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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  

Memórias não-vividas


Examine os títulos para ir direto para uma mensagem abaixo:
  • LFGallego :
    Nem Festival 2005 nem 2006

  • LFGallego:
    Nem 2005 nem 2006: Longe do Tempo

  • Marcos:
    Manto Sagrado

  • Visitante:
    RE:Manto Sagrado

  • jansy mello:
    RE:RE:Manto Sagrado

  • LFGallego:
    O Circo dos Analistas

  • LFGallego:
    Riachuelo, não a batalha nem a rua

  • Uma Trífida:
    Não tinha nenhum "Y"...

  • jansy mello:
    RE:O Circo dos Analistas

  • LF Gallego:
    O Circo bilingüe dos Analistas

  • LFGallego:
    RE:O Circo das línguas bífidas dos Analistas

  • jansy mello:
    RE:O Circo bilingüe dos Analistas

  • LFGallego:
    Não confunda Germano com "Gênero humano"

  • jansy mello:
    RE:Não confunda a grande obra de arte do mestre picasso

  • jansy mello:
    implante de memórias e violação de privacidade...

  • Marcos:
    RE: The Fox

  • Marcos:
    RE:RE:Manto Sagrado ( lavado com Omo Plus )

  • Marcos:
    RE: memórias vividas de novo o Alvorada

  • Marcos:
    RE: Robin Williams / o Garp de Irving e Roy Hill

  • Marcos:
    RE : nova troca de Henrys

  • jansy mello:
    RE:RE: Robin Williams / o Garp de Irving e Roy Hill

  • jansy mello:
    RE:RE : nova troca de Henrys

  • jansy mello:
    um post-scriptum genérico e a censura

  • Marcos:
    RE: just a joke

  • jansy mello:
    RE:RE: just a joke

  • Raposinha:
    RE: a joke do Pequeno Príncipe

  • Marcos:
    mais memórias vividas : Garp, Sorvino e Gatsby

  • Raposão:
    RE: mais The Fox ( vividas )

  • jansy mello:
    bisexualidade no cinema

  • LFGallego :
    Abrindo as porteiras da memória

  • jansy mello:
    RE:bisexualidade no cinema

  • jansy mello:
    RE:Abrindo as porteiras da memória

  • Marcos:
    RE: Hartman, Knight e Pettet

  • Marcos:
    RE: mais memória vividas : When Night is Falling

  • LFGallego:
    RE:RE:Abrindo as porteiras da memória

  • jansy mello:
    RE:Abrindo as porteiras da memória e as intrigas

  • LFGallego:
    RE:RE:Abrindo as porteiras das intrigas e fofocas históricas

  • jansy mello:
    as porteiras da memória e pós-aeterna Dorothy Parker de calças

  • Marcos:
    RE: Alvorada chapter 3 / censura antiga e atual

  • Marcos:
    RE: perdões, traições, húngaros e polskas

  • LFGallego :
    RE:RE:crudele?! Io?! E as aves, plantas, e playpboys presidentes?

  • jansy mello:
    RE:crudele?! Io?! E as aves, plantas, e playpboys presidentes?

  • jansy mello:
    ficção científica e realidade mitológica

  • Marcos:
    RE: taí...

  • LFGallego:
    RE: O filme com Robin Williams e a memória alheia

  • jansy mello:
    RE:RE: O filme com Robin Williams e a memória alheia

  • LFGallego:
    RE:RE: O filme com Robin Williams e a censura

  • Visitante:
    RE:RE:RE: O filme com Robin Williams e as trapacinhas do roteiro

  • jansy mello:
    RE: O filme com Robin Williams e as trapacinhas do roteiro

  • jansy mello:
    RE: taí... Da figueira ao caju

  • jansy mello:
    memória caminhante e utilidade pública ou turística ou...

  • Marcos:
    RE: turistas pra que te quero

  • jansy mello:
    RE: turistas pra que te quero...que ninguém é de ferro

  • Marcos:
    RE: sensible eyes

  • Visitante:
    Catherine

  • Roger Vadin:
    RE:Catherine

  • Jane Fo(n)da:
    RE:RE:Catherine among others

  • Anjo de "Barbarella":
    RE:RE:RE:Catherine among others

  • Serge Gainsbourg:
    Brigitte

  • Dráuzio Varella:
    RE:Brigitte

  • Roger Vadin:
    RE: Heaven / I'm in heaven...

  • Anjo Exterminador:
    RE:RE: Go to Hell !!!

  • jansy b s mello:
    RE:RE:RE: Go to ... HELP!!!

  • S.Holmes:
    RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!!

  • Adorno e Horkheimer:
    Esclarecendo...

  • jansy b s mello:
    RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

  • Agatha e Hercule:
    RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

  • Sigmund Freud:
    RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

  • Fernando Rey y Silvia Pinal:
    RE: elucubraciones

  • Dona Gertrudes Rocha:
    RE:RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

  • Jansy Mello:
    RE:RE: elucubraciones

  • Luís Buñuel:
    RE:RE: elucubraciones

  • Ludambulante:
    RE:RE:RE: elucubraciones

  • Valle-Inclán:
    RE:RE:RE:RE: elucubraciones

  • Fernando Rey:
    RE: justicia seja hecha ! ( a él y a mí ! )

  • Mariquita Roja:
    RE:RE: justicia seja hecha ! ( a él y a mí ! )

  • Jansy Mello:
    já que a lista ficou paradinha hoje...

  • jansy mello:
    o pior filme

  • LFGallego:
    RE:o pior - e o melhor - filme

  • Visitante:
    RE:RE: "Separate Lies"

  • LFGallego:
    RE:RE:RE: Mentiras Sinceras, o filme

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:RE: "Pequenas poções de ilusão/Mentiras sinceras me interessam..."

  • jansy mello:
    RE:RE:RE: Mentiras sinceras

  • Marcos:
    RE:RE:RE:RE: Mentiras sinceras

  • jansy mello:
    comendo pelas bordas

  • LFGallego:
    RE:RE:RE:RE:Amor e Mentiras sinceras

  • jansy b s mello e col.:
    Kathy Bates

  • jansy b s mello:
    EUREKA

  • jansy mello:
    de recados e memorias

  • jansy mello:
    promessa é promessa...

  • jansy mello:
    Mentiras Sinceras

  • jansy mello:
    An Unfinished Life/ Hallstrom

  • LFGallego:
    RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

  • LFGallego:
    RE:RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

  • LFGallego:
    RE:Sangue quente

  • Marcos:
    RE: o mundo está tranqüilo

  • jansy mello:
    RE:RE:Sangue quente

  • jansy mello:
    RE:RE: o mundo está tranqüilo

  • jansy mello:
    dicas

  • LFGallego:
    RE:dicas preventivas

  • Marcos:
    RE:RE:dicas preventivas / corroborando

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:dicas preventivas / corroborando

  • LFGallego:
    psicopatas asasinos e escritores... psicopatas?

  • jansy mello:
    RE:psicopatas assassinos e a trindade

  • jansy mello:
    Bergman

  • LFGallego:
    RE:Bergman

  • Marcos:
    RE:RE:Bergman

  • jansy mello:
    RE:RE:Bergman

  • Marcos:
    RE: Gunnar Fischer e Sven Nykvist

  • Conde Drácula:
    RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna

  • Marcos:
    ricordi vivitti com i fratelli Taviani

  • jansy mello:
    RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

  • Marcos:
    RE:RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

  • Marcos:
    RE: os que eu gosto mesmo

  • Visitante:
    RE:RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna: "Amava-me incondicionalmente, não?"

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna:

  • Conde Drácula:
    Cinema Paradiso tal como foi concebido

  • jansy mello:
    RE:Cinema Paradiso tal como foi concebido

  • Marcos:
    RE:Cinema Paradiso tal como foi concebido

  • Marcos:
    RE: ok ok Oxóssi

  • LFGallego:
    RE:De La Luna a "Paris Texas"

  • jansy mello:
    RE:RE:De La Luna a Daulia

  • Marcelo:
    Answer the question

  • jansy mello:
    RE:Answer the question

  • Conde Drácula:
    RE:Answer the question

  • LFGallego:
    RE:RE:Answer the question

  • Vlad:
    RE:Answer the question

  • Visitante:
    RE:Answer the question... Maaaaaaaaaaaaaaaarcos!!

  • Marcos:
    RE:RE:Answer the question... Maaaaaaaaaaaaaaaarcos!!

  • Roberto & Erasmo:
    RE:RE:Answer the question... detalhes

  • Carlos & Carlos:
    RE:RE:RE:Answer the question... detalhes

  • Visitante:
    Morte em Veneza

  • Conde Drácula:
    Sobre cascas intactas em espiral

  • jansy mello:
    RE:Sobre cascas intactas em espiral

  • Conde Drácula:
    RE:RE:Sobre cascas intactas em espiral

  • Guto:
    Pau Grande e o cuzinho da laranja

  • LFGallego:
    RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

  • Guto:
    RE:RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

  • jansy mello:
    As várias faces do Guto

  • jansy mello:
    RE:As várias faces do Guto

  • Guto:
    RE: voltando da roça

  • Guto:
    RE:RE:As várias faces do Guto

  • Visitante:
    convite

  • Visitante:
    Debate sobre o filme "Dr. Strangelove" de Kubrick

  • Marcos:
    RE: Goethe

  • Visitante:
    RE:convite

  • jansy mello:
    RE:RE: voltando da roça

  • Guto:
    RE:RE:RE: voltando da roça

  • jansy mello:
    RE:RE:RE:RE: voltando da roça

  • Baudrillard:
    E num é queu tava certo!!

  • Omar:
    Tisana com cereja pro Doktor Freud

  • dora zander:
    homenagem a são joão del rei

  • Omar:
    Roy (I)

  • dora zander:
    Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • gustavo alcides da costa:
    RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • dora zander:
    RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • gustavo alcides da costa:
    RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • dora zander:
    RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • gustavo alcides da costa:
    RE:RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    Frio no Rio?

  • dora zander:
    RE:Frio no Rio?

  • gustavo alcides da costa:
    RE:Frio no Rio?

  • gustavo alcides da costa:
    ainda que eu falasse qualquer língua...

  • gustavo alcides da costa:
    RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

  • dora zander:
    RE:RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

  • dora zander:
    RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

  • dora zander:
    Pale Fire

  • gustavo alcides da costa:
    RE:Pale Fire

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

  • dora zander:
    Lingua dos anjos

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:Cores e Lingua dos anjos

  • dora zander:
    RE:RE:Cores e Lingua dos anjos

  • dora zander:
    DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

  • dora zander:
    Animação, Wall-e mais curtas da equipe Dreamworks

  • dora zander:
    Presto

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

  • dora zander:
    RE:RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

  • dora zander:
    Preto no Branco

  • Omar:
    RE:Presto

  • Davy Bogomoletz:
    RE:Preto no Branco

  • dora zander:
    RE:RE:Preto no Branco

  • dora zander:
    traduzindo as palavras do Davy

  • cely bertolucci:
    RE:RE:Preto no Branco

  • dora zander:
    E ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

  • dora zander:
    Presto...

  • gustavo alcides da costa:
    preto no branco-cinza-grey-ash-afterglow

  • dora zander:
    RE:preto no branco-cinza-grey-ash-afterglow

  • dora zander:
    a constancia na mensagem

  • dora zander:
    pedaço do poema Pale Fire, por VN/John Shade

  • dora zander:
    Pale Fire, Fogo Pálido

  • dora zander:
    A Outra e...Do Outro Lado

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • dora zander:
    RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado / bem...

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado / bem...

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado / After Hours

  • dora zander:
    Trilogia das Cores: AZUL

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    RE:RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    Cor Branca

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:Cor Branca

  • Omar:
    RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    RE:RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    RE:RE:Cor Branca

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:RE:RE:Cor Branca

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:Cor Branca

  • Marcos Florião:
    RE:RE:RE:Cor Branca / o branco é como o preto

  • dora zander:
    RE:RE:RE:RE:Cor Branca / o branco é como o preto

  • Omar:
    RE:RE:RE:Trilogia das Cores: AZUL

  • dora zander:
    Vermelho..Rouge

  • gustavo alcides da costa:
    retalhos

  • Luiz Fernando Guedes Gallego Soares:
    RE:Cores/a idosa com a garrafa/Volver de Almodóvar

  • dora zander:
    bom comportamento

  • gustavo alcides da costa:
    Aos amantes da música clássica

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Aos amantes da música clássica

  • gustavo alcides da costa:
    RE:RE:Aos amantes da música clássica

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:Aos amantes da música clássica

  • gustavo alcides da costa:
    peças para viola e chineses

  • Visitante:
    ''Memória é base de toda identidade''

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:''Memória é base de toda identidade''

  • Visitante:
    narcisistas às avessas

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:narcisistas às avessas

  • Visitante:
    RE:narcisistas às avessas

  • Visitante:
    RE:RE:narcisistas às avessas

  • Visitante:
    RE:Cecilia Meireles e os (as) narcisistas às avessas

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    garcilaso de la vega

  • Jansy Berndt de Souza Mello:

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Ghandi

  • Visitante:
    RE:

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    sem polemizar

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    shakespeare xxxix

  • Visitante:
    RE:shakespeare xxxix

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Gallego envia

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    conferindo o final

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Gallego envia

  • Visitante:
    RE:conferindo o final

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:RE:conferindo o final

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Aaaaaaaah, Camões!

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:Aaaaaaaah, Camões!

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Camões, retórica, luto: Aristóteles novamente.

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    Fiquei em prantos...

  • Visitante:
    RE:Fiquei em prantos...

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    vivo e quase chutando?

  • Visitante:
    RE:vivo e quase chutando?

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    mais camões e considerações

  • Visitante:
    RE:Gallego envia

  • Visitante:
    RE:RE:Gallego envia

  • Visitante:
    Sonetos

  • Visitante:
    sonetos: quatrocentos anos!

  • Visitante:
    roda viva

  • Jansy Berndt de Souza Mello:
    RE:sonetos: quatrocentos anos!

    [Aeternus:5927] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego (2006-01-19)


    - Nem Festival 2005 nem 2006

    Jansy reclamou que não aceitamos a lista de Festival do Rio 2006. proponho reservá-la para
    quando o Festival chegar, afinal, o melhor da festa pode ser esperar por ela como deve ter constatado o Chico Buarque que no auge da diatdura esperava o "carnaval"...
    Quem me vê sempre parado,
    distante,
    garante que eu não sei sambar...
    ...Tô me guradando prá quando o Carnaval chegar...
    Eu tô só vendo,
    sabendo,
    escutando
    e não posso falar...
    ...Tô me guardando prá quando o Carnaval chegar...
    Eu vejo as pernas
    de louça
    da moça
    que passa
    e não posso
    pegar...
    ...Tô me guardando prá quando o Carnaval chegar...
    Há quanto tempo
    desejo
    seu beijo
    molhado
    de maracujá...
    ...Tô me guardando prá quando o Carnaval chegar...
    E quem me ofende
    humilhando,
    pisando,
    pensando
    que eu vou aturar...
    ...Tô me guardando prá quando o Carnaval chegar...
    E quem me vê apanhando
    da vida
    duvida que eu vá
    revidar...
    ...Tô me guardando prá quando o Carnaval chegar...
    Eu vejo a barra do dia
    surgindo,
    pedindo
    prá gente cantar!...
    ...Tô me guardando prá quando o carnaval chegar...
    Eu tenho tanta alegria
    abafada,
    adiada,
    quem dera gritar!...
    ...Tô me guardando prá quando...

    E o "carnaval" chegou e não foi nenhuma brastemp...
    Mas o Festival de filmes também não é mas a gente espera que seja.

    Voltar ao topo

    [Aeternus:5928] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-19)


    - Nem 2005 nem 2006: Longe do Tempo

    Por que desta lista:
    Em suas “Memórias” Mark Twain dizia algo como: “Quando era mais jovem podia me recordar de tudo que vivi; agora, com vantagens, poso narrar memórias do que nunca vivi”.

    Aqui é o espaço da nostalgia pura e simples, de encontrar o que Luiza perdeu na horta sem nunca ter ido lá, “memória do lixo”, sem caráter pejorativo, de coisas inúteis que não conseguimos esquecer, tão inúteis como aquele algo mais que faz com que nem só de pão viva o homem. Nostalgia a todo vapor: anos passados em Mariembad, anos futuros em caxambu, memórias virtuais em Minas Gerais, dias por vir em Sambaqui, saudades do Brasil, I miss you very much, suco de tomate, banana split, Cines Metro, Praça Paris, Palácio Monroe, “Príncipe” que veste hoje o homem de amanhã, Repórter Esso, testemunha ocular da História, dias idos e vividos, já que as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.

    Pensei neste espaço pela viagem da Jansy: "Gente, queria trocar de lista apenas para marcar que estamos no ano de 2006 e evitar acumular informações num unico espaço. Hoje chegaram quatro mensagens, todas marcadas pelo passado..."
    Ou, como dizia F.Scott Fitzgerald, Jansyta, no magnífico final do "Grande Gatsby": "E assim vamos nós, barcos contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado..."

    Mas tu pegaste o bonde ou o barco anadando e seguiste galhadamente:

    "Gallego, achei o máximo você ir na trilha dos cinemas onde tais e tais filmes foram apresentados. Acho interessante lembrarmos de onde vimos uma coisa ou outra."

    Pois é... falaram tanto que desta vez a Jansy veio junto...

    Eu tendo a me lembrar do "pacote completo": filme, em que sala, com quem, o que se fez depois (nem tudo publicável). Tendia... Agora posso me lembrar de todo o entorno, menos do filme... mas é asim que minha inútil memória-Ram se passa(va) e te acompanho

    Lembra Jansyta: "Manto Sagrado, cine Palácio ( ou havia um Cine Metroda Cinelandia? ), onde uns dez anos depois vi toda série da Marylin Monroe e ainda "E o Vento Levou".
    Pode ser: o Palácio era praticamente a sala de lançamento dos filmes da 20th Century Fox e marilyn e o manto sagrado eram assim, ó (que blasfêmia, Marilyn vestindo - ou despindo o manto sagrado...). Já os Idos com o Vento eu vi no Vitória, ali perto, na Senador Dantas.

    Volta Jansy:
    "Os Dez Mandamentos
    , passaram no cine São Luiz, Largo do Machado. Bergman, principalmente Gritos e Sussurros foi no cinema que você descreveu, numa galeria na Barata Ribeiro que troquei confundindo as ruas da " Ilha Nua".

    Não sei, não: Recebi, tal qual Moisés, as táubas  da Lei no Olinda, mastodôntica sala da Pça. Saens Peña, dita a maior da América Latina que não era do mesmo circuito do São Luís. "Gritos e Susurros" foram ouvidos por surpreendentes 26 semanas (meio ano) no Art Copacabana, hoje uma sapataria.
    Jansy tenta refazer o mapa tal qual Borges numa Buenos Aires mítica:
    "Seguindo as paralelas vamos da AV.Atlantica pela Barata Ribeiro e chegamos à Raul Pompéia? Uma avenida larga, antipática, que desemboca na Francisco Otaviano?  De um lado, um cinema próximo da F.Otaviano e oficinas de conserto de automóveis, sombreada pelas pedras do que derrete na praia do Arpoador, acho que era o Riviera - ou...Ricamar? Não, esse era perto da Duvivier? - com uma grade metálica empoeirada e preferencia pelos italianos ( Antonioni ) e do lado oposto, em frente a tal pracinha perto da Rainha Elizabeth, o cinema dos japoneses..."
    Me perco nesses caminhos mal traçados até hoje em dia, quanto mais, fora do tempo e do espaço, mas acho que está tudo certo. O cinema à direita de quem ia para a Francisco Otaviano era o Alvorada; o do outro lado da rua era o Riviera; o Ricamar era, de fato, perto do Copacabana Palace (fundos) na Av. Copacabana, hoje "Sala Baden Powell" para shows de MPB segundo projeto da prefietura, mas com Cesar Maia e Miguel Fallabella no poder, nunca se sabe o que vai e mais facilmente NÃO vai acontecer nas salas municipais. Aliás, o Brasil é tão sem graça que o Theatro Municipal é... estadual (t'esconjuro, da Rosângela Matheus e do Antony Idem! Pé de pato, mangfalô 3 vêis!)

    Diz Jansy: "Perto do seu antigo consultório, no Roxy, vi "Amor Sublime Amor" ( West Side Story) ."
    Antigo? Continuo no mesmo prédio, só mudei de sala, continuo perto do ÚNICO cinema de Copacabana que sobreviveu (o Caruso virou banco Itaú, o Rian, na praia, que maravilha, virou hotel do Roberto Marinho)

    Pulando alguns pontos de pasagem da viangen jânsyca, re-encontro com ela "em local desfeito da praia de Botafogo na região do Pavilhão Mourisco, todos os filmes nacionais da Atlântica ( um leão ataca Oscarito? Suspense e medo ou metáfora para os filmes da Metro?  Terror nas chanchadas??? Bem, até que pode ser pois lembro do homem mau que era sempre José Lewgoy e os mocinhos, Cyl Farney e Anselmo Duarte...)    "O Monstro da Lagoa Azul" eu vi na rua Voluntários, quase perto dos cinemas do Mourisco e se não virou igreja evangélica ainda continua com filmes pornô."
    Não sei qual seria o cinema do Mourisco. lembro do "Teatro Jovem" que funcionou num auditório de colégio de freiras bem ali na curva que liga o final da praia de Botafogo à Rua da Passagem. neste teatro assisti "A Moratória" do Jorge Andrade com a Isabel Ribeiro e a Vanda Lacerda, o pequeno palco dividido em duas partes, um lado para o passado, outro para o "presente" (de 1920 e poucos ou 30, sei lá) com ações transcorrendo simultâneamente. Um lado, esperança e alegria e luta; o outro, derrocada sem carnaval à vista. Vi a estréia da Renata Sorrah em peça do Zé Wilker como autor, "Trágico acidente destronou Teresa" baseado no fato real de uma candidata a miss que se matou. Vi Glauce Rocha num monólogo, "Um Uísque para o rei Saul".
    Mas filme, nenhum.

    Me lembrei: era de esquina com a Voluntários e praia! Nunca fui neste.
    Já o cinema da Voluntários, enorme que virou cinema pornô uns tempos, fechou e foi resucitado no Espaço Unibanco, com 3 salas, lounge com lanchonete e comidinahs carinhas embora razoavelmente caprichadinhas. E loja de sebo de livros e discos LPs bem chique... outra viagem no tempo, ver aqueles LPs...

    Meu reino por um mapa. Do tempo!


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    [Aeternus:5929] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-19)


    - Manto Sagrado

    ( adorei o título dessa lista, mas só vou poder comentar mais tarde os escritos do Galleguito ) ( por enquanto...)

    "O Manto Sagrado" levou em 1945, no final da guerra. ( Brinco, mas )Meus tios e pais o viram no 'Parisiense', na Praça Tiradentes, um cinema travestido de teatro ou vice-versa.
    Fez um sucesso estrondoso, era o assunto-da-cidade, e ficou tanto tempo em cartaz que volta e meia suspendiam-se algumas sessões, com um cartaz apregoado à entrada : "Fechado Para Lavagem do Manto".


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    [Aeternus:5930] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-01-19)


    - RE:Manto Sagrado

    Eu não disse que as memórias não-vividas são fortíssimas? "O Manto" é o primeiro filme em CinemaScope, de 1950 e poucos, nunca de 1945... Teus tios te enganaram porque criança é mesmo boba e acredita em tudo o que se lhe diz. Mas apiada é boa e pode ter ocorrido em 1952, 53, por aí...
    Quanto a uma pergunta da Jansy que fiou sem resposta: claro que exisita um Metro pertinho do Palácio, logo em seguida à Mesbla (hoje Lojas Americanas) e antes do extinto Plaza (o esqueleto do prédio do Plaza ainda está lá, ameaçador, ao lado da escola de Música e do Automóvel Clube, parece que saiu de uma cena de "Alemanha, Ano zero" numa Berlim pós-guerra. E que vai cair qualquer hora dessas...
    Os Metros eram três: Metro- Copacabana (virou C&A com aquele layout horroroso de caixote sem janelas), Metro-Tijuca (idem, C&A) e Metro- Passeio - que depois virou Metro-Boavista, mas era "fake", na verdade a construção original, no mesmo estilo dos outros dois e com ar refrigerado PERRRRRRFeito de gelar, foi derrubada e virou um prédio do Banco Boavista (que depois também dançou). Em suma, era outra sala, com um teto cheio de circunferências, placas irregulares com luzes indiretas. Diziam que o teto estava com catapora. Mas a projeção era excelente, o som, o melhor da época, a tela enoooorme. Saía de casa para ir lá asssitir filmes de técnica: "E.T.", "Indiana Jones", etc.
    Nos bairros onde não havia cines da rede Metro, havia cinemas "conveniados": O Pax na Praça N. Sra. da Paz em Ipanema, com bela escadaria e colunas (virou prédio comercial carésimo de griffes de luxo, da propriedade dos mesmos padres das igrejinha ao lado que ficou pequenina, cercada de prédios altos); o "ParaTodos" no Meier, que -antes de entrar no circuito Metro - era da rede da França Filmes, ou seja, paradoxalmente só passava filmes europeus proibidos para menores de 18 anos: Brigitte Bardot, Michèle Morgan, Jeanne Moreau, essas moças assanhadas..  pasou até "Les Amants" proibido até 21 anos!!! Por um cunilinguus que só se deduz pela cabeça do rapaz sair da tela pelo canto esquerdo enquanto a câmera permanecia no rosto em perfil da Moreau olhando para o teto; ela fechava os olhinhos e... se escutava a transcrição para piano do segundo movimento do primeiro sexteto de cordas de Brahms, cheio de rompantes arrebatadores. Quem diria, o velho Brahms que pode ter morrido casto...

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    [Aeternus:5931] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-19)


    - RE:RE:Manto Sagrado

    O visitante ainda é o Gallego falando enquanto, no bom sentido, Jansyta rides again? 

    Lembro que Manto Sagrado foi anunciado como o primeiro filme em Cinemascope. Veio antes das grandes produções do Cecil B. de Mille, mais ou menos na época em que o Robert Wagner, sem ser casal 20 ou 30, era o Principe Valente que saltava de uma amurada de castelo ingreme sem despentear o corte-pagem dos cabelos. 

    Não ia ao cinema na Tijuca, exceto o Amadeus que assisti em 1985 num cinema da Praça Saens Pena ( fui de metrô) e depois, distraída, levei Humberto para ver o mesmo filme em Amsterdam, totalmente esquecida que ele não falava inglês e que a legenda seria em holandês... Fui, contudo, em cinemas mais adiante, na Estação Riachuelo, mas só me recordo de ter assistido "Luzes de uma Cidade" do Chaplin.  Humberto, que na infancia morava ali ( mas nunca o encontrei, embora ficássemos na mesma rua separada pela linha do trem, a da minha tia era Barbosa da Silva e a dele, Alice Figueiredo) pode ter me encontrado sem nos conhecermos nesta ocasião. Lembrei disto porque há pouco fizeram piadinha com o Manto que precisava "ser lavado" e ouvi da história de um filme passado na mesma saleta de Riachuelo, alguns anos antes do Chaplin.  Humberto caçoava do lanterninha, perguntando o nome do filme " O Ovo e Eu" e o atrapalhava com " O ovo e quem?" ...

    O Metro da cidade era um palacete cinematográfico, todo carpetado, com luminárias belíssimas, ar condicionado "perrrrrrfeito de gelar".

    Raramente me recordo com quem fui ao cinema ( exceto os filmes da Atlântica, que assisti sem meus pais saberem, indo com a filha da empregada e pagando com dinheiro poupado das compras na feira do morro da Viúva - íamos cedinho ver quanto cada coisa custava e voltávamos mais tarde, quando estavam mais baratas e comprávamos registrando o preço inicial num caderninho onde meu pai conferia cada item...sacanagem relativamente inocente porque achávamos que a poupança seria nossa, de direito... ). Eu ia com mãe, prima, amigas. Nunca fui com namorado, exceto mais tarde com um Humberto recalcitrante e também só lembro de ver com ele "The Fox" no cine Veneza, perto da av.Pasteur.  Puxa, nunca fui ao cinema com namoradinhos! 

    Ah. Fui sim. Ou melhor, tentei. Ia assistir "Amor Sublime Amor" com meu namorado Christian. Fui barrada, apesar de ter mais do que dezesseis anos ( exigência da censura). Então...fomos andar pela praia e voltei sozinha outro dia munida com certidão.


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    [Aeternus:5932] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-19)


    - O Circo dos Analistas

    Memórias não-vividas... agora lembrei de onde veio essa idéia! Num trecho da "operita" "Maria de Buenos Aires" de Astor Piazzolla e Horacio Ferrer, há uma cena no "Circo dos Psicanalistas", onde eles fazem a "Sombra de Maria" (uma representação do tango, uma "milonguita" que vive morrendo e sobrevivendo) dar piruetas no trapézio-divã:
    "El Analista Primero hace la pirueta de arrancarse unos recuerdos que no tiéne".
    "Pasen a ver! Malabares de un bello remordimiento que hace su trágico intento con siete libriums impares!"
    Pero nadie es capaz de descifrar las intrincadas imágenes del recuerdo de la Sombra.
    El diagnóstico é por tanto el siguiente: "Que adentro te mira un cero, y el cero te va a llorar! ".
    Al final, la Sombra de María consigue acordarse incluso de un misterio:
    "Del numeroso gris de anteayer ya no me acuerdo más que del aquel misterio cruel que me gritó: 'Nacé! ' y cuando entré a vivir, se sonrió... Y al fin, al verme así, tan ultima y tan yo, mordiéndose gritó: "Morí!"...

    "Come and see: juggling of a beautiful remorse that makes a tragic attempt with a seven-odd Valium dose!"
    But it is impossible to make any sense of the images recalled by the Shadow in its confusion, and their diagnosis is that "inside a zero is looking and the zero will cry for you!"
    In the end, Maria's Shadow manages to recall a mystery: "Of the many greys of yore I can only remember the one cruel mystery that cried Be born! And when I came to live it smiled... And when finally it saw me like this, definate and so myself, it bit itself and cried: Drop dead!"

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    [Aeternus:5933] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-19)


    - Riachuelo, não a batalha nem a rua

    O Visitante -Fantasma rides again!  Sou eu mesmo.
    O cineminha poeirinha na estação de trem Riachuelo (não confundir com a Rua de Matacavalos do "Dom Casmurro" que é hoje a Rua do Raichuelo no caminho da Lapa, Centro do Rio) me permitiu assistir "Deus e o Diabo na Terra do Sol" que era proibido até 18 anos e eu queria assitir com meus...13 ou 14 anos, acho que 13 mesmo!
    O "Roulien", na estação de trem mais adiante, chamada de "Todos os Santos" e que tinha um permanente cheiro de uréia (leia-se mijo) e tocava uma versão de La Viletera com uma soprano nos intervalos, com o disco arranhado e a criatura se esganiçava tentando vender violetas repetidamente ("Cumprame ésto, señorito, que no vale más que un real, cumpráme ésto señorito que no vale más que un real, cumprá-me... etc etc ad nausean ad infinitum ad libitum) me barrou para ver "Irma La Douce" mas o Riuachueleo me permitiuentrar num igualmente proibido até 18 filme de terror sci-fi que em inglês se chamava "O Dia das Trífidas", onde umas plantas vindas do espaço se enrolavam no pescoço das pesoas e as devoravam. Era sinistro, bem filme B, mas décadas depois (recentemente) descobri que o livrinho original é cult para amantes de sci-fi pulp fiction, e tinha o mesmo nome original do filme ("The Day of the Triffids" ou seja lá como se escreve, acho que com um monte de yyyy, porque Tryfydds fica mais assustador do que Triffids, tal como os artistas mudernus que mudam seus nomes de Danielle para Dannyelly seguindo orientações numerológicas). O nome brasileiro do filme, eu não lembro, não sei se é cult também.

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    [Aeternus:5934] Mensagem do Grupo56
    -Uma Trífida(2006-01-19)


    - Não tinha nenhum "Y"...

    Para provar que existiu, mato a cobra e mostro o pau! Além do "belo" cartaz logo aqui, vale a pena ler bem mais abaixo o resumo do Plot, Taglines e mancadas da filmagem - assim como os brilhantes diálogos inesquecíveis, dignos de uma antolgia, tal como a frase: "Não faz sentido ser morto por uma planta!"  - existencialista?
    Houve uma refilmagem! Que elogia o livro original (mais abaixo ainda). O autor do livro tb escreveu aquele sinistro que tb já teve várias versões, Village of the Damned

    The Day of the Triffids (1962)

    cover Directed by
    Steve Sekely
     (more)

    Writing credits (WGA)
    John Wyndham (novel)
    Bernard Gordon (screenplay) (front Philip Yordan)
     (more)

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    Genre: Horror / Sci-Fi (more)

    Tagline: Beware the triffids... they grow... know... walk... talk... stalk... and kill! (more)

    Plot Summary: A shower of meteorites produces a glow that blinds anyone that looks at it. As it was such a beautiful sight... (more)

    User Comments: Get Those Weeds Out of the Garden (more)

    User Rating: ******____ 5.9/10 (1,276 votes) Vote Here

    Cast overview, first billed only:
    Howard Keel .... Bill Masen
    Nicole Maurey .... Christine Durrant
    Janette Scott .... Karen Goodwin
    Kieron Moore .... Tom Goodwin
    Mervyn Johns .... Mr. Coker
    Ewan Roberts .... Dr. Soames
    Alison Leggatt .... Miss Coker
    Geoffrey Matthews .... Luis de la Vega
    Janina Faye .... Susan (child on the train)
    Gilgi Hauser .... Teresa de la Vega
    John Tate .... Captain, SS Midland
    Carole Ann Ford .... Bettina (as Carol Ann Ford)
    Arthur Gross .... Flight 356 radioman
    Colette Wilde .... Nurse Jamieson (as Collette Wilde)
    Ian Wilson .... Greehouse watchman


    Also Known As:
    Invasion of the Triffids (International: English title)
    Revolt of the Triffids (International: English title)
    Runtime: 93 min
    Country: UK
    Language: English
    Color: Color (Eastmancolor)
    Sound Mix: Mono (Westrex Recording System)
    Certification: Iceland:12 / Australia:PG / Finland:K-16 / Norway:15 / Sweden:15 / UK:15 (video rating) (1987) / UK:X (original rating) / USA:Approved (PCA #21227) / West Germany:16

    Plot Summary for
    The Day of the Triffids (1962)

    A shower of meteorites produces a glow that blinds anyone that looks at it. As it was such a beautiful sight, most people were watching, and as a consequence, 99% of the population go blind. This chaos results in the escape of some Triffids: experimental plants that are capable of moving themselves around and attacking people.

    Goofs for
    The Day of the Triffids (1962)

    • Crew or equipment visible: The wires pulling the triffids along the ground can be seen, especially in the scene were one of them chases Susan.

    • Revealing mistakes: When the security guard is killed, you can see the triffid moving towards him on wheels. They are clearly visible for a couple of seconds

    Memorable Quotes from
    The Day of the Triffids (1962)

    Tom Goodwin: Keep behind me. There's no sense in getting killed by a plant.

    Karen Goodwin: [as her husband is boarding up the lighthouse door] It's like being nailed into your own coffin.

    Mr. Coker: Most plants thrive on animal waste, but I'm afraid this mutation possesses an appetite for the animal itself.

    Taglines for
    The Day of the Triffids (1962)

    Beware the triffids... they grow... know... walk... talk... stalk... and kill!


    Triffids take over the world! From the greatest science-fiction novel of all time!


    Man eating plants! Spine chilling terror!


    The triffids are coming! The triffids are growing! The triffids are killing!


    From the greatest science fiction novel of all time!

    The Day of the Triffids (1981) (TV)

    Poster Not Submitted Directed by
    Ken Hannam

    Writing credits
    Douglas Livingstone (writer)
    John Wyndham (novel)

    Add this title to MyMoviesAdd to MyMovies IMDbPro Professional Details

    Genre: Sci-Fi / Thriller (more)

    Tagline: Flesh-eating plants go on the rampage.

    Plot Summary: A terrible catastrophe has struck the population of Earth. Almost everyone on the planet has been rendered... (more)

    User Comments: Excellent adaptation of the original novel (more)

    User Rating: ********__ 8.1/10 (150 votes)

    Not the John Wyndham you're looking for?

    John Wyndham (I)

    Photo Not Submitted
    Date of birth (location)
    10 July 1903
    Birmingham, England, UK
    Date of death (details)
    11 March 1969
    London, England, UK.
    Mini biography
    John Wyndham Parkes Lucas Beynon Harris was born in 1903. After trying... (show more)
    Sometimes Credited As:
    John Benyon
    Lucas Benyon
    John Beynon
    Johnson Harris
    John Harris
    Lucas Parkes

    IMDbPro Professional Details

    Writer - filmography
    (1990s) (1980s) (1970s) (1960s) (1950s)

    1. Village of the Damned (1995) (novel The Midwich Cuckoos)
      ... aka John Carpenter's Village of the Damned (USA: complete title)

    2. "Chocky" (1984) TV Series (creator) (novel)
    3. The Day of the Triffids (1981) (TV) (novel)

    4. Quest for Love (1971) (story Random Quest)

    5. Random Quest (1969) (TV) (story)
      ... aka Out of the Unknown: Random Quest (UK: series title)
    6. No Place Like Earth (1965) (TV)
      ... aka Out of the Unknown: No Place Like Earth (UK: series title)
    7. Children of the Damned (1963) (novel The Midwich Cuckoos)
      ... aka Horror! (USA)
    8. "The Alfred Hitchcock Hour" (1962) TV Series (story) (one episode)
    9. Dumb Martian (1962) (TV) (short story)
      ... aka Armchair Theatre: Dumb Martian (UK: series title)
    10. The Day of the Triffids (1962) (novel)
      ... aka Invasion of the Triffids (International: English title)
      ... aka Revolt of the Triffids (International: English title)
    11. Village of the Damned (1960) (novel The Midwich Cuckoos)

    12. "Alfred Hitchcock Presents" (1955) TV Series (story) (one episode)



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    [Aeternus:5935] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-19)


    - RE:O Circo dos Analistas

    Ler em espanhol é muito esquisito. Veja, tem Malabar e malabarismo perto de librium ( e, em vez dos remédios, pensei em equilibrio mesmo, libra, balança calibrada) porque "cero te va a lllorar".

    Ontem estava ajudando uma neta que queria escrever uma poesia, sentia que podia e não sabia o que fazer.
    Perguntei: Sobre o quê você quer escrever? ( silêncio perplexo em resposta)
    Será sobre Amor, Beleza, Mundo? ( Mmm...beleza?)
    Qual tipo? ( silêncio)
    Beleza da natureza, das pessoas, das palavras? ( da natureza).
    Qual natureza? ( silêncio perplexo)
    Natureza humana, céu estrelado, plantas, montanhas e mares? ( plantas)
    Quais? ( silêncio) Planta do pé, no jardim, árvores, flores? ( flores ).
    Quais? ( Girassol)
    Por quê? ( Gira atrás do sol).

    Assim lembrei de outro netinho dois anos antes. Dudu trouxe sementes de girassol para plantar. Achei um vaso abandonado num canteiro e enfiei a semente na terra. No mesmo instante, ele olhou para o céu intrigado. Perguntei, vendo o rostinho desapontado, o que havia ocorrido?
    Resposta: O sol não girou.
    Induzido ao erro pela língua: um girassol não gira sol.

    Seja como for, não saiu poesia alguma. Meu método não funcionou, nem  com miolo mole e roda-sol.
    Por trás, eu lutava contra a imagem esperançosa de um verso com aquela limpeza que só um Ney Matogrosso canta na medida certa: no fio a andorinha como uma clave de sol... Chego a sentir, só pelo exercício da memória, um gosto acido na boca misturando laranjas, aço e...titica. Poof.


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    [Aeternus:5936] Mensagem do Grupo56
    -LF Gallego(2006-01-19)


    - O Circo bilingüe dos Analistas

    Jansy se queixou: "Ler em espanhol é muito esquisito."
    mas já pensando nisso, coloquei a versão em inglês do mesmo trecho que consta num cd com a "operita". Vc leu, Jansyta? Se preferir, envio também a versão em francês e em alemão. Duro vai ser digitar em alemão...

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    [Aeternus:5937] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-19)


    - RE:O Circo das línguas bífidas dos Analistas

    E se ler em espanhol já uma questão, até por causa da semelhança que não é igualdade (os falsos cognatos), pior é ouvir: a operita é muy linda en su parte musical, pero, não dá para entender quase nada (até pelo uso de girias e lunfardo), embora pareça muy poética.
    Agora, já imaginou se analisar com analista que habla castellano? O superego deve acabar no id e vice-versa. E isso pode ser uma forma de cura!!! (será?)

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    [Aeternus:5938] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-19)


    - RE:O Circo bilingüe dos Analistas

    Claro que eu vi com estes olhos que a terra há de comer...Se não tivesse, como saber que Librium era Vallium?
    Mas eu estava ainda tão presa no espanhol com suas sugestões mágicas que resolvi investigar malabar, ou melhor, uma medida que sabia ser "bar".  Como o site do laboratório Roche não se deixou selecionar, cortar ou copiar, tive que anotar à mão!  Vou copiar das notinhas a partir do que escreveu Fernando Navarro da empresa.

    Bar  - palabra polisémica, cuya tradución depende del contexto.

    1. Bar - local en que se despachan bebidas;

    2. [Leg.] - Abogacia,ejs: Bar association ( colegio de abogados), case at bar ( causa enjuiciada), member of the bar...

    3. [Un.] - La unidad de medida de la presión atmosférica en el sistema cegesimal no se llamaba bar sino baro.  No debe confundirse con barye, unidad de presión del sistema cegesimal equivalente a 1 microbaro. Obsérvese que ni bar ni barye forman parte del sistema internacional de unidades, en el que la unidade de presión el el pascalio.  La reducción de baros a pascalios es muy sencilla, pues un baro equivale a 10 (elevado a 5) pascalios.

    4. barra, barrote

    5. barrera, obstáculo

    6. otras acepciones: bar chart ( histograma), bar of chocolate, bar of soap, bar shaped ( retangular), between bars( prisionero).

    Pascalios. Não conhecia.

    Lembrava de calibrar, calabar, malabar, baro ( pressão) e cash (em alemão: Bar Geld). 

    Viajar nas linguas. Batuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta ( xingamento de um velho general contando com o efeito do ar na transmissão dos sons).


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    [Aeternus:5939] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-19)


    - Não confunda Germano com "Gênero humano"

    Jansyta, vc antes não escrevera sobre Librium ser Valium. E- aliás - não é mesmo: o librium foi o primeiro avanço em benzodiazepínicos - que botaram para escanteio o cloral hidratado e outros tranquilizantes "primitivos", usava-se até barbitúrico como tranquilizante. Vide as vidas tristes de astros e estrelas da época pré-benzodiazepínicos como a de Carmen Miranda alternando barbitúricos para dormir com anfetaminas para acordar entrando em dependência e síndrome de abstinência.
    O Librium é o clordiazepóxido, o Valium é um descendente dele, o Diazepan do qual sairam Bromazepan (Lexotan) Fluorazepan (Lorax, esse induz dependência à beça), Clonazepan, Nitrazepan (mais hipnótico), enfim, radicais halogenados a mais ou a menos para induzir mais ou menos sono, conforme o interesse do uso. O descendente mais ilustre na atualidade é o Rivotril (Clonazepan) que foi lançado para casos de epilepsia "pequeno mal" (desligamentos às vezes mal perceptíveis pelas pessoas em volta, às vezes com quedas ao solo sem convulsões) e virou coadjuvante de luxo para as depresões ao lado dos mudernos antidepressivos considerados a quinta maravilha do mundo, mas o Rivotril tb é usado em síndrome do pãnico, distúrbios obsessivos, e se bobear em frieiras, unha encravada e espinhela caída. Maravilha curativa perde...
    Quanto a falsos cognatos e sons com duplo sentido e palavras e expresões parecidas porém diferentes, um nome de rua tem tudo para ser um grave engano: Bulhões de Carvalho, na fronteira Copacabana-Ipanema


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    [Aeternus:5940] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-19)


    - RE:Não confunda a grande obra de arte do mestre picasso

    ...com a grande pica de asso do mestre de obra ...aspecto germano da questão pois segui a tradução que você deu. Lá foi trocado Librium e Valium.  Confira:

    "Pasen a ver! Malabares de un bello remordimiento que hace su trágico intento con siete libriums impares!"
    Pero nadie es capaz de descifrar las intrincadas imágenes del recuerdo de la Sombra.
    El diagnóstico é por tanto el siguiente: "Que adentro te mira un cero, y el cero te va a llorar! ".

    Come and see: juggling of a beautiful remorse that makes a tragic attempt with a seven-odd Valium dose!"
    But it is impossible to make any sense of the images recalled by the Shadow in its confusion, and their diagnosis is that "inside a zero is looking and the zero will cry for you!"


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    [Aeternus:5941] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-19)


    - implante de memórias e violação de privacidade...

    Assisti hoje um DVD com Robin Williams, de quem não gosto muito apesar do talento com as muitas impostações e vozes. Para mim ele será sempre o eterno Popeye ( Altman?) num filme de altíssimo astral que até hoje refaz com movimento, sátira, musica, competência...  Ele tem cara de Popeye, coitado. 
    O filme se enquadra bem no tema das memórias, embora no caso sejam até vividas em excesso.
    Como observado na sinopse, é um filme com muitos defeitos que, no entanto, serve para trocar algumas idéias em torno da temática de ficção científica. 
    Eu devia ter ido ao Broken Flowers ainda ontem, mas, quando cheguei no cine Academia, constatei que não poderia ver nem este nem qualquer outro dos prometidos. Todos os cinemas daquele circuito de filmes menos populares foram interditados pelo Corpo de Bombeiros!  Gallego, que já conheceu aquelas salas de projeção quando participou como palestrante convidado em um dos festivais internacionais ( fora os residentes de Brasília) irá aplaudir a iniciativa: as salas são um perigo!  Então, de última hora, fui ver uma comédia natalina com Diane Keaton e vários outros conhecidos em algo como "Tudo em Família" ( dá para dar gargalhada na parte pastelão, o timing deve ser muito especial para obter-se tal proeza depois de tantos anos de pastelão...). Hoje fiquei mesmo na base do aluguel.
    Final Cut ( EUA 2004) traduzido por "Violação de Privacidade".

    Robin Williams ficou tão preocupado com as críticas sobre o abuso o sentimentalismo de seus últimos personagens que resolveu diversificar a carreira fazendo papéis de vilão ou produções independentes como esta, dirigido por um fotógrafo jordaniano chamado Omar Naim. O titulo nacional faz pensar numa trama policial e de suspense, quando na verdade se trata de um misto de drama e ficção científica, denso e sério, que levanta questões importantes como memória e responsabilidade social.

    Uma grande organização desenvolve a técnica de implantar um chip (orgânico) na criança de forma que ela registre tudo aquilo que vir e fizer durante sua vida. Quando morrer, uma espécie de montador terá acesso a esse material e editará uma espécie de filme especial com as rememórias. Esse montador corta as partes comprometedoras, ou mais feias, tudo o que for podre ou desonesto.

    Robin Williams é o mais conceituado desses montadores - o título original refere-se ao corte final, a edição final das imagens que será apresentada à família. Como em "Cidadão Kane", ao investigar a vida de um cliente ele descobre o bem e o mal, inclusive um lado criminoso. O filme não mostra muito o lado corporativo da empresa em que o cliente era diretor, fixando-se no crime pessoal do falecido, que abusava sexualmente de sua filha pequena.

    Parece complicado? Sim, um pouco. Não é uma fita digestiva. Mas é interessante. E se complica porque Robin tem um trauma de infância, ele teria falhado quando não ajudou um colega que caiu de uma plataforma e morreu. E disso não conseguiu se recuperar. Quando acha que sua vítima pode ter sobrevivido, procura expiar a culpa tentando reencontrá-lo.

    A situação se complica mais porque existe um grupo terrorista que mata, protesta e rouba para conseguir acabar com essa manipulação da memória. Um dos problemas do filme é colocar como heróis terroristas que têm a causa certa mas agem da maneira errada.

    Robin Williams não dá muito certo em papéis dramáticos, e Jim Caviezel ("Paixão de Cristo") demonstra mais uma vez ser um canastrão. Mira Sorvino, que nunca deu certo depois do Oscar, tem papel insignificante. Mas "Violação de Privacidade" é uma ficção científica que nos faz pensar e discutir.


    Título original: The Final Cut (EUA, 2004)
    Diretor: Omar Naim
    Elenco: Robin Williams, Mira Sorvino, James Caviezel, Mimi Kuzyk, Stephanie Romanov, Thom Bishops, Genevieve Buechner, Brendan Fletcher
    Extras: bastidores, entrevistas com o elenco e diretor
    Idioma: inglês e português
    Legendas: português e inglês
    Duração: 94 min. Cor
    Distribuidora: Playarte
    Pensei em comentar alguma coisa do filme porque, de algum modo, atualmente são os psicanalistas que trabalham com  a memória e seus fetiches.
    Lembro agora que Robin Williams foi um fetichista obsessivo também em outro filme que envolvia imagens, ele revelava fotos em um laboratório de shopping.
    Acho questionável a idéia de que uma memória tipo desta, inventada no filme, funcione porque é algo predominantemente visual e auditivo. As nossas memórias são agrupadas a partir de informações dos cinco sentidos tradicionais, mais a cinestesia e outros tantos registros, sendo alteradas no transcurso da nossa vida pelos afetos, defesas, idéias e, principalmente, sob efeito da palavra.  Então...
    Se alguém topar e puder ver o filme, quem sabe encontramos algo para debater aqui.

