A PESSOA NONAGENÁRIA

- Projeto Pessoal:   Um  Idoso Nonagenário

 

- Tema:   AS  IDADES   DO  SER  HUMANO

 

- Texto:   A  PESSOA  NONAGENÁRIA 

                                                                                                                      - Cód.  2P / 02.

                                    

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                                     “A idade áurea do ser humano não se encontra atrás de nós,

                                    mas à nossa frente, e consiste na perfeição da ordem social”.

                                         ( Saint-Simont, (1760-1825), Reorganização da Sociedade).

 

                                   “ Cada idade tem seus humores, seus gostos e seus prazeres,

                                     como a nossa pele, embranquece os nossos desejos.”

                                         ( Mathurin Régnier, (1573-1613), Sátira V).

 

 

                            Na vida de cada pessoa sucedem-se fases distintas – as idades – que nos surpreendem, com singulares ganhos e perdas, tecendo a trama individual de eventos representativos da caminhada, pelo Tempo,  até o  nosso destino final.   É o ciclo vital, individual  e inexorável que fundamenta os aspectos bio-psico-sociais do indvíduo da espécie homo sapiens sapiens, configurando características que lhes são peculiares e  que o distinguem  dos  demais  indivíduos  do reino animal.

           

            A última fase biológica da vida humana, a da natural e longeva velhice, conduz a pessoa a um estado que, embora natural, apresenta aspectos circunstanciais um tanto  diferentes dos que ocorrem em  outras  idades.   Esses aspectos peculiares constituem o objeto do  que desejo  abordar, neste e em outros textos do trabalho e dentro de minhas possibilidades.

           

            Estar simplesmente nonagenário é fácil. Postar-se passivamente e deixar que o Tempo siga o seu rítmo sereno e  indiferente ao que ocorra conosco, deixando que o calendário vença os dias e anos para atingir a década dos 90, é cômodo e de uma tranqüilidade egoísta não recomendável.

 

            Ser nonagenário exige bem mais da pessoa. Não só em consentânea  atividade como em comportamento mais participativo. Os acontecimentos  comuns e imprevisíveis da vida podem continuar ocorrendo e a pessoa deverá ter  disposição, a despeito de dificuldades ocasionais, para enfrentá-los, pois na maioria das ocasiões, além dos seus esforços poderá  contar com a ajuda de alguém. Transpor momentos problemáticos e as agressões à sua atual condição de vida continuarão a ser desafios.

 

             Ultrapassar o marco dos 90, com a consciência de que se empenhou em cumprir as naturais obrigações pessoais,  para consigo e para com os seus, é um acontecimento mais do que significativo, e bem gratificante, pelo qual deve agradecer a Deus pela graça concedida.  Aos seus, deve também creditar a assistência que  teve  e está tendo. A si mesmo, inclusive, pelo esforço dispendido e deficuldades vencidas no longo percurso.  Continuar cumprindo  a missão  importante de acompanhamento do desenvolvimento familiar será opção  ou necessidade particular,  conforme as condições de cada caso.

 

            Na modernidade, em que o planejamento sistêmico comanda as ações previstas para obtenção de objetivos há a necessidade de se adequar para o   seu preparo. Tem que haver  acompanhamento ativo e participativo da vida em curso e aos permanentes cuidados para não se expor, desnecessariamente, a fatores negativos e incompatíveis com as condições da pessoa nonagenária. Condição prioritária e imprescindível é adaptar-se ao  novo estado de vida, mais dependente da ajuda eventual de outrens. Tal não é raro e pode tornar-se um encargo, seja familiar ou não, requerendo  compreensão, paciência e bastante espírito de acomodação para ambas as partes. Vaidades e gestos de preponderância  têm de ser amenizados ou eliminados para que o relacionamento seja natural,  tranqüilo e  harmonioso.

 

            No decurso do Tempo, ao passar das gerações e no surgimento das comunidades mais populosas foram aparecendo necessidades que se tornaram indispensáveis para o estabelecimento de  normas e posturas no trato com  pessoas integrantes de diferentes segmentos etários. Segmentos esses, da sociedade comunitária, que merecem  atenções especiais, como os das crianças,   dos jovens, de determinados estados da fase adulta e o da velhice ou senescência. .Como em outras, nesta última fase, dado o seu crescimento, já existem políticas governamentais e numerosa legislação que serão objeto de texto apropriado..

 

            Nos estudos da velhice existem outros aspectos e considerações que levaram à assimilação do termo idoso. Jurídicamente passou-se a definir os maiores de 60 anos, independente da  década de anos de idade em que se achem situados, como idosos e não, propriamente, como velhos.  Deu-se-lhes, assim, como diríamos, um toque de carinho.  São os idosos sexagenários, septuagenários, octogenários, nonagenários e os  centenários, para aqueles que já tenham ou passem a ter  mais de 100 anos de idade.

           

            Em texto anterior, sucintamente, tratamos da evolução das fases da vida, sob o ângulo biológico, em seus sucessivos segmentos, desde a fecundação, estágio intra-uterino,  as fases da infância, juventude, idade adulta e a da velhice, atualmente denominada, em sentido genérico,  a da  terceira idade.

 

            Na fase do idoso ainda podemos fazer menção à quarta idade, cujos estudos já se vislumbram  admitindo-se-lhe a presença de  algumas condições diferentes      para as pessoas acima dos 80 anos, que passariam a integrar este grupo. No geral, é fácil notar-se a diferença do estado físico e, até mesmo orgânico, entre pessoas  sexagenárias  e octogenárias. Além das conseqüências dos tropeções da vida, há as da própria  individualidade e as peculiares a esta faixa de idosos. Tema que ainda gera alguma polêmica e há muito de negativismo, quando se considera apenas a maior dependência desses  idosos, sem se levar em conta outros aspectos dignos de maior atenção.

 

                       

 

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H.B.Campos                                                                                                   Brasília,08/04/20008

 

                       

                                              





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