Amizades do talvez (Miguel Calmon du Pin e Al)
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Amizades do talvez
(Miguel Calmon du Pin e Al)
Instituições do talvez, imprevisíveis, inesperadas. Abertas à diferença e ao insólito. Fundadas em uma política da amizade, cultivadas pelo ethos da distância, da boa distância, e resistentes às forças repressivas que nos constrangem a falar, a confessar toda a verdade do que somos, e a buscar até mesmo saber o que somos forjados por uma tirania da intimidade. Instituições do talvez, resistentes a crer que tudo reside em um problema de comunicação. Pois se soubéssemos falar direito de nós e do mundo, perceberíamos que todos estamos falando a mesma coisa, que somos todos irmãos. Amizades do talvez, lugar onde o silêncio pertence à amizade. Amizades que se estabelecem em torno da certeza de que algo de nós jamais será tocado, jamais será dito. Cerimônia, teatralidade e máscara. inversamente proporcionais à intimidade, confissão e naturalidade.
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2000
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