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    [Aeternus:5942] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: The Fox

    ( "agora eu sei /da onda que desceu no mar/ e das estrelas que esquecemaos de contar / fundamental é mesmo o amor / é impossível ser feliz sozinho" )

    Agora entendo por que Jansyta casou-se com Humberto !


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    [Aeternus:5943] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE:RE:Manto Sagrado ( lavado com Omo Plus )

    Esse 'Visitante' aí só pode ser Dom Gallego de Astúryas y Procuryas.
    Meu tio 'épico' lia muito Império Grego, Império Romano...
    Adorava o Azteca e a série 'Maciste', pasticho italiano de Hércules.
    Maciste era compenetrado em suas tarefas espetaculares, e após escrever páginas e páginas históricas ouvia flauta e harpas, enquanto musas tentavam agradá-lo. O rapaz era algo casto, comedido.

    Brahms foi um Henry Miller na Música, é ?...que coisa !


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    [Aeternus:5944] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: memórias vividas de novo o Alvorada

    "La Violetera" - a canción e a trilha - eram paixões de meu tio-Maciste !

    Ele era apaixonado por Sarita Montiel. Não sabia cantar, mas assoviava de montão.
    O outro tio que aguardou a lavagem do manto para poder assisti-lo tinha uma cultura mais cool, mais embasada. Talvez menos paixão à flor da pele. Numa metáfora cinematográfica, o tio-Maciste seria mais um produtor esdrúxulo, e esse outro um Mario Monicelli.

    Capítulo Alvorada : embora aceitando as honrarias de matusalém, meu irmão de 53 anos, mais novo do que eu, disse-me há pouco sobre nosso assunto "Ih ! cansei de ir ao Alvorada !".
    Corolário : não sei como o Gallego arranjou essa exclusão daquela nobre casa do cenário mudérno.


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    [Aeternus:5945] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: Robin Williams / o Garp de Irving e Roy Hill

    Fugindo do clownesco, o Robin tem dois papéis que aprecio : o que lhe deu m ais notoriedade dramática, em "Dead Poet's Society"; e o de um filme que adoro, de George Ruy Hill ( diretor de "Butch Cassidy" e The Sting" ), chamado "The World According to Garp", sobre o exótico John Irving.

    Este último tem uma ironia amarga e ao mesmo tempo um hedonismo desesperado, bem ao jeito do autor do romance. Meu amigo roqueiro-nudista o considera um dos melhores filmes que já viu. Emocionou-se muito e cita-o sempre.


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    [Aeternus:5946] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE : nova troca de Henrys

    Henry James por Henry James again, oh ! God !...O que houve comigo ?
    Assim o Gallego não sórta meu pé...

    Quis me referis à castidade de Henry James, sabidamente oposta à promiscuidade do Miller. Erro perfeito, total.
    A suposta virgindade do James e agora a possível do Brahms caem no conceito do Millor Fernandes, que tem a invencibilidade pelo sexo como "a pior das perversões".

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    [Aeternus:5947] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:RE: Robin Williams / o Garp de Irving e Roy Hill

    Caro Florião, não vi o filme The World acording to Garp.  Aquele outro, da Sociedade dos Poetas Mortos  que colaborou para inspirar nomes de restaurantes em Brasilia (Carpe Diem) me  comoveu meio morbidamente na ocasião, e perdeu as qualidades numa visão retrospectiva e desde então dele me esqueci.  Comédias, como aquela em que Robin Williams se transforma numa senhora babá dos filhos, exigem demais da capacidade de "suspender a descrença".

    Creio que o problema com este ator, além da feiura, está no olhar azul e límpido que sugere um tipo de insensibilidade ou de burrice. A Diane Keaton, na comédia familiar natalina, tem um jogo de expressão nos olhos, um aprofundamento do seu papel de supermãe neurótica que enriqueceu o filme do começo ao fim.  Williams, ao contrário, opera esvaziando a pungencia das situações.  Veja só o filme de ontem.  Dá para contar  a história esquecendo que é uma ficção científica mal-alinhavada. Extrair a tese neurótica do personagem desempenhado pelo Williams no papel de bondoso "censor" ( no filme é mais "editor", "aquele que corta", "the cutter" ).

    Quando o filme inicia vemos, quase em preto e branco, dois meninos brincando num galpão em obras. Um deles, Lois,  cai de uma altura de uns dois andares e se esborracha numa poça de sangue. O outro, Alan, só de passagem durante uma visita dos pais àquela cidade, hesitou demais para ajudar o amiguinho e, apesar de se sentir muito culpado, leva consigo um amuleto que o morto perdeu num prego do galpão.
    Na cena seguinte temos Alan idoso, trabalhando para uma firma de olhos, imagens e obituários, tendo uma agenda nas mãos cujo marcador é um amuleto. 

    A idéia mal explorada é de que, em alguma época no futuro, inventa-se um sistema de filmagem que opera por meio de um implante organico no cérebro e tudo que uma pessoa experimenta é filmado.  Depois que ela morre editores ( " do bem", como o Alan/Williams) tem acesso à filmagem inteira e cortam as lembranças que não interessam à familia para deixar as que favorecem a história do morto. Este filme sofisticadíssimo é depois colocado no mausoléu e pode ser ativado pelos nostálgicos que quiserem visitar os mortos para rememorarem seu passado e até se verem pelos seus olhos.

    Porque, de algum modo, são os olhos que funcionam como diafragma e lente da filmadora, as imagens sendo gravadas num chip implantado assim que o portador nasce.  Custa caro adquirir um chip e nem todas famílias escolhem presentear os herdeiros com um implante desta ordem. No final da adolescência, no período de maturidade, os pais então comunicam ao filho que ele ganhou tal implante de presente e a propaganda espalhada na cidade sugere que esta dádiva dos pais é expressão de uma iniciativa amorosa.

    Alan, o censor do bem, é inteiramente dedicado à tarefa de preparar as concretas memórias do morto que garantirão sua imortalidade pessoal ( qualquer um pode partilhar com ele, a partir de então, suas experiências mais íntimas desde a hora do nascimento até o último suspiro, vistas pelo próprio angulo ou seja, de baixo pra cima na criança e de cima pra baixo no adulto).  Mesmo havendo protestos dirigidos contra a companhia que faz os implantes e os administra, cartazes veementes portados por hippies tatuados ( depois entendemos que estes tatuados são crianças que tiveram implantes e, recusando-os, os extrairam por meio do sistema de tatuagem que bloqueia o chip), Alan ainda se sente motivado em sua tarefa neurótica.  Ele se vê como numa crença vigente entre os antigos gregos, uma espécie de pária comedor de pecados, servindo para purificar a viagem da alma do morto absorvendo dele os defeitos mais pecaminosos.  Ele se sente obrigado a limpar a memória dos mortos mais perversos porque ele é movido pela culpa. Ele se acusa de ter incentivado a morte do coleguinha Lois e de tê-lo covardemente abandonado.  Seu trabalho de "cutter" é uma forma de expiação dos próprios pecados.

    Ele mesmo não sabe que tem um implante.  Uma das táticas da firma é de que seus editores não tenham implantes porque como eles vêem todo a história filmada pelos seus mortos, eles teriam gravadas as imagens da história dos outros em seus piores aspectos ainda não "limpados".  Os pais de Alan morreram pouco depois do passeio ao galpão, num acidente de carro. Eles não tiveram chance de contar pro filho do presente de grego que lhe deram...  Quando Alan descobre seu implante ele passa a desejar ver aquilo que aconteceu quanto ao acidente do garotinho Lois: comparar sua lembrança e a imagem verdadeira da lembrança.  Esta "visão" pode custar a vida daqueles que tem os chips, mas ele arrisca assim mesmo para se confirmar como "comedor de pecados".Os que se opõem à corporação que implanta os objetos o perseguem porque desejam acabar com a empresa, atingindo o diretor a partir do que ele trazia no seu chip particular. 

    Mira Sorvino, tão sem graça quanto o olhar do Williams, é sua namorada. Indevidamente, movido pela curiosidade mórbida ciumenta, Alan pega um chip do falecido primeiro amor dela e retira dali parte das lembranças dele.  Ela se indigna com isto porque descobre a trama e defende a idéia de que tanto as recordações boas quanto as ruins devem ser preservadas.  Fim para o papel de Sorvino, esta é sua unica função no roteiro, carregar esta idéia da "neutralidade" da lembrança.

    O resto... depende da interpretação, não? 


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    [Aeternus:5948] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:RE : nova troca de Henrys

    Tem Henry James, Henry Miller e tem Arthur Miller.  Não conheço nenhum Arthur Henry, nem Arthur James. Esta confusão dos nomes não deve ser sem significado.  Henry Miller é o escritor de erotica intelectual, o tal amigo da Anais Nin, filmado também em "Henry and June". Arthur Miller foi casado com a Marylin Monroe. Henry James escreveu "A volta do parafuso" ( Os Inocentes ), etc e etc. e até me confundo achando que escreveu "A Herdeira" em vez de "Washington Square".

    Ah. Henry James não escreveu um conto chamado "Daisy Miller"?  Seja o que for, e bem nítido no outro intitulado " A Fera na Selva", temos que considerar a tese do psicanalista frances J-B Pontalis, sobre as fantasias marcantes do escritor, todas de cunho homossexual, se não misóginas simplesmente.

    O que me leva à segunda pergunta pro Florião. Você escreveu que o filme  "The Fox" o ajudou a entender porquê casei com o Humberto ou foi apenas uma coincidencia entre o título e outra história, esta brasileira?  Para ser franca, não sei mais sobre o que era o filme e nem sei se alguma vez soube. Achei que era de um casal de mulheres morando numa chácara e tendo uma raposa de inimiga, destruindo-lhes a lavoura e as galinhas... Uma história que transforma o idílico projeto de "quero uma casa no campo"...?

     

     


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    [Aeternus:5949] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - um post-scriptum genérico e a censura

    Quando releio o que escrevi noto erros de concordância, virgula, estilo...Sei que não estão me cobrando nada em particular ( nem reclamam de ortodigitar acording em vez de according) embora as falhas possam incomodar.  Queria explicar que vezes censuro frases e "faço cuts" por motivos vários e muito perco o pé na composição geral da sentença.

    No caso do filme da invasão da privacidade do Robin Williams, minha censura motivou-se pela intenção de não estragar o filme todinho para quem ainda não o assistiu e entregar a trama com seu Gran Finale. No caso do "The Fox" ( que posso investigar pelo google para me recordar) estava preferindo ouvir antes o que Florião tem a dizer...

    Mas quanto à idéia da "rememória" do filme dos implantes... puxa, que anti-climax a proposta de uma memória pessoal servindo á sociedade, às empresas e às famílias que dela poderão usufruir, enquanto que o infeliz que vive as experiências cria a memória só para os outros. Ele mesmo não as visita, não as curte: nada revive como re/cordar ou re/memorar e só deixa um caro filme para quem nem pediu pra ver.

    Eis um exemplo de recalque que não tem muita relação com que Freud originalmente pretendeu, mas não deixa de ser uma caricatura: o que a sociedade proibe vai pro registro inconsciente e só o "cutter" psicanalítico resgata e enterra outra vez para que o desadaptado ou inadequado segundo o jogo da moda suma totalmente da história. 

    Ai. Pra mim recordar é viver, como no samba.


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    [Aeternus:5950] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: just a joke

    É que adorei "The Fox", com a fanhosa-talentosa Sandy Dennis, do "Quem Tem Medo de Virginia Woolf" no difícil e sensível papel da . O filme é de Mark Foster, e da época gloriosa do Veneza.
    Ah ! É também da época em que os americanos ainda conseguiam abordar sexo sem deserotizá-lo ao mesmo tempo, estrutura similar à dos caminhões pipa e de récolte da prefeitura e Paris atrás das passeatas.


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    [Aeternus:5951] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:RE: just a joke

    Explicação cambeta, mas aceita. Sandy Dennis é outra feiosinha, mas tem muito talento e dá gosto assistir. Creio que a vi pela primeira vez no filme " The Group", sobre história da Mary McCarthy e no qual Candice Bergen faz o papel da lésbica. 

    Quanto ao que Google pode me dizer sobre The Fox tive que penar um bocado para achar. Sem outros dados comecei peguntando por Fox e cheguei a todos os canais da Fox a cabo, na 20th Century Fox, no Michael Fox, no filme com Dirk Bogarde ( The Servant) no qual há um personagem Fox. Peguei campanhas contra a caça às raposas...  Finalmente, ei-lo, mas só de passagem, num site sobre bisexualidade no cinema: In another film formula, a gay man or lesbian is left by a bisexual lover who pursues a heterosexual relationship. In 1968's box-office success The Fox, the bisexual female character Ellen ultimately chooses a man over her female lover, who, in turn, is killed by the male, Paul.

    Agora, com a dica da Sandy Denis posso pesquisar com mais coerência. Só "Fox" era amplo demais.


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    [Aeternus:5952] Mensagem do Grupo56
    -Raposinha(2006-01-20)


    - RE: a joke do Pequeno Príncipe

    The Fox, 1968, USA
     
    Director Mark Rydell's first feature film (an uneven adaptation of D.H. Lawrence's novella of lesbian love) raised many eyebrows in 1968. Sandy Dennis and Anne Heywood star as lovers who have segregated themselves from the world in a lonely farmhouse. Dennis is the dominant female in the relationship. There is a hint that the older, uneasy Heywood harbours a longing for physical contact with a man. 

    Keir Dullea invades the relationship and sparks the disintegration of the women's coupling. 

    Prettily filmed in Canada, and featuring a sincere performance by Sandy Dennis the movie was eventually diluted by circumspection that left much of the audience wondering what was so important.

    Sandy Dennis
    Keir Dullea
    Anne Heywood
    Glyn Morris


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    [Aeternus:5953] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - mais memórias vividas : Garp, Sorvino e Gatsby

    Curiosa essa leitura censurada de nossas vidas no enredo relatado. Mais um vilão exótico, e outro aterrador. Pior que os Freds, Jasons e Godzillas...
     
    Em Garp, ao contrário do que Jansy diz - e concordo, a respeito do ator em geral ao longo de sua carreira - o Robin Williams dá nuances ao papel. Garp é um filho gerado por uma ereção priápica de um sargento obnubilado, numa cama de enfermaria, Certo dia, a enfermeira ( Glen Close )e sua mãe, que não foi contratada pelas pornochanchadas nacionais mas que cede à tentação da tenda cotidiana daquele leito imutável, decide erguer o lençol e sentar no mastro, gerando a gravidez de Garp.
    Ela seria seu pai e sua mãe, destarte, para sempre.
    Garp é um homem produtivo, trabalhador, professor universitário, dedicado e pesquisador. Centrado, bem adaptado ao establishment, 'bem casado'. As minorias começam a florescer a seu redor, grupos de ativistas os mais esdrúxulos possíveis. John Lithgow faz o papel de 'Roberta'. Ele é um ator-armário de mais de 2 metros, e faz essa ativista travestida em mulher, que decide decepar a língua em protesto contra todas as injustiças com que que o sistema americano afronta as mulheres...
     
    Há um belo contraponto dolceamaro na batuta de Roy Hill ao longo do filme. As intempéries e o trágico entram como inserções 'que não deviam estar ali, que não deviam ter acontecido'. Garp tem um olhar sempre sereno diante deles, sempre de reconstrução, sempre apegado à Vida. Sua esposa é igualmente professora universitária, uma mulher simples e boa parceira.
    Nesse pacato cenário interiorano, ela envolve-se com um aluno adô, lá pelas tantas - ninguém é de ferro -  que termina numa pitada clássica à la Irving : num dia de tempestade, à porta de casa de carona no carro dele, já quase despedindo-se  do caso, aceita fazer uma felação-final no rapazinho. O marido está chegando, quase não enxerga mais de um metro à sua frente, e tromba forte no carro do rapaz. Com o súbito tranco, ela trinca os incisivos lesando-o gravemente, além de sofrer ela mesma lesões cervicais e torácicas.
    Garp a tudo perdoa. Compreende Roberta, compreende a mulher...gosta de sua casa, gosta de seus filhos, gosta dessa America louca. Até...( não posso contar o final, pode ser que você queira vê-lo um dia, e vale a pena mesmo sabendo tudo o que eu já contei ! )
     
    Sorvino. Mira Sorvino. Ela prometia em "Mighty Aphrodite", com o Woody.
    Nunca foi bela, mas tem talento. Andou bem em "At First Sight"( 1999 ) do qual gosto, sentimental e intimista, onde faz uma advogada bem sucedida em NYC e visita um cliente( Val Kilmer ) nos arredores.
    Li em sua filmografia uma curiosa refilmagem de "The Great Gatsby" em 2000, para TV. Que ousadia ! Ainda mais depois do excelente filme do Jack Clayton de 1974, que até hoje não sei porque fracassou em crítica e público. Talvez por assumir o que os americanos mais detestam : o festival de exibicionismo, desfaçatez e hipocrisia. E naquela época regado a champagne, em festas com luzes e acolhedores chafarizes para os pares de charleston refrescarem-se após a Olimpíada, tiaras luxuosas, plumas e colares de pérolas a encharcarem-se juntos...coitados !

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    [Aeternus:5954] Mensagem do Grupo56
    -Raposão(2006-01-20)


    - RE: mais The Fox ( vividas )

    Anne Heywood vai bem igualmente como 'a vítima' da idiosincrasia da Sandy.
    O Keir Dullea é que sempre faz aqule jeitão monocórdio, caradura enrustido. O Kubrick inventou-o para "2001", talvez desejando um ator numa linha not-Actor's Studio, e deixou-o por lá brincando de monolitos, astronaves e deuses pelas galáxias.
    No fim colocou-o com 90 anos percorrendo trôpego ambientes rococós com armários de pés finos, em madeira pintada e/ou envernizada.

    De tramas lésbicas clássicas com envolvimentos hetero acoplados, meus eleitos são meus romances. No cinema adoro "Les Biches"("As Corças") Claude Chabrol ( 1968), com sua então e sempre mulher Stephane Audran, que filmou muito com ele, a gostosona Jacqueline Sassard e Jean-Louis Trintignant.
    Para fazer esse papel de conformado-distinto e/ou corno-perfeito entediado o Trinti era inigualável.

    Já na Italia o especialista era Ugo Tognazzi, que esmerou-se no rôle, mas ali com as cores del paese. Galhofas, piadas chulas, desmunhecadas. Traído francês ( parisiense ) é uma coisa, cornutto italiano é outra.
    Meu irmão diz quer leu e soube, conversando diretamente com pessoas que conhecem o interior francês, que os dramas passionais não ficam tão longe dos daqui da terrinha...


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    [Aeternus:5955] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - bisexualidade no cinema

    Procurando material para localizar "The Fox" cheguei a uma reportagem bem informativa sobre "Bisexualidade no Cinema". Está em inglês e quis copiar diretamente para cá, mas não foi possível. Agora há um sistema com um desenho de cocar índio que avisa que a URL que pretendo colar não pode ser divulgada. Assim sendo, voltarei mais tarde com o material porque aproveito a censura para traduzir para o português e ser mais útil deste modo.

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    [Aeternus:5956] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego (2006-01-20)


    - Abrindo as porteiras da memória

    Foi só dar uma dica que saímos todos a soltar nossas caixinhas de Pandora do passado, presente e futuro, nem tenho como comentar tudo que já foi dito de ontem para hoje, mas vou tentar:
    1- Não conhecia este filme do Robin Williams, talvez tenha saído direto em dvd. É impresionante como astros que "estouram" na bilheteria se transformem - subitamente - em "veneno de bilheteria". Isto ocorre desde os tempos da idolatrada Kate Hepburn e independe de talento, beleza, carisma. Shit happens para les também. Robin Williams abandonou o estereótipo bonzinho-simpaticão meio chatinho para papéis de vilão, malvado, psicopata, perverso. mas não vem dando certo. Fala-se também em "maldição do oscar" para certos atores, especialmente premiados como coadjuvantes como Mira Sorvino e... Robin Williams num papel de "psicanalista" tipo... não-psicanalista naquele filme-clichê que os espertinhos Matt Damon e e Ben Affleck escreveram o roteiro feito-para-ganhra-Oscar repetindo todos os clichês de garoto-rebelde-genial-precisando-ser-compreendido-em-suas-peculiaridades-para-não-ser-mais-um-looser-e-vencer-na-vida, ufa!
    Vou tentar ver o filme em dvd: gostei da trama. E gosto do Williams (embora tb não curta a Sociedade dos Poetas Mortos naquele negócio de rsgar livros), de certa forma ele me comove, desde que o "descobri" no "Mundo segundo Garp" que eu curto de montão, que me revelou ele, o grandão Lightgow e a Glenn Close (que na época eu achei que era a Meryl Streep que tinha ficado menos bonita de repente). Acho o Williams hilário na Babá quase perfeita, no papel de Bárbara Heliodora, nossa crítica demolidora de teatro, séria e consequente, diga-se o que se diser, mas com coerência de ponto de vista, ao contrário de meus amigos da área de cinema, cultos e espertos, mas pós-modernos demais a ponto de aplaudirem de pé o abominável King Kong (que ao meu ver reedita a fantasia de invencibilidade dos EEUU contra B(K)ingLadenKong) e arrasarem um filme anti-militarista sobre o treinamento dos marines porque se pasa na guerra (a primeira) do iraque e não condena a guerra do Bush-pai explicitamente. Ora, o filme do Sam Mendes (Soldado Anônimo) não é sobre a Guerra do Iraque especificamente, apenas é a guerra da época, e poderia ter o mesmo nome de outro filme do Altman: Exército Inútil.
    2- O irmão do marcos mais novo esconde a idade ou foi precoce: o Alvorada agonizava quando o Paissandu despontava como lugar "in" em 1965, por aí. Ele ia ao Alvorada que nem eu ia: assistir "A Princesa e o Plebeu". E olhe lá...
    3 - Brahms, dizem, era apaixonado por Clara Schumann (e ela por ele?), mulher do Robert que "descobriu" o então jovem (e então um bonito rapaz, pelas fotos) Johannes Brahms. O Robert foi enlouquecendo, coitado, tentando suicídios até que conseguiu. Clara era tida como exímia pianista e ela e Johannes ficaram amigos. Dizem que platônicos. Quem há de saber? Mas o já velho (nas fotos) barbado encanecido e de cenho severo Johannes morreu solteiro. Modelo de severidade na composição, rigor na forma, é o "clásico" formal dos românticos, exigente de seus ouvintes, sem os derramamentos wagnerianos (e virou Marlene x Emilinha, bramsianos x wagnerianos), mas onde, sibitamente, emergem quase que sem querer, coisas como o tema manjado da terceira sinfonia, mais romântico do que qualquer coisa; ou a beleza dlorida de uma daquela peças para piano, acho que a opus 117 ou 118, que Cacá Diegues usou em "Chuvas de Verão" numa cena-diálogo antológicos: o recém-aposentado perplexo Jofre Rodrigues, de pijama, como convinha aos antigos aposentados de subúrbio, ia na casa ao lado de seu amigo Sady Cabral (que ficava no telefone descobrindo quem de seus contemporãneos estava vivo ainda e quem já tinha morrido) e encontra a esposa do Sady, a Lourde Mayer, dedilhando essa peça de Brahms no piano (certamente uma licença poética, pois que professora de piano do subúrbio teria tal sofisticação de tocar essa peça de Brahms, ao mesmo tempo tão sofisticada e sutil mas capaz de rasgar o miocárdio em tripas?). O Jofre, que está deprimido com o que passou a perceber do pequeno mundo á sua volta, mediocridade, mesquinharias e perversões, fica extático e estático, esperando a Lourdes acabar de tocar. Ela diz: "O velho Brahms devia estar muito triste quando compôs isso..." e fala da velhice. O Jofre tenta animá-la (ele, que estava na fossa) mas ela, com clarividência e realismo se vira para ele diz, numa época em que palavrão proibia filme, ainda mais se saíse da boca de venerandas personagens: "Merda, seu Afonso. A velhice é uma merda!"
    3- Jansy: vale seu esforço de memória dos fatos acontecidos, mas Sandy Dennis não fez parte d"O Grupo" que pretendia revelar novas atrizes
    Candice Bergen .... Elinor 'Lakey' Eastlake
    Joan Hackett .... Dorothy 'Dottie' Renfrew
    Elizabeth Hartman .... Priss Hartshorn
    Shirley Knight .... Polly Andrews
    Joanna Pettet .... Kay Strong
    Mary-Robin Redd .... Pokey Prothero
    Jessica Walter .... Elizabeth 'Libby' McAusland
    Kathleen Widdoes .... Helena Davison
    mas quem conhece alguma além da Candice Bergen que já era meio conhecida como modelo e tinha papai (ainda que sem muito sucesso, ventríloco) no meio artístico?
    A Elizabeth Hatrman ainda recebera um Globo de Ouro e concorreu a um Oscar no papel de cega filha da Shelley Winters que tinha no preto de alma branca da época, Sidney Poitier um amigão, "A Patch of Blue" (don't remeber o título brasileiro), mas só a vimos de novo em "O Estranho que nós amamos" como uma das taradas reprimidas professoras que queriam comer o soldado evadido da Guerra de Secesão, Clint Eastwood e como a mulher repudiada pelo Alan Bates na hora H porque ela estava menstruada e judeu não deveria transar com mulher menstruada em "The Fixer". Apesar de sucessos no teatro em remontagens de "À Margem da Vida" e "Our Town", a carreira cineamtográfica não deslanchou, a moça sofria de depresão psiquiátrica e acabou se matando como outra personagem do filme "O Grupo". Sinistro...
    Já a Candice Bergen também teve carreira irregular com mais baixos do que altos (Carnal Knowledge é um dos raros altos), tendo sido casada com o Louis Malle por 15 anos até a morte dele sem nunca ter participado de filmes por ele dirigidos e acabou servindo de "escada" para Sandra Bullock numa chanchada de concurso de misses e fazendo sucesso na TV em uma série. mas no auge da beleza trabalhou num filme péssimo retirado de Harold Robbins (de Os Insaciáveis e best-merders semelhantes) chamado "The Adventurers" que tinha como único mérito a trilha sonora de Tom Jobim de onde saiu "Matita Perê", por exemplo. Tom ficou fissurado na Candice e compôs, com letra em inglês mesmo "Bonita" para ela (What can I say to to you, Bonita?) cuja letra em português só saiu recentemente (por que você que ´tão bonita...?)
    4- Sarita Montiel foi mina primeira transição da latência para a pré-puberdade: cafona, brega de alma, hoje uma semi-Dercy Gonçalves de España flaando mal de um ex-marido cubano que ela casou aos 70 e tantos anos e ele com uns 30 e poucos, dizendo que ele é gay...
    Mas antes de virar a mujer fatal da espanha de Franco teve breve passagem em Hollywood ("Vera Cruz", western com Gary Cooper  e Burt Lancaster onde ela está jovem e lindíssima) tendo se casado com o diretor de "El Cid", Anthony Mann.
    Já meio velhota devassa gravou um CD chamado Os Homens de Minha Vida onde deica faixas a James Dean, Hemingway, Gary Coper, Anthony mann e deus sabe mais a quem que ela comeu. Safadinha ou delirante? Foi bonita na linha Ava Gardner, cantava mal, com voz susurrada e tentou repetir o clichê da Viloetera de "El Ulyimo Cuplé", inacreditáveis sucessos nos países de lingua hispânica no final dos anos 1950 em clones cada vez piores. Um dos últimso, filmado no Brasil chamado "Samba" onde ela assasinava La Noche de Mi Amor  (Noite do Meu Bem) Nadie me quiere (Ninguém me ama) e A Baixa do Sapateiro em ritmo de Teatro de revista decadente da Pça Tiradentes ou do exterminado "Scala" de um patrício  que foi "rei da noite" aqui no Rio com inúmeras casasd noturnas e negócios excusos e que acabou na cadeia.
    Um desperdício, a bela Sarita...

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    [Aeternus:5957] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:bisexualidade no cinema

    BISEXUALIDADE NO CINEMA
    ( adaptado de um texto de Carla Williams, encontrado na internet)
     
    A história dos gays e das lésbicas no cinema está bem documentada, mas a bisexualidade, tanto nos personagens como nos atores, tem sido pouco explorada. Enquanto que alguns historiadores e diretores de cinema encaram a bisexualidade de modo "mediado" e como uma forma aceitável de se representar a homossexualidade, outros desprezam o bisexual como sendo ora traidor do mundo gay, ou um doente desviante entre dois mundos, sofredor de manias homicidas ou suicidas.  As primeiras apresentações de tipos bisexuais no cinema surgiram em 1914 no filme " A Florida Enchantment" feito pelo americano Sidney Dew. Depois deste temos "Zapatas Bande", também deste mesmo ano, de um diretor alemão. São filmes mudos que escaparam da censura e seus diretores por isso mesmo puderam representar a sexualidade da vida dos personagens sem as constrições da moralidade da época.  Ainda assim sua sexualidade ficava mais implícita do que apresentada de modo aberto. As descrições da homosexualidade ou da bisexualidade eram freqüentemente cobertas pelos temas religiosos para escapar dos censores de cada país pois estes editavam os filmes antes de cada apresentação.
    O código Hays surgiu em 1915 quando Hollywood se inventou como a capital mundial do cinema e junto com esta nova indústia veio sua fama de corrupção, orgia, drogas e promiscuidade, entre empregados e principalmente, entre os atores.  Para regular-se antes de ser regulada por censores de fora, os produtores e diretores contrataram Will H. Hays, que era Posmaster General, para que ele rascunhasse as diretrizes que se tornariam mais tarde, nos anos trinta, o Motion Picture Productrion Code ou Hays Code, que bania qualquer representação explítica da homosexualidade ou da bisexualidade nos filmes americanos. Termos como "gay" ou "homosexual" não podiam nem mesmo ser pronunciados no cinema e os tipos banidos entre os anos trinta e quarenta.  A representação dos bisexuais não se fez também porque popularmente se acreditava que não existissem bisexuais.  Gradualmente o código foi sendo abandonado e deixou de ter eficácia a partir dos anos sessenta. Mesmo assim a apresentação da bi/homosexualidade não foi explicita, mas indireta, a partir do que se chamou de "formulaic scenarios".   Em um destes, o passado de um bisexual casado foi revelado enquanto ele, ou ela, buscam parceiros do mesmo sexo.  Dentro desta formula, o filme "Making Love" de 1982 foi o primeiro numa série de filmes hollywoodianos que se dirigiam mais direta ou abertamente ao personagem bisexual masculino, sem o desprezar. O marido Michael Ontkean abandona sua esposta Kate Jackson ( a Sabrina, o anjo de Charlie -  um icone lésbico ) para buscar outro homem no papel do ator Harry Hamlin.  O filme não foi um sucesso comercial, mas entrou na correnteza que começou a entender a bisexualidade como uma expressão complexa, e normal, da sexualidade humana.
    Em outra formula de cinema, um homem gay ou uma lésbica são abandonados pelo amante bisexual, e este busca um contato hetero.  No filme de sucesso em 1968, " The Fox", é isto que acontece quando o personagem bisexual Ellen procura um homem para substituir sua amante feminina que, por sua vez, é assassinada pelo macho, Paul. No filme "Personal Best" de 1982, a personagem de Mariel Hemmingway tem sua sexualidade despertada por Patrice Donnelly, mas acaba com um homem, Scott Glenn.  Uma torção neste tema está no filme "Chasing Amy" de 1994, de Kevin Smith. A personagem Alyssa é uma lésbica assumida até apaixonar-se por um homem e ter um romance com ele, até voltar ao lesbianismo.  No terceiro tipo de cenário, este mais assustador, o bisexual surge como um psicopata que mata ou é morto por causa da sua escolha sexual.  No filme que há pouco mencionamos, A Raposa, a morte da lésbica está cheia de simbolismo: o que a mata é uma árvore que desaba entre suas pernas...  O filme "Basic Instinct" ( 1982)  foi boicotado pelos grupos de gays, lésbicas e bisexuais pelo modo pelo qual apresentou Sharon Stone, como a sedutora bi Catherine Tramell, assassina em potencial.  Seu caso anterior é inicialmente acusado do crime, mas no final se descobre que o assassino é um homem, Michael Douglas, com o qual as duas haviam se envolvido.
     
    O bisexual como traidor é outro tema tratado com freqüencia no cinema. Ele não aprofunda os relacionamentos e se conduz de forma marginal, contra os interesses dos amores e da comunidade.  Quem iniciou este papel foi o marido bisexual Wade, com Robert Redford, no filme de 1966, "Inside Daicy Clover".  Foi o próprio Redford que pediu para não ficar limitado à homosexualidade, mas poder exercer mais de dez opções, entre cachorros, crianças, gatos, homens e mulheres... tudo para massagear seu ego.  Se bem que sua bisexualidade seja pouco aludida no filme, a intenção do ator era representá-la como um esforço egoísta e amoral.No filme de John Schlesinger, "Sunday, Bloody Sunday" ( 1971) um homem gay e uma mulher heterosexual dividem entre si um parceiro bixexual que é considerado como meio atrapalhado porque não fez sua escolha definitiva.  No filme "Cabaret" ( 1971), baseado no musical de John Kander e Fred Edd, a partir das histórias de Belim escritas por Christorpher Isherwood, aparece o relacionamento entre o Baron Max, bisexual e o personagem mais claramente homosexual, Brian Roberts, que acaba abandonado e solitário.  A produ~ção independente de 1994, "Go Fish" que é um dos filmes supostamente mais bem sucedidos de lésbicas, tem um personagem que é bi, Daria, que dorme com um homem e sofre uma inquisição imaginária das suas amigas que dela desaprovam e a excluem da irmandade. O filme de Sidney Lumet, "Dog Day AFternoon" ( 1975) é uma excessão notável a estes temas. A história se baseia em acontecimentos reais e o filme traz Al Pacino como Sonny, casado e com filhos, apaixonado por Leon, que é um amante transexual encenado por Chris Sarandon.  Sonny rouba um banco para pagar a operação de Leon e estes eventos são apresentados sem histeria ou fingimentos teatrais.  No mesmo ano estas duas caracteristicas foram celebradas num classico cult meio "camp" intitulado "The Rocky Horror Picutre Show" no qual o Dr. Frank N. Furter ( i.e: linguiça ), no papel Tim Curry, em roupagem de travesti, satisfaz tanto Brad como Janete, uma dupla recém-casada tendo nos papéis Barry Bostwick e Susan Sarandon.
     
    As representações mais recentes ainda trazem a bisexualidade como um tabuy. Assim temos o filme de 1990, "Henry and June", que abraça o relacionamento entre duas mulheres bisexuais.  Por outro lado, o filme "Wild Things" de 1998, que também apresenta a relação sexual explítica entre seus personagens principais do sexo feminino, e uma implícita entre os dois atores, não recebeu a avaliação NC-17, dada pela MPAA para o outro filme.  Mais recentemente um filme sério dos irmãos Wachowski, de 1996, tem Jennifer Tilly que abandona seus amores mafiosos por outra mulher, Gina Gershon, sem se arrepender de nada.
    Os rumores de uma bisexualidade envolveram alguns atores, como James Dean e Cary Grant ou Tom Cruise.  Pouco entre estes, como Madonna, Joey Lauren Adams, Anne Heche e Sandra Bernhard revelaram abertamente suas identidades bi.  Não é uma coincidencia o fato de que a maioria destes atores seja de mulheres  porque a bisexualidade feminina é mais aceita, principalmente porque faz o jogo da fantasia do homem heterosexual.  Uma infiltração da bisexualidade aparece no filme de 1997 com Julia Roberts, " O Casamento do Meu Melhor Amigo" com uma capa do "Wishing and Hopin" de Dusty Springfield com a cantora Ani Difranco entre os créditos finais. O ator Ruper Everett também dá um lado encantador e engraçado gay ao papel principal de Robert.  Atualmente a bisexualidade surge como um genero independente e significante nos festivais de São Francisco.
    No filme de John Schlesinger, "Sunday, Bloody Sunday" ( 1971) um homem gay e uma mulher heterosexual dividem entre si um parceiro bixexual que é considerado como meio atrapalhado porque não fez sua escolha definitiva.  No filme "Cabaret" ( 1971), baseado no musical de John Kander e Fred Edd, a partir das histórias de Belim escritas por Christorpher Isherwood, aparece o relacionamento entre o Baron Max, bisexual e o personagem mais claramente homosexual, Brian Roberts, que acaba abandonado e solitário.  A produ~ção independente de 1994, "Go Fish" que é um dos filmes supostamente mais bem sucedidos de lésbicas, tem um personagem que é bi, Daria, que dorme com um homem e sofre uma inquisição imaginária das suas amigas que dela desaprovam e a excluem da irmandade. O filme de Sidney Lumet, "Dog Day AFternoon" ( 1975) é uma excessão notável a estes temas. A história se baseia em acontecimentos reais e o filme traz Al Pacino como Sonny, casado e com filhos, apaixonado por Leon, que é um amante transexual encenado por Chris Sarandon.  Sonny rouba um banco para pagar a operação de Leon e estes eventos são apresentados sem histeria ou fingimentos teatrais.  No mesmo ano estas duas caracteristicas foram celebradas num classico cult meio "camp" intitulado "The Rocky Horror Picutre Show" no qual o Dr. Frank N. Furter ( i.e: linguiça ), no papel Tim Curry, em roupagem de travesti, satisfaz tanto Brad como Janete, uma dupla recém-casada tendo nos papéis Barry Bostwick e Susan Sarandon.
     
    As representações mais recentes ainda trazem a bisexualidade como um tabuy. Assim temos o filme de 1990, "Henry and June", que abraça o relacionamento entre duas mulheres bisexuais.  Por outro lado, o filme "Wild Things" de 1998, que também apresenta a relação sexual explítica entre seus personagens principais do sexo feminino, e uma implícita entre os dois atores, não recebeu a avaliação NC-17, dada pela MPAA para o outro filme.  Mais recentemente um filme sério dos irmãos Wachowski, de 1996, tem Jennifer Tilly que abandona seus amores mafiosos por outra mulher, Gina Gershon, sem se arrepender de nada.
    Os rumores de uma bisexualidade envolveram alguns atores, como James Dean e Cary Grant ou Tom Cruise.  Pouco entre estes, como Madonna, Joey Lauren Adams, Anne Heche e Sandra Bernhard revelaram abertamente suas identidades bi.  Não é uma coincidencia o fato de que a maioria destes atores seja de mulheres  porque a bisexualidade feminina é mais aceita, principalmente porque faz o jogo da fantasia do homem heterosexual.  Uma infiltração da bisexualidade aparece no filme de 1997 com Julia Roberts, " O Casamento do Meu Melhor Amigo" com uma capa do "Wishing and Hopin" de Dusty Springfield com a cantora Ani Difranco entre os créditos finais. O ator Ruper Everett também dá um lado encantador e engraçado gay ao papel principal de Robert.  Atualmente a bisexualidade surge como um genero independente e significante nos festivais de São Francisco.
     
    As representações mais recentes ainda trazem a bisexualidade como um tabuy. Assim temos o filme de 1990, "Henry and June", que abraça o relacionamento entre duas mulheres bisexuais.  Por outro lado, o filme "Wild Things" de 1998, que também apresenta a relação sexual explítica entre seus personagens principais do sexo feminino, e uma implícita entre os dois atores, não recebeu a avaliação NC-17, dada pela MPAA para o outro filme.  Mais recentemente um filme sério dos irmãos Wachowski, de 1996, tem Jennifer Tilly que abandona seus amores mafiosos por outra mulher, Gina Gershon, sem se arrepender de nada.
    Os rumores de uma bisexualidade envolveram alguns atores, como James Dean e Cary Grant ou Tom Cruise.  Pouco entre estes, como Madonna, Joey Lauren Adams, Anne Heche e Sandra Bernhard revelaram abertamente suas identidades bi.  Não é uma coincidencia o fato de que a maioria destes atores seja de mulheres  porque a bisexualidade feminina é mais aceita, principalmente porque faz o jogo da fantasia do homem heterosexual.  Uma infiltração da bisexualidade aparece no filme de 1997 com Julia Roberts, " O Casamento do Meu Melhor Amigo" com uma capa do "Wishing and Hopin" de Dusty Springfield com a cantora Ani Difranco entre os créditos finais. O ator Ruper Everett também dá um lado encantador e engraçado gay ao papel principal de Robert.  Atualmente a bisexualidade surge como um genero independente e significante nos festivais de São Francisco.
     
    As representações mais recentes ainda trazem a bisexualidade como um tabuy. Assim temos o filme de 1990, "Henry and June", que abraça o relacionamento entre duas mulheres bisexuais.  Por outro lado, o filme "Wild Things" de 1998, que também apresenta a relação sexual explítica entre seus personagens principais do sexo feminino, e uma implícita entre os dois atores, não recebeu a avaliação NC-17, dada pela MPAA para o outro filme.  Mais recentemente um filme sério dos irmãos Wachowski, de 1996, tem Jennifer Tilly que abandona seus amores mafiosos por outra mulher, Gina Gershon, sem se arrepender de nada.
    Os rumores de uma bisexualidade envolveram alguns atores, como James Dean e Cary Grant ou Tom Cruise.  Pouco entre estes, como Madonna, Joey Lauren Adams, Anne Heche e Sandra Bernhard revelaram abertamente suas identidades bi.  Não é uma coincidencia o fato de que a maioria destes atores seja de mulheres  porque a bisexualidade feminina é mais aceita, principalmente porque faz o jogo da fantasia do homem heterosexual.  Uma infiltração da bisexualidade aparece no filme de 1997 com Julia Roberts, " O Casamento do Meu Melhor Amigo" com uma capa do "Wishing and Hopin" de Dusty Springfield com a cantora Ani Difranco entre os créditos finais. O ator Ruper Everett também dá um lado encantador e engraçado gay ao papel principal de Robert.  Atualmente a bisexualidade surge como um genero independente e significante nos festivais de São Francisco.

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    [Aeternus:5958] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:Abrindo as porteiras da memória

    Não consigo lembrar de nada direito, mas achei que aquela lourinha descascada era uma das atrizes do "The Group" e sou por fora mesmo, donde... errei. Ainda bem que Gallego corrige depressinha.  Lembro do rosto de tres, além da Candice. A que se casou com um pediatra que a impedia de amamentar o bebê quando ele chorava, a que tinha pai bipolar ( era, então, doente de PMD) e a que acabou se matando.  Achei que a jovem parturiente era a Sandy. Se duvidar já fiz o mesmo erro antes, quando escrevi sobre Quem Tem Medo de Virginia Woolf. Se fiz, com certeza o pp. Gallego me corrigiu ali.

    Adoro o Robin Williams como Popeye. Vai ver que, copiando o estilo do Gallego, achei que ele era Alain Delon mais feio no Sociedade dos Poetas Mortos ( não é o fato de rasgarem livros que estragou o filme pra mim. Livro pode ser rasgado no meu código pessoal, só não dá para queimar todos do mesmo autor. Afinal, o perigo é quando se perde um manuscrito, como Ruskin perdeu um do Dickens ou vice versa, deixando pra trás o calhamaço, emprestado pelo rival, numa carruagem na Inglaterra vitoriana ..) Me aflijo com o clima universitário elitista, tipo Ivy League, e favorecendo o romantismo exacerbado dos alunos/poetas.  Talvez gostasse dele como Garp, não sei.  São os olhos que me incomodam e a boca como um risco numa cara de autopiedade lamurienta permanente.

    Andei vendo depoimentos da Sarita Montiel num dos canais de televisão. Exatamente, Gallego, uma Dercy Gonçalves do cinema.  Lembro dela muito lindinha, cintura fina, na mesma época da Gina Lolobrigida e da S. Loren...

    Schumann, o Robert marido da Clara, maltratava a esposa. Me contaram que ela não suportava uma seqüência específica de notas, ou uns sustenidos especiais e ele escrevia peças para ela propositadamente incluindo estes componentes, como uma velada agressão a mulher. Os amores, naquela época, eram confusos.  Tinha a Cosima Wagner que... além de casar com Wagner, não era filha da Clara Schuman?  Endogamia a ser destrinchada por quem tiver curiosidade.


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    [Aeternus:5959] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: Hartman, Knight e Pettet

    A Elizabeth Hartman tinha olhos claros vagos, como se não enxergasse bem.

    Quanto à parecida com a Sandy, ficasse entre a Shirley Knight e a Joanna Pettet, ambas mais formosas e sem tender à alergia da talentosa fanhosa Sandy. Todas tinham a esta altura rostos estreitos e tez clara. 



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    [Aeternus:5960] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-20)


    - RE: mais memória vividas : When Night is Falling

    Há uns dois anos assisti na NET o belíssimo "When Night is Falling"(1995), da diretora lourinha canadense Patricia Rozema.
    As moças Pascale Bussières e Rachel Crawford tem um enlevo tão bonito e trocam olhares tão ternos que me cativaram de todo.
    Há uma nítida inspiração no Wenders de "Der Himmel über Berlin", pois a Rachel faz uma trapezista lânguida e precisa, num circo simples mas jeitoso e com boa direção artística.
    Lugare que serve de escape para a Pascale, hesitando num noivado meio forçado por conveniências socio/econômicas ( não de sua parte direta ).
    E numa dessas em que o pequeno circo vai se exibir durante a semana, when night is falling...o elas terminam envolvendo-se de forma muito cândida, ainda que não medindo carícias.
     
    A Patricia ficou uma fera com um tal rated17, falou em "homophobia" por parte da austera comissão que julga esssas coisas.
    Mais do que homo ou hetero ou bi, o que me impressionou neste filme foi a beleza com que a Patricia filma o surgimento do enlevo e da ternura. Memories memories...

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    [Aeternus:5961] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-20)


    - RE:RE:Abrindo as porteiras da memória

    Cosima era filha do Liszt se não me falha a dita cuja em foco.

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    [Aeternus:5962] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-20)


    - RE:Abrindo as porteiras da memória e as intrigas

    Franz Liszt (1811-1886) nasce na Hungria e estuda música em Paris. Aos 12 anos, exibe pela Europa sua extrema agilidade ao piano. Vive amores conturbados, sem jamais se casar. É pai de um filho e duas filhas (a última, Cosima, se casa com Wagner). Recolhe-se à Ordem Terceira de São Francisco, em Roma, torna-se abade, recusando o sucesso e a glória. Nesse período, compõe obras que antecipam o atonalismo expressionista alemão. Entre suas obras destacam-se Rapsódias húngaras, Sinfonia Fausto, Funerais (harmonias poéticas e religiosas) e Bagatela sem tonalidade.

    Richard Wagner (1813-1883) nasce em Leipzig, Alemanha, e cresce num meio familiar formado por atores. Escreve, ainda na infância, tragédias em estilo grego e shakespeariano. Aos 15 anos dedica-se a estudar música. Sua primeira ópera de grande porte é Rienzi, sob influência da ópera francesa. O sucesso vem com O navio fantasma. Depois virão: Lohengrin, O anel dos nibelungos, Mestres-cantores. Participa de movimentos sociais em 1848 e 1849. Em Tristão e Isolda, de 1865, reivindica o retorno do drama ao seu caráter religioso (ritual) primitivo.

    Sobre Wagner e Liszt:  En 1847  Liszt rencontre en Russie la princesse de Sayn-Wittgenstein, très cultivée aussi. Elle se fixe à Weimar auprès de lui. Elle oriente sa carrière vers la composition. Liszt fonde alors, avec Wasgner, l'école de Weimar. Cette école est opposée au classicisme de l'école de Dresde de  Schumann et de Brahms. Cosima Liszt, mariée à l'élève de Liszt - Hans von Bülow - le quitte pour Wagner, ce qui fera scandale. Liszt par respect pour son gendre rompra ses relations avec Wagner et Cosima mais il se réconciliera cinq plus tard.


