Trechos do Caripeba VI (Humberto Haydt)
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Como o Herói será logrado outra vez
- Ai , Caripeva! Que me cenceste como ninguém! Teu destino é grande e me rendo ate teu poder! Dou-te meu sinete e me torno teu escravo!
Já iam longe mangando batelões de irreverências, Macaco-prego exibindo as partes, Caburé gargalhando miados, Papagaio declamando obcenidades, Jacaretinga rebanando o ar, Jabuti fonficulando, quando Quimboto berrou a rendição:
E atirou no rumo do deboche um anel de signos complicados. O Caripeba gozou. Catando a jóia depressa, enfeitou o fura-bolos, apontou pro Quimboto que já vinha mais ligeiro, ordenou:
- Escravo Quimboto, fica aí paradão até que me façam Ibicurussá libertinha!
Mas o feiticeiro se movia a passo certo, nem parecia no escuro. O Caripeba quis sacudir o anel no mato. Mas não saía do dedo. Fugiu.
Fugiu porque já vinha o Quimboto no rasto pra maltratar. Quis ser veloz como o raio, mas e os poderes? Andou.
Difícil é fuga assim, os elementos todos de costas nem tomando conhecimento do aperreado. Antes era um maná. A Uiara dava os peixes de mão beijada, as frutas maduravam antes do tempo, só para a goela do Caripeba. Agora o herói é qualquer um perdido na mata sem saber pra que vive. Só com o fito de fugir, fugir do Quimboto que vem aí atrás montado na lebre veloz dos acontecimentos.
- Que é feito de mim, Coemitanga?
- Caripeba-açu.
Quê dê mirim? Quê dê facilidade? Mas ao seu lado os amigos de sempre, cabisbaixos e leais buscando as saídas, abrindo picadas porque aí vem o Quimboto montado na veloz.
Fugir, fugir se como? O malvado seguia o rasto do anel que dera na rendição. Por onde passava o herói, ficava uma tabuleta balizando o caminho, uma tabuleta abstrata e maldosa que se plantava nas curvas, nas fímbrias, nas tocas:
CARIPEBA a 200 Km
--oo--
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