Welcome to Aeternus

Aeternus


 Create an AccountSite | Enviar Artigos | Seu Perfil  
Usuário Info
Bem-vindo(a), Anonymous
Nome de usuário
Senha
(Cadastre-se)
Cadastramento:
Último: Isadora
Hoje:: 0
Ontem: 0
Total: 171

Pessoas on-line:
Visitantes: 9
Cadastrados: 0
Total: 9

Sumário
 Site
 Administrador
Accès réservé aux membres Estatísticas
 Debates
Accès réservé aux membres Lista
 Descrição Listas
 Artigos
 Artigos Topics
 Arquivo de Artigos
 Autores & Artigos
 Os 10 mais
 Literatura
 Contos Originais
 Crítica Literária
 Poesias
 Ensaios:Nabokov
 Livro Caripeba
 Livro das Fadas
 Estética Barroca
 Entrevistas
 Downloads
 Informações
 Blog
 Web Links
 Seu Perfil
 Procura
Accès réservé aux membres Calendar
 Artes
 Poesias
 Gallery
 Testemunho
 Videos
 Culinária
· My eGallery
 Ajuda
 FAQ
 Fale Conosco
 Avaliação
Accès réservé aux membres Calendar

Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  
Trechos do Caripeba III (Humberto Haydt)

Página(s): 1/3
(1081 total de palavras neste texto)
(942 visualizações)   Imprimir




Como terminará a infancia do Herói

 
 
            Bom tempo aquele, o do Caripeba, piá, brincando na clareira com os bichos todos em irmanação.  O sol esquentava o lombo e não brotava perigo de tanta coisa, porque a inocência era grátis e se nascia com ela.  Demais, não havia preocupação: a Uiara fazia saltar pira tenrinho quando soava no bucho o meio dia em ponto.  E fogo tinha à vontade, era só chamar o Saci que conhecia os atalhos onde passavam os seringueiros que nunca o negavam:
            “Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou tomando banho!”
 
            E tudo estava tão longe do acontecer que o destino parecia brincadeira de susto que se prega em curumim endiabrado.  Ibicurussá nem sabia que estava sendo ocupada, que tinha um rabo de cobra na boca, enquanto a boca da cobra mamava o peito da evolução.  O Caripeba mesmo nem tivera a notícia de que muuitos escolhidos não conseguiram fazer mais do que deixar estórias gravadas na imaginação, virar cantiga de cururu, ABC de mercado.
            “ Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou enxugando!”
 
            A infância do Caripeba era a mesma de Ibicurussá.  Também brincava de roda, sabia quadrinhas interessantes, ingênuas.   Mas o tempo foi passando, parece que tudo se encaminhava de propósito para um objetivo muito grande, muito grande.  O herói tinha uma sede cachorra e a sede era tanta, a sede era outra, de tanta água, dum outro Igaratim.
            “ Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou vestindo a calça!”
 
            Como nos grandes enredos, Tupã dá uma infância inigualável que é para aumentar, sem lhe doer a consciência, a dor e a nostaliga do marmanjo.  No começo, tudo fácil.  Depois, aquele rebojo de danações.
            “Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou vestindo a camisa!”
 
            O sol passava também risonho e pagão no seu carro de fogo puxado pelos jumentos e as folhas ficavam se virando que é para dar caminho pros fachos que se alternam, fazendo, da paisagem bonita, uma paisagem muito bonita.  E quando orvalhava lágrima no veludo do capim-mimoso, do capim-carona ou do sapé, os pequenos bichinhos rasteiros contavam mil e um arcos-da-velha na intimidade das moitas.  E o amendoim-do-campo, famosa resistência às queimadas, era um exemplo de vontade que impressionava o Caripeba.
            “Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou vestindo o paletó!”
 
            Sem se falar no passatempo predileto da pescaria de poita, de zagaia, de pinauaca.  E quando peixe rareava, sumido no igapó visguento, cheio de pium, tinha caçada de patos, flecha ligeira ganhando o espaço em rumo certo, de derrubar.
            “Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou pondo o chapéu!”
 
            E depois, de noite, ao pé da fogueira que o Saci acendia na coivara, cada habitante da selva vinha se chegando pra contar as últimas dos arredores.  O Caripeba gozava baixinho, olho apertado pra imaginar melhor as espertezas do Jabuti, o susto do caçador quando encontrou os galhinhos cruzados que o Saci deixara na trilha,as últimas conquistas de Romãozinho e mais uma cadeira de notícias fresquinhas.
            “ Vamos passear no bosque
            Enquanto seu lobo não vem.
            Está pronto, seu lobo?
            - Estou pegando a bengala! “
 

            Foi a correria.  Ninguém acreditava que o lobo viesse, que o dia chegasse.  Perguntavam só para constar, como brincadeira de menina.  E a bengala foi a última peça.  Acabara a infância de Caripeba, saciada a fome elementar.  Começara a caminhada para a matança da fome dorsal. A fome geral.


--oo--

   Próxima página (2/3)

[ Voltar Livro Caripeba | Índice de Seções ]

Web site engine's code is Copyright © 2003 by PHP-Nuke. All Rights Reserved. PHP-Nuke is Free Software released under the GNU/GPL license.
Tempo para gerar esta página: 0.06 segundos