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    [Aeternus:5965] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-21)


    - RE:RE:Abrindo as porteiras das intrigas e fofocas históricas

    Inutilidades totais, memórias de lixo:
    1) Sobre Listz houve um filme (não bem cotado) chamado, obviamente "Sonho de Amor"  por causa de sua peça para piano mais conhecida e que foi cantada(?)assassinada por Sarita Montiel em "Pecado de Amor" com direito a lágrimas e soluços que interrompem sua, digamos, interpretação "emocionada" - já que ela faz papel de uma freira que está cantando, anonimamente, no casamento da própria filha que ela teve antes do convento.Chega! Voltemos ao filme do Listz: o ator era o Dirk Bogarde se não me engano e tinha a belíssima Capucine como uma amante do Listz que também (no filme) acabava meio padre depois de galinhar adoidado. Mas soube que ele não encerrou sua carreira como religioso, não sei bem. Voltou à vida "profana". Era bem "galinha" como o genro Wagner, e o caráter não seria uma de suas qualidades principais, tal como no caso de Wagner. Narcísico, virtuose de piano, compositor nem sempre tão bom quanto famoso (opinião pessoal minha).
    Sua filha saiu ao pai e manteve os piores ideais do ex-amante e depois maridão, Richard Wagner; a filha deles foi nazista de primeira hora. E se manteve nazistóide mal disfarçada mesmo depois da queda do Reich.
    O caso de Cosima Listz com Wagner, ainda casada com o maestro Von Bulow, foi escandaloso, o maestro regendo as óperas do compositor enquanto este papava-lhe a esposinha. Não era novidade na vida de Wagner que já havia se envolvido com a também casada Mathilde Wisendock, cujos versos musicou nos Wisendock-Lieder. Os mecenas lhe ajudavam e ele comia-lhes as esposas.
    Não sei para qual das duas Wagner compôs o "Tristão e Isolda", onde o marido de Isolda, o Rei Mark , seria o maridão traído que também se revelaria, mais cedo ou mais tarde, compreensivo com o adultério da esposa com o amigo. Será que Wagner precisava mesmo desse "perdão" do superego alheio?
    Retomando o filme sobre Listz: gostaria de revê-lo. Soube que, embora assinado por um diretor de segundo time, Charles Vidor (se não me engano o memso de "Lili") teve cenas dirigidas por George Cukor que era uma bicha que adorava suas estrelas e as dirigia com um prazer de identificação total, ficando famoso como "diretor de mulheres". Não o tenho na mesma alta conta que é tido, mas reconheça-se seu trabalho com com Judy Hollyday em "Nascida Ontem" (uma delícia de comédia refilmada com a Melanie Griffith no papel de lôraburra que não deixa de ser neoGalatéa), Judy Garland em "Nasce uma Estrela" e com Audrey Hepburn por "My Fair Lady" (esta, galatéa mesmo desde a peça original de Shaw) filmagem na qual Cukor teve ataques contra o fotógrafo e designer de produção Cecil Beaton, verdadeiro co-autor do filme por sua concepção "teatral", figurinos, fotografia, etc. Ambos disputavam Audrey, um para filmar cenas, outro para fotografá-la com todas as roupas desenhadas para todas as figurantes do filme. Rolaram plumas e penas e paietês enquanto a atriz se equilibrava em não desagradar nehuma das duas "tias" que fizeram de sua imagem extravagantemente overdressed um ícone gay.
    Ainda do filme sobre Listz (existe em dvd): a belíssima Capucine foi apaixonada por William Holden por décadas, tendo sido sua amante. Mas o alcoolismo dele e as depresões dela atrapalharam tudo e ela acabou se matando pouco depois dele ter sido encontrado morto depois de dias, por uma queda em casa, alcoolizado. Mau, sapão...
    2) Ficaram de fora outros palpites- associações sobre temas antes mencionados: concordo plenamente com Marcos sobre Gatsby, o filme. Entusiasta que sou de "Grande Gatsby", o livro - que já reli umas tantas vezes, nunca achei o filme merecedor das críticas que sofreu. Na época me surpreendi com Mia Farrow ter sido escalada (de última hora) como Dayse Buchanam, que eu imaginava mais alta, glamurosa, femme fatale, mas Mia esteve brilhante como mulherzinha socialite charmosa, encantadora e superficial e a um passo do sem-caratismo que afinal assume; também na época preferia o jovem e ainda não tão cínico Jack Nicholson como Gatsby, mas sempre que revejo o Redford no papel me penitencio: seu ar semi-bom moço é ideal para o personagem idealista corrompido pelo american dream de money money money e depois de tudo, money... ainda que para seduzir Dayse. Enriquecer. Por amor? A prostituição também envolve grana.
    O filme foi criticado por seu aspecto de superprodução e do exagero de uso da cor branca, sem dúvida um aspecto tão importante no livro que deu ensejo a um belo ensaio brasileiro sobre o livro chamado "As Mulheres de Branco". Mas o luxo também faz parte do cerne da história. Como culpar o filme por ser rico em seu visual? Trilha sonora perfeita, atores bem escolhidos para os papéis, inclusive secundários como no caso do Sam Waterston (o narrador Nick Carraway), Bruce Dern  como Tom Buchahanm (um pouco caricatural, mas o personagem também é) e Karen Black como a amante brega de Tom, o oposto do charm e finesse de Dayse. A bela e sumida Lois Chiles...O ator que faz o marido dela também estava muito bom. O filme - apesar de superprodução - mantém o caráter intimista e sobrevive bem na tela pequena da TV, gosto dele sempre que revejo até hoje.
    E agradeçamos ao Steve McQueen ter papado a Ali McGraw durante as filmagens de "Getway". A Ali era casada com o produtor na época chefão da Paramount e tinha o papel de Dayse como favas contadas depois do suceso de (arghhhh) "Love Story". Mas com a chifrada que recebeu, o produtor tirou-a do papel, graças a Deus! Aí não ia  dar certo mesmo!
    3) Por fim e retomando os músicos: fiquei chocado com as fofocas que Jansy contou sobre a intimidade do casal Schumann. Nunca soube disso, a Clara Schumann aparece na história oficial como super dedicada ao marido desde quando ele era zéninguém e o pai dela não aceitava o namoro que foi longo. Ela foi independente para a época ao insisitir como uma Julieta decidida. Depois o Robert foi tendo seus ataques de loucura e ela lhe teria sido solidária e atenciosa. Se teve caso ou não com Brahms, a versão predominante é que não. Dedicou-se a preservar a memória da obra do marido. Se ele era sádico com ela e ela aceitava, fica a questão de quem era o pior louco. Porque ele era mesmo, poor man. Dele, a obra que prefiro é o quinteto para piano e cordas. Mas sua obra pianísitca sempre tem revelações, dizem que é de dificílima execução, mas mais do que virtuosística (que é) tem uma densidade que faltaria a Listz. Já suas sinfonias não seriam sua melhor expresão, embora respeitadas (não as conheço bem) e suas tentativas na ópera e música vocal em geral (que davam muto mais prestígio e dinheiro na época) também não seriam sua "praia". Mas ele tem um belo "Requiem" já da fase da doença mais avançada que surpreende. Pode não ser o mais famoso de Mozart ou o talvez ainda melhor de Verdi, mas é bem digno, sem vozes solistas, só coro e orquestra, denso, sombrio, como deve ser uma missa de requiem mesmo. O de Verdi serve a uma piada-apelido:  "Missa de Sétimo dia da Traviata". Porque parece mesmo uma ópera em sua exuberância vocal e pathos melodramático. Sem deixar de ser uma beleza.

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    [Aeternus:5966] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-21)


    - as porteiras da memória e pós-aeterna Dorothy Parker de calças

    Maravilha de mensagem informativa, cruel e engraçada do Gallego ... pois é, tudo ao mesmo tempo.
    ( esqueci de clicar no atualizar na ordem de chegada e estarei respondendo fora do lugar! A preguiça domina neste instante, pronto)  
    Assisti a este filme sobre Liszt com Dirk Bogarde e Capucine. Não sabia da sua longa dedicação ao William Holden, nem da morte deste ou do suicídio da atriz. Assim como ignorava a proposta da Ali McGraw ser Daisy no Great Gatsby e, a la Wagner/Liszt, ter sido excluida depois dos chifres no Rei maridinho.
    As  brigas nos bastidores são potencialmente histórias pra se encenar.

    Vou perguntar outra vez aquela informação sobre as torturas do Schumann ao escrever para Clara. Não sei se a paciência da pianista seria, neste caso, uma resposta masoquista. Tive a impressão de que para o Gallego ao aceitar os maltratos de um louco oficial, sua esposa dedicada entraria necessáriamente na ordem do masoquismo?  A transferência existe e muitas vezes pode ser mais forte que o amor ( neste caso, aponta para um narcisismo enorme e um eu-ideal ainda maior). Será que o Papai João Sebastião era realmente tão bom de cama para segurar a jovenzinha Ana Catarina se não houvesse uma transferencia similar? 


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    [Aeternus:5967] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-21)


    - RE: Alvorada chapter 3 / censura antiga e atual

    De qualquer forma foram poucos, mas eu e meu irmão nos aproveitávamos do expediente das falsificações - ele da caderneta escolar, para os filmes de '14 anos', que eram muitos; eu da certidão de nascimento, para os '18 anos' - para eventualmente dar a volta no Rio, desde Long River até Copa. Apesar de que...naquela época o trânsito andava e éramos jovens !
     
    Assim, dos 11 aos 13 anos dele, ele deve ter tido mais leque com os '14 anos', e eu com os '18'.
    Curiosa a antiga categoria dos '14', não ? O que visaria ? Eram aqueles filmes em que a violência começava a exagerar-se, onde surgia um ou outro palavrão, então traduzido com atenuantes - puta por 'meretriz', filho da puta por 'desgraçado', por aí - recurso trocado por aquela horrenda mania de colocar-se a inicial do palavrão e reticências - seu p..., que m...! - que tinha a única desculpa de tentar tornar a escrita algo imaculado como a Virgem Maria. Os '14' eram também aqueles filmes que na parte sexual deixavam só um gostinho ao espectador das promessas libidinosas. No máximo coxas de fora, um peitinho de relance. Os beijos não tomavam intensidade. Tudo ficava sugerido através das elipses.
     
    Havia muito rigor nessa censura. Lembro de um filme francês antiquíssimo, chamado "Maria das Ilhas", que assisti em Lambari ( !!! )e que tinha a classificação '18 anos'. Lambari já era mais liberal do que a França desde os anos 60, e assim passei batido pelo porteiro aos meus 13 ou 14 anos. O filme hoje passaria em qualquer sessão da tarde : uma sucessão de galinhagens gostosinhas da tal Maria, risonha com os agarros por detrás dos admiradores a cobiçá-la - ela, coitada ! uma doméstica-alegre, bela serviçal de burgueses entediados - em rolamentos no feno de algum estábulo ou na areia das tais ilhas.
     
    Filmes de ultraviolência e 'sexo-verdade' como produzem hoje, naquela época, seriam ou proibidos pela igreja ou criar-se-ia um 'proibido para menores de 32 anos'. Se "Les Amants" tomou um '21 anos', imaginem um "Irreversible", um "Clockwork Orange" !

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    [Aeternus:5968] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-21)


    - RE: perdões, traições, húngaros e polskas

    Gallego sabe ser cruel pois busca sempre a Beleza. É um Maquiavel do Bem.
    Adoro tanto essa leitura quanto a que Jansy faz do tal 'perdão', eternizado na Literatura, Cinema e Teatro, a respeito das 'traições' amorosas. Perdoar o quê ? perguntou certa vez Jansy. Trair a si mesmo ou trair o(a) parceiro(a)?...
     
    Esse ângulo 'humano' que vocês abordam, o do terra à terra dos ilustres, inscrevem-nos na categoria de mortais comuns. Da mesma forma que 'perdoei' Bill Clinton pelas peropécias de seu charuto xereta no périplo encantado Monikinha adentro, enquanto discutia ao telefone com um adido se atiraria mísseis verdadeiros em alguma espelunca arenática do Oriente.
     
    Jansy homogeneizou a sopa de letras do Franzito, ajustando-o para o correto Liszt. Gallego digita rápido e às vezes uma tecla entra antes da outra devida, mas ele estava incidindo na troca errada. Até hoje rio de um jogo de futebol que o Saldanha comentava, com a Polônia em campo, onde numa substituição no 2º tempo ele alertou o locutor : olha, vai entrar em campo um cara com um nome em qua a 1ª vogal aparece depois de 7 consoantes. Não dá para pronunciar."
    Da turma mais conhecida, temos o Jerzy Kawalerowicz, diretor de "Madre Joana dos Anjos" ( 1961 )e do interessante "Torrents of Spring", de 1991 creio, que eu e Jansy discutimos, sobre Turgenev. A lourinha Grazyna Szapolowska, com esse nome de vodka, de "Não Amarás" e "La Condanna". E o nome mais difícil de todos do Cinema, para mim, o de Krzysztof Kieslowski, o diretor bem conhecido desse decálogo aí que "Não Matarás' é um deles, "La Double Vie de Véronique", da série "La Liberté est...".
     
    Fora do Cinema, voltando ao esporte, há um craque de volley americano de ascendência polonesa chamado Cvrtlik. Assim mesmo. Um locutor prefer chamá-lo de 'sopa de letrinhas'. E como ele joga às pampas, é muito acionado, dá trabalho...

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    [Aeternus:5969] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego (2006-01-21)


    - RE:RE:crudele?! Io?! E as aves, plantas, e playpboys presidentes?

    Se sei ser cruel deve ser a pior forma de crueldade: involuntária, quase inocente, como a das criancinhas. Não tive intenção. E não encontrei menção das maldades do Schumann para com a pobre Clarita, sempre apresentada como apaixonada. Jansy pode ter razão, mais do que masoquismo, this thing called love...ou transferência?
    E das trífidas? Ninghuém teve nada a dizer? Cuidado com as plantas! se os pássaros do Hitchcock podem ter sido premonitórios da gripe das aves... o que será no dia em que as plantas caminharem?
    Premonitório também foi o filme horrível que mencionei outro dia a torco da Candice Bergen, "O Mundo dos Aventureiros" com trilha sonora de Tm Jobim. Por que? Porque se passava numa republiqueta latinoamericana. O personagem pricipalera um playboy rico que chegava à presidência do país. Quando vi na TV me surpreendi: o Collor estava ali, inteirinho!

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    [Aeternus:5970] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-21)


    - RE:crudele?! Io?! E as aves, plantas, e playpboys presidentes?

    Cruel is beautiful. Red is beautiful. Não é assim que operam os slogans?  E os desmentidos.

    Galleguito, não vi nenhum dos filmes para comentar.  No canal "Retro" passam alguns que lembram o que você enviou sobre as trífidas. Umas sementes que dão lindas flores cujo arroto tem veneno. Plantas que caminham na série que, se não me engano  ( mas me engano muito), chama-se "Quinta Dimensão". Plantas ( ou são peixes? ) caminham na Amazonia. Que se movem graças às sementes é mais óbvio...
    Há milhões de anos, feito o Raul Seixas, li um romance chamado "Craken", também era com plantas perigosas.
    Da Candice Bergen lembro dela nas Arábias, um filme cheio de guerras e mortes. Na America Latina... não havia um com Richard Dreyfus?

      


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    [Aeternus:5971] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-22)


    - ficção científica e realidade mitológica

    Lá fui eu atrás de elementos sobre Trifids, como disto me recordava e achei um mundo de informações dispares a partir da palavra Cracken, ou Kraken.
    Havia dois filmes com este nome. O primeiro, de mitologia, filmado nos anos trinta descrevia as aventuras de Perseu para, usando a cabeça de Medusa e uma coruja mecanica, salvar a bela  Andromeda, que estava presa a uma rocha, do monstro Kraken, que a devoraria sob comando de Poseidon.  O segundo filme...me esqueci qual foi sua inspiração: havia um conto sobre monstros marinhos do Lovecraft e outro de Brian Aldiss ( "O Ano Antes do Ontem" ), todos Kraken. O interessante é que este gigante marinho atualmente é levado a sério, trata-se de um tipo de polvo gigante, inicialmente descrito pelos navegadores espanhóis e portugueses, mas encontrado nos mares do Norte e parte do folclore da Noruega.  Outra dica ainda é o monstro Cracken de Tolkien, em um dos romances ( agora filmados) sobre Hobbits, torres e anéis.

    Kraken é uma criatura mitológica ( uma lula gigante )que aterrorizou a mente dos navegadores espanhóis e portugueses do século XV. Para os vikings estes monstros ao girar seus tentáculos provocavam traiçoeiros redemoinhos que tragavam qualquer embarcação. O maior espécime documentado pela ciência foi encontrado em uma praia da Nova Zelândia em 1880, media cerca de 20 m e pesava 1 tonelada.
    Segundo Clyde Roper, biólogo americano, "possuem o cérebro mais desenvolvido de todos os invertebrados, os maiores olhos do reino animal ( do tamanho de uma cabeça humana ) e as únicas criaturas que sabem onde elas se escondem são os cachalotes". Diversas baleias dessa espécie foram vistas com enormes cicatrizes provocadas por tentáculos, pois a lula gigante é o único animal capaz de lutar com um cachalote. Os "supermoluscos" aparentemente vivem entre 300 e 1000 metros de profundidade. Como os estudos científicos das profundezas oceânicas só agora começaram ( apenas um décimo de 1% já foi estudado ) e, mesmo assim, animais bizarros e até então inesperados foram encontrados é provável que muitos mais existam a serem descobertos.

    Também há várias árvores que caminham com suas histórias. A que mais me encantou foi uma sátira da televisão inglesa focalizando o naturalista David Attenborough.  Este último, assisti pela primeira vez nos anos  setenta ou oitenta, num programa da Tevê Cultura canal 2 e que passava logo depois do almoço. Eu fazia o que podia para ver porque a filmagem era inusitada: visitas ao interior de um formigueiro, por exemplo, no qual se iluminavam barris vermelhos translúcidos cheios de mel e que se descobria serem os ventres de formigas que se dispunham a ficar imóveis como se fossem objetos da despensa.
    Na sátira temos um cenário imitando floresta africana, mas feito claramente no norte de Londres, com vários africanos servindo de guia para a selva com instrumentos de Jazz pendurados no pescoço ou jogando críquete. David Attenborough sai de trás de uma moite, já meio suadinho ( no final, fazem com que o ator que o imita esteja suando em bicas ) e anuncia a visão da Arvore Caminhante de Dahomey, ainda perto de Stonehenge, mas se dirigindo para a Africa:

    Attenborough: (batendo no tronco de uma árvore)  Bem, aqui está enfim, o objetivo final da nossa viagem de seis meses e três dias. Encontramos nossa "walking tree of Dahomey, Quercus Nicholas Parsonus" ( o nome latino de Nicolau Parson deve ser de alguém conhecido da tevê britanica...) enquanto descansa por momentos no seu longo percurso em direção ao sul.  É quase inacreditável pensar que esta planta gigantesca caminhou mais de duas mil milhas por este terreno inóspito, parando aqui talvez para beber um pouco de água antes de continuar em direção à Cidade do Cabo.  Chega a ser difícil imaginar a idéia desta árvore poderosa caminhando através da Nigéria, talvez fazendo pose aqui ou ali enquanto cruza o Zaire e saltita pelas florestas tropicais, enquanto busca um matinho mais calmo onde pudesse pular sozinha de um lado para outro antes de passar a tarde em Zambia ( um nativo sussurra no seu ouvido) Ah, super ... bem, acabam de me informar que esta não é a árvore caminhante legendária, de Dahomey, mas uma das muitas árvores estacionárias da AFrica, a Arborus Barnbet Gaseoignus.  Acabamos de perder a árvore caminhante, ela saiu deste ponto às oito da manhã e seguia naquela direção. Vamos ver se ainda a alcançamos hoje. Em frente, turma...  ( a sátira se encerra com Attenborough reverentemente interrompendo tudo o que faz para examinhar uma plantinha rara com um nome latino que sugere algo como "Sacanus bumbumfofus".

    Inventam cada coisa.


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    [Aeternus:5972] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-22)


    - RE: taí...

    Adorei o relato do périplo da superplanta do Attenborough !...


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    [Aeternus:5973] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-22)


    - RE: O filme com Robin Williams e a memória alheia

    Assisti o dvd de "Final Cut", título muito mais expressivo do que o brasileiro "Violação (?) de Privacidade" que elmbra o nome de um antiogo filme com a Sharon Stone e um dos irmãos Baldwin que desponatarm para o anonimato.
    Na verdade há uma violação da Verdade: a privacidade dos atos escusos das pessoas é preservada em hagiografias visuais que fazem o que já é costume há muitos e muitos anos entre os sobreviventes de um ente mais ou menos querido-não-querido: morreu? virou santo.
    Aliás, hoje em dia, envelheceu, perdoe-se tudo o que o sujeito fez na plenitude de sua crueldade (vide as defesas a Pinochet: considera-se que o velho de hoje não merece as penalidades do adulto pleno de ontem, como se  a velhice já fosse o castigo. Questão ética delicada, visto que a velhice está associada a "doença" e os criminosos podem cumprir penas mas devem ser tratados de suas doenças. Já serem perdoados porque envelheceram impunemete gozando de suas perversidasdes, roubos e corrupções é indigno de qualquer sistema judiciário que pretenda se dar ao respeito.
    Voltando ao filme: é um filme precário, insatisfatório na narrativa e no roteiro que desperdiça uma excelente idéia que Jansy já começou a debater tão bem.
    Pena que o Jim Cavaziel esteja mesmo canastrônico ao extremo e com uma barba/bigode que, se são de verdade parecem postiças - e se são postiças, ou se assim parecem, estão ridículas.
    Nada é desenvolvido a contento, dando a impressão que faltou um roteirista mais criativo. O problema apontado na mensagem original de Jansy sobre terroristas terem razão no que pretendem mas usarem de métodos terroristas é típico de quem não conseguiu uma solução mais criativa para o conflito moral e ético sobre manipulação das memórias (ou dos fatos mesmo) da vida de um falecido. Será que o fato do autor do filme (o diretor e roteirista) ser jordaniano tem a ver com sua opção pelos personagens terroristas com certa benevolência? Ou estraei sendo preconceituoso?
    Mas acho mesmo que a discussão é mais sobre a manipulaçção da verdade do que da memória. A "memória" do filme é uma fita de video ou de dvd de tempo inetgral de uma vida inteira (que chatice! O verdadeiro realismo seria isso: insuportável!) E pior: em "câmera subjetiva", experiência que nunca deu certo em cinema: houve filmes onde o personagem só aparecia no espelho, a câmera e seus olhos eram uma coisa só, o espectador via o que o personagem via. Não foi assim que se conseguiu filmes "confessionais", "subjetivos", equivalentes aos romances narrados na primeira pessoa: o espectador de cinema já tende à identificação com o persoangem central e dispensa este artifício. Sente-se "na pele" do persponagem, tal como se vê a si próprio (como num filme) em um sonho em que esteja caindo de altura... e ficando taquicárdico, despertando suando frio. No sonho, a pessoa "se vê" "de fora", como se visse outrem; mas sente o que este "outro" )que é experimentado como si próprio) sente. Não é outrem: sabe e sente que é ele, o sonhador.
    Essa é uma coisa interessante que o filme nos lembra. E Jansy já apontou. O nosso registro mnêmico não é um registro "frio" de som & imagem. Há 5 sentidos e o cheiro/sabor das madeleines proustianas estã aí para ninguém botar defeito. O tato, percebendo uma textura de colcha ou lençol pode nos remeter à infância, entre panos semelhantes. Só fiquei com uma questão, Jansy: o somatório dos sentidos se chamaria sinestesia com "s", de sincronicidade, simultaneidade. "Cinestesia" com "c" seria um outro sentido, o da propiocepção, que nos permite saber se o nosso corpo está parado ou em movimento, sabermos nossa localização no espaço. Coisa que é comprometida nas vertigens por labirintite, por exemplo. Na verdade, essa percepção cinestésica é dada por vários fatores: o visual, o labiríntico e percepções da medula óssea. Tanto que os antigos pacientes de sífilis na medula espinhal tinham marcha comprometida na forma de "tabes dorsalis" da doença. Isto, se a minha memória não me pregou peça e eu esteja misturando antigos estudos dos primeiros anos de faculdade...
    Ainda com relação ao filme: ele trapaceia, eu acho, mas não posso mencionar onde (ou revelaria os segredos do final da história). Aliás, muito curiosamente, Sueli não quis ver a  cena inicial onde dois guris correm risco de cair de grande altura. Fechou os olhos, tampou os ouvidos. Quando disse a ela que a cena já havia terminado com tal e tal acontecimento e resultado, ela perguntou como eu sabia se o que tinha acontecido fôra aquilo mesmo. Prá quem viu o filme, é uma pergunta curiosa de ter sido feita por quem nem estava "vendo" o desencadear da história.
    Sobre o tema "memória dobem", sugiro o belíssimo "Deppois da Vida", existe em dvd: do japonês KorEda que viria a se rpremiado em Cannes por outro filme completamente diferente, o "Ninguém pode saber" que vou comentar na mostra Melhores de 2005 no CCB na terça-feira próxima. mas o "Depois da Vida" é muito melhor, homenageando a memória, o cinema, e mostrando que o mero registro visual não importa tanto quanto a vivência subjetiva que fica na memória afetiva.


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    [Aeternus:5974] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-22)


    - RE:RE: O filme com Robin Williams e a memória alheia

    Perguntou-se Gallego, com franqueza: "Será que o fato do autor do filme (o diretor e roteirista) ser jordaniano tem a ver com sua opção pelos personagens terroristas com certa benevolência? Ou estraei sendo preconceituoso?".  Creio que a resposta esperada seria: "Está, sim". Só não sei mais o que significa "preconceito". Dizer que uma cultura considera com benevolência alguns atos terroristas não revela preconceito, a meu ver... Pode ser apenas a postura de um observador científico, de pesquisador dos hábitos dos hashishins ( drogados com haxixe que se tornaram  os "assassinos" entre alguns povos árabes segundo as histórias, de britânicos, que li). Dos pesquisadores dos Kamikases e suicidas políticos.
    Será preconceituoso Chávez como acusam os americanos? Será ele anti-Semita? Parece que sim, algo lamentável em todos os sentidos porque enfraquece as alianças que pretende fazer com a Argentina e o Brasil, assim como acirra o animo dos americanos e judeus contra suas idéias ( que não tem nada a ver com sua postura rancorosa, se for este o caso).
    A cada dia sei distinguir com menos nitidez o que é sintoma e o que é virtude, o que é crime do que seria patologia da velhice ou alienação mental. 
    Neste natal acompanhei um debate sobre um shopping na California que montou uma enorme árvore de natal e retirou um candelabro judaico, alegando que a árvore não tem nada a ver com o cristianismo e sim, um símbolo pagão utilizado pelos comerciantes...
    Preconceito, aos meus olhos, é o uso que se faz para obter vantagem para si próprio dos costumes e das idéias de outros povos. É lamentar judeus sem dar tratamento igual aos palestinos, é chorar pelos gregos e esquecer os troianos - quando se está de fora, claro, quando não se é nem um nem outro, mas se pretende jogar com as rivalidades para delas tirar algum proveito!  
    Então, se a fala do Gallego revelasse preconceito este seria um "preconceito do bem" ( avaliação que revela outra forma de preconceito - também do bem- ao demarcar maniqueísticamente os preconceitos, correndo atrás da pp.cauda) 

    Prosseguiu Gallego:
    "Mas acho mesmo que a discussão é mais sobre a manipulação da verdade do que da memória. A "memória" do filme é uma fita de video ou de dvd de tempo inetgral de uma vida inteira (que chatice! O verdadeiro realismo seria isso: insuportável!) E pior: em "câmera subjetiva", experiência que nunca deu certo em cinema: houve filmes onde o personagem só aparecia no espelho, a câmera e seus olhos eram uma coisa só, o espectador via o que o personagem via(...). O nosso registro mnêmico não é um registro "frio" de som & imagem (...) Só fiquei com uma questão, Jansy: o somatório dos sentidos se chamaria sinestesia com "s", de sincronicidade, simultaneidade. "Cinestesia" com "c" seria um outro sentido, o da propiocepção, que nos permite saber se o nosso corpo está parado ou em movimento, sabermos nossa localização no espaço. Coisa que é comprometida nas vertigens por labirintite, por exemplo. Na verdade, essa percepção cinestésica é dada por vários fatores: o visual, o labiríntico e percepções da medula óssea".

    Respondo ao Gallego: Incluo a cinestesia, a propriocepção, entre os sentidos como se fora o sexto. Posso ter me expressado mal.  Pensei na senestesia como aquilo que constituia um especial talento, como em Rimbaud ou Nabokov para os quais, além da convergência dos registros sensoriais havia a troca de um pelo outro ( ouvir com cores, cheirar sons, ver a música...), e muitas outras pessoas que não trocam o marido pelo chapéu e desconhecem sua aptidão.  Pensei na cinestesia como a informação sensorial da posição do músculo e do corpo no espaço, dependente de um proprioceptor específico que é o "fuso muscular". Não incluí a informação dos olhos e do labirinto, porque aí haveria mais a senestesia da cinestesia ( puxa, será que troquei tudo que aprendi para escrever errado, isso mais do que de costume?)
    Prosseguindo com a mensagem de LFG: 
    "Ainda com relação ao filme: ele trapaceia, eu acho, mas não posso mencionar onde (ou revelaria os segredos do final da história). Aliás, muito curiosamente, Sueli não quis ver a  cena inicial onde dois guris correm risco de cair de grande altura. Fechou os olhos, tampou os ouvidos. Quando disse a ela que a cena já havia terminado com tal e tal acontecimento e resultado, ela perguntou como eu sabia se o que tinha acontecido fôra aquilo mesmo. Prá quem viu o filme, é uma pergunta curiosa de ter sido feita por quem nem estava "vendo" o desencadear da história".
    Gostaria de saber o que Gallego considerou "trapaça".  Vi isto quando ele pegou o filme ( numa mal-explicada história) da vida do primeiro namorado da Mira Sorvino e deletou cenas dolorosas movido pelo ciúme. Normalmente a memória produziria uma história mentirosa e os fatos de consenso ofereceriam outra, a primeira favorecendo o rememorador e a segunda servindo para desmascará-lo. No caso do filme, porque o "censor" se via como um "comedor de pecados movido pela necessidade de expiação", não se deveria pensar numa história mentirosa assim de cara... 

    Sobre o tema "memória do bem", sugiro o belíssimo "Depois da Vida"do japonês Koreda que viria a ser premiado em Cannes por outro filme completamente diferente, o "Ninguém pode saber" que vou comentar na mostra Melhores de 2005 no CCB na terça-feira próxima.
    Mas o "Depois da Vida" é muito melhor, homenageando a memória, o cinema, e mostrando que o mero registro visual não importa tanto quanto a vivência subjetiva que fica na memória afetiva"

    E bota complicação nesta vivência subjetiva, ela recria a memória afetiva ( desde que não seja registro de algo traumático) - permanentemente -  como se fosse composta por coloridas peças caleidoscópicas...


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    [Aeternus:5975] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-01-22)


    - RE:RE: O filme com Robin Williams e a censura

    Outra coisa que ainda não foi lembrada é que a atividade do "editor" é equivaelente à do censor, seja das censuras totalitaristas das ditaduras, seja das antigas censuras "ad usum delphini" que recriam, todas elas, um mundo "idela" à imagem e semelhança dos ideais do poder.
    Outra questão que pode ser levantada é que: sabendo que eu tenho um chip desses que registram tudo o que meus olhos vêem e meus ouvidos escutam, mas que essa minha vida inteira em "copião" será amputada de meus mal feitos, isso me permitiria talvez, transgredir o que eu bem quisesse com pessoas que não têm esses chips de registro. Seria a palavra deles contra os fatos que permanecessem registrados na versão final de minha vida hagiográfica sem as minhas sacanagens.
    Para isso, a confiança nos editores teria que ser "cega". E no caso do pai pedófilo (tema recorrente em quase em qualquer filme americano que se pretenda "sério", já não aguento mais!), ele tb implantou chip na filhota. Portanto, as memórias dele avançando na filha poderiam ser deletadas, mas e as da filha? Mal resolvido pelo roteiro.
    A proposta da personagem-emblemna da Mira Sorvino é apenas essa mesma de "neutralidade" como jansy apontou. Ou "responsabilidade" por tudo o que fazemos e deixamos de fazer.
    O filme tem uma tese implícita que ele defende de modo esquemático: devemos ser responsáveis pelos nossos atos, suas consequências, etc; e não serve de nada a teoria popular de "esquecer" situações traumáticas: temos que conviver com o vivido, administrar, transformar experiências, minorar seus efeitos deletérios, mas não deletar, amputar ou, como dizem as pesoas "esquecer". Até porque, o velho Freud já propunha recordar para não repetir, elaborar para não ficar em nível sintomático. A tese é boa, mas o filme é fraco.
    Suponho que o Robin Williams esteja mesmo no fundo do poço: é uma produção que me pareceu relativamente barata para padrões norteamericanos, sendo que nos extras o diretor deixa escapar que outros atores não aceitaram o papel e que Williams não tina porque aceitar filmar com ele, um estreante, etc etc mas que o fez porque adorou o papel, a história e aí se seguem aquelas coisas auto-elogiativas de extras de filmes onde todos dizem estar trabalhando nos filmes de suas vidas, etc etc.
    MIra Sorvino é outra que me comove: ganhou um merecido destaque e Oscar em "Poderosa Afrodite" e depis só um papel razoável num filme do Spike Lee (O Verão de Sam) que eu gosto mas é meio underrated. No mais, a Mira namorou o Tarantino ennão fez mais nada que eu visse de interessante. Não vi o filmedela com o Val Kilmer onde ele era cego e passa a ver. Minha filha assisitiu a socumentário com o perosnagem real com quem a história se deu e era um sijeito obeso, nada bonito, etc etc. Ver com o Kilmer foi um choque de ir-realidade.
    Voltando às memórias registráveis em chips, o filme explora mal a questão do que fica como "falhas" quando os chips registram o que o nervo ótico vê e o que a pesoa vivencia subjetivamente: ora, os sonhos ativam áreas cerebrais de visão, as imagens se formam e devriam ser registradas comoas das percepções do mundo externo real. Sueli discorda, dizendo que chip estaria ligado ao nervo ótico, detectando apenas o que o ôlho, como se fôsse uma câmera fotográfica com o diafrgama aberto "vê". Como ficam as sensações que não se referem a percepções objetivas? (membros-fantasmas de pesoas amputadas, parestesias que não correspondem a estímulos externos sobre a pele? Para não falar nos sintomas histéricos ou conversivos que não são simulações... como dizia Freud: "sentem". E mais: sofrem de... lembranças.
    Tudo a ver com nossa lista de memórias, vividas e não vividas, sensações idem, percepções, etc etc etc

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    [Aeternus:5976] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-01-22)


    - RE:RE:RE: O filme com Robin Williams e as trapacinhas do roteiro

    Vi que em outro e-mail Jansy entrrega a história toda, então vou esclarecer: a trapaça com o espectador é que, na cena inicial, vemos o menino que caiu de grande altura em uma poça de sangue (a fotografia é a cores, mas pálidas - enquanto que o resto do filme se dá em cores "quentes", ainda que escurecidas.
    Quando vemos o registro "frio" do chip vemos em preto e branco - aliás, por que um chip tão sofisticado não é acores? - e descobrimos que o "sangue", como dizia Godard nos anos menos escatológicos do cinema, não era sangue, era vermelho de tinta (que fica preta no preto & branco).
    Pode ter sido intenção do diretor mostar a primera cena como ficou na memória afetiva do personagem do Robin Williams-criança: seu amiguinho caiu, morreu e ele se sente culpado - e ainda deixou seu nome riscado na parede! Foge disso a vida inteira, não pôde deletar essa lembrança de culpa poersecutória e "perdoa" todos os que têm chips deletando seus pecados (o tal mito do devorador de pecados que eu só ouvi falar recentemente num filme bosta de terror e agora neste), compreensivo-complacente com as falhas e misérias humanas. OK, mas pobre das vítimas de nosas falhas "sem querer", "foi mal", "desculpe, time". Quando somos vítimas queremos justiça (no mínimo, se não vingança); quando somos agentes de prejuízos alheios queremos compreensão e perdão. O ser humano é asim. Ponto.
    Digo que o filme, tanto como o personagem de R.Williams trapaceia por ter como gancho condutor da "psicologia" do personagem este "crime" infantil que nunca existiu. Daí minha surpresa quando Sueli perguntou, sem nem ver a cena: "Mas como você sabe que o agroto morreu? Ele abandonou o menino caído lá, sem chamar socorro..." Ela premonitoriamente intuiu a possibilidade do sangue não ser sangue, minha defesa para provar que o menino morreu. Não que ela tenha dito: "Poderia ser tinta em vez de sangue", mas ela abriu a possibilidade da não-morte do menino. Esse "determinante" do destino do personagem do Robin Williams é um gancho-trapaça para ele e para o espectador que não se identifica com Williams mas se coloca como testemunha ocular da história, da realidade do filme e tem elementos sequestrados de seu conhecimento, forçando a identificação com o persoangem que só vai saber que seu antigo conhecido de infância não morreu por acaso, num registro de alguém sobre quem ele deve deletar condutas perversas, e justamente um chefão da empresa "EYE".
    Enfim, o debate sobre o filme acaba sendo melhor do que o filme, o que confere algum valor a uma obra bem capenga que elabora insatisfatoriamente boas idéias originais. Talvez não haja outra saída para temas tão complexos sobre ética, psicologia dos regsitros mnêmicos, repressão, foraclusão, etc etc.
    Mas que casal improvável, a Mira Sorvino e o Robin Williams crepuscular. Eles, de fato, me comovem. Ele, no seu histrionismo já declinante querendo bancar o sério. Ela, bem menos bonita e jovem do que se pretenderia e nunca mais reeditando a performance de Poderosa Afrodite. Prestes a serem deletados da máquina de sucessos hollywoodianso para ganharem hagiografias quando morrerem: como eram legais, como ele sofreu para vencer mas venceu a dependência química, etc etc

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    [Aeternus:5977] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-22)


    - RE: O filme com Robin Williams e as trapacinhas do roteiro

    Concordo com Gallego e Davy quanto ao trabalho que dá preencher direito os itens acima, sobre quem escreve e o título, volta e meia saímos como "visitante", pois o nome acaba saindo em outro canto.
    Estou aceitando que o visitante da última mensagem seria o Gallego.

    Selecionei partes do que  ele escreveu:  Pode ter sido intenção do diretor mostar a primera cena como ficou na memória afetiva do personagem do Robin Williams-criança: seu amiguinho caiu, morreu e ele se sente culpado - e ainda deixou seu nome riscado na parede! Foge disso a vida inteira, não pôde deletar essa lembrança de culpa persecutória e "perdoa" todos os que têm chips deletando seus pecados (o tal mito do devorador de pecados que eu só ouvi falar recentemente num filme bosta de terror e agora neste), compreensivo-complacente com as falhas e misérias humanas. OK, mas pobre das vítimas de nosas falhas "sem querer", "foi mal", "desculpe, time". Quando somos vítimas queremos justiça (no mínimo, se não vingança); quando somos agentes de prejuízos alheios queremos compreensão e perdão. O ser humano é assim. Ponto.Digo que o filme, tanto como o personagem de R.Williams trapaceia por ter como gancho condutor da "psicologia" do personagem este "crime" infantil que nunca existiu"

    Gallego garantiu que entreguei a história toda e o enredo na mensagem da lista... Eu achava que não havia feito nada disso, pois só entenderia a alusão ao "comedor de pecado" quem já tivesse visto o filme em um"après-coup". 
    Tanto que ele leu o que escrevi, assistiu o filme e só então comentou que eu tinha contado a história e revelado o jogo.  Ou foi só há pouco?
    De qualquer modo, peço que me desculpem aqueles a quem prejudiquei. Fazer este "mea culpa" me poupa de conferir mensagens anteriores para reconhecer, em contrição perfeita, meu pecado.  
    Digo isto também porque hoje em dia é mais fácil, narcísicamente falando, aceitarmos nossas falhas. Todo mundo erra todo tempo, errar é mais do que humano, é uma característica da espécie e que, antes, vinha maquiada. 
    O que não nos exime da responsabilidade, sejamos velhos ou moços, loucos-psicopatas ou meramente malvadinhos (os/as! Viu como poderia me esconder por trás da gramática que oculta a questão do gênero?). 
    Freud sustentava que "nos" revelávamos ao fazermos erros e lapsos.
    Ele pretendeu afirmar que não estaríamos revelando necessáriamente o produto final de quem fossemos nós "na realidade" -  senão estaríamos totalmente determinados pelo inconsciente e nem precisaríamos fazer análise, nem seríamos responsáveis, etc - mas deixou claro que revelaríamos nossa "verdade inconsciente".  Só conhecendo-a então é que faríamos uma escolha virtuosa, perversa ou a mera solução de compromisso do neurótico...  Hoje, e estou jogando com isto em caricatura com um fundo de verdade, desarmamos o outro quando confessamos erros e lapsos, podemos até tirar vantagem do "foi mal, cara, errei sim...minha fobia, meu recalque, meu superego...." e ainda gratificar o narcisismo ( como antigamente se dizia do católico que era tão modesto ... tão modesto.... que só lhe faltava a modéstia pela sua modéstia ) .

    "Errei sim. Manchei o teu nome" são outros quinhentos. Não é mais a consciência particular em jogo. É uma forma egoísta de se difamar a própria família ou raça ou pátria: uma prática cada vez mais comum.  E que não é susceptível de alívio pela psicanálise. Donde... partamos pras neurociências????

    Acho coerente que a Igreja Católica não reabilite Judas porque ele foi determinado para aquele lugar de traidor de Jesus desde sempre. Jesus sabia e não fez menção de perdoá-lo. Segundo a história ele devolveu as moedas ( eram os sete dinheiros? Talentos?), enforcou-se e se reconheceu condenado ao inferno sem chance de perdão. Pra mim este sempre foi um dos problemas com o Establishment  religioso, a deliberada exclusão de Judas Iscariotes dentre os seres dotados de livre-arbítreo. Ele não pertence nem ao céu nem ao inferno, nem ao limbo nem purgatório, nem lado esquerdo da cruz...Então... quem é ele?  Ouvi que encontraram um manuscrito que teria sido redigido por Judas, daí é que se reacendeu o debate sobre o seu perdão.  Puxa, até Dr.Faustus pode ser resgatado. Quem ainda deve estar penando até hoje é o Konstantin ( Keanu Reeves) ...

    Na Nigéria comprei uma escultura popular cristã na qual havia uma mesa, a da Santa Ceia, com todos democráticamente sentados em volta, como os cavalheiros da Távola Redonda. Contudo, Judas seria o único em madeira branca ( os outros foram esculpidos de um tronco escuro ...) e ele estaria sentado de costas para a mesa....

       


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    [Aeternus:5978] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-23)


    - RE: taí... Da figueira ao caju

    Banyan trees are known as "many footed ones" and "trees that
    walk", because unlike other trees that have to stay rooted in one
    place all their lives, the Banyan tree actually moves forward
    slowly with every new trunk it puts out. It is always cool and
    shady under a Banyan tree, and because of the number of trunks it
    has, this tree is full of cozy, dark niches and interesting
    little cubby holes that house a variety of creatures.

    Em Sri Lanka e na India há uma árvore cultuada pelos religiosos que constroem pequenos oratórios sob a proteção da sua sombra. São variantes da figueira e, em inglês, chamam-se "Banyan trees" ( "as de muitos pés" ou "arvores que caminham") . Comerciantes indianos ( talve viajantes caixeiros?) se refugiavam nelas e a palavra "banyan" remete à " comércio/troca" em hindi por causa deles. Reuniões dos anciãos de um vilarejo ou aulas de alfabetização de crianças são realizadas sob esta figueira Banyan que se desenvolve em climas umidos e tropicais, como há em algumas regiões da Africa, no Havaí e em toda Asia.  A cidade de Fuzhou, na China, tornou-se a vidade das árvores Banyan há novecentos anos desde que seu prefeito organizou o plantio delas em toda região.

    In Bali in Indonesia, Banyan trees are considered "elders" of the tree kingdom, and are accorded special respect. Motorists will honk if they pass a Banyan tree on the road. 
    Sua buzina é uma saudação respeitosa à arvore...

    Lembrei que, quase neste princípio do caminhar vegetal ( já citei aqui o lindo poema de Andrew Marvell sobre os vagares de um "vegetable love"), sem ser pela reprodução aérea e proliferação de troncos, temos um tipo de "arvore caminhante" nos cajueiros.  Vi um enorme, parecendo uma floresta, do qual não se sabia, seguindo-lhe as raizes, de onde havia se originado.  Este cajueiro antigo fica em Natal, no Rio Grande do Norte.


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    [Aeternus:5979] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-23)


    - memória caminhante e utilidade pública ou turística ou...

    O maior cajueiro do mundo está localizado no distrito de Pirangi do Norte, município de Parnamirim. A árvore cobre uma área de aproximadamente 7500 m2, com um perímetro de aproximadamente 500 m. maior cajueiro do mundoO cajueiro foi plantado em 1888, por um pescador chamado Luiz Inácio de Oliveira. O crescimento da árvore é explicado pela conjunção de duas anomalias genéticas. Primeiro, em vez de crescer para cima, os galhos da árvore crescem para os lados; com o tempo, por causa do próprio peso, os galhos tendem a se curvar para baixo, até alcançar o solo. Observa-se, então, a segunda anomalia: ao tocar o solo, os galhos começam a criar raízes, e daí passam a crescer novamente, como se fossem troncos de uma outra árvore. A repetição desse processo causa a impressão de que existem vários cajueiros, mas na realidade trata-se de uma única árvore


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    [Aeternus:5980] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-23)


    - RE: turistas pra que te quero

    Ana e Vítor andaram por esse cajueiro-cidade, quando no RGN/Natal.

    Eu não pude ir com eles, então, além do que não gosto de ventanias constantes como as de lá, e conheci-o pela fotos deles.


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    [Aeternus:5981] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-01-23)


    - RE: turistas pra que te quero...que ninguém é de ferro

    Saquei, Florião. Você prefere esperar que o cajueiro chegue até você caminhando até Long River, R.J. onde já o aguarda a montanha do Maomé mais a  equipe de filmagem do Attenborough, com chapéu de canguaceiro e guitarra elétrica ( sem acordeão, sem sanfoninha).
    Vento soprando areia é pros pacientes ingleses e não pra nós?

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    [Aeternus:5982] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-01-23)


    - RE: sensible eyes

    Sacôôôõu !!!
    Isso aí !...Só a ventania já dá conjuntivite, com areia junto então...
    E na hora de comer voa tudo, até os talheres.
    Sou como Chaplin, que não gostava de filmar externas. "A inspiração se vai com o vento..."
    Eles disseram que usavam os óculos escuros quase permanentemente. Um casal de australianos adorou 'Pipa', uma espécie de Búzios local, um ghettozinho próximo alguns km de Natal.


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    [Aeternus:6577] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-03-14)


    - Catherine


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    [Aeternus:6579] Mensagem do Grupo56
    -Roger Vadin(2006-03-14)


    - RE:Catherine

    Finalmente alguém pôs ordem no galinheiro montanhês, reconduzindo tudo aos seus devidos lugares! Como dizia o segundo obsessivo marido de Dona Flor: uma coisa prá cada lugar e um lugar prá cada coisa. Catherine...ah, Catherine!... A reorganização do complemento feminico receptivo ao masculino. Como diria o Pierre Barouh que pegou a Brigitte depois de mim e antes do dilúvio, citando um velho dístico brasileiro: "Fala-me de jangada que eu sei que é pau que bóia" (êpa! Foi mal: de novo "pau"?!)

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    [Aeternus:6580] Mensagem do Grupo56
    -Jane Fo(n)da(2006-03-14)


    - RE:RE:Catherine among others

    Como testemunha ocular da história, e vítima ( hmmmmm...por vontade própria do pervertidinho Roger ! Ele sabe tratar bem uma mulher, creiam ! ), confesso que sinto saudades de Barbarella, após ter vivido comportadinha como Mrs Tedd Turner, Rainha-Mãe do All-Intelligent American Entertainment Corporated&Sons Lmtd.
    Também confesso sentir inveja da beleza da Catherine, atualmente um pouco inchadinha como eu. Prefeira os inchaços de Barbarella, encore une fois...
     
    Mas não se pode ter tudo nessa vida, né ?...

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    [Aeternus:6582] Mensagem do Grupo56
    -Anjo de "Barbarella"(2006-03-14)


    - RE:RE:RE:Catherine among others

    My dear Fonda (êpa!): com o passar dos anos nem mesmo minhas asas levantam como dantes no quartel de abrantes. Mas Viagra, prá que te quero? E quero essas mulheres assim mesmo! Inchadinhas, gordotinhas, rolicinhas (que delícia ter onde se agarrar se as asas falham): topo qualquer (dessas) paradas. E às que não acreditam em minha auto-promoção, que venham discutir comigo o sexo dos anjos. Tudo será esclarecido para gáudio e maior gloria dei.
    E lembrem, não há perigo de haver engano com a marca brokeback-cantareira (atracava dos dois aldos)-gilette (a antiga, que cortava dos dois lados) porque...
    "anjo não tem costas". Sua satisfação garantida ou minhas aureóla de volta.

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    [Aeternus:6584] Mensagem do Grupo56
    -Serge Gainsbourg(2006-03-14)


    - Brigitte


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    [Aeternus:6585] Mensagem do Grupo56
    -Dráuzio Varella(2006-03-14)


    - RE:Brigitte

    Essa, se estiver gripada, pode passar prá gente a gripe das aves (e ela se recusará a permitir que matem as pobres galináceas. Mais fácil ela concordar com a solução final lusitana: 100.000 humanos vacinados se salvam, os demais kisifôdam! mas matar animaizinhos, nem pensar...)
    Nem toda galinha velha dá bom caldo...Essa não dá nem coxinha de buteco.

