uma sessão no antigo e belo 'Carioca', cine da Praça Saens Peña - hoje reduto e 'templo' evangélico -, um engraçadinho-sem-graça-PPzinho bradou para os da fila de entrada "o assassino é o embaixador!"

    Fantoches foram bem explorados em diversos filmes.Não há como relembrar de "Sleuth" sem a funcionalidade deles ! Dão fantástico contorno às performances de Michael Caine e Laurence Olivier.

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    [Aeternus:14075] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:disco arranhado

    Então eu dormi no ponto (como na concordancia da frase sobre Chardin, em que escrevi "imaginaria/apreciava" em vez de "apreciasse"... mas o espaço da gente é informal e sei que você me perdoará pelos deslizes, assim como a digitação do Gallego já é uma marca registrada dele).

    Pensando em pobre com mania de rico (exceto os de mau-caráter...), me liguei no que senti hoje a respeito dos pequenos prazeres com cristais ou toalhas brancas para o café da manhã. Roupas, carros, loucinhas finas... não serão todos formas diferentes de cultivarmos alguma "concha autística"? Nomades levavam suas barracas, algumas mulheres carregam suas roupas para recriarem o sentido do que lhes é familiar e seguro, outros confiam nos carros. Eu achava que dependia da palavra escrita (vício de ler até bula de remédio ou orela de lençol, como o menciona Veríssimo), mas acho que ao fim e ao cabo gosto mesmo é de luz nos vidros.

    Quando visitei Pirenópolis, explorando umas cachoeiras daqueles pireneus goianos, fiquei um bom tempo no pasto de uma fazenda. Os netos reclamaram do cheiro da bosta, que não me incomodou nem um pouco porque vivi em colonias de férias pendurada nos postes dos currais. Sofri com a secura e o sol porque me forçaram a uma modorra caipira, escutando aquelas falas sem consoantes através das quais, não sei como, o povo se entende e bem melhor que chimpanzés aaeeiioouu porque não é só troca de informação ou de sinais, tem várias provas de vida agudamente inteligente de que eu tiraria melhor proveito se conseguisse ouvir direito em vez de ficar siderada com os brilhos das lantejoulas enfeitando as camisas deles.    


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    [Aeternus:14076] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:Charade / da vida dos marionetes

    e eu que não sabia que o Lawrence Olivier foi um cacho do Noel Coward!

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    [Aeternus:14077] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:Charade / da vida dos marionetes

    É...o grande Laurence jogava nesse time.Grande ator, Deus o tenha !

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    [Aeternus:14078] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:disco arranhado

    Creio que todos temos nossa 'concha autística'.O que uma grande amiga chama de 'lado b'.

    Sobre cultura caipira, é claro que existe um Saber entranhado ali ! Onde falta erudição por vezes sobra sapiência...

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    [Aeternus:14079] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:Woody e reverências / Kafka-neando

    Não sou conhecedor de Teillard de Chardin, tenho, há décadas, um livro sobre ele e, masi recentemente (menos décadas) um dele mesmo... mas nunca li nem um nem outro.
    Mas a frase "tudo que se eleva, converge" é genial e cito a troto(vale o torto trasnformado em troto) e a direito (e à direita e à esquerda). É uma das mais sábias que já li. Já devo ter citado por aqui: Marcos lembrou, deve ter sido no aeternus mesmo
    Gallego

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    [Aeternus:14080] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - Jansy, o filme é ...

    > Manhattan tekka, hollyWOODiana..

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    [Aeternus:14081] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - saber entranhado

    Tem razão, Florião, quando descreve o saber entranhado. Seria quase do inconsciente e da linguagem, mas isso é teoria dos franceses e acho que tem mais coisa a explorar por essa via do que se entranha. Porque nem sempre se pode falar de linguagem-palavra. Os músculos aprendem e ensinam, sem nem dar sinal esclarecido pro neo-cortex,tem memória própria que só o cerebelo entende. A turma se exercita nisso o tempo todo, tem que ser peritos. O unico problema é como tornar-se conscio de que se caminha e nos observam. Se um sinal desta vida sábia atinge a consciência, o tropeço é gigantesco...Seria legal fazer uma campanha eleitoral de entranha pra entranha, o que acha? Não seria condicionamento profundo, ou lavagem cerebral mas não faço idéia do resultado.

