The Begining (Ruy Penalva/2004)
Um poema é algo que não se acaba nunca, se desiste de terminá-lo. Este nasceu de um momento meio mágico quando cheguei em casa para almoçar e ele pintou na minha tela, eu já estava no banheiro despido; vesti a bermuda e deixei as linhas mestras dele rabiscado "inintelegívelmente" num papel. Ele insistia em ser feito todo e foi me tomando em pura liberdade imaginativa e imagética, mas eu estava com pressa e adiei terminá-lo. Juro que se o tivesse feito em ligeira embriaguês e de chofre ele teria saído melhor. Não está de todo ruim, ele é um Imagema, um poema em cima da imagem, ou um PoeMagem, um poema calcado na imagem.

 

The Begining (Ruy Penalva/2004)

Alguma coisa me diz que ela vai me fazer feliz,
Não sei se é pelo seu nariz ou por algo que me recorda um filme de Hollywood,
Em que faço o papel de bandido e assalto diligências cheias de ouro,
Sob tiro cerrado do exército Americano, com farda azul.
Algo me diz que eu vou voltar a ser um Cheyenne montado num cavalo sem sela,
E vou raptá-la para levá-la por prados floridos,
Onde Odonatas e Lepidópteras dançam ao som de uma trilha sonora,
Na qual não faltarão pausas, nem para o suspense nem para pipoca.
E que na hora do nosso beijo vai aparecer um The End,
E eu vou dizer: Não, não acabou não, continua na próxima sessão”...
E muitas pessoas irão para casa pensando em nós dois,
Pensando na cena final do nosso beijo,
Pensando no quanto a felicidade pode ser congelada na tela.
E vamos viver por muitos e muitos dias nos corações das pessoas.
Até nós, vamos acreditar que fomos felizes, e fomos mesmo...
E vamos fazer um pacto de entrar na tela e nos congelarmos para sempre na imagem.
E quando para além da imagem e da mensagem nós formos de verdade,
Então seremos felizes por termos sido felizes a trinta quadros por segundo.

The End.





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