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    [Aeternus:6586] Mensagem do Grupo56
    -Roger Vadin(2006-03-14)


    - RE: Heaven / I'm in heaven...

    Ainda bem que ainda existem mulheres de garbo, que valorizam antigas e vergadas varas de pesca.
    Mas agradeço de todo as palavras amigas desse(a) anjo bi-atracado na Cantareira hmmmmm....digamos suspeito mas simpático, sim...simpático !) quand même !
     
    Falo para vocês aqui do Além para onde fui remetido em 2000 pelo Bon Dieu, e - folguem : aqui também tem cinema !!! Já produzi 3 filmes de sacanagem - do meu feitio, sem essa viadagem toda que virou roliúde. Não, nada desse merdoléu de viado quebrando nariz de viado com beijo, mas filmes com mulherada mesmo ! Tudo que é gostosa que pára aqui trabalha nos meus filmes, a cabe a mim, com meu infinito talento erótico, descobri-las - duas vezes, hehehehehe !!! - adequadamente !

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    [Aeternus:6587] Mensagem do Grupo56
    -Anjo Exterminador(2006-03-14)


    - RE:RE: Go to Hell !!!

    Monsieur Vadin: só porque fui sua criatura não quer dizer que aceitarei suas insinuações sobre minha virilidade. Afinal, continuo vivo enquanto Monsieur para Vigo se fué e daí posso enviá-lo para o Inferno por suas calúnias e difamações: eu disse que não era Cantareira! Afinal, anjo não tem costas muito menos quebradas. Tenho pistolão (ÔBA!) junto ao supremo criador. Se Deus criou a mulher, o diabo criou os homens de má-vontade como Monsieur. E, sem ser gay, apóio uma declaração de uma bicha louca dos anos sessenta que passou por aqui - e lendo tanta besteira, declarou: "Can-sei!"

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    [Aeternus:6588] Mensagem do Grupo56
    -jansy b s mello(2006-03-14)


    - RE:RE:RE: Go to ... HELP!!!

    Minha caixa do Outlook virou roteiro de filme criado pelo Roger Cumprido e pelo Fradim.  Inspirados, os dois.

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    [Aeternus:6589] Mensagem do Grupo56
    -S.Holmes(2006-03-14)


    - RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!!

    Vai dizer que a "dama oculta" não participou???? Elementar mina cara Marple! Me engana que eu gosto!

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    [Aeternus:6590] Mensagem do Grupo56
    -Adorno e Horkheimer(2006-03-14)


    - Esclarecendo...

    A VERDADEIRA AMIZADE DEVE SER IGUAL A PELE DE XOXOTA.

    NÃO ESTRAGA NEM FODENDO!!!


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    [Aeternus:6592] Mensagem do Grupo56
    -jansy b s mello(2006-03-14)


    - RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

    No,no, no. Mr. Holmes. A Dama Oculta em questão não foi essa que vos escreve agora. 

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    [Aeternus:6593] Mensagem do Grupo56
    -Agatha e Hercule(2006-03-14)


    - RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

    Sempre dissimulada, essa Mis Marple... Não negues! Mas agora temos que ir, eu e Monsieur Poirot para um fim-se-semana delicioso que nos convidaram: pelo Expresso do oriente chegaremos ao Nilo onde passearemos de barco. Depois uma praia ao Sol na Ilha dos Dez Negrinhos (que nome curiososo...). Só não entendo porque Poirot se parece tanto com o Albert Finney mas me lembra demais o Peter Ustinov... Como trilha sonora trés exotique, une chanson form Brazil:
     "Negue"
    Negue o seu amor, o seu carinho
    Diga que vc já me esqueceu
    Pise, machucando com jeitinho
    esse coração que ainda é teu.
    Diga que meu pranto é covardia
    Mas não esqueça que vc foi minha (ou meu, nesses dias atuais nunca se sabe quem fala de quem para quem) um dia
    Diga que já não me quer
    Negue que me pertenceu
    Que eu mostro a boca molhada ainda marcada por um beijo teu

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    [Aeternus:6594] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-14)


    - RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

    Segundo a hipótese da mensagem anterior, aquela Miss Marple dissimulada seria uma colaboradora e não, um colaborador do roteiro de hoje.
    No entanto... Confiram a letra de "Negue":
    Diga que meu pranto é covardia
    Mas não esqueça que vc foi minha (ou meu, nesses dias atuais nunca se sabe quem fala de quem para quem) um dia
    Diga que já não me quer...

    E agora? Nunca se sabe quem fala de quem para quem... Só sei que não era eu, por quê negar (seja o que for, o que Deus quiser...)??????? 


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    [Aeternus:6595] Mensagem do Grupo56
    -Sigmund Freud(2006-03-14)


    - RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

    Esqueceu que quando um paciente NEGA a interpretação do analista, aí mesmo é que pode estar a flecha no alvo? (No caso, uma metáfora de acerto, já que quando eu falo uma flecha pode ser apenas uma flecha, é claro; assim como o meu charuto; já o dos outros...)

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    [Aeternus:6596] Mensagem do Grupo56
    -Fernando Rey y Silvia Pinal(2006-03-14)


    - RE: elucubraciones

    Todavia nosotros acima assinados, e na qualidade de conhecedores profundos do Anjo Exterminador, aqui estamos para atestar sua desfaçatez e tendência a ignomínias de toda sorte.
    Sobre o 'can-sei' não-acoplado da Cantareira dele, welll...we both can-say that o comportamento dele já no filme do Mestre Buñuel era suspeito. Enfim...entonces...pero...todavia...
     
    Mensagem curta, pois já violaram a arrombaram a caixa postal da Sra. Jansy Marple, que estava em mero exercício de OutOutlook.

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    [Aeternus:6597] Mensagem do Grupo56
    -Dona Gertrudes Rocha(2006-03-14)


    - RE:RE:RE:RE:RE: Go to ... HELP!!! Find the culptrit and his Lady...

    Um charuto é um charuto é um charuto.  Seja do Churchill, do Freud e, talvez do Capote Double-Face.

    Já esse negócio de Négo... pergunta pra quem é paraíba.


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    [Aeternus:6598] Mensagem do Grupo56
    -Jansy Mello(2006-03-14)


    - RE:RE: elucubraciones

    Uma festa do arromba?  Olha, tem uma dobradinha  ( tipo Marple e Poirot ou Silvia & Fernando) da qual desconfio um pouquinho.  Por enquanto, o mistério permanece.

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    [Aeternus:6599] Mensagem do Grupo56
    -Luís Buñuel(2006-03-14)


    - RE:RE: elucubraciones

    Muy estimado Fernando Rey:
    Que háces en mi película mexicana, "El Ángel Exterminador"???
    Usted ha participado de "Viridiana" cuando el esposo de Silvia Piñal producía mis películas e la llevamos a España para filmar "Tristana". Pero la censura del "generalíssimo" Franco de Mierda hay interditado el guión que solamente pude llevar a la pantalla años después grácias al interés de la bella Catarina (Deneuve) que estube encantada de haber sido Severina en "Bella de Dia" y quería porque quería rodar otra película más con nosotros. Ella no tenía el preciso "fysique du rôle" que Yo idealizara para el personage de Tristana, pero siempre muy bella, más dócil do que cuándo rodamos la "Belle de Jour", estube muy bien desempeñando Tristana - y nos daba garantia de retorno de l'argent como exigian los productores.
    Pero de Usted , Yo no abriria la mano! Como en "Viridiana", Yo deseaba que Usted sería el viejo de ojo en la pequeña Tristanita, tal como estubeste de ojo en la "Viridiana" (el plagio era mi especialidad: plagié la ópera "Tosca" de Puccini en "La Fièvre monte a El Pao" con María Félix y Gérard Phillippe y ninguno se ha dado conta! "Viridiana  era cuase la misma cosa que la novella "Tristana" de Pérez-Galdós, excepto por el episodio de que Tristana se transforma en perneta, cosa de que gustó muchíssimo Alfred Hitchcock - no habla de otra cosa esse gordón pervertido - y Yo llevo la fama! És verdad que desde "La Vida Criminal de Archibaldo de La Cruz" Yo quisiera rodar otra película con un mujer perneta y cuándo rodé el manequí de Miroslava perdiendo la pierna, Yo pensaba en el libro de Peréz-Galdós y en Tristan perneta. Será una fixación? Voy preguntar al Doctor Freud aunque no me guste las interpretaciones de mis amigos psicanalistas...)
    Pero, mi amigo... Usted NÓ ESTABAS EN EL REPARTO DE "Angel exterminador" que rodé en Ciudad de Mexico!
    Usted estube en inúmeras (quizás en todas) de mis películas que rodé en mi derradera "fase europea" cuando no tenia más ganas de rodar en Mexico. Cuando el dinero terminó antes del término de la rodaje de "Simón del Desierto" llegar al fin, Yo estaba muy fatigado de aquellas conidciones de trabajo. No me gustaba más trabajar con películas em Mexico donde tube una atrice-cantante-rumbera para el reparto de "Cumbres Borrascosos" (y por eso Emily Brontë que está acá en el Cielo con nosotros no me perdonará jamás). Peor era una comediante platinada para el personage de Catalina (como la Catherine Earnshaw de la novella de Emily) que Yo transporté al interior de la paisaje mexicana! És mejor olvidar todo eso!
    El Cielo és muy muy grande (Diós existe e Yo lo encontré! És un guapo sujeto a quien gusta jugar los dados - Einstein estube equivocado como sabés; así como los jesuítas: El Grand Señor no piensa que sexo es pecaminoso, portanto, todos perdemos muchas oportunidades en nuestra vida terrena par el goze sexual - y acá, contrariamente al que dice el mediocre Monsieur Roger Vadin (casactero!) no existe vida sexual; pero hay otros placeres quizás mejores!) Pero,  como Yo decía, el Cielo és MUY MUY largo y muy muy ancho y no sé donde encontrarte para esclarecer tu lapso de recuerdo en decir que estubiste con Silvia Piñal en "Angél Exterminador". Caso no nos encontremos, escribame en retuerno. Y perdona mi portuñol: és que hablo muchissimo con Glauber Rocha y el baiano habla demás! NO sé más hablar mi lengua de origen! En la proxima, si Usted prefere, escribiré en Français! Pero quisiera encontarte al vivo (al muerto) y a cores!
    Tu amigo, Don Luís

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    [Aeternus:6600] Mensagem do Grupo56
    -Ludambulante(2006-03-14)


    - RE:RE:RE: elucubraciones

    Que maravilha, o espírito de Buñuel baixou do eterno com a erudição típica da... Galícia?

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    [Aeternus:6601] Mensagem do Grupo56
    -Valle-Inclán(2006-03-14)


    - RE:RE:RE:RE: elucubraciones

    No me gusta eso de "ludambulante" que parece más Lula ambulante (y como el hablaba de FHC como el presidente viajero!!!) En una lectura más rápida se asemeja a "bundante" y eso de bunda és cosa de otra serie de e-mails con muchachos qui todavia no se trata de mucho muchachos.
    Yo, lo creador de la ola del "esperpento", soy de Santiago, terribelmente conocida grácias a un otro brasileño que no és Glauber y que no me gusta decir quien és: un brujito de mierda, peor que Harry Bleargh Potter.
    Pero mi amigo Buñuel ha rodado "La Voie Lactée", como es conocido en Francia el camino de Santiago de Campostella. Y cuasi ninguno se dá conta de esa obra maestra, sólo piensan en el brasileño bestA-seller en todo mundo... És mejor estar muerto acá con verdaderos artistas... de Galiza o de cualquer punto de España... de  todo el mundo con más de 5 neurónios...

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    [Aeternus:6602] Mensagem do Grupo56
    -Fernando Rey(2006-03-14)


    - RE: justicia seja hecha ! ( a él y a mí ! )

    (La Voie Lactée es una perla rara, una cosa preciosa, una ocasión casi unica en que tío Luís se paramenta conceptual sin frenos )
    Madre de Dios ! Yo sabia que un dia iba a empezar una broma en mi querido !!!
     
    Yo no estaba en el 'cast' consensual de la pelicula, pero...mientras tu te preocupabas con las minucias productivas, en total disfraz y secreto, yo empezava mi más ardoroso esfuerzo en colaborar humildemente, ya que soy tenido en lo medio como un auténtico pavón...
     
    Ya ves...esta es la más pura verdad. Jamás la he confidenciado a nadie, lo juro. Ni a Serge Silberman, nuestro magno compañero de caminatas. Juro por mi madre, por Tristana con pierna y sin pierna, por Archibaldo redimido, como redimido yo sé que el bondadoso Dios habrá tenido a Michel Lonsdale, que surgiò cena adentro con su buzanfan de fuera bajo el 'collant' nero en "La Voie Lactée", suplicando que su parcera lo fustigase con el látigo !
     
    Desde ya, mis más remarcables recuerdos de aprecio y ternura.
    De tu amigo de hoy y siempre,
    Fernando ( de las bromas ) Rey
     
    P.S. Yo non dice que la broma que me hiceste certa fecha en un restaurant iba a ser vengada ? Pues...aqui tienes, y entre amigos.Con todo el cariño del mundo...

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    [Aeternus:6603] Mensagem do Grupo56
    -Mariquita Roja(2006-03-14)


    - RE:RE: justicia seja hecha ! ( a él y a mí ! )

    Ay, qué linda broma esta. De La Voie Lactée ( un poquito kleiniana, no?) al Frère Jacques et ses Coquilles al Camiño de Santiago y el Conejo con sus huevitos de oro. Mis felicitaciones disbundantes.  

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    [Aeternus:6606] Mensagem do Grupo56
    -Jansy Mello(2006-03-15)


    - já que a lista ficou paradinha hoje...

    Retomei um trabalho com o livro "Ada ou Ardor" do Nabokov ( pois o deleite na leitura vem, principalmente, do trabalho que se tem com ele!) e achei um parágrafo interessante porque não apenas descreve uma relação amorosa entre duas mulheres ( irmãs, ainda por cima) como re-introduz um tema que assombra o livro inteiro: o jeitão que o irmão das duas  tem, quando anda plantando bananeiras e inverte as posições, como se fosse uma carta de baralho com duas cabeças uma em cada ponta. O personagem que ele cria chama-se, estranhamente, Mascodagama. Há uma simbolização alquímica ali sugerida junto ao jogo com opostos e inversões.
    Eis o trecho em questão:
     
    “Ela me ensinou coisas que eu nunca tinha imaginado”, confessou Lucette num deslumbramento retrospectivo. “Nos enlaçávamos como serpentes e soluçávamos como pumas. Éramos acrobatas mongóis, monogramas, anagramas, adalucindas. Ela beijava meu krestik enquanto eu beijava o dela, nossas cabeças tomavam posições tão estranhas que a Brigitte, uma criadinha que entrou no quarto por engano com seu castiçal, embora ela própria fosse bastante safada, pensou por um instante que estávamos dando à luz duas meninas ao mesmo tempo, tua Ada parindo une rousse (uma ruiva) e a Lucette de ninguém, une brune (uma morena). Imagine só!”  (trad.Jorio Dauster)
    She kissed my krestik while I kissed hers, our heads clamped in such odd combinations that Brigitte, a little chambermaid who blundered in with her candle, thought for a moment, though naughty herself, that we were giving birth simultaneously to baby girls, your Ada bringing out une rousse and no one’s Lucette, une brune. Fancy that’. (A,375)

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    [Aeternus:6609] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-15)


    - o pior filme

    Há pouco percebi que até quando não gosto de um filme há uma positividade na raiva que sinto de um ator, do diretor, do produtor .
    Neste sentido ontem vivi uma experiência única: detestei um filme com um tipo de angústia do vazio que não trazia raiva, indignação e nem caminhos de perdão. Quando aluguei o DVD fui movida pela curiosidade de ver alguma coisa de Hilary Swank ( não me animei a ver Eastwood/Garota de Ouro) e me agradaram outros nomes no elenco, a lembrança da voz meio fina e alquebrada de Vincent Pryce... Pois foi um desapontamento só. Tudo era falso, pretencioso, mal intencionado n´ " O Enigma do Colar". Vi até o finalzinho como quem se conforma em fazer uma fila numa repartição pública até encontrar o guichê fechado. 
    Que bom que, em outra lista, enviaram o "Mar Absoluto" da Cecília. Deixei o ruído das cordas e o cheiro salgado de maresia me tocar, as bocas dos mortos falarem através dela.

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    [Aeternus:6610] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-15)


    - RE:o pior - e o melhor - filme

    Boa surpresa esse "Mentiras Sinceras", mais inglês do que "Match Point". Poderia ser um filme do Claude Chabrol, com a............. e c........,  mas é muito melhor (e inglês, not French). Excelente desempenho do nada astro Tom Wilkinson. E da Emily Watson, para vairar. Só que desa vez numa clave menos simpática. Nenhum personagem é gostável. Exceto... depois eu conto prá não tirar a graça de quem ainda vai ver. E devm ir mesmo! Só achei o Rupert Everett meio estereotipado no papel de inglês blasé ricaço e pouco simpático mesmo  (e magro à beça! - ficou feioso, as mulheres gostavam dele ,e se decepcionavam ao saber que ele assumia ser gay). Tenho críticas aqui e ali, mas talvez 95% do roteiro emparelhe em qualidade com "Match Point". Duração curta (menos de 90 minutos), embora eu preferisse um desfecho ainda um pouco anterior. Mas, tudo bem. É um filmaço! Música ótima, cenários idem. Só não entendi uma queda de qualidade na fotografia no terço final: será o rolo que não estava bom no cinema em que vi? Mudou o tom das cores (mais pálidas, mais azuladas) e ficou meio granulada. Acho que era defeito da projeção, não da cópia original que até então tinha uma fotografia bem nítida e definida, com cores até fortes. Mas, não deu prá atrapalhar. Recomendo: discussões éticas, culpa, tudo de novo e bem colocado. Filme de 2004, custou a chegar! Mas ainda bem que chegou!

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    [Aeternus:6612] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-03-16)


    - RE:RE: "Separate Lies"

    "Mentiras Sinceras"

    Contardo Calligaris

    [Folha, quinta-feira, 16 de março de 2006]

    Espero que "Mentiras Sinceras", de Julian Fellowes, continue em cartaz e que os amantes e os amados (casados ou não, heterossexuais ou homossexuais, tanto faz) tenham o tempo de assistir ao filme, em massa.

    O título original é "Separate Lies", mentiras separadas, mas gostei da tradução brasileira. "Mentiras Sinceras" evoca o estranho balé de verdade e mentira em todo triângulo amoroso: "Minto quando escondo minha paixão por outro ou por outra? Ou, então, a verdadeira mentira é o casamento que vivo e a insatisfação que escondo?".

    Ser sempre sincero não é fácil. No filme, Anne (Emily Watson) tenta ser sincera com o marido, James (Tom Wilkinson), e também com seu próprio desejo. Mas a verdade não é simples: Anne, por exemplo, não sabe bem o que a joga nos braços de William (Rupert Everett), seu amante. Quando explica ao marido o que lhe acontece, ela não invoca o amor ou a paixão; apenas consegue dizer que não sabe renunciar a William porque os encontros com ele são "easy", fáceis: o amante não lhe pede nada ou quase.

    Talvez a maioria dos relacionamentos amorosos adoeçam e morram por causa disto: não porque o parceiro deixou crescer uma barriga displicente nem porque a gente estaria cansado da mesmice e a fim de novidades, mas porque, ao vivermos juntos, aos poucos, perdemos a generosidade. E a generosidade é (ou, melhor, deveria ser) o próprio do amor; ela está quase sempre presente, aliás, quando a gente se apaixona. Explico.

    O amor que nasce idealiza o amado, mas essa idealização é contemplativa, não é normativa. Ou seja, pedimos, eventualmente, que o amado ou a amada estejam perto de nós, mas não que mudem e ainda menos que renunciem a serem quem eles são.

    Claro, enxergamos neles algo que eles podem não ser, mas o encanto amoroso é justamente esse engano: "Seja como você é, pois é assim que descubro em você tudo o que quero, mesmo que talvez você não seja nada disso". Em suma, o amor, inicialmente, é respeitoso. Se você não é bem o que vejo em você, o engano é meu; amar consiste em querer e saber continuar se enganando.

    As coisas mudam quando começamos a medir a distância entre o ser amado e o ideal que lhe penduramos nas costas. De repente, o engano nos parece ser uma artimanha do outro; é ele que deveria se emendar para voltar a ser o ideal que inspirava nosso amor.

    O encanto do começo se transforma, assim, numa lista inesgotável de pequenas ou grandes exigências. Tudo o que pedimos ao ser amado (que ele ganhe mais, que seja simpático com nossos amigos, que nos acolha com um sorriso, que pare de roncar no nosso ouvido, que leia Goethe em alemão, que não coma com as mãos, que não caminhe na nossa frente na rua, que esteja em casa na hora certa) é apenas um derivativo. O que queremos é a volta do que nós mesmos perdemos: o encanto pelo qual enxergávamos nosso ideal no ser amado. Esse encanto impunha o respeito, ou seja, permitia que deixássemos o amado e a amada serem, simplesmente, eles mesmos.

    A trama de "Mentiras Sinceras" é a de sempre quando, num casal, um dos dois se interessa por um terceiro. Anne ama James e James ama Anne. Mas Anne encontra William, que não tem nada de especial, mas é "easy", e ela quer viver esse amor. James sofre. Anne também sofre. Não se sabe bem como a história de Anne e James terminará (minha hipótese é que o casal resistirá).

    A história acontece numa sólida burguesia (ou mesmo aristocracia) inglesa, em que a dificuldade do triângulo amoroso não é parasitada por problemas financeiros ("Se nos separarmos, quem ficará com o quê?"). Anne e James não têm filhos e não devem se preocupar com os efeitos de seus atos e sentimentos nas crianças ("Como ficarão? O que pensarão? Quanto anos de análise tudo isso lhes custará?"). O triângulo amoroso, em suma, é reduzido ao essencial.

    É também graças a essa redução ao essencial que o filme pode oferecer uma extraordinária lição de amor. Anne é exemplar por ela não saber as razões de seu amor por William e por continuar amando James. James é exemplar porque sofre, mas trabalha com afinco para evitar transformar seu sofrimento em mais uma cobrança ciumenta. Ao contrário, James se serve da ocasião para reinventar sua capacidade de amar Anne com a generosidade e o respeito do amor que nasce, ou seja, sem lhe pedir que ela seja diferente do que ela é.

    A lição que James aprende (e nós com ele) é que o amor, quando não é atravessado e deformado pelas piores exigências neuróticas e narcisistas, confere ao amante um dever para com o amado, mas nenhum direito sobre ele.

    Jacques Lacan, um grande psicanalista francês, disse mais de uma vez (a primeira foi, talvez, em seu seminário de 56/57) que o maior sinal de amor é (deveria ser?) o dom do que a gente não tem. Algo assim: "Ofereço-lhe o que não tenho e que você não quer e não me pede". Seja qual for nossa interpretação desse aforismo, ele é certamente o oposto da miséria amorosa ordinária, em que amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela "coisa" de que a gente precisa.


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    [Aeternus:6614] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-16)


    - RE:RE:RE: Mentiras Sinceras, o filme

    Muito interessante o recorte feito pelo Caloigaris sobre o filme "Separate Lies". Como outro filme em cartaz que está tendo boa repercussão, a trama tem dois "ganchos" que se mesclam, mas não gostaria de falar muito para não retirar o prazer de quem vai ver o filme "virgem" de informações - que ainda é a melhor maneira de ver um filme ou ler um livro: aberto e deprevenido, desarmado pro que der e vier: gostar e depois desgostar; desgostar e depois dar a mão à palmatória porque não gostou no primeiro momento (cobranças superegóicas de pretensão intelectual boboca); mas, enfim: estar como a tela branca antes do filme ser projetado nela.
    O Calligaris leva bem sua proposta de relação objetal, separando, em sua teoria explícita, amor propriamente dito de posse, apaixonamento narcísico, enfim: essas coisas que dizem que são a falência dos casamentos: a mulher (geralmente é ela) quer mudar o homem; e o homem (geralmente é ele) quer que  amulher não mude em nada (inclusive no corpinho de gatinha e essas outras maluquices da cultura do narcisismo sob forma do consumismo das cirurgias plásticas, botoxes, silicones, etc etc).
    Mas não sei se concordo com o que o Calligaris...talvez idealize sobre os personagens. É difícil discutoir sem "entregar" o plot do filme e ele já entrega toda uma vertente do enredo - que é a mias iportante, sem dúvida - embora o outro "gancho" possa chamar mais atenção e criar um certo suspense que o filme assume mas não alimenta demais, de forma a deixar claro o que realmente quer discutir: em diferentes situações, banais ou graves, o que é ética, moral, consideração pelos demais, mas PRINCIPALMENTE a questão do "ser sincero" (lembrem "Closer" e seu suspeito compromisso dos personagens com a "verdade" de suas escapadelas sexuais, fantasias, preferências, etc etc, enfim algo que me parece mais do terreno da promiscuidade psíquica pela perda de intimidade e  privacidade da subjetividade do que um suposto "respeito à verdade".)
    Ainda acho, algo diferentemente do Calligaris, que o casal principal do filme exerce o inescapável narcisismo nosso de cada dia, cada qual do seu modo: ele, com sua adesão severa à moral e bons costumes, um eterno "escoteiro", comprometido com a lei e a ordem acima de tudo- ou quase tudo; ele também não "enxergava" de fato com quem vivia e convivia. Tudo isso dentro do estereótipo (ou modo de ser mesmo?) da fleugma britânica.
    Ela, numa sinuca de bico gravíssima, atrelada a uma situação extra-conjugal com traços compulsivos, como costumam ser as "fissuras" da paixão ("são as trapaças da sorte: são as traças da paixão"), compulsão esta que é colocada de forma comovente numa fala da personagem (e como a atriz a expressa). Mas isto não desculpa nada, nada perdoa, nada justifica: somos responsáveis por nossas "escolhas" (melhor dizer nossos "atos") - ah! e por suas conseqüências! coisa que é frequentemente esquecida: temos mesmo capacidade de lidar com algo além do que virá na próxima meia-hora? A inconsequência mais típica do adolescente e a vivência do presente-aqui-agora-já do bebê são mesmo transformadas em "maturidade psíquica"? Pode ser, mas, nem sempre, não em tudo, e cada vez mais raramente...
    Calligaris escreve: "Em suma, o amor, inicialmente, é respeitoso.(...) As coisas mudam quando começamos a medir a distância entre o ser amado e o ideal que lhe penduramos nas costas. De repente, o engano nos parece ser uma artimanha do outro; é ele que deveria se emendar para voltar a ser o ideal que inspirava nosso amor. O encanto do começo se transforma, assim, numa lista inesgotável de pequenas ou grandes exigências. Tudo o que pedimos ao ser amado (que ele ganhe mais, que seja simpático com nossos amigos, que nos acolha com um sorriso, que pare de roncar no nosso ouvido, que leia Goethe em alemão, que não coma com as mãos, que não caminhe na nossa frente na rua, que esteja em casa na hora certa) é apenas um derivativo. O que queremos é a volta do que nós mesmos perdemos: o encanto pelo qual enxergávamos nosso ideal no ser amado. Esse encanto impunha o respeito, ou seja, permitia que deixássemos o amado e a amada serem, simplesmente, eles mesmos."

    Não vejo exatamente assim as premissas do que ele coloca como amor "impondo respeito": a paixão inicial  -tá bem, vou deixar por menos: o enamoramento inicial  pode idealizar e bypassar o que escapa à idealização. Mas a frase que omiti entre parênteses com pontinhos acima
    (Se você não é bem o que vejo em você, o engano é meu; amar consiste em querer e saber continuar se enganando) me pareceu formulada de um jeito sofismático pois não há a menor consciência do "engano amoroso" nos estágios iniciais de um enamoramento. Depois, o que vem com a relação entre dois seres concretos, reais, como são de fato e sem as vestes da idealização que se tornou impossível, é o que se vê a toda hora. Não é a toa que se podia até anular casamento com base na figura jurídica do "erro essencial de pessoa" como se o outro tivesse enganado sempre, se pasando por quem não era. O "respeito" me parece ser apenas com um sistema ilusório de apaixonamento narcíisico e enamoramento idem. "Amar" o que se idealiza é fácil; GOSTAR da realidade da alteridadeé que é difícil...
    Como escrevi antes, os personagens principais não são nada "simpatiquinhos" de início (o cabelo que aparece inacreditavelmente meio louro palha  com raízes pretas na cabeça da Emily Watson ajuda no desconforto que sua personagem mje provocou e que parece experimentar o tempo todo) , mas eles são muito verossímeis. Já ciritquei uma certa canastronice do Rupert Everett na chave que escolheu (ou que foi dirigido) para seu personagem. Mas à medida que a trama evolui todos se revelam tão demasiadamente humanos de modo que não há como (não mentindo para nós mesmos) não nos identifiquemos com aspectos deles, aqui, ali e acolá, e obviamente, não em tudo.
    Não quero dizer de personagens outros mais admiráveis por suas - digamos, "virtudes" - mas eles existem e quando mais participantes deste site tiverem visto o filme poderemos voltar ao assunto. desse jeito, fica difícil argumentar sem poder usar os argumentos.
    Ainda acho que o enredo poderia se encerrar um pouco antes do desfecho (não estou falando da duração do filme que é mesmo pequeno e não cansa nadinha, é de um certo "esticar" na história que me pareceu dispensável, mas poso estar equivocado até porque não chegou a atrapalhar minha admiração por este filme e suas questões bem interessantes, bem desnvolvidas numa história inteligente e dirigido com modéstia e propriedade, além de um cômputo geral de excelentes interpretações e cuidados de produção (música, fotografia - apesar de problemas de projeção ou da cópia no terço final pelo menos no cinema que vi; se for rever, confiro esta mudança súbita de tom das cores e nitidez da imagem)

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    [Aeternus:6615] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-03-16)


    - RE:RE:RE:RE: "Pequenas poções de ilusão/Mentiras sinceras me interessam..."

    Eu ia mesmo recomendar pra vocês. Assisti ontem. Adorei. E achei que tem uns pontos de contato com Match Point... fiquei curioso pra saber o que vocês diriam deles.


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    [Aeternus:6617] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-16)


    - RE:RE:RE: Mentiras sinceras

    No começo confundi o título do filme com outro, com Schwarznegger, chamado "True Lies".

    Admirei Contardo Calligaris por bastante tempo, atualmente estou um pouco cansada do clima de popularização. Vejam só como ele revira uma frase do Lacan:

    "Jacques Lacan, um grande psicanalista francês, disse mais de uma vez (a primeira foi, talvez, em seu seminário de 56/57) que o maior sinal de amor é (deveria ser?) o dom do que a gente não tem. Algo assim: "Ofereço-lhe o que não tenho e que você não quer e não me pede". Seja qual for nossa interpretação desse aforismo, ele é certamente o oposto da miséria amorosa ordinária, em que amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela "coisa" de que a gente precisa".

    Ele vai e volta na questão do "amor é dar o que não se tem" e conclue "amor não deve ser pedir o que se precisa".  Nada a ver. Além disso a colocação lacaniana não trata de "sinais de amor", logo ele com o cuidado que tem para falar de signos, sinais e significantes...
    A frase de Lacan faz um sentido luminoso e passageiro pra mim, ora a entendo, ora perco tudo. Ela é paradoxal: dar o que não se tem. Ela é mencionada, que me recorde, quando Lacan descreve a sedução de um jovem chamado "Engenho" por Penia ( "Carência") que está na origem do nascimento de Eros. Deve estar no seminário 3 sobre Transferência, tenho que conferir.

    O que nem homem nem mulher tem é o "falo". Mas... não sei como encaixar. Achar e perder, é assim que me acontece com as idéias que ora me acendem, ora se apagam totalmente. Prefiro fazer confusão feito o velho Chacrinha ( "vim aqui pra confundir e não pra explicar") do que achatar a riqueza de uma proposta originalíssima de Lacan.  Se tiver tempo, pesquisarei para vocês.  Se não tiver, deixo apenas desmontada a colocação irritante do Calligaris.


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    [Aeternus:6618] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-03-16)


    - RE:RE:RE:RE: Mentiras sinceras

    Após apresentar os elementos que deseja discutir, o Julian Fellowes move as peças no tabuleiro social/intimista à sua maneira, e o faz ao contrário do personagem de William ( Rupert Everett ) que dirige sua bojuda e possante Range Rover como um kart, zunindo em cruzamentos, perigosos, avançando sinais e dando queda de asa nos motoristas à côté - e curiosamente este personagem é quase letárgico a nível sangüíneo/afetivo...
    O painel assim pausadamente construído permite uma identificação aqui e ali, como coloca o Gallego, com ângulos deste ou daquele personagem ou situação, ligados a cada um de nós.
    Deixando que a narrativa flua ao natural, sem sobressaltos, ele escolhe os não-fortíssimos como os elementos que 'fecharão' o entrecho - e não sei se o romance-base de Nigel Balchin adota esta mesma linha...- acentuando dessa forma a intenção de que nos voltemos para as essências no amor e no ato de amar.
     
    Se falta o brilho ou a sacudida estremecedora, não se pode reclamar de lucidez. O patético escoteiro vivido por Tom Wilkinson, por exemplo, permite-se transar com a desejável secretária que o aguarda pacientemente com um spaghetti e um breakfast caprichado, estendendo a seu lar a habitual eficiência no bem sucadido escritório de advocacia londrino. Facilitado por vir de compreender o igualmente patético e sincero discurso de sua mulher ( Emily Watson, magnífica como sempre )sobre a necessidade imperiosa de continuar o affaire com o espalha-brasas do trânsito.
    E um certo sabor conformista varre tudo, a impor-nos quase em corolário a impossibilidade da felicidade no amor e na vida.

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    [Aeternus:6619] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-16)


    - comendo pelas bordas

    Pretendia ver hoje as mentiras sinceras ( todas são, não é?), mas não consegui encaixar o horário e acabei vendo "Capote". Não fazia parte dos meus planos até ontem, quando resolvi assistir o
    "Love, Liza" com o Philip Seymour Hoffman e fiquei assombrada com o ator ( aquele louro descascado e desagradável que seria meu "irmão gemeo" e para alguns, ele seria uma Kathy Bates de Drag Queen.

    É que vou comendo pelas bordas as premiações do Oscar e o meu mingau é tão vasto que até premios de anos anteriores só agora começam a ser explorados, como a Hilary Swank no pior filme do enigmático colar de Maria Antonieta, mais Heath Ledger em "Coração Selvagem" e "Four Feathers". 
    "Love, Liza" é um filme muito bem feito sobre a lenta ruína de um homem cuja mulher cometeu suicídio. Inicialmente ele encontra o apoio dos patrões e amigos, mais o carinho da sogra. Gradualmente ele afasta todos de si, enlouquecendo lentamente.  É mais um dos filmes da moda de "filme de ator" ( como foi "Being Julia" para Anette Bening e o "Sra. Henderson" para a Judie Dench) e o desempenho do Hoffman é impecável. Ele nasceu pra representar estes tipos fora das normas...

    O que achei interessante no enlouquecimento do personagem foram duas coisas.
    A primeira, pela constatação de que em certas situações não adianta ser solidário pra de repente cansar e sair de cena. Os amigos eram generosos, mas só até certo ponto. Parece-me que teria sido preferivel eles não terem sido acolhedores e compreensivos desde o início para dar logo um duro no cara. Tirarem-no da rotina do emprego para "descansar numa praia" foi desarmá-lo por completo. Fora os dois momentos nos quais ele é roubado: de um avião de aeromodelismo que levava no porta-malas do carro e, em seguida, de todos os objetos e eletrodomésticos da sua casa  ( inclusive da carta da falecida, ainda sem abrir).
    A segunda foi notar como a insanidade já estava latente pelo mecanismo de identificação. A esposa que suicidou fechou o escapamento do carro na garagem e morreu sufocada, enquanto que o viúvo passou a cheirar gasolina. Tudo começou quando ele viu o escapamento ainda tampado com estopa, mais um encontro casual com um taxi parado no sinal diante do seu nariz, pois o taxi não tinha tampa no local de abastecer de gasolina.   Também um avião de controle remoto que ele comprou para justificar os gastos com gasolina o fez mergulhar no mundo do aeromodelismo como se fosse apaixonado pelo hobbie desde a infancia e ficar tão perdido como quando cheirava gasolina. Etc. e tal. 

    Em "Capote" o histrionismo autocentrado pode florescer totalmente. Gostei da impaciência do escritor para que a história se definisse logo para que ele pudesse encerrar o livro. Ele precisava que os assassinos lhe contassem como foi realizado o crime ou que fossem condenados à morte e executados. Sem isto, era impossível dar o ponto final na história.  Work in progress, talvez, mas até certo ponto. Depois era imprescindível fechar o tempo.

    As músicas da maioria dos filmes vem me cansando com o chavão dos filmes de guerra e os crescendo com percussão nos filmes de terror, mais os sons pingados do piano para os momentos de ternura ou de retorno à infancia.  Sem o Seymour o filme não seria grande coisa. Enfim, Capote escrevendo "In Cold Blood" valorizou o mundo mental dos assassinos, destacou o mundo dos indivíduos por trás dos crimes. Hoje em dia, mais uma vez, retoma-se o anonimato das matanças e, quiçá, aquele filme sobre os palestinos suicidas teria a mesma qualidade que encontrei no "Capote", de casar o crime e o criminoso.    


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    [Aeternus:6620] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-17)


    - RE:RE:RE:RE:Amor e Mentiras sinceras

    Jansy criticou o uso pelo Calligaris do aforismo (mais um paradoxo) de Lacan sobre o amor.
    Ele reproduziu a frase original assim:"Ofereço-lhe o que não tenho e que você não quer e não me pede".
    E comentou: "Seja qual for nossa interpretação desse aforismo, ele é certamente o oposto da miséria amorosa ordinária, em que amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela "coisa" de que a gente precisa".

    Jansy resumiu assim: "amor é dar o que não se tem" e disse que a conclusão do Calligaris ("amor não deve ser pedir o que se precisa") não tem nada a ver até porque "a colocação lacaniana não trata de 'sinais de amor' ". Assinalou o aspecto paradoxal de "dar o que não se tem" e lembrou que foi dita por Lacan quando citou a sedução de um jovem chamado "Engenho" por Penia (nome que significa "Carência") , relacionamento sexual teria dado (uma das) origem(ns) ao deus Eros.

    Que eu me recorde, trata-se de uma festa em que o personagem masculino, Pório, está meio bêbado e é seduzido por uma moça que não era convidada para festas e banquetes, Penia.
    Ela, como já foi dito, representa a carência, o "desprovimento" e seu nome deu origem ao termo "penúria" em português (pobreza extrema, miséria, indigência).
    Ele (Pório = Imaginoso; ou Engenhoso como Jansy disse) seria, em certo sentido, antagônico a Penia, que nada tem. 
    Em português, curiosamente - ou sintomaticamente - seu nome só originou termos de significado oposta, com o prefixo negativo "a-". Por exemplo, "aporia" (embaraço trazido por uma dificuldade de ordem racional decorrente do conteúdo de um racicínio - ou seja um crise de capacidade de imaginação de ter engenhosidade no raciocínio).
    Assim, de um ser que tudo tem (de engenhosidade) e outro que nada de nada tem, nasceu o amor (Eros).
    Este mito é apenas uma das versões sobre o nascimento deste deus e parece ter sido inventado por Platão.
    Por que Platão inventou este mito e Lacan se utilizou dele para falar sobre o amor?
    Pório não amava Penia e - como costuma se dar quando não se ama alguém- não fazia  amenor questão de ser amado por ela; ela, que "nada tem" (nem recebe nada de ninguém), lhe dá seu amor (e só o realiza sexualmente porque ele está bem bêbado, meio caído no jardim, ela transa com ele estando quase adormecido e caso contrário ele jamais transaria com ela).
    Na verdade, o aforismo de Lacan me parece remeter à situação de uma entrega aparentemente desinteressada de reciprocidade. Se assim for, me lembra uma espécie de moral cristã de doação, entrega, o ato de "puro amor" que não espera retorno nem faz cobranças. Apena se doa. Ama o amar alguém (na pessoa deste alguém amado incondicionalmente e não se preocupa em se sentir amado).
    Me lembra, portanto, uma concepção próxima à da  pior idealização do chamado "amor romântico", aquele não correspondido mas que persevera.
    Há uma cançãodo Paulinho da Viola pouco conhecida  onde o letrista constata: "eu amei estando só". Isso pode até mesmo chegar ao masoquismo prazeroso que se refestela na impossibilidade e irrealização.
    Só que na letra desta canção, a constatação de que amou unilateralmente faz o letrista concluir que a separação e a solidão não serão insuportáveis pois já estava "só com outro", ou seja,  em uma doação amorosa a alguém que não correrspondia, que não fazia questão de receber aquele amor advindo daquela pessoa. Lembro esta canção até sabendo que esta concepção é raríssima na MPB repleta de chavões do tipo vou te amar na tua ausência, para sempre te amarei, volta, me perdoa, eu te perdôo, não adianta negar que me amou, etc etc.


    Antes de não captar a idéia de Lacan o que eu não entendo bem é a própria construção platônica do mito, até porque esse negócio de amor platônico, seja com que significado for, me parece meio mais ou menos  (e bem mais prá menos do que prá mais).

    Entendo que o desencadear de um sentimento amoroso por outrem se dá nese "estalo" que ainda não sabe o que acontecerá em seguida. Mas suponho que haja sempre a ansiedade de saber se o outro também vai se interessar por mim.
    É um mistério o porque das escolhas (há escolhas?) amorosas neste momneto zero do big bang amoroso. E mais ainda causa estranheza a manutenção do sentimento por uma das partes quando o desenvolvimento "vai contra" (o outro aparenta não querer tanto,ou  faz gato e sapato de quem ama "mais", etc etc) e mesmo assim, o amante não larga o osso sem filé. Mas será assim mesmo?
    Penso que uma dos prazeres de se estar amano e este fato em si mesmo. Ama-se estar amando. Se houver reciprocidade, é o Céu na Terra. Mas nem sempre se abdica de um objeto de amor mesmo quando esse objeto não é um sujeito amante de quem o ama. Que vantagem Maria leva? Alguma "vantagem" existe - ou pelo menos o temor da "desvantagem" em caso de "perder" esse alguém (que não se "tem" - na verdade esse alguém não é esse alguém, mas é algo: o estar amando. O alguém é um Pilatos no Credo amoroso. Creio estar amando, sentimento todo-poderoso criador do céu e da terra.

    Acaba que o que Jansy disse como se fosse uma falta de idéia tem tudo a ver, vejam só:  "Achar e perder, é assim que me acontece com as idéias que ora me acendem, ora se apagam totalmente." - Parece uma oscilação entre as idéias que se acendem como devia acontecer com o imaginoso Pório - mas também podem se apagar penúria de idéias, em  aporia.
    Devo estar, como a Jansy disse que estava, fazendo uma baita confusão feito o velho Chacrinha ( "vim aqui pra confundir e não pra explicar") ainda por cima porque não sei se concordo com Jela sobre a proposta de Lacan (afinal, é de Platão) seja originalíssima. Pode ser uma boutade, um esforço de imaginação, porém cheia de póros (furos) que paradoxalmente não dão passagem a uma compreensão do fenômeno amoroso. Até porque, ninguém conseguiu esclarecer mesmo alguma coisa sobre o que é "this thing called love".  Certamente "amor" é uma palavra-ônibus onde cabem muitas forma de relacionamento que se chamam de "amar", e que podem ser até mesmo antagônicas em sua auto-idealização; pois há "amores" auto-destrutivos, hetero-destrutivos, sufocantes, etc etc. Chama-se paixão e enamoramento de amor. Gostar, considerar, parecem se referir a coisas "menores" do que o tal "amor". Talvez Freud tenha razão: tudo isso é palavra, construção, racionalização, sofisticação, sublimação (etc etc) do velho impulso sexual. Ele não disse exatamente assim, mas penso que trouxe essa idéia.


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    [Aeternus:6621] Mensagem do Grupo56
    -jansy b s mello e col.(2006-03-17)


    - Kathy Bates

    Jansy:  A atuação de Kathy Bates, em "Love, Liza" não foi memorável. Ela podia ser uma atriz gorducha mais versátil, como a Shelley Winters que passava desde a esfuziante Charlotte Haze ( Lolita, Kubrick) à mandona neurótica em um naufrágio ( foram duas filmagens de Poseidon, então???) - só que fica no estereótipo. 

    Gallego:  Acho que talvez tenha visto um pedacinho deste filme LoveLiza na TV com K. Bates e Ph.S.Hoffmann, mas só uma cena ou outra com ele. Não lembro de tê-la visto. Nem sabia que filme era. Se é que era.
    Não simpatizo com a K.Bates, ela me passa alguma coisa de quem "se acha", como diz a gíria jovem para pessoas pretensiosas/arrogantes, ainda que (mal)disfarçadas. Ela me parece aquele tipo "Venci, mesmo gordinha" cheia de marra e orgulho excessivo com seu (até merecido, vá lá) sucesso; e ao contrário de outras com o mesmo biotipo mais cheinho, ela não me convence muito no aspecto feminilidade.

    Jansy: Creio que um dos primeiros filmes com Bates que assissti foi "Tomates verdes, fritos" e, ali, gostei da sua atuação.  Também me impressionei bastante com o "Misery" ( ou um nome como estes: Charity, Providence, Hope, Stereotype...)

    Gallego: Claro que ela abre espaço para outros tenebrosos personagens como neste filme de que você fala, o da fã que aprisiona o escritor (um Oscar daqueles que acho imbecis) e um outro onde ela era uma mãe que matara... o pai de sua filha? Enfim, prefiro o Hoffmann como ator.  
    A detetiva naquela lamentável versão americana de "Diabolique" com a Isabelle Adjani e Sharon Stone, era uma detetiva com ar masculinizado, e isso tb pode ter interferido na minha visão da atriz atrás da personagem.  Contudo, a personagem de "Titanic" do tipo "eu-que-não-afundo-nessa-merda-de-barco" parece também com o que imagino sobre ela, Mrs.Bates. Um pouco rainha da cocada preta. Acho que faz quase sempre o mesmo gênero de papéis, de gordinha-nem-tô-aí-pro-fato-de-estar-gordinha que acaba não convencendo de tanto que se "envaidece" de não encucar com os quilos a mais.

    Jansy: Mesmo assim, acho que o Hoffman corre o risco de uma identificação com o personagem que vai além do que se espera dos atores. Não deve ser à toa que ele recebe papéis camaleonicos. Queria discutir mais "Capote", com aquelas poses a la Chaplin/Clouseau.


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    [Aeternus:6623] Mensagem do Grupo56
    -jansy b s mello(2006-03-17)


    - EUREKA

    eSTOU SEM TEMPO PARA PARAR E PENSAR, MAS ENCONTREI A CITAÇÃO QUE GOSTARIA DE FAZER AO lACAN E POSSO DAR A DICA.

    Apertei maiúsculas sem querer.  Não dá para voltar atrás.  Leiam o capítulo VIII, " D´Épistèmè à Muthos", principalmente a parte tres ( Socrate diocisé ) do Le Seminaire livre VIII, Le Transfert, Ed.Seuil. 

    Depois de contar a história de Poros  e de Penia -  e a esta ele passa a chamar Aporia -  Lacan escreve ( pág 147)

    Voilà donc les choses dites clariement - c´est le masculin que est dérirable, c´est le féminin qui est actif.  C ´est tout au moins ainsi que les choses se passent au moment de la naissance de l´Amour.
    Si je vous amène à ce propos la formule, que l´amour, c ´est donner ce qu ´on n´a pas, il n´y a rien là de forcè...


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    [Aeternus:6627] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-17)


    - de recados e memorias

    Gallego, gratíssima por ter prontamente cuidado dos usuários da lista, advertindo-nos para termos cautela quando recebemos convites não-assinados. É uma atenção importante. 
    Depois vi que o Conde se identificou e reiterou o convite, especificando a música como algo especial. Obrigada.

    Quando meu nome aparece quase completo ( jansy b. de souza mello ) é porque estou escrevendo de um local "cadastrado" porque o nome aparece automáticamente. Quando estou sem este automatismo às vezes me esqueço de preencher o espaço vazio e fico, sem querer, como visitante.  Quando brinco que sou Gertrudes Rocha ( Gertrud Stein ) ou assumo qualquer outro codinome é porque, preguiçosa que sou, estou fora do cadastro e me animo a usar o espaço em branco para aderir aos jogos.  Pelo jeito, quase todos nós participamos normalmente fora do cadastro! 

    Retomando o tema do amor. Ontem à noite, querendo evitar a trabalheira de sair procurando citações do Lacan, resolvi cortar caminho e perguntei ao meu lacaniano de plantão ( Humberto) se ele sabia o que Lacan queria dizer com a frase "amar é...dar o que não se tem".  Ele respondeu de imediato: "Claro!"
    Pois é. Transferência ou confiança produzem bons frutos. Fiquei boquiaberta, esperando mais.
    J: E então? ( arf,arf) O que Lacan queria dizer?
    H: ( silêncio)
    J: Arf!!! Arf!!! hein???
    H: Silêncio!
    J: Ora, o que é que Lacan queria dizer????
    H: Isso mesmo. O que ele disse.

