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Divulgação
Lançado o Livro das Fadas
O primeiro livro Virtual Aeternus

  
Trechos do Caripeba VII (Humberto Haydt)

Página(s): 1/3
(1709 total de palavras neste texto)
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Como será encontrado outro obstáculo
 
 
 
Voltaram pra origem, que era mais perto.  Fizeram um paperi de piri-piri  trançado com ouricuri, montaram ligeiro e só então pisaram do outro lado.  Iam desembarcando pra continuar a carreira quando surgiu um Abaeté vestido de toureiro.
 
- Quem é tu?
- Sou Manolo e daqui só passa quem for mais toureiro do que eu.
 
Resolveram provar.  Bastaria pouco.  Uns paus pro curro, lança, bandeira, garrocha, um qualquer que sirva de jacuba, outros de capinha, vários de máscara.  Os importantes que mandem erguer, junto à cerca, palanques particulares.  A bicharada atraída fica na arquibancada que é o vário da volta.
El Caripeba toureia depois.
Brevinho estava pronta a arena, alguns coretos enfeitados com panos tingidos, barraquinhas pros salgados e a queimante.
Foram buscar no longe do planalto o único boi que se dizia touro e fustigaram, enraiveceram ao máximo o bicho no tronco que era pra não fazer fiasco.  O Papagaio, num conlui com o Macaco-prego, jogava flechas de taquara com um arco entaniçado de papel crepon.  Nas pontas iam alfinetes que se fincavam no couro do pobre.
O festeiro auto-eleito, que era o Jabuti, deu licença, sentado na aresta do barranco, pra começar a função,  enquanto os espectadores vaiavam o jacuba.
Manolo entrou no curro montado num tordilho fogoso enquanto a banda desfechava a pancadaria percussão, metaizinhos salpicando alternações gostosas num ritmo goteira saudosista.  Atrás vinham os capinhas e os máscaras, convictos de seu papel.
Soltaram o Ferdinando, que investiu furioso e a lança colorida se partiu sem fisgar.  O irado derrubou cavalo e cavaleiro, correu contra o desarmado com a cabeça baixa, jogou fora o toureador.
E tudo ia acabar sem satisfação quando El Caripeba saltou pra dentro, olhou nos olhos do touro, fez pontaria, experimentou a força nuns pulos, fechou os olhos e fez o arremete contra o animal.  Era um correndo de cá e o outro de lá no sentido oposto simplemente. Bateram.
Pra não perder mais tempo porque o Quimboto e´vem, o herói partiu na fuga levando os amigos. E xarque pra muitos dias.
 
Como haverá tempestade e todos se salvarão da galharia.  
 
A caminhada continuava.  Na quase noite de dentro da  selva, as árvores mesmo pareciam inimigos ferozes mexendo bracinhos.  O herói não se importava.  Tupã manda o frio conforme o cobertor.  E se há inimigos, que esperem a sua vez, porque por enquanto a luta é com o Quimboto.
Mesmo os elementos que estão de costas tramavam uma emboscada.  Por cima das árvores as nuvens foram se grupando, formando um mundão denso e escuro e um ventinho malicioso penetrando na alma dos andarilhos, trazendo agulhas finas à ossatura mal coberta.
Nos galhos mais altos os rouxinóis, as aranquãs, os muitos outros, num pânico organizado, resolveriam abandonar ninhos e abrigos.
Tudo foi se tingindo de fuligem.  Mais um pouco, o Caburé achou que era dia e disse “até que enfim”.  Ninguém mais enxergava nada mas o zoiudo funcionou:
 
- Segura na minha asa, Macaco-prego, e puxa os outros!
 
O Jabuti sabia o maior perigo, foi logo dizendo pra encontrarem abrigo cavado ou corte em marquise porque a maior tempestade estava por vir.
A água descia desgovernada do alto, cascatas convergentes batendo com força.  Acharam a toca adequada e daqui a pouco, a galharia seca presa por um fio se abalou, o vento impertinente soprando a queda, veio de jorro ricocheteando nos troncos, tomando direções imprevistas.
Depois de tudo passado, só uns pintos ainda cantando a marcha surda, o claro bordou o ar da selva e o arco íris apareceu falhado nuns vãos de cima.
O herói mudou um pouco o caminho.  Não que acreditasse, mas não custava nada evitar passar por baixo.
 
Como o Herói será desafiado pelo cavaleiro e vencerá a justa.
 
O Caripeba ia apressado na caminhada porque fugia e tinha, no fundo do coração, a quase certeza de que na fuga e no improviso encontraria um jeito para o problema geral.
Prosseguiria, se não ouvira a intimação pelas costas:
 
- Guardai-vos de mim, cavaleiro, porque me diz o coração que não sois flor que se cheire!
 
O Caripeba olhou na direção e viu um homem de lata, espada reluzente e escudo branco com uma cruz vermelha, presa por pregos pequenos e bons.  O cavalinho estava indócil e já se arremessara para a demanda, o piloto de lança apontada.
O Jabuti mandou parar:
 
- Quem quer que sejais,  cavaleiro, ouvi o que vos digo que é palavra sã!  Manda o # 5º. Do art. 1º. De vosso Regimento que não combatais com leigos em cavalaria., o que vos faria perder vossa seeda.
 
  O papagaio confirmou:
 
- Quem vai ao vento, perde o assento.
 
O drama estava criado.  Um cavaleiro quando desafia, tem que combater, diz o # 1º. Do art. 2º.   Demais, havia anos que este não encontrava adversários porque o mundo agora é de fracos, tem tribunais de 1ª. Instancia e etc.
Deu-se um jeito.  A hermenêutica ainda valia alguma coisa.
D. Caripeba Membyrangai fez vigília, nomeou o Macaco-prego escudeiro, na manhã seguinte foi armado.
Espada e lança de taquara.  O escudo era o Jabuti recolhido na posição 2, amarrado ao braço com cipó.
À primeira investida, o Jacaretinga não se ajeitou bem como cavalo, quase mesmo foi um fracasso porque arrancou de repente deixando o herói caído para trás.  O adversário investiu em vão e isto só serviu para trocar de campo, pai sol ferindo os olhos, agora, do impetuoso.
D. Caripeba montou outra vez, cochichou ao ouvido da sua montaria, deu vozes, recomeçou.
Na horinha do encontro pai sol brazeou mais no olho do invencível, o Jacaretinga saltou pro lado, deixou o cavalo passar, mando o rabo nas canelas do bicho.  Que beijou o chão.
A pé a briga foi fácil porque o herói jogou seu escudo no inimigo. Foi plang ressoando na selva e o Jabuti na batida agarrou a lata do outro, arrastou na queda.
Taquara contra espada é covardia, mas taquera comprida contra espada curta foi pra catucar de longe fazendo cócegas.
O cavaleiro se deitou pra poder rir melhor e D. Caripeba fez bilu-bilu com ramo de urtiga que a risada fica no ponto.
E a caminhada continuou, deixando na picada o cavaleiro despido de sua lata, mui mal chagado, se rasgando com as unhas, diz que num gozo ardido que urtiga faz.
--oo--
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