    Aquele poema do brasileiro que confundam com Maiakovsky na internet, o tal de tiraram a flor do jardim e não dissemos nada, entraram no jardim e ficamos calados, abriram a porta da nossa casa e paramos de sonegar sem reclamar, entraram no quarto...cortaram nossas gargantas... Pois é. Há vários níveis de rebaixamento do que uma cultura conquista, mas a força primeva insiste numa sabedoria inexplorada. No filme "O Inquilino" o sujeito é forçado a ocupar  o espaço da moça morta em todos os sentidos, sem que disso se aperceba porque vai se adaptando devagar, deixando levarem-lhe as flores do jardim, entrarem no seu quarto... até o degolarem (ou ele se lançar pela janela). A sequencia de cenas que mais impressiona é quando ele vai ao bar da vizinhança e empurram para ele os cigarros da marca que a moça fumava, ou insistem que ele tome café com leite como ela e ele, entediado, vai aceitando. Minhas empregadas domésticas são peritas nisso. Se bobeio, acabo igual à patroa anterior que tiveram, ou à mãe nordestina. A sabedoria entranhada tem seus riscos de uniformizar as coisas...

    O que achei legal na tal fazenda goiana foi perceber que quando a turma conversa em grupo as consoantes desaparecem e que isto se preserva até quando tem mulheres conversando no meio. Porque, entre elas, contando causos, a dicção é perfeita, quase sibilantemente agressiva.   


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    [Aeternus:14082] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:Jansy, o filme é ...

    Viva a Tekka Holly-woodiana!!!!! Adoro este filme. Como profundamente me toco com "Interiors."

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    [Aeternus:14083] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - RE:RE:Jansy, o filme é ...

    Todos temos nossos filmes (e livros, e autores e poetas e canções e atores/atrizes canastrões e cantores que não fizeram grande sucesso e quadros meio acadêmicos/bregas) mal-falados pela maioria, mas amados com carinho identificatório ou empático, sei lá explicar a origem dos verdadeiros "cult movies" (e cult songs, e cult books, etc etc) individuais: eu adoro um Woody Allen muito mal falado, "Setembro" gosto bem mais do que "Interiores" onmde aaquela mãe me faz tão mal quanto ás filhas. Já a mãe repugnante, porém não-depressiva, ao contrário, um trator narc´sico em busca da prórpia felicidade, naõ me incomoda tanto quanto o mal que fez à choramingas filha, coitadinha, pero...
    Já "Manhattan" é unanimidade positiva; mas o maior de todos os filmes de Woody Allen seria, ao meu ver, "A Rosa Púrpura do Cairo" e não é "cult" porque também tem alto ibope entre cinéfilos e até entre gente que não curet Woody Allen (especialmente os filmes em que ele aparace como ator, acham-no insuportável, mas filmes como A Rosa Púrpura em que ele não aprece podem ser até apreciados).
    (Também adoro "Poderosa Afrodite")
    Gallego

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    [Aeternus:14084] Mensagem do Grupo54
    -Visitante(2010-09-04)


    - O filme é ...

    > isso, Gallego, a Rosa Púrpura e Poderosa Afrodite são pura curtição, não me canso de rever gostei mto do último, Whatever it takes. Woody é O CARA! ótimo sábado para todos, tekka

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    [Aeternus:14086] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:saber entranhado

    Em teoria psicanalítica pós-Junguiana o saber caipira partiria/seria um inconsciente coletivo caipiráceo ou caipirano ou caipirófilo ( nada a ver com a deliciosa caipirinha ! )
    Ao contrário da Simone de Beauvoir em "não se nasce mulher, torna-se mulher", teríamos um "já se nasce caipira."