    Fim de papo. E, graças à confiança, entendi. Foi uma daquelas minhas viagens do não-saber ao saber para, em seguidinha, desabar na ignorancia de sempre.

    Há muitas diferenças entre Lacan e Bion, e hoje experimentei uma delas enquanto folheava o Seminário III ( na cópia em francês).  Certa vez Bion começou uma conferência com a seguinte fala:

    - Mal posso esperar para ouvir o que tenho a dizer. 

    Ele falava a partir do que lhe vinha à mente pressionado pela expectativa ou perguntas da platéia.
    Lacan nunca faria isso. Mesmo se permitindo mergulhar naquilo que lhe vinha à mente.  Um texto de seminário lacaniano pode parecer um produto da livre-associação e divagar por mares ignotos. Contudo, tem começo, meio e fim. Tem passado, presente e futuro.  As falas de Bion não tem e não vejo nisso desvantagem, mas uma diferença astronomica de postura frente à vida e ao pensamento.

    Seja como for, enquanto folheava Lacan, achei uma frase que perdi logo em seguida porque ela não fazia parte do que eu buscava. E agora ela me atormenta, mas não a encontro outra vez. Lacan estava trabalhando sobre o Além do Princípio do Prazer e com a constatação freudiana de que a vida se encaminha e busca a morte. De repente ele observou: " E foi assim que o amor se interpos no caminho da morte". Uau.

    Mas voltando ao tema, tentando desbionizar minha cabeça, eis o que encontrei sobre a questão do Amor é dar o que não se tem ( Não é "Love-Story". Não é cartum como logo depois do filme entrou na moda...).

    Como Gallego lembrou muito bem ( que memória, sô ) o mito de Poros e Penia, narrado no "Banquete" de Platão através da narrativa de Diotima    ( quando Sócrates passou a palavra à mulher)  não é um mito que tivesse surgido nos tratados tradicionais da mitologia grega, ou tivesse uma história anterior. Assim como o Mito da Caverna ( que Lacan compara ao... cinema!!!!) esta é outra criação platônica.  Lacan destaca este fato e ainda remete todas as suas frases às citações originais no grego.  "Amor é dar o que não se tem" não foi uma frase original de Lacan, mas resgatada por ele de um daqueles textos antigos ( não foi do Simpósio de Platão). 

    Desde o início do ano em que pronunciou sua "conferência" e inaugurou o seminário proposto, Lacan se deteve na diferença entre erastes ( amante ) e eromenos ( amado ). É a partir desta distinção que ele vai construir sua proposta sobre o amor, principalmente sobre o amor de transferência em análise.

    A primeira coisa que Lacan frisa ( estou indo de memória, a minha tão fugaz, depois tento encontrar novamente as palavras lacanianas que, desta vez, virão do seminário traduzido para o português) é que há uma discordancia fundamental entre amar e ser amado.  O amante, aquele que ama, não tem aquilo que busca no "objeto" amado e é por isso mesmo que o ama e nele busca algo.  O objeto amado talvez tivesse aquilo que o outro busca, mas nem assim saberá o que é que carrega de precioso.

    Agora vem a introdução da palavra "agalma" ( usada por Socrates) que está na base do conceito "objeto pequeno a". Agalma é um tesouro secreto que as pessoas carregam nelas, ou que outros supõem que elas tem. É algo tão secreto que nem mesmo quem é amado pelo seu "agalma" o conhece. Daí que é como se não o possuísse. Nem amante, nem amado "possuem o tesouro buscado". E, a partir daí, vivem seus desencontros.

    O psicanalista é o amado, buscado pelo seu "agalma" ( que varia pela transferência de cada analisando) e um dos treinamentos da análise requer que o analista não se identifique com a posição de "portar um agalma" e assim ter algo para dar e atender à demanda do analisando!  

    Para Lacan ( como o li hoje aos pulos...)  o amor nasce quando eromenos abandona a posição de objeto amado e passa para a de erastes. Ele exemplifica isto com a história de Alceste e de Aquiles ( Racine e talvez Homero ) Alceste era amante, amava o marido e por ele deu sua vida. Estava todo tempo na posição de erastes. Não seria este o caminho para nascer o Amor. Aquiles, ao contrário, era o amado de Pátroclo, estava como eromenos no início do combate. De repente, ele se sacrificou pelo Pátroclo, passando a erastes. Para Lacan o amor nasceu nesta passagem.

    Quando o psicanalista recebe em seu consultório um analisando, procurado por alguma fantasia de transferencia deste último, ele fica no lugar de eromenos.  Quando ele ousa uma interpretação que coloca a si e ao contexto em risco, quando ele se transforma num revolucionário pelo amor à verdade e ao significante, ele passa à posição de erastes.  Trata-se, então, da dimensão de amor simbólico. Raro. A maioria das ofertas de amor se dão através do registro imaginário, na cativação pelo tesouro do agalma, e não passam de modalidades mais ou menos delirantes de narcisismo na inter-subjetividade.

    O bobão do Calligaris pegou Lacan, abandonou o simbólico e começou a sua caridade cristã de desfolhar o amor imaginário...

    Francamente. É preciso ler Lacan.  Eu às vezes amo vocês porque faço uma força para fazer das tripas coração, criar um coração que não tenho com as tripas que tenho.  Quando eu não tiver mais tripas, só então, saberei amar de verdade. E, aí, provavelmente ficarei caladinha!

     


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    [Aeternus:6628] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-17)


    - promessa é promessa...

    Do Seminário III de Lacan, sobre A Transferência, trarei uns trechos ( só dos dois primeiros capítulos e um bocadinho do final)

    pag.19: "Eu te intersubketivo, tu me intersubjetivas pela barbicha, e o primeiro que rir leva um tapa, e bem merecido.  Dizem: quem não vê que Freud ignorou que nad ahá alem disso na constante sadomasoquista? (...) A intersubjetividade não seria aquilo que é o mais estranho ao encontro analítico? Ali, basta que ela apareça para que fujamos, certos de que é preciso evitá-la.  A experiência freudiana estaca desde que ela surgte. E floresce apenas em sua ausência. (...)

    pag.21: A tela do cinema é aqui o revelador mais sensível (...) Para que ela (a situação analítica) seja violada de uma forma que não seja revoltante - vamos adotar sempre o mesmo termo de referência, o cinema - é preciso que aquele que desempenha o papel de analista - vejam De Repente, no Último Verão - que o terapueta, aquele que leva a caritas até o ponto de retribuir novbremente o beijo que uma infeliz pespega em sua boca, seja um belo rapaz.  Ali, é absolutamente necessário que ele o seja.  É verdade que ele também é neurocirurgião, e que é prontamente devolvido as suas trepanações. Não é uma situação que possa durar.

    pag.35 ( pro Gallego, um pouco - mais  a memória do "Capote" um outro tanto, fora as mentiras sinceras e documentadas ) 
    A gravação no cérebro é uma prática excessivamente antiga, e que sustentou mesmo, durante longos séculos, o modo de escuta das pessoas que participavam de coisas sérias, enquanto a escrita ainda não tinha assumido essa função de fator dominante na cultura que tem em nossos dias.  Como as coisas podem ser escritas, aquelas que devem ser conservadas ficam para nós no que chamei de quilos de linguagem: pilhas de livros e montes de papel.  Mas quando o papel eera mais raro e os livros muito mais difíceis de se fabricar e difundir, uma coisa essencial era ter boa memória e, se lhes posso dizer, viver tudo o que se ouvia no registro da memória que o guardava.(...) o mínimo que se pode dizer é que Platão utiliza todos os procedimentos necessários para nos fazer crer nessa gravação do cérebro que se praticava na época (...) Ele frise que este Aristodemo, estou citando 178a, não tinha guardado uma lembrança completa, não mais que o próprio Apolodoro, que há trechos da fita estragados, e que pode haver falhas em alguns pontos.  Tudo isso, evidentemente, não resolve de modo algum a questão da veracidade histórica, mas tem, no entanto, uma grande verossimilhança.  Se é uma mentira, é uma bela mentira - e como é, por outro lado, manifestamente uma obra de amor, e talvez cheguemos a ver despontar a noção de que, ainal, só os mentirosos podem responder dignamente ao amor - nesse caso, mesmo, O Banquete responderia decerto àquilo que é como a referência eletiva da ação de Sócrates ao amor - isso, sim, nos é legado sem ambigüidades.

    pag.39 ( surpreendentemente, para Ennis ) Isto não impede que o amor grego permaneça uma perversão, por maior sublimação que seja.  Nenhum ponto de vista culturalista prevalece aqui.  Que não nos venham dizer, a pretexto de que essa era uma perversão aceita, aprovada, até mesmo festejada, que não fosse uma perversão.  A homossexualidade não deixava de ser o que é, uma perversão.  Dizer-nos para acomodar as coisas, que se tratamos dela é porque, em nosso tempo, a homossexualidade é inteiramente diferente, nãoe stá mais na moda, ao passo que no tempo dos gregos ela exercia sua fiunção cultural, sendo enquanto tal digna de toda a nossa consideração, é realmente elidir o problema.  A única coisa que diferencia a homossexualidade contemporânea e a perversão grega, meu Deus, acho que só pode ser encontrana na qualidade dos objetos.  Aqui, os ginasianos são espinhentos e cretinizados pela educação que recebem. Entre os gregos, as condições eram favoráveis que fossem eles o objeto de homenagens ( ...) <as a estrutura, esta nada tem de diferente.  Isso faz escândalo, haja visto a eminente dignidade com que revestimos a mensagem grega (...) 

    pag.41: (para os cinéfilos) ... o cinema. Platão ficaria satisfeito com essa invenção.  Não há melhor ilustração nas artes daquilo que Platão coloca na origem da sua visão de mundo.  O que se exprime no mito da caverna, nós o vemos todos os dias, ilustr\dos por esses raios dançantes que vêm, sobre a tela, manifestar todos os nossos sentimentos em estado de sombras.  E é realmente a esta dimensão que, na arte de nossos dias, pertencem, de modo mais eminente, a defesa e a ilustração do amor.
    É por isso que lhes disse outrora - afirmativa que não deixa de lhes despertar reticências, porque eu o disse de maneira muito incidental, e que será no entanto o pivô de nosso progresso  - que o amor é um sentimento cômico.  É necessárioi um esforço para chegar ao ponto de acomodação adequado que lhe dá a sua importancia.

    pag.41 ( para os que seguem o tema de hoje): Há duas coisas que observei em meu discurso passado, referentes ao amor, e vou recordá-las para vocês.  A primeira é que o amor é um sentimento cômico (...) A segunda coisa que gostaria de dizer, que vamos encontrar a todo instante e que nos servirá de guia, é que o amor é dar o que não se tem.  Verão isso vir, igulamente, numa das espirais essenciais do que teremos de encontrar em nosso comentário.
    Seja como for, para entrar na desmontagem pela qual o discurso de Sócrates vai ter para nós sua função esclarecedora, digamos que o amor grego nos permite retirar, na relação do amor, os dois parceiros do neutro.  Trata-se daquela coisa pura que se exprime naturalmente no gênero masculino, e que permite inicialmente articular o que se passa no amor no nível deste par formado, respectivamente, pelo amante e pelo amado, o érastés e o érôménos.

    ppag42: A dialética de Sócrates...faz muuito mais: permite-nos ir mais além e captar o momento de báscula, de virada onde, da conjunção do desejo com seu objeto enquanto inadequado, deve surgir essa significação que se chama amor.
    Para quem não apreendeu esta articulação e o que ela implica como condições no simbólico, no imaginário e no real, é impossível captar aquilo de que se trata nesse efeito, tão estranho por seu automatismo, que se chama a transferência, impossível comparar a transferência e o amor, e medir a parte, a dose, do que se deve atribuyir a cada um, e reciprocamente, de ilusão ou de verdade ( 23.11.1960)

    A parte que queria copiar aqui, que está em "Psiquê e o Complexo de Castração" ( pag. 231) não vai dar para incluir.  Ele fala da dalética da transferência, do desejo do Outro essencialmente separado de nós pela marca do significante e o problema do signo.

    Enfim, qualquer um pode pegar o seminário e ler ele próprio. Tirei apenas umas frases, rapidinho como sempre, mas meu tempo livre acabou e não deu para completar....

     e


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    [Aeternus:6629] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-17)


    - Mentiras Sinceras

    Brasília é uma cidadezinha caipira, não tem jeito.  Não consegui ver o filme Mentiras Sinceras ontem, hoje fui outra vez e não deu, dessa vez porque cancelaram a sessão. Agora no circuito do Cine Mark tem filmes que passam numa única sessão, nas anteriores tem películas para crianças e nas posteriores algum destes indicados ou ganhadores de Oscar. Tentarei outra vez na segunda-feira às 19:20, não há outra escolha!

    No entanto, acabei indo prum filme muito legal. Do jeitinho que gosto com natureza e bichinhos ( vacas, cavalos, gatos e um urso gigante). Tinha até Robert Redford ( excelente expressão facial!) e dessa vez de avô com uma neta de onze anos ( vai ver que o tipo ruivo envelhece mais depressa do que eu?)  e Morgan Freeman.  Jenniffer Jones não conta, tem sempre o mesmo jeitão e a garotinha, de quem não gravei o nome, estava maravilhosa. O urso, idem.  Valeu a pena. Não resisto e conto só uma cena, tá?

    Morgan Freeman e Redford comem sanduiches numa varandinha sentados com a menina que, do nada, observa: " Na minha escola há duas professoras lésbicas".  Eles se entreolham admirados e ela prossegue: " Vocês são gays? Não precisam ter vergonha porque todo mundo precisa amar..."  Apesar de muitos diálogos com chavões, eles tem um frescor novo quando ditos pela dupla de atores.

    Outro filme no genero cowboy que vi com Redford me agradou igualmente ( o livro foi mais impactante): "O encantador de cavalos".  Se "Capote" tivesse alguma cena com ratos ou carneirinhos eu teria chorado um pouco. Aliás, o livro "In Cold Blood" é ótimo mesmo e aterrorizante como o filme não foi.


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    [Aeternus:6630] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-17)


    - An Unfinished Life/ Hallstrom

    Não sei o que há de errado no título em Português deste filme que não consigo reter na memória. Então fica como achei no google.

    CAST:
    EINAR GILKYSON - Robert Redford
    JEAN GILKYSON - Jennifer Lopez
    MITCH BRADLEY - Morgan Freeman
    GRIFF GILKYSON - Becca Gardner
    CRANE CURTIS - Josh Lucas
    NINA - Camryn Manheim
    GARY - Damian Lewis

    CREW:
    Director: Lasse Hallstrom
    Written By: Mark Spragg and Virginia Korus Spragg
    Producers: Alan Ladd Jr., Kelliann Ladd and Leslie Holleran
    Executive Producers: Joe Roth, Graham King, Mark Rydell, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Meryl Poster, Michelle Raimo, and Matthew Rhodes
    Director of Photography: Oliver Stapleton
    Editor: Andrew Mondshein
    Costume Designer: Tish Monaghan

    Eis um comentário:...................................................

     “An Unfinished Life” is really the story of Redford and Freeman’s characters and their friendship, which spans four decades (...) Einer Gilkyson (Redford) has shut down since the death of his only son 11 years earlier. He goes through the day to day task of taking care of his once thriving ranch by rote, while providing medical attention and friendship to his closest friend, Mitch Bradley (Freeman), who lost much of his independence after being mauled by a bear the year before 9...) Einer’s physically capable of doing anything, yet his spirit is so broken he has no desire to vary his activities or the energy to play nice with others. But when his former daughter-in-law, Jean (Lopez), shows up on his doorstep accompanied by her 11 year-old daughter, Griff (Becca Gardner), he’s forced to deal with the news that he’s a grandfather. He’s also forced to finally come to terms with the loss of his son and the hatred he has for the woman he holds responsible for his son’s untimely death.

    Writers Mark and Virginia Spragg and director Hallstrom carefully and deliberately walk the audience through “An Unfinished Life.” Minor plot details aren’t revealed in a flurry. We’re afforded the opportunity to get to know a little of each of the lead characters before being introduced to the side plots involving boyfriends and a bear. There’s no rushing to tell a story. Only an unnecessary and silly romantic relationship between Lopez and Josh Lucas’ characters seems out of place in this otherwise tightly scripted story. In truth, ‘tightly scripted’ doesn’t adequately describe Hallstrom’s latest effort. The dialogue has been pared down to the absolute bare minimum, which is a blessing (...). Overall, it's the quality of acting in “An Unfinished Life” that makes this film a cinematic treat. Surrounded, and in most cases overshadowed by superb performances from Redford, Freeman, Lucas, Damian Lewis (as the chain-smoking abusive boyfriend), and newcomer Becca Gardner, Lopez actually gives one of her best performances to date.

    “An Unfinished Life” isn't a movie that makes a lasting impression. But it is a crisply acted, well-plotted film, refreshing in its lack of artifice and entertaining enough to be worthy of dropping a few bucks to check out while it’s still in theaters. It’s also stunningly shot, which is a big plus in these days of shaky hand-held cameras and music video-style feature films.

    .........................................................

    Eis aí o nome da garotinha: Becca Gardner. Ela é ótima! 


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    [Aeternus:6632] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-18)


    - RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

    Esse negócio odioso de um filme em cada sesão, ou pior ainda, o filme das 14 passar às 21, outro passar às 16 e 19, outro só às 18, sei lá... não é caipirice brasiliense. É o início do fim dos cinemas...Odioso! perco filmes, chego no horário erradfo, vejo o que não queria.

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    [Aeternus:6633] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-18)


    - RE:RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

    O filme Capote ou o filme In Cold Blood que não foi aterrorizante?

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    [Aeternus:6634] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-18)


    - RE:RE:RE:An Unfinished Life/ Hallstrom

    Quando assisti o trailer, temi que "Capote" fosse tão terrrívelmente angustiante quanto foi ler o livro "In Cold Blood", mas não achei não. Aquela casa branquinha, de cortinas estampadas com flores em fundo branco e luzes douradas no meio de um campo de trigo pertenceu a uma família que, isolada por instantes da comunidade, foi todinha assassinada... é quase uma casa-ícone que serve para anunciar produtoras de cinema. Uma família de classe-média ser assassinada também não é mais o impensável que foi quando li o livro: é quase rotina. Vendo o filme até me espantei com o tempo e o dinheiro gastos para investigar uma matançazinha comum - enquanto que, quando li o livro, este tipo de evento era impensável, exceto por Agatha Christie nos estertores do mundo vitoriano. 

    Senti falta de me sentir indignada e mobilizada e ameaçada e feroz com a morte gratuita de quatro pessoas "de bem".  Se houve terror em "Capote", pra mim, foi o a minha falta de terror.  


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    [Aeternus:6636] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-18)


    - RE:Sangue quente

    Ontem um casal amigo também me dissse ter ficado profundamente desconfortável com "Capote". Isso poderia falar a favor de um filme, livro, peça, etc. Mas achamos que não neste caso. O chafurdar, lambuzar-se, deitar e rolar em uma situação macabra da vida real, seja em relação à família assassinada, seja me relação aos assassinos, seja em relação ao jornalista-escritor que usa e abusa da situação e vende sua alma ao diabo (que lhe cobra sob a forma da paralisia de ficarsem concluir mais nenhum livro em seus vinte anos seguintes de vida), tudo isso junto num filme blasé, frio, distante, não propicia nenhuma adesão de admiração nemn nenhum "distanciamento brectiano" que contribua para uma reflexão de algo novo que valha a pena. Tudo quen está lá, já se sabe e não foi re-demonstrado de forma a valer a pena: é o que se conhece do pior do ser humano, o mesmo que escreve ou lê coisas do tipo que se chamava de "imprensa marron": sensacionalismo barato com crimes horrorosos, perversões da vida íntima das pessoas, escândalos que horrrizam/seduzem o pior de nós mesmos. Sensacionalismo barato para valer a pena tem que ser "caro". Mas este filme não se justifica ao escolher não se comprometer: "eu mostro, vocês decidem". Pois bem, minha decisão é dizer que é um filme que não se compromete e repete um tanto da atração psicopática de Capote pelos assassinos, dos assasinos pelo crime. Eu não me senti atraído por nada O filme se coloca atraíso pelo capote e por suas atrações perversas sem se colocar nem acrescentar um ponto de informação, reflexão, questionamento, etc etc.
    Sobre cinemas de várias salas com cada sala passando três filmes, por exemplo, em horários alternados, em distribuição randômica: eu minha ulher íamos ver um filme, nos enganamos na visualização do horário (tantos filmes, tantas salas, tantos horários, chegando ao cúmulo de um mesmo filme estar na sala 1 em um horário, na sala 3 em outro,e assim por diante) e chegamos muito atrasados para a última sessão do que queríamos ver. Para não perder a viagem, entramos em "Capote", já começado, ainda que há poucos minutos. Contra meus hábitos não fiquei para o início da última sessão (porque este estava em cartaz em duas sesões seguidas no final do dia. Mas prá que ver o início de um filme que nos causou tanto desagrado? Desagradável. Esta é a palavra. Sem nenhum prazer estético em troca. Nem mesmo a composição do Phillip Seymour Hoffmann, já que o personagem também é irritantemente desagradável ao encontrar sua psicopatia espelhada na dos assassinos. Mais od que encontrar seu possível duplo que lhe permitisse uma reflexão sobre si mesmo, ele faz uma imersão nessa psicopatia, de seu lado intelectualizada e sofisticada. Tô fora!
    Já do filme antigo "In Cold Blood", dirigido pelo irregular, mas às vezes bom Richard Brooks (muito admirado pela crítica na época, mas talvez supervalorizado) eu guradei um a boa lembrança do impacto, me ficou muito a impressão de ser um libelo contra a pena de morte, apesar de tudo o que os condenados fizeram. Mas na minha juventude, os idealismos podem ter contaminado o que o filme foi (mais um opoirtunismo?) Só revendo em dvd.
    Vale a pena ler o que este crítico escreveu sobre o filme (de 1967) em 2002. Sua crítica de 1967 tb é interessante, até mesmo questionando algo parecido ao que eu questionei sobre "Capote" acima, mas a revisão de 2002 com informações osbre a vida pessoal do ator que faz um dos assasinos... é aquilo de lembrar que a vida imita arte (?)
    In Cold Blood (1967)

    Roger Ebert / June 9, 2002

    In the years since Truman Capote published In Cold Blood in 1966, the true crime genre has expanded to fill whole sections of the book stores. Factual accounts of crime were common enough before, but Capote combined in-depth reporting with the techniques of the New Journalism, then in its golden age; his book, he said, was a "non-fiction novel." He told of the senseless 1959 killing of the four members of the Clutter family, living in a ranch home outside Holcomb, Kan., and the patient police work that led to the arrest of two clueless ex-cons.
    The newsmagazines were filled with the saga of Capote's reporting--how the effete society creature from Manhattan moved to Kansas and established first-name relationships, even friendships, with the convicted killers Dick Hickock and Perry Smith, the police investigator Alvin Dewey, and local residents. Capote described a photographic memory that allowed him to remember conversations verbatim, and his book's construction allowed him to delay the description of the murder until the end, so that he could make his point that six people died in cold blood: The Clutters, and their killers. The book was intended as opposition to capital punishment, and some critics believed Capote had grown so close to Smith and Hickock that he was blinded by sympathy for their luckless lives, and lost focus on the massacre of the Clutters.
    In Cold Blood was the great best seller of its time, and a year later Richard Brooks made a stark black and white film from the book, using Conrad Hall's widescreen compositions to capture the flat, wide, windswept plains where the murders took place. He had originally hoped to use Paul Newman and Steve McQueen as the two killers, but that casting would have hopelessly skewed the film in the wrong direction, making Smith and Hickock into glamorous Dostoevskian heroes who would have been wrong, all wrong, for this sad and shabby story. Eventually he found two newcomers, Scott Wilson and Robert Blake, who embodied the drifters with their unshaped, witless personalities.
    As individuals, a psychiatrist in the film tells us, they would have been incapable of murder; together they formed a personality that took four lives. The Smith character says: "When Dick first told me the plan, it didn't even seem real. And then the closer we got, the more real it became." The plan was for him to kill the Clutters; Hickock, who knew himself incapable of murder, wanted to leave no witnesses, and so found himself a man "crazy enough" to pull the triggers. That Smith, who is the nicer of the two, the one who wants to back out, who feels pity for the Clutters, is the one who kills them is explained in the film by flashbacks to his own tortured childhood. In the most famous line from book or movie, he observes, "I thought Mr. Clutter was a very nice gentleman. I thought so right up to the time I cut his throat."
    The film generated controversy from those who found it gratuitously violent (even though all the killings take place offscreen), an apology for murderers, a kneejerk liberal attack on capital punishment. It was much more shocking in 1967 than it would be today; and was linked with "Bonnie and Clyde," another 1967 film, in punditry about the decay of Hollywood values. But it won Oscar nominations for Brooks' direction and screenplay, Conrad Hall's cinematography, and the score by Quincy Jones (which launched his Hollywood career).
    "In Cold Blood" achieved renewed notoriety in 2002 with the arrest of Robert Blake for the alleged murder of his wife. Conrad Hall's most famous shot began to turn up on all the newscasts: A closeup of Blake's face on the night Perry Smith is scheduled to be hanged, with light shining onto it through a rainy window so that the rain seems to be tears running down his skin.
    To the degree that there's any connection between "In Cold Blood" and Blake's real-life troubles, it can be explained by typecasting: Robert Blake, in person and in many of his characters, seems born to be a victim pushed around by others, dismissed because of his short stature, carrying old grievances and wounds. For his entire professional life he was haunted by resentment about the way his family and the studios treated him as a hard-working child star, who was in the Our Gang comedies (billed as Mickey Gubitsoi and later as Bobby Blake) and played Little Beaver in the Red Ryder movies; he had made nearly 100 features and shorts by the time, at 10, he had a bit role in "Treasure of the Sierra Madre," as the little Mexican boy who sells the lottery ticket to Humphrey Bogart.
    Blake's unhappy childhood seems to find a mirror in the tortured childhood of Perry Smith, who is seen in flashbacks idolizing a glamorous Mexican mother who appears with her husband in a rodeo show before alcoholism turns her into a prostitute. The moment of Herbert Clutter's murder, in the movie, is intercut with a flashback to Perry's enraged father turning a shotgun on the boy and pulling the trigger; unloaded, that gun seemingly waited for decades for Smith to pull its trigger and shoot back at his father.
    Just as Capote plundered real lives for his "non-fiction novel," so Brooks shot on real locations, using Holcomb and the actual Clutter home, and hiring local people as extras. There is creepy voodoo at work in scenes where we see actors recreating the Clutter's happy lives in the very house where the real family lived. Was this necessary? When I interviewed Blake in 1968, he said: "If we shot it in Nebraska, people would say, 'Isn't that just like Hollywood? It happens in Kansas and they shoot it in Nebraska.' "
    Brooks' great achievement in the film is to portray Smith and Hickock as the unexceptional, dim-witted, morally adrift losers they were. There is an outlaw tradition in Hollywood that tends to glamorize killers, but there is nothing attractive about Perry Smith, chewing aspirin by the handful because of the pain of legs torn apart in a motorcycle accident, or Dick Hickock, fixated on "leaving no witnesses." The film follows them on a road odyssey down long, lonely highways, shows them escaping to Mexico only to return, reduces their dreams of wealth to an extraordinary sequence where they team with a little boy and his grandfather in collecting empty soda bottles for the 3-cent redemption fee.
    From time to time during the film, investigator Alvin Dewey (John Forsyth) talks to a journalist (Paul Stewart) who is apparently meant to suggest Capote; in the scenes after Hickock and Smith are on Death Row, he steps in as a narrator, and engages in fairly heavy-handed dialogue about the uselessness of capital punishment. This character and everything he says are flaws in the film, which would have been better advised to stay with the flat minimalism of the earlier scenes. Brooks is wise, for example, to shoot the killings with no musical score, simply the background sound of the wind howling outside.
    The film's message goes astray for several reasons, the best being that most people will agree that Hickock and Smith deserved to die. The main body of the film generates considerable sympathy for the two killers, who were indeed warped by miserable childhoods, but essentially the film finds, as the book did, that the Clutters died for stupid, senseless reasons. The Smith character expresses this best, after it becomes clear that a safe containing $10,000 does not exist: "We're ridiculous. You tapping on the walls for a safe that isn't there, tap-tap-tap, like some nutty woodpecker. And me, crawling around on the floor with my legs on fire, and all to steal a kid's silver dollar."

     




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    [Aeternus:6637] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-03-18)


    - RE: o mundo está tranqüilo

    Jansy coloca com bastante simplicidade e interessante tom perplexo-confessional sua 'falta de terror' diante do açougue de "In Cold Blood".
    O noticiário de cada dia, cujo conteúdo trará alguns fatos que já sabemos de antemão, sem termos bola de cristal - quantos se mataram no Iraque, vendettas entre mafiosos de diversos ramos, quadrilhas desbaratadas por tráfico de drogas ou contrabando, políticos desmentindo acusações já comprovadas de corrupção - a estas agregadas o mais novo potin tupiniquim : o STF decidiu arvorar-se uma espécie de Deus despótico e governar o país, enquanto o molusco viaja pelaí fazendo propaganda da sua excelente malta tungadora dos recursos da nação.
     
    Minha vez, pois, de vos confessar minha falta de terror diante disso.
    Só que nem tanto pela falta de estarrecimento, mas antes pela impotência de, como ex-cidadão, reverter algo no cenário. Nem tanto por mim, com uma vida praticamente já vivida : penso mais em nossos descendentes, a enfrentar essa massa falida, esse lodaçal asqueroso com que conviverão, e que precisarão do máximo de suas forças para dele afastarem-se.

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    [Aeternus:6638] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-18)


    - RE:RE:Sangue quente

    Gallego me provocou primeiro, questionando apenas se eu não tinha ficado aterrrorizada, para depois colocar sua crítica arrasadora ao filme. Indiretamente, à mim também porque não denunciei nada a sangue quente.
    Não se esqueça, Gallego, que eu estava vendo, se acreditarmos no Florião, o meu "irmão gêmeo" ( Heavens!!!) a encontrar num assassino psicopata seu irmão gêmeo... Eu estava um tanto capturada pela idéia do rosto do sujeito ( mesmo sabendo que era bobagem eu queria ver o que outros poderiam enxergar sem eu saber!), narcísicamente enrolada pois, pelo menos na dimensão externa, voltada ao mundo dos espelho e dos enganos. Um rosto expressivo, mas sem ternura. Duro, bobo.
    Comprei um livro do Capote, da fase decadente ( ele conseguiu escrever depois deste best-seller, mas eram textos inteiramente autocentrados, como Ibrahim Sued se vendo em todas as mulheres do soçaite. Isto também me agradou encontrar no filme, como uma leitura posterior, pois o diretor escolheu focalizar bastante o rosto do Philip Seymour/Capote como se forçasse a convergencia do ator e do personagem e potencializasse a dimensão do ego explodido que fica caricato na cena perto do final quando ele chega atrasado para a execução e se desculpa falando de si próprio e os condenados, com minutos de vida, o ironizam.  Se havia qualidade artística no filme seria nesta linha, uma reflexão indireta sobre como o narcisismo fecha o mundo e constringe as paisagens impedindo até que se imaginem os abutres elegantes pairando em nossa volta enquanto a vida passa ( e a caravana e os cães que ladram).

    Se a qualidade documental da ficção/não-ficção inovou alguma coisa e mudou a literatura americana não sei, não entendi isso direito. Mas que o livro é bem escrito e causa impacto não resta dúvida. Além disso, não deixa de ser um estudo sobre a tragédia dos filhos abandonados ( embora não seja seguidora da escola de culpabilização dos pais...).

    Também o filme mimetiza o aspecto sadomasoquista ( perverso) da nossa cultura. Podia ter sido mais forte nesta mimese para nos dar susto com isso, nos gerar alguma culpa. No entanto, o vértice do diretor favoreceu mais o jogo com a mídia e os poderes que ela confere...

    Qual foi o criminoso que foi solto por intermediação de um escritor e deu tudo errado pros dois? Não foi Genet, foi?


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    [Aeternus:6639] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-18)


    - RE:RE: o mundo está tranqüilo

    Temos o Capote, o Gore Vidal e o protegido Maynardi. São parecidos, apesar dos talentos diversos. Dos tres, prefiro Gore Vidal porque de alguma forma jogou com a política, assumiu posições claras e escreveu livros interessantes. Num deles questionou a valorização que fazemos ao mundo greco-romano e descreveu a história pelo angulo dos antigos persas ( nada de iranianos! ). Em outro, "Messiah" ironizou sobre as seitas religiosas e fez um guru indiano jogar flores com virus pelo planeta inteiro e exterminar a raça humana, com exceção dele próprio e dois outros escolhidos que ele pretendia dariam origem a um novo homem ( mas esqueceu eram estéreis os que selecionara para adão e eva ). O que mais me marcou foi o livro que não consegui ler até o final ( nem vi o filme senão por uns quinze minutos no máximo) , "Calígula", por causa de um parágrafo no qual ele contrastava a ruína dos regentes e da aristocracia com o trabalho construtivo e incessante dos artezãos e camponeses. Até hoje, desde então, é neste formigueiro humano que fica minha aposta de mudança. 


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    [Aeternus:6640] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-18)


    - dicas

    O que os colegas tem a informar sobre o gênero "Giallo" e o diretor Dario Argento? Li comentários elogiosos sobre essa figura "cult", associada a Sergio Leone, Storaro e Morricone. Assisti há pouco " O Pássaro das Plumas de Cristal"  em cópia mal dublada para o inglês, numa trama pretenciosa e adolescente.

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    [Aeternus:6641] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-19)


    - RE:dicas preventivas

    Não sei o que quer dizer esse gênero "Giallo". O diretor Dario Argento, para mim, nem é um blefe. É um bosta. Não entendo essas eleições "cult" que parecem do tipo "quanto pior, melhor". Talvez ele seja o equivalente ao brasileiro Zé do caixão. Começou com filmes entre suspense e terror muito ruins, tendo sido o primeiro esse "Pàssaro das Plumas de Cristal", tendo tentado marca-registrada de títulos com animais tipo "O gato de nove caudas", "As moscas no veludo cinza"... Prá mim fez filmes "B" italianos (isso deve ser equivalente a "D" - de droga - ou "E" - de espanto!) sem inspiração nos roteiros metidos a policiais nem na diereção. Mas decretou-se que ele é um diretor com qualidades. Não sei quais. Caí na esparrela de ir ver um filme menos antigo dele chamdo "Terror na ´Ópera" porque sou tarado pela ópera encenada no filme, o "Macbetto" de Verdi, sendo a peça famosa por "dar azar" (Diz a Bárbara Heliodora que essa fama é porque é muito difícil um ótimo ator se dar bem no papel; Macbeth já foi o Waterloo de muita gente boa; e a Lady Macbeth também tem um monólogo que me deixou constrangido de ver a Tonia Carrero dizê-lo. "Tirai-me meu sexo" não é frase para nenhuma atriz dentre as melhores do padrão global; é cpoisa prá gente grande). Enfim, foi um dos raros filmes em que sái no meio. Tinha uma espécie de "fantasma da ópera" sádico que pegava as vítimas e colocava um aparelho nas pálpebras quye, se a pesoa piscase, feria o olho; se fechase o olho para não ver um assasinato bárbaro com reuintes de crueldade, ficava cega de tanto espetar o globo ocular com espetos de metal. Preciso disso? Ninguém precisa.
    Mas o cara tem seu ibope. Que chega a me irritar pois o considero menos que medíocre. Um bosta, como defini acima, fazendo filmes de merda.

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    [Aeternus:6642] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-03-19)


    - RE:RE:dicas preventivas / corroborando

     Assino embaixo do Gallego, e o pior é que o problema é hereditário : a filha do carinha, Asia Argento, é nojentófila como o pai. Há poucos meses entrou em cartaz um filme com ela seviciando um menino que deve ter seus 10, 11 anos em putarias e perversões, sob esse rótulo de 'cinema vérité' pesado ou justificativa-que-nada-justifica.

    Mesmo caso de Gina Lombroso X Cesare Lombroso, um misógino alucinado, ensaísta por volta do início do século passado, para denegrir o máximo que pudesse as mulheres, e que teve como sucessor(a!!!) a filha, Gina. Tem gosto pra tudo, né ?
    Até para ver algo que preste em pilantras sem caráter...


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    [Aeternus:6643] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-19)


    - RE:RE:RE:dicas preventivas / corroborando

    Ainda bem que tenho em vocês, Gallego e Marcos, observadores não aprisionados pelos canones da crítica americana ou européia. Achei o filme das Plumas de Cristal tão ruim que desconfiei que só podia estar errada, ser uma porfora total em cinema, e otras cositas más, já que tudo que pesquisei pelo Google só trazia loas, louvores e louros ao diretor.  
    Há uma forma de tratar com as questões relativas à angústia, perversão e loucura que não humilha atores e espectadores, que não rebaixa a humanidade em nome de uma "representação da realidade e apresentação da verdade núa e crua", que não chafurda no crime. Dario ARgento seguramente não faz parte desta turma.  Além da cumplicidade no horror e do mau-gosto, sua película carece de continuidade. Não há naturalidade em gesto, beijo, diálogo. Nada flui como algo vivo.

    A proposta original foi anunciada, assim aproximando o Argento a Hitchcock, oferecia o lento desvendamento de pistas que não eram apreendidas diretamente pela consciência porque iam se construindo no inconsciente do espectador. Pequenos indícios disfarçados, em vez de captados pela razão, seriam incorporados graças à a sensibilidade e ofereceriam seus contornos com o sabor de palavra coçando na ponta-da-língua.  Bonita idéia! Mas não vi nada disso acontecer no filme.


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    [Aeternus:6692] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-03-23)


    - psicopatas asasinos e escritores... psicopatas?

    Revi em dvd o filme "In Cold Blood" do cineasta Richard Brooks, realizado um anos depois do lançamento do livro do Truman Capote. Bom cinema que envelheceu pouco. Os problemas que tem, já os tinha: quis ser um equivalente do nonfiction book. Como ser um nonfiction movie? (já discuti no passadoa questão da "verdade" dos documentários: prefiro a verdade que se alcança pela ficção) De qualquer modo me soou ingênuo e perverso filmarem o crime na casa onde o crime se deu. Que horror! Isso não é dito no filme, mas foi divulgado na imprensa. Ingenuidade? Perversão? São categorias aparentáveis, aproximáveis? Escatologia?
    Os atores são muito bons, mas o Robert Blake foi mais apreciado (faz o Perry por quem Capote teria se apaixonado, se identificado, se misturado - e mais desenvolvido no filme "Capote"). Gostei mais do outro ator, mais psicopata planejador e irresponsável que usa o potencial violento do Perry para um assassinato. Ele não mata diretamente mas se recusou, antes, a comprar meias pretas para esconder o rosto. O tempo todo ele não quer roubar um mítico cofre que nunca existiu.Ele quer matar. Ainda que de forma vicariante, através do parceiro que executou a família inteira.
    A "tese" psicológica do filme é que nenhum dos dois cometeria assassinatos separadamente, mas juntos formariam uma "terceira" personalidade altamente assassina. Me soa onipotência prever o que fariam num tempo inexistente quando nunca tivessem se encontrado. Mas hoje em dia se fala da teoria de um "terceiro analítico" formado pela dupla analista-analisando. Por que não um "terceiro assassino" formado pela dupla intenção de matar de um e de potencial executor de outro?
    Aluguem o dvd se quiserem discutir o filme. Pode ser interessante. A ingenuidade existe também na fotografia preto-e-branco (mas em cinemascope widescreen) para dar tom "documental" só porque em 1967 a "realidade" no cinema aparecia mais em documentários e jornais da tela em preto e branco do que a cores.
    Mas acho um filme melhor do que "Capote" como cinema.
    Só me pergunto sobre o livro que não pretendo ler. Precisava? Intelectuais, jornalistas, ficcionistas se deslumbram com a psicopatia que tem cara de normalidade (a "máscara da sanidade" como já foi definida nos anos 1950). Ontem conheci uma policial francesa que recambia para a França criminosos extraditados. Me dizia do seu espanto com a capacidade de serem simpa´ticos e afetuosos quando tem, por exemplo, NOVE assassinatos nas costas...
    Nós, da área psi, não entendemos tanto mas sabemos que isso EXISTE mesmo. O splitting do ego, torso de trabalho incacabdo de Freud e genial. Mas não romantizamos a psicopatia radical, a perversão destrutiva, a banalidade do mal. Atéo apra não nos envolvermos com isso tudo e nos perdermos na lama tanática.
    Capote me parece uma das figuras menos simpáticas que imagino tere exisitudo.  Isso o livra d apsicopatia de chafurdar no sangue do crime horrendo, na psicologia rala dos asasinos e na sua própria de escritor-ator dao processo penal dos criminosos?
    Comprei na Loja A,ericana um filme policial de comédia com superelenco onde le trabalha: 19 reais... ""Assassinato por moret" .
    Só me lembro d euma cena: Um corpo sumiu. Maggie Smith peregunta a David Niven "O que fariam com um corpo?" Ele responde no ouvidinho dela. Ela tem um frisson e diz com a voz trêmula: "Vamos subir para o nosso quarto?"

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    [Aeternus:6693] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-03-23)


    - RE:psicopatas assassinos e a trindade

    Pelo jeito terei que ir comprar DVD nas Lojas Americanas regularmente. Então LFG achou por lá o "Assassinato por Morte"... Queria rever esta sátira.

    Achei o livro do Capote apavorante quando o li. Talvez tivesse tido medo do autor também, de mim mesma, do mundo. Nenhuma angústia deste tipo vasou para o filme que assisti recentemente e não me animo ao outro.

    O Conde pareceu achar interessante saber que já atendi a alguns pepezões, mas suponho que a maioria dos analistas passou por experiencias assim. Todos nós já esbarramos em vários perversinhos e perversões sem qualquer susto pois, só no cinema é que eles serão inevitavelmente os assassinos perigosos.

    Freud caiu na  misoginia quando fez uma afirmação abrangente demais ao observar que "os homens se apaixonam pelas mulheres narcísicas para viver, ainda que vicariamente, o narcisismo do qual eles abriram mão".
    Sem exagerar como Freud nesta frase, confesso que me encantei algumas vezes com os analisandos sedutores e manipuladores enquanto esquecida de que o mundo deles é composto por fantasias estereotipadas que progressivamente o reduzem e empobrecem. Achava que poderia lhes ser útil e observar, neles, o prazer de se acharem acima do bem e do mal - e tudo isso sem culpa. Nos primeiros dias, ou minutos havia no ar a sensação de explorar a loucura sem enlouquecer, algo que logo sumia em mim porque... sei não. 

    Esqueci de observar algo importante e que os lacanianos sempre demarcam para a perversão: perverso é aquele que se posiciona no lugar da alteridade, é quem acredita que sabe fazer o Outro gozar e quem conhece o que será "o melhor pra todos" ...
    Perversos são os que se propõem a nos fazer obedecer aos ditames da nossa agora por eles revelada "verdade inconsciente"  - como aliás, fazem quase todos os psicanalistas -  no que a psicanálise ganhará uma dimensão "perversa" caso concordássemos com os argumentos de S.André.


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    [Aeternus:6988] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-15)


    - Bergman

    Fui atrás da música cantada no filme ( que me lembrava ter ouvido em outro filme nórdico, no qual os herdeiros colocavam fogo em todo maravilhoso palácio com mobílias e tapetes preciosos) e achei dados interessantes sobre o filme de Bergman. Como deu pra sentir, foi inspiração para o de Woody Allen.

    Eis o que encontrei:

    Bergman's first major success, inspiration for both Stephen Sondheim's A Little Night Music and Woody Allen's A Midsummer Night's Sex Comedy, this enchanting comedy of manners assembles a team of couples, ex-couples and would-be couples, and puts them through their paces in a game of love at a country house party during one heady midsummer weekend in 1900. Ruthless towards its characters' amorous pretensions, but extending a kind of ironic tenderness when they get hoist with their own petards, it is a wonderfully funny, genuinely erotic, and quite superbly acted rondo of love. Dig too deeply and it disintegrates, but its facade—decked out in elegant turn-of-the-century settings and costumes—has a magical, shimmering beauty. (Tom Milne, Time Out)

    A musiquinha é charmosa. 

    Freut euch des Lebens,
    weil noch das Lämpchen glüht;
    pflücket die Rose,
    eh' sie verblüht!

    Man schafft so gern sich Sorg' und Müh',
    sucht Dornen auf und findet sie
    und lässt das Veilchen unbemerkt,
    das uns am Wege blüht!

    Alegre-se com a vida enquanto ainda brilham as luzes, colha a rosa antes que ela desfolhe. Buscamos preocupações e tarefas, perseguimos e achamos espinhos enquanto deixamos de perceber as violetas que desabrocham no caminho


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    [Aeternus:6993] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-04-15)


    - RE:Bergman

    Eu ia te dizer, mas vc já descobriu que "Sorrisos de uma noite de amor" é referência para o filme de Woody Allen de tíyulo sugestivo parecido. Allen, por sua vez se referiu mais explecitamente à referência remota em Bergman que é "Sonhos de uma noite de verão" ao incluir a personagem de Mia Farrow com o nome de "Ariel" e uma "solução" mágica no final.
    Por conhecer bem o filme do bergman achei este Woody Allen fracote quando o vi no cinema e nunca mais revi.
    O do Bergman mistura comédia francesa de boulevard (Marivaux) e suas superficialidades com reflexões sobre as trapaças das relações homem-mulher (as trapaças do acaso e as traças da paixão)  e certamente também se remete à ópera "Cavaleiro da Rosa" de Richard Strauss-Hoffmenister que também mescla chcnchada e melancolia na rearrumação dos pares amorosos.
     Foi o filme que  revelou Bergman em 1956/7 ao mundo extra-Escandinávia num festival de cinema (Cannes, talvez) em um ano próximo ao que teve "O Sétimo Selo" numa mostra e "Moranfos Silvestres" no festival de Berlim.
    Os críticos franceses sabichões e sabe-tudo se perguntaram como um cineasta já estaria em sua décima-sexta obra e eles não o conheciam, ou conheciam filmes emnores dele e não o valorizaram.
    O Brasil o descobriu antes, num festival de filmes do IV Centenário de São Paulo, em 1954, quando foi exibido "Noites de Circo".
    Mas como raramente alguém é profeta em sua própria terra, "Noites de Circo" foi pèssimamente recebido na Suécia e quase encerrou a carreira de Bergmna. Na verdade, a repercussão festivalesca dos 3 filmes que ele rodou em torno de 1956/7/8 e que citei acima é que fez com que os suecos o olhassem de modo mais atento. E nem sempre com a reverência que o mundo reservou ao cineasta.
    O filme seminal de Bergman é o seu sexto, que se chama "Fängalese" ou coisa parecida. Seria "Prisão", bem pirandelliano e sartreano, onde num estúdio de cinmea um velho profesor aposentado propões a um cineasta, seu ex-aluno de filosofia, um filme sobre o Inferno que seria a própria Terra. Todos o olham com condescendência mas zombam dele pelas costas, seria um velho gagá.
    A vida de membros da equipe segue seu curso e vemos um verdadeiro  inferno existecialista-trágico-sartreano no enredo. No final, o velho volta para saber  se seu enredo seria filmado e lhe dizem que seria imposível tamanha desgraça. O filme, entretanto foi feito e é o filme que o espectador assisitiu.
    Maternidade abortada, relações homem-mulher como uma maldição irresistível, cenas de filmes udos de infância, temas que reaparecerão em seus muitos filmes até "Persona", a relação do artista, sua arte e seua vida privada, etc etc.
    Já estava quase tudo lá. Pude ver numa mostra que o Grupo Estação fez há uns dez anos, talvez. Foi ótimo conhecer este filme sobre o qual já lera bastante. Acho que é de 1949!!!
    Jansy vai ver alguns grandes Bergmans pela primeira vez, Que inveja!

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    [Aeternus:6995] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-16)


    - RE:RE:Bergman

    "Noites de Circo" é espetacular, e como tantos outros em Bergman - "O Rosto", "Persona", "Paixão de Ana", "A Hora do Lobo", "Vergonha" - aludem à 'humilhação do artista' calvário que Bergman manteve, em maior ou menor intensidade, por toda a sua obra.
    Mesmo em "Infiel", por ele roteirizado e dirigido por Liv Ullmann, mantém-se isto, curiosamente exacerbado na espetacular decadência do maestro Markus. Não lembro de nenhum personagem dele tão conturbado e perdido...
    Se Günnar Bjornstrand despeja amargamente seu tormento existencialista em "Morangos Silvestres" ou outros personagens fazem coisa parecida ( principalmente os de Max von Sydow ), não chegam ao paroxismo deste de "Infiel". Em "A Hora do Lobo", até onde lembro, o pintor evapora-se, o que dá até um ar místico/mágico à sua partida desta vida...O que vemos são as lágrimas que escorrem dos olhos da Liv, enquanto ela relata os últimos dias de Pompéia, fala dos indefectíveis 'Vogler'(s) - 'pássaros' - sobrenome terrífico-emblemático para Bergman.
    Bons tempos. E memórias vividas, apesar de estarmos nesta lista.

