Humberto 60 - part II
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Poema de Humberto de Sempre ( 30.3.66)
elementos
Eu não sei de nada,
mas é bem verdade que os acontecerem me comovem
e viver, se for amar o que se amando
falta ao dia do criar mais no profundo,
os elementos que se abram em tese farta
de que deles não lhes seja mais o mundo.
O ar - que tal? -
de atrito carinhoso nessa face
eu o sinto desligado deste vento
que, em sendo o ar em movimento,
mais balouça que embala
as fiubras que o tear de meu entendo
à trama a urdidura fai tecendo.
A terra com seu ventre declinado
em vez de planta, pedra e bicho
dá-me o gosto do descanso e itinerário
que, aos poucos, no caminho descobrindo,
escolho e traço, dia a dia arrependido,
na busca de uma flor que está se abrindo.
O fogo que acendo iluminando
o claro ( porque claro nunca é tanto,
porque fogo assim tão dominado,
à disciplina de graveto se esfregando,
nãof az mais que atear-se ao desejado )
é a língua que, calada, faz-me o verso
que à luz modesta vou achando.
E água que se molda ao vaso curvo,
fazendo outro vaso mais no vero,
líquido no dentro - conteúdo
rico em linha continente,
é o fluido que me soa tão maduro
como a forma de viver que não soletro.
Pois viver é relutar em se contendo,
mas não ter a forma em se moldando.
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