    Nosso pobre Trelkovsky, o esquizo-parana do romance terrível escrito por Roland Topor, pode ser visto como um mero indivíduo, mas pensei coim meus botões numa metáfora-socializante-tantalizante à la Raul Seixas, ê ê ê fila de gado, ê / povo marcado, ê ! / povo feliz !

    Tenho arrepios até hoje com a cena em que ele inaugura o delírio alucinatório e vê a si próprio da janela de seu quarto, urinando no banheiro coletivo.Depois vêm os hieroglifos nas paredes, o dente bom arrancado e encravado na parede, atra´s do armário, como fizera a suicida...Valha-me Deus.







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    [Aeternus:14087] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:é muito bonita essa coisa de...

    ...determinados filmes 'menores' nos tocarem bem mais do que outros, consagrados ou meros blockbusters bobocas.

    "Setembro" é meio europeu, introspectivo, não se pode falar em Bergman pelo nº de personagens mas arranha um Tio Vania/Tchecov naquela balada.
    Quem tentou projeto similar foi o Lawrence Kasdan em "The Big Chill"(aqui "O Reencontro"/1983), com ótimo elenco, William Hurt ( seu ator-de-ponta) e Glenn Close, Kevin Kline, Mary-Louise Parker, creio.
    O Woody teve um chilique com o filme quase todo rodado, e voltou atrás sem o vilão-de-plantão Christopher Walken, substituído, acho, pelo excelente rosto-de-anjo Sam Waterston.Do Inferno ao Céu, pois - todo o respeito a papéis muito bons do Walken, como os que fez em "The Deer Hunter"(aqui "O Franco Atirador"/1978); "The Comfort of Strangers"(Paul Scharader/1992); e "Iluminatta"(John Turturro, já nesse século), onde faz um quase-sub-Oscar Wilde, super puto e desmunhecado, culto, com deliciosas cenas de bastidores com a Susan Sarandon.Ambos devem ter rido um bocado com aquilo, que inveja !...

    Em Woody adoro o "Manhattan", "Hannah&Her Sisters", "Match Point" ( talvez meu preferido entre os 10 melhores 50 do Woody, junto com--->) "The Purple Rose of Cairo"; e ainda "Husbands&Wives".

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    [Aeternus:14089] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

    Boa idéia, introduzir a separação entre "filmes menores" (que "tocam"), filmes "cult", "blockbusters." Até pela inserção no contexto da coisa caipira (mentalidades arcaicas de um "pós-Jung", como você rotula). Não há como escapar do poder do gozo de comer com os olhos, se deixar marcar por uma boa propaganda ou pelo momento que se vive.  O tempo, que coloca eventos à distancia, tem seu papel também e ficam "cult" até os filmes ruins exatamente porque foram tão ruins (José Mojica e um americano bem pop-out). Ou a experiencia, de vida ou de cinema...

    Você mencionou a inveja das risadas de Sarandon e Turturro. Eu lembrei da alegria crítica de Anne Hathaway e da dupla Pera/Nanini. A delícia da mistura realidade/ficção também conta, seja no "Paris when it sizzles" como em A Rosa Purpura do Cairo e aquele outro, mais recente, com a jornalista Scarlett Johansen e um entrevistado fantasma. Tem ficção que é ficção ( auto-referente ou não) e tem aquela em que predomina o efeito dos enganos e da ilusão, não tinha pensado em distingui-los mas, talvez, valha a pena. Sair correndo e cair num precipício com medo de um engano perceptual que transforma um cabideiro vestindo casaco e chapéu num predador tem um nível de "realidade" ( pelos efeitos que promove). Ao contrário, a ficção/ficção caracteriza um bocado da nossa vida (como ter idéia de que se vê o sol com um atraso de oito minutos, ou seja, de se estar no presente que já é passado de algum modo, caso o sol desapareça de repente. De ter que tolerar um falseamento do mundo porque é o jeito certo de operar...) O que mais me intriga é quando vejo uma imagem de modo imperfeito, prolongando a mirada consigo corrigir o erro perceptual e, em seguida, preferindo a mancha estética ao que agora ganhou contornos sem graçamente definidos, não consigo des-perceber o que corresponde à realidade.  Já tentaram voltar atrás para negar um poste de luz que não se vira antes, que existe e se mostra, que se deseja apagar outra vez? Ou, num quadro apreciado, notar como o braço da rapariga ali pintada está torto e, depois disso, não conseguir se iludir que ele é normal, como se achava que fosse no início? Há um programa neural que nos prende à realidade como "deveria ser percebida" a partir do instante em que ela é percebida "corretamente"... acho muito esquisito isso... É o ganha-pão dos cartunistas, eles sacam um traço típico de uma pessoa e o representam de forma a ensinar as pessoas a perceberem aquilo, ridicularizado até, e ninguém mais consegue "des-perceber" a crueldade. 