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    [Aeternus:6997] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-16)


    - RE:RE:Bergman

    Então dei sorte de assistir o Bergman anos depois do Woody Allen, sem nem ter ouvido falar desta série do sueco ( troquei ontem uma caixa com filmes dele, que já tinha, por uma recém-chegada que traz não apenas este dos sonhos de verão, mas noites de circo e um outro, quando Bergman começa a ter seu tradicional fotógrafo).

    O bacana é que os dois diretores captam o clima de encantamento, algo que em inglês se chama de "fey" e, cá entre nós, seria algo como "ver o passarinho verde" dos momentos inspirados no enamoramento.  

    Bergman consegue ser ao mesmo tempo moralista ( criticando os costumes e propondo a saída heterosexual &  familiar genealógica ) e perverso. Um equilíbrio revelador.

    Já ontem acabei vendo Bertolucci, fotografia de Storaro, porque emprestaram para o Humberto e ele precisava devolver " La Luna". Dentro da proposta da elaboração edipiana, é bem ingênuo ( o pai não é uma representação, um lugar simbólico e sim, figura concreta que circula entre pai suposto e pai biológico). Tem a magia dos recantos sórdidos glorificados, dos espaços romanos amplos e sem limites com sua estética sofisticadamente despojada e caóticamente planejada. Tem o anúncio da relação mãe-filho numa cena que lembra Nove Semanas e Meia de Amor com a Kim se lambuzando diante da geladeira, mais o colorido triunfal dos brinquedos, novelos e do mar. 
    Interessante é que o fetiche da Lua cheia não aparece com a dimensão terrorífica  da lua que, mais tarde, surge num dos contos filmados pelos Irmãos Taviani ( de um "lunático" que, quando bebê, ficava vendo a lua numa cestinha enquanto a mãe trabalhava no campo ).  Uma vez meus netos estavam pulando num "bungee jump" de shopping e ao fundo, um céu de pintura renascentista com tons rosados do por do sol. Tentei fotografar meus "anjinhos" voando entre aquelas nuvens de Fra Angelico e não deu certo porque algo na distancia achatava os volumes. Como a Lua do Storaro, que se assemelhava a um disco pintado num cenário azul.  Os netos estão voando, pernas em pose flutuante, o dia lindo e... parece que eles tinham por trás um poster.


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    [Aeternus:6999] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-16)


    - RE: Gunnar Fischer e Sven Nykvist

    Embora Sven Nykvist seja mais famoso e badalado, na verdade Bergman trabalhou muito também com o esplêndido Gunnar Fischer. "O Sétimo Selo", "Morangos Silvestres" e "O Rosto", dentre outros da fase inicial, são do Gunnar. Eram P&Bs magníficos, assustadores, a desnudar os personagens. Sem coluna musical, com um perturbador gongo eventual.
    De "A Fonte da Donzela"(1959 ) para a frente predomina Nykvist, com a volta qui e ali ( férias do Nyk ? ) de Fischer.
     
    Feliz do Bergman, apesar das gastrites durante as divergências com seus mestres da Luz...quem dera os diretores pudessem contar e escolher entre profissionais como estes !

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    [Aeternus:7004] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-04-17)


    - RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna

    La Luna! Eu não conseguia entender, mas também não fazia a menor questão. Só conseguia gostar, e gostar muito. Fui ver de novo, e de novo, muitas vezes, nunca pra tentar decifrar, sempre apenas pra curtir... foi-me uma surpresa quando uma colega veio tirar satisfações comigo:

    - Por que você não avisou que o filme é tão comprido? Eu tinha outro compromisso e o filme não acabava, não pude ficar até o final e ainda cheguei atrasado ao encontro.

    Eu simplesmente não tinha reparado que a duração era tão longa. Tentei ver em vídeo, mas não me pegou no mesmo efeito hipnótico que aqueles travellings elaboradíssimos provocavam quando vistos na telona.

    E o simplismo psicanalítico que a Jansyta mencionou, pra mim, se apaga com o enigma da Lua... a câmera lhe dá um quê de absoluto em relação ao movimento da bicicleta, mostrando que, enquanto fetiche, ela se fixa como símbolo de um paradoxo: o onipresente que é ao mesmo tempo inalcançável, marcando uma separação que se torna uma cisão interna... (isso eu tô chutando agora, nunca tinha parado pra pensar). A Lua aparece noutro momento mágico, quando o teto do cinema se abre enquanto o garoto trepa com a menina no escurinho...

    Há uma cena que eu colocaria em still e transformaria num quadro: é quando, depois do "incesto" (eu pus entre aspas porque é um incesto-meia-boca, cêis não acham? aquilo tem significados outros, bem outros, que não deixam de ser puramente maternais), Jill acorda de manhã antes do filho e quer se levantar, mas ele está todo enroscado em seu vestido cheio de panos. Acho aquilo de uma beleza antológica, não sei como ninguém ainda não se tocou do quanto é significativo. Será que todo mundo levou um susto com a cena da masturbação e ficou meio cego diante da cena seguinte?

    Mas voltando ao Bertolucci botar um édipo ao pé da letra (com a "função paterna" se fazendo valer com o tapa na cara ao final do filme): na verdade eu não acho grave. Por um lado, o filme já é suficientemente simbólico, mostrando o fascínio das representações das representações (os cenários operísticos em movimento, uma beleza!) para aproveitar os símbolos parentais como símbolos mesmo. Por outro, parece-me que, até na "vida real", pai e mãe simbólicos AINDA tendem a "grudar" em pai e mãe de verdade, isso não pinta no consultório?

    De qualquer modo, acho que "La Luna" foi, pra carreira de Jill Claybourgh, o ápice (aquele "Uma Mulher Descasada" é bem superestimado, não?).

    A Jansyta também mencionou os irmãos Taviani... cêis acreditam que nunca fui ver NADA deles? Nunca tive vontade. Tenho a sensação de que não vou gostar da... "linguagem", manja? Não tem um tom de "realismo poético"? Eu não estava nesse pique na época em que eram moda. Me digam se me enganei...


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    [Aeternus:7005] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-17)


    - RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna

    Pra quem curtiu a lua em La Luna, é preciso conferir a dos Irmãos Taviani ( são quatro contos, se não me engano, unificados pelo vôo de um corvo com um sino atado nas patas. Tem até um precursor do filme "Central do Brasil"...). Não vi a maior parte do que produziram, mas este do qual falo e que só vi no cinema e um outro, em cinema e DVD ( embora o título me escape porque é trivial, tipo "o entardecer do amor" ou algo assim...)  e não sei nada de realismo poético,  mas destaco a fotografia em todos, mais momentos poéticos inesquecíveis.

    A "Luna" tem algo a ver com a mensagem edípica, mas não saquei bem. Inicialmente as esferas são solares, bola e novelo que ata o bebê ciumento ( já de pequeno vivia emburrado ) à mãe do pai ( que não assumiu o filho porque era ligado nesta, segundo a mãe informa ao jovem adicto nos subterraneos da obra em Caracala e que havia sido prenunciado quando ela tocou um twist e abafou o piano da velha ).
    Depois a esfera surge já lunar na cena da bicicleta, nas trocas deslumbrantes entre mãe, filho e uma "alteridade" pálida. 
    Já na cena em que o teto do cinema abre e a lua surge para atrapalhar a transa dos jovens, o sentido da inibição me escapou.

    Nenhum menino precisa de um pai vivo para elaborar o Édipo. O problema, ali, vinha de uma transmissão familiar e da neurose materna. Do que gostei muito foi da parte em que ela decide parar de cantar ( o pai do garoto não curtia sua cantoria ) e, quando o Giuseppe atende à convocação para ajudar com o filho, ela retoma sua voz.


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    [Aeternus:7006] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-17)


    - ricordi vivitti com i fratelli Taviani

    Dos Taviani aprecio sobretudo "Il Sole Anche di Notte"(1990).
    A tentativa do Barão Sergio de ascese religiosa após decepção amorosa, frustrada pela tentação que reverencia Oscar Wilde no encontro com a sonsa Charlotte Gaisburg. Com direito à coluna musical primorosa de Nicola Piovani.
    A vinheta final 'e nunca mais se ouviu falar do Barão Sergio Giuramondo' ( adoro este nome : junta 'giù'-abaixo, bem embaixo - com 'giura' - verbo jurar - com 'mondo'...), em aberto, dá mangas para pano.
    Boa chance para nosso Barão soltar a franga e vivere la vita, in soma...deixar o mundo chegar, nada de partir da crença de amores infalíveis, de 'pecados'...
    Abaixo, bem embaixo. Sem juras, solto no mundo.
     
    Mais abaixo o bloco poético, funcional principalmente nas fotos sempre caprichadas.
    "Bom Dia Babilônia"(1986)trazia a carpintaria do cinema, com Griffith, e a beleza resplandescente de Greta Scacchi, deslumbrante. Em "Padre Padrone(1977), após um lote similar composta por "Sotto i Segno dello Scorpione"(1969), "San Michele Aveva un Gallo" ( traduzido aqui ao pé da letra por "Um Grito de Revolta")(1971), "Allonsanfan"(1974), com Mastroianni, prevalecia o político.
    Entram numa fase eminentemente elegíaca com "La Notte di San Lorenzo"(1981) e "Kaos"(1984), quebrada pelo referido "Bom Dia..." e pelo semi-folhetinesco-bem-lento "Il Sole...".
     
    Não gosto de "Fiorile"(1993), decepção após meu favorito, tendendo ao frouxo, como também de "Tu Ridi"(1998), sobre Pirandello. Eles não encontram nunca o tom. Ou o texto não é mesmo dos melhores, a conferir. Entre estes, um razoável Göethe adaptado, "Le Affinità Eletive"(1996).
    Arriscar eles arriscam...

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    [Aeternus:7007] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-17)


    - RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

    Ué, Floriani ...você não disse qual o nome do filme dos irmãos, o tal das quatro histórias?

    Aquele de que também esqueci do título e da belíssima fotografia, tem o título que você ofereceu: "Il Sole Anche di Notte". Meu resumo será diferente do seu: Um menino ambicioso busca servir a qualquer senhor desde que fosse o mais importante de todos. Daí que ele foi se encaminhando do barão local, para um príncipe, a um papa e um santo milagreiro, resolvido em seguida a se comunicar direto com Deus ( com direito a dedo decepado porque passou uma noite com uma atraente mulher). Certas cenas campestres lembram a serenidade de um Fra Angelico voltado para o mundo...

    Ontem decidi ver um filme pensando no diretor de quem você sempre fala e que não conhecia. Assim, do Sonho de uma Noite de Amor passei para La Luna e, finalmente, desabei no Jacques Rivette ( lembrei porque você acaba de mencionar Pirandello: O "Come Tu Mi Vuoui"  vem embutido) onde também tem história de atores, cantoras, filhos e adultérios... Ainda não pude encerrar, mas estou curtindo. 

    Tem uma colcha na cama de Dominique, feita de retalhos, que me lembrou aqueles estampados das telas de Gustav Klimt com a mãe segurando filho no colo entre mares de brocados. Hoje o Conde elogiou o menino adormecido entre tecidos e liguei também por aí estas produções européias, com as incríveis texturas de pano e pele.


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    [Aeternus:7010] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-17)


    - RE:RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

    O Taviani das histórias é sobre Pirandello, também, até onde lembro, e era o "Kaos".

    O Rivette é também sobre Pirandello, título original "Va Savoir". Com o Sergio Castellito, cozinheiro italiano de "Martha", com aquela chef alemã de cozinha semi-parana tentando centrar-se.
    Achei que o Rivette deixou tudo muito em aberto, para além da conta. O 'assim é se lhe parece' fica demasiado fluido, etéreo...
    Gosto - como sempre em Rivette - do timing, dos pequenos gestos, da integração das locações com os personagens. O Castellito é um apaixonado por peças e autores 'perdidos' no tempo/espaço, sonhando encontrar textos raros, quase impossíveis. Gosto curiosidade matreira e sensual da Hélène de Fougerolles apoiando-o em sua biblioteca, do irmão sonso dela ( Bruno Todeschini ).

    "Il Sole Anche di Notte", graças a Deus, teve o belíssimo título respeitado. Tanto em francês "Le Soleil Même la Nuit", quanto aqui, "Noites com Sol". O Julian Sands tem ali o melhor papel de sua carreira.

     


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    [Aeternus:7011] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-17)


    - RE:RE:RE:ricordi vivitti com i fratelli Taviani

    Impecável, Florião.  Nomes, cenas, referências, títulos...  O filme ao qual me referi era, de fato, "Kaos". Não tinha a menor lembrança do Pirandello inspirando e se mostrandonas histórias, shame on me! 
    Você elogiou o título "Noites com Sol", já não curti tanto assim. Tem coisa demais com sol, lua, noite, dia, entardecer, verão e amor... Já "Inside Man" é uma maravilha de condensação de imagens e alusões. Sem poesia.

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    [Aeternus:7014] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-18)


    - RE: os que eu gosto mesmo

    ...são "Il Sole Anche di Notte" e "Le Soleil Même la Nuit" ! Soam bonito, além de eu gostar. O 'anche' com o 'a' aberto quebra lindamente a sonoridade no título em italiano, enquanto no francês ele desliza como um rio tranqüilo.

    "Noites com Sol" já é mais chocho...o português aqui não resolve.

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    [Aeternus:7016] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-04-18)


    - RE:RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna: "Amava-me incondicionalmente, não?"

    Longa-metragem de 1979 de Bernardo Bertolucci ganha edição especial

    "La Luna" sobrevive como um estudo freudiano radical

    SÉRGIO RIZZO
    CRÍTICO DA FOLHA

    O cineasta italiano Bernardo Bertolucci conta que uma das imagens mais fortes guardadas por ele da primeira infância, talvez a mais antiga, é a de um passeio de carro. O bebê que depois dirigiria "O Último Tango em Paris" (1972) estava no colo da mãe, entre ela e o volante, de costas para a estrada. Lá em cima, a Lua.
    "Lembro que o jovem rosto de minha mãe se confundia com o velho rosto da Lua. Interpreto essa lembrança como um sonho", diz Bertolucci no documentário incluído no material extra da edição especial em DVD de "La Luna" (1979). A cena é recriada no início do filme, com uma bicicleta no lugar do carro.
    As entrevistas e cenas de bastidores somam 52 minutos e fazem um sobrevôo na carreira do cineasta, da estréia em "La Commare Secca" (61) até o relativamente modesto projeto para a TV que terminou em pequena obra-prima,"Assédio" (98). Nada de "Os Sonhadores" (2003).
    De "La Luna", especificamente, fala-se pouco, mas o bastante para entender a natureza da idéia inicial, que se traduz já nas primeiras imagens, de ostensivo fundo freudiano. Primeiro, a mãe (Jill Clayburgh) lambe o mel que escorre pelo corpo do filho, ainda um bebê.
    Depois, o bebê chora desesperadamente ao ver o prazer da mãe em dançar, num belíssimo terraço à beira-mar, com "outro" -o pai, presume-se. Quando o filme os reencontra bem mais tarde, bebê transformado em adolescente (Matthew Barry), já não há o "outro", agora morto. Só os dois, perambulando pela Itália enquanto a mãe, atriz americana, estrela uma ópera de Verdi.

    Polêmica
    Sim, o detector social de escândalos aponta "incesto" desde o rumoroso lançamento do filme nos cinemas. À época, considerava-se que Bertolucci retomava o caminho polêmico de "O Último Tango" depois de um intervalo épico comunista, "1900" (1976).
    Quase 30 anos depois, "La Luna" sobrevive menos como gerador de incômodo e mais como um estudo radical das relações entre mãe e filho.
    O tom é bem mais doloroso e sombrio do que em "Sopro no Coração" (1970), do francês Louis Malle, que também ambienta em cenário social burguês abordagem semelhante do tema -embora o que mãe e filho acabem fazendo ali tenha outra espécie de motivação e repercussão na vida de ambos. Malle fez um filme solar, radiante no final em seu prazer pela vida; Bertolucci dedica-se a quartos mais escuros, com sentido às vezes solene de tragédia.
    Ama-se e odeia-se com intensidade e dor. E a mãe, coadjuvante em "Sopro no Coração", assume o posto de co-protagonista em "La Luna", como se Bertolucci retornasse à imagem onírica da infância para especular o que passava naquele momento pela cabeça e pelo coração da jovem Lua ao volante do carro. Amava-me incondicionalmente, não?

     

    La Luna (edição especial)
       
    Diretor:
    Bernardo Bertolucci
    Distribuidora: Versátil (R$ 37,50, em média)


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    [Aeternus:7017] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-18)


    - RE:RE:RE:RE:RE:RE:Bertolucci: La Luna:

    Um visitante colou comentários sobre "um estudo freudiano radical" de Sérgio Rizzo.  Legal, porque estamos, embora frouxamente, revendo ou recordando Bertolucci.

    Só que a "radicalidade freudiana" não tem nada a ver com o clima de Bertolucci, ou com momentos especiais do Édipo. Na minha forma de entendê-la aplica-se a uma forma direta, corajosa, de buscar uma verdade, apesar do preço que quase sempre se paga ( no caso de Édipo, seria como na conversa entre o Tirannus e Tirésias ). Tem menos a ver com consolo, explicações ou catarse.

    Como o Conde apontou, muitas trocas entre mãe e filho no filme, apesar do clima de sedução mútua, não são perversas ou patológicas. Há uma corporeidade latina, ou do ambiente teatral, que raras vezes se vê sendo explorada com tanta franqueza: as pessoas se pegam, se beijam, se olham...  A questão edípica do rapaz segue um caminho linear, apesar da falta de limites encorajado pelo tipo de riqueza e de vida que levavam: mais do que uma proibição verbal, era a realidade que vinha colocar obstáculo. E, todos sabemos, o problema do complexo de édipo não está na transa sexual ( Lacan chega ao paradoxo de dizer que o incesto é impossível, como dizia que a relação sexual não existe: há uma distancia entre o que se deseja e o que se pode concretizar ), mas na forma como uma família se (des)organiza.  O filme de Bertolucci se dá sobre a égide do princípio do "prazer-dor" ( ligados um ao outro inevitavelmente) e do uso da arte como fuga, nem sempre como "caminho de transcendência".  O belo rosto de toda mãe é lua, é beleza pura, é intimação de mistério. Depois... isso passa.  


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    [Aeternus:7022] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-04-19)


    - Cinema Paradiso tal como foi concebido

    Vocês já viram a versão estendida de Cinema Paradiso? (tá escrito assim na capa, mas "estendida" é roupa no varal, não é? não deveria ser "extendida"? fiquei em dúvida, depois vou ver no dicionário). Tem quase 3 horas, são 51 minutos a mais, um tanto cansativo (em dvd a gente pode transformar em minissérie: assisti em 3 pedaços)... mas eu

    ADOREEEEEI!!!!!!!!!!!!!

    Tem um diálogo com a mãe já velha que na versão do lançamento durava só 2 minutos. Nesta de agora são 5 minutos da mais pura e absoluta beleza!!!!!!!!

    E TEM A BRIGITTE FOSSEY como a Elena 30 anos depois. É outro diálogo intensíssimo, e faz link com os beijos editados que ele assiste no final, dá outro sentido pra coisa toda... porra, se a idéia era encurtar, eles podiam ter encurtado um pouquinho menos...

    Ok, foi pra preservar a boa reputação do Alfredo, que na versão longa quer ser mais realista que o rei e fóde com o romance do SalvaTotore... Dizem que ninguém prefere a versão de 3 horas... serei o único??? Porque ADOREI MESMO!!!!!!!! É outro timing, é outra acentuação emocional... vira outro filme... que achei melhor.

    Ah, no dvd tem extras em que aparece o Tornatore (eu não sabia como é a cara dele), e aí a gente percebe que (nas 2 versões) ele próprio faz uma apariçãozinha à la Hitchcock pertinho do final: ele é o projecionista que coloca os tais beijos cortados pro Salvatore ver.

    Eu recomendo!


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    [Aeternus:7025] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-19)


    - RE:Cinema Paradiso tal como foi concebido

    Êta Conde e Guto e Florião... Vamos inauturar uma lista nova, algo como "Revisitando velhos filmes"?

    Gostaria de retomar a conversa sobre Cinema Paradiso, La Luna, Closer, velhos Bergmans...Para a conversa não ficar perdida, espalhada na listas, poderiamos ter uma só dedicada ao que já passou e não passou totalmente porque nos convoca.

     

     


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    [Aeternus:7026] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-19)


    - RE:Cinema Paradiso tal como foi concebido

    Vou tentar comprar o DVD.
    Brigitte Fossey como atriz tem uma característica similar ao Jacques Perrin como seu colega de ofício : ambos passam muita nostalgia. Devem funcionar bem juntos, e essa perda talvez seja a maior na 'versão curta'. Sendo que ela é terna, enquanto o Perrin passa algo mais para 'à la recherche du temps perdu'.

    Há pouco assisti um filme que foi su na França, mais para bobinho e para adolescentes, onde a Brigitte fazia a mãe da Sophie Marceau, esta em início de carreira. Só vocês vendo, os beicinhos da Sophie com um ursinho de pelúcia debaixo do braço fazendo teimosias e muchochos, e a serenidade sapiente da mãe...


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    [Aeternus:7027] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-04-19)


    - RE: ok ok Oxóssi

    Chamemo-la 'Recordar é Viver' !

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    [Aeternus:7046] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-04-21)


    - RE:De La Luna a "Paris Texas"

    Há muitos e muitos anos escrevi um trabalhinho sobre "Paris, Texas" do Win Wenders que se chamava "Paris, TeBaS" onde eu lançava alguma farpa sobre a obviedade "freudiana" do incesto em "La Luna" do Bertolucci, elogiando o modo de tratar o "eterno triângulo" como um "terno" triângulo familiar no filme do Wenders. Bem, terno depois de muita porradaria que só sabemos por mencionarem.
    Mas o tempo me fez esquecer minhas antigas críticas a "La Luna" e comprei (COMPREI) o dvd amarradão.
    Bertolucci é um senhor cineasta, mesmo quando os roteiros deixam a desejar. Foi meio desconfortável rever coisas que Jansy já criticou argutamente. Mas mesmo assim a "escrita" cinematográfica, o clima "operístico", a desfaçatez melodramalhonática à italiana me comoveram. Não gostei de ter gostado, mas gostei... e não gostei. Deu prá (não) entender?
    Pois é.
    Bom é que estejam atentos a ver a "refilmagem" de Paris, Texas pelo mesmo Win Wenders com roteiro do mesmo Sam Shepard, aqui também como ator. Em inglês se chama "Don't come knocking" e mostra, de novo, um pai em busca de seu filho.
    Sam Shepard faz o pai, sua mulher (mulher de Shepard na vida real há décadas, a ex-linda Jessica Lange pós-plástica infeliz) faz a mãe do rebento já crescido, a Eva Marie Saint de antigos filmes dos anos 1950/60 (incluindo North by Northwest ou Intriga Internacional do Hitchcock com Cary Grant e ela no Monte das 4 caras de presidentes norteamericanos) faz a mãe do Shepard. Soberba! Merceia 3 oscars de uma vez.
    De quebra, Tim Roth faz o papel de um agente de companhia de seguros implacável, atrás do Shepard, ator porrralouca que abandona um afilmagem pelo meio. E oseguro não quer pagar o prejuízo das filmagens interrompidas.
    E atores jovens complementam com no mínimo correção o elenco em cenários que poderiam ser quadros de Hopper (com mais humor e melancolia mais light).
    Na verdade, é o mesmo enredo (quase) de "Paris Texas" com personagens todos mais velhos, mais de vinte anos depois, com humor e quase deboche. Mas sem perder jamais a tal ternura dos eternos triângulos (nada a ver com Trio Ternura).
    Imperdível. Mas desde que o espectador possa zombar do que vê, de si mesmo, da vida.
    Como disse Verdi ao trocar todos aqueles enredos de dramalhões de suas óperas por sua última obra-prima, o "Falstaff"  baseado em comédia de Shakespeare: "Tutto é burla nel mondo!"
    O filme do Wenders entra em cartaz no Rio em 21/4. Eu vi no festival ano passado e não decorei o título brasileiro. Tem algo a ver com "estrela" (como o título do western que o Shepard está filmando quando larga tudo) Tal como um Ulisses decadentíssimo e de farsa, vai atrás de seu Telêmaco. Não sem antes visitar sua Jocasta que é quem lhe informa da paternidade acidental.
    Recomendo correndo o risco de que em dias mais azedos e "sérios" não gostem da farsa.
    Mas pelo menos será impossível não gostar da fotografia. Eu suponho.

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    [Aeternus:7057] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-04-21)


    - RE:RE:De La Luna a Daulia

    Há uns dias, fazendo arrumação em casa, encontrei uma pedra polida com estrias afixada a uma base de mármore negro. Ignorando a importância da pedra, perguntei ao Humberto se a obra pertencia a ele. Foi quando soube que ele a recolheu numa das viagens que fez à Grécia ( lá ele encenou a peça de teatro que escreveu, "Édipo Rei", que tem mais de duzentas versões além daquela escrita pelo Sófocles, inclusive "La Machine Infernale" de Cocteau ). É uma das rochas que ficam na encruzilhada de Dáulia, local no qual deu-se o primeiro encontro entre Édipo e o cavaleiro numa carruagem que mandou o rapaz sair da sua frente e foi morto pelo forasteiro com toda sua guarda ( exceto um soldado). Ou seja, um dos encontros cruciais da trajetória de Édipo, no qual o filho mata o pai.

    Gallego partiu do filme do Bertolucci no qual há um menino protegido ( quase um filho adotivo da própria mãe),mimado e solitário ( ele acha que é por culpa de alguém!) que busca um pai qualquer e acaba achando e, genialmente, inverteu a questão associando "La Luna" ao tema do pai que sai em busca do filho.  Pelos comentários do Gallego percebemos sua hesitação ao afirmar que "gostou/não gostou" do Bertolucci e do alívio quando se deparou com a solução elegante do projeto "Paris,Texas".
    Há uma idéia filosófica antiga por trás de um dos romances policiais em voga, " Os Crimes do Mosaico" que sugere uma inversão de posições ( e não uma mudança estrutural) entre o céu e o inferno, como se estes dois extremos fossem como a areia acumulada em uma ampulheta, escorrendo de um lado para o outro conforme se movimentasse a ampulheta. O filho em busca do pai ( para matar) e o pai em busca do filho ( para salvar )?


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    [Aeternus:7308] Mensagem do Grupo56
    -Marcelo(2006-05-18)


    - Answer the question

    Por que existem tantas simpatias para encontrar o amor, fazer com que o ser amado volte em três dias, casar, mas não existe nenhuma para aniquilar alguém da memória?


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    [Aeternus:7309] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-05-18)


    - RE:Answer the question

    Caro Marcelo, espero que outros companheiros da Lista saibam responder a esta questão como você a colocou!
    Eu mesma não entendo de simpatias ou de filtros do amor, mas duvido muito que não haja algo para ajudar ao esquecimento. 
    E, veja, a palavra que escolhi foi "esquecimento", em vez da que você usou, "aniquilamento de alguém na memória".  As memórias são boas de serem vividas - enquanto memórias. Até um amor que acabou pode deixar uma sobra positiva que se espraia por muitos outros rostos e vai neles se diluindo como uma riqueza que fica pra gente, apesar da amada ficar esquecida no dia a dia desperto.

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    [Aeternus:7310] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-05-18)


    - RE:Answer the question

    MARCELLO!

    Brilho Eterno de Vanilla Sky (na versão Família Brasil do Veríssimo)...


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    [Aeternus:7311] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-05-18)


    - RE:RE:Answer the question

    O que o Marcelo parece querer já foi tentado no filme "Brilho Eterno de uma mente sem lembranças" (acho que o título é esse) com a Kate Winslet e o Jim Carrey. Não deu muito certo o tal deletar a ex-pesoaamada da mente.
    Pode-se ver também "Ano Pasado em Mariembad". Ou ler "A Invenção de Morel" do Bioy Casarés. A memória só se deleta mesmo com ajuda do Alzheimer. O resto fica em algum lugar da mente. Que não mente.


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    [Aeternus:7312] Mensagem do Grupo56
    -Vlad(2006-05-18)


    - RE:Answer the question

    Marcello!

    Cá entre nós, foi pé na bunda ou tapa na ôreia? Ou os 2?

    Isso dá um efeito "estereofônico"-moral de rasgar o peito, hã?

    Tapa dói mais, garanto. A diferença com o pé na bunda é que sobra aquela sensação de corno desatarraxado, que queima na alma. Sob outro ângulo, se você levou um pé na bunda, dê graças aos céus, é melhor que ter que dar um pé na bunda. Dar um pé na bunda agrega culpa. Já levar.... a culpa fica com a outra parte. MAS... levar o pé na bunda, pode até doer menos que o outro chute, mas dói por mais tempo...

    Quanto à simpatia, se alguém descobrir me conta?


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    [Aeternus:7313] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-05-18)


    - RE:Answer the question... Maaaaaaaaaaaaaaaarcos!!

    A solidão primordial de todos nós, a incapacidade de nos comunicarmos plenamente, o enclausuramento inevitável em nossas próprias subjetividades, o impulso contrário, erótico, de romper com a separatividade e entrar em contato real com o outro. Questões atemporais que nos acompanham desde sempre... "Deus está morto", já dizia o Zaratustra, e com sua morte foi-se também a promessa do amor incondicional. Se antes podíamos encontrar o conforto de tal amor incondicional em Deus, agora só podemos contar com aquilo que é humano e, por isso mesmo, maculado, incerto sombrio, vago, limitado. Porém, mesmo órfãos e desenganados continuamos a ansiar pelo amor pleno, pela comunhão total. E é no meio desse dilema - entre o humano e o divino que muitas vezes nos encontramos (lembra da questão da espera da morte logo pela manhã?!? Entrar no nosso túnel do tempo e sair desperto?). Enquanto não encontramos a solução redentora, o mundo lá fora sucumbe e nos encastelamos em nossa ilhas de solidão, tentando estabelecer pontes frágeis que não resistem à força da enxurrada. E quando as palavras perdem finalmente o fôlego, erodidas pelo reconhecimento de sua própria impotência, sobrevêm a noção de que, se não somos capazes de amar, se não conseguimos sequer nos comunicar com o outro, pode-se ao menos compartilhar tal dor. Ao nos confrontarmos com nossa incapacidade de amar, paradoxalmente abre-se o caminho para o verdadeiro amor; o amor possível, o amor baseado na cumplicidade humana, sabedor de que algo sempre ficará fora do alcance...


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    [Aeternus:7314] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-05-18)


    - RE:RE:Answer the question... Maaaaaaaaaaaaaaaarcos!!

    Grande Conde...belas considerações !
    Nesse limbo 'ama/não-consegue-amar' espreitam estupendamente cavilosas mumunhas...

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    [Aeternus:7341] Mensagem do Grupo56
    -Roberto & Erasmo(2006-05-22)


    - RE:RE:Answer the question... detalhes

    CHI!!

    Não adianta nem tentar me esquecer

    Durante muito tempo em sua vida eu vou viver

    Detalhes tão pequenos de nós dois

    São coisas muito grandes pra esquecer

    E a toda hora vão estar presentes, você vai ver


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    [Aeternus:7342] Mensagem do Grupo56
    -Carlos & Carlos(2006-05-22)


    - RE:RE:RE:Answer the question... detalhes

    Entalhes do trivial
    Detalhes sem proporção
    Retalhos multicor 
    na mala
    da vida sem alça


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    [Aeternus:7346] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-05-23)


    - Morte em Veneza

    Bernardo Carvalho

    Descobrir veneza aos 45 anos é como ler "Em Busca do Tempo Perdido" pela primeira vez e achar que encontrou um novo autor. Nunca tinha ido a Veneza. E agora tenho vergonha de dizer que estou impregnado dela, o que soa ainda mais ridículo numa cidade sitiada pelo crime organizado. É fácil ser contra Veneza, deplorar a Disneylândia para adultos e a vulgarização dos turistas, como se você não fosse um deles. Difícil é tirá-la da cabeça.

    Num pequeno livro lançado há dois meses pela Cosacnaify ("Marca-d'água"), o poeta russo Joseph Brodsky fala da materialização do tempo nessa cidade formada por um elemento sem forma: "Sempre concordei com a idéia de que Deus é tempo, ou pelo menos de que Seu espírito é. (...) Sempre pensei que se o Espírito de Deus se movia sobre a face da água, a água tinha de refleti-lo. (...) Simplesmente penso que a água é a imagem do tempo".

    Vem daí provavelmente a insistência com que Veneza -essa cidade onde a arquitetura dá uma forma ao informe, respondendo à água com "a única propriedade que o tempo não possui: a beleza"- remete os escritores à morte. Porque, em princípio, "nós partimos e a beleza fica". De Henry James a Ian McEwan, passando por Thomas Mann, todos se serviram de Veneza como emblema da morte e do desejo de beleza que a ela tenta se contrapor.

    Em "As Asas da Pomba", Henry James representa a vocação dessa cidade por meio dos últimos dias de uma jovem herdeira desenganada que, do interior de um palácio veneziano, tenta contrariar o destino, empregando sua fortuna para arquitetar uma vida levada às últimas conseqüências, no pouco tempo que lhe resta.

    O paradoxo, no caso de uma cidade construída por gente que fugia das invasões bárbaras e que se viu encurralada entre uma laguna e uma centena de ilhas e bancos de areia, é que, tendo desafiado os elementos, dando forma ao que não tem forma, moldando-se na água e, portanto, no tempo, ela teria que estar condenada ao temporário.

    Para o alemão W.G. Sebald, autor de "Os Anéis de Saturno", a propagação da espécie humana sobre a Terra passa pela combustão incessante de todas as substâncias combustíveis. A civilização humana nasce com o fogo e está fadada a desaparecer nele, pelos efeitos dessa queima incessante da qual, trágica e paradoxalmente, também depende a sua sobrevivência. A civilização humana é a sua própria destruição.

    À primeira vista, Veneza contradiz essa fatalidade. E o turista se sente redimido. Afinal, a cidade nasce da água da qual nós também somos feitos, além de ser a prova material do sucesso do encontro entre o Ocidente e o Oriente. O sonho de uma civilização possível parece realizado em 13 quilômetros de circunferência. Mas basta subir ao alto do campanário da praça São Marcos ou da ilha de São Jorge e avistar ao longe o cenário industrial recalcado no continente, com chaminés e gasômetros prateados, reluzindo no fundo da laguna, para cair em si e voltar à realidade. E perceber que Veneza não é uma civilização à parte. A beleza não é suficiente para reverter a maldição. A cidade está afundando. Por causa da alta das marés mas também pelos dejetos industriais que entopem a laguna e os canais.

    Brodsky diz que Veneza é a cidade do olho: "Porque somos finitos, um afastamento deste lugar sempre parece derradeiro; deixá-lo para trás é deixá-lo para sempre. (...) Não é o corpo que deixa a cidade, mas a cidade que abandona a pupila. Da mesma maneira, o desaparecimento do ser amado (...) causa dor independentemente de quem (...) esteja na verdade partindo. (...) Esta cidade é o ser amado do olho. Depois dela, tudo é desapontamento".

    Há duas semanas, enquanto eu caminhava por uma extremidade pouco turística de Veneza, um enfermeiro desceu de uma lancha-ambulância com um velho numa cadeira de rodas. Quando passaram por mim às pressas, com a cadeira de rodas sacudindo pelo pavimento irregular do cais, na direção de um hospital, o doente me encarou com os olhos aterrorizados de quem vê a morte. Era como se tentasse tomar o meu lugar. Eram os olhos enciumados de quem sabia que eu ia continuar a ver essa cidade depois de ele partir.


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    [Aeternus:7615] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-07-05)


    - Sobre cascas intactas em espiral

    Marcos Pardim

     

    Por estas páginas, ora e vez, habitam minhas lembranças e minha infância. Inevitavelmente, nelas estão o meu avô - o Seu Tuta.

     

    Não há tristeza nestas minhas lembranças dele. Muito ao contrário. Há, sim, uma imensa felicidade. É dele, certamente, a voz do anjinho maroto que me sussurra as palavras que julgo ouvir. Mais ainda: que, tenho certeza, compreendo.

     

    Hoje, logo após o almoço, com a família ainda toda reunida no entorno da mesa, ele me veio ainda mais uma vez e sempre à lembrança.

     

    Como sobremesa, todos nós optamos por fruta. Escolhemos chupar laranjas. Como sempre, quem se incumbiu em descascá-las fui eu.

     

    Aqui, começam as reminescências...

     

    Quando menino, essa tarefa - se a memória não me trai, nem me remete a verdades que mais se alojam na imaginação do que nos fatos - era dele, do Seu Tuta. E ele a realizava com uma imodesta maestria.

     

    Da bainha de sua calça, tirava o indefectível canivete. Lâmina afiada, sempre. Com uma habilidade roçeira, Seu Tuta segurava a fruta com a mão esquerda e o canivete com a direita. Rapidamente, enquanto girava a mão esquerda em sentido horário, o canivete girando em sentido contrário, ele ia desvendando o mistério que ainda poderia na fruta esconder-se.

     

    As cascas, em perfeitas e intactas espirais, caíam por sobre a bacia onde arranjava as frutas. Umas sobre as outras, espiral sobre espiral. Nos meus olhos de menino, formavam um pequeno emaranhado de mistério, magia e veneração. Como eu adorava o meu avó e sua destreza, sua habilidade em servir a fruta sem nenhum lanho da lâmina, sem nenhum ferimento a doer-lhe, desnuda e apetitosa.

     

    Todas, ao final, destampadas. Várias, pois que família grande era da natureza dos tempos. Todos ali, reunidos, sentados ao sol. Como que quarando a alma.

     

    Mas ainda restava a suprema glória.

     

    Ao final, como quem era cônscio do encantamento do menino em assisti-lo àquela cena, Seu Tuta guardava a última fruta para o neto.

     

    Descascada, a fruta ainda aguardava ser destampada. Marotamente, o avô piscava e perguntava: com cuzinho, ou sem cuzinho?

     

     

    P.S.: Com a habilidade que lhe era peculiar, Seu Tuta, com a ponta do canivete, fazia uma pequena circunferência na parte superior da laranja, de onde o neto podia sorvê-la. A este pequeno orifício, para desespero da avó e cumplicidade silenciosa da mãe, ele dava o sugestivo e pitoresco nome de cuzinho. Nem é preciso dizer de que maneira eu optava por saborear a fruta. Tampouco, tenho como esconder a origem de minha peraltice.

     


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    [Aeternus:7616] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-07-05)


    - RE:Sobre cascas intactas em espiral

    Olá, Conde!
    Hoje viajamos nas lembranças de Marcos Pardim nas cascas virginais do neto do seu Tuta. Já conhecia o umbigo da laranja Bahia, essa de hoje foi novidade!  Privilégio de avós. 



     


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    [Aeternus:7617] Mensagem do Grupo56
    -Conde Drácula(2006-07-06)


    - RE:RE:Sobre cascas intactas em espiral

    Oi, Jansyta!

    Lembrança do avô batuta, ótima. Fui espiralando e quarei, por aqui também boas lembranças. Também já chupei, o cuzinho da “biscatinha” da laranja e é bão demais!


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    [Aeternus:7618] Mensagem do Grupo56
    -Guto(2006-07-06)


    - Pau Grande e o cuzinho da laranja

    Não lembro se foi a Jansy que mandou uma música sobre o Garrincha : "nasceu em PAULO Grande etc". Na verdade ele nasceu na cidadezinha de "Pau Grande" mesmo, sem tirar nem pôr (ops!). Se a música canta "Paulo", tacou-lhe censura, com medo da sacanagem brasileira e do trocadilho que, convenhamos, é imbatível.

    Cheguei a sentir o gosto da laranja (não sei por que, Bahia) na boca. Bela crônica, com a picardia (ops! de novo) e tudo. Felizes são os avós (imaginei um coroné imenso nessa estória), que fazem os pais agüentarem caladinhos.

    Abraços.


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    [Aeternus:7619] Mensagem do Grupo56
    -LFGallego(2006-07-06)


    - RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

    HÁ-HÁ!!!
    Está provado que nosso amigo Guto não é leitor assíduo do Aeternus nem muito menos das poucas (hahaha) mensagens que recebe por dia originadas do site. Como sabemos? Elementar, meu caro Watson! Perdeu a Electra enviada de primeira vez e agora vem descobrir com atraso o equívoco superegóico cendor de nossa jansyta ao midar o nome da cidade de Garrincha. A história completa já foi contada aqui e reporoduzo abaixo para o Sr.GUdisTraídO ler: - e como em premonição a digressão da mensagem anterior terminava com "umbgfuinho" de laranja da Bahia, agora com nova denominação neste site, explicitando o que era sutil anteriormente.

    A vedete Angelita Martinez aparecia quase todo ano do final dos 1950 e início dos '60 com uma marchinha de carnaval, algumas antológicas e de inspiração "culta" de óperas, como a famosa "Coitada da Madame Butterfly, ficou com o menino esperando pelo pai! / Amor no Japão não é como aqui: / quando dá decepção tem que fazer o harakiri (breque: Zaponês vai ficá pol aqui)".
    No ano seguinte, nem tanto sucesso teve a tentativa de repetir a fórmula com "A Traviata, a Traviata, tão passional / não teve paz, / amou demais, / morreu no Carnaval" - o que é verdade na ópera pelo menos quando a "transviada" ou "desviada" do "bom caminho" Viloletta morre nos braços de Alfredo enquanto o carnaval parisiense (?) rola nas ruas e se faz notar ao longe pela janela do quarto da moribunda! Mas a segunda parte dessa marchinha foi esquecida.
    No ano seguinte, eu acho que ela fez a mesma tentativa com a "Tosca" que despontou para o anonimato...
    Mas todo esse, digamos, sucesso, da não disfarçada mulata do tempo em que "violão" era corpo bonito de gostosas com peitão, cinturita, quadrilzão e coxão, só veio mesmo depois que ela antecedeu Elza Soares no, digamos, coração do Mané Garrincha; quando ela gravou a marchinha lembrada por Jansy com um equívoco pudibundo (superego censor, prá que vos quero?). A cidade onde Mané nasceu era mesmo de nome "Pau Grande" e - com conhecimento de causa - a Angelita mudava a letra original  ("Mané que brilhou lá na Suécia, Mané que nasceu EM Pau Grande") modificando um, digamos, nem tão pequeno detalhe, ao substituir o "EM" por um malicioso "DE".
    E isso deu proceso contra o biógrafo do Garrincha, um chato, autor do livro "Estrela Solitária", já que as filhas do Mané não gostaram de ver confirmados no livro os atributos paternos. Dizem que fazia jus ao nome da cidade e à versão Angelítica da marchinha.
    Aliás, carnaval era prá isso mesmo, muitas marchinhas tinham letras que antecipavam o nem tão duplo sentido como no suceso carnavalesco de outra vedete, a longeva Virginia Lane que agora garante que, como baixota amásia do igualmente baixote Vargas, estava no Catete (êpa!) na noite do suicídio (elas são longevas essa vedetes, vide Daercy aos 99, e o retorno de Iris Bruzzi e Carmen Verônica na novela das 8,mas a memória delas, como não podia deixar de ser é suspeitíssima).
     Em "Marcha do Pipoqueiro", as crianças cantavam ingênuamente (afinal, Virginia foi uma espécie de Pré-Xuxa em programas infantis de TV onde contava historinhas vestida de coelhinho de insuspeitada inspiração da então pouco conhecida no Brasil, revista Palyboy e suas bunnies):  "Empurra, empurra, empurra a carrocinha, avança minha gente que a pipoca está quentinha. E enquanto eu grito PI ! você responde POCA ! Pipoca, pipoca, pipoca no saquinho, eu vou prá toda parte, empurrando a carrocinha, oi, quem vai querer, tem doce e salgadinha!"
    E Emilinha Borrrrba cantava: "Vem cá, seu gurada, bota prá fora esse moço que está no salão brincando com pó-de-mico no bolso. Foi ele, foi ele, sim! Foi ele que botou o pó em mim!"
    O genial Braguinha era mais sutil ao cantar a menos inspirada (se comparada a suas obras primas anteriores como "Gato na Tuba" , "Touradas em Madrid", "Yes, nós temos bananas", "Linda Lourinha", "Balancê", "Pirata da Perna de Pau", "Vai, com jeito vai, se não um dia a casa cai, Menina vai!" que evoluiu para a Garota de Saint-Tropez com a moda da calça meio comprida abaixo da cintura: "Ulalá, Ulálá, você é mais você com o umbiguinho de fora, garota de Saint Tropez! Laranja da Bahia, tem o umbiguinho de fora. Por que é que você, Maria, escondeu o seu, até agora?"

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    [Aeternus:7620] Mensagem do Grupo56
    -Guto(2006-07-06)


    - RE:RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

    Eta, ferro !!!!  É mesmo. Pau grande, pau pequeno, pau distraído.. hahaha.

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    [Aeternus:7621] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-07-06)


    - RE:RE:RE:Pau Grande e o cuzinho da laranja

    Quando eu era pequena ainda diziam que um cara chato tinha conversa "cacete" e que era "pau" ouvir. Também na escola, quem não passava de ano é porque "levava pau" ou "estava de pau" ( não me lembro mais qual o verbo era usado, ou se foram ambos! ). Não sei se éramos mais inocentes na hora de falarmos mas os termos sempre tiveram um cheirinho pudendo, apesar dos pesares. Coisa de expressão que é pau pra toda obra...


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    [Aeternus:7727] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-07-28)


    - As várias faces do Guto

    Parabéns, Guto, você ontem estava inspirado e pintou e bordou o sete, com poemas e comentários precisos e graças e seriedades. 
    Quando você escreveu suas observações sobre o que mencionei por alto sobre o Código Napoleonico ( que não conheço senão na referência que encontrei em Contardo Calligaris há uns vinte anos ), fiquei animadinha com um texto da Ula que caiu nas minhas mãos e, contudo, o tal doutor em direito pela USP e UFMG não dizia coisa com coisa sobre a revogação do artigo quarto do Código Civil de 2002 e continuei sem argumentos.  Vou tentar...

    Adorei tudo que você enviou... vou precisar de tempo pra digerir...


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    [Aeternus:7728] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-07-28)


    - RE:As várias faces do Guto

    Guto escreveu: ...sobre o Código napoleônico. Na verdade, herdamos muito dele, a base de nosso Direito Civil (até 2002 com o nosso novo código) numa épocam em que o individualismo se afirmava em todos os níveis, fruto do iluminismo, da ascensão da burguesia e a queda dos regimes absolutistas...Para o bem ou para o mal, viva a individualidade (não exatamente individualismo), que possibilitou a acumulação, a iniciativa privada, a diminuição do cartorialismo estatal e da igreja, a laicização dos costumes, as surubas, a busca científica, a psicanálise (?), a acentuação da miséria, o marxismo, Catherine Deneuve, Luis Buñuel, os românticos, os expressionistas, Oscar Wilde, etc etc etc.

    Admirável enumeração que mistura a crítica ao cartorialismo estatal e da igreja à busca científica e a acentuação da miséria, que resgata a individualidade das limitações do individualismo...

    Me explica, Guto: nosso novo código de 2002 rompe com os ideais do iluminismo de que modo?  Você se refere à crença na hierarquia e na submissão a um sistema ideal em detrimento da experiência prática e maior abertura na interpretação da letra da lei?

    Você tem algo contra a burguesia???
    Que tal substituir a palavra "individualidade" por "singularidade", para preservar a aversão aos excessos narcísicos que acompanham o que se recobre de "individualismo"?


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    [Aeternus:7753] Mensagem do Grupo56
    -Guto(2006-07-31)


    - RE: voltando da roça

    Jansy,

    Referi-me ao Código de Napoleão como base de inspiração do nosso Direito Civil, mais no sentido jurídico mesmo do que filosófico, muito embora o direito esteja imbricado na cultura em geral, sendo uma expressão de poder dessa cultura.

    Lá pelo último quarto do Século 19 a Europa já vivia a exaustão da Revolução Industrial, a população já (sub)urbanizada e miserável, crianças trabalhando até altas horas, mulheres grávidas, com filhos pequenos, aquele horror vitorhugueano etc e tal. A Alemanha tinha Bismarck que, de certo modo, criou a Previdência nos moldes de hoje (antigamente ela existia apenas para ex soldados do Rei mutilados e suas viúvas, como prêmio e incentivo à função militar).

    Veio Marx/Engels todo o burburinho socialista/socializante. Depois veio a social-democracia, como uma concessão burguesa a uma possibilidade de ruptura mais radical, nas palavras de Gramsci (não sei em que livro) "a válvula da panela de pressão, para que saia o vapor sem que ela estoure".

    Vieram conceitos como "cidadania", "função social da propriedade", "Direitos Sociais", "responsabilidade do Estado" etc, que não foram absorvidos pelo nosso Código Civil de 1916, ainda apegado à tradição burguesa/positivista da Revolução Francesa, muito embora posterior a vários novos paradigmas.

    Fala-se em Direitos Humanos de Primeira Geração aqueles da Declaração Francesa, que se voltavam mais contra o Estado, antes opressor, como os direitos à vida, liberdade, propriedade, reunião etc.

    Os direitos sociais são os chamados Direitos Humanos de Segunda Geração, como o trabalho, o salário mínimo, a previdência, a jornada máxima, o lazer etc.

    FAla-se em D. H. de Terceira Geração, como os direitos à "fraternidade", à paz, ao meio ambiente saudável, aos direitos das minorias, deficientes etc.

    O Código Civil de 1916, portanto, já nasceu defasado e não contemplou (ou muito parcamente) o conceito de "Função Social da Propriedade", o que é feito de forma mais abrangente no novo código (e que já vinha em leis esparsas e nas Constituições posteriores ao código). Um exemplo: Se não construo no meu lote, pago IPTU mais caro, e se alguém invade por um certo tempo, pode me acionar por usucapião. Se não limpo o mato, sou multado etc.

    Marromeno por aí.


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    [Aeternus:7754] Mensagem do Grupo56
    -Guto(2006-07-31)


    - RE:RE:As várias faces do Guto

    Jansy,

    Não tenho absolutamente nada contra a burguesia. Pelo contrário, cada vez tenho mais admiração.

    Acho que a burguesia é o grande motor da sociedade, a grande caldeira em ebulição, sobretudo a pequena e média. É quem se prepara, lê, faz arte, poeteia, propõe mudanças (até mesmo um Lula - não se pode acertar sempre) e, paradoxalmente, é quem ainda se emociona um pouco com a miséria nas ruas, mesmo com a ajuda de uma música no rádio do carro, a doença de um amigo ou uma crise hormonal.

    Não vejo muita saída no sistemão e nem no proletariado, egocêntricos ao extremo.A burguesia transita, se apaixona, toma porres, lê Paulo Leminski ou whoever. É a pequena burguesia - sempre - quem concede algo nesse circo todo.

    Tem um artigo da Lei de Introdução ao Código Civil, da década de 40 e ainda em vigor, uma espécie de lei que guia a interpretação de outras leis ou meta-lei, que diz que a "lei será interpretada de acordo com os fins sociais a que se destina" ou algo assim (depois transcrevo na íntegra), art. 5º.

    Ou seja, o caminho para a flexibilização das leis e sua intelecção de acordo com o "fato social" está dado há muito tempo, e tem, sim, evoluído nos tribunais. Houve movimentos tipo "direito achado na rua", e o "direito alternativo" de magistrados gaúchos que foram meio excessivos. Mas no meio talvez esteja a virtude.

    Beijos.

    Beijos.

     


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    [Aeternus:7755] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-07-31)


    - convite

    Em Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, o brilho matutino não veio do Sol. Às oito e quinze, um bombardeiro B-29 norte-americano lançou sobre a cidade japonesa o primeiro artefato nuclear da História. A cerca de meio quilômetro do chão, a bomba explodiu, emitindo enorme luminosidade.

                Levou algum tempo para que os habitantes percebessem o alcance do que tinha acontecido. Atônitos, os sobreviventes vagavam como zumbis pela cidade destruída, pele descolada dos corpos, sofrimento exposto. Setenta mil pessoas morreram na hora, mais sessenta mil pereceram em menos de quatro meses e outras setenta mil nos cinco anos seguintes, vítimas da radiação do urânio.

                Três dias depois, uma segunda bomba, agora usando plutônio, foi lançada sobre Nagasaki. Novo massacre: setenta mil mortos instantâneos e igual número nos cinco anos seguintes. Assim como Hiroshima, Nagasaki não tinha importância militar. Quase todas as vítimas eram civis.

                Durante muitos anos alimentou-se a versão de que os bombardeios atômicos foram necessários para encurtar a guerra, obrigando o Japão a render-se e evitando que uma invasão terrestre resultasse em numerosas baixas nas tropas americanas. Todas as evidências disponíveis apontam em direção oposta. O morticínio foi uma decisão política, que inaugurou, sem intenção declarada, o processo de Guerra Fria.

                Aos fatos: a Alemanha havia capitulado em maio de 1945, quebrando o eixo nazi-fascista. O Japão estava submetido a um completo bloqueio naval, que estrangulava os suprimentos de víveres e armamentos. O país estava terrivelmente debilitado depois de constantes bombardeios convencionais (no dia 10 de março, bombas incendiárias mataram numa só noite 124 mil habitantes de Tóquio, no maior ato isolado de destruição militar na História). O general americano Curtis Le May disse que essas ações aéreas “estavam levando o Japão de volta à Idade da Pedra”. Desde julho de 1945, depois de perdas colossais na batalha de Okinawa, diplomatas japoneses vinham procurando os soviéticos para que intermediassem negociações para o fim das hostilidades com os Estados Unidos. Havia, portanto, amplas possibilidades de se terminar a guerra sem o uso de armamento atômico e mesmo sem uma invasão terrestre ao arquipélago nipônico.

                Em julho de 1946, veio à luz o conteúdo do relatório The United States Bombing Survey, produzido sob encomenda da presidência americana e destinado a consolidar informações sobre a guerra no Pacífico. Dele, consta o seguinte trecho: “Baseados em investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos líderes japoneses sobreviventes, é a opinião dos que elaboram este Relatório que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945 e com grande probabilidade antes de 1 de novembro de 1945, o Japão se renderia, mesmo sem o lançamento das bombas atômicas, mesmo que a União Soviética não declarasse guerra ao Japão e mesmo sem uma invasão terrestre”.

                Por que, então, as bombas nucleares foram lançadas ? As considerações políticas prevaleceram sobre as razões humanitárias e militares. Ao focalizar o Japão, os americanos visaram a União Soviética. O Alto Comando americano quis demonstrar uma superioridade incontrastável, equilibrando a projetada esfera de influência dos soviéticos sobre a Europa Oriental e inibindo uma eventual conquista da Manchúria. No campo interno, o presidente Truman sentiu-se pressionado a justificar ao seu eleitorado um projeto que havia custado US$ 2 bilhões. Para que construir armas tão letais se elas não seriam utilizadas ?

                Entre 1945 e 2000, cerca de 128 mil bombas atômicas foram produzidas. Mesmo com o colapso da URSS e a desativação de parte dos arsenais, calcula-se que ainda existam perto de 30 mil armas nucleares, com forte concentração nos Estados Unidos. Habitamos um planeta literalmente entupido de armamentos de destruição em massa, que, ao contrário das ponderações cínicas dos governos de Tony Blair e George W. Bush, não estão no Iraque.

                É preciso estancar a insanidade do pensamento militarista. Não basta impedir que novos sócios entrem no restrito clube nuclear (EUA, Rússia, Inglaterra, China, França, Índia, Paquistão e Israel). A única alternativa decente é a eliminação total dos armamentos atômicos, com fiscalização irrestrita pela comunidade internacional. A ASA se alinha com todos os pacifistas e progressistas que defendem esta posição e considera que só uma cultura ativa de desarmamentismo honra a memória dos chacinados em Hiroshima e Nagasaki.

            A SBPRJ e a ASA estão retomando o debate sobre armamentos nucleares, a insanidade das guerras e a loucura militarista a partir do filme de Stanley Kubrick, "Doutor Fantástico", desde sempre considerado a mais inteligente e demolidora sátira sobre a marcha da insensatez m Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, o brilho matutino não veio do Sol. Às oito e quinze, um bombardeiro B-29 norte-americano lançou sobre a cidade japonesa o primeiro artefato nuclear da História. A cerca de meio quilômetro do chão, a bomba explodiu, emitindo enorme luminosidade.

                Levou algum tempo para que os habitantes percebessem o alcance do que tinha acontecido. Atônitos, os sobreviventes vagavam como zumbis pela cidade destruída, pele descolada dos corpos, sofrimento exposto. Setenta mil pessoas morreram na hora, mais sessenta mil pereceram em menos de quatro meses e outras setenta mil nos cinco anos seguintes, vítimas da radiação do urânio.

                Três dias depois, uma segunda bomba, agora usando plutônio, foi lançada sobre Nagasaki. Novo massacre: setenta mil mortos instantâneos e igual número nos cinco anos seguintes. Assim como Hiroshima, Nagasaki não tinha importância militar. Quase todas as vítimas eram civis.

                Durante muitos anos alimentou-se a versão de que os bombardeios atômicos foram necessários para encurtar a guerra, obrigando o Japão a render-se e evitando que uma invasão terrestre resultasse em numerosas baixas nas tropas americanas. Todas as evidências disponíveis apontam em direção oposta. O morticínio foi uma decisão política, que inaugurou, sem intenção declarada, o processo de Guerra Fria.

                Aos fatos: a Alemanha havia capitulado em maio de 1945, quebrando o eixo nazi-fascista. O Japão estava submetido a um completo bloqueio naval, que estrangulava os suprimentos de víveres e armamentos. O país estava terrivelmente debilitado depois de constantes bombardeios convencionais (no dia 10 de março, bombas incendiárias mataram numa só noite 124 mil habitantes de Tóquio, no maior ato isolado de destruição militar na História). O general americano Curtis Le May disse que essas ações aéreas “estavam levando o Japão de volta à Idade da Pedra”. Desde julho de 1945, depois de perdas colossais na batalha de Okinawa, diplomatas japoneses vinham procurando os soviéticos para que intermediassem negociações para o fim das hostilidades com os Estados Unidos. Havia, portanto, amplas possibilidades de se terminar a guerra sem o uso de armamento atômico e mesmo sem uma invasão terrestre ao arquipélago nipônico.

                Em julho de 1946, veio à luz o conteúdo do relatório The United States Bombing Survey, produzido sob encomenda da presidência americana e destinado a consolidar informações sobre a guerra no Pacífico. Dele, consta o seguinte trecho: “Baseados em investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos líderes japoneses sobreviventes, é a opinião dos que elaboram este Relatório que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945 e com grande probabilidade antes de 1 de novembro de 1945, o Japão se renderia, mesmo sem o lançamento das bombas atômicas, mesmo que a União Soviética não declarasse guerra ao Japão e mesmo sem uma invasão terrestre”.

                Por que, então, as bombas nucleares foram lançadas ? As considerações políticas prevaleceram sobre as razões humanitárias e militares. Ao focalizar o Japão, os americanos visaram a União Soviética. O Alto Comando americano quis demonstrar uma superioridade incontrastável, equilibrando a projetada esfera de influência dos soviéticos sobre a Europa Oriental e inibindo uma eventual conquista da Manchúria. No campo interno, o presidente Truman sentiu-se pressionado a justificar ao seu eleitorado um projeto que havia custado US$ 2 bilhões. Para que construir armas tão letais se elas não seriam utilizadas ?

                Entre 1945 e 2000, cerca de 128 mil bombas atômicas foram produzidas. Mesmo com o colapso da URSS e a desativação de parte dos arsenais, calcula-se que ainda existam perto de 30 mil armas nucleares, com forte concentração nos Estados Unidos. Habitamos um planeta literalmente entupido de armamentos de destruição em massa, que, ao contrário das ponderações cínicas dos governos de Tony Blair e George W. Bush, não estão no Iraque.

                É preciso estancar a insanidade do pensamento militarista. Não basta impedir que novos sócios entrem no restrito clube nuclear (EUA, Rússia, Inglaterra, China, França, Índia, Paquistão e Israel). A única alternativa decente é a eliminação total dos armamentos atômicos, com fiscalização irrestrita pela comunidade internacional. A ASA se alinha com todos os pacifistas e progressistas que defendem esta posição e considera que só uma cultura ativa de desarmamentismo honra a memória dos chacinados em Hiroshima e Nagasaki.

            A SBPRJ e a ASA estão retomando o debate sobre armamentos nucleares, a insanidade das guerras e a loucura militarista a partir do filme de Stanley Kubrick, "Doutor Fantástico", desde sempre considerado a mais inteligente e demolidora sátira sobre a marcha da insensatez ...

                Levou algum tempo para que os habitantes percebessem o alcance do que tinha acontecido. Atônitos, os sobreviventes vagavam como zumbis pela cidade destruída, pele descolada dos corpos, sofrimento exposto. Setenta mil pessoas morreram na hora, mais sessenta mil pereceram em menos de quatro meses e outras setenta mil nos cinco anos seguintes, vítimas da radiação do urânio.

                Três dias depois, uma segunda bomba, agora usando plutônio, foi lançada sobre Nagasaki. Novo massacre: setenta mil mortos instantâneos e igual número nos cinco anos seguintes. Assim como Hiroshima, Nagasaki não tinha importância militar. Quase todas as vítimas eram civis.

                Durante muitos anos alimentou-se a versão de que os bombardeios atômicos foram necessários para encurtar a guerra, obrigando o Japão a render-se e evitando que uma invasão terrestre resultasse em numerosas baixas nas tropas americanas. Todas as evidências disponíveis apontam em direção oposta. O morticínio foi uma decisão política, que inaugurou, sem intenção declarada, o processo de Guerra Fria.

                Aos fatos: a Alemanha havia capitulado em maio de 1945, quebrando o eixo nazi-fascista. O Japão estava submetido a um completo bloqueio naval, que estrangulava os suprimentos de víveres e armamentos. O país estava terrivelmente debilitado depois de constantes bombardeios convencionais (no dia 10 de março, bombas incendiárias mataram numa só noite 124 mil habitantes de Tóquio, no maior ato isolado de destruição militar na História). O general americano Curtis Le May disse que essas ações aéreas “estavam levando o Japão de volta à Idade da Pedra”. Desde julho de 1945, depois de perdas colossais na batalha de Okinawa, diplomatas japoneses vinham procurando os soviéticos para que intermediassem negociações para o fim das hostilidades com os Estados Unidos. Havia, portanto, amplas possibilidades de se terminar a guerra sem o uso de armamento atômico e mesmo sem uma invasão terrestre ao arquipélago nipônico.

                Em julho de 1946, veio à luz o conteúdo do relatório The United States Bombing Survey, produzido sob encomenda da presidência americana e destinado a consolidar informações sobre a guerra no Pacífico. Dele, consta o seguinte trecho: “Baseados em investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos líderes japoneses sobreviventes, é a opinião dos que elaboram este Relatório que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945 e com grande probabilidade antes de 1 de novembro de 1945, o Japão se renderia, mesmo sem o lançamento das bombas atômicas, mesmo que a União Soviética não declarasse guerra ao Japão e mesmo sem uma invasão terrestre”.

                Por que, então, as bombas nucleares foram lançadas ? As considerações políticas prevaleceram sobre as razões humanitárias e militares. Ao focalizar o Japão, os americanos visaram a União Soviética. O Alto Comando americano quis demonstrar uma superioridade incontrastável, equilibrando a projetada esfera de influência dos soviéticos sobre a Europa Oriental e inibindo uma eventual conquista da Manchúria. No campo interno, o presidente Truman sentiu-se pressionado a justificar ao seu eleitorado um projeto que havia custado US$ 2 bilhões. Para que construir armas tão letais se elas não seriam utilizadas ?

                Entre 1945 e 2000, cerca de 128 mil bombas atômicas foram produzidas. Mesmo com o colapso da URSS e a desativação de parte dos arsenais, calcula-se que ainda existam perto de 30 mil armas nucleares, com forte concentração nos Estados Unidos. Habitamos um planeta literalmente entupido de armamentos de destruição em massa, que, ao contrário das ponderações cínicas dos governos de Tony Blair e George W. Bush, não estão no Iraque.

                É preciso estancar a insanidade do pensamento militarista. Não basta impedir que novos sócios entrem no restrito clube nuclear (EUA, Rússia, Inglaterra, China, França, Índia, Paquistão e Israel). A única alternativa decente é a eliminação total dos armamentos atômicos, com fiscalização irrestrita pela comunidade internacional. A ASA se alinha com todos os pacifistas e progressistas que defendem esta posição e considera que só uma cultura ativa de desarmamentismo honra a memória dos chacinados em Hiroshima e Nagasaki.

            A SBPRJ e a ASA estão retomando o debate sobre armamentos nucleares, a insanidade das guerras e a loucura militarista a partir do filme de Stanley Kubrick, "Doutor Fantástico", desde sempre considerado a mais inteligente e demolidora sátira sobre a marcha da insensatez ...


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    [Aeternus:7756] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-07-31)


    - Debate sobre o filme "Dr. Strangelove" de Kubrick

    O Convite para debater o filme de Stanley Kubrick  ( "Doutor Fantástico" ) foi feito pela SBPRJ e pela ASA.

    Data: 6 de agosto de 2006
    Local: ASA, Rua São Clemente, 155, Botafogo.

    Participa do encontro coordenado por L.F.Gallego a Dra. Geny Talberg que, nesta ocasião, retomará a questão do "O Silêncio é o verdadeiro crime" de Hanna Segal.

    Evento aberto ao público, entrada franca.


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    [Aeternus:7757] Mensagem do Grupo56
    -Marcos(2006-07-31)


    - RE: Goethe

    Que coincidência !...agora à tarde uma amiga me mandou um pensamento do supra assim : 'é o pecado quem escreve a História, pois o Bem mantém-se em silêncio.'
    ( panos pra manga ou mangas pra pano ? )


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    [Aeternus:7759] Mensagem do Grupo56
    -Visitante(2006-07-31)


    - RE:convite

    Pouco conheço da questão do Oriente Médio, mas acompanho com interesse as cartas e artigos sobre o que tá rolando no Líbano. Há todo tipo de raciocínio e comparação, em que se COGITA desde a hipótese do que o Brazil faria se as Farc bombardeassem nossa população com anuência do governo colombiano, ou a questão de por que Israel não bombardeia a Síria e o Irã de uma vez.

    Há COGITAÇÕES de todo tipo, lembrando a freqüência fanática com que o Hezbollah ataca Israel, a diferença entre uma democracia parlamentar de tipo ocidental e o terrorismo de facções muçulmanas que nunca se dobrarão a nenhuma proposta de negociação, etc&tal. Discute-se exaustivamente a legitimidade da reação israelense ao Hezbollah, se não é legítima, embora possa ser considerada desproporcional. Fala-se dos custos civis em qualquer guerra, e que houve bombardeios atingindo crianças numa guerra legítima, como a que se fez contra Hitler.

    Pode ser, pode ser. Fiquei matutando. Mas depois da manchete de cagá de hoje na Folha de São Paulo - mísseis israelenses matam 37 (trinta e sete) crianças - cheguei a uma conclusão. Pensar demais, nesse caso, atrapalha. Não há como justificar, nada justifica esse massacre. Chega!!


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    [Aeternus:7760] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-07-31)


    - RE:RE: voltando da roça

    Valeu, Guto. Apreciei suas explicações de montão. Algumas perguntas foram provocações para ouvir mais de você. 


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    [Aeternus:7762] Mensagem do Grupo56
    -Guto(2006-08-01)


    - RE:RE:RE: voltando da roça

    "Explicações" ?? Eu não explico nada. Eu passo o fubá adiante. Com caruncho ou sem caruncho.


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    [Aeternus:7767] Mensagem do Grupo56
    -jansy mello(2006-08-01)


    - RE:RE:RE:RE: voltando da roça

    Não sei se tico-tico gosta de caruncho, mas deve ser como minhoca e então tá... Desde que não vá cantar em norte-américa e não deixe de implicar pra não explicar.

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    [Aeternus:8272] Mensagem do Grupo56
    -Baudrillard(2006-11-09)


    - E num é queu tava certo!!

    A HP tá vendendo câmeras digitais com filtro de emagrecimento embutido. Cê tira a foto, aplica o filtro e ajusta o quanto quer parecer + magro. Nada que o Photoshop não faça bem melhor, mas ainda assim com implicações, digamos, ontológicas. Não é necessário ser especialista em algum programa para modificar a própria imagem.

    Deve ser a materialização da insatisfação das pessoas consigo mesmas na sociedade de consumo. Como não dá pra impedir a decadência do organismo, apela-se para o simulacro. Antes tirava-se fotos para no futuro podermos lembrar como nós e nossos entes queridos éramos, hoje cria-se tecnologicamente um passado um pouco mais glamouroso. A fotografia auxiliava nossa memória, que tem uma péssima tendência de se modificar ao longo do tempo e se adequar a nossas construções psicológicas atuais. Com a banalização dos sistemas de manipulação de imagem, utiliza-se a fotografia pra construir uma memória falsa no futuro.

    Se não dá pra ser quem queremos agora, podemos sê-lo artificialmente em algumas décadas...

    Aquelabraço

    http://www.hp.com/united-states/consumer/digital_photography/tours/slimming/index_f.html


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    [Aeternus:8637] Mensagem do Grupo56
    -Omar(2007-05-18)


    - Tisana com cereja pro Doktor Freud

    144

    O passado em si é muito forte dizem-me sente-se em si intacta a criança para compreendê-la é preciso Freud Lacan. Penso na minha infância. Quando eu era criança do que eu gostava mais era cerejas.

    Ana Hatherly, "436 tisanas", Quimera, 2006
     

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    [Aeternus:8924] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-02-02)


    - homenagem a são joão del rei

    De Poeta Anônimo e Borracho...

    Há coisas  que já não faço
    outras que ainda farei
    de umas perdi o compasso
    de outras não sei onde errei
    em tudo novo eu renasço
    e retomo o que encerrei
    do que é belo eu quero mais,
    e mais de tudo que amei
    se meu coração de aço
    vazar por  onde  o serrei
    esqueço todo o cansaço
    e volto a Såo João del Rei.

    Ficarei?


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    [Aeternus:9563] Mensagem do Grupo56
    -Omar(2008-05-25)


    - Roy (I)

    "Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque em chamas nas bordas de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro na Comporta de Tannhäuser. Todos estes momentos se perderão no tempo... como lágrimas, na chuva": http://www.youtube.com/watch?v=pw6D_QfsmUY


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    [Aeternus:9765] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-06-26)


    - Lilith, poema do Nabokov para Guto

    LILITH

    Estava morto. O tórrido éolo na rua
    poeirenta torturava 
    jalosias e sicomoros.

    Caminhava
    e os faunos caminhavam e em cada fauno
    acreditei reconhecer Pan:
    - "Que bom. Devo estar no paraíso."

    Protegendo o rosto e exibindo
    ao sol radiante o fulvo sovaco,
    uma menina nua apareceu na soleira.


    Trazia nos cabelos um nenúfar,
    seu porte tinha a graça da mulher,
    os mamilos floresciam e me lembraram
    a primavera  na terra, quando
    caminhava sob os olmos à margem do rio
    e via de perto a filha do moleiro
    quando, dourada, saía do banho, mostrando
    entre as pernas um velocino ainda úmido.

    E hoje, vestido no mesmo fraque no qual
    ontem fui morto, no rosto
    preservando um rictus predador,
    aproximei-me da minha Lilith.

    Ela voltou para mim  seus olhos verdes 
    e minhas vestes pegaram fogo
    e de um único golpe se tornaram em cinzas.

    Ao fundo da sala
    Via-se um divã grego poído,
    à mesinha, uma romã e nas paredes
    afrescos maliciosos.

    Infantil segurou entre os dedos
    frescos o meu tição:
    - "Siga-me" - proferiu.

    Sem esforço, a segui quando em
    lentidão despudorada 
    entreabriu os belos joelhos, devagar
    como asas. Como seu rosto
    erguido era encantador e alegre!

    E num arroubo selvagem meu lombo
    arremeteu e penetrou aquela
    inesquecível menina.

    Serpente dentro da serpente, cálice no cálice,
    movi-me nela em estreito acordo,
    pressentindo o fremente 
    formigamento de gozo indescritível...

    De repente, ligeira, ela recua,
    liberta-se e fecha as pernas,
    agarra um véu que torce
    e amarra em torno das ancas. 

    Eu, neste interim, em pleno de  vigor
    e à meia distancia do gozo,
    fiquei com nada.

    Lancei-me adiante e um vento estranho
    Me fez hesitar. "Abra-se", gritei,
    notando horrorizado que, novamente,
    fora excluído, em meio à poeira,
    enquanto jovens gritavam obcenidades
    tendo em mira a minha virilidade.

    "Abra para mim!" Ao meu redor,
    a turba de cachos ruivos e cascos
    fendidos aumentava, pululante. "Ah, deixa-me
    entrar ou enlouqueço!"

    A porta não se moveu, e ante o olhar deles
    todos derramei a semente, contorcendo-me
    em agonia e, de sopetão, vi que me
    achava no inferno.

    (Berlim, 1928)


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    [Aeternus:9767] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-06-27)


    - RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Obrigado, Jansy.

    Muito louco o poema... gostei. Vou relê-lo amanhã para ver se se abre "outra porta". Parece um enorme pesadelo (e bota pesadelo nisso...). Por que o grupo "Memórias não-vividas" ?

    Vou dar um pulinho na Cidade Maravilhosa amanhã. Se der escrevo de lá.


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    [Aeternus:9768] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-06-27)


    - RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Excelente pergunta: por que "memórias não-vividas"...Não sei dizer, percorrendo as opções  me confundi com lembranças sem emoção e achei que a primeira mulher de Adão talvez fosse uma coisa não vivida, mas lembrada. 

    O poema é escrito de juventude e, na verdade, não gosto muito do que Nabokov escreveu nesta época. Menos ainda deste poema em particular. Cheguei a ele porque há imagens que assombram Nabokov e "mulher ruiva de olhos verdes" ou "axilas" ( na hora escrevi sovaco porque  a palavra me escapou), com "joelhos fechados como asas, sob formigamento" ressurge em Lolita, na Lucette de "Ada", no conto  "Natasha". Coitus interruptus como o máximo de castigo do inferno parece coisa do atual papa, mesmo quando representa uma tortura infernal para quem o experimenta...

    Duvido que abra "outra porta"...   


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    [Aeternus:9774] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-06-27)


    - RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Engraçado, sempre meninas.

    Onan já experimentara o diabólico coitus interruptus (e não a masturbação em si, como bem já lembrou o Gallego)

    Pan é chifrudo. O poeta nem notou que estava no inferno... preferiu acreditar num deus clássico.

    O simbolismo de Lilith é meio difuso no poema. Lilith é a situação, mais do que a ninfeta.

    Será que alguém já se tocou de que seu lugar é o inferno ? Poetinha "sem noção"...

    Valeu.


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    [Aeternus:9776] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-06-27)


    - RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Exatamente, as pernas ruflando como asas é uma bela imagem que Nabokov retoma quando descreve, por exemplo, mulheres chegando de um baile e colocando a mão nas costas para abrir o vestido ou o fecho de um colar, os cotovelos em "v" sugerindo asas. Vai ver que é por isso que VN menciona bastante os serafins e descobri que são anjos que tem mais asas do que os arcanjos ou querubins. Claro, sem esquecer que VN é perito em borboletas e mariposas...

    O tema da menina perversa aí se prenuncia. Estranho é pensar que o Morávia também caminhou por estas searas e, inclusive, ligava as moçoilas glabras ao demonio, mas sem o mesmo perversismo ondultante e viscoso do Nabokov.

    O poema, no entanto, pode ser queimado sem prejuízo...não parece?


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    [Aeternus:9782] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-06-27)


    - RE:RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Jansy,

    O VN jamais deixaria de ser VN sem esse poema. Mas ele possui imagens bem interessantes.

    E....... esse negócio de queimar o poema....bem... me dá um certo arrepio.

    Tive uma namorada que, num acesso de fúria, destruiu poemas meus, alguns bem antigos. Nada que pudesse me levar ao Nobel, mas eram coisas minhas !

    O lado cômico (sou um otimista): " - Quem é essa Florbela ???"   " - Minha querida, essa é uma poetisa portuguesa, morta há uns oitenta anos..."

    Pano rápido......... e um extintor de incêndio.

    (O RJ com um friozinho, é ótimo!!)


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    [Aeternus:9783] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-06-27)


    - RE:RE:RE:RE:Lilith, poema do Nabokov para Guto

    Taí, desde pequena ( não é Alzheimer portanto) me atrapalho com frases como esta do Guto: O VN jamais deixaria de ser VN sem esse poema.

    A referencia ao fogo é referencia vaga a um livro do Nabok ( Fogo Pálido) no qual ele descreve um "auto-da-fé de quintal", mais a celeuma atual em torno de um livro incompleto, inédito ainda, O original de Laura, que o filho decidiu não destruir e fará publicar ainda neste ano.  Mesmo assim, pra mim, o poema não acrescenta grande coisa ao Nabokov, poderia se desfazer na poeira do tempo...

    Imperdoável é o ciume da moça atacando a obra imatura do Gustavo Alcides!Sem qualquer espanca, com certeza...Ler: "mas eram coisas minhas!" veio como um gemido que, apesar da distancia no tempo,me comoveu lá no fundo.

    A mulher do Nabok sabia de cor quase tudo que ele escrevia nesta fase. Depois acho que não deu mais, mas era ela quem datilografava o que ele anotava à caneta e com lápis...


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    [Aeternus:9785] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-06-28)


    - Frio no Rio?

    Gustavo Alcides: jura que sentiste frio no Rio? Se fosse ontem com saudáveis 16 graus às 23 horas poderia concordar contigo, mas nesta sexta... foi apenas uma temperatura agradávelzinha, ótima sem o calor anti-civilizado de quase sempre.
    Se tiver tempo (e houver entradas) tente ver no Teatro SESC-Ginástico (no Centro, Avenida Graça Aranha, só de táxi de porta a porta, lugarzinho deserto à noite, sô!) o espetáculo "Divina Elizeth". Esqueça Peter Brook: é quase brega, com ares dos anos 1940 ou 1950 nas roupas de cinco cantoras que se revezam cantando sucessos de Elizeth Cardoso - ou seja, tem desde "Ai, Iôiô eu nasci prá sofrer", "Carinhoso", "Feitiço da Vila" até "Chega de Saudade" e seresta de Villa Lobos, "Consolação" e "Samba em Prelúdio" de Baden Powell e Vinicus. Se não faz teu gênero (é mais um show musical sem quase roteiro nenhum, um fiapo de enredo apenas) esqueça rápido. Fui de graça hoje, por acaso, e só não ia gostar se me dessem injeção na testa. De graça, não olho os dentes.
    Na verdade, gostaria de ver "A Forma das Coisas" que está no SESC de Copacabana, mas que deve estar esgotada só vai até domingo, foi bem elogiada como mais "cabeça", e é escrita pelo NeilLaBute que é conceituado autor em teatro e fraco dirigindo filmes.
    Boa estada no Rio! Lamento não pdoer oferecer programa algum ou ciceronear, estou bookado sábado e domingo inteiros.
    Mudando de asunto:
    Se em Brasilia (ou Sampa) houver festival CINESUL (que está acabando aqui no CCBB e Centro Cultura Correios, só com filmes latinoamericanos, a pedida IMPERDÍVEL é "Quien Soy Yo?" - a versão em documentário da mesma história do já antigo filme também argentino "A História Oficial". Só que ver uma dez pessoas (ciranças ou já adultas) que foram arrancadas ainda bebês do convívio com suas mães (mães que foram quase sempre torturadas e mortas pela sangrenta ditadura argentina) e depois entregues, por vezes, a militares que eram cúmplices das mortes dos pais dessas crianças... é de se emocionar profundamente durante 75 minutos. As avós da Praça de Maio dão um banho em Antígona pedindo justiça e reparação, mas sem a arrogância que pode matar à própria pessoa que briga a briga justa: articuladíssimas, organizadíssimas, comoventes. Fui ver hoje e ainda estou sufocado. As canções da Elizeth amenizaram: "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor"

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    [Aeternus:9786] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-06-28)


    - RE:Frio no Rio?

    Ai, Gallego...você traz fornalhas no coração? Ou não mergulha nos mares de Copacabana. Isso só pra inventar argumento porque sou andorinha anti-horária e amo o Rio no frio  e a neblina na serra e a cerração no lago.  Exatamente porque é quase temperado, civilizadíssimo, diferente dos excessos.

    Impliquei?

    Quanto à outra lista, sobre meu engano achando que você no passado elogiou alguma vez o raio verde... por uma vírgula já se perdeu um reino. Não é assim que segue a rima? Por um cravo perdi a ferradura, por uma ferradura, o cavalo, pelo cavalo o batalhão, pelo batalhão a guerra, pela guerra o reino?  Por uma virgula perdi a frase, pela frase perdi o parágrafo, pelo parágrafo perdi o tratado, pelo tratado perdi o acordo, pelo acordo perdi a guerra? (tem sempre alguma guerra por aí pra alguém perder, ora virgulas)

    Enchendo linguiça. Bom dia.  


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    [Aeternus:9787] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-06-28)


    - RE:Frio no Rio?

    Gallego, valeu pelas dicas.

    Não faltarão oportunidades de nos encontrarmos pessoalmente.

    Acho que o "corrimento" é o novo mal do século. Ou mal do século novo.


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    [Aeternus:9796] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-07-03)


    - ainda que eu falasse qualquer língua...

    ... não saberia descrever certos momentos. Como a Jansy apreciando um minúsculo fragmento de uma obra pop (que, por sinal eu gosto. "Barulho" é um dos conceitos mais relativos que já vi. Mas acho que a trilha sonora do inferno é o funk).

    O paraíso não deve ser o paraíso porque só tem gente boazinha. Talvez lá não exista o efêmero. Talvez o "bliss" se potencialize sem fatigar. Ou não haja consciência. Apenas o "debaixo da terra". Fim de papo.

    Um olhar irrepetido, uma entonação única, sorrisos, encontros, um chá com brownies, a presença e, logo depois, a ausência, a magia das amizades, dos beijos com carícias nos cabelos, ver um andar harmonioso por uma rua qualquer. Morder uma fruta. A presença novamente. E... cadê ? Cadê os 18 (ou, vá lá, os 25) anos ? Céus e infernos se intercalando equilibrada e sadicamente.

    Mas nenhum sadismo se compararia à possibilidade da reencarnação. Ou estaria eu de mau humor?


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    [Aeternus:9797] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-07-03)


    - RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

    Um imagem da senadora colombiana resgatada das Farc, abraçando a filha, alimentou minha imbecilidade. Acreditei que é possível sonhar, apesar das dezenas de reféns menos famosos que ainda padecem.

    Que tempos vivemos! Daqui a pouco, felicidade será chegar vivo casa e não receber nenhum telefonema trágico. Acho que viveremos alguma espécie de Expressionismo não muito longe.


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    [Aeternus:9798] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-04)


    - RE:RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

    ...dezenas de reféns que padecem ainda! Bombas, assassinatos, estupros, sequestros, drogas, pais contra filhos e filhos contra os pais. Mais do que  viver um Expressionismo, acho que voltamos aos tempos dos profetas bíblicos. OU nem saímos, se lembrarmos do que seria ser vietnamita e vietcong ante um Apocalipse Now, ou romeno durante o reinado de Drakul.

    Não leio mais livros de história mundial, não estou informada sobre guerras mas, ao contrário do bombardeio de Londres e o  equivalente em Berlim, talvez porque tenha ouvido uma pessoa, que era menino em Dresden contar o que viveu na ocasião do ataque, senti e acumulei informações esparsas sobre o que, naquela cidade, só pode ter sido terrorismo da pior espécie. Crime de guerra. 


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    [Aeternus:9799] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-04)


    - RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

    Guto, em dois momentos do seu texto fui levada a lembrar do "Fogo Pálido" de Nabokov. Como não tenho a tradução digitalizada em português, vou copiar depois do  inglês.

    Nenhum sadismo,V. escreveu,  se compararia à reencarnação. Concordo, se isto resultasse de algum desígnio de um Deus oriental, ou Kardecista, para irmos melhorando nossas alminhas. No entanto, o pior ainda seria existir o paraíso como algo ainda por vir ( sou adepta do Paradise Now), premio para os bons e os puros que, com seus corpos transformados, re-encontrariam seus entes queridos.  Help.

    Vou catar em Pale Fire  as frases que me fizeram ligar o que você disse e o poeta inventado pelo Nabok, "John Shade"


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    [Aeternus:9800] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-04)


    - Pale Fire

    Coloquei dois tipos de associações, com paraíso e inferno ( mas tem outras...) e a saudade do poeta da esposa ainda viva, como ela era no passado, seus pequenos gestos.

    CANTO TWO

                                                      There was a time in my demented youth

                                                      When somehow I suspected that the truth

                                                      About survival after death was known

                                               170   To every human being: I alone

                                                      Knew nothing, and a great conspiracy

                                                      Of books and people hid the truth from me.

    .......................................................................................................................

                                                      What moment in the gradual decay

                                               210  Does resurrection choose? What year? What day?

                                                      Who has the stopwatch? Who rewinds the tape?

                                                      Are some less lucky, or do all escape?

    .......................................................................................................................

                                            

                                                      Yet, if prior to life we had

                                                      Been able to imagine life, what mad,

                                                      Impossible, unutterably weird,

                                               220   Wonderful nonsense it might have appeared!

                                                     

                                                      So why join in the vulgar laughter? Why

                                                      Scorn a hereafter none can verify:

                                                      The Turk’s delight, the future lyres, the talks

                                                      With Socrates and Proust in cypress walks,

                                                      The seraph with his six flamingo wings,

                                                      And Flemish hells with porcupines and things?

    .......................................................................................................................

                                      

                                                      I love you when you’re standing on the lawn

                                                      Peering at something in a tree: "It’s gone.

                                                      It was so small. It might come back" (all this

                                                      Voiced in a whisper softer than a kiss).

                                                      I love you when you call me to admire

                                                      A jet’s pink trail above the sunset fire.

                                                      I love you when you’re humming as you pack

                                                      A suitcase or the farcical car sack

                                                      With round-trip zipper. And I love you most

                                               290   When with a pensive nod you greet her ghost

                                                      And hold her first toy on your palm, or look

                                                      At a postcard from her, found in a book.

                                                      I love you when you’re standing on the lawn

                                                      Peering at something in a tree: "It’s gone.

                                                      It was so small. It might come back" (all this

                                                      Voiced in a whisper softer than a kiss).

                                                      I love you when you call me to admire

                                                      A jet’s pink trail above the sunset fire.

                                                      I love you when you’re humming as you pack

                                                      A suitcase or the farcical car sack

                                                      With round-trip zipper. And I love you most

                                               290   When with a pensive nod you greet her ghost

                                                      And hold her first toy on your palm, or look

                                                      At a postcard from her, found in a book.

                                                      Yet, if prior to life we had

                                                      Been able to imagine life, what mad,

                                                      Impossible, unutterably weird,

                                               220   Wonderful nonsense it might have appeared!

                                                     

                                                      So why join in the vulgar laughter? Why

                                                      Scorn a hereafter none can verify:

                                                      The Turk’s delight, the future lyres, the talks

                                                      With Socrates and Proust in cypress walks,

                                                      The seraph with his six flamingo wings,

                                                      And Flemish hells with porcupines and things?

    .......................................................................................................................

                                      

                                                      I love you when you’re standing on the lawn

                                                      Peering at something in a tree: "It’s gone.

                                                      It was so small. It might come back" (all this

                                                      Voiced in a whisper softer than a kiss).

                                                      I love you when you call me to admire

                                                      A jet’s pink trail above the sunset fire.

                                                      I love you when you’re humming as you pack

                                                      A suitcase or the farcical car sack

                                                      With round-trip zipper. And I love you most

                                               290   When with a pensive nod you greet her ghost

                                                      And hold her first toy on your palm, or look

                                                      At a postcard from her, found in a book.

                                                      I love you when you’re standing on the lawn

                                                      Peering at something in a tree: "It’s gone.

                                                      It was so small. It might come back" (all this

                                                      Voiced in a whisper softer than a kiss).

                                                      I love you when you call me to admire

                                                      A jet’s pink trail above the sunset fire.

                                                      I love you when you’re humming as you pack

                                                      A suitcase or the farcical car sack

                                                      With round-trip zipper. And I love you most

                                               290   When with a pensive nod you greet her ghost

                                                      And hold her first toy on your palm, or look

                                                      At a postcard from her, found in a book.


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    [Aeternus:9801] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-07-04)


    - RE:Pale Fire

    Excelente.

    Mas me parece que as observações que faz sobre a esposa, seus gestos e maneiras estão no presente, e não num passado remoto, pois não ?

    Bem, presente pode ser passado, e vice-versa. Taí o nome do Grupo "memórias não vividas" que não me deixa mentir; sozinho.


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    [Aeternus:9802] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-05)


    - RE:RE:ainda que eu falasse qualquer língua...

    Essa carta de Paulo ao Coríntios que vem sendo comentada por aqui foi usada de forma mais literal no título do filme de Bergman "Através do Espelho" - que não tem tanto a ver com "Alice através do espelho" mas com o que seria nossa capacidade de  visão de Deus atualmente (nesta vida terrena) quando O vemos como que "atrás (mais do que através) de um espelho" (quando só vemos nosso próprio rosto refletido?) (Ou porque os espelhos de então eram meio embaçados e só refletiam de modo pálido?). Mas um dia chegaria em que O conheceríamos como Ele nos conhece, diz Paulo e depois segue o trecho sobre a Caridade (Charitas) ou Amor (embora teológicamente, este amor aos outros seria por amor a Deus, ou seja, amar as criaturas por amor à criação, ao Criador).

    A parte da epístola falando do Amor (Charitas) foi usada, antes do Renato Russo, na trilha sonora do filme "A Liberdade é Azul", um maravilhoso roteiro e direção do polonês precocemente falecido Kieslowski com desempenho pungente da Juliette Binoche (que teria declarado que com a situação do filme não pôde mais adiar querer engravidar). A trama conta de uma mulher que sobrevive a um acidente estúpido de carro onde morrem sua filha e marido. Ele era um compositor que estava compondo um suposto Hino da Unidade Européia (tema inspirador da trilogia A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca, A Fraternidade é Vermelha - e inspirado também pelas cores e ideais da Revolução Francesa).

    A letra do Hino é exatamente a Epístola de Paulo.
    Na trama, a viúva dfepois de querer morrer, tentar se matar, descobre as partituras que o falecido estava escrevendo, chega a completar trechos com ajuda de outro compoitor (e o filme mostra a música sendoe scrita e sendo ouvida). Em uma hora em que ela joga as partituras no caminhão de lixo, à medida em que as folhas d epapel vão sendo "trituradas", a música vai se de-compondo ou des-compondo no som que ouvimos).

    A música é belísima, do compositor Zbiegniew Preisner que compunha para os filmes deKieslowski brilhantemente. Ele fez essa peça "erudita" com coro e orquestra para o "Azul" mas  reduziria tudo para um trio com acordeão para "Iguladade pe Branca" (compatível com o tom do enredo do segundo filme da trilogia) e fez uma paráfrase do Boero de Ravel igualmente compatível para "Fraternidade é Vermelha".

    Para um filme fora da trilogia ("A Dupla Vida de Veronique") eles inventaram um compositor, H. Van den Budenmayer, que seria do tempo de Bach, uma espécie deTelleman, e muita gente achou que exisitu mesmo, tendo sido uma descoberta recente de seus manuscritos com gravações que foram procuradas em lojas de discos especializadas em clássicos. Bundenmayer pasou a asinar trechos das trilhas sonoras de outrso filmes, incluindo a "marcha fúneber" do enterro do compositor de "Liberdade é Azul"

    Preisner fez ainda uma trilha só com piano para aquele filme terrível do Louis Malle com um sogro transando com a noiva do filho (novamente Juliette Binoche, aqui com o Jeremy Irons), "Perdas e Danos".
    Compôs para "Jardim Secreto" versão da Agnizska Holland e para o filme "Brincando nos Campos do Senhor" do Hector Babenco passado e filmado na Amazonia que foi quando eu quis saber de quem era aquela música que me pegou desde a apresentação, ou seja, foi quando "descobri" o Preisner. Ele fez alguma coisinha para Hollywood mas compõe mais para filmes europeus da Dinamarca, Finlândia, enfim, a enorme e aquase absoluta maioria esmagadora nem chega por aqui (nem em DVD). Por isso não sei que rumos  acarreira dele tomou. Um "Requiem" para salas de concerto saiu em CD mas a única vez que escutei não me pareceu tão bom quanto o que ele havia feito para os filmes que mencionei.

    Nota biográfica no iMDB:

    Born in Poland in 1955, Zbigniew Preisner studied philosophy and history in the university of Cracow. In his twenties he started to study music in a autodidactical way: buying records and learning to write by taking the music in parts. His started to write his own compositions. His style has always been very romantic, influenced by romantic polish composers from the XIX century and others like Paganini or Sibelius. He has always emphasized the importance of melody in music. He doesn't like experimental modern music.

    In 1981 he began his collaboration with filmmakers. While he was working with Antoni Krauze's movie "Weather Report" he met director Krzystof Kieslowski who invited him to work in his new movie "No End" about Poland under the martial law at the beginning of the 80s.

    With that movie he began a very close collaboration with Kieslowski and his screenwriter Krzystof Piesiewicz. He works while the script for the movie is still being written but he usually also takes part in the editing of the movie.

    Their next collaboration became a success worldwide. "Decalogue" won the European film award for best film and also awards in Cannes and other festivals. Kieslowski became one of the most importants directors in Europe and Preisner the leading film music composer of his generation.

    At the same time he continued his collaboration with Kieslowski in such films like "La double vie de Veronique" and the trilogy of colours ("Blue", "White" and "Red") he also wrote soundtracks for others important directors like Louis Malle, Agniezka Holland or Héctor Babenco.

    His collaboration with Kieslowski ended with his death in 1996. In the last years Preisner not only has continued his collaboration in others movies but he also has been involved in others musical projects like the writing of an opera to be performed in London and features for the Varsovia Simphony orchestra.


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    [Aeternus:9803] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-05)


    - Lingua dos anjos

    Gallego, seus comentários sempre abrem novas portas para novos deslumbramentos. Obrigada.

    Na lista do Nabokov estou às voltas com o uso da palavra "freudiano" e o tema "consistencia". Hoje li uma citação do Hamlet ( na revista Bravo!) que me permitirá juntar Platão e Freud. Falta achar como é em ingles. Diz Hamlet: " os sonhos são sombras". Diz Freud: "sonhos são realizações de desejo". Junta isso e dá samba.

    Por enquanto escrevi, tentativamente, aceito ajuda dos colegas do Aeternus, em resposta a um cara de NYC chamado Barrie Karp [ on Jansy's: VN's explicit opinions about psychoanalysis were apparently informed only by his contact with Freud's very early writings and, probably, by the "utilitarian Freudians". Therefore, as I see it, he actually was a true Freudian inspite of himself.] Clearly (from my recent re-reading of Lolita and "Signs and Symbols"--) Nabokov had a good deal of what can now be known as contemporary psychoanalytic knowledge drawn from various schools, and is a "true Freudian" (since that is the phrase you used) [...] The fairy tales that he was after are not inconsistent with embodying such psychoanalytic and other knowledge in literature, and the ascription "Freudian" seems dated.

    Jansy Mello: Thanks for the comments in which you managed to bring together Nabokov, Freud, consistency and fairy tales - and remained wary by my having employed the expression "a Freudian".
    You are right, "utilitarian Freudians" (read "pragmatic psychoterrapists") have nothing to do with Freud and with the most recent developments of psychoanalysis, since they forgot that Freud recommended that the patient himself should (re)-construct his past and interpret his dreams.For him we are always consistent with what we are (unless terminally neurotic), but we seldom know what guarantees this consistency in us. We must understand that we cannot ever "get cured" from what we are ( a result of constitutional and environmental factors) and  no ammount of reasoning and arguments will function (except by using brainwashing techniques)...We must be born already as idealists, realists, Nabokovians, Freudians...

    Retomando à língua dos anjos...Encontrei este tema de São Paulo duas vezes em Nabokov, mas ninguém aceita que haja esta referencia e os tradutores escamoteiam as repetições de palavras ( Nabokov fala de se ver a obra de um autor apenas em parte, ou seja "in a glass, darkly" e os tradutores colocam coisas como "num espelho escuro" e nem notam que num poema há vidro de janela com transparencia e funcionando ao mesmo tempo como espelho e mesmo Nabokov usando novamente "glass, darkly", traduzem usando ainda outros sinonimos sem respeitar a constancia da escolha de termos) Lutero usou "espelho" e no ingles, a bíblia tradicional de King James fala the "através de um glass, ie,  vidro" e a mais recente traduz como "em um espelho" ( in a glass, em vez de through a glass) Vai saber.

    O chato é que, linda e perfeita como é a epístola, ela fica no meio de outras que mencionam "falar muitas línguas", "ser profeta", dão conselhos sobre como se vestir no templo, comer carne, ceder à carne e em vez de arder se casar...É machista que só. 

    Vou ver o filme da liberdade Branca...belíssima dica. Aliás, rever porque assisti há anos e não entendi muito.


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    [Aeternus:9804] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-05)


    - RE:Cores e Lingua dos anjos

     
    Jansy: vc escreveu:

    Vou ver o filme da liberdade Branca...
    Mas quem é Branca é a Igualdade (que acho um filmaço um tanto subestimado, é uma espécie de "comédia sem graça" com um roteiro inteligente e irônico: o polonês que sai da Polônia e na França (e só fora da Polônia) fica impotente sexual - e mulher francesa o sacaneia tanto que ele só consegue retornar à Polônia - sem um puto de grana no bolso - dentro de uma mala, despachado num vôo- fato que existiu realmente e inspirou o filme para muito além do anedótico)

    Quem é Azul seria a liberdade que se mostra no filme de modo muito enigmático, sutil mesmo. De que liberdade ele acaba falando? Só vendo o filme e num exercício de tentativa de adequar a idéia de liberdade ao enredo, em um plano mais de liberdade individual e "psíquica" do que no plano social e político (que aparece mais presente em "Igualdade é Branca", mas igualmente com foco no campo interpessoal)

    Reveja logo todos os 3... na ordem: Bleu-Blanc-Rouge - pois o epílogo de Rouge "junta" os 3 ainda que de forma meio aleatória. Mas cada autor faz o que quer com seus personagens, não é? Afinal os mundos que eles criam são deles...