    Se eu tivesse vinte anos novamente, não escolheria a psicanálise para ser minha profissão. Ia trabalhar no oposto. "Propaganda e Publicidade." (ainda bem que não posso mudar, cheguei a sentir um aperto de saudade de mim-mesma, mal formulei a frase) 

    Caipira, apesar do programa emaranhado, tem muito de "indivíduo." Não sei bem o que quero dizer mas penso nos pequenos apegos que caracterizam a gente. Até nossos vícios.  Por exemplo, acho que as pessoas distinguem pouco os tipos de pedófilos (voltei ao tema de aumentarmos nossos dons discriminativos no sentido positivo). Um voyeur não é o mesmo que um estuprador, um artista infantilizado, como foi Carroll, não é um pedófilo perigoso e não vi comentarem a jovem Virginia com quem Poe se casou, ou a bem-amada Beatriz do Dante, com seu amor platonico por uma menininha distante...A vontade de inventar um "tipo" coloca tudo no mesmo saco... 


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    [Aeternus:14090] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

    Turturro deve ter dado boas gargalhadas atrás da câmera, filmando o Walken e a Sarandon, como dei aqui em casa chegando às vias do espasmo.
    Ele mesmo, Turturro, protagonizou enquanto ator o jogador de boliche 'Jesus', em "The Great Lebowski", dos Coen.Numa caracterização típica dos irmãos - por sinal caipiras de Minnesota ! - nosso Jesus atuava com um collant roxo-claro, botinha-sapatilha própria para a pista, escudo com um big 'J' no coração, unhas roxas-escuras em ton-sur-ton, cabelo glostorado e aerodinâmico.Os Coen o enquadram como um Deus das Pistas...
    ( existe ficção mais gostosa do que as desse tipo ? E verdadeira enquanto criação a partir de idiosincrasias dos caipiras-cultos ? )

    Filmes tenebrosos-gostosos são uma delícia ! O recente "Letters to Juliet", um festim de clichês os mais óbvios deste mundo, consegue trazer Verona aos corações dos que a conhecem e adoram !
    O Gael Garcia Bernal se diverte ali, como restaurateur de Manhattan buscando fornecedores de acepipes&aromas&temperos&vinhos&trufas da região.Quer participar de todos os eventos gastronômicos e provar de tudo, comer de tudo, menos sua noiva...rs
    Vanessa Redgrave e Franco Nero, trapinhos recém-juntados ao que parece, recebem também sua cota de homenagem e de apelações.O Franco nos é apresentado a cavalo, fazendo um fazendeiro local.Por pouco não veio de Lancelot du Lac, faltou a armadura...

    O diretor Ed Wood, considerado o Rei entre os piores realizadores do cinema, chegou a ser homenageado com um longa ficcional/biográfico.

    Propaganda.Não, jamais poderia trabalhar com propaganda ! Habituei meu olhar contra ela, a favor das apela-ações e manipula-ações nas quais ela se funda e se farta.
    As piores e mais cretinas são as de banco, "o que está a seu lado" / o "das idéias novas".Rostos esfuziantes ( pelos belos cachês das horas a fio de trabalho...) nos passam uma emoção deslumbrada, tão grande quanto aos de péssimos a regulares serviços em geral prestados, mediante tarifas escorchantes.
    Cabe ao indivíduo pós-mudérnu perceber a règle-du-jeu básica aqui : a ditadura do novo.Estamos sempre desatualizados, somos incompetentes, insuficientes e desprovidos.Há sempre um novo produto no mercado que nos torna de imediato capengas em relação a nossas posses.

    Perversões.Sim, há gradações.Pervertidos bondosos, pervertidos maus.Como todo o mundo, de resto, com pessoas boas, pessoas más.
    O pervertido bondoso, em geral, faz mais mal...a si mesmo.



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    [Aeternus:14091] Mensagem do Grupo54
    -Jansy Berndt de Souza Mello(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

    Hoje em dia a quebra da "suspensão da descrença" é uma pratica usada e abusada em todos os campos da arte. De algum modo, não chega a evoluir até uma outra proposta. Pensei nos pintores antigos que usavam o "trompe l'oeil" e, por meio deste recurso (grande favorito agora nos desenhos de paredes e calçadas nas grandes cidades), indo no sentido contrário de "produzir mais crença na descrença." Uma grande tela, magnífica, de Vermeer, tem uma camponesa vertendo leite de uma jarra e, para minha surpresa, o leite parecia estar correndo de verdade. Mas não era "trompe l'oeil" e sim algo entre o espectador e a tela. Outro holandes ( eles pararam com a mania de colocar religião em tudo, santos e anjinhos, sustentados que eram pela burguesia ascendente e não pelos papas e suas cortes), Franz Hals, desenhou uma moldura e colocou um pandego com o braço estendido para além dos limites, oferecendo-nos vinho cintilante, quase piscando pra nós em cumplicidade. Bebi daquele vinho! Mas, pense bem, não deixa de ser uma tática como a que encontramos numa boa propaganda. Certos gracejos (como o tecnico com sotaque de alemão, da VW, cantando ticotico no fubá) são entretenimento também. É possível ver propaganda como arte, por que não?  A literatura, cantando os feitos dos heróis sob encomenda dos poderosos, começou assim, prima do jornalismo.  

    Eu lembrei de Ed Mort, em vez de Ed Wood e reconheci o personagem do Veríssimo, mas não conseguia ir adiante.    

    Perverso bonzinho?  Tipo Hitler amando cachorros e flores?Prefiro colocar outro tipo de adjetivos para aquelas pessoas atormentadas, inteligentes, com senso de humor, que tem suas perversões mas que seguram a barra porque são capazes de perceber o mundo e as pessoas (não é o superego que segura, é amor ao próximo que pega eles pelo cangote e os tortura, sem oferecer algum consolo em troca).


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    [Aeternus:14092] Mensagem do Grupo54
    -Marcos Florião(2010-09-04)


    - RE:RE:RE:RE:RE:é muito bonita essa coisa de...

    Bem...Hitler bonzinho só se for o de "Springtime for Hitler", comédia mais corrosiva com a Broadway e Roliúde do que com o III Reich.

    Esse pervertido aí bondoso como você cita volta a se ter enquanto pessoa, ao menos em parte, através de algum rasgo no seu em torno, de algo no real que o reinscreve num - chamemos assim - social transitável.
    Exemplo perfeito disto o personagem-pivô do excelente e Oscarizado "A Vida dos Outros", alemão, desfiando os métodos e escorregões da nefasta Stasi, ex-Oriental German.Espião &voyeur profissional, de repente ( no último verão?) descobre que há mais coisas nesse mundo do que mandar para a cadeia gente boa, sensível e honesta.
    Termina sua vida em seu métier - violando cartas num depê marginal - e com a mesma eficiência de sempre, porém...dividido em dois mundos, agora, trazendo sob o braço a partitura de "Sinfonia para um Homem Bom", a ele remetida pelo artista antes perseguido pelo establishment.

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