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    [Aeternus:9805] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-05)


    - RE:RE:Cores e Lingua dos anjos

    Dizem que mulheres são apenas portadoras, mas, nunca daltonicas. Na minha família então há neuróticas constitucionais porque todos sabíamos quando uma das tias bordou um arranjo de flores pois, com alguma regularidade, viam-se miolos roxos em vez de amarelos, hastes roxas, em vez de marrons. Uma das sobrinhas-netas dela  não reage às misturas que provocam o azul-turquesa ou o verde-limão, ou o laranja-telha: vêem só o azul, o verde e o vermelho. E, minha sogra sempre criticava meus quindins que não eram "amarelos como os da Helenita". Um dia, quando sua neta entrou toda de rosa na sala, exclamou: "que linda roupa amarela" e aí, só então, entendi porque meus quindins não eram como os da Helenita...

    Seja como for, meu erro não resultou de qualquer troca de cor daltonica. Foi confabulação, mesmo.  Vou ver os tres filmes e quem sabe, aparece algum raio verde?


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    [Aeternus:9806] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-06)


    - DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

    Bom dia, Gallego, Guto et al. Fui comprar a trilogia das cores mas não  havia no estoque e aguardarei até quarta-feira para assistir o filme. Neste interim resolvi ver  "O Crepúsculo dos Deuses", sempre tão recomendado que acredito sempre que não assisti e só quando coloco o DVD noto que é o "Sunset Boulevard" ( o título em português enfatiza a ironia da rua em que a atriz de cinema mudo reside, muito legal isso).  A famosa frase: "(Ainda) Sou Grande, foram as telas que encolheram", vi Glenn Close recitá-la e em seguida cantar, no musical da Broadway com o mesmo nbome.  A competência de G.Close, ainda assim, não alcançou a musicalidade arrogante da voz de Gloria Swanson que, a meu ver,  faz o filme dar uma nova volta na espiral da ironia: a atriz de cinema mudo se destaca mais pelas n uances vocais do que pelo olhar e suas caras e bocas...

    Em matéria de filme velho, estou campeã. Vi com H. que adora Westerns, o premiado "Depois do Vendaval" com John Wayne, Maureen O'Hara e dirigido por John Ford ( bobíssimo o roteiro! Coisa de protestante, ou de camponio irlandes e católico numa mistura daqueles anos)  e "O Rosto" do Bergmann com Max Sydow ainda novinho novinho e hierático no papel de surdo-mudo. 

    Devo estar muito desesperada no vazio cinematológico pra ficar vendo estas retrospectivas todas. Pra apreciá-las provavelmente teria que pegar uma por mes, em vez desta enfiada. 

    Atores, fotografia, cenas de luta, diálogos bem montados... viva! Mas em matéria de "filosofia", nota zero se pensarmos que o retrato dos buracos existenciais competentemente apresentados já ganhou outras versões com filosofia mais sofisticada dando continuidade. 


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    [Aeternus:9807] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-06)


    - Animação, Wall-e mais curtas da equipe Dreamworks

    Sabia que havia algo que me encantou pra relatar. Não foi o filme Wall-e, que assisti com netos perplexos acompanhando o ambiente Blade Runner, Minority Report, A.I. sobre nosso planeta destruído pelo lixo. Legalzinho na apresentação das construções feitas com dejetos criando sombra para os arranha-céus ao seu lado e sobre  a publicidade encorajando as massas a consumir cada vez mais, mas mal endereçado: não atende às crianças nem aos adultos. O que valeu, pra mim, foi o curta que veio antes, com um mágico e seu coelho aprontando para comer a cenoura durante a apresentação. Este curta merece ser visto, valeu o ingresso pro filme que vinha depois. Não anotei quem fez, vou ver se acho pelo google. Recomendo.


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    [Aeternus:9808] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-06)


    - Presto

    Como já é de praxe, todo lançamento da Pixar nos cinemas é precedido por um curta-metragem. Você certamente se lembra de vários, alguns que se tornaram clássicos.

    Com “Wall•E” não vai ser diferente. O curta antes do longa será “Presto”, a história de passa no século passado e mostra um famoso mágico chamado Presto DiGiotagione e seu coelho ajudante, Alec. Uma noite, quando Presto sai para jantar, Alec fica preso em uma gaiola com uma apetitosa cenoura fora de seu alcance.

    O curta foi escrito e dirigido por Doug Sweetland. Apesar de esse ser o seu primeiro projeto, Sweetland é das antigas dentro da Pixar, já tendo trabalhado no departamento de animação de quases todos os longas do estúdio.

     Interessante, sempre curti os curtas da Pixar, embora principalmente me recorde só de dois ( o do esquilo com a noz,  e o jogo enxadrístico com um unico jogador velhote). Acho que são geniais. Nosso bravo mundo novo tá todo ali, quem somos, de onde viemos, praonde vamos...


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    [Aeternus:9809] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-06)


    - RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

    Olá! Jansy: quando vc escreveu: "Atores, fotografia, cenas de luta, diálogos bem montados... viva! Mas em matéria de "filosofia", nota zero se pensarmos que o retrato dos buracos existenciais competentemente apresentados já ganhou outras versões com filosofia mais sofisticada dando continuidade" estava criticando "O Rosto" do Bergman? Minha lembrança é que "O Rosto" é um filme complicado e menso realizado do bergman, ainda que bem interessante. Ou ainda era sobre o filme do John Ford?
     "Depois do Vendaval" faz parte dos filmes "irlandeses" do John Ford, não necessariamente passados na Irlanda, mas com estórias "leves" (roteiros sem muita importância), muita bebida e porradaria. Existe um que ele fez uns 10 anos depois que acho que se chamou "Aventureiro do Pacífico" que transcorria em uma ilha dos mares do Sul com John Wayne (para variar) e Lee Marvin, bebendo e brigando. "Coisa de macho", sabe como é? Não revejo este filmes há séculos e portanto não posso opinar com base, mas acho que são superestimados pela crítica francesa que contamina até hoje os da chamada "nova crítica" brasileira (ou carioca-paulista, talvez, que sei eu?). Não é que John Ford não seja um grande cineasta até mesmo em filmes "menores", mas isso não quer dizer que os filmes "menores" sejam "maiores". São, no máximo, como "divertimentos" não só no sentido musical, despretensioso, mas no sentido de que ele e sua equipe atual se divertiam em filmá-los. Se o espectador comum se diverte tanto quamnto os c´riticos que o endeusam como perfeito e incapaz de cometer um filme fraco... isso é outra história.
    Mas ainda tenho melhor lembrança de "Depois do vendaval", cujo roteiro pode ser simplezinho mas ainda guarda um pouco da inspiração (confessada) de "A Megera Domada" do Shakespeare. Só que "A Megera" é muito, mas muito melhor!
    John Ford tinha um senso de espaço e uso do espaço físico que faz de seus faroestes sempre muito bonitos visualmente. Dizem que o Orson Welles (que na época só entendia mesmo de rádio e um pouco de teatro) quando foi para Hollywood assistiu mais de 30 vezes "Stagecoach" (No Tempo das Diligências) para "pegar o jeito" da linguagem visual em movimento, ou seja, o cinema propriamente dito.
    "No tempo das Diligênicas" também é plagiado de um clássico, no caso, o magnífico conto de Maupassant, "Bola de Sebo", onde um prostituta (ou "cocotte", ou "cortesã", ou top model/escort da época sem o ibope das atuais) é esnobada pelos ricaços e aristocratas e burguesas ricas em uma longa viagem de carruagem, mas depois que há algum problema que os obriga a parar por muito tempo e todos estão morrendo de fome, quem tem farnel é a moça que divide generosamente com todos. Aí, todos passam a conversar com ela, tratando-a bem, derretndo o gelo que lhe davam. Consertada a carruagem, à medida que se aproximam do destino, vão esfriando, esfriando, e quando chegam ao ponto final a indiferença fria e cruel para com a moça está como antes. Claro que em um filme americano de 1938 ou 9, a prostituta não era assim tão prostituta, era cantora de cabaré (eufemismo) - e depois que ela ajuda uma grávida esnobe a parir, etc etc, todos ficam bonzinhos com ela até o fim da viagem, e há um happy ending com um prisioneiro (adivinhem quem? John Wayne novinho e fraquíssimo como ator) que no fundo era um jovem injustiçado pela lei, etc etc. O filme é um clássico não tanto pelo roteiro atenuado (em comparação com a inspiração original), mas pelo todo e pelas cenas de perseguição dos índios (ainda bandidos e malvados, sendo os brancos colonizadores os bonzinhos, hahahaha), pela câmera ágil em travellings de tirar fôlego até hoje, ainda mais se lembrarmos que os efeitos especiais quase não exisitiam, as perseguições eram coisa de macho mesmo sem aspas, stunt men doidos para aparecer (mal aparecer) e arriscar as vidas em frente às câmeras...
    Além deste, do Ford, eu gosto muito de "Rastros de Ódio" (The Searchers, 1958) para muitos sua obra-prima (considerado também um dos maiores filmes de todos os tempos), "Cheyenne Autumn" (já crepuscular, de 1963 ou 4, para o próprio Ford - e nestes dois os índios já têm outro status menos estereotipado de vilões co mo dantes), "O Homem que matou o Facínora" (igualmente crepuscular de 1962 e de ritmo pausado, contido) - e dos mais antigos, tenho boa lembrança de "O Delator" (de 1935, mas teria que rever, mas não existe em DVD nem nos States, eu acho), muito influenciado pelo cinema expressionista e com uma história católico-irlandesa de delação à la Judas, asim como gosto de "Audazes e Malditos" (Sergeant Rutledge) que lembra "Rashomon" com relatos de depoimentos em flash back em um julgamento no velho oeste onde um sargento negro é acusado de estuprar uma branca), "Vinhas da Ira" e "Como era evrde meu vale", ambos retirados de romances e portanto com oteiros mais densos.
    Mas eu retomo uma discusão francesa do pré-II Guerra que opunha John Ford a William Wyler: Ford, com o passar do tempo, "ganhou" e Wyler ficou sendo super-SUBestimado há décadas, acho que nunca o perdoaram por ter feito o "Ben-Hur" de 1959 (que ainda é um dos 2 ou 3 no máximo superespetáculos "históricos" daquele tempo que ainda se pode rever sem achar apenas "um saco"). Mas claro que o grande Wyler é anterior a "Ben-Hur": quando fez "Pérfida" (Little Foxes, peça de Lilian Hellmann, 1941), "Tarde Demais" (retirado de "A Herdeira" do Henry James, 1949), mas aindaem sua fase crepuscular (mais fraca que a do Ford, a partir de meados dos anos 1950) foi capaz de fazer "O Coelcionador" em 1965. Em ambientes fechados, Wyler podia ser grande!

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    [Aeternus:9810] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-06)


    - RE:RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

    Não, eu não criticava O Rosto, mas o filme do John Ford, nas suas palavras:estórias "leves" (roteiros sem muita importância), muita bebida e porradaria. Indiretamente, talvez, mas não de verdade senão o desapontamento de assistir este Bergman, menor, depois do magnífico Através do Espelho. Se bem que meus critérios de apreciação não tem nada de informação crítica, angulos, takes, continuidade, jogo de camera...Que bom que você acolheu meu amadorismo tão generosamente.

    A Megera Domada inspirando Depois do Vendaval porque a mulherzinha chata, feito uma gansa das observações etológicas de Lorenz, ficava atrás dele instigando-o a brigar? Enfim, suponho que tanto Shakespeare quanto Ford se divertiram à grande com este tema. No fundo devo ter inveja das grandes histéricas narcísicas e dos seus homens, igualmente histéricos, fazendo o papel de "machão". Sem isso ficaríamos num mundo com muito pouco enredo fora a realidade massacrante das forças da natureza e da economia promovendo as guerras. Tenho que ser grata porque com certeza me cansaria assistir apenas filmes iranianos com meninos soltando pipa, colhendo água em cantaros e andando descalços na poeria, entre arame farpado.

    "Fugitive Pieces" passou no Brasil? Com qual título?  Recentemente comprei, ainda vou assistir, um filme que não era "O Delator", mas "Os Informantes" com Russel Crowe e Al Pacino...

    Recentemente li "Bola de Sebo" do Maupassant e faz sentido supor outra ligação entre clássicos da literatura e cinema de antigamente, como você afirmou sobre O Tempo das Diligências. Hipocrisia burguesa, nazismo...estes os temas do frances que Ford adaptou pra soldados e índios nas estepes americanas.

    Nada como a cultura do Gallego pra fazer a gente passear nas Grandes Obras Universais ( o tom histérico do comentário não é teatro, é sincero e de queixo caído). Ainda estou encantada com a ligação que vai do Bergman, através do espelho até o Renato Russo e a Trilogia das Cores. 

    Wyler, O Colecionador e ambientes fechados. Faz sentido. Quando assisti não fazia idéia de quanta gente passa por isso no dia a dia, parecia algo tão distante como o rapaz que dormiu no círculo das fadas e acordou centenas de anos mais tarde. Aliás, esta é também uma história atual. Estamos acordando pros cinzas do mundo de Blade Runner e Wall-E.                                     


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    [Aeternus:9811] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-06)


    - RE:RE:RE:DVD, memórias não-vividas e Sunset Boulevard

    1. Onde escrevi "equipe atual" do John Ford leia-se "equipe habitual" já que a equipe atual dele estará no céu dos irlandeses com ele, bebendo e jogando em vez de filmar.
    2. O filme mencionado eu nunca ouvi falar, o iMDB diz que ainda está estreando nos States em exibições "limitadas" (festivais, mostras). Ganhou prêmios em alguns destes festivais menos importantes (Varsóvia, Roma etc)
    Release dates forFugitive Pieces (2007)

    CountryDate
    Canada 6 September 2007 (Toronto Film Festival)
    Canada 29 September 2007 (Vancouver International Film Festival)
    Poland October 2007 (Warsaw International FilmFest)
    Italy 21 October 2007 (RomaCinemaFest)
    Greece 17 November 2007 (Thessaloniki International Film Festival)
    USA 3 February 2008 (Santa Barbara Film Festival)
    USA 26 April 2008 (Newport Beach International Film Festival)
    USA 2 May 2008 (limited)

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    [Aeternus:9812] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-07)


    - Preto no Branco

    Hoje fui visitada por dúvidas muito estranhas.  Andei assistindo a uma série de filmes chamados "em preto e branco" (aos meus olhos, eles são em cinzas...) e, depois da paródia (ou de um pastiche  de "algo") em "Sunset Boulevard", pensei em Kubrick e, principalmente, Hitchcock o qual, com sua presença física em alguns dos quadros, insiste em quebrar a adesão total da "suspensão da descrença" nos filmes que assistimos. Os antigos diretores insistiam nisso, me parece, na piscadela para o público.

    Não sei dizer ao certo como isto se relaciona às minhas "dúvidas muito estranhas"...Talvez porque eu não esteja conseguindo dar ou receber uma piscadela enquanto penso em certos assuntos.

    Uma amiga, leitora silenciosa do aeternus, surpreendeu-se com a pujança do poema do Nabokov que recentemente coloquei na lista. Ela o descreveu como fazendo-a pensar em uma "catedral de ossos".  Achei a sacada dela genial porque no poema Nabokov voluteia sobre T.S.Eliot, um outro poeta que escrevia bastante sobre "ossos" e o pp. Nabokov uma vez se apresentou como sendo "um homem manso e gentil" quando inquirido sobre os personagens cruéis e pervertidos que criava, acrescentando: "meus personagens são como as gárgulas e monstros colocados do lado de fora das catedrais para ilustrar que eles foram expelidos do meu self interior".

    Esta amiga reside na Asia e me descreveu as verdadeiras "catedrais de ossos" que encontrou nas viagens pelo Camboja e paragens semelhantes. Esta observação surgiu enquanto também discutíamos o autismo e imaginei se as crianças autistas não seriam aquelas que vislumbraram o "mal" de modo precoce demais. Freud, Klein et al. falam da pulsão de vida e a de morte, das primeiras projeções da criança que fagocita todo o bem, interno e externo e regurgita todo mal, até conseguir integrar ambos na posição depressiva enquanto igualmente diferencia o mundo interno e o mundo externo. Na descrição dos psicanalistas clássicos o que vemos é principalmente "a piscadela" porque não tratam de algum mal intrínseco ou extrínseco, apenas das pulsões derivadas dos instintos animais como representadas pela fantasia. Daí que meu raciocínio me conduziu por uma via peculiar quando supuz que no autismo falta a piscadela e o indivíduo é exposto a uma visão do "mal" como sendo um absoluto. Conversa vai e conversa vem e este "mal" se tornou pra mim uma hipótese sobre ... um "mal absoluto" que nós, mais covardes, recobrimos com um véu de bondade e amor.

    Como a melodia do Renato Russo insistia, obsessivamente, na minha memória, prossegui: "hoje vemos o mal em parte, depois o veremos face a face". Seguramente estarei equivocada porque a divindade de São Paulo era absoluta no sentido mesmo do que é absoluto e total, donde englobando o bem e o mal, o amor e o ódio numa dimensão única. No entanto, a realização assustada de que para sobrevivermos caminhamos numa neblina que nos impede de enxergar a totalidade ao falar da "negação do mal' não deixou de me atingir fundo.

    Então, cobrando uma coerencia mínima deste pesadelo que engendrei das neblinas da minha noite, conclui que ( consistentemente ao que venho  contando por aqui) o milagre, a prova da existencia de Deus digamos assim, é existir o amor e a generosidade em luta dentro de nós contra a destruição, o prazer com ela...


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    [Aeternus:9813] Mensagem do Grupo56
    -Omar(2008-07-07)


    - RE:Presto

    http://www.youtube.com/watch?v=m5k45z9kz18

     


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    [Aeternus:9814] Mensagem do Grupo56
    -Davy Bogomoletz(2008-07-07)


    - RE:Preto no Branco

    Jansy: Agora sim. Abri por acaso sua mensagem. Li. Achei necessário dizer algo, porque bate com o que penso - a piscadela. Acho que Winnicott tem razão ao dizer que existe uma 'ilusão de imortalidade', que nos permite ir e vir, brincar e trabalhar, amar e odiar, viver. Quem não tem isso fica parado, de costas pra parede, dominado pelo medo. Medo de que? Ele diz 'da aniquilação', mas eu acho que isso era eufemismo para 'medo da morte', para que não o acusassem de contradição já que não aceitava a 'pulsão de morte'. O medo da morte é biológico (tomei consciência disso num dia em que tentei matar uma barata e ela fugiu e fugiu e fugiu... e eu me peguei pensando: 'Se eu fosse ela, fugiria também'. Não que nunca mais matei baratas, mas essa tomada de consciência mudou o meu modo de pensar. Até então eu me preocupava com o 'sentido da vida'. Nesse dia percebi que a vida não precisa de 'sentido': se estamos vivos, não queremos morrer, e pronto.

    Na tua mensagem você fala do autismo. Se entendi algo de alguma coisa, o autista (por isso me interessou a sua mensagem) não recebeu a tal 'piscadela', como diz você. Ou, nas minhas palavras, não teve como aceitar a 'mentira' da mãe de que 'nada vai te acontecer, bebê'. Winnicott diz também: 'O bebê é um ser permanentemente à beira da angústia impensável (que para mim significa o terror absoluto, portanto o medo da morte) e a tarefa da mãe é mantê-lo longe dali.' Sabemos como o bebê entra em pânico sem transição, de um momento para outro. Como se ele nascesse de frente para a morte, ao alcance imediato da foice, e só uma galinha com as asas abertas é capaz de acalmá-lo - graças a essa 'mentira piedosa'.

    O 'mal', então, existe sim. É a morte - a única verdade inquestionável da vida. O medo que ela provoca é o mal absoluto. Então, "a realização assustada de que para sobrevivermos caminhamos numa neblina que nos impede de enxergar a totalidade ao falar da "negação do mal' não deixou de me atingir fundo", como diz você, é isso mesmo: se ninguém mentiu para nós com convicção suficiente no início da vida, nos 'garantindo' que a morte é apenas uma 'fantasia da nossa cabeça', não conseguimos viver. Existimos, estamos aí, mas não vivemos a vida. Nos refugiamos dela.

    Então vem: "o milagre, a prova da existência de Deus digamos assim, é existir o amor e a generosidade em luta dentro de nós contra a destruição". Concordo plenamente com essa sua frase, excluindo apenas a expressão 'a prova da existência de Deus'. A meu ver, essa é das 'piscadelas': Deus existe, meu filho, e Ele toma conta de nós (além, obviamente, de vigiar nosso comportamento...)". Mas depois há uma outra piscadela: 'Não dê tanto crédito a essa história de Deus: Seja gente, e isso basta.'

    No entanto, muita gente cresce sem essa 'ilusão de imortalidade' de que fala Winnicott. Para esses, a religião é, literalmente, a tábua de salvação no mar bravio da existência. Se a mãe não conseguiu mentir direito, Deus mente no lugar dela, e quem é que vai provar que ele está errado?...

    Essa 'neblina' de que você fala é a tal ilusão. Não enxergamos mesmo a totalidade, porque os que enxergam o mal na sua frente (o 'preto no branco', como diz você) ou não vivem, como eu disse antes, ou viram bichos, passando a funcionar num outro registro. Vivemos no cinza, sim, que remete ao mesmo tempo ao preto e ao branco, mas (felizmente) não é nenhum dos dois - que por sinal não existem isolados, só em conjunto, como os pólos do ímã (não há como cortar o ímã ao meio e ficar só com um dos pólos...).  

    Adorei a história da 'piscadela'. Escrevi um artigo sobre isso: "Fundamentalismo e Simbolização".

    Quer?

    Beijos.

    Davy.


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    [Aeternus:9815] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-07)


    - RE:RE:Preto no Branco

    Agora sim!

    Ainda vou levar mais tempo relendo sua mensagem, mas escrevo depressinha agora para pedir que envie ( ou deixe ser publicado no site geral) o seu artigo sobre "Fundamentalismo e Simbolização"


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    [Aeternus:9816] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-07)


    - traduzindo as palavras do Davy

    Tenho um correspondente Winnicottiano que trabalha com crianças autistas no norte dos EEUU. Traduzi o texto do Davy para ele, mas avisei de que haveria imprecisões. Coloco aqui para que o pp. Davy corrija, se tiver tempo.  Acrescentei um comentário ao final.

     ...He wrote them in Portuguese but I'll try a quick translation of its main parts.
    Winnicott is correct when he writes that we suffer from "an ilusion of immortality" that allows us to come and go, play and work, love and have, live. Those who don't suffer from this ilusion remain static, subjected to fear. What kind of fear is that? Winnicott names it "fear of annihilation" but this is an euphemism to avoid stating "fear of dying" - he wanted to avoid accusations about his being in contradiction for he was adamant in his refusal of a "death drive". The fear of death is something biological. Life doesn't need a "meaning" once we understand that the fact of our being alive implies in the wish to avoid death. That's all.
    You wrote about the autist as someone who didn't perceive a "wink", like Hitchcock's authorial appearance in his movies to warn the audience off sinking into a complete "suspension of disbelief".  In my own words, the autist is someone who could not accept his mother's lies. Such as "I'm here to protect you, nothing evil can happen to you", etc. Winnicott adds: 'The baby is a being that is permanently on the verge of experiencing an unnameable terror, unmitigated anguish...( and this, as I interpret it means "absolute terror", ie, "fear of death) and a mother's task is to keep him distant from this terror". We know that the baby passes into panic with no transition from one peaceful moment into another, of terror. It seems that when babies are born they stare at death face to face, they realize that they are directly submitted to death's scythe and is protected from it by a mother, like a chicken with warm open wings to shield him by a "pious lie". Evil exists and it is death, our only certainty in life. The fear it provokes is "Absolute Evil".
    You wrote: "Our frightened realization that to be able to survive we must walk as if surrounded by a fog that protects us from a "totality" struck a deep chord in me". You are right, if nobody managed to lie to us in a sufficiently convincing manner, if a mother did not give us a garantee that "death is  but a fantasy" we are then unable to go on living. We may exist, but we cannot live life to the full.
    You wrote: " the real miracle, the proof of God's existence is finding love and generosity fighting inside us against extinction and destruction". I agree but I'd exclude the expression you used, "proof of God's existence". After all, this is one of the "winks" ( to quote you) we come across. We learn "God exists, he protects us from evil ( and, of course, he also keeps an eye on our good-behavior). The next wink informs us: "Don't believe too much in God, be a human being and this is enough". Nevertheless many people grow up without enternatining this ilusion about "immortality" described by Winnicott. For these, religion is what saves them from the raging oceans of existence. If the mother was unable to lie sufficiently well to  her baby, God can lie in her stead...Who is there to prove him wrong?
    The "fog" you mention is this ilusion. We cannot see the totality because those who face evil ( the black over the white) either are unable to survive or become like beasts.  We live in a gray world.Fortunately "balcl and white" don't arise in isolation, they come together as the poles of a magnet (one cannot eliminate the positive or the negative polarity)
     
    Because Davy Bogomoletz, emphatically denied "God" ( as a state of grace, as goodness and generosity, etc) I cannot follow his arguments to their full import. Like Bion, I was trained as a Kleinian and for these two we have another important concept: "Gratitude". For me, like in Blake's poem, "Gratitude is Heaven itself", gratitude is a reality as convincing as there  is another, of  "Envy" - and even, a death drive.  

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    [Aeternus:9817] Mensagem do Grupo56
    -cely bertolucci(2008-07-07)


    - RE:RE:Preto no Branco

    A ilusão da imortalidade às vezes se quebra diante da morte de pessoas significativas. Foi o que aconteceu comigo diante da visão do corpo de D. Ruth Cardoso. Todo o seu saber, sensibilidade, sonhos, bruscamente interrompidos. Nada mais existiria para ela. Angustia impensável, indescritível. Tudo acabado ...

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    [Aeternus:9818] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-07)


    - E ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

    Colocarei a mensagem do colega americano antes da resposta, em off, do Davy -quando ele corrige um erro importante na tradução que fiz.

    Jeff começou respondendo à primeira parte da minha mensagem, por enquanto:

    Re [ "perhaps autistic persons are precociously exposed to this perception of Evil whereas other children, if ever, are only slowly acquainted with their inherent violence and the world's. Myself, I seldom really give credit to this "Evil", I split it off or accept the intellectual information but react as if I were in a daze... Most of mankind walks as if enveloped by fog... is it like in the famous St.Paul's epistle to the Corinthians:"now we see in part, then we will see face to face"?] I have given some thought to evil, but not enough...like you, I recognize the daze that surrounds it when trying to cope with the reality of evil. Here is my basic feeling, at this point, which I will try to write about in the future. I have been trying to look at Bion's ideas of factors combining to form functions. I think that we can speak of a destructive function made of a dozen or so factors. When more and more factors combine the power of this function grows and it may "tip" into evil with the addition of a "perverse" factor as the organizing element of the function. Perverse, here, as defined by Meltzer. Your intuition re the autistic child's experience is close to my own. I think one variation is this: the too early intuition of death is unbearable and unthinkable. The pain becomes personified and somehow, I think the self intuits evil as a force strong enough to fight off death or to transcend it or to blend with it. Thus, the self, as a kind of survival move, weds itself to a force called evil in order to live. There is a splitting of the primitive masculine, I submit, between what can be called "the predator" and "the beast". The predator is pure destruction, the beast, on the other, can be humanized by contact with the feminine. This primitive splitting not only of psychic bi-sexuality, but of the masculine, has to be one of the factors in excessive destructiveness, and evil, along with the many other factors like envy, intolerance of frustration, sensation-seeking. I put a lot of this in the context of a primal "obstructive object" too...(Jeff Eaton)
    ...................................
    Davy corrigiu meu parágrafo e transcrevo tudo: A última frase está errada - o seu resumo mudou o sentido.
    O que eu disse é: 'We live in the gray space, yes, from which we can see both ends, black and white, but this gray space (fortunately) isn't either of them. And by the way, they do not exist separately: like the poles of a magnet, there can not exist only a positive nor a negative pole.'
    Ficou diferente, não?
    P.S.: Quando você, no final, diz: Because Davy Bogolometz emphatically denied "God" (as a state of grace, as goodness and generosity, etc) I cannot follow his arguments to their full import. Like Bion, I was trained as a Kleinian and for these two we have another important concept: "Gratitude". For me, like in Blake's poem, "Gratitude is Heaven itself", gratitude is a reality as convincing as there  is another, of  "Envy" - and even, a death drive...  sou obrigado a contestar, porque era disso mesmo que eu próprio estava falando. Eu não 'enfaticamente' nego 'Deus'. Apenas me eximo, por incompetência, a emitir juizo sobre 'Ele'.
    Quando escrevi: 'Seja gente, isso basta', eu estava falando no mesmo sentido que Bion (M. Klein não - com ela eu não concordaria mesmo se ela dissesse que eu me chamo Davy.) Além do mais, eu não 'neguei' Deus - apenas o tirei para fora da equação. No meu entender, depois de muito refletir, Ele tem trabalho demais mantendo o Universo no lugar para ter tempo de cuidar de cada um de nós. Como dizem alguns sábios judeus  sobre o Holocausto: 'Perguntar onde estava Deus naquele momento é blasfêmia. Temos que perguntar é onde estava o homem. Afinal, ele nos deu as suas leis para que soubéssemos viver.' 
    ....................................... 
    Peço desculpas publicamente pela imprecisão na frasedo Davy que traduzi e por ter achado que ele "enfaticamente negava Deus" quando apenas o "tirou para fora da equação". Concordo, temos que pensar e excluir "Deus" ( já que não é um axioma da lógica)dos raciocínios sem, no entanto, deixar de reconhecer uma dimensão desconhecida de nós, um mistério que permanece fora do que tratamos quando, apenas, nos exercitamos nas conjeturas racionais.
    A citação dos sábios judeus é importantíssima. Obrigada.
     ........................................
    Cely, bem lembrado: A ilusão da imortalidade às vezes se quebra diante da morte de pessoas significativas.
     

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    [Aeternus:9819] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-07)


    - Presto...

    Omar gentilmente nos deu acesso ao cartum totalmente exposto no site do youtube.

    E eu nem disse o que achei nele de particulamente encantador. Começa que, ao contrário do circulo vicioso sadomasoquista do Tom & Jerry e outros desenhos, a crueldade é medida de sobrevivência ( o coelho quer alimentar-se com a cenoura que o mágico retira dele malvadamente). Mas, acima de tudo, adorei o mágico sem um mágico de verdade e ele mesmo ignorá-lo, achar que só tinha truques na cartola. Ele não via que a mão dele atravessava o espaço num passe de real mágica...

    Fora isso, o cartum leva a gente a dar boas risadas. Boas, mesmo 


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    [Aeternus:9828] Mensagem do Grupo56
    -gustavo alcides da costa(2008-07-10)


    - preto no branco-cinza-grey-ash-afterglow

    Gostei da imagem: preto no branco é cinza... praticamente tudo acaba se misturando. O bem e o mal. Abraxas, de H. Hesse. Oxigênio + Fogo + Tempo = Cinzas. Abaixo o maniqueísmo.

    Engraçado, há tempos venho ruminando algumas palavras da lista: "velhice", "morte", e delas fui derivando algumas outras, como a "neblina", a "noite", que me vieram basicamente em inglês, não sei porquê. E nos últimos dias, foram ventiladas várias delas.

    why, uai ?


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    [Aeternus:9829] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-10)


    - RE:preto no branco-cinza-grey-ash-afterglow

    velhice, morte... neblina e noite? Sunset boulevard, crepúsculo...

    porque neblina e noite em inglês? Night é fácil. Como é neblina? Fog?Mist? Haze?


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    [Aeternus:9830] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-10)


    - a constancia na mensagem

    Li,  há pouco, uma resenha do Gallego em homenagem ao "Bergman, 90 anos" e uma frase me fez ligar o que ele observou  ao que ele e Omar descreviam sobre a memória.

    cito, com cortes: Especialmente a “Sarabanda”, um gemido da alma que substituía as palavras que jamais escutamos quando irmãs ensaiavam uma breve e fugaz reconciliação... Breve e fugaz como a felicidade descrita em um dia de verão no diário. Um breve verão que se preserva na memória. Ou nas imagens de um grande filme.

    Me  chamou a atenção "felicidade que se preserva na memória, num diário, nas imagens de um filme". Além da referencia á memória no "Escafandro e a borboleta", pensei nas palavras de Freud numa entrevista que está no Aeternus, temendo uma nova vida sem carregar com ele as lembranças da passada.

    Porque li romances de jovem adolescente tinha a impressão de que poderia abrir uma caixa de recordações e, na velhice com amnésia anterógrada liberando o  espaço pro passado, viver  momentos felizes contemplando fotos antigas, meias de nenem, flores secas.  Duvido que isto aconteça comigo, agora estou perto da certeza...Olhar para trás só me dá  sofrimento, mesmo se me construi a partir de uma vida bastante feliz e cheia de dias ensolarados. O que é bom é o presente, no meu caso. Sempre. Isto não exclui a memória agindo por trás desta felicidade no momento, porque é ela que o re-significa pra mim, recorta, dá valor. Sem a memória eu viveria no "sou feliz e  não sei" ( não  me ocorre o "era feliz e não sabia"...)

    O que é raro e excepcional  no cosmo é a consciência do  humano. Graças às palavras que são uma síntese entre memória e atualidade.


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    [Aeternus:9831] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-10)


    - pedaço do poema Pale Fire, por VN/John Shade

    I’m ready to become a floweret
    Or a fat fly, but never, to forget.
    And I’ll turn down eternity unless
    The melancholy and the tenderness
    Of mortal life; the passion and the pain;
    the claret taillight of that dwindling plane
    Off Hesperus...


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    [Aeternus:9832] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-10)


    - Pale Fire, Fogo Pálido

    na tradução de Jorio Dauster e Sergio Duarte, as mesmas linhas do original em ingles que há pouco incluí, mas  numa citação mais extensa.

    No entanto, lhe escapava o essencial,
    O que mais interessa ao saudosista.
    Pois que morremos todo dia, o olvido
    Não viceja nas tíbias ressequidas,
    Porém nas coisas vivas. Os melhores
    Momentos do passado hoje são pilhas
    Mofadas de papéis, nomes e números.
    Estou disposto a transformar-me em flor
    Ou num mosca - mas nunca a esquecer.
    E, assim, rejeitarei a eternidade 
    A menos que a ternura e que a tristeza
    De ser mortal;que a dor e que a paixão;
    Que tua impaciência ao reparar
    Que acabaram os cigarros; que teu jeito
    De sorrir para os bichos; ou que a trilha
    Prateada que uma lesma deixa atrás
    De si; ou que a caneta, e este papel,
    Este elástico fino que, liberto,
    Tem forma de ampulheta - que tudo isso
    Aguarde as almas na chegada ao céu.

    MN


    ou


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    [Aeternus:9836] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-12)


    - A Outra e...Do Outro Lado

    Quando penso em retrospecto sobre filmes acontece com freqüência apreciar algo que na hora não vi daquela maneira. O filme "A Outra" (não o do W.Allen, claro) foi um destes, fora as roupagens deslumbrantes que pareciam até de filme chinês de adagas e efeitos especiais.  Até percebi uma coisa: se a loura boazinha Mary Boleyn , pretendendo ser leal à irmã, não tivesse mentido sobre o casamento de Ann Boleyn quando inquirida pelo Rei Henrique VIII toda a tragédia teria sido evitada porque o rei repudiaria Ann logo no início. Ou pelo menos, só a Ann morreria... Também pode-se ver que a mentira da Mary permitiu o nascimento da era isabelina.

    Ontem não deu pra assistir todo o "Do Outro Lado" ( filme alemão-turco bem premiado) porque tinha tres netos assistindo a Marietta Severo contar histórias de fantasmas numa sala, duas netas vendo um filme de amor frances com a Amelie Poulain  e as sessões não coincidiam perfeitamente. Gostei bastante do que puder acompanhar ( não cheguei a ver Lotte ser morta, só Yeter) e me vi mais perto da  rebeldezinha turca do que da alemã, embora sem a mesma raiva descontrolada e sua coragem  sem direção. A Europa do primeiro mundo, com ruas limpas e cidadãos corretos ou bem intencionados, parecia sem rumo, sem "pai", num caos organizado por automatos. Muito inquietante, pra mim, que cresci idealizando o berço desta civilização e denegando o quanto Hitler é representativo de toda ela ( não só dos alemães ou austríacos) - mesmo quando "o outro lado" não é lá muito diferente não.

    Enfim. Não queria entrar neste assunto. O que gostaria  de conferir com o Gallego e o Florião e outros peritos é algo ligado ao roteiro ou ao jogo da camera.

    Coincidiu de, à noite, ver uma seqüência de filmes antigos da "Pixar" e notar como cumulativamente vai aparecendo algo tóxico como picada de abelha. O foco, os cortes, a mentalidade me levou ao filme do Outro Lado, o olhar esbugalhado da Lotte, os primeiros planos com uma moça dormindo no meio de uma aula sobre o romantismo em Goethe ministrada por um turco, mais outras cenas em que se vê a mesma moça ( que este professor turco sai procurando na Turquia quando ela   já tinha ido à Alemanha) passando de carro ao lado dele, com a mãe dela seguindo logo acima num trem.  Todos estes recortes me pareceram coisa de "story-board" ou de quadradinhos desenhados em cartum, não eram opções "cinematográficas" tradicionais. 

    O que opinam os peritos? 


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    [Aeternus:9837] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-12)


    - RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Achei "A Outra" um filme apenas cosmético - o que naturalmente se refrere à beleza das atrizes. Mas rostos bonitos, vestuários e cenários não são suficientes para um bom filme de época e tudo me soou morno, sem sal - em uma história que pode ser ainda considerada "escandalosa" - (ou pervertida?) - (o mesmo homem transa com duas irmãs, casa com uma delas, elas ficam estremecidas, ele manda matá-la, etc etc). O ator que faz o Henry VIII pode ser bonitão e saradão (vemos mais o tórax dele do que das atrizes) mas está anódinno em um desempenho bem insípido e incolor. Uma história da História da Inglaterra ainda hoje mal contada: afinal, Anna Bolena foi vítima apenas, caluniada pelo maridão provavelmente já com sinais de sifílis - e em seis casamentos oficias ainda mataria outra esposa (que parece que foi bem safadinha mesmo, cheia de casos, mas daí à decapitá-la...)? Ou Ana tinha mesmo ligações meio traiçoeiras com países rivais (França, no caso)? Tudo ficou pequeno neste filme, exceto um esforço das atrizes para não deixar a peteca cair, sendo que Natelie Portman mostra mais cacife do que Scarlett Johanssen, que nem está mal, mas tudo afunda nesse filme que já está
    meio apagado na minha lembrança embora o tenha visto há coisa de um mês e pouco.

    Em "Do outro lado" os aspectos do roteiro que Jansy destaca (a moça dormindo no meio de uma aula sobre o romantismo em Goethe ministrada por um turco, segundo-se bem mais adiante outras cenas em que se vê a mesma moça  - que este professor turco sairia procurando na Turquia quando ela  já tinha ido à Alemanha - passando de carro ao lado dele que está com a mãe dela seguindo logo acima num trem), mais do que "coisa de 'story-board' ou de quadradinhos desenhados em cartum" como sugeriu Jansy, já se tornaram o que ela supôs que não seriam "opções "cinematográficas" tradicionais" pois  se encontram há tempos em vários filmes de Altman (desde "Nashville", passando por "O Jogador", "Kansas City", etc etc) e mais recentemente em "Magnólia" e no "Crash" que recebu um Oscar
    São jogos de coincidências, histórias separadas que seguem curso próprio mas que têm pontos de intersecção comum com outras histórias, ou seja: o personagem que seria "principal" em um enredo pode ser "secundário" em outra linha de destinos.
    Há filmes em que essas linhas se cruzam, em outros, não.
    O recurso vem sendo tão utilizado que já virou saco de pancada da crítica mais "mudernosa" e pretensiosa, com ou sem razão. Por exemplo, em "Babel" e outros filmes deste diretor mexicano e seu (agora ex-) roteirista o recurso virou clichê surrado e gratuito, ao meu ver. Se funcionou vem em "21 gramas" ficou muito ruim em "Babel" (escrevi texto a respeito, deve estar em algum ligar do aeternus na lista do festival 2006, eu acho).
    Já "Crash" foi malhado injustamente do meu ponto de vista.
    Mesmo "Magnólia" que eu supunha uma quase unanimidade tem desafetos cruéis.

    "Do outro Lado" já está sendo mal falado por estas coinicidências de histórias que se cruzam pelo olhar privilegiado do espectador (mas que nem sempre se cruzarão para os personagens). Prêmios podem ser polêmicos, mas curiosamente o roteiro deste filme é que tem sido premiado em festivais. O que eu comecei pensando é que reconhecer possíveis méritos do roteiro (para quem os encontra) deixa de lado a narrativa visual que me chamou a atenção.
    Jansy viu a primeira morte: o enquadramento é seco, à meia-distância, diferentemente de outros planos fechados sobre o rosto da mesma personagem (no ônibus quando é assediada por "patrícios" que  não aceitam uma conterrânea se  prostituindo. Pretendo rever o filme quando geralmente presto mais atenção ainda à forma utilizada pela narrativa e vou confirmar (ou não) minha primeira impressão.

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    [Aeternus:9838] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-12)


    - RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Devo estar ficando gagá porque nunca mais dei conta de dizer o que pretendia originalmente.  As coincidências do filme são triviais, do tipo que acontece mesmo e a gente, como raramente está de espectador, não nota porque é vitima.

    Acho que a primeira vez no cinema em que a encontrei foi em O Ultimo Tango em Paris. Ou foi em Guerra e Paz? ( vou achar uma frase do Nabok sobre isso). Os meus exemplos misturaram o meio de campo! Eu queria falar dos closes com o professor ao fundo da sala e a mocinha dormindo na carteira: uma imobilidade e foco gráfico dos quadrinhos. Ou a visão do casal passando acima e o outro, emabaixo. Ou os olhos esbugalhados da Lotte apaixonada. As cenas de bar. Tomadas estáticas e às vezes repetidas para chamar atenção para a coincidência.

    O filme A Outra era bem trivial no enredo, lembrou-me uma variante do Rei Lear edipiano chamada "A Maldição da Flor Dourada" ( o mesmo diretor do "Clã das Adagas Voadoras", que neste de agora se excedeu... se é que seria possível tal feito). Apreciei as sedas e o luxo de todos, e gostei de imaginar a loura boa destruindo a irmã de tanta bondade  e o jogo político desconsiderando a mulher, a igreja, etc Gallego então concorda que, no todo, a coisa é ruim mesmo ( o que gostei é mais invenção minha do que algo no filme). Não gostei do desempenho  de nenhuma das moças, da Natalie menos ainda. Mas, meu angulo impaciente com os umidos lábios entreabertos da Scarlet  e  a expressão  trincada da Natalie é de mulher, não masculino. A Scarlet...gostei do filme do barbeiro que não estava ali ( era criança ainda) e em Lost in Translation. A Moça do Brinco de Pérola foi um achado feliz pela semelhança, depois... pra mim, acabou-se, Allen e   tudo. Natalie estava excelente em "Close".  Sou totalmente preconceituosa. Sem os críticos tranquilos como Gallego sairia só dando pontapés desarticulados...

     


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    [Aeternus:9839] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Não sei se Jansy não disse desde antes o que queria dizer: eu que valorizei o aspecto das coincidências que ela comentou longamente mas era "en passant". E concordo que o filme tem um certo "grafismo" nos enquadramentos clásicos de quadrinhos igualmente clássicos ou antigamente inventivos, ainda que hoje, banais. Mas "o professor ao fundo da sala e a mocinha dormindo na carteira: uma imobilidade e foco gráfico de quadrinhos" é um olhar pertinente, ainda mais que a moça adormecida está em priemeiro planoi em um dos cantos da tela para deixar o foco porfundo mostrar o professor. Na primeira vez que ete take surge a gente pensa se o professor é entediante ou os alunos desinteressados, mas quando surge de novo a gente se lembra que desde antes a moça que ele ainda ira procurar já havia estado por lá e ele nunca a encontraria de primeira na Turquia. A ênfase da repetição assinala, sim, a coincidência (ou INcoincidência) de destinos que NÂO se cruzam quando um dos odis queria que se cruzassem.

    Dentre as "tomadas estáticas e às vezes repetidas para chamar atenção para a coincidência" se deestacam uma (nem tão estática) que abre o filme, de um carro parando em um posto onde salta um adulto jovem para comprar água e algo mais para comer. Esta cena reaparecerá pertinho do final e nãoo tem significado maior em si mesma, é apenas uma cena "de ligação" que mostra somente uma parade de um viajante de carro durante um percurso em estrada que vai de um lugar para outro. Mas o que está sendo ligado de uma ponta para outra é muito importante: aqui, a co-incidência não é de encontro nem de cena repetida para mostrar que já houve uma oportunidade perdida de encontro que não se deu, mas é uma incidência comum de destinos semelhantes e que neste caso não se cruzam: o destino da mãe de Lotte e... não conto mais para não tirar a graça de quem ainda vai ver o filme.
     Que vale muito a pena!

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    [Aeternus:9840] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Outra coisa sobre os ângulos de enquadramento em filmes como "Do Outro Lado": quando Degas pinta suas figuras sem centralizá-las no espaço da tela, ele está "inventando" os quadrinhos? O cinema? A fotografia? Ou está citando algo que ja´existia? (a fotografia, gravuras, ilustrações em páginas de livros, e talvez o cinema - ou algum precursor de imagens em movimento)

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    [Aeternus:9841] Mensagem do Grupo56
    -Marcos Florião(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado / bem...

    ...agradeço a chamada da Jansy, mas não tenho como opinar aqui, uma vez que não assisti a obra mencionada.Que, de resto, Gallego esmiuçou bem quanto à estrutura.Muitas vezes nos escapam nuances de construção, envolvidos pelo emocional.

    Na análise combinatória habitual da salada de gostos, vou discordar do que discordo :
    a. 'Babel' acho obra-prima irretocável, fantástico/desbunde/esplendor do esplendor.
    b. Scarlet Johanssen está estupenda em 'Match Point', seu melhor papel.
    c. Gosto bastante de 'Magnólia', um filme tão amargo quanto interessante.E nadinha de 'Crash', a esquecer.

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    [Aeternus:9842] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Como não voltarei ao cinema para assistir o filme ( espero para alugar em DVD) tenho que ficar curiosa a respeito da mãe de Lotte...  Não entendi a parte  da cena repetida no começo e no fim. Inicialmente vi o turco-alemão viajando da Turquia para a Alemanha e parando num restaurante de beira-estrada. Achei que encaixava na sequencia da história com ele entrando em casa e dando um livro para o pai. Então há mistérios para avaliar. 

    Não achei a frase do Nabokov. Ele dizia que certos autores evitavam incluir coincidências nos seus romances para não parecer que forçavam a barra, no entanto ( acho que foi Tolstoi quem primeiro o comentou, ou VN falando sobre este) excluir coincidências seria, na verdade, falsificar a vida... 


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    [Aeternus:9843] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado

    Boa pergunta, Gallego. Não sei se isso era ser precursor dos quadrinhos, talvez o seu filho Francisco que é especialista nisso possa nos esclarecer. Duffy também, mas pintores holandeses bem antigos às vezes incluiam um pedaço de personagem, um braço ou ombro sem dar continuidade ou explicação. Também Brueghel ( o pai?) pintou Icaro caindo num cantinho de uma tela. Neste tipo de indagação cabe até pensar em Velazques no Las Niñas, com o citado personagem no umbral da porta servindo de inspiração para milhares de outros usos...

    De repente, apesar destes precursores, com desfocamentos ocasionais, vale pensar em Degas como inaugurando algo novo... Hoje li na internet sobre um achado arqueológico no Peru com desenhos que, segundo interpretaram de cara e ainda vão avaliar melhor, serviriam para indicar uma "mudança de código de comunicação" e a emergencia de um novo paradigma.   


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    [Aeternus:9844] Mensagem do Grupo56
    -dora zander(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado / bem...

    Florião, agradeço a resposta atenta, mesmo se não esteja dizendo algo sobre o filme que não assistiu...

    Tinha meio que implicado com a Scarlet no filme do Woody Allen e, menos do contra, concordo que ela está estupenda ali. Revi "Babel" num canal de tevê  e o fato de ser algo descompromissado, ocasional... me ajudou a apreciar o filme como não havia feito antes e acho que é realmente uma obra prima irretocável. Também me agrada "Magnólia", assim como o pastiche do Scorcese com uma escultura que acaba  servindo para esconder o ator, mais outros desastres num bairro de NY.


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    [Aeternus:9845] Mensagem do Grupo56
    -Luiz Fernando Guedes Gallego Soares(2008-07-12)


    - RE:RE:RE:RE:RE:A Outra e...Do